quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Na direcção certa

As propostas do Sporting para alterações estruturais no futebol português, a começar pela arbitragem, vão, por aquilo que conheço, na direcção certa. De acordo com notícia de hoje do "Record", o Benfica, através de representante presente em reunião em Alvalade, terá concordado com a grande maioria das mesmas.
Aquilo que se precisa no futebol português é de completa transparência nos vários processos e de regras claras, que limitem ao mínimo as arbitrariedades. O edifício da arbitragem está, como temos dito, inquinado pelo sistema dos observadores e o próprio modo como são feitas as nomeações (critérios ou falta deles). Tudo isso tem que ser alterado, de forma a que existam formas objectivas de avaliar as arbitragens e que consequentemente os árbitros não estejam completamente dependentes (no que respeita ao sucesso da sua carreira) do centro de poder futebolístico, que tem sempre e muito marcadamente uma cor clubística.
O Porto não deseja mudar o actual estado de coisas pois não lhe interessa um sistema transparente, no qual exista lisura de processos e regras claras e justas. Ao Porto interessará sempre o actual sistema opaco, lamacento mesmo, no qual possa mover influências de bastidores para daí retirar proveitos, não apenas ao nível da arbitragem mas também da disciplina. Não se pode portanto contar com ele, aliás esta reforma terá que ser feita com a sua oposição.
É porém muito positivo que Benfica e Sporting (para além de um conjunto vasto de clubes das ligas profissionais) se estejam a entender. É sinal de que se caminha para um sistema transparente, no qual se possa confiar e no qual ninguém se sente à partida em vantagem ou prejudicado. Era importante que as massas adeptas de ambos os clubes manifestassem o seu apoio a esta forma de agir, pois do respectivo sucesso depende, em última análise, a viabilidade do futebol português. 
Jogos "fabricados", como tantas vezes são os do Porto, são autênticas machadadas no prestígio de uma competição e tornam mais difícil vendê-la, quer a nível interno quer internacional. Ora o futebol depende hoje muito da sua capacidade de financiamento, sobretudo através dos direitos televisivos, a uma escala global. O campeonato português é visto em França, nos EUA, no Brasil e nalguns países da arábia/golfo pérsico (isto não contando com o jogo semanal transmitido pela RTP-I), mas poderia e deveria estar ainda em mais. Não digo que pudesse ter a difusão do inglês, mas capitalizando na dimensão global da Língua Portuguesa, poderia certamente ter uma maior projeção. O futebol português, mais ainda agora com a consagração de Ronaldo, é conhecido e apreciado, podendo ser mais visto.
Para tal precisa porém de mais gente nos estádios, melhores e mais sãos espectáculos, para o que é imperativo acabar com o actual sistema bafio e doentio dos pintos da costa e lourenços pintos.  
Uma vez mudadas as coisas, no sentido das leis e regulamentos por si mesmos esvaziarem (em larga medida) o poder ilegítimo dos bastidores do futebol, haverá necessariamente que fazer uma grande renovação ao nível dos quadros, sobretudo toda a gente ligada à arbitragem, desde o senhor Vítor Pereira aos observadores e passando naturalmente por grande parte dos árbitros. Muitos fizeram a sua carreira graças a padrinhos e influências, por estarem lá a fazer o jogo de alguns, projectados pela comunicação social a píncaros que nunca mereceram. Tudo isso tem que acabar.
Não tenhamos dúvidas de que a BenficaTV foi um passo essencial para tornar possível a mudança. O poder do futebol português assenta muito na Olivedesportos, como o próprio António Oliveira, irmão de Joaquim, já assumiu publicamente. Este blog, que a certa altura, no auge das arbitragens clubísticas, decidiu "auto-suspender-se" por estar cansado de tanta batota e da apatia do Benfica, regressou justamente na sequência da não venda dos direitos televisivos à Olivedesportos por considerar esta decisão crucial para mudar o panorama futebolístico em Portugal. Fico muito satisfeito por ver que Sporting se juntou a esta luta e que pode haver finalmente vontade "política" para mudar as coisas para melhor. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O vício de mentir e os "árbitros adeptos"

É uma pena que o Porto não tenha aproveitado a mudança de clima que a partida de Eusébio gerou no Portugal futebolístico. Podia tê-lo feito. Não mudaria o passado, mas pelo menos podia preparar um futuro um pouco menos vergonhoso do ponto de vista dos valores desportivos, para não dizer morais.
A "cultura" do FC Porto é uma cultura de agressão e falsidade. E isso é muito difícil mudar. Se dúvidas houvesse veja-se estas últimas declarações do seu presidente e do seu treinador.

Pinto da Costa, o tal que dizia que só os "burros" falavam de arbitragem, veio dizer que Artur Soares Dias, árbitro que, segundo se diz, tinha um registo "perfeito" em jogos do Porto (só vitórias), "não tem condições para arbitrar". E isto porquê?

Porque Soares Dias não beneficiou suficientemente o seu clube como, para a mentalidade de Pinto da Costa, deveria. Aquilo que Pinto da Costa de facto disse é que não marcar um penalty descarado, indiscutível e óbvio, que ocorreu nas barbas do árbitro, contra o seu clube (evitando assim também a expulsão do seu jogador) não é suficiente. Não, isso é o "normal". Depois disso, o árbitro deveria ter feito o necessário para que o Porto mesmo assim não perdesse o jogo.

Soares Dias, que de acordo com os portistas era, até dia 12 de Janeiro, o "melhor árbitro português", deixou, a partir desse dia, de ter condições para apitar. Isto porque o Porto perdeu um jogo por ele apitado.

Esteve bem Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting, ao dizer que de facto esta actuação era merecedora de um óscar de Hollywood.

E depois disto, como se não bastasse, ainda surgiu o treinador, que após o clássico na Luz declarara que "não havia nada a dizer sobre a vitória do Benfica", a explicar-nos agora que afinal isso era tudo parte de uma "estratégia" para ver se a comunicação social falava por sua inciativa da arbitragem. Como ninguém falara da arbitragem ficava provado que existia uma "cabala" para prejudicar o Porto. Patético.

A vergonha está à mostra para quem a quiser ver. Já nada é escondido, tudo se faz às claras. Um árbitro que faz vista grossa a um penalty descarado que se passa a um metro de si, mas DESCARADO a um ponto que quase não se acredita, ser ainda criticado pelo clube que beneficiou dessa decisão, é de facto o cúmulo. Aquilo que se está a dizer em público, é que os árbitros têm que fazer o que for preciso, não importa quão evidente, para que o Porto ganhe. Pinto da Costa mostrou que a sua natureza é a de um puro batoteiro e esvaziou de qualquer mérito, que ainda pudesse ser reconhecido, as vitórias do seu clube.

Um autêntico escândalo que os comentadores deixaram, na maior parte dos casos, passar quase despercebido, sem analisarem e retirarem as consequências lógicas destas declarações que, apesar de tudo, ainda considero infelizes, pois não posso acreditar que Pinto da Costa realmente desejasse, como acabou por fazer, dizer publicamente que o seu clube quer ganhar com batota. 

Quanto ao árbitro, tem o que merece, pois não tem seriedade para desempenhar aquelas funções. Este é o árbitro que entregou a sua camisola a um adepto no dragão, que fez a arbitragem miserável que se sabe há dois anos em Alvalade, tirando-nos definitivamente a possibilidade de chegar ao título, e que no ano passado nas Antas marcou dois penalties contra o Rio Ave, ambos inexistentes, um dos quais aos 45m+1 não fosse o Porto a perder (como estava) para o intervalo. Se Soares Dias fosse sério, teria quem o defendesse agora, mas como a sua carreira foi feita à custa do clube do seu coração, agora que este, ingrato, lhe vira as costas, o portuense portista está sozinho. 

Foi, sem sombra de dúvida a pior arbitragem que vi na minha vida, com a decisão mais escandalosa de que me lembro (o lance de Mangala) e um conjunto de outros lances menos evidentes mal decididos para os dois lados. O jogo acaba mesmo com uma cena de comédia, a rábula da bola ao ar que só faltou ter resultado em golo do Benfica para completar a pantomina. Lamentável, absolutamente lamentável mas facilmente explicável - como passo a demonstrar.

Aqui há pouco mais de um ano "desafiei" Vitor Pereira, da arbitragem, a nomear os árbitros conhecidos por prejudicar o Benfica em jogos fora, para jogos na Luz. A razão era simples: eu não acreditava que na Luz eles se atrevessem a fazer o que faziam nos jogos fora.

O que aconteceu com Soares Dias foi o seguinte: durante a primeira parte, decidiu constantemente contra o Benfica mas não houve nenhum caso muito importante (a não ser um lance em que dois jogadores do Porto fazem falta para amarelo e nenhum o vê); na segunda parte há o lance do penalty de Mangala a um metro de si - o Estádio explode; mas no lance imediatamente seguinte há o golo, de "raiva", pela injustiça flagrante e pouco depois o lance de Jackson com Maxi; aqui parece novamente muito claro haver uma agressão (na repetição fica-se na dúvida e aceita-se o amarelo); todos os intervenientes esperam o vermelho mas Soares Dias dá o amarelo; nova assobiadela monumental e o árbitro a partir daí já está no limite das suas forças para combater o Benfica e suportar a pressão do Estádio; já não tem coragem para marcar o possível penalty sobre Quaresma e expulsa Danilo por pretensa simulação. A partir daqui o seu desnorte já é completo. Ele já só queria sair dali.

Por esta razão, os adeptos não podem ser árbitros. Mas infelizmente isso acontece em Portugal, como, para além do caso em apreço, se viu ainda agora com dois árbitros de andebol. Depois de uma arbitragem absolutamente tendenciosa num clássico Benfica-Porto, com enorme influência no desfecho do jogo (que ocorreu há alguns meses), descobriu-se que os mesmos tinham páginas no Facebook onde faziam piadas sobre o Benfica, assumiam o seu portismo e subscreviam mesmo páginas do "anti-Benfica". Os árbitros foram suspensos e terão agora assumido a sua saída da arbitragem (talvez para integrar a "estrutura" do Porto).

Está na hora de acabar com esta pouca vergonha.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

As maiores transferências do Benfica

De acordo com um levantamento feito pelo semanário "Sol", Jorge Jesus é o treinador que mais receitas com transferências gerou a um clube português.

Ao todo, o Benfica terá realizado em vendas cerca de 251 milhões de euros desde que JJ é treinador.

As principais transferências foram as seguintes:

Witsel 40 milhões - Zénite São Petersburgo
Javi Garcia 20 milhões - Manchester City
Matic 25 milhões - Chelsea
Ramirez 11 milhões (por 50% do passe que era o que o Benfica detinha na altura) - Chelsea
David Luiz 25 milhões (+ Matic, na altura avaliado em 5 milhões) - Chelsea
Fábio Coentrão 30 milhões - Real Madrid
Di Maria 33 milhões - Real Madrid
Bruno César 5,5 milhões - Al Ali
Melgarejo 5 milhões - Kuban Krasnodar

Só aqui estão 194,5 milhões, faltando depois um conjunto de outras vendas menores (e por ano há literalmente dezenas de transferências, a maioria das quais nem chegam a ser referidas pelos media).

São números que não podem ser ignorados e que demonstram, em primeiro lugar, que o Benfica tem bons olheiros e, em segundo, que Jorge Jesus tem sido capaz de valorizar jogadores. David Luiz, Javi Garcia e Coentrão não tinham, nem pouco mais ou menos, estatuto internacional quando chegaram ao clube e chegaram ao topo do futebol mundial. Di Maria, Matic, Witsel e Ramirez pelo contrário já vinham referenciados, mas atingiram no Benfica um patamar superior. 

Já agora e para complementar esta informação refira-se que antes destas, as maiores transferências do Benfica tinham sido as de:

Simão 18 milhões (Atlético de Madrid) em 2007
Manuel Fernandes 18 milhões (Valência) em 2007
Nuno Gomes 17 milhões (Fiorentina) em 2000
Tiago 12 milhões Chelsea em 2004.

Falta agora ao Benfica, para além evidentemente de títulos, começar a aproveitar os frutos do trabalho da formação, com uma aposta mais consistente nos valores portugueses, a começar por André Gomes que me parece que agora que Matic saiu deverá começar a ter mais oportunidades para jogar.


A degola de Moyes

O estado do Manchester United esta época e as ausências de Rooney, Van Persie, Nani e Fellaini (todos por lesão) não faziam prever nada de bom para esta equipa na sua deslocação a Londres para defrontar o Chelsea. Em casa, Mourinho tem um registo "limpo", sem qualquer derrota para o campeonato. O modo como as suas equipas normalmente jogam nos jogos grandes era mais um factor que atribuía forte favoritismo ao Chelsea. 
Foi por isso sem surpresa que se assistiu à completa vulgarização do ainda campeão inglês. Enquanto houve jogo (apesar de um começo razoável mas inofensivo do United) o Chelsea foi de uma superioridade esmagadora. A partir do 3-0 (que aconteceu logo aos 48m) foi claro o abrandamento: para Mourinho não há vantagem em obter goleadas em jogos que valem 3 pontos, pelo que passou a haver uma gestão de esforço. O Chelsea facilitou mesmo um pouco e o United conseguiu o golo de honra, já perto do fim. Nunca houve porém, a partir do 1º golo do Chelsea, que surgiu logo aos 16m, qualquer dúvida acerca do desfecho do jogo. 
Mourinho voltou a ter um toque mágico, ao colocar Etoo no 11, em detrimento de Torres, pois o camaronês fez um hat-trick. Torres pelo contrário acabou por se lesionar nos poucos minutos que esteve em campo e estará ausente por algumas semanas. 
De sublinhar também que David Luiz voltou a jogar no meio campo, ao lado de Ramirez. É uma situação que Mourinho vem gerindo, conhecendo-se a qualidade do brasileiro e o seu estatuto, agora com esta "solução" de jogar no meio. Na defesa Terry é um bastião intocável e Cahill é um defesa à medida de Mourinho - muito seguro e concentrado, não é dado às subidas e "aventuras" de Luiz. Terry e Cahill completam-se muito bem. Veremos como é que, com soluções como Matic, Obi Mikel e Lampard no banco, Mourinho gere a situação de Luiz nesta segunda metade da época. Claro que poderá sempre haver alguma lesão de um dos centrais neste momento titulares, mas se não for o caso pode estar ali um problema.
Independentemente deste aspecto, há que reconhecer que Mourinho vem fazendo um excelente trabalho e que esta equipa não tem nada a ver com a que jogou nas primeiras jornadas do campeonato. Está muito mais forte, muito mais consistente, mantém-se a apenas 2 pontos da liderança e vários jogadores subiram muitíssimo de rendimento.  

Outra boa surpresa tem sido a consistência do Arsenal, que se mantém na liderança. Ozil veio indiscutivelmente dar muita maturidade e dimensão à equipa na qual se destacam ainda outros jogadores como Ramsey e Giroud, para além da defesa, nomeadamente guarda-redes e centrais. É uma pena que Walcott se tenha lesionado e não volte a jogar esta época. A regularidade tem sido o apanágio desta equipa que conseguiu "sobreviver" ao "choque com os titãs" que aconteceu há algumas jornadas atrás. Apesar de uma derrota copiosa com o City, o empate com o Chelsea permitiu ao Arsenal manter-se na frente. Essa liderança é, estou convencido, o combustível de que se alimenta esta equipa, pelo que será essencial mantê-la para prolongar o élan vencedor. Temo que perder a posição cimeira possa significar uma grande queda para o Arsenal em termos de mentalidade e motivação. 

Já o Liverpool disse adeus ao título precisamente nesse mini ciclo de jogos com os gigantes: duas derrotas entre o Natal e o fim de ano, ambas por 2-1 e ambas depois de estar em vantagem, contra City e Chelsea abriram um fosso que já não é recuperável para o trio da frente. Nunca considerei o Liverpool como candidato mas confesso que fiquei surpreso pelo boa forma e bom futebol que vem demonstrando esta época.

Finalmente o City apresenta-se como a equipa com o plantel mais forte e que nessa medida será o principal candidato a vencer, até porque tem mostrado qualidade e consistência nas últimas jornadas. As opções são mais do que muitas para todos os sectores do campo, incluindo suplentes de luxo. 

As próximas jornadas prometem mais emoções trazendo alguns jogos importantes na luta pelo título: o City na próxima quarta, dia 29, vai a Londres jogar com o Tottenham (que desde a saída de Villas-Boas vem encetando uma grande recuperação, com Addebayor a desempenhar um papel importante) e na jornada seguinte recebe o Chelsea. Começamos, lá como cá, a entrar na fase das decisões, aquela na qual começa a não haver muito tempo para recuperar de qualquer erro.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Vitória segura

O Benfica abordou bem o jogo e venceu o Marítimo com justiça. A equipa fez um jogo seguro, tendo controlado o adversário e o rumo da partida durante a maior parte do tempo.
Oblak ajudou nessa segurança e controlo pois fez duas ou três defesas de grande grau de dificuldade.
Jorge Jesus preparou bem o jogo e no essencial mexeu bem na equipa.
  
A grande curiosidade era ver como Fedja assumia o seu novo papel na equipa e pode-se dizer que o fez bem. Esteve sempre perto da bola e conseguiu fazer na maioria das vezes as compensações defensivas. Não se espere dele a exuberância de Matic.
Matic tem de facto uma qualidade de topo como comprova o facto de Mourinho o ter querido ter na sua equipa.
No entanto Fedja, num estilo mais discreto, pode igualmente ser um jogador importante para a nossa equipa, que lhe traga equilíbrio e segurança defensiva. Precisa naturalmente de tempo de jogo e de se habituar às rotinas da equipa.
Na fase final da partida entrou Rúben Amorim e foi novamente ensaiado o esquema alternativo 4-3-3. O Marítimo teve apenas mais uma situação de perigo, num passe para as costas de Maxi Pereira, com o jogador maritimista a isolar-se pela meia direita da nossa defesa e a rematar para uma excelente defesa de Oblak que levou ainda assim a bola ao poste. O Benfica poderia porém também ter marcado por mais do que uma vez neste período. Lima continua a não acertar com as redes, apesar do evidente empenho. O contraste com um Rodrigo cada vez mais confiante e eficaz é enorme, mas não podemos esquecer que foi Lima quem noutras alturas resolveu e que o brasileiro trabalha imenso em prole da equipa.
Destaco também Gaitan, que está um jogador cada vez mais inteligente. Os seus passes são inteligentes, criativos e intencionais. Gaitan tem crescido e amadurecido muito esta época.
No geral foi um bom jogo do Benfica. Há que dar continuidade a este caminho.
 
O campeonato agora é interrompido novamente (um disparate com o qual temos que conviver) para a terceira e última jornada da fase de grupos da Taça da Liga. Já apurados, deveremos usar esta partida para rotinar mais Fedja e para dar minutos, como agora se diz, a jogadores como Ivan, André Gomes, Rúben Amorim, Steven Vitória e outros.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Os penalties e a verdade do jogo

O futebol é um jogo físico, um jogo viril.
Sem desprimor para o futebol feminino, ainda me lembro bem de, na escola, se dizer "o futebol não é para meninas". A carga de ombro é um exemplo do lado físico do futebol - o mais forte ganha o lance.
Por outro lado o futebol é um jogo leal e por isso não se admite as rasteiras ou o jogo com os braços.
 
Nos países latinos (sobretudo Portugal, Espanha e Itália), por razões que não são fáceis de discernir, mas que podem ter que ver também com o grande número de jogadores oriundos do Brasil e restante América Latina, o futebol tornou-se demasiado faltoso.
Uma mentalidade resultadista em detrimento de uma desportivista, leva a que muitas equipas recorram a todo o tipo de expedientes para impedir as equipas mais fortes e atacantes de jogar, nomeadamente os esquemas ultra-defensivos do chamado "autocarro" em frente da área e o anti-jogo, constantes perdas de tempo, simulações de lesões e demoras nas reposições de bola.
Nos países anglo-saxónicos, o futebol é muito mais físico e existe mais fair-play. É uma questão de honra: simular ou perder tempo é considerado vergonhoso e condenado por adeptos e comentadores (e punido pelas instâncias competentes).
Em Portugal é tudo ao contrário: por regra os jogadores não têm esse espírito de fair-play, os árbitros tudo permitem e os comentadores têm muito pouca capacidade crítica, fazendo normalmente as suas análises em virtude dos resultados dos jogos.
Por estas razões há muitos anos que me identifico mais com o futebol inglês, de grande intensidade, grande ritmo, atacante, de parada e resposta. O futebol português pelo contrário é lento, com imensos tempos mortos, sem ritmo nem fluência, cheio de faltas e faltinhas a toda a hora.
 
Claro que a arbitragem desempenha um papel essencial neste tipo de futebol. A nossa arbitragem é, por regra, péssima. Os nossos árbitros passam o tempo a apitar, a cortar o ritmo do jogo. São incapazes de distinguir entre a virilidade e a maldade. São preciosistas e autoritários em relação a coisas insignificantes mas depois completamente incapazes de se fazer respeitar nos momentos verdadeiramente importantes. São incoerentes, não têm critérios uniformes, a maior parte das vezes nem sequer no mesmo jogo! Depois há as preferências clubísticas dos árbitros que são por vezes evidentes e se refletem, e de que maneira, nas suas decisões.
 
Dito isto, as decisões mais importantes durante os jogos (penalties e cartões) acabam por ser tomadas de forma arbitrária, quer dizer, quase ao calhas, com o factor clubístico a ser, na maioria das vezes, decisivo para o lado que as mesmas acabam por pender. Um completo desastre para a verdade do jogo! E é evidente que o Porto é o clube que nas últimas décadas mais tem beneficiado deste estado de coisas.
 
De todas as decisões, o penalty e a expulsão são evidentemente as mais determinantes no desfecho do jogo. O blog influência arbitral tem feito um trabalho notável neste domínio, demonstrando de forma objectiva como o Porto tem sido beneficiado ano após ano e como esses benefícios explicam largamente o seu sucesso.
 
Em Inglaterra, conscientes como são, os árbitros têm a noção de como o penalty é uma decisão importantíssima senão determinante. E nessa medida quase não marcam penalties.
 
De facto, o penalty é uma falta que deve ser apitada apenas quando um jogador está numa posição de quase fazer golo e é impedido ilegalmente dentro da área, ou quando exista uma falta que, apesar de desnecessária, seja absolutamente evidente. Marcar penalties por bolas pontapeadas à queima roupa tocarem na mão do adversário em situações de nenhum perigo eminente, ou por supostos (ou reais) toques mínimos quando os atacantes correm em direcção paralela ou mesmo contrária à baliza, é algo que considero absurdo e totalmente desvirtuador da verdade do jogo. Do nada, de lances perfeitamente inofensivos, resulta, por uma decisão exclusiva do árbitro, um golo quase certo.
 
É uma decisão tão séria que os árbitros só a devem tomar quando têm a certeza absoluta de que existiu uma falta, isto é quando essa falta é evidente. Ora penalties evidentes são uma minoria muito pequena. Infelizmente porém por vezes são esses que não são marcados (como se viu com a mão de Mangala, tipo bloqueio de vólei, no passado domingo), ao passo que lances inofensivos e altamente discutíveis acabam por ser decididos nesse sentido.
 
Em conclusão, quanto menos penalties forem marcados (assinalando-se apenas os óbvios) menor a probabilidade dos árbitros errarem com influência no resultado. Isto apesar dos comentadores e pseudo-especialistas, grande parte com agendas marcadamente clubísticas, poderem dizer exactamente o contrário e reclamarem a marcação de penalties a toda a hora e por tudo e por nada. Não percebem o espírito do jogo e não percebem que, mesmo que haja erros, se houver coerência, já teremos um grande avanço.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A saída de Matic: 4-3-3 ou 4-4-2 ?

O meio campo do Benfica é um tópico sobre o qual já escrevi uma série de posts. Não tendo eu pretensões a ser um especialista em táctica, a observação e análise das transformações que se têm verificado naquele sector desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica não deixam de me interessar e merecer algumas considerações.

Desde então o Benfica já teve os seguintes "meios-campos":

2009/2010

Javi Garcia como trinco, apoiado por Ramirez (que fazia o corredor direito, ao passo que Di Maria ficava no esquerdo) e Aimar a construtor de jogo (tratava-se de um 4-4-2 no qual não apenas um dos alas mas o próprio 2º avançado, no caso Saviola, baixavam para dar algum equilíbrio à equipa)

2010/2011

Com a saída de Ramirez (e Di Maria), JJ foi tentando várias soluções que alternou, para colmatar o desequilíbrio que se gerou. Por exemplo colocar ou César Peixoto ou Rúben Amorim nas alas ou ainda Carlos Martins no meio ao lado de Javi. No entanto, com a afirmação definitiva de Gaitan e Sálvio nas alas, a dupla Javi Garcia (indiscutível)-Aimar acabou por ser  mais habitual. Era um 4-4-2 muito marcadamente ofensivo que deu resultados muito negativos numa época para esquecer. 

2011/2012

Chegaram ao Benfica no início dessa época Matic (incluído no negócio de David Luiz que saíra a meio da época anterior, no fim do período de transferências de Janeiro) e Witsel. Este impôs-se na equipa rapidamente e o meio campo passou a ter uma composição mais equilibrada: Javi e Witsel complementavam-se muito bem. Ao passo que Aimar era um criativo sem presença no meio campo (pouca capacidade de choque, pouco poder de recuperar bolas e o próprio posicionamento muito avançado, perto dos pontas de lança), Witsel era o chamado "box-to-box", com uma presença física importante no meio campo. Foi uma época melhor do que a anterior na qual o campeonato se perdeu devido a arbitragens miseráveis e ao esgotamento físico dos jogadores (não houve quase rotação). 

2012/2013

A época passada começou com a mesma dupla no meio campo mas antes do fecho do período de transferências Javi e Witsel foram transferidos. Imaginava-se o pior mas a verdade é que foram substituídos por Matic e Enzo e a equipa ficou ainda mais forte. Matic demonstrou uma capacidade extraordinária para não apenas ser o "novo" Javi Garcia como ainda lhe juntar alguns dos predicados de Witsel. Enzo por seu turno é um grande futebolista, para mais muito raçudo e de alta rotação.

2013/2014?

Com a saída de Matic a solução que me parece mais provável é a sua troca directa por Fedja. Existem obviamente outras possibilidades, incluindo a do Benfica adoptar um 4-3-3 tal como já aconteceu esta época, abrindo-se então espaço para Rúben Amorim. A minha aposta vai porém para Fedja, pelos seguintes motivos: é um jogador mais forte e com mais capacidade de choque do que Amorim; tem rotina da posição e poderá, sublinho poderá, dar mais garantias em termos defensivos. Agora Fedja é claramente um jogador com mais dificuldades a construir, com menos velocidade, um jogador mais ao estilo de Javi do que de Matic. Mas, como se vê pela amostra, o meio campo do Benfica tem mudado constantemente ao longo dos anos (certamente também pela valorização dos jogadores que lá actuam) pelo que não há razões para pânico. Com solidariedade entre os jogadores acredito que a qualidade existente no plantel permitirá suprir esta perda.