Portugal tem jogado muito mal, isso é uma evidência absoluta.
Não responsabilizo o seleccionador nem culpabilizo demasiado os jogadores, que apesar de poderem ter feito melhor no apuramento sabemos que procuram honrar o seu País.
A meu ver o que se passa é que esta geração denota algum cansaço, sendo necessária alguma renovação, dificultada pelo pouco espaço que os jovens portugueses têm nos grandes, assim se diminuindo o campo de recrutamento de Paulo Bento.
Creio que a situação pode começar a reverter-se em breve. Quero pelo menos acreditar nisso.
Estou convencido de que Ivan Cavaleiro, Bruma e outros valores começarão em breve a impor-se.
No imediato, penso que Paulo Bento deveria mudar um pouco o figurino da equipa (mantendo naturalmente a estrutura base, Patrício, Moutinho, Ronaldo), apostando nalguns jovens que podem dar mais garra e energia à seleção. Por muito que isto possa parecer cruel, penso que Rúben Micael, Meireles e Hugo Almeida, pelo menos neste momento, são jogadores que não devem ser convocados pois não acrescentam rigorosamente nada à seleção.
Quanto ao resto teremos que estar unidos visto que o adversário é muito sólido e calculista. Nunca fui daqueles que diziam que "com maior ou menor dificuldade estaremos no Mundial", precisamente porque sabia que não havia nenhuma inevitabilidade nesse sentido e que nos podia calhar (como aconteceu) um adversário muito forte. De qualquer modo também não nos dou por eliminados nem entro em pessimismos. Temos que fazer dois grandes jogos, estar concentrados a todo o momento e ter as nossas estrelas a 100%. Se assim for podemos passar.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
RTP Memória mostra o grotesco
Sábado de madrugada, o zapping leva-me à RTP Memória. Para minha surpresa está a dar um Porto-Benfica. No canto superior direito explicita-se o ano: 1993.
O Benfica tem uma equipa de sonho: Neno, José Carlos, Hélder, Mozer, Veloso, Shwartz, Kulkov, Isaías, Vitor Paneira, João Pinto e Rui Águas. O Porto é Baía, João Pinto, Fernando Couto, Paulinho Santos, Aloísio, André, Jaime Magalhães, Rui Filipe (falecido), Semedo, Timofte, Domingos e Kostadinov.
Na segunda parte, com 0-0 no marcador, o Benfica domina completamente o jogo e parece perto de marcar. Nisto há o célebre lance: um atraso para Neno, este chuta a bola, Domingos levanta os braços e "defende" a bola, que então fica à mercê de Kostadinov, que empurra para a baliza. O golo é bem anulado e a partir daí é o descontrolo: Kostadinov corre a toda a velocidade para o fiscal de linha e agride-o com uma peitada. Todos os jogadores do Porto rodeiam, empurram e insultam José Pratas. Dirigentes (?), adeptos (?) berram com o fiscal, um deles tenta agredi-lo com algo que parece um chicote. Finalmente a polícia aparece e apazigua esta gente que estava mesmo junto à linha lateral. Dentro de campo, quem faz de polícia é Mozer: revoltado com a situação, empurra os jogadores do Porto e impõe a sua autoridade. Os jogadores do Porto sabem que com Mozer não brincam. No fim da comoção, Fernando Couto leva um amarelo.
Se já na primeira parte tinha havido várias situações "no limite", a partir daí vale TUDO!
Os jogadores do Porto empurram, rasteiram e o árbitro deixa passar tudo. Nas bancadas, quando há um canto para o Benfica a turba cospe, insulta, tenta atirar objectos (ainda havia redes).
Deixa de haver faltas marcadas a favor do Benfica por muito que os jogadores do Porto as façam.
A turba rejubila.
É então que Fernando Couto, já amarelado, dá um pontapé a Isaías com o jogo parado mesmo à frente do árbitro. O comentador diz que Couto este acto pode custar a expulsão a Couto. Mas José Pratas corre para os jogadores, separa-os e nada faz. Há depois um canto, Mozer e Couto embrulham-se e aquele dá uma cotovelada (com bastante força) na cara de Couto. Este fica no chão a contorcer-se. Desta vez o árbitro não terá mesmo visto pois o lance passa-se longe da disputa da bola.
Um pouco mais e Paulinho Santos placa João Pinto numa jogada perigosa. Nada de cartão.
No lance seguinte, o mesmo Couto entra a pés juntos (uma agressão) de novo sobre Isaías. O árbitro, em vez de dar o vermelho, mais uma vez nada faz perante a indignação dos jogadores do Benfica.
Mais uns minutos e uma bola é metida em profundidade no ataque do Porto. Mozer ganha a posição, Kostadinov aparece no chão e Pratas mostra o vermelho ao nosso jogador. Na repetição fica a ideia de que Mozer coloca o cotovelo à frente do queixo do atacante do Porto. Como este, caso passasse, ficaria na cara de Neno, o vermelho aceita-se (Mozer não tinha ainda amarelo, apesar do lance referido). No entanto, Couto teria que ter sido expulso pelo menos duas vezes antes, tal como Kostadinov uma, tendo então o árbitro feito vista grossa.
Na sequência do livre é golo do Porto.
Não aguento mais e deixo de ver.
Mas quando decido escrever este post, apenas para mostrar como pouco mudou em 20 anos no futebol português, vou à net para recordar o que aconteceu até ao fim do jogo.
E o que aconteceu foi que um Benfica reduzido a 10 e a perder 0-1 contra uma equipa para a qual tudo valia, teve a raça e a fortuna de empatar nos últimos minutos. Aguentámos até ao fim o empate e, como o jogo era para a Taça, recebemos depois o Porto e vencemos. Acabaríamos por vencer a Taça nesse ano.
Apesar do grotesco do comportamento dos jogadores e público do Porto, apesar de uma arbitragem incapaz de ser imparcial face à insuportável pressão, os nossos jogadores não se deixaram vergar e tiveram o seu merecido prémio. Apesar de tudo o que se passava no campo e fora dele, aqueles nossos jogadores não tinham medo!
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Altura certa para lançar Ivan
Ivan Cavaleiro está a mostrar ter não apenas qualidade mas mentalidade competitiva para ser jogador do Benfica.
Se há coisa que podemos aprender com o Sporting é que a aposta em jogadores jovens portugueses da formação dá resultados.
Com a lesão de Sálvio abriu-se um espaço na direita do ataque que permite a meu ver que se deem oportunidades a jogadores como Ivan. É um jogador trabalhador, com recursos técnicos, com espírito colectivo e sentido de baliza.
Jorge Jesus precisa de dar sangue novo a uma equipa que parece amorfa, apática. Cavaleiro é o tipo de jogador que, como se costuma dizer, mexe com o jogo. É jovem, é fisicamente bem dotado, tem recursos técnicos e irreverência.
O jogo da Taça é uma excelente oportunidade para o lançar.
De igual modo gostaria de ver Steven Vitória em acção. Luisão não vai para novo e o luso-canadiano precisa de começar a ter minutos na equipa principal para um dia se poder impor.
O Benfica precisa de ter uma identidade mais definida para poder ter um modelo de jogo minimamente estável e isso não se conseguirá fazer sem uma base de jogadores portugueses. A chegada de André Almeida à seleção é uma boa notícia, importando capitalizar este momento.
Quem conhece melhor os escalões jovens do Benfica afirma que para além de Ivan e de João Cancelo, existem outros jovens com capacidade de afirmação ao mais alto nível.
Está na hora de JJ assumir a aposta que o clube diz estar a fazer na formação. Aproveite a qualidade que lhe é oferecida pela equipa B e aposte nestes jogadores. Há alguma razão para o não fazer? Estamos à espera de quê? Temos medo de quê?
Não está a aposta o Sporting nos seus jovens a dar bons resultados? Não é Josué titular do Porto, tendo já chegado à seleção?
Pela minha parte estou seguro: esta fornada de jovens não deixará ficar mal o Benfica. Assim lhes sejam dadas as oportunidades que eles merecem e o espaço de crescimento de que precisam.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Portugal e o caminho para o Brasil
As equipas já classificadas para o Mundial de 2014 são as seguintes 21.
Bélgica (Europa)
Inglaterra
Itália
Alemanha
Suíça
Bósnia
Espanha
Holanda
Rússia
EUA (América do Norte e Central)
Costa Rica
Honduras
Brasil (América do Sul)
Colômbia
Argentina
Chile
Equador
Austrália (Ásia)
Japão
Irão
Coreia do Sul
Existem 11 vagas em aberto, 5 para África, 4 para Europa e 2 intercontinentais. Alguns jogos já estão definidos (em África até já se jogou a primeira mão dos playoffs), os outros (Europa) serão sorteados segunda-feira.
Nigéria-Etiópia (2-1)
Senegal-Costa do Marfim (1-3)
Camarões-Tunísia (0-0)
Egipto-Gana (1-6 - não se trata de um erro!)
Argélia-Burkina Faso (2-3)
(Entre parentesis estão os resultados da primeira mão)
Uruguai-Jordânia
México-Nova Zelândia
Cabeças de grupo da Europa:
Portugal
Croácia
Grécia
Ucrânia
contra:
Roménia
Islândia
Suécia
França
Bélgica (Europa)
Inglaterra
Itália
Alemanha
Suíça
Bósnia
Espanha
Holanda
Rússia
EUA (América do Norte e Central)
Costa Rica
Honduras
Brasil (América do Sul)
Colômbia
Argentina
Chile
Equador
Austrália (Ásia)
Japão
Irão
Coreia do Sul
Existem 11 vagas em aberto, 5 para África, 4 para Europa e 2 intercontinentais. Alguns jogos já estão definidos (em África até já se jogou a primeira mão dos playoffs), os outros (Europa) serão sorteados segunda-feira.
Nigéria-Etiópia (2-1)
Senegal-Costa do Marfim (1-3)
Camarões-Tunísia (0-0)
Egipto-Gana (1-6 - não se trata de um erro!)
Argélia-Burkina Faso (2-3)
(Entre parentesis estão os resultados da primeira mão)
Uruguai-Jordânia
México-Nova Zelândia
Cabeças de grupo da Europa:
Portugal
Croácia
Grécia
Ucrânia
contra:
Roménia
Islândia
Suécia
França
Dois nórdicos e dois latinos, sendo a França a nossa besta negra e o adversário a evitar. A Islândia é evidentemente o adversário mais acessível, seguindo-se, em termos teóricos, a Roménia e a Suécia.
Em termos de curiosidades, refira-se que o México se apurou in extremis para o playoff intercontinental, depois de uma fase de qualificação horrível em que apenas conseguiu duas (!) vitórias em 10 jogos, tendo despedido um treinador pelo caminho, e acabando por ficar atrás de EUA, Costa Rica e Honduras. Na última jornada, já em tempos de descontos, o Paraguai estava apurado, pois vencia os EUA por 2-1. No entanto, dois golos dos EUA aos 90+2 e 90+3 eliminaram definitivamente o Panamá e permitiram ao México (que perdeu com a Costa Rica) ir ao playoff.
Outra nota para o Egipto, cuja crise política e social parece estar a afectar a equipa de futebol, trucidada pelo Gana na primeira mão do playoff (em África não há apuramentos directos dos grupos para o Mundial, tendo o primeiro classificado de cada um que defrontar o primeiro de outro, o que não deixa de ser sui generis. A África do Sul, organizadora do anterior mundial, não estará no Brasil, depois de ter ficado atrás da surpreendente Etiópia no Grupo A. Cabo Verde ficou em segundo no seu grupo (atrás da Tunísia), o que não deixa de ser um feito interessante para o arquipélago.
Os últimos destaques vão para algumas meias surpresas na Europa. Em primeiro lugar destaque-se a Bósnia que se qualificou pela primeira vez, sendo primeiro no grupo G que contava com Grécia, Lituânia, Letónia e Eslováquia. Depois a Bélgica, que parece de volta ao grupo das boas equipas europeias, com a geração de Witsel, Lukaku, Hazard, Kompany e Fellaini a prometer bom futebol. (Recorde-se que a Bélgica chegou a ser semi finalista, no México 86, onde contava com jogadores como Jean Marie Pfaff, Enzo Scifo e Eric Gerets). A Bélgica suplantou a Croácia, a Sérvia, a Escócia, o País de Gales e a Macedónia no Grupo A.
Pela negativa refiram-se as prestações da Sérvia (3ª no Grupo A com apenas 4 vitórias em 10 jogos), da Dinamarca (Grupo B, atrás da Itália, não estando nos playoffs por ter sido o pior segundo de todos), da República Checa (3º no mesmo grupo) e da Turquia. Por fim, refira-se que o grupo da Suíça era o pior de todos (Islândia, Eslovénia, Noruega, Albânia e Chipre), não se percebendo bem os critérios da UEFA.
Portugal poderia e deveria ter feito melhor, sobretudo contra a Irlanda do Norte (uma equipa muito fraca, quase semi-amadora) e Israel nos jogos em casa. Em ambos os casos empatámos 1-1, perdendo 4 pontos que nos custaram o primeiro lugar. Veremos se nos playoff ainda podemos emendar a mão mas é preciso perceber que, com excepção da Islândia, qualquer um dos outros adversários tem possibilidades de nos eliminar.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Selvageria na Luz
Há dois dias um jogador de basquete de um clube da Maia estava a jantar no estádio da Luz quando foi abordado por um conjunto de indivíduos que lhe despejaram o seu prato de sopa pela cabeça. Posteriormente, o jogador Nuno Marçal e os seus colegas abandonaram o local sob escolta policial.
Importa referir que o Maia e outras equipas ali se encontravam no âmbito do troféu António Pratas, que o Benfica organizou no seu pavilhão. O restaurante em causa, dentro do complexo do Estádio, foi o que foi indicado aos atletas pela federação, naturalmente sob orientação do Benfica.
Trata-se evidentemente de um acto inqualificável, que supostamente foi uma represália pelo papel desempenhado por Marçal aquando das tristes cenas no "dragão-caixa" quando o Benfica ali venceu o campeonato de basquetebol. Na altura o jogador era capitão do Porto.
O que diríamos nós se isto acontecesse a um nosso jogador no Porto? O que dissemos - e bem - sobre os acontecimentos no basquete, no hóquei e, claro está, no futebol aquando das últimas visitas do Benfica?
Seria pois muito triste que aquilo que era condenável ontem passe a justificável hoje, apenas porque da outra vez nos calhou a nós e agora calhou aos outros.
Um Benfica que não defenda os valores da lealdade, do desportivismo e da educação deixa de ser o clube que mereceu o nome de glorioso e torna-se naquilo que tanto denunciou e criticou nos outros que acham que vale tudo. O que mais me espanta e entristece é que há gente que acha que assim é que estamos bem. Não demonstram ser em nada diferentes daqueles que tanto criticam.
Eu também critico, mas critico precisamente por acções como estas (e outras). Nessa medida condeno em absoluto o que se passou e considero que o Benfica deveria tomar medidas veementes para reparar o que foi feito e evitar que algo de semelhante se possa voltar a passar. É triste, é vil, atacar quem se recebe e janta em sua casa. Seja ele quem for.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Conseguirão os jogadores do Benfica ser campeões?
Que as coisas não começaram bem é algo que já sabemos e que só pode ter surpreendido quem anda mesmo muito desatento.
Alertei para que assim ia ser - e não precisei de recorrer a nenhuns dotes de adivinhação para o conseguir.
Como em tempos escrevi, o desastre anunciava-se, era tudo muito previsível.
Cumpridas 7 jornadas, o Benfica está a 5 pontos do Porto e a 3 do Sporting.
Olhando para as últimas épocas (nas quais nem avanços de 4 e 5 pontos à entrada para a segunda volta foram suficientes para sermos campeões) somos levados a crer que o campeonato está perdido.
Mas será mesmo assim?
Creio que o Benfica tem ainda possibilidades de vencer. Embora algo remotas, elas alicerçam-se no seguinte: a meu ver, o Benfica é o clube português que tem o melhor plantel e o maior número de soluções. E por vezes é o melhor plantel - aquele que tem mais qualidade - que acaba por vencer. Tal acontece quando os jogadores, apesar de toda essa qualidade, se vêm numa posição desfavorável e se sentem feridos no seu orgulho. Nessas ocasiões existem momentos em que se dá um "click", como se costuma dizer, momentos-chave nos quais os jogadores chamam a si a responsabilidade pelos destinos da equipa, sendo capazes de se unir e levar o clube à vitória.
Em relação ao ano passado, o Porto perdeu Moutinho. É verdade que contratou outros jogadores, mas nenhum com a mesma categoria. A dinâmica do meio campo do Porto e o equilíbrio da equipa não são os mesmos. Para o ataque, o Porto contratou vários jogadores, alguns interessantes, mas nenhum fora de série. A equipa mantém por isso sensivelmente a mesma qualidade, destacando-se obviamente Jackson. Para seu substituto contratou Ghilas. Os jogos já disputados permitem-nos afirmar que o Porto não está mais forte, provavelmente está mesmo mais fraco e menos seguro no seu jogo do que no ano passado.
Este ano temos aparentemente o Sporting de volta ao quadro de candidatos. São boas notícias em termos de competitividade. Não me parecendo este Sporting ainda capaz de ser um candidato credível até ao fim, dará certamente problemas aos outros e será um factor de incerteza no campeonato que não permitirá ao Porto "concentrar-se" exclusivamente no Benfica. Um Sporting com voz própria não deixará além disso certamente de denunciar benefícios claros de arbitragem ao Porto, sobretudo nos jogos entre ambos, o que é bom para o Benfica que no passado recente tem estado sozinho nessa denúncia.
Estas circunstâncias criam uma janela de oportunidade. Regressando ao ponto de partida, considero que o Benfica tem um plantel bem mais forte do que no ano passado. Existem alternativas credíveis e Luisão e Garay, a Matic e Enzo e variadíssimas opções para o ataque que inclusivamente permitem adoptar diferentes "desenhos tácticos". Existe muita qualidade do meio campo para a frente e vários jogadores com classe suficiente para resolverem os jogos.
O Benfica está obviamente mais fraco do que no ano passado no que diz respeito à liderança, cada vez mais desgastada, quer de LFV quer de JJ. Daí os jogadores estarem de certa forma entregues a si próprios só eles de facto podendo conseguir dar a volta à situação. A qualidade existe e é até superior à da época passada, em que se esteve perto de ganhar.
Tudo depende pois da capacidade destes jogadores em se unirem e remarem para o mesmo lado. Veremos se o querem fazer e se têm capacidade mental para o conseguir. Uma coisa é absolutamente certa: só vencendo o Porto para o campeonato (talvez mesmo nos dois jogos) isso será possível. Menos de 4 pontos nos jogos de confronto directo equivalem a perder de novo o campeonato. A isso terão que acrescer 6 pontos contra o Braga e 3 contra o Sporting na Luz (já empatámos em Alvalade). Tudo o que fique aquém disto será provavelmente insuficiente para ser campeão.
Benfica-Braga (10ª jornada, 24/11)
Benfica-Porto (15ª jornada, 12/1/2014)
Benfica-Sporting (18ª jornada, 9/2)
Braga-Benfica (25ª jornada, 30/3)
Porto-Benfica (30ª jornada, 11/5)
Impossível? Certamente que não, apesar nunca ter sido alcançado nestes 4 anos. A palavra está do lado dos jogadores.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Das arbitragens - pela ÚLTIMA VEZ
Entendamo-nos de uma vez por todas: as arbitragens protegem o Porto a um nível quase inacreditável e uma parte muito considerável dos seus sucessos deve-se à adulteração da verdade desportiva por parte dos árbitros. Mais: muitos dos árbitros actuam desta forma de uma maneira consciente, deliberada. Quem quiser ver as coisas objectivamente não pode deixar de reconhecer que é assim.
Num campeonato, o Porto é objectivamente prejudicado em 1, 2 jogos no máximo. E é beneficiado em talvez dois terços dos jogos restantes.
É RARÍSSIMO (acontece nos tais um ou dois jogos por época) o Porto ter uma expulsão ou um penalty contra quando um jogo está empatado ou o Porto vence por uma bola. É QUASE UMA IMPOSSIBILIDADE ESTATÍSTICA. E isto apesar de se saber que os jogadores do Porto usam de uma agressividade muito acima da média!
Já O CONTRÁRIO - O PORTO SER BENEFICIADO QUENDO UM JOGO ESTÁ EM ABERTO - ACONTECE INÚMERAS VEZES. Diria mais: ACONTECE EM GRANDE PARTE (SE NÃO A MAIORIA) DOS JOGOS EM QUE O PORTO ESTÁ A TER DIFICULDADES NO JOGO.
Esta realidade é absolutamente indesmentível por quem é intelectualmente honesto. Claro que é muito difícil ou quase impossível levar um adepto do Porto a admiti-lo. Ninguém pode viver numa contradição interior tamanha: festejar títulos (e são muitos de facto) e ao mesmo tempo sentir-se "culpado" pela forma como eles são alcançados. A psicologia explica os mecanismos através dos quais as pessoas resolvem isto. Há uma negação, um bloqueio mental que entra em acção quando o Porto é beneficiado. É como se os seus adeptos não vissem estes benefícios - mas não vissem MESMO. De certa forma podemos até dizer que não o vêm. Por outro lado, os adeptos do Porto são muito fanáticos, o que agudiza este estado de coisas e - é importante sublinhá-lo - muitos deles nem são grandes amantes de futebol. Isto pode parecer uma coisa estranha, mas existem muitos portistas que vivem o futebol não tanto pelo jogo mas pela alegria e orgulho que as vitórias lhes propiciam. O futebol é de certo modo um instrumento do amor à sua cidade (que muitos chamam bairrismo) e não algo que se aprecie por si mesmo. Há muito fanatismo mas não há tanta paixão como a que existe entre os adeptos do Sporting ou do Benfica. Se o Porto começasse a perder, o seu estádio rapidamente se esvaziaria e uma parte considerável dos seus adeptos afastar-se-ia rapidamente do futebol. Disso não tenho a menor dúvida.
Passemos ao Benfica.
É um lugar comum dizer que os grandes são beneficiados. A verdade porém é que, ainda que o Benfica possa ser aqui ou ali beneficiado (estou-me a reportar ao período dos últimos 25 a 30 anos), é muito mais flagrante e frequentemente prejudicado. Existem blogs que o demonstram de forma objectiva (influência arbitral) e eu não farei aqui toda uma enumeração de jogos que sustentam o que digo. Aliás se o leitor quiser clicar no separador acima, relativo ao sistema, encontrará muitos casos ABSOLUTAMENTE ESCANDALOSOS em que as arbitragens, DELIBERADAMENTE, não tenho o menor pejo em afirmá-lo, prejudicaram o Benfica. A razão pela qual isto não é mais consensual na sociedade portuguesa e no meio futebolístico em geral, é porque os comentadores por regra se refugiam em lugares comuns como "os grandes são geralmente beneficiados", "no final do campeonato os prejuízos e benefícios equilibram-se", "quem ganha é porque foi melhor" e outros do género que lhes permitem fazer análises pseudo-doutorais mas que não têm qualquer correspondência com a realidade.
Foi o Benfica beneficiado por algumas arbitragens nos últimos anos? Certamente, mas foi muito mais prejudicado, SOBRETUDO se compararmos com o que se passa com o Porto, que é o seu adversário directo. No tocante a jogos entre os dois, então, o balanço é ainda mais desequilibrado. Em jogos nas antas é rara a vez em que o Benfica não tenha um penalty ou uma expulsão contra, sendo a inversa completamente falsa. Pelo contrário, o Porto já "conseguiu" muitas vezes ser beneficiado na Luz e capitalizar esses benefícios em resultados que iam ao encontro das suas necessidades.
As explicações para isto são múltiplas e também já abordei esse assunto, tendo-o até, creio, explicado em larga medida. Há razões para que as coisas sejam assim. Desse conjunto de factores resulta essa coisa a que chamo (em conjunto com muita gente) sistema. Direi apenas agora que praticamente NENHUM árbitro QUER FICAR ASSOCIADO A UM MAU RESULTADO DO PORTO. É um peso muito grande, que pode significar uma carreira mais curta, certamente de menor projeção e quase de certeza afastado dos jogos internacionais (onde os árbitros ganham mais dinheiro por apitar).
Proença, um mestre a gerir a sua carreira, é um dos que melhor percebe como as coisas funcionam e é por isso que faz o que faz, não apenas com impunidade mas mesmo com aplauso quase generalizado.
Mas aqui chegamos ao ponto principal, que constitui a razão pela qual eu há tempos disse que não aceitava mais desculpabilizações das derrotas do Benfica com base em "erros" dos árbitros.
O BENFICA NÃO PODE CONTINUAR A ACTUAR COMO UM COITADINHO. O Benfica é o maior clube português em termos de adeptos e sócios e tem capacidade para mudar o estado de coisas. Tem é que actuar de forma inteligente e veemente para conseguir resultados. Não é com apoios a Fernando Gomes e convites a Proença para ir ao Seixal dar explicações que o conseguirá.
Não me peçam para vir aqui dar receitas. Já escrevi muito sobre o assunto e apontei coisas que era imperativo fazer. A errância e a falta de inteligência numa matéria tão estratégica são porém fatais perante um quadro tão adverso quanto o que enfrentamos. Não faz portanto qualquer sentido nós (blogs e adeptos) falarmos, berrarmos e chorarmos com a arbitragem quando a nossa direção nada faz que verdadeiramente se veja, parecendo aceitar o actual estado de coisas.
A direcção do Benfica não pode comportar-se como se estivesse atada de pés e mãos e nada pudesse fazer. Tem que estar em cima dos acontecimentos, tem que saber quem são os observadores, que notas têm os árbitros que nos prejudicam com erros grosseiros, tem que requerer os relatórios, tem, enfim, que fazer MUITO MAS MUITO MAIS para defender os interesses do Benfica. Não pode estar de bem com Fernando Gomes e convidá-lo para ir a Paris quando as coisas são o que são.
Não se verificando isto, eu assumo que não falo de arbitragens.
Finalmente há outra coisa que os adeptos devem ponderar: o Benfica não pode estar à mercê de uma decisão arbitral desfavorável, não pode perder dois pontos em casa com o Belenenses apenas por o árbitro ter validado um golo ilegal ao nosso adversário. O Benfica teve tempo (e tinha mais do que obrigação) para ainda assim ter ganho esse jogo. A mentalidade dos coitadinhos é uma coisa que tem que ser completamente erradicada do Benfica!
A terminar deixo uma pergunta: quando será que a nossa equipa entrará em campo mais motivada e determinada do que o Porto? É que eles, protegidos, têm que inventar inimigos imaginários para se motivar, ao passo que nós, prejudicados, temos razões reais para transformar a indignação em vontade de vencer...
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