segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Adeptos do Porto atacam de novo

Aquilo que se passou à porta do estádio do Porto é uma vergonha que mais uma vez demonstra bem a qualidade dos seus adeptos. Não serão todos assim, mas seguramente uma grande parte, senão a maioria é de facto constituída por gente selvagem e marginal que não tem noção dos limites e que noutro país estaria certamente já atrás das grades. 

Ailás, foi bem sintomático ver que, no Trio d'ataque, foram os comentadores afectos ao Benfica e ao Sporting quem mais firmemente condenou o que se passou, ao passo que o do Porto depois de dizer  en passant que a violência era condenável afirmou convictamente que as pessoas tinham o direito de se manifestar e "indignar", pondo aí todo o ênfase.

O que se passou foi lamentável a todos os níveis. Se é verdade que já houve situações em que adeptos do Benfica insultaram a equipa, nunca a coisa atingiu proporções sequer parecidas ao que se viu nas imediações do "dragão", e isto em relação a uma equipa que perdeu um jogo por 0-1 mas não deixa de ser a campeã em título. Isto não se chama "exigência", como alguns iluminados querem fazer crer: chama-se selvageria, chama-se demência, chama-se estupidez e desrespeito.

Pelos vistos porém, estão todos bem uns para outros. Para além da tal figura de Miguel Guedes, outras "autoridades" do Porto já se pronunciaram, nomeadamente um tal de Rui Quinta, ex-adjunto de Vítor Pereira, que diz que o que aconteceu "faz parte da cultura e da essência do clube", acrescentando ainda que "há muitos que gostavam de estar dentro do autocarro a levar com tochas". 

Para este adjunto, os acontecimentos não são apenas normais (algo que aqui vimos dizendo há muito mas que os portistas tentam desmentir). Não, eles são  intrínsecos à cultura e mesmo à essência do clube, quer dizer à sua identidade e natureza!

2. No dia seguinte, Domingo, jogaram o Sporting e o Benfica. No entanto houve pelo menos um adepto do Porto que voltou a "atacar": Manuel Queirós, ainda e sempre. Ele está em todo o lado! É na TVI, é na TSF, é na Antena 1, é no Diário de Notícias, é no Jornal de Notícias...

Que este jornalista/comentador é um adepto do Porto é perfeitamente evidente e aliás consensual entre os próprios adeptos do clube que o reconhecem como um dos seus. De acordo com um blog portista, há vários anos atrás Queirós teria tecido críticas a algumas opções de gestão do seu clube e por isso teria sido colocado num "index" ou lista negra do presidente do Porto, mas entretanto teria já havido uma reaproximação entre os dois. 

Tudo isto para dizer que ontem se comprovou pela enésima vez a total incapacidade deste comentador para ser isento e o carácter quase doentio dos seus comentários. De facto, depois de ouvir os seus comentários na rádio fiquei com uma ideia do jogo e uma imagem mental dos lances tal que quando vi as imagens televisivas fiquei estupefacto. Para ficarem com uma ideia do que falo, vou-vos aqui deixar apenas três exemplos, flagrantes e vergonhosos do que disse Queiroz na emissora pública, Antena 1: 

37 minutos: "o Benfica limita-se a defender, a não querer sofrer golos e portanto a jogar de forma muito...". Nesta altura é interrompido pelo relatador: "Atenção... Goloooo, Benfica".

63 minutos (golo de Lima de livre): "a falta era ao contrário".

69 minutos (expulsão do jogador do Rio Ave): "a expulsão é cruel, a falta foi no meio-campo do Benfica".

Qual o meu espanto quando vi as imagens na televisão. Não pensava ser possível alguém ser tão parcial, tão cego, tão incapaz de despir a pele de adepto e comentar na rádio pública.

Temos Benfica e temos campeonato

As melhores notícias do início de época para o Benfica foram as de que, apesar do mau começo e dos diversos problemas que então ocorreram, os objectivos não foram comprometidos.

A partir daí, foi possível ir aos poucos recuperando a estabilidade interna, a forma de alguns jogadores, a qualidade de jogo e pontos na tabela classificativa. O regresso de Cardozo surgiu em bom tempo e foi crucial naquela altura. Foi uma espécie de abono de família. Os "regressos" de Lima e Rodrigo também em boa hora vieram, agora que Cardozo se lesionou.

Claro que esta recuperação do Benfica não teria sido possível sem os deslizes e agora a verdadeira crise que o Porto está mergulhado. Na época passada, à jornada 11, Benfica e Porto dividiam o comando com 29 pontos, mais 5 do que a equipa de Paulo Fonseca agora possui.

Neste momento, terminada a fase inicial do campeonato e entrados já no segundo terço do mesmo, acabou-se o período de adaptações e experiências e começa agora a fase a doer. Estou crente de que o Benfica está preparado para a enfrentar.

De há algumas semanas para cá (apesar da longa paragem no campeonato) o Benfica vem em crescendo. Os jogadores novos parecem adaptar-se e a equipa começa finalmente a ter uma ideia de jogo e a saber gerir os diversos momentos das partidas. Ela está mais coesa e segura. 

Claro que persistem problemas e aspectos a melhorar. O nível exibicional ainda não é o melhor, nalguns jogos não criamos muitas oportunidades, continuamos a conceder golos que pareciam evitáveis. Existe porém uma melhoria, um progresso visível e é isso que nesta altura deve ser sublinhado e saudado.

O jogo com o Rio Ave demonstrou uma equipa adulta, segura, não muito fulgurante mas eficaz, que teve como único senão o golo sofrido já na segunda parte. Muitos aspectos merecem ser destacados: o regresso aos golos de Lima, mais um golo e subida de forma de Rodrigo, uma boa ligação entre Fedja e Matic e uma segurança e consistência defensivas que duraram quase 90 minutos.



O tempo e a competição poderão dar a esta equipa mais rotação, solidez e, resumindo, maior capacidade. Acredito que o meio-campo ganhará mais rotinas e com isso oferecerá maior consistência à equipa e que Djuricic, Sulejmani e Markovic contribuirão mais ainda durante esta época. Com os regressos de Rúben e Sálvio também ficaremos mais fortes. Já Ola John parece não se ter adaptado e talvez fosse melhor sair, por empréstimo ou a título definitivo, já em Dezembro.  

Agora não tenhamos ilusões: não deverá haver facilidades. O Sporting é mesmo candidato e o mais natural é o Porto começar a ganhar os seus jogos e deixar de perder pontos desta forma, com ou sem Paulo Fonseca. Em relação ao Sporting, importa perceber que já jogaram em Braga, em Guimarães e no dragão e já receberam o Benfica. O Benfica pelo seu lado foi a Alvalade, ao Funchal jogar com o Marítimo e a Guimarães, tendo recebido o Braga. Finalmente o Porto apenas recebeu o Sporting, tendo depois perdido pontos em duas deslocações à grande Lisboa (dois empates contra Belenenses e Estoril).

O Sporting tem uma equipa jovem e ambiciosa e um treinador competente e equilibrado que faz uma boa leitura dos jogos. O Sporting é uma equipa perigosa quando tem um avançado concretizador e embala para sequências de vitórias para lá do ciclo do Natal, pelo que não deve ser subestimado como adversário, apesar das más épocas que tem feito no passado recente. Lembro-me por exemplo da época em que foi campeão com Inácio e na qual contava com Acosta ou daquela em que tinha João Pinto e Jardel. Em ambas conseguiu não perder na Luz e em ambas contou com penalties inexistentes para o conseguir. Com um historial de dois jogos de choradinhos sportinguistas a propósito das arbitragens na Luz com supostos 2, 3 e até 4 penalties que supostamente teriam ficado por assinalar a seu favor, teremos que ser cuidadosos a dobrar.

O Porto parece muito abalado e tem claramente o calendário mais difícil dos 3 candidatos. Está atrás e desmoralizado e isso é bom. Mas não deve ser menosprezado, como as duas últimas épocas bem demonstram.

Em suma e olhando para o Benfica, mantenho que temos o melhor plantel e penso que estamos novamente numa boa posição para poder chegar ao fim em primeiro. Para isso precisamos porém de ganhar mais regularidade e consistência. Precisamos igualmente de vencer o Porto e o Sporting em casa (jornadas 15 e 18). Em campeonatos muito disputados (como serão quase sempre campeonatos curtos como o nosso, com apenas 30 jornadas), as vitórias sobre os rivais dão, para além dos 3 pontos e da vantagem sobre os competidores, aquele élan que motiva as equipas para as conquistas finais.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A qualidade do plantel do Benfica

A frase de Luis Filipe Vieira gerou polémica: "temos o melhor plantel dos últimos 30 anos". O facto da época não ter começado da melhor forma, levou a que esta análise fosse muito criticada e até ridicularizada.

De facto, a frase não é muito feliz, sobretudo porque 30 anos abrange a década de 80 na qual o Benfica teve grandes plantéis que ganharam muita coisa, algo que este ainda não alcançou de todo. Plantéis onde se incluíram símbolos do Benfica como Bento e Humberto Coelho (embora este em fim de carreira) e jogadores como Shéu, Chalana, Nené, Diamantino, Carlos Manuel, Maniche, Álvaro e Veloso no início da década. Depois houve o plantel de 88/89, em que a dupla de centrais foi a melhor que vi jogar: Mozer e Ricardo; e onde figuram nomes como Veloso, Vitor Paneira, Valdo, Magnusson, Vata, Pacheco, Diamantino, Elzo, Chalana, Hernâni, Álvaro, Samuel, Garrido e Shéu, entre outros. No início dos anos 90 também tivemos plantéis de enorme qualidade, onde figuraram Isaías, Schwartz, Rui Costa, João Pinto, Paneira, Rui Águas e depois, conforme o ano, Futre, os russos, Paulo Sousa... 

Depois disso sobreveio uma verdadeira catástrofe: Artur Jorge. O plantel campeão do Benfica foi desfeito e nos anos subsequentes sujeito a novas e anuais revoluções.

Ora uma análise fria e objectiva mostra-nos que o Benfica tem de facto um dos melhores plantéis dos últimos anos, provavelmente desde que se desfez a equipa vencedora de 1993/94.

Em termos de um 11, com toda a probabilidade tivemos melhor equipa em 2009/2010: David Luiz, Coentrão, Aimar, Javi Garcia, Saviola... Mas em termos de plantel, este é certamente o melhor da era Vieira e possivelmente, repito, desde 94.

Com efeito, da fome passámos à fartura. Se nos últimos anos não tínhamos defesa esquerdo, este passámos a ter dois (Cortez e Siqueira) e mais duas opções como adaptados (André Almeida e Sílvio). Se não tínhamos suplentes no meio campo passámos a ter Fedja, Djuricic, André Gomes (agora de forma mais consistente) e Rúben Amorim. No ataque também são múltiplas e boas as soluções.

O Benfica tem um grande plantel em qualidade e quantidade, o que se passa é que Jorge Jesus ainda não conseguiu tirar o máximo partido de tantas soluções. Os sérvios tardam em afirmar-se, embora a sua a qualidade seja visível. As lesões de Sálvio, Rúben e agora Cardozo, bem como a baixa de forma de Matic (no início da época) e de Lima, não têm permitido que a equipa atinja consistência e estabilidade num patamar elevado de qualidade de jogo. Temos visto boas exibições alternarem com jogos sofríveis.

O plantel do Benfica tem qualidade e tem profundidade. Ainda ontem foi notório como existem soluções não apenas em qualidade e quantidade mas em variedade, isto é que permitem ao treinador aplicar diferentes modelos e soluções.

Por exemplo, Fedja é um excelente jogador que permite que a equipa jogue com um trinco ou num meio campo de 3 como ontem. Amorim também permite um outro meio campo de 3 com Matic e Enzo. Djuricic também, dando a esse meio campo uma configuração diferente.

De igual forma, Sulejmani é um jogador que permite um conjunto de soluções diferente dos outros avançados. Tem uma enorme qualidade de passe, é um excelente segundo avançado e pode jogar num esquema de 4-3-3.

Se este conjunto de jogadores se unir e se cada um deles trabalhar para a equipa e der tudo por ela, como temos visto nestes últimos jogos em que a inspiração não tem sido muita, se, finalmente, Jorge Jesus tiver cabeça e se deixar de egocentrismos, reconhecendo que as vitórias não sempre obra sua mas de todos, o Benfica tem as condições para ganhar tudo a nível interno. Assim os jogadores o queiram e JJ contribua. A qualidade é indiscutivelmente a melhor em Portugal.

O Porto não tem plantel, quase nem tem equipa. A arma do Porto nos últimos anos tem sido a sua união, coesão e organização, mas pelo menos esta última tem sido esfrangalhada por Paulo Fonseca que (estou quase certo) voltará no imediato ao esquema do seu antecessor (que tão insultado e desvalorizado foi mas que não era tão mau como o pintavam: percebia o que tinha e tirava daquilo o rendimento máximo). O Porto tem hoje um grande ponta de lança (que sozinho não pode fazer tudo), dois jogadores acima da média no meio campo (um dos quais em fim de carreira), um extremo (Varela), dois laterais com muito pulmão e alguma qualidade e um guarda-redes que muitas vezes evita o pior para a sua equipa. De resto não tema mais jogadores de categoria no 11 e acima de tudo não tem alternativas nenhumas válidas. Na terça, necessitado de mudar o resultado, o treinador do Porto fez entrar Ricardo e Quintero...

O Sporting tem uma equipa razoável, com uma boa mistura de jovens e jogadores com algum valor mas está bastante longe da qualidade do plantel do Benfica.

A qualidade só não chega. Veja-se o exemplo dos "galácticos" do Real Madrid que a dada altura sofriam goleadas! Para além da qualidade é preciso organização, é preciso união e é preciso querer. O Benfica tem este ano condições para ganhar: tem muitos e bons jogadores para todas as posições, que inclusivamente permitem diversas variantes tácticas. Agora é preciso que todos remem para o mesmo lado. Quando olho para a atitude competitiva dos nossos jogadores - e tenho que destacar aqui, para além do capitão Luisão, Enzo Peres, Matic e Gaitan, que tantas vezes é acusado de indolência ou desinteresse do jogo e que tem sido um autêntico motor a levar o Benfica para a frente - penso que temos boas possibilidades. Assim haja critério na gestão deste vasto grupo de homens.


Rodrigo na 1ª vitória em Bruxelas

O Benfica conseguiu uma vitória importante e saborosa em Bruxelas, num terreno onde nunca tinha ganho e contra um adversário que nos provocou um enorme dissabor há 30 anos atrás.
Não existindo obviamente comparação entre essa equipa e esta (o futebol mudou radicalmente desde a lei Bosman, que só beneficiou os mais ricos), penso que terá havido alguma desvalorização deste adversário, induzida por resultados e prestações de facto muito fracas. 
O que a meu ver, o que poderá ter acontecido nas primeiras jornadas (em que perdeu com PSG 0-5 e com Olympiacos 0-3) é que nessa altura, acreditando na qualificação e não tendo muita experiência de Champions, a equipa belga jogou de igual para igual com os seus adversários e tentou mesmo e assumir o controlo dos jogos em sua casa contra aqueles adversários, pagando depois um elevado preço. Diz quem viu que o jogo Anderlecht-Olympiacos foi de grande domínio dos belgas, tendo depois os gregos marcado em contra-ataque, numa demonstração do futebol cínico que já bem conhecemos.
O futebol belga é pelo contrário franco e agressivo, o que constitui o seu mérito e a sua fraqueza, que ontem ficaram bem patentes. Não tenhamos porém dúvidas: esta equipa é bem mais forte do que o Áustria de Viena...

Já o Benfica, percebendo que em casa o Anderlecht seria agressivo e pressionante, optou por lançar Fedja para acompanhar Matic e Enzo, opção que foi criticada por alguns especialistas mas que a mim me parece correcta. Havia que ocupar os espaços e não permitir que o adversário embalasse. Penso que isso foi parcialmente conseguido. O golo dos belgas surgiu um pouco num vazio, sem que o jogo o justificasse. 

É verdade que a equipa não teve depois muita fluidez mas isso também já aconteceu contra o Braga e em alguns outros jogos nos quais o desenho de meio-campo não foi este. Penso que há que dar alguma margem para este trio poder evoluir, pelo menos em jogos de maior grau de dificuldade. Matic e Fedja já jogaram juntos na Sérvia pelo que existe compatibilidade. Se se verificar no futuro que isso é prejudicial à equipa, deve-se mudar, mas a meu ver a prova não está ainda feita. Pelo contrário considero que há potenciais benefícios em termos da coesão defensiva mesmo que ontem eles não tenham sido muito evidentes.

Depois do Benfica ter dado a volta ao jogo, devendo ser destacado o grande golo de Gaitan, tivemos mais algumas oportunidades para "matar" definitivamente o jogo, algo que não conseguimos e que poderia ter saído caro: numa demonstração de um futebol agressivo e objectivo, o Anderlecht marcou numa jogada simples e directa. O sonho da Liga dos Campeões parecia acabar ali.

Nos minutos finais surgiram dois jogadores que indiscutivelmente têm qualidade e em quem continuo a depositar esperança: Rodrigo evidentemente, mas também Sulejmani. Deste último saíram um conjunto de assistências que bem demonstram a sua qualidade no último passe. Espero sinceramente que o Benfica possa tirar muito mais partido da sua técnica e da sua classe. 

Quanto a Rodrigo, apesar de feliz na forma como a bola entra, teve mérito de correr e acreditar e fico muito feliz pelo seu regresso aos golos, ainda para mais num jogo importante (só a última jornada dirá realmente o quão) e nos instantes finais do jogo. Espero que este seja o regresso de Rodrigo, que não era o mesmo desde San Petersburgo. 

Agora ficamos à espera de um milagre na última jornada, na qual o Benfica precisa de fazer melhor do que o Olympiacos. O Benfica recebe um Paris Saint-Germain milionário mas já qualificado, o Olympiacos recebe um Anderlecht pobrezinho e já eliminado. Como digo, seria preciso algo de muito especial para nos qualificarmos e realisticamente a Liga Europa é o destino mais provável. 

Mas seja como for, o Benfica tem obrigação de fazer um grande jogo e vencer. O Benfica é o Benfica, e essa realidade tem que ser demonstrada face a um adversário que faz parte dos "galácticos" de hoje em dia. O Benfica é o Benfica e isso equivale a que jogar no seu Estádio tenha que ser sempre temível para qualquer adversário. Com ou sem continuidade na Liga dos Campeões, a vitória é essencial.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Despedida da Liga dos Campeões

O Benfica joga hoje com o Anderlecht pouco mais do que a qualificação para a Liga Europa. Não me parece que valha a pena ter qualquer ilusão: para passar, o Benfica precisaria de fazer 6 pontos nestes dois jogos (o que é difícil mas possível) e esperar que o Olympiacos não vença nenhum (o que já é pouco plausível). Os dois factores combinados dão-nos uma esperança mínima: se ganhar os nossos jogos já se afigura difícil, uma não vitória do Olympiacos em casa contra o Anderlecht parece ainda menos realista...

Resta-nos por isso fazer a nossa parte, vencendo hoje o Anderlecht e colocar assim alguma pressão sobre os gregos, que muito provavelmente perderão esta noite em Paris. Depois é esperar pelo milagre...

Se ele não acontecer, como é o mais natural, voltaremos à Liga Europa, onde teremos alguma expectativa de poder novamente chegar longe e, quem sabe, vencer. Se isso hoje nos parece "pouco", em ano de final de Champions na Luz, é apenas porque estamos a muitos meses (e muitos jogos) de distância dessa final. Mas voltar a estar na final, que este ano se disputa em Turim, não seria certamente algo que os benfiquistas desdenhariam. 

Uma coisa me parece certa: o Benfica tem um excelente plantel, que não tenho nenhuma dúvida que é o melhor em Portugal e se pode considerar forte a nível europeu. Não estamos a um nível de Champions, isso é certo, onde equipas como Bayern, Real, Barcelona e City ditarão as leis dos seus milhões e plantéis fabulosos na fase decisiva, mas não estamos nada mal em termos do que poderemos chamar uma segunda linha de equipas.

Seja como for, importante agora é vencer o Anderlecht ou, no pior dos casos, não perder. Se assim for, a continuidade nas competições europeias fica desde logo assegurada através da Liga Europa. Com o plantel vasto e de qualidade que possuímos, não apenas temos soluções suficientes para disputar dois jogos por semana, como seria mesmo um desperdício de qualidade que tantos atletas ficassem relegados apenas para as competições nacionais.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

EPL - do momento do Arsenal ao afundamento do Tottenham

O Arsenal voltou a vencer, desta vez a equipa sensação do Southampton, mantendo-se firme na liderança. Não foi o melhor jogo do líder, que venceu graças a um erro inacreditável do guarda-redes, que se pôs a inventar com pseudo fintas a Giroud, que o desarmou com facilidade e rematou para a baliza deserta (o lance fez aliás lembrar o golo do Porto na Luz o ano passado graças a uma dupla intervenção desastrada de Artur) e a um penalty muito discutível. Foi porém suficiente para os 3 pontos que naturalmente é o que mais conta no futebol. 

Com o empate do Liverpool no derby da cidade, contra o Everton, o Arsenal aumentou para 4 pontos a sua vantagem sobre o 2º, posição que o Chelsea agora também partilha.

Em 4º vem o Manchester City, que esmagou no Domingo o Tottenham de André Villas-Boas por 6-0. O City está agora a 6 pontos do líder, na companhia do referido Southampton. Já os "Spurs" cairam para a 9ª posição e demonstraram sem margem para dúvidas que não são candidatos ao título e muito provavelmente não ficarão nos 4, nos 5 e se calhar nem nos 6 primeiros lugares. A jogar desta forma a equipa de Villas-Boas terá muitas dificuldades e não tardarão a ser-lhe assacadas justificações face a um investimento tão avultado em jogadores.

O Manchester United voltou a perder pontos, ao deixar-se empatar no terreno do Cardiff já em tempo de descontos, interrompendo uma série de 3 vitórias seguidas e perdendo a oportunidade de se aproximar do grupo da frente.

No Domingo estas duas equipas em sub-rendimento, Tottenham e United, encontrar-se-ão em Londres. Mas atenção, porque o United, apesar do empate em Cardiff, vem a melhorar a sua prestação, ao passo que com os Spurs parece passar-se o contrário. O Arsenal vai precisamente ao terreno do Cardiff e o Liverpool visita o terreno do Hull, a equipa em pior forma da Premier League: nos últimos 6 jogos fez apenas 4 pontos. O Chelsea recebe o Southampton, a tal equipa surpresa e o City recebe o Swansea, treinado por Michael Laudrup.

Recorde-se que o City tem 6 vitórias em 6 jogos em casa (estando a sua performance fora no extremo oposto: nos mesmos 6 jogos apenas 4 pontos), ao passo que o Chelsea tem 5 vitórias e um empate, concedido no último jogo em casa frente ao West Brom. Aliás, mais do que concedido, deve-se falar em conseguido, pois foi obtido já em descontos, na cobrança de um penalty inexistente.

Em resumo, mais uma jornada entusiasmante em perspectiva num campeonato em que todas as semanas há muito para contar.

Há uma linha que não pode ser ultrapassada

A tentativa clara do Porto em colocar um seu esbirro - Rui Pedro Soares - na presidência da Liga tem que ser travada!

O Benfica tem que delinear aqui uma linha vermelha que não pode de modo nenhum ser trespassada. Tem que usar todo o seu poder e influência para evitar que este atentado se materialize. O Benfica tem que pugnar pela transparência e imparcialidade dos orgãos directivos do futebol e não pode permitir que a liga seja instrumentalizada de forma absolutamente clara pelo FC Porto.

Já bem basta o que basta. Não podemos voltar aos piores tempos do passado. Voltarei a este assunto periodicamente pois ele reveste-se da maior importância e tem um conjunto de implicações que são vitais para o futebol. Quem controlar estes factores controla em boa parte o futebol português. Joaquim Oliveira sabe-o e por isso está a tentar esta manobra, o Benfica também e daí a decisão - que saudei desde o primeiro dia - de criar a Benfica TV. 

Permitir que o Porto destituísse esta Liga para colocar um seu peão no poder equivaleria a deitar borda fora todo o trabalho já feito e a ficarmos numa posição de perigoso equilibrismo e dependência do poder do sistema. Algo que todos os benfiquistas têm o dever de combater. 

Esta é a batalha mais importante dos próximos anos no futebol português!