quarta-feira, 18 de junho de 2014

Estará a selecção preparada para jogar em Manaus?

As dúvidas são legítimas depois do triste espectáculo dado no último jogo.
De acordo com os próprios brasileiros o clima de Manaus é impiedoso.
Terá a nossa preparação sido a mais adequada? A avaliar pela condição física dos jogadores no último jogo, não!
Claro que uma preparação não é feita apenas para um jogo, pelo que a resposta não pode ser definitiva e carece de ser reavaliada depois do próximo jogo. Os sinais são porém preocupantes. 

Outras seleções fizeram preparações diferentes, orientadas para replicar em treino as condições difíceis dos jogos (calor e humidade). A nossa não o fez.

Quero crer que há razões para tal e que a nossa preparação obedece a uma estratégia bem delineada. O próximo jogo trará a resposta, pois é decisivo.

E sobre esse jogo é preciso perceber que teremos pela frente um adversário muito difícil, duro de roer.

OS EUA não são uma selecção que vá muitas vezes à frente, que tenha muito talento, que crie muitas situações de golo.
Mas é uma equipa muito lutadora, muito forte fisicamente, muito competitiva e muito objectiva. Uma equipa que defende muito bem.

Portugal terá que fazer um jogo completamente diferente do de segunda-feira e não poderá abordar esta partida com nenhum tipo de sobranceria. Não podemos ganhar nada neste jogo, pois mesmo uma vitória não decidirá nada e continuaremos dependentes do que acontecer na última jornada. Se, por absurdo, os EUA vencessem a Alemanha na última jornada, Portugal poderia ser eliminado mesmo vencendo o Gana. Isto porque o critério de desempate não são os confrontos entre as equipas mas sim a diferença entre golos marcados e sofridos, aspecto em que, face à goleada sofrida no primeiro jogo, Portugal está muito mal posicionado. 
Se, por outro lado, Portugal vencer os EUA e a Alemanha vencer os seus restantes jogos, um empate contra os africanos basta a Portugal para passar aos oitavos de final.

Mas se não podemos ganhar nada (a não ser o próprio jogo) contra os EUA, temos porém muito a perder - nomeadamente podemos ser eliminados à segunda jornada em caso de derrota.

É assim absolutamente certo é que Portugal tem que vencer os EUA, num jogo que se disputará perante um clima inclemente que condicionará - e muito - o rendimento dos jogadores. Veremos como ultrapassaremos estas várias dificuldades. 

A ideia de que perder por 1 ou por 4 é igual só é válida se conseguirmos chegar ao fim da fase de grupos com mais pontos do que EUA ou Gana (obviamente já nem coloco a Alemanha nesta equação pois passará em primeiro certamente). Se houver igualdade pontual a coisa decide-se por diferença de golos - e aí o cenário não é para já animador.

Portugal tem que enfrentar este jogo com os EUA com a máxima seriedade e sentido de responsabilidade, muito espírito de sacrifício e jogando como equipa. Jogar para Ronaldo a todo o momento, sobretudo no último terço do terreno é uma estratégia absurda que não pode conduzir a nada de bom.

Admito-o: estou muito preocupado quanto às nossas possibilidades de nos apurarmos. Penso que seria muito mau para a nossa imagem no Brasil, para os nossos imigrantes espalhados pelo mundo e para o ânimo dos portugueses em geral se ficassemos pela fase de grupos. Espero sinceramente que isso não aconteça. Mas para alcançarmos o objectivo de passar esta fase precisamos de outra atitude, de outra energia, de outra determinação e de outra atitude competitiva. Vedetismo e culto da personalidade não fazem parte do compêndio vencedor.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Selecção precisa de revolução

Depois da avalanche alemã e do triste espectáculo que a selecção ofereceu ao Brasil, impõem-se medidas por parte de Paulo Bento.
O seleccionador português esteve muito mal na preparação do jogo - a equipa perdeu completamente o meio campo e foi atropelada pelo ataque alemão - mas tem agora que ser capaz de apanhar os cacos desta equipa e apresentar um 11 que seja capaz de vencer os dois jogos que faltam - e não será nada fácil.
Para isso, Paulo Bento precisa de mudar estruturalmente a equipa: Meireles, Moutinho e Veloso fazem um meio campo que já não tem andamento para este tipo de competições e que para além disso não tem dimensão física. É portanto por aqui que a coisa tem que começar a mudar, nomeadamente com a entrada imediata de William Carvalho na equipa.
Recuemos 10 anos.
Portugal perde no jogo de inauguração do Euro contra a Grécia. No jogo seguinte, Scolari promove uma revolução na equipa: saem os "velhos" (Paulo Ferreira, Rui Jorge, Fernando Couto e o próprio Rui Costa) e entram os jovens (Miguel, Nuno Valente, Ricardo Carvalho, Deco e o próprio Cristiano Ronaldo).
Os resultados são conhecidos: apesar de termos perdido o jogo decisivo, novamente com a Grécia, fizemos a melhor campanha de sempre da selecção.
Neste momento a equipa precisa de um tratamento de choque desse tipo: o problema é que não há suficientes jovens para entrar na equipa.
Para começar, Bento deveria mexer na baliza. Patrício é talvez o pior guarda-redes que me lembro de ver entre os postes da selecção. Não faz uma defesa e não dá nenhuma segurança à equipa. A jogar com os pés é uma desgraça e não raro dá golos ao adversário. Patrício treme por todos os lados e deveria ser substituído de imediato - por Eduardo.
Depois no meio deveria entrar William para o lugar de Meireles, avançando Moutinho. É uma pena que André Gomes não esteja entre os convocados porque seria também uma boa opção. Rúben Amorim pode porém entrar igualmente, nomeadamente para o lugar de Miguel Veloso que penso ser a melhor opção neste momento para o lugar de Coentrão. 
Finalmente há que deixar de colocar em campo um ponta de lança de raiz, fazer entrar Varela ou Vieirinha e derivar Ronaldo para o meio.
Paulo Bento tem agora a palavra. Fazer um jogo semelhante ao de ontem não é uma opção. Portugal tem que deixar outra imagem no Brasil. Seria imperdoável não o fazer.
 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Brasil 2014 - trio de favoritos

No Mundial que começa esta noite há para mim três favoritos que se destacam de todos os outros: Brasil, Espanha e Argentina. São as seleções mais fortes e com os melhores jogadores. A Espanha é campeã do Mundo, o Brasil joga em casa e a Argentina tem um dos conjuntos mais fortes de sempre.

Não vencer um daqueles três seria para mim surpreendente.

Num patamar abaixo coloco a Alemanha, candidato "crónico" às decisões e às finais. Não me parece ter os argumentos de outros anos: Ozil, Muller e Khedira, os principais talentos desta seleção, fizeram épocas muito intermitentes e não parecem chegar a este mundial na melhor forma. O forte colectivo alemão estará presente mas penso que falta a centelha que impulsiona as equipas para os patamares mais altos.

Depois, muito perto da Alemanha, temos a Holanda. Finalista em 2010, vencedor do Euro 88, a Holanda é neste momento um pouco o inverso da Alemanha: muita qualidade individual, muito talento mas falhas na estrutura da equipa. Torneio após torneio, jogadores como Robben, Van Persie e Sneijder vêm passando ao lado da glória. Será a última oportunidade deste grupo de jogadores conseguir algo de importante.

Num patamar de outsiders, ou seja seleções que partem para o Mundial com expectativas relativamente moderadas e que não são verdadeiros contendores à vitória, embora tenham qualidade para se bater com os melhores, surgem Portugal, França, Itália e a própria Bélgica.

Portugal tem um grupo bastante experimentado de jogadores com alguma qualidade (Bruno Alves, Meireles, Veloso, etc), três ou quatro jogadores acima da média (como Pepe, Coentrão, Moutinho e Nani) e depois o fenómeno Ronaldo. Eu sei que este epíteto pertencia ao Ronaldo brasileiro mas de facto o nosso também o merece. É um jogador extraordinário, sensacional, que se estiver em condições pode catapultar Portugal muito longe. 

Itália está a passar um período muito negativo em termos futebolísticos. Não acredito de modo nenhum que possa ganhar ou sequer estar na final mas não podemos esquecer que noutras alturas em que também ninguém dava nada pelas suas equipas foi capaz de surpreender. Não acredito que seja o caso desta vez mas a Itália pode-se também bater com qualquer adversário.

Quanto à Bélgica tem uma fornada de jogadores bastante interessante, que, tal como os portugueses, jogam um pouco por toda a Europa. Courtois, Kompany, Witsel e Hazard são as principais estrelas, mas há muitos outros bons jogadores, habituados ao nível mais alto de competição, nomeadamente a Premier League. Veremos o que serão capazes de fazer como equipa. E atenção porque esta equipa pode ser nossa adversária nos oitavos de final.

A França é um pouco uma incógnita: depois de um ciclo de vitórias seguido de um período depressivo ainda não atingiu a estabilidade emocional e competitiva para estar entre os candidatos, apesar de obviamente ter jogadores de grande competitividade, como Ribery, Benzema e Pogba, entre outros. É evidentemente uma seleção sólida e difícil de bater mas parece não ter argumentos suficientes para chegar às decisões finais. 

Finalmente temos o Uruguai, a Colômbia, a Inglaterra, a Rússia, a Croácia, a própria Grécia, que são equipas candidatas a passar aos oitavos de final mas que não poderão aspirar a muito mais do que isso. Inglaterra tem sido uma desilusão torneio após torneio e eu ficaria muito surpreendido se desta vez fosse diferente. O Uruguai parece-me a mais forte deste lote e pode eventualmente chegar um pouco mais longe. No entanto deve-se recordar que Uruguai e Inglaterra estão no mesmo grupo, juntamente com a Itália e a Costa Rica. Inglaterra, Itália e Uruguai, um dos três não chegará pois sequer aos oitavos de final.

Em suma, imagino uma final em que necessariamente estará o Brasil ou a Argentina, sendo que a Espanha ou a Alemanha ou a própria Holanda poderão ambicionar a disputar esse jogo. Aliás diga-se que a final pode mesmo ser um Brasil-Argentina, caso ambas as equipas vençam os seus grupos e, obviamente, vençam as subsequentes eliminatórias.

Há porém uma coisa curiosa neste Mundial, que é a possibilidade clara do Brasil poder ser eliminado nos oitavos de final. Nesse jogo o Brasil enfrentará a Espanha ou a Holanda. Em princípio deverá ser a Holanda mas não é seguro. Ora qualquer um destes adversários é um candidato ao título. Uma derrota do Brasil seria desastrosa para o torneio, nomeadamente face à contestação que o Mundial já enfrenta.

Já a Argentina enfrentará nos oitavos de final a Suíça, o Equador ou França e, se passar essa eliminatória como é previsível que aconteça, provavelmente enfrentará nos quartos uma destas três equipas: Portugal, a Alemanha ou a Bélgica.

As emoções começam esta noite à hora de jantar.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Os eleitos de Paulo Bento

A propósito da lista final de convocados de Paulo Bento para o Mundial, que surpreendeu muita gente, devo dizer que acertámos aqui em quase todos os nomes e que portanto não nos incluímos entre os desapontados.

Tendo escrito ainda antes da pré-convocatória, acertámos em 21 dos nomes, não tendo apenas incluído Rafa e Vieirinha na lista dos prováveis chamados (mas colocámo-los entre os possíveis). 

Considerámos que Quaresma provavelmente não seria chamado por Paulo Bento.

Admitimos que André Gomes pudesse estar entre os eleitos, por ser dos centro-campistas portugueses aquele que poderia dar algo de diferente, nomeadamente capacidade de passe, criatividade e visão de jogo. Logo nessa altura considerámos porém que Adrien não tinha possibilidades de estar na lista final.


A escolha de Paulo Bento recaiu em Rafa, que é o nome mais surpreendente entre os convocados mas que deve se aceitar. Para o lugar de extremo, o seleccionador optou por Vieirinha que fez já vários jogos por Portugal, incluindo na qualificação.


De entre os não escolhidos, tenho pena sobretudo por Antunes que tinha legítimas esperanças de ser chamado. O que aconteceu é que Paulo Bento optou por levar apenas 7 defesas e não levar propriamente substitutos directos para Coentrão e João Pereira. Os substitutos saem do lote de polivalentes André Almeida, Ricardo Costa e o próprio Amorim.

No meio campo, o trio será muito provavelmente o habitual (Veloso, Moutinho e Meireles), estando depois William Carvalho e Amorim à espreita para qualquer oportunidade. Adrien não cabia muito aqui pois seria um substituto directo de Moutinho (jogador normalmente muito fiável) que não acrescentava em termos de soluções. Amorim acrescenta (até pela sua polivalência). Eu esperava depois mais um centro campista de vocação ofensiva e daí a minha esperança de que a opção pudesse recair sobre André Gomes mas Bento colocou aqui Rafa, defendendo que o bracarense pode jogar a 10. Tem que se aceitar essa escolha.

Quanto à questão Quaresma, penso que o seleccionador terá hesitado (ele é humano como os outros e certamente tem dúvidas como muitos de nós). Em termos puramente futebolísticos e não se sabendo qual a condição de Nani, Quaresma caberia neste lote. No entanto um jogador que tem demonstrado tanta volatilidade emocional dificilmente teria condições para integrar a convocatória. Por outro lado Vieirinha dá outras garantias de jogo de equipa e de cobertura do flanco.

Em suma, trata-se de uma convocatória normal e até previsível (como não poderia deixar de ser). O que acaba por ser mais estranho para mim é que tantos "especialistas" que botam faladura na televisão a toda a hora não tenham conseguido ver o que um leigo como eu viu perfeitamente e tenham ficado tão espantados com as ausências que se explicam facilmente, como atrás demonstro. 

Mas estes autênticos "marretas", entre os quais se destacam, neste particular, Ribeiro Cristóvão, Joaquim Rita e David Borges, já nos habituaram a uma linha de comentários e análises quase sempre deslocados da realidade, de incompreensão relativamente à dimensão dos problemas e das decisões de quem lidera e de desvalorização de quem tem tido sucesso na sua carreira de treinador. Mas sobre eles e outros "comentadeiros" falarei num post seguinte.

Aplaudo o seleccionador pela sua coragem (mesmo que eu não concorde com todas as escolhas). Até podemos não conseguir fazer o Mundial que todos desejamos (a nossa equipa está algo envelhecida e as soluções de qualidade são escassas, restando ver como se apresentarão Ronaldo, Pepe, Nani, Moutinho e ainda outros), mas a escolha dos 23 merece a minha compreensão e apoio.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

18 de Maio de 2014 - a 25ª Taça de Portugal do Benfica

À 75ª edição, o Benfica conquista pela 25ª o troféu da Taça de Portugal. Sabíamos que o jogo seria difícil face ao desgaste de um jogo de 120 minutos a meio da semana em Turim, que se somou a uma época longa e com várias lesões, ao facto de jogarmos pela 4ª vez na época contra a mesma equipa, tendo vencido todas as anteriores partidas (estatisticamente a probabilidade de perder aumenta) e ainda em virtude de uma nomeação nada "amigável", citando um conceito inventado por Rui Santos. Com efeito Carlos Xistra tem uma história muito má quando apita contra o Benfica, mas a isso já iremos. Ainda antes do jogo, tem que se referir, com forte repúdio, a actuação prepotente, irresponsável e desbragada das forças policiais e de vários stewards. Há gente que não pode estar em posições de poder porque de imediato abusa. Cada vez mais porém estamos nas mãos desta gente, é esse o movimento das sociedades. Cada vez mais os cidadãos são tratados como se fossem rebanhos de gado. É verdade que infelizmente alguns, com o seu comportamento selvagem, acabam por oferecer as justificações para isto, mas ainda assim não podemos aceitar que a regra seja tratar a todos como criminosos.
Ontem houve diversas incidências em que a polícia actuou de forma abusiva. Eu próprio fui vítima de uma delas. Fui empurrado por um polícia depois de um outro me ter indicado que me dirigisse ao local onde ele me barrou a entrada, e como se não bastasse, por ter expressado indignação, fui ameaçado de não me deixarem entrar no Estádio e uma qualquer responsável policial ainda teve a desfaçatez de me acusar de ter agredido um agente! Felizmente a coisa não teve teve consequências, mas logo ali vi, como em plena dita democracia rapidamente somos colocados em situações em que sem nada fazer somos tomados por criminosos. Isso obviamente é o menos e eu nunca referiria o assunto se não tivesse ocorrido aquela cena bem grave na qual centenas de pessoas se viram comprimidas por a polícia (talvez também com responsabilidades da FPF) ter teimado em inventar um "curral" para onde afunilava as pessoas, agredindo depois todos os que, empurrados pela multidão atrás, acabavam por ir contra essa própria polícia que ali se comportava como guarda pretoriana, como cães de fila prontos a dar bastonada. Foram momentos de pânico, sobretudo para mulheres, crianças e pessoas mais velhas. Para quê?? Estou convencido de que mais uma vez não serão apuradas responsabilidades e que alegremente se andará para a frente. Da próxima vez tudo se passará igual ou ainda, algo que é mais provável, as pessoas serão ainda mais desprovidas de direitos, nomeadamente a sua liberdade mais elementar, para se conformarem com os planos fascisto-comunistas de controle de massas que alguns iluminados elaboram nos seus laboratórios de engenharia social. Eu compreendo que a polícia tem um trabalho difícil, mas neste caso eles foram os responsáveis pelos problemas que existiram, tratando as pessoas como animais e distribuindo bastonada num jogo que deveria ser uma festa para todos. Dito isto, passemos ao jogo. Na primeira parte houve uma equipa que quis jogar, atacar e ganhar. E uma equipa que jogou sempre toda fechada no seu meio campo, sem nenhuma intenção atacante. É uma estratégia mas que eu não posso elogiar porque o futebol não pode ser apenas esperar não sofrer e desejar que de um bambúrrio lhe possa sorrir a sorte. O Benfica dominou, tentou criar situações e acabou por ter a felicidade e o mérito de marcar em mais um grande golo de Gaitán. O cansaço e o calor viriam porém a pesar. Na segunda parte o Rio Ave veio com uma atitude completamente diferente, agora sim a tentar atacar e criar situações de golo. Teve determinação e bastante velocidade, parecendo os jogadores do Benfica no limite das suas forças. Mas... há aqui um facto que não pode ser esquecido. Carlos Xistra. Eu não tenho prazer nenhum em falar de árbitros e deixem que vos diga que estava muito perto da escadaria por onde o árbitro e depois os jogadores e técnicos do Benfica subiram à Tribuna. O que se passou nessa subida de Xistra não foi bonito. Não foi agradável. Xistra ouviu muitas. E é diferente ouvir dentro do campo assobios e protestos ou estar cara a cara com adeptos que lhe chamam ladrão, gatuno e outros nomes bem piores. Foi durinho. Mas Xistra tem que saber porque as ouviu! Certamente que sabe porque as ouviu! Em todos os lances divididos Xistra apitou contra o Benfica na primeira parte. Num deles, numa das poucas saídas do Rio Ave para o ataque, há uma falta absolutamente evidente sobre Enzo Perez na origem da jogada. Xistra viu! Como eu vi e todo o estádio! Ora nesse lance Enzo ficou tocado e não mais foi o mesmo. Xistra não marcou porque o lance abria uma boa possibilidade para o Rio Ave! No lance já no fim, Oblak já com a bola é abalroado pelo jogador do Rio Ave. Oblak fica no chão, os jogadores do Benfica alertam para a sua lesão e Xistra retoma o jogo com bola ao ar! À entrada da pequena área do Benfica. Destaco o desportivismo dos jogadores do Rio Ave ao não disputarem essa bola mas vejam a situação em que o árbitro nos colocou! É verdade que não houve lances de penalty ou expulsões mas foi bem visível que as decisões eram sempre contra o Benfica. E isso os adeptos vêm e compreensivelmente não aceitam! Voltando ao jogo desportivamente falando, o Rio Ave tentou e teve oportunidades para empatar. O Benfica estava exausto, os jogadores queriam mas as pernas não respondiam. Gaitán, Enzo, Garay estavam no limite da resistência física. Restava-nos defender e tentar segurar um pouco a bola no ataque, o que não era fácil. Lima também estava muito desgastado, apesar de ter sido dos poucos que ainda fazia sprints. Nessa altura, além da segurança da nossa defesa, emergiu Oblak, o mãos de ferro, a segurar a vitória. Exibição monstruosa do nosso grande guarda-redes.
Depois disso fica a festa, que merecemos amplamente e a consumação de uma época histórica. O Benfica é campeão e o primeiro clube a vencer as três competições nacionais. Esperamos agora dar continuidade na próxima época, nomeadamente começando logo por vencer a Supertaça. Depois disso o campeonato voltará a ser prioridade máxima. O Benfica e os seus adeptos agora festejam. O mérito é absoluto.

Benfica histórico!

O Benfica alcançou algo que no início da época era impensável: vencer TUDO a nível interno e chegar à Final da Liga Europa, que ademais merecia ter vencido.
Na Taça há momentos épicos, como os três golos de Cardozo ao Sporting ou a reviravolta contra o Porto com apenas 10 jogadores em campo.
Na Liga Europa (e o facto de não a termos ganho não o apaga) há um percurso notável, que tem em Londres, contra o Tottenham, e na eliminatória com a Juventus os seus momentos altos.
Na Taça da Liga há uma meia-final notável em que uma equipa menos rodada e a jogar em inferioridade numérica desde a primeira parte, consegue, a jogar fora, parar a melhor equipa do Porto e apurar-se para a final, que venceu fazendo o "penta" nesta competição.
No Campeonato destacam-se os jogos contra o Porto e o Sporting na Luz, ambos vencidos por 2-0 e vencidos com uma clareza e tal superioridade que não deixaram margem para dúvidas. O jogo contra o Porto fica marcado pela homenagem sincera e sentida de todos a Eusébio (e deixo aqui também uma palavra de reconhecimento aos adeptos do Porto que souberam respeitar aquele momento). 
Mas não podemos esquecer também a importância da reviravolta no jogo contra o Gil Vicente na Luz, operada já nos descontos. Nesse, como nalguns outros jogos, não se tendo podido jogar bem foi fundamental assegurar os pontos com raça e dedicação.
Ontem, o fechar de uma época histórica, teve mais uma vez essa componente: jogadores muitíssimo fatigados (e muitos lesionados) deram todo o seu suor e foram buscar as suas últimas réstias de energia para segurar a vitória. Foi uma vitória de esforço, dedicação e união.

Muito mais há para dizer e direi nos próximos dias. Temos todas as razões para aproveitar bem o momento, estar felizes e festejar.

Para quem desejar ver fotos do jogo de ontem, sobretudo do espectáculo nas bancadas, pode ver como habitualmente a nossa página no Facebook


Por estes dias deixaremos aqui mais uma série de posts quer sobre o jogo de ontem, quer sobre o momento do Benfica, quer ainda sobre esta época histórica e este tri inédito.

Viva o Benfica!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Coragem

O Benfica voltou a ser escandalosamente prejudicado e desta vez pode-se falar claramente e com toda a propriedade do roubo de uma Taça. 

Depois da nossa equipa ter sido muito enfraquecida em virtude de uma péssima arbitragem do inglês Clattemburg em Turim, que distribuiu cartões a todos os benfiquistas, enfraquecimento caucionado pela UEFA apesar de todas as evidências apontarem no sentido da despenalização de Markovic, após ser ainda mais desfalcado por duas entradas violentas sobre o nosso Sulejmani, uma delas autenticamente brutal, o árbitro alemão da final fez questão de manter o Sevilha "vivo", ao fazer vista grossa a pelo menos duas grandes penalidades (e expulsões) evidentes.

Por vezes à medida que o tempo passa, voltamos a ter cabeça fria e ganhamos algum distanciamento, as queixas em relação à arbitragem tornam-se mais moderadas. Por vezes verificamos que foi a vontade de ganhar e a paixão clubística que influenciou de algum modo a nossa visão do jogo e que se calhar até nem fomos tão prejudicados quanto isso ou que os prejuízos poderiam e deveriam ter sido revertidos se tivessemos feito um bocadinho mais ou melhor.

Neste caso, estou convencido de que quanto mais o tempo passar mais todos reconhecerão, com a perspectiva que só o tempo e a distância dão, de que o que se passou foi uma autêntica vergonha e que o árbitro impediu, de forma deliberada ou demasiado negligente, que o Benfica ganhasse o jogo. 

Mais: mesmo sem Enzo, Sálvio e Markovic, se o árbitro tivesse sido isento em Turim na quarta-feira, o Benfica teria com grande probabilidade vencido o jogo de forma relativamente tranquila. A jogar contra 10 toda a segunda parte e provavelmente a vencer (se Lima concretizasse o penalty), o Benfica tinha a final no bolso.

Houve os penalties e as expulsões perdoadas, mas houve mais: faltas que para um lado eram e para o outro não, foras de jogo claros de Sevilhanos a passar em claro. Foi uma arbitragem absolutamente desprezível com erros gravíssimos e sempre contra o Benfica.


No desempate por penalties, veio o golpe de teatro final: 3 ou 4 árbitros, já nem sei, não são capazes de ver o evidente avanço de Beto (ele que lave a boca antes de falar do Benfica e do seu treinador). É de cena de comédia: se não vêm a única coisa que deviam, aqueles três ou quatro pantomineiros estão todos a olhar para o quê exactamente??


Tudo isto é verdade, tudo isto é revoltante e indigno.

No entanto o Benfica precisa agora de coragem para voltar a enfrentar nova final e para voltar a vencer. Trata-se de um troféu de grande, enorme importância. 

Se pensarmos no que são os objectivos no início da época, o campeonato é evidentemente o número um e realisticamente o segundo tem que ser a Taça, pois a conquista de um troféu internacional é algo que acontece excepcionalmente e que não pode ser visto como um objectivo. Objectivo sim é chegar o mais longe nas competições europeias, nomeadamente na Liga dos Campeões que é onde começamos. O resto é do domínio da ambição e do sonho, a maior parte das vezes nem confessado.

Isto só para dizer que se existe um sentimento de injustiça ele tem que nos catapultar para uma grande exibição e vitória no Jamor e não para nenhum tipo de desânimo ou depressão.

O Benfica está a fazer uma grande, uma excelente época e amanhã deve torná-la numa época quase perfeita. Para isso precisa de coragem e espírito de sacrifício, depois de injustiças tão gritantes. 

Contra ventos e marés...