sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Festival dos pequeninos

O Benfica perdeu, como por vezes acontece à melhor equipa em campo.


Se há uns dias atrás (num jogo muito equilibrado e no qual o Benfica controlou durante a maior parte do tempo o seu adversário) tantas "donzelas" se ofenderam com a "mentira" do resultado, o que dizer do jogo de ontem no qual o Benfica massacrou, teve oportunidades atrás de oportunidades, viu o árbitro perdoar uma expulsão ao adversário e acaba por perder o jogo? Dessas "donzelas" nada poderemos esperar. Neste caso já não haverá lugar a reflexões sobre a justiça do futebol.


É verdade que há dois pesos e duas medidas para os comentadores de futebol em Portugal. Quando há dois anos, depois de um golo na própria, o Benfica sofreu, contra a corrente do jogo, um golo nos descontos assim perdendo o campeonato, não se falou de sorte. Nessa altura era Jesus que falhava nos momentos cruciais e era o Benfica que não ultrapassava o trauma do dragão. 

Do mesmo modo, quando perdemos 3-2 na Luz há 3 anos com um golo de Maicon em claro fora de jogo, os analistas também não falaram em sorte mas em mérito do Porto e erros imperdoáveis do Benfica. Recordo que vencíamos esse jogo por 2-1 e ameaçávamos o 3-1 quando o Porto marcou praticamente do nada o 2-2 (numa jogada aliás precedida de falta).

Mas agora já muitos falaram de sorte e de um domínio do Porto. Antes o domínio não valia nada, o que contava era o resultado. 

E ontem, face ao que aconteceu, o domínio e a sorte deixaram novamente de existir e passou a existir uma estratégia bem montada pelo treinador do Braga.

A questão dos dois pesos reflecte-se noutra coisa: o Sporting não foi apurado para os oitavos de final da Champions e os comentadores lembram que não o foi devido a um penalty mal assinalado a favor do Shalke. Jornais fizeram manchete clamando "Roubo!" em grandes parangonas. 

Ora bem, o que disseram esses mesmos jornais nada tenham dito quando há uns meses o Benfica viu serem-lhe espoliados 3 - três! - penalties na final da Liga Europa, vindo a perder a partida nos desempate por penalties, num dos maiores roubos da história do futebol, perpetrado por um canalha? Nada! Nada! As capas falavam de Beto e do "falhanço" do Benfica!! Isso não pode ser esquecido pelos benfiquistas. Tiveram que ser os espanhóis a denunciar o roubo. Então 3 penalties não são coisa nenhuma mas 1 penalty já constitui um roubo e o motivo pelo qual se é eliminado de uma competição?

Ontem o Benfica perdeu e houve festa dos pequeninos. É normal, pois o Benfica é grande e felizmente nos últimos anos não costuma perder.

Foi um jogo de azar mas que tem que servir de alerta para o futuro. Há erros que não se podem cometer e nunca se pode dar nada por adquirido. Importa agora concentrar todas as baterias no campeonato onde há que vencer o máximo possível de jogos consecutivos. Se o Benfica for vencendo os seus jogos mais tarde ou mais cedo abrir-se-á um fosso ainda maior que aí sim será praticamente irrecuperável para os nossos adversários, que ademais têm ainda que se desgastar nas provas europeias. Essa concentração máxima exige-se já no próximo jogo contra o Gil Vicente.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ambiente de cortar à faca em Alvalade

Desde há bastante tempo que me questionava sobre quanto tempo poderia Bruno de Carvalho ter relativo sucesso com a sua acção de disparar em todas as direcções, rasgando contratos e actuando de forma semi desbragada. Não me entendam mal: eu até tenho simpatia por pessoas que tenham a coragem de ir contra o sistema e tenham a coragem de dizer o que pensam mesmo contra a opinião da maioria. Há porém uma diferença muito clara entre isso e o populismo demagógico, entre isso e a falta de educação, entre isso e a pura irresponsabilidade.
O presidente do Sporting parece cada vez mais resvalar por esse caminho.

Neste momento as coisas estão mesmo muito complicadas em Alvalade. Marco Silva, garantem-me, já por duas vezes terá querido sair e só a custo foi convencido do contrário. Depois das acusações de falta de profissionalismo que Bruno de Carvalho lançou aos jogadores, Marco Silva vem agora atacar o Presidente em público: "Não mando recados para os jogadores. Digo o que tenho a dizer na cara. Não sacudo a água do capote. Assumo a minha responsabilidade." Isto depois de dizer que faltava atitude e mentalidade.

Entretanto Bruno de Carvalho no fim da partida com o Moreirense, seguia directamente para o balneário sem cumprimentar ninguém ou agradecer o apoio ao público.

As coisas estão bem tremidas para aqueles lados...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Vitória memorável do querer e da inteligência




O Benfica venceu ontem o Porto em pleno estádio do dragão por 2-0 com todo o mérito e justiça. A vitória não caiu do céu nem resultou de uma obra do acaso, foi isso sim fruto de uma preparação e de uma execução de estratégia de jogo exímias.

Não quis escrever nada antes do jogo por (admito-o) uma questão de superstição. Não quis "dar azar", por muito irracional que isso seja. No entanto estava convencido de que o Benfica se encontrava em crescendo e de que iria fazer um bom resultado no dragão. Convido aliás quem estiver nisso interessado em ver o que escrevi no anterior post à luz do que aconteceu ontem.

Este Porto é uma equipa com excelentes jogadores, com muita posse de bola mas algum défice de criação de oportunidades de golo em jogos de maior responsabilidade. Por vezes parece faltar-lhe maturidade e estabilidade emocional. Se o jogo lhe sai bem e a bola flui com rapidez, tornam-se muito perigosos pois têm muito talento, mas se à medida que o jogo avança o Porto é bloqueado na sua progressão atacante, o seu jogo bloqueia e começa a tornar-se previsível.


Tendo percebido muito bem esta situação, Jorge Jesus instruiu a equipa para fazer uma pressão imediata sobre a defesa do Porto logo à saída da bola, bloqueando em grande medida a construção e fluência do jogo portista. A nossa defesa também jogou muito subida, o que tirava espaço ao Porto no momento de tentar fazer a circulação de jogo.

Esta estratégia só sofreu algum abalo logo nos minutos iniciais quando o Porto colocou bolas em profundidade nas costas dos laterais e Tello e Oliver criaram algum perigo. Numa das jogadas Júlio César mostrou toda a sua categoria e a importância de ter um guarda-redes experiente (e bom) em jogos desta responsabilidade.

No entanto essas duas ou três jogadas foram as únicas excepções num jogo que de resto estava perfeitamente controlado pelo Benfica que ao mesmo tempo dava a ideia de que a qualquer momento poderia criar perigo no ataque, pois os seus jogadores mostravam-se acutilantes.

Diga-se que a questão da táctica é apenas uma das razões pelas quais vencemos. Para além também de alguma sorte, que é sempre necessária, o Benfica venceu em grande parte porque foi mais forte nos duelos individuais, esteve mais concentrado e confiante. Teve mais querer. Em termos de jogadores todos merecem nota altíssima e um deles já referi acima mas quero referir que André Almeida foi irrepreensível a defender, apesar de "amarelado" desde o primeiro minuto, Gaitán  cada vez mais se assume como maestro desta equipa, Talisca, com a sua tranquilidade e autoconfiança influenciou toda a equipa, Luisão mostrou toda a sua classe, calma e liderança, Maxi que fez no máximo uma falta o jogo todo apesar de ter Brahimi e Torres pela frente, Enzo e Samaris que dominaram o meio campo, com o grego a defender como um leão e Enzo a sair e a construir com grande inteligência e ainda Lima, como é óbvio, que resolveu o jogo. 

Voltando à história do jogo, de facto na primeira grande ocasião, nascida de um lance que o Benfica costuma ensaiar, conseguimos o golo. E a partir daí era mais ou menos evidente que, aguentando o resultado até ao intervalo, não perderíamos o jogo e teríamos até grandes possibilidades de conseguir o segundo golo.

E assim foi. O Benfica voltou do intervalo ainda mais compacto, não dando quaisquer veleidades ao Porto, que se mostrava cada vez mais impotente para passar a nossa barreira defensiva, e começou a ameaçar o segundo pois o balanceamento ofensivo do Porto começava a ser demasiado arriscado. Numa jogada com princípio meio e fim, com intervenção de Gaitan e Talisca, Fabiano defendeu o remate do baiano para a frente e Lima foi o primeiro a reagir, encostando para o segundo.

Havia agora poucas dúvidas sobre o vencedor do jogo. O Benfica só voltou a passar por situações de perigo quando o Porto se lançou totalmente para a frente, colocou Bakar ao lado de Jackson e começou a fazer cruzamentos perigosos para a área. Quaresma que entretanto entrara "picava-se" com André Almeida que tinha amarelo e portanto tinha que ter o maior cuidado. Mas as oportunidades claras do Porto só surgem depois de Luisão sair (ainda a 15 minutos do fim). É então que surgem as bolas à barra. A propósito espera-se que Luisão possa recuperar rapidamente do seu entorse.

O Benfica poderia porém também ter feito o 3-0 pois Alex Sandro esteve muito perto do autogolo num contra-ataque letal do Benfica. Se não fosse a lesão de Luisão, Jorge Jesus poderia eventualmente apostar em Derley para o lugar de Lima e as coisas poderiam ter-se complicado ainda mais para o Porto.

Em todo o caso a vitória do Benfica não merece contestação, num jogo sem casos e em que a arbitragem merece ser elogiada pois foi irrepreensível.

O Benfica adquire uma vantagem importante e pode enfrentar com mais confiança o remanescente da época. Quinta-feira vem já aí um novo jogo exigente, com o Braga para a Taça. Há que manter a postura que temos tido e que ontem teve o seu máximo expoente até ao momento na época, enfrentando os jogos com grande seriedade, rigor e espírito de sacrifício do indivíduo pela equipa mas simultaneamente de confiança nas qualidades. Temos equipa e temos plantel, como se viu ontem e contra o Leverkussen.

Grande vitória, memorável, num estádio sempre muito difícil. Jesus e todos os jogadores estão de parabéns, assim como os adeptos que bem se fizeram ouvir ao longo de todo o jogo. Viva o Benfica!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Académica-0 Benfica-2: Boa resposta.

Depois da eliminação da Liga dos Campeões e das críticas à prestação da equipa, era importante dar uma boa resposta e mostrar que não se deixara abater psicologicamente.

Isso foi conseguido. O Benfica fez um jogo razoável, com controlo absoluto da partida, sem dar veleidades ao adversário e ganhou o jogo de forma clara. Não sou mais entusiasta porque esta equipa da Académica me parece fraca e incapaz de dar uma réplica mais consistente. Já na próxima jornada veremos se é realmente assim, uma vez que a Académica receberá o Porto.

Recordo que o Benfica recebe agora o Belenenses e que depois se desloca ao dragão para um jogo de enorme importância para o desfecho final do campeonato. Essa será realmente a grande prova desta equipa para a época: depois do falhanço europeu Jorge Jesus e o plantel têm que mostrar que são capazes de vencer também as equipas de topo.

Face ao forte investimento do Porto no plantel e à evidente qualidade que temos que reconhecer que ali existe, será um jogo muito difícil, num estádio onde raramente fazemos bons resultados. Mas até por isso um bom resultado seria certamente um factor catalizador para o resto da época.

Ainda faltam dias semanas para o jogo mas é de esperar que exista já uma preparação mental para esse momento tão importante, tanto mais que Maxi e Enzo estão "tapados" e não podem ver cartão amarelo face ao Belenenses sob pena de serem penalizados para o dragão.

Dezembro será um mês importante também no tocante à Taça de Portugal, competição na qual receberemos o Braga dia 17, logo a seguir ao jogo no dragão.

Voltando ainda ao jogo de Coimbra, penso que foi visível um factor que se tem vindo a notar que é a subida de rendimento de Samaris e a maior consistência do meio campo do Benfica. Há agora muito menos espaço e maior controlo dos jogos. 

Talisca tem estado um pouco abaixo do normal nos últimos jogos mas Jonas está a mostrar uma categoria que sinceramente me surpreende. É um jogador que ainda tem muito para dar ao futebol. Faz todo o sentido Lima descansar algum tempo no banco nesta fase. Gaitán está num óptimo momento de forma e Sálvio também está a melhorar de jogo para jogo.


Finalmente não posso deixar de destacar a exibição de André Almeida que mais uma vez demonstra todo o seu profissionalismo, a sua qualidade e a sua disponibilidade para ajudar a equipa onde quer que ela precise. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Esperado mas ainda assim muito negativo

O Benfica saiu da Champions sem honra nem glória, confirmando o pior cenário que se começou logo a adivinhar na primeira jornada da competição.
Embora este desfecho fosse esperado, há que admitir que a prestação da nossa equipa é bastante fraca e fica aquém dos mínimos exigíveis, mesmo considerando as limitações do plantel.
A única boa notícia da noite foi a vitória do Mónaco que nos afasta da Liga Europa. Pelo menos não teremos que jogar semana após semana uma competição que dá pouca visibilidade, pouco prestígio e pouco dinheiro para o desgaste que provoca.
O Benfica terá assim que se concentrar nas provas internas, onde defende todos os títulos, naturalmente com prioridade no campeonato.

Voltando à Liga dos Campeões, Jorge Jesus não tem realmente conseguido boas prestações, tendo a deste ano sido francamente má. Dois golos marcados e seis sofridos é um péssimo balanço que demonstra que não se tratou apenas de um problema de sorte e azar.

A menor valia do plantel também não pode explicar tudo, por duas razões: noutros anos tivemos plantéis com imensa qualidade e não fizemos melhor (com excepção de uma época); equipas parecidas ou inferiores ao Benfica em termos de qualidade estão a fazer bastante melhor: Basileia, Mónaco ou Sporting.

Aquilo que podemos afirmar é que o Benfica de Jorge Jesus não se tem dado bem com a Liga dos Campeões, claramente porque há algo na abordagem dos jogos que não funciona. Se é (apenas) devido à questão dos dois pontas de lança é algo que eu não sei avaliar.

No imediato regressamos à realidade da competição interna, onde temos ganho, apesar de não estarmos a jogar particularmente bem. O jogo com o Moreirense para a Taça foi até dos mais bem conseguidos nos tempos recentes. É importante que o desaire europeu não se reflita na mente dos jogadores num sentido negativo e depressivo.

Como assinalei há pouco tempo atrás, aproxima-se uma fase complicada de jogos na qual o Benfica não pode claudicar mais. A europa já foi mas agora importa agarrarmo-nos às competições internas nas quais dentro de pouco tempo o Benfica enfrentará o Porto num jogo que pode marcar o ulterior desenvolvimento da época.

Taça - adversário Benfica nos 8ºs de final

Eliminado das competições europeias ontem, o Benfica ficou há segundos a saber que defrontará o Braga na Luz.
Já o Sporting vai a Vizela.
O sorteio é bom na medida em que nos permite eliminar o segundo adversário mais difícil da prova. Se o conseguirmos, como temos obrigação, ficará em prova apenas uma equipa ao nível do Benfica.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Um Domingo em cheio

Quem diria? Numa jornada em que a partida o Benfica era quem corria mais riscos, acabámos por ganhar pontos aos dois rivais. E isto depois de entrarmos no jogo a perder.

São excelentes notícias, nomeadamente por, como assinalámos no anterior post, na Choupana se ter iniciado um ciclo difícil e importante de jogos e também pelo facto do campeonato agora se interromper durante algumas semanas. Esta folga pontual e temporal dá ao Benfica melhores condições psicológicas para trabalhar no (muito) que a equipa precisa para se consolidar.

Na Madeira o Benfica precisava sobretudo de garantir o resultado. Se isto é verdade para todos os jogos, o que eu pretendo aqui sublinhar é que nesta fase da época, tendo por adquirido que a equipa ainda procura o seu equilíbrio fundamental, sobretudo no meio campo, há que privilegiar a objectividade e o resultado em detrimento da qualidade futebolística.

O Benfica não tem sido muito capaz de ter o controlo do jogo, algo que no ano passado alcançou (dando a dada altura a ideia de que era quase impossível perder um jogo), mas tem vencido. Ontem na segunda parte apostou claramente em manter o resultado - e conseguiu-o.

No entanto isto não pode ser uma estratégia para a época. O Benfica ontem não sofreu na segunda parte mas podia ter sofrido, inclusivamente numa jogada mal anulada por fora de jogo inexistente.

É pois preciso fazer mais e melhor. É preciso sobretudo ter outro controlo do meio campo. Samaris tarda em integrar-se naquela posição tão importante no sistema táctico de Jorge Jesus. Creio que André Almeida seria a melhor solução nesta fase, mas já percebemos que Jesus não apostará nela por razões que desconheço.

Espero que Fedja possa estar de regresso rapidamente. Se não estou em erro, dezembro ou janeiro foram apontados como datas do seu regresso. Esperemos que isso aconteça.

Também Sílvio, quando puder regressar, será um importante reforço para as laterais.

No entanto, para além das questões das peças individuais, é a equipa como um todo que precisa de evoluir harmoniosamente como ainda não acontece. O facto de termos apenas dois jogadores no "miolo" e extremos muito atacantes obriga a compensações e equilíbrios muito precisos, sob pena da equipa ser apanhada completamente em contrapé (como aconteceu em Braga). 

Já tem sido referido muitas vezes que Rodrigo, com a sua grande mobilidade e Lima com a sua grande capacidade de trabalho constituíam uma primeira linha de pressão que este ano desapareceu. Também é uma realidade que havia mais talento (para além de Rodrigo e Matic, que jogou até dezembro, Markovic e André Gomes, já para não falar dos defesas Garay e Siqueira muito dotados tecnicamente ), o que punha as outras equipas mais em sentido. 

O equilíbrio desta equipa terá pois que ser feito de outra forma. Estas semanas de interlúdio no campeonato serão pois úteis para trabalhar nalguns aspectos.