É insólito mas indiscutível. A TVI (que já foi a televisão da Igreja) é hoje o canal mais rasca, mais deplorável da televisão portuguesa. Vive à custa de big brothers, que repete uns atrás dos outros dando-lhes diferentes nomes e contratando gente cada vez mais brega, mais ordinária para encher as "casas". Como se não bastasse, ainda faz edições "VIP" destes programas, onde coloca figurinhas que deveriam envergonhar e repugnar Portugal inteiro, não estivesse o nosso País tão desorientado. É para mim verdadeiramente incompreensível que alguém perca tempo precioso das suas vidas a ver aquelas grosserias.
Igualmente estranho (mas igualmente indesmentível) é o facto da TVI se ter tornado um canal de tendência "azul-e-branca" no que ao futebol diz respeito. Que a RTP, onde os estúdios do Porto assumiram já há bastante tempo preponderância, pelo menos no que ao desporto diz respeito, assuma essa tendência ainda se percebe, até porque àquele factor acresce o domínio que a Olivedesportos exerceu no canal público durante muitos anos. Já no caso da TVI a coisa se torna menos explicável. Aparentemente, a coisa começou pelo site "mais futebol", que também se podia chamar "mais porto", tal o seu tendenciosismo. Nesse site destaca-se em particular um tal de Luis Sobral, cujo ódio anti-Benfica assume proporções de autêntico fetichismo. Por outro lado, Júlio Magalhães, actual diretor do Porto Canal também terá feito "bem" o seu trabalhinho de portização do canal de Queluz.
Eu sei que houve e há benfiquistas na TVI (também era o que faltava que não houvesse). Fizeram parte dos seus quadros, como comentadores ou convidados, Valdemar Duarte, Pedro Ribeiro e João Querido Manha. Mas a verdade é que aos poucos eles foram desaparecendo ou ficando diluídos no meio de uma tendência muito pouco disfarçável.
Fernando Correia, que desde há anos para cá muito me desiludiu, pois imaginava-o no passado como um Artur Agostinho ou um Jorge Perestrelo (locutores que nunca colocaram as suas preferências clubísticas à frente da sua condição de jornalistas), não tem (creio) aparecido tanto como no ano passado, mas as transmissões continuam a ser de uma qualidade paupérrima.
Manuel Queirós, cujo portismo chega a enjoar, está em todas e os próprios repórteres de campo são tudo menos isentos.
Ontem o caricato chegou a isto: depois da expulsão - justa - de um jogador do Porto, o entrevistador da TVI pergunta na "flash interview" se achava que o jogo podia sequer ser comentado dada "a expulsão injusta"!! Depois, apercebendo-se do que dissera, acrescentou, de uma maneira forçada, "na sua opinião". Simplesmente o jogador do Porto não tinha dito que a expulsão fora injusta!
Isto para já não falar do ambiente carregado que a derrota do Porto na anterior jornada da Champions gerou naquela estação, que contrastou de forma bem visível com o que se passou aquando da derrota do Benfica para a mesma competição. Em resumo, uma tristeza.