quinta-feira, 8 de maio de 2014

Penta na Taça da Liga

O Benfica venceu a Taça da Liga ao bater o Rio Ave por 2-0 na final em Leiria.
Foi uma vitória justa, apesar de um belíssimo início por parte do Rio Ave que nos criou problemas e inclusivamente teve uma grande oportunidade para marcar, tendo valido uma excelente defesa de Oblak.
Terá existido da parte do Benfica alguma ansiedade nesse início de jogo, compreensível dado o ciclo de três finais que se iniciava. Há também que dar mérito ao adversário, que tem bons jogadores e está bem orientado, que esteve muito organizado em campo e soube explorar as subidas dos defesas do Benfica com movimentos diagonais de jogadores rápidos.
Com o tempo porém o Benfica começou a assentar e fez um jogo em clara ascensão do princípio ao fim, contra um adversário, repito, difícil que se fechou muito na defesa mesmo em desvantagem no marcador. Algo que tem que se compreender e respeitar pois o Rio Ave não tem as mesmas armas que o Benfica.
Foi uma vitória bonita que representa a 5ª conquista benfiquista da Taça da Liga. Rodrigo foi eleito o melhor em campo, distinção que poderia também ter sido atribuída a Luisão ou mesmo, a meu ver, a Enzo Perez. Maxi também esteve bem tal como Markovic e Rúben Amorim. Lima trabalhou muito e Gaitan não teve o seu melhor jogo.
Há que perceber que o índice elevado de bolas perdidas se deve em grande parte à "sobrelotação" do meio-campo do Rio Ave, mas há também que retirar algumas ilações e algumas lições para as duas finais que vêm a caminho.
A partir do golo marcado, já na recta final da 1ª parte, na sequência de uma pressão mais intensa que então vínhamos exercendo, percebeu-se que o Benfica tinha tudo para vencer, pois ou o Rio Ave se mantinha encolhido e pouco perigo poderia criar face a um Benfica já em vantagem e sem necessidade  de correr riscos, ou arriscava e então criava os espaços que os jogadores do Benfica tanto gostam e que dificilmente não aproveitariam para ter oportunidades claras e possivelmente marcar.
O Rio Ave optou pela primeira e praticamente não incomodou o Benfica na segunda parte. De forma segura a nossa equipa foi-se aproximando da baliza adversária e com naturalidade chegou ao segundo golo que acabou desde logo com as dúvidas quanto ao vencedor. 
Em suma sofremos um pouco ( sobretudo no início e até ao primeiro golo) mas devemos aceitá-lo com naturalidade. Tendo chegado à final com mérito é totalmente legítimo que os jogadores do Rio Ave acreditassem na vitória e, estando muito motivados, não é de surpreender que nos criassem problemas.
O desfecho do jogo não merece porém qualquer contestação nem dúvida.
 
Foi bonita a cena criada com o corredor feito pelos jogadores aos seus colegas da outra equipa. Durante o jogo houve um ou outro jogador do Rio Ave que exagerou um pouco na virilidade e nos protestos mas há que compreender que a adrenalina é alta e que a vontade de vencer por vezes possa levar a atitudes menos correctas. Nada porém de excessivo e tudo "limpo" pelo que se passou após o apito final.
Por falar em apito, a arbitragem pode ter tido um ou outro erro, tendo perdoado alguns cartões a jogadores do Rio Ave e eventualmente um penalty, mas no geral considero que esteve bem.
Quanto aos comentários da TVI sinceramente nem vale a pena dizer muito. Todos ouviram o que foi dito e que já não surpreende ninguém que acompanhe estas coisas do futebol há um tempo mínimo. Nem vale a pena perder tempo com esse assunto.
 
O Benfica venceu pela 5ª vez este troféu e deu mais um passo para conquistar uma posição de hegemonia na competição e nela construir um historial notável.
 
Para mim esta Taça representa bastante quer pela razão aduzida, quer por ela representar de certa forma o início do ciclo de vitórias que temos conseguido nos últimos anos (a um título de campeão conseguido, embora com mérito, em 2005 mas de alguma forma num ano atípico e sem muita sustentação, como se viu nos anos seguintes, seguiram-se os títulos já muito fortes de 2010 e 2014), quer pelas páginas bonitas escritas na competição (vitória por 4-1 em Alvalade nas meias finais em 2010, vitória por 3-0 sobre o Porto na final do mesmo ano, vitória por 2-1 sobre o Sporting em 2011, com Javi Garcia a marcar o golo da vitória no último minuto, vitória por 3-2 sobre o Porto em 2012 e a vitória por penalties, com 10 e sem muitos titulares novamente sobre o Porto, no Porto, este ano), quer ainda por esta Taça, para poder ser conquistada, implicar sempre clássicos ou derbies, como atrás demonstrado, quer ainda por estes resultados demonstrarem que o Benfica tem de facto sido, em termos puramente futebolísticos, a melhor equipa em Portugal nos últimos anos.
 
Hoje celebramos e amanhã começamos a preparar a final de Turim. Queremos vencer mas sabemos que só o poderemos alcançar se formos humildes e se trabalharmos mais e melhor do que o adversário, como temos feito até aqui.
 
Viva o Benfica.
 
 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Scolari divulga convocados do Brasil

Portugal ainda tem que esperar umas semanas, assim como a maioria das outras seleções, mas o Brasil anunciou já a sua convocatória para o Mundial.

Eis a lista de Luis Filipe Scolari (fonte jornal "A Bola"):


Guarda-redes: Júlio César (Toronto FC), Jefferson (Botafogo) e Victor (Atlético Mineiro) 

Defesas: Thiago Silva (PSG), David Luiz (Chelsea), Dante (Bayern de Munique), Henrique (Nápoles), Daniel Alves (Barcelona), Marcelo (Real Madrid), Maicon (Roma) e Maxwell (PSG)

Médios: Ramires (Chelsea), Willian (Chelsea), Oscar (Chelsea), Fernandinho (Manchester City), Hernanes (Inter Milão), Luiz Gustavo (Wolfsburg) e Paulinho (Tottenham)

Avançados: Neymar (Barcelona), Fred (Fluminense), Jô (Atlético Mineiro), Hulk (Zenit) e Bernard (Shakhtar Donetsk) 


Naturalmente que nunca há escolhas consensuais. Cada cabeça sua sentença e numa selecção como a brasileira, onde o campo de recrutamento é gigantesco (além de centenas de convocáveis no Brasil há depois dezenas de outros jogadores espalhados pela Europa a jogar ao mais alto nível) a tarefa do seleccionador é quase ciclópica.

Não conheço muito bem a realidade brasileira por isso não faço muitos juízos mas parece-me algo estranha a convocatória de um jogador chamado Henrique, do Nápoles, um jogador de um currículo muito limitado, deixando de fora Luisão. Estranha para não dizer inexplicável. Admito que Scolari tenha as suas razões - é o seu País e ele é o líder do grupo - mas em termos objectivos parece-me que Luisão, com um percurso futebolístico muitíssimo superior ao de Henrique e a realizar uma época a um nível extraordinário, seria uma convocatória muito mais justificada e muito mais justa. Parece-me uma escolha a todos os títulos decepcionante, mas, de novo, não é o meu País e manda quem pode.

Quanto às outras escolhas parecem-me relativamente razoáveis. Acho que se trata de uma selecção com qualidade, embora não ao nível de outras anteriores. Creio que jogará muito para Neymar. Do que conheço de Fred e Jô, tratam-se de jogadores pouco mais do que medianos, sem muita dimensão.

Muito do que o Brasil será capaz de render dependerá porém do que o meio campo for capaz de render. Ramirez tem feito um final de época muito mau, parece altamente desgastado. Veremos como estará daqui a  um mês. Paulinho tem sido uma decepção no Tottenham, veremos o que poderá render no Brasil, com um treinador que lhe dê mais confiança. Não conheço Hernanes. É algo estranho que existam dois convocados semi-desconhecidos de clubes italianos (ainda por cima clubes que não fizeram grandes campanhas, num campeonato que foi ultrapassado pelo português no ranking UEFA), assim como Luiz Gustavo, que foi dispensado do Bayern e joga no modesto Wolfsburgo, mas, mais uma vez, Scolari terá as suas razões.

Tudo ponderado, não acredito muito neste Brasil. Tinha alguma expectativa depois do que vi na Taça das Confederações mas uma série de jogadores que então foram preponderantes parecem-me nesta altura em má forma, não sendo eventualmente aproveitado o bom momento de uma série de outros, nomeadamente Luisão, Filipe Luis, o próprio Coutinho (que não fazem parte da convocatória) é algo que não me parece um bom prenúncio para o Brasil. Veremos.


terça-feira, 6 de maio de 2014

Depois do campeonato, 1ª final das Taças

Depois de conquistar com todo o mérito o campeonato, com um registo que, não fora a 1ª jornada e seria imaculado, o Benfica começa amanhã a disputar as finais que alcançou também por mérito próprio e com muito sacrifício.
Não tenho dúvidas de que todos (dirigentes, treinadores, jogadores e adeptos) farão o possível para conquistar todas estas competições, vencendo portanto os três jogos decisivos. Se não o conseguirem não será certamente por falta de empenho ou por nenhum tipo sobranceria, pois o que aconteceu no fim da época passada está na mente de todos como um aviso de que até ao apito final do árbitro nada está garantido.

A oportunidade é boa e tudo temos que fazer para esta seja de facto uma época de sonho. Resta agora dar as respostas que todos esperamos.

Desse "sonho" à realidade vão apenas 12 dias, nos quais se realizarão os três jogos decisivos.

O primeiro, amanhã, quarta-feira dia 7 em Leiria, é a Final da Taça da Liga. O Benfica-Rio Ave disputa-se amanhã às 20.30 h no Estádio Dr. Magalhães Pessoa. Transmissão TVI.

A segunda é a Final da Liga Europa, que tem lugar em Turim quarta feira dia 14 pelas 19.45h (hora portuguesa) Sevilha-Benfica no Estádio da Juventus. Transmissão SIC.

A terceira é a Final da Taça de Portugal que volta a ser um Benfica-Rio Ave e se disputa no Estádio Nacional no Jamor Domingo dia 18 a partir das 17.15 h. Transmissão RTP.

Na antevisão, Jorge Jesus disse o essencial: “Temos de pensar final a final. A primeira final é amanhã”;  “Numa final não há favoritos. Qualquer equipa que chega aqui fá-lo por mérito próprio e pensa vencer”; “O Rio Ave pensa vencer e o Benfica do mesmo modo. Para mim não há favoritos, seja em que final for. Teoricamente o Benfica é mais forte, mas no futebol não ganha a teoria, ganha a prática. Como em tudo na vida. Temos de demonstrar que somos melhores do que o Rio Ave”.

A convocatória da selecção

As certezas (excluindo obviamente a possibilidade de lesões)

Rui Patrício GR
João Pereira DD
Pepe DC
Bruno Alves DC
Fábio Coentrão DE
Meireles MC
Moutinho MC
Miguel Veloso MD/MC
Cristiano Ronaldo A/E
Beto GR

quase certos

William Carvalho MD
Varela E
Nani E
Postiga A
Hugo Almeida A

(15 ficam 8 vagas)

prováveis

Neto DC
Rúben Amorim MC/DD
Ricardo Costa DC/DE
André Almeida DD/DE/MC

O quadro de jogadores acima totaliza 19, ficando 4 vagas. Considerando que uma delas é para um guarda-redes - Eduardo ou Anthony Lopes - apenas três são para jogadores de campo.

Em termos de posições, o quadro seria o seguinte:

3 GR, 2 DD (defesa direito), 1 DE, 4 DC, 5 Médios (2 defensivos, MD, e três centro, MC), 3 avançados (A) e 2 extremos (E). Em termos de sectores, teríamos 3 GR, 7 defesas, 5 médios e 5 avançados. Considerando que Portugal joga em 4-3-3, deveríamos ter 8-6-6 em termos de convocados.

possíveis

Rolando
Antunes
André Gomes
Adrien
André Martins
Carlos Mané
Vieirinha
Rafa
Custódio
Josué
Quaresma
Ivan Cavaleiro
Éder
Bebé
Danny

Deste lote sairão provavelmente os 3 que faltam, possivelmente mais um defesa, um médio e um avançado. No entanto, a questão da polivalência de jogadores como Ricardo Costa, André Almeida, Rúben Amorim e mesmo de Miguel Veloso, pode levar a que Paulo Bento opte por outra configuração, levando por exemplo 7 defesas, 6 médios e 7 avançados.

Caso Paulo Bento opte pela solução mais convencional, a opção do 8º defesa deverá recair sobre Rolando ou Antunes (Miguel Lopes está lesionado, tal como Sílvio, o qual faria porém certamente parte da lista como indiscutível). Rolando não tem sido chamado mas tem estado a subir de forma e até pode jogar também na lateral direita. Antunes seria uma alternativa mais limitada apenas para o lugar de Coentrão, que no actual quadro de convocados não tem nenhum substituto de raiz, apenas os "adaptados" André Almeida, Ricardo Costa ou até Miguel Veloso. Por outro lado Coentrão em circunstâncias normais não precisa de substituto.

Quanto ao 6º médio, Adrien seria uma escolha natural. O jogador fez uma boa época, bastante aguerrido, bastante dinâmico. Mas por alguma razão não estou em crer que Bento o vá chamar. Poderão tratar-se de questões disciplinares, de temperamento ou de estilo de jogo. Uma coisa eu tenho a certeza, o jogador que melhor aqui caberia e que poderia dar algo de diferente à selecção em termos de médios é André Gomes e tenho alguma esperança que possa ser chamado.

Finalmente o 6º avançado deverá ser um destes: Quaresma, Éder, Bebé ou Danny. Este último parece-me pouco provável, para não dizer, excluído pois tem estado afastado da selecção e sinceramente não me parece adiantar muito. É um jogador mediano e parecido com outros que temos, melhores. Quaresma é obviamente a maior incógnita para este sector. Em termos de qualidade futebolística, Quaresma seria um indiscutível, inclusivamente um titular. No entanto o rendimento deste jogador é muito perturbado pelo seu temperamento e pela sua instabilidade emocional. Muitas pessoas se questionam se é bom ou mau para o Porto tê-lo na equipa - e eu não sei qual a resposta. Quaresma na selecção seria pois algo de muito arriscado para o grupo e para a estabilidade da equipa e daí me parecer que Paulo Bento optará por não o levar. Se fosse eu a escolher iria Bebé, pois tem muita capacidade física e pode jogar a extremo e a ponta de lança. Creio porém que Bento optará por Éder.

Veremos.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mourinho em queda, City com título à vista

O Chelsea voltou a perder pontos e está definitivamente arredado da luta pelo título.

Este final de época está a ser penoso para Mourinho. 

No início da mesma, considerei que dificilmente o treinador português voltaria a repetir o sucesso do passado no clube londrino. Durante a época admiti que poderia ter que rever essa previsão, dados alguns sucessos pontuais que o Chelsea teve, mas agora que tudo está terminado para os blues, o balanço é francamente negativo. O Chelsea não ganhou nada. Pior ainda, o ambiente agora pelos vistos já é mau, com Mourinho a criticar em público os seus jogadores, nomeadamente um dos que mais lhe deu - Hazard - implicitamente culpando-o pelo desaire frente ao Atlético de Madrid. 

Quanto a esse jogo, não foi muito diferente do Liverpool-Chelsea, que possivelmente deu o título ao City. Também aí a equipa que menos "obrigação" tinha de atacar e vencer o jogo acabou precisamente por o conseguir jogando em contra-ataque e explorando o erro do adversário. O Atlético fez ao Chelsea o que o Chelsea normalmente faz aos adversários: fechar-se muito bem atrás, não dar espaços, não deixar jogar e depois sair em contra-ataques rápidos. Estou obviamente a simplificar muito algo que tem muito mais nuances tácticas, mas em linhas muito gerais é isso. 

O problema é que este Chelsea quando tem que assumir o jogo, quando encontra pela frente uma equipa que usa os seus próprios métodos e joga na expectativa, vê-se muitas vezes em apuros. Foi isso que Hazard quis dizer quando falou em o Chelsea "não estar vocacionado para jogar futebol". É por esta frase ser tão certeira e incisiva que Mourinho ficou tão irritado.

Este ano o Chelsea venceu todos os "grandes", duas vezes o City e duas vezes o Liverpool e goleou o Arsenal mas depois perdeu e empatou jogos com os últimos classificados. Porquê? Porque estando a sua matriz definida para defender e explorar o erro e o espaço nas costas dos adversários, quando se vê obrigado a jogar em organização, com os defesas contrários posicionados de frente para a bola tem muitas dificuldades. Falta imaginação. E é indiscutível que isso tem tudo a ver com o esquema de Mourinho e a sua concepção de futebol. Que poderá estar em queda. Mourinho teve um último ano muito mau em Madrid (não só pelos resultados - zero títulos - mas também pelo ambiente que criou à sua volta, incompatibilizando-se inclusivamente com Pepe e Ronaldo) e este ano de regresso ao Chelsea não foi bom. Nada bom mesmo. O Chelsea dos anos anteriores, os tais que Mourinho desvaloriza, conquistara consecutivamente a Liga dos Campeões e a Liga Europa. 

Descontado o Chelsea, há neste momentos duas equipas com possibilidades de serem campeãs: o City e o Liverpool. Há duas partidas para disputar e as equipas estão em igualdade pontual. No entanto o City lidera o campeonato pois no critério de desempate (diferença de golos) leva mais 9 do que o Liverpool. Em dois jogos essa diferença é irrecuperável. Se o City vencer os seus dois jogos - e são ambos em casa, contra Aston Villa (quarta-feira) e West Ham (Domingo) será campeão. 

O Liverpool teve tudo na mão. A possibilidade de ser feliz décadas depois conquistando um título que andou tão longe nos últimos anos. No entanto o referido jogo em que Mourinho conseguiu anular o ataque dos reds e um erro dramático de Gerard, tudo mudou. Agora o Liverpool tem que esperar por um deslize do City, que está muito mais forte nesta ponta final com o regresso de Aguerro e Touré. O Liverpool joga hoje a penúltima jornada, não podendo mesmo perder mais pontos sob pena de hipotecar já qualquer esperança (Crystal Palace-Liverpool, BenficaTV 20.00h). 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os cães ladram...

E o campeão passa. Penso que o Benfica e a grande maioria dos benfiquistas respeitaram a Juventus desde que o sorteio ditou este embate. Já o mesmo não se pode dizer do adversário. As "bocas" de Pilro e Llorente ficaram mal e acabaram mesmo por ridicularizar quem as proferiu (sobretudo Pilro que deveria ter um bocadinho mais de senso, mesmo que achasse - de forma ignorante - que a eliminatória estava ganha). Mas não passaram disso. No entanto a manobra soez de tentar afastar Enzo do jogo antes do seu início foi já algo de muito diferente - e feio - que desde logo azedou o ambiente. Mas o pior estava ainda para vir e isso sim coloca a Juventus mal, muito mal mesmo. Perderam e saem da Europa sem honra, sem glória, sem dignidade e com muito mau perder e comportamentos absolutamente deploráveis. Começou no banco, com tentativas de intimidação e agressão, que custaram uma expulsão até ver completamente injusta de Markovic. Vidal, um cabeçudo que um dia se auto designou "o melhor do médio do mundo", depois de passar o jogo a distribuir pancada impunemente, andava no fim do jogo na área do banco do Benfica a fazer exactamente o quê? E a apontar o dedo e a ameaçar a quem e porquê? Mas o que é que eles queriam, afinal de contas? Muito bem esteve o Benfica e Jorge Jesus a não se deixarem intimidar por rafeiros. Depois foi a vez de Conte fazer um papel absolutamente caricato na conferência de imprensa. Desde logo deve ser dito que os italianos são largamente chauvinistas e muitos são mesmo xenófobos. Assim, na conferência de imprensa os jornalistas italianos começaram logo a induzir aquelas declarações de Conte ao falar de árbitros, da UEFA, do jogo com o Galatasaray... Jornalistas italianos que, aqui há umas semanas, diziam que os portugueses não eram dignos sequer de apertar os atacadores das chuteiras dos futebolistas italianos; que na conferência de imprensa de Jorge Jesus vieram com toda a espécie de parvoíce e provocação, incluisivamente pondo em causa a homenagem às vítimas do Gran Torino. E Conte, seguindo ontem a "deixa" dos seus jornalistas, portou-se mal, muito mal, sem desportivismo, sem fair play, sem o mínimo de adesão, na análise (?) que fez, à realidade. Depois de ver perdoado um penalty claro e de ter tido uma expulsão "amiga" de um dos melhores jogadores do Benfica ainda com meia hora para jogar, o que mais queria este pateta? Como pode falar da arbitragem? Note-se que todos percebemos que haja frustração e tristeza do lado da Juventus. Mas tudo tem limites! Há que ter dignidade e respeito pelos outros. O Benfica o ano passado perdeu como perdeu não uma mas duas competições nos descontos dos jogos. Sabemos como custa. Mas há que ter a compostura de não começar a disparar em todas as direções, sobretudo quando não se tem um pingo de razão. Conte pode evidentemente achar que o desfecho da eliminatória não é o mais justo e que a sua equipa merecia passar, mas não deve desvalorizar a equipa que acabou de o eliminar dizendo que "passou a equipa que mereceu menos". Também não deve dizer que o Benfica "foi duas vezes" à baliza da Juventus quando o Benfica teve várias oportunidades para marcar ao longo dos 180 minutos, além dos dois golos que marcou. É verdade que ontem esteve mais remetida à defesa, mas para isso também muito contribuiu o critério (sobretudo disciplinar) do árbitro, que permitiu grande agressividade dos juventinos e foi implacável com os benfiquistas. A partir de dada altura começámos a jogar com 10, acabámos com 9, quereria Conte que nessa altura e em vantagem na eliminatória estivessemos a atacar loucamente? E quando Garay estava no chão com o lábio completamente aberto por mais uma entrada "com tudo" de um seu jogador, Conte esbracejava loucamente queixando-se de perda de tempo... Mas não contentes com este comportamento deplorável, alguns andaram ao pontapé à porta do balneário do Benfica e tentaram agredir um seu dirigente. É o que se chama perder sem honra nem dignidade. Sem querer abordar muito a questão dos comentadores e dos comentários, há porém duas situações que tenho também de referir. A primeira relativamente a Rui Santos e à sua pronta "condenação" de Enzo, caracterizando a justa indignação que muitos benfiquistas e não só expressaram como "nacionalismo baratucho". Perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Por outro lado, antes do jogo começar, David Borges criticava agrestemente Jorge Jesus pela decisão de colocar Oblak a titular, argumentando que se Artur tinha sido titular em Lisboa tinha que o ser em Turim, pois caso contrário o sinal que se dava era muito negativo. Naturalmente que todos têm direito a ter a sua opinião e a achar o que quiserem. Mas criticar um treinador por fazer as suas escolhas (ainda por cima, no caso em apreço unanimemente reconhecida como a escolha certa), por elas se poderem reflectir negativamente na moral do jogador preterido é algo que já ultrapassa o compreensível para não dizer do normal. Para terminar, o que dizer da recepção dos adeptos ao Benfica no aeroporto? Mais um momento memorável. Os portugueses não são menos que nenhum povo europeu e merecem amplamente ser felizes. A alegria do povo ontem em Figo Maduro é merecida e é justa. A vida tem que ter alegria e o Benfica dá-nos momentos de grande alegria e satisfação.
Vivaa! Viva o Benficaaaa!! Adenda: da parte de vários italianos menos facciosos houve já o reconhecimento de que as coisas não foram de todo como Conte e outros as tentaram pintar. Isto aconteceu entre os adeptos rivais da Juventus e também os jornalistas mais independentes e objectivos. Mas inclusivamente alguns jogadores da própria Juventus, como o Chiellini, reconheceram o mérito da equipa do Benfica. Penso que com o "assentar da poeira" todos verão as coisas com mais clareza.

Muita alma, raça e coragem... à Benfica

Mais uma exibição cheia de categoria do Benfica. Num Estádio muito difícil e face a um adversário de grande valor, o Benfica conseguiu o resultado que eu imaginara para este jogo e o merecidíssimo apuramento para a final. À entrada para este jogo, tínhamos uma vantagem mínima. Como se viu nas outras meias finais europeias (excluindo a Valência-Sevilha), uma vitória em casa seria por si só um resultado praticamente suficiente para o apuramento: o Real venceu por 1-0 e isso foi suficiente e ao Chelsea teria bastado vencer para passar à final. Em eliminatórias muito equilibradas, entre equipas de valia semelhante, vencer em casa significa colocar-se à frente na eliminatória e adquirir um ascendente psicológico importante face ao oponente. Por isso, o golo de Lima já me tinha parecido absolutamente decisivo. A ideia de que 2-1 era um mau resultado ou um resultado "muito perigoso", foi algo de positivo na medida em que nos colocou de sobreaviso e criou na Juventus a ideia de que "facilmente" reverteria o resultado. Nunca me pareceu que isso fosse assim tão líquido, pois como sabemos o Benfica joga muito bem fora de casa, fazendo uso da grande velocidade de Gaitan, Markovic, Rodrigo e Lima, mas foi bom para nós que essa ideia se tivesse criado. Jorge Jesus alimentou um pouco este "bluff" ao dizer que o Benfica precisaria de marcar golos em Turim (precisa mas é na final...). Estou em crer que Jorge Jesus sempre acreditou, como eu, que seria possível ao Benfica não sofrer e assim passar com a tal vantagem "perigosa" da primeira mão. Daí a entrada confiante e dominadora do Benfica (ainda que por poucos minutos) ter sido essencial, para desde logo criar a dúvida nos jogadores da Juventus e se perceber que não íamos ali jogar como uns coitadinhos. Houve aliás outro aspecto que não quis referir aqui no blog, quase por superstição, mas que deu muita esperança para o jogo: a Juventus jogou segunda-feira com a maioria dos titulares e esteve a perder, tendo dado a volta ao resultado mas sob muita chuva e num terreno pesado. O Benfica tinha pois alguma vantagem em termos de frescura (ao contrário do que acontecera na primeira mão). De igual modo, o regresso de Gaitán e Sálvio eram boas notícias. Um dos momentos chave do jogo é a cabeçada de Luisão a substituir Oblak entre os postes, muito perto do intervalo. Progressivamente a Juventus conquistara o domínio territorial e começava a trocar (e cruzar) a bola perigosamente perto da área do Benfica. Adivinhava-se que era essencial não sofrer um golo até ao intervalo e assim sendo as coisas poderiam ser um pouco mais tranquilas na segunda parte. Com algumas correcções, o Benfica poderia ser mais incisivo no ataque, colocar a Juve em sentido e evitar uma grande pressão sobre a sua área. Isso parecia ir acontecer pois o Benfica voltou a entrar bem e dava ideia de poder até vir a marcar com o balanceamento ofensivo da Juventus, resolvendo desde logo a eliminatória. Tudo mudou com a expulsão de Enzo. Chegado a esta altura tenho que dizer que a arbitragem foi, do ponto de vista técnico, bastante boa, acertando a maioria das decisões, mas muito caseira no tocante à parte disciplinar. Vidal, Chielini e Asamoah (este amarelado ao fim da terceira falta dura) distribuíram pancada, muitas vezes sem bola, perante a total complacência do árbitro, ao passo que faltas absolutamente banais dos jogadores do Benfica resultaram num festival de cartões absolutamente despropositado, desadequado da realidade do jogo. A expulsão de Markovic não se chegou a perceber e o amarelo a Sálvio é vergonhoso. Pela ordem de razões desse cartão deveríamos ter tido um penalty a nosso favor aos 2m de jogo. O Benfica, vendo-se reduzido a 10, concentrou-se em defender e foi gigante. Ainda reduzido a 9 por lesão de Garay (mais uma vez sem qualquer acção disciplinar por parte do árbitro) os 9 gloriosos em campo cerraram ainda mais os dentes e defenderam com tudo o que tinham a vantagem preciosa. Oblak, que sempre desejei e esperei que fosse a escolha de Jesus, sobretudo pela sua superior capacidade a Artur no tocante aos lances aéreos (cantos, livres laterais), deu uma segurança tremenda e foi intransponível. Não vou, para já, referir a qualidade das outras exibições individuais, que foi grande, pois todos estiveram a um alto nível. Destaco apenas, para além de Oblak, o guardião, Luisão, o capitão que esteve simplesmente intransponível e um gigante a comandar aqueles bravos. Se Luisão não for ao Mundial, Scolari está a ver alguma coisa mal. Mas a vitória é naturalmente de todos, nomeadamente de Artur que não jogou hoje mas nos "manteve" na eliminatória com um par de grandes defesas em Lisboa que seguraram a vantagem preciosa. Estamos na final com todo o mérito e nesta noite de alegria nem sequer quero falar do comportamento antidesportivo e de mau perder dos italianos. O que fica é a nossa qualidade enquanto equipa, a solidariedade dos jogadores e a nossa capacidade de sofrimento. Isso é que merece ser exaltado. Viva o Benfica.