quarta-feira, 2 de julho de 2014

Mundial 2014 - antevisão dos quartos de final

As previsões que aqui fizemos para os oitavos de final revelaram-se totalmente acertadas. Não falhámos nenhuma mas tivemos a nosso "favor" dois desempates por grandes penalidades.

Não houve nenhuma surpresa nestes oitavos (os grandes favoritos passaram e todos os vencedores dos grupos da primeira fase se mantêm em prova) mas esteve à beira de haver - e bem grande.

O Brasil esteve a centímetros do desastre. Uma bola na barra nos últimos segundos podia ter dado a eliminação prematura da equipa frente a um Chile que se mostrou de uma fibra extraordinária. Os jogadores chilenos, pequenos em estatura mas grandes em coragem, mostraram as melhores características do seu povo.

O Brasil jogou muito mal. Depois de aparentes melhoras contra os Camarões, o Brasil voltou a demonstrar um tremendo nervosismo e a ser incapaz de produzir um futebol fluído e acutilante. Acima de tudo o Brasil, ainda relativamente cedo na segunda parte, deu a ideia de não ter capacidade de ultrapassar as dificuldades, desmontar a teia chilena e resolver o jogo. Salvou-se sobre o gongo; mas e agora?

A Colômbia é, a par da Costa Rica, a grande surpresa do Mundial. James está a demonstrar uma categoria bastante acima do esperado. Embora se soubesse que era um jogador de qualidade, muito bom tecnicamente, não costumava ter um rendimento tão constante e ser tão desequilibrador. A verdade porém é que, apesar de jogar há muitos anos a alto nível, James é ainda bastante jovem. Nesta medida, este está a ser o palco da sua confirmação. A Colômbia já foi longe mas a coisa pode não acabar aqui.

Outra semi-surpresa foi o Alemanha-Argélia. A melhor equipa africana deste Mundial mostrou raça e uma entrega enorme, tornando a tarefa da Alemanha muito difícil. Embora não se esperassem muitas facilidades, a verdade é que a Alemanha era tremendamente favorita para este jogo mas teve que ir a prolongamento para conseguir vencer. 

A Holanda sofreu mas acabou por merecer, embora o penalty que evitou o prolongamento ofereça algumas dúvidas e seja uma forma cruel de eliminar um México que também deu tudo e demonstrou um grande coração. 

A Argentina voltou a não convencer. Contra uma Suíça muito limitada só mesmo um Di Maria infernal e um momento de magia de Messi resolveram um jogo que ameaçava ir para penalties. Para além de incapacidade para marcar muitos golos (apesar da qualidade superlativa dos seus avançados), a Argentina denota algumas inseguranças na defesa para o que o seu guarda-redes também contribui. 

França, Costa Rica (esta apenas nos penalties, mas, deve-se recordar, a jogar em inferioridade numérica) e Bélgica venceram com alguma naturalidade, pois era isso que se esperava (pelo menos nós aqui no blog).

Temos pois, para os quartos de final, os seguintes jogos:

França-Alemanha
Brasil-Colômbia
Argentina-Bélgica
Holanda-Costa Rica.

Nesta fase, as previsões tornam-se ainda mais difíceis. Se fossemos pelo nome e pelo ranking, passariam a Alemanha, o Brasil, a Argentina e a Holanda. Mas poderá não ser assim, passe o truísmo. O estado físico e mental dos jogadores, as vicissitudes do jogo, as decisões dos árbitros e a sorte são tudo factores impossíveis de prever. Quando o equilíbrio é muito grande, como é o caso, estes factores podem fazer a diferença.



Em concreto e partindo do mais previsível para chegar ao mais imprevisível, penso que a Holanda é claramente favorita. A Costa Rica tem sido a surpresa deste mundial, ultrapassou o grupo da morte (esse sim), derrotou a Grécia e chegou aos quartos com todo o mérito. Mas penso que não tem futebol para a Holanda, claramente melhor do que todos os adversários prévios.



No Argentina-Bélgica, o favoritismo da Argentina existe mas pode ser surpreendido. Nomeadamente se a Bélgica conseguir defender bem tem fortes hipóteses de ultrapassar os argentinos, dado que, como atrás refiro, a defesa alvi-celeste (apesar de ter bons jogadores) normalmente dá algum espaço. Isto acontece sobretudo porque falta dinâmica à equipa e ligação entre sectores. A causa disto é um meio campo pouco participativo no jogo com dois jogadores (Gago e Mascherano) que são demasiado parecidos. Enzo faria todo o sentido nesta equipa, mas claramente o treinador não aposta nele. Assim, uma vitória belga neste jogo seria apenas uma meia surpresa.



No Brasil-Colômbia poderá acontecer a meu ver algo de inesperado. O Brasil acusa demasiado a responsabilidade, treme muito, falta-lhe dinâmica e depende demasiado de Neymar e também de Hulk. Ou seja, depende demasiado do que os seus principais desequilibradores consigam fazer. Isto não é bom. Já a Colômbia parece uma equipa mais harmoniosa, também com muito talento mas mais integrado na dinâmica colectiva da equipa. Por isso vou fazer aqui a previsão "arriscada" de que a Colômbia elimina o Brasil. Note-se que faço esta previsão contra aquilo que eu gostaria, que era ver o Brasil campeão do Mundo. Gostava muito, obviamente por ser um povo irmão e "meio português" mas também devido a David Luiz, que é um jogador que muito admiro e até a Neymar cujo futebol me tem fascinado. Penso no entanto que se o Brasil não mudar 180º de registo (e isso é obviamente ainda possível), se não se libertar definitivamente do peso da "obrigação" de ganhar e se não jogar muito, mas mesmo muito melhor do que nas anteriores partidas, terá uma grande desilusão e sairá já do Mundial nos quartos. Baseando-me no que vi até agora é isso que antecipo que possa acontecer.



Finalmente no França-Alemanha penso que é quase impossível prever um desfecho. A Alemanha é favorita pelo estatuto que tem, pelo que vem fazendo nos últimos anos em que a Espanha acabou por ser a equipa que a impediu de chegar mais longe em mais do que uma ocasião. A França pelo contrário vem de um período menos bom, no qual se tem ficado por fases muito preliminares das competições. No início deste Mundial precisamente questionávamo-nos sobre que França apareceria. A resposta até agora é: uma França muito forte, muito competitiva, muito consistente. A Alemanha começou muito forte (contra um Portugal muito macio) mas desde então parece vir a perder gás. Uma vitória da França não me surpreenderia nada portanto. Há um factor adicional que poderá ser importante neste jogo: a França sofreu apenas dois golos até agora, ambos contra a Suíça, num jogo que já estava ganho. Nunca esteve a perder neste Mundial. A Alemanha é o favorito "natural" mas tendendo ao que vi nos últimos jogos atrevo-me a prever que a França possa vencer este jogo.



Destas previsões (que ao contrário das dos oitavos de final apostam nalgumas das equipas menos favoritas) resultariam as seguintes meias finais:

Argentina-Holanda
Colômbia-França.

Veremos pois o que acontece a partir de quinta-feira. Emoção não faltará de certeza.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Mundial 2014 - balanço provisório e favoritos para os quartos de final

A primeira fase do Mundial está concluída.

A eliminação de Portugal consumou-se e a realidade abateu-se pesadamente sobre o sonho dos Portugueses. Já fui dizendo qualquer coisa sobre o assunto mas farei muito em breve um balanço e uma avaliação mais detalhada sobre a nossa participação.

Esta primeira fase foi relativamente bem disputada, teve alguns belíssimos jogos e trouxe algumas surpresas.

Como já assinalei, as equipas americanas apresentaram-se bastante fortes e surpreenderam as europeias.

A "sangria" europeia foi grande: Croácia, Espanha, Inglaterra, Itália, Bósnia, Portugal e Rússia. Passaram a Holanda, a Grécia, a França, a Suíça, a Alemanha e a Bélgica. Dois favoritos, aos quais a França, com o o que demonstrou na fase de grupos, se aproximou, um outsider (a Bélgica), uma equipa "esticada" ao máximo das suas capacidades (Grécia) e uma outra que beneficiou de alguma sorte para conseguir alcançar os oitavos (Suíça). Olhando para o que a Grécia faz com recursos limitados percebemos que Portugal deveria ter feito bem melhor.

Das selecções americanas apenas Honduras e Equador ficaram pelo caminho, curiosamente ambas no mesmo grupo e perdendo para duas equipas europeias (foi a única excepção neste confronto Europa-Américas). A grande surpresa foi a Costa Rica que não apenas sobreviveu ao grupo mais difícil do Mundial como conseguiu ser primeira. O Chile foi a outra grande surpresa ao eliminar a Espanha e o México foi também uma surpresa positiva, sobretudo face à péssima campanha no apuramento, no qual foram salvos da eliminação directa por dois golos dos EUA aos 92 e 93 minutos contra o Panamá (vindo depois a vencer nos playoffs a Nova Zelândia).

Quanto aos restantes continentes, não houve nenhuma grande surpresa: apesar da participação esforçada o Irão foi eliminado, tal como a Austrália, a Coreia e o Japão. Continuam a ter um futebol pobre. Já o desempenho dos africanos não é muito mau até ao momento: apesar da eliminação do Gana, dos Camarões e da Costa do Marfim, a Argélia consegue o apuramento e a Nigéria também (embora sem grande brilho). Sobre a Argélia diga-se que tem confirmado o que de melhor se imaginava sobre esta selecção. Slijmani tem mostrado ser um avançado mortífero nas bolas aéreas mas toda a atitude da equipa, aliada a bastante qualidade, tem sido muito boa. Sobretudo nos últimos dois jogos demonstrou ter um bom poderio.

Os oitavos de final serão compostos pelos seguintes jogos:

Brasil-Chile
Colômbia-Uruguai
Holanda-México
Costa Rica-Grécia
França-Nigéria
Alemanha-Argélia
Argentina-Suíça
Bélgica-EUA

Os meus favoritos para os quartos são:

Brasil
Colômbia
Holanda
Costa Rica
França
Alemanha
Argentina
Bélgica

Ou seja, estou a apostar em todos os vencedores dos grupos. Claro que é praticamente impossível que todos os vencedores dos grupos passem. Embora me pareça que estas equipas são favoritas (nalguns casos até muito claras) deverá haver até mais do que uma surpresa.

Indo mais ao pormenor, o Brasil é favorito mas o Chile será certamente um adversário muito difícil. Contra o México (equipa algo semelhante ao Chile) o Brasil não conseguiu vencer. No entanto seria uma surpresa tremenda se o anfitrião fosse eliminado aos oitavos. A minha aposta no Brasil é pois firme.

Já no Colômbia-Uruguai há um equilíbrio muito grande. No histórico de confrontos o Uruguai leva vantagem, mas não uma vantagem esmagadora. A Colômbia está mais forte do que no passado. Suárez está suspenso. Daqui a minha previsão. Mas admito que o Uruguai possa voltar a surpreender. Veremos neste jogo até que ponto os grandes avançados colombianos conseguem levar a sua equipa a um novo patamar futebolístico.

A Holanda parece-me claramente favorita face ao México mas um bloco muito baixo dos mexicanos poderá causar problemas aos holandeses, que têm jogado até agora em contra-ataque. Veremos.

A Costa Rica está a ser a maior surpresa deste campeonato do Mundo. Nunca me passou pela cabeça que pudesse passar o seu grupo à frente de três campeões do Mundo. É algo de incrível. Seria muito surpreendente se agora perdesse frente a uma equipa que está abaixo do que Itália e Inglaterra valem.

Em relação à França, à Alemanha e à Argentina seria quase inacreditável que pudessem ser afastadas por equipas da dimensão da Nigéria, da Argélia e da Suíça.


No Bélgica-EUA imagino um jogo bastante equilibrado. O favoritismo que dou à Bélgica tem a ver com a qualidade dos seus jogadores. Mas se pensarmos que os EUA empataram com Portugal e perderam apenas por 1-0 contra a Alemanha não é disparatado imaginar que possam eliminar a Bélgica num dia em que as coisas lhes saiam muito bem. Klinsman já mostrou que prepara muito bem os jogos. Uma surpresa aqui seria apenas meia surpresa.


Assim, embora neste "mata-mata" todos possam cair, penso que Alemanha, Argentina e França estarão quase de certeza nos quartos. Brasil e Holanda também deverão conseguir ultrapassar os seus adversários embora os seus jogos não estejam isentos de riscos. Costa Rica também é favorita. Colômbia e Bélgica têm um ligeiro favoritismo.

No caso destas previsões se confirmarem (e não confirmarão certamente na íntegra), teríamos uns quartos de final com este alinhamento:

Brasil-Colômbia
Holanda-Costa Rica
França-Alemanha
Argentina-Bélgica.

Isto equivale a dizer que o Brasil e a Argentina dificilmente poderiam pedir um calendário mais favorável até às meias finais (nomeadamente em virtude da eliminação da Espanha que veremos já amanhã se foi uma coisa boa ou má para o Brasil). Aí poderíamos ter um Argentina-Holanda e um Brasil-Alemanha. Neste momento estas quatro equipas são de facto os principais candidatos aos primeiros lugares. Vamos ver se algum deles (ou mais do que um) vacila até lá. O Mundial (re)começa amanhã.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Estrelas do Mundial

Até ao momento, o jogador que mais brilhou neste Mundial foi sem dúvida Neymar. Dá gosto ver o pequeno grande jogador conduzir a bola: dele podemos esperar sempre qualidade, elegância e classe. A qualquer momento pode surpreender. Joga bem com os dois pés, com a cabeça, marca golos e faz jogar. Os momentos em que o Brasil entusiasmou tiveram quase sempre a sua participação. Tem 4 golos marcados em três jogos.
Apesar do Brasil parecer ter ainda algumas intermitências, tem sido a melhor equipa do Mundial.

Messi não tem estado ao seu melhor nível mas tem 4 golos em três jogos, 3 eleições como homem do jogo em 3 jogos jogados e decidiu a favor da sua selecção todos as partidas. Imaginem se estivesse...
A Argentina ainda não convenceu mas tem Messi e avança para os oitavos onde não deverá ter muitos problemas para eliminar a Suíça.

Robben e Van Persie têm repartido o protagonismo numa Holanda tacticamente renovada. Robben porém tem sido ainda mais decisivo com as suas impressionantes cavalgadas de mais de meio campo. Um grande jogador que, como os outros grandes, aparece nos grandes palcos e grandes momentos.
Nos oitavos a Holanda enfrentará uma equipa forte e equilibrada como tem sido o México.

Outro jogador que tem estado em grande forma e me tem surpreendido é James Rodriguez. Tem três golos e duas assistências. Veremos até onde esta Colômbia pode ir. Para já joga com o Uruguai no qual Suárez voltou a premir o botão de autodestruição e que dificilmente ultrapassará essa contrariedade. 

Shaqiri, Mueller e Benzema têm também 3 golos (o alemão tem menos um jogo que os restantes, sendo que seria uma tremenda alegria se hoje pudesse marcar mais três...) e estão a fazer bons mundiais. Estão a ser o que as suas equipas precisam e a assumir as responsabilidades de resolver. Benzema está a surpreender pela positiva (tal como, em certa medida, a França). Podia aliás ter 4 golos se o árbitro do jogo contra a Suíça não tivesse acabado o jogo décimas de segundo antes do franco-argelino marcar mais um golo espectacular num volley. Para além disso tem duas assistências. Shaqiri mostrou a qualidade que se lhe conhece e que nem sempre vem ao de cima, com um hat trick que envolveu golos sensacionais.

Dempsey nos EUA, é outro jogador que tem assumido a liderança da sua equipa, tendo já dois golos marcados em dois jogos. Slimani também tem estado muito bem e terá hoje um jogo importantíssimo no qual a Argélia disputa com a Rússia a passagem aos oitavos de final.

Ronaldo, "o melhor do mundo" tem zero golos marcados e uma assistência. Ronaldo tem aliás apenas 2 golos em 3 mundiais disputados (contando com o actual). Ainda vai a tempo de alterar este registo demasiado pobre. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

O melhor do mundo (e arredores...)




Como se não bastasse a lamentável imagem deixada por esta selecção no Brasil, Ronaldo agravou ainda mais o estado de coisas.

Depois do célebre "Perguntem ao seleccionador", aquando da nossa eliminação em 2010, desta vez a culpa foi dos colegas, porque afinal de contas "não temos grandes jogadores" (com excepção dele, claro).

Naquele momento senti vergonha de que aquele jogador fosse português.

Aturei muito a Ronaldo (muitos penteados, muitas calinadas, muita vaidade, muitos momentos ridículos) sem lhe fazer críticas, porque estava convencido de que ele sentia genuinamente o seu País e porque evidentemente o seu valor futebolístico é de facto superior.

No entanto estas declarações, depois de ter deixado alimentar a conversa d' "o melhor do mundo" durante semanas a fio, depois dos seus próprios colegas terem aceitado completamente o seu estatuto quase de única estrela da seleção, depois de jogarem para ele a bola constantemente, são inqualificáveis e não podem ser defendidas. 

Basicamente Ronaldo disse que:

os Portugueses se deviam dar por muito satisfeitos por ele se dignar jogar pela seleção, uma vez que era "muito fácil ficar em casa" com um campeonato "espectacular" e uma Liga dos Campões ganha; 
que os seus colegas não estavam à altura da sua categoria, pois a nossa selecção (apesar dele ser "o melhor do mundo") afinal é apenas média e não tem grandes jogadores (com excepção dele claro);
que ganhar era uma ilusão (apesar do próprio ter dito uma semana antes que este ia ser o ano de Portugal);
que "podia ter dado mais" mas que deu "a cara" (ficando por perceber qual a razão pela qual não deu tudo o que podia).

NÃO SÃO PALAVRAS DIGNAS DE UM CAPITÃO DE PORTUGAL.

Ronaldo deveria ter pensado muito melhor no que ia dizer pois desrespeitou a selecção e defraudou muitos portugueses.

Importa dizer que a selecção tem estado em geral muito mal e que não tem criado condições para praticamente ninguém brilhar. Mas Ronaldo tem estado igual ou pior: uma absoluta desilusão que apenas pede a bola a todo o mundo e  quando a tem a única coisa que faz é correr e fazer remates quase sempre sem nexo.

Ronaldo tem 2 golos em 3 mundiais, o que é um péssimo registo, muito longe de qualquer jogador que se queira intitular "o melhor do Mundo".

Ao ver Messi (sem jogar particularmente bem) resolver, ao ver Neymar jogar como joga e marcar como marca, ao ver Robben, Van Persie, Ruiz, Rafa Marquez, Suárez, penso que "o melhor do mundo" deveria fazer muito, mas mesmo muito mais pelo seu País.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Que tristeza meu Portugal

Infelizmente eu tinha razão. Era previsível, demasiado previsível.

Houve impreparação, houve vedetismo, houve complacência e houve incompetência.

Esta selecção estava gasta e só Paulo Bento não o entendeu.

Meireles e Veloso não têm rotação e Postiga, Éder e Hugo Almeida não têm categoria para jogar a este nível.

Portugal está eliminado e o seleccionador é o principal responsável.

Ronaldo escondeu, com um par de jogos excepcionais no playoff, o ocaso desta geração mas o desastre estava praticamente anunciado.

Agora é claro que as escolhas de Paulo Bento foi errada. Hugo Almeida e Postiga claramente não tinham condições para ser convocados, algo que eu, como mero escritor de um blog, posso ignorar, mas que o seleccionador devia saber. Se Rafa não contava para que foi convocado? A não convocação de Antunes para além de injusta foi muito arriscada e infelizmente Coentrão lesionou-se.

Mas acima de tudo as escolhas do 11 foram erradas e isso estava na cara para todos.
 
Aquele meio campo era errado - isso viu-se claramente no jogo contra a Alemanha. Mas Paulo Bento insistiu. Era evidente que isto ia acontecer - eu escrevi-o na altura devida. Por duas vezes!
 
William Carvalho era um titular claro. Amorim deveria ter sido opção. Quantas substituições se gastaram com jogadores lesionados?
 
Não era evidente que Éder, Almeida e Postiga eram escolhas erradas?
 
Não foi evidente nos dois jogos que o lateral esquerdo estava completamente abandonado à sua sorte? Não era evidente que Ronaldo não fechava o seu flanco?
 
Então porque não colocar no 11 Vieirinha ou Varela de início, jogando Ronaldo solto na frente?
 
Porquê Paulo Bento?
 
É difícil encontrar explicações.

domingo, 22 de junho de 2014

Paulo Bento está a errar

Os resultados dos jogos disputados no grupo G sugerem que Portugal é a pior equipa.
Claro que estas coisas não funcionam linearmente assim, mas se pensarmos que Portugal foi goleado por uma equipa que depois empatou com outra (tendo estado a perder já bem dentro da segunda parte) e que essa outra anteriormente perdeu com os EUA, com quem jogaremos hoje, as perspectivas não são de facto as mais favoráveis para a selecção.
 
Para retificar o que aconteceu e para inverter a nossa actual classificação no grupo, teremos certamente que mudar. É isso que eu acho que Paulo Bento não terá interiorizado por completo, nomeadamente percebendo onde deveria mudar.

Se os jogadores são os mesmos, se a estratégia é a mesma, se a própria atitude contra a Alemanha foi correcta (como disseram os jogadores) apesar das coisas não terem corrido bem, então o que mudará nos próximos dois jogos (note-se que estamos praticamente obrigados a vencer ambos e que uma derrota em qualquer deles significa eliminação automática) para os resultados serem radicalmente diferentes?
 
Os jogadores não serão exatamente os mesmos (por via de lesões e castigos) mas por aí só poderemos mudar para pior: a ausência de Pepe e Fábio Coentrão (e se calhar até de Bruno Alves) tornará a selecção ainda mais fraca na defesa e muito "coxa" no flanco esquerdo.
 
Num ambiente de maior calor e humidade a dimensão física será ainda mais relevante e a persistência de Paulo Bento neste meio campo poderá a meu ver ser fatal.
 
Respeito as pessoas que têm convicções fortes e que não são influenciáveis. Penso que um homem se deve manter fiel às suas ideias mesmo quando outros, por diferentes razões, lhe dizem que deve mudar, se o próprio sabe porque decide como decide e está convicto daquilo que está a fazer.
 
Essas ideias e convicções devem porém ter sempre uma base e uma justificação racional.
 
Um Meireles que (não estando em causa o seu valor e dedicação à selecção) não tem condições físicas para dar ao nosso meio campo a necessária capacidade de pressão, aliado a um Veloso pouco acutilante e um Moutinho na pior forma que se lhe conhece na carreira, são a receita para o desastre. Paulo Bento está a insistir num erro.
 
No ataque já defendi que Postiga e os restantes avançados pouco acrescentam e que Ronaldo seria a melhor opção até porque isso permitiria a entrada de Vieirinha ou Varela, esses sim capazes de acrescentar agressividade ao nosso ataque e outra presença em todo o flanco, algo que Ronaldo, na forma em que está, não assegura, deixando o defesa esquerdo entregue a si próprio.
 
Ao insistir nestas opções (que para mim são erradas), Paulo Bento está a prepara-se para o fracasso.
 
Acho que esta equipa não dá garantias de coesão. O meio campo é lento e pouco combativo e o flanco esquerdo estará partido entre um defesa que pouco subirá (André Almeida tem muitas limitações a jogar na esquerda) e um avançado que (por evidente limitação física bem como pelas suas características) não recua para ajudar a defender. Postiga ou Éder por seu turno estarão muito sozinhos na frente e serão em geral presa fácil dos defesas.

Com Ronaldo no meio não só teríamos mais rotação na esquerda, pois Vieirinha, apesar de ser menos explosivo tem mais condição física e capacidade de subir e descer no flanco do que o actual Ronaldo, como teríamos, aí sim, um perigo constante no meio, sempre imprevisível e com um pontapé poderosíssimo, como é o nosso melhor jogador.
 
Espero estar redondamente enganado.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Uma semana de Mundial - predomínio das Américas

A primeira grande nota deste Mundial é o afundamento das selecções europeias e o domínio das Américas.
Existem neste momento 3 seleções apuradas e duas são sul-americanas: Chile e Colômbia, ambas surpreendendo e ambas vencendo equipas europeias no sue grupo. De igual modo o Uruguai venceu ontem a Inglaterra deixando esta selecção europeia muito perto da eliminação, o que aliás seria uma pena uma vez que a Inglaterra está este ano a mostrar um bom futebol. Espanha já está eliminada, naquele que foi o primeiro grande choque deste Mundial.

As excepções ao mau desempenho europeu estão a ser a Holanda (já apurada) e a Alemanha (apesar de um jogo ser pouco para avaliar uma equipa, foi possível ver que os alemães não foram ao Brasil brincar).

Os próximos capítulos desta "batalha" entre a Europa e as Américas serão o Itália-Costa Rica, o Portugal-EUA e o Croácia-México. Note-se que qualquer resultado que não a vitória das equipas europeias significará, ou matematicamente ou perto disso, a eliminação de equipas europeias (no caso do jogo da Itália a "vítima" será a Inglaterra e não a própria Itália). O caso em que não implica eliminação automática é o de Portugal, mas se não ganharmos ficaremos numa posição desesperada e dependente de um quase milagre na última jornada.

A França e a Suíça estão a "destoar" e a conseguir superiorizar-se no seu grupo às selecções americanas, (Equador e Honduras) mas ainda é cedo e além disso estas são das mais fracas seleções dos continentes americanos presentes no Mundial.