terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Roubos de lamaçal

Depois de um clube - o único que não pode de árbitros - numa campanha despudorada e desclassificada (à imagem desse mesmo clube) ter vindo insinuar aleivosamente que o Benfica era beneficiado pela arbitragem, assistimos no sábado a mais uma vergonha, daquelas a que esse e sempre esse clube nos habituou nos últimos anos.

Em Penafiel o Porto venceu com três golos irregulares! Deve ser um caso raro no futebol mundial, mas bem apropriado ao clube da fruta e da mentira desportiva. Um clube sem nível e cada vez mais sem valores. Um clube do vale tudo.

Se os seus adeptos tivessem dignidade nunca teriam falado de arbitragens e muito menos teriam tido o mau gosto e a indecência de misturar Eusébio nessa cantilena, ridícula de tão desfazada da realidade. 

Estava à espera - leia-se a frase como um artifício de retórica - de assistir a uma vaga de indignação. Aí há umas jornadas atrás quando o Benfica terá sido beneficiado num jogo as televisões praticamente abriram os telejornais com o assunto e durante uma semana não se falou de outra coisa. Fizeram-se até teorias à volta do assunto. Desta vez, face ao inusitado de uma equipa ganhar com 3 golos irregulares o coro de indignação seria certamente a triplicar.

Mas, para meu não-espanto, os resumos passados nas televisões relativizavam a coisa. Falavam de um golo "contestado pelos da casa" e de outro golo "confuso". 

Prefiro não dizer muito mais porque gente desta merece ser chamada pelos nomes que melhor lhe assentam quando presta este tipo de serviço - indecente e descarado - ao público que é obrigado a ver estas televisões por não haver outras. Esta gente merece mas eu prefiro não usar essa linguagem, sobretudo quando escrevo.

Vou por isso atalhar e dizer que quando passei ontem pela TVI24 estava-se a falar - e a tentar fazer disso um caso - de Talisca e da respectiva expulsão. E esteve-se nisto por muito tempo. Não que eu tenha ouvido. Por uma questão de higiéne mental já me deixei de ouvir aquilo a não ser quando me encontro num humor peculiar e me apetece rir das barbaridades que se dizem. Ontem a televisão estava sem som. No entanto percebi pelas imagens o tempo que passaram a falar do (não) assunto. Era importante falar de coisas que desviassem o foco do que realmente aconteceu no fim de semana - um roubo de lamaçal em Penafiel e uma exibição de gala do Benfica nos Barreiros.

Eu já o escrevi aqui anteriormente e vou repetir. Há gente que - sem ser benfiquista - adormece e acorda a pensar no Benfica e chega a um ponto tal de obsessão que entra já no campo da doença mental.


Para eles temos um só caminho: continuar a fazer exibições como a de domingo. Continuar a ganhar e renovar o título. Voltar a ser o clube hegemónico do futebol português. E deixá-los a falar sozinhos.


NOTA 1: como tem vindo a ser assinalado noutros blogs, sobretudo neste, o jornal "A Bola" entrou por um caminho estranho no qual tanto parece temer dizer a verdade como não hesita em fazer primeiras páginas nas quais o Benfica é objectivamente atacado. Essa saga teve no domingo mais um episódio. O roubo de lamaçal transforma-se num "Jackson à prova de água" que se "adaptou bem" às condições do relvado. Comentários para quê?

NOTA 2: a "pergunta da semana" - DESTA SEMANA - de Rui Santos é algo do estilo "qual a razão para o Benfica estar na liderança? a) bom futebol b) arbitragens." É preciso dizer mais alguma coisa?

NOTA 3: não é de facto preciso dizer mais nada, mas para se ver como a coisa entra no campo do surreal, deve-se ainda recordar como há várias jornadas atrás se passaram horas de televisão a manifestar indignação pelo golo BEM VALIDADO do Benfica contra o Rio Ave porque o fiscal de linha de onde estava supostamente não podia ter visto. Portanto - concluíam no cúmulo da idiotice - o golo devia ter sido invalidado apesar de ser regular. Agora compare-se essa aberração mental com o tempo que se passou a falar dos golos manifestamente ilegais do Porto em Penafiel. E o que dizer do "caso Miguel Rosa" - um crime de lesa Pátria ! que ocupou a totalidade das conferências de imprensa do jogo - por comparação com o não caso-Quinones deste fim de semana (perfeitamente natural e não merecedor de qualquer referência).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Perseverar no bom caminho

O Benfica conseguiu (mais) uma boa vitória e talvez a melhor exibição da época: segura, determinada, dominadora, com alguns períodos de bom futebol e três bolas aos postes para além dos três golos. Deu pouco espaço ao Guimarães que não dispôs de praticamente nenhuma oportunidade flagrante de golo. 

A vitória marca também um ano sem Eusébio e nessa medida foi igualmente mais um tributo e uma justa homenagem prestada ao King.

O Benfica tem feito as coisas bem, perante um cenário de previsível adversidade e grandes dificuldades que - até ao momento - não se têm manifestado. Tenho já insistido bastante (e não estou a dizer nada que não seja já sabido) que as saídas de pedras essenciais aumentaram as dificuldades e criaram um potencial de desestabilização. A aposta do Porto neste ano foi algo de inédito no futebol português, com um investimento milionário no seu plantel e a contratação de jogadores de grande qualidade. 

Por outro lado, não tenhamos dúvidas de que este Sporting é uma equipa ainda mais forte do que a do ano passado. Marco Silva é já, sem qualquer dúvida, um valor seguro. Um treinador que compreende muito bem o jogo e que manifesta bom senso apesar da juventude. Felizmente o Sporting perdeu muitos pontos na fase inicial pelo que a sua desvantagem será praticamente irrecuperável, mas a vitória de ontem já depois do último minuto de descontos mostra que eles não darão o campeonato por perdido até estarem matematicamente afastados do título.

Finalmente temos que estar preparados para as surpresas e armadilhas que tantas vezes nos lançam. Pinto da Costa e o seu Porto têm tentado de tudo nas últimas semanas para obter a ajuda e o favor dos árbitros com uma campanha sem escrúpulos e sem vergonha como já é habitual naquelas bandas. Por outro lado a inenarrável TVI24/mais futebol persiste no seu trilho pro-porto e anti-Benfica. Uma coisa que enjoa e chega ao ridículo: aqui há umas semanas, no golo de Lima contra o Belenenses Sousa Martins tentava à força encontrar faltas, ora fosse na cabeçada de Jardel ora na de Lima (que supostamente tinha sido com ... a mão!). É uma doença de que eles, coitados, não se conseguem libertar. Chega-se ao ridículo de serem os próprios fanáticos Eduardo Barroso e Manuel Serrão a dizerem que não há nada, pois dava ideia que a TVI iria passar as imagens ad infinutun, na esperança de que alguém descortinasse ali razões para dizer que o golo devia ter sido anulado e se passar o resto do programa a chorar e protestar pelo benefícios arbitrais de que o Benfica alegadamente beneficiaria. E quem diz esse jogo diz qualquer um do Benfica. Os nossos golos são para eles sempre "polémicos" ou duvidosos mesmo quando resultam de remates de fora da área.

Em síntese, nada está ganho e os perigos estão sempre à espreita.
Já na próxima jornada enfrentamos novo teste de elevado grau de dificuldade: o Marítimo nos Barreiros (derrota no jogo do ano passado). Seguidamente vamos a Paços, campo difícil sobretudo este ano que a equipa está a jogar um bom futebol. E depois da recepção ao Boavista iremos a Alvalade.

O calendário aperta e os nossos adversários sabem que este é o momento ideal para se aproximarem de nós na classificação. O Benfica precisa pois de continuar na actual senda e de encarar cada jogo com o máximo de seriedade. Enfim, o normal quando se quer campeão. Agora que um ou outro reforço poderiam ajudar, disso não tenho dúvidas. Fala-se de Muktar para o meio campo (jogador que desconheço em absoluto e que pelos vistos irá no imediato para a equipa B) e de um jovem avançado. Parece-me que nesta altura e com o campeonato a decorrer só jogadores com grandes rotinas e hábitos competitivos (para não dizer experientes) podem dar algo à equipa, trazer valor acrescentado. Veremos porém. Importante é mesmo manter o mesmo espírito competitivo e capacidade de entrega em todos os jogos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

(mais) Um novo começo

A saída de Enzo Perez abre mais um capítulo na "era Jorge Jesus": o treinador terá que mais uma vez formar um meio campo diferente. Este ano ainda por cima com a agravante de que a equipa não se encontrava ainda estabilizada. Desde a saída de Matic há um ano saíram ainda (falando apenas do meio campo) André Gomes e lesionaram-se Fedja e Rúben Amorim.

A última dupla de médios que actou com continuidade e estabeleceu rotinas claras de jogo foi a constituída por Matic e Enzo. Ela actou na época 2012-2013 e na primeira parte da época passada. Desde então houve uma rotação quase constante, com vários jogadores a ocuparem o lugar de Matic: Fedja, Rúben, André Gomes, André Almeida, Samaris e Cristante. A dada altura até o meio campo de três jogadores, com Rúben a ser o terceiro homem, foi ensaiado.

Com a saída de Enzo, perde-se a peça que assegurava a continuidade com aquele passado de relativa estabilidade nas posições. Jorge Jesus terá que de novo "inventar" e solidificar um meio campo, já com a época em andamento e com todas as contrariedades das lesões. Para já a solução parece ser Talisca e Samaris com o italiano Cristante a lutar ainda pelo seu espaço. O problema mais evidente desta solução é que se tratam de três jogadores que chegaram ao Benfica apenas no início de época. O lado mais positivo é que Talisca tem evidentemente muita qualidade e Samaris parece adaptar-se cada vez melhor.

Apesar de tudo apontar para que Talisca se consolide cada vez mais na posição 8, acredito que Jorge Jesus continuará a promover alguma rotatividade como fez até aqui, jogando o brasileiro quer nessa posição quer entre o meio campo e o ataque, como falso segundo ponta de lança. Isso aconteceu muitas vezes e pode continuar a acontecer tendo em atenção que Samaris se sente bem também no lugar 8. Com os regressos de Fedja e Rúben, que se espera e deseja que aconteçam em breve, haverá novas opções e a possibilidade de dotar o meio campo de uma maior consistência. Veremos como o nosso treinador as organiza.

Outra boa notícia é o regresso de Sílvio. Finalmente o Benfica está bem servido de laterais: Maxi (um modelo de profissionalismo para além da grande qualidade), Eliseu, André Almeida (outro grande profissional que está a demonstrar uma capacidade surpreendente mesmo na esquerda e cuja polivalência tanto nos tem valido) e Sílvio dão todas as garantias, havendo ainda Benito.

No centro da defesa as várias opções ensaiadas têm dado resultados positivos. Jardel tem melhorado muito, dando já garantias razoáveis, César tem crescido como jogador e Lisandro também, embora tenha já um nível de maturidade e experiência ligeiramente superior ao brasileiro.

O que é extraordinário neste Benfica é que, ou por saídas em relação às quais o clube pouco podia fazer, ou por lesões, a equipa tem sido praticamente reconstruída de ano para ano (e às vezes no mesmo ano), mantendo um nível de resultados muitíssimo positivo. 

O jogo de Penafiel então é particularmente paradigmático. Por via de lesões, castigos e saídas, Jorge Jesus não pode contar com 5 - cinco - habituais titulares: Eliseu, Luisão, Enzo, Samaris e Sálvio! Ou seja, não pode contar com 3 jogadores fundamentais do eixo central, para além de um dos seus melhores e mais influentes jogadores criativos e do lateral esquerdo titular. E apesar dessas contrariedades ganhou por 3-0. É algo que tem que ser reconhecido e apreciado.

O ano começou bem, o que é sempre bom mas há muito campeonato e muitas dificuldades pela frente. A vantagem de 6 pontos é boa mas não dá garantias de coisa nenhuma. O Benfica terá que continuar a consolidar processos e a ser realista na sua abordagem aos jogos, apostando na prata da casa e recuperando o mais rapidamente possível os lesionados. Será também importante os adeptos continuarem a apoiar a equipa e começarem a comparecer em maior número nos jogos na Luz. 









sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Festival dos pequeninos

O Benfica perdeu, como por vezes acontece à melhor equipa em campo.


Se há uns dias atrás (num jogo muito equilibrado e no qual o Benfica controlou durante a maior parte do tempo o seu adversário) tantas "donzelas" se ofenderam com a "mentira" do resultado, o que dizer do jogo de ontem no qual o Benfica massacrou, teve oportunidades atrás de oportunidades, viu o árbitro perdoar uma expulsão ao adversário e acaba por perder o jogo? Dessas "donzelas" nada poderemos esperar. Neste caso já não haverá lugar a reflexões sobre a justiça do futebol.


É verdade que há dois pesos e duas medidas para os comentadores de futebol em Portugal. Quando há dois anos, depois de um golo na própria, o Benfica sofreu, contra a corrente do jogo, um golo nos descontos assim perdendo o campeonato, não se falou de sorte. Nessa altura era Jesus que falhava nos momentos cruciais e era o Benfica que não ultrapassava o trauma do dragão. 

Do mesmo modo, quando perdemos 3-2 na Luz há 3 anos com um golo de Maicon em claro fora de jogo, os analistas também não falaram em sorte mas em mérito do Porto e erros imperdoáveis do Benfica. Recordo que vencíamos esse jogo por 2-1 e ameaçávamos o 3-1 quando o Porto marcou praticamente do nada o 2-2 (numa jogada aliás precedida de falta).

Mas agora já muitos falaram de sorte e de um domínio do Porto. Antes o domínio não valia nada, o que contava era o resultado. 

E ontem, face ao que aconteceu, o domínio e a sorte deixaram novamente de existir e passou a existir uma estratégia bem montada pelo treinador do Braga.

A questão dos dois pesos reflecte-se noutra coisa: o Sporting não foi apurado para os oitavos de final da Champions e os comentadores lembram que não o foi devido a um penalty mal assinalado a favor do Shalke. Jornais fizeram manchete clamando "Roubo!" em grandes parangonas. 

Ora bem, o que disseram esses mesmos jornais nada tenham dito quando há uns meses o Benfica viu serem-lhe espoliados 3 - três! - penalties na final da Liga Europa, vindo a perder a partida nos desempate por penalties, num dos maiores roubos da história do futebol, perpetrado por um canalha? Nada! Nada! As capas falavam de Beto e do "falhanço" do Benfica!! Isso não pode ser esquecido pelos benfiquistas. Tiveram que ser os espanhóis a denunciar o roubo. Então 3 penalties não são coisa nenhuma mas 1 penalty já constitui um roubo e o motivo pelo qual se é eliminado de uma competição?

Ontem o Benfica perdeu e houve festa dos pequeninos. É normal, pois o Benfica é grande e felizmente nos últimos anos não costuma perder.

Foi um jogo de azar mas que tem que servir de alerta para o futuro. Há erros que não se podem cometer e nunca se pode dar nada por adquirido. Importa agora concentrar todas as baterias no campeonato onde há que vencer o máximo possível de jogos consecutivos. Se o Benfica for vencendo os seus jogos mais tarde ou mais cedo abrir-se-á um fosso ainda maior que aí sim será praticamente irrecuperável para os nossos adversários, que ademais têm ainda que se desgastar nas provas europeias. Essa concentração máxima exige-se já no próximo jogo contra o Gil Vicente.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ambiente de cortar à faca em Alvalade

Desde há bastante tempo que me questionava sobre quanto tempo poderia Bruno de Carvalho ter relativo sucesso com a sua acção de disparar em todas as direcções, rasgando contratos e actuando de forma semi desbragada. Não me entendam mal: eu até tenho simpatia por pessoas que tenham a coragem de ir contra o sistema e tenham a coragem de dizer o que pensam mesmo contra a opinião da maioria. Há porém uma diferença muito clara entre isso e o populismo demagógico, entre isso e a falta de educação, entre isso e a pura irresponsabilidade.
O presidente do Sporting parece cada vez mais resvalar por esse caminho.

Neste momento as coisas estão mesmo muito complicadas em Alvalade. Marco Silva, garantem-me, já por duas vezes terá querido sair e só a custo foi convencido do contrário. Depois das acusações de falta de profissionalismo que Bruno de Carvalho lançou aos jogadores, Marco Silva vem agora atacar o Presidente em público: "Não mando recados para os jogadores. Digo o que tenho a dizer na cara. Não sacudo a água do capote. Assumo a minha responsabilidade." Isto depois de dizer que faltava atitude e mentalidade.

Entretanto Bruno de Carvalho no fim da partida com o Moreirense, seguia directamente para o balneário sem cumprimentar ninguém ou agradecer o apoio ao público.

As coisas estão bem tremidas para aqueles lados...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Vitória memorável do querer e da inteligência




O Benfica venceu ontem o Porto em pleno estádio do dragão por 2-0 com todo o mérito e justiça. A vitória não caiu do céu nem resultou de uma obra do acaso, foi isso sim fruto de uma preparação e de uma execução de estratégia de jogo exímias.

Não quis escrever nada antes do jogo por (admito-o) uma questão de superstição. Não quis "dar azar", por muito irracional que isso seja. No entanto estava convencido de que o Benfica se encontrava em crescendo e de que iria fazer um bom resultado no dragão. Convido aliás quem estiver nisso interessado em ver o que escrevi no anterior post à luz do que aconteceu ontem.

Este Porto é uma equipa com excelentes jogadores, com muita posse de bola mas algum défice de criação de oportunidades de golo em jogos de maior responsabilidade. Por vezes parece faltar-lhe maturidade e estabilidade emocional. Se o jogo lhe sai bem e a bola flui com rapidez, tornam-se muito perigosos pois têm muito talento, mas se à medida que o jogo avança o Porto é bloqueado na sua progressão atacante, o seu jogo bloqueia e começa a tornar-se previsível.


Tendo percebido muito bem esta situação, Jorge Jesus instruiu a equipa para fazer uma pressão imediata sobre a defesa do Porto logo à saída da bola, bloqueando em grande medida a construção e fluência do jogo portista. A nossa defesa também jogou muito subida, o que tirava espaço ao Porto no momento de tentar fazer a circulação de jogo.

Esta estratégia só sofreu algum abalo logo nos minutos iniciais quando o Porto colocou bolas em profundidade nas costas dos laterais e Tello e Oliver criaram algum perigo. Numa das jogadas Júlio César mostrou toda a sua categoria e a importância de ter um guarda-redes experiente (e bom) em jogos desta responsabilidade.

No entanto essas duas ou três jogadas foram as únicas excepções num jogo que de resto estava perfeitamente controlado pelo Benfica que ao mesmo tempo dava a ideia de que a qualquer momento poderia criar perigo no ataque, pois os seus jogadores mostravam-se acutilantes.

Diga-se que a questão da táctica é apenas uma das razões pelas quais vencemos. Para além também de alguma sorte, que é sempre necessária, o Benfica venceu em grande parte porque foi mais forte nos duelos individuais, esteve mais concentrado e confiante. Teve mais querer. Em termos de jogadores todos merecem nota altíssima e um deles já referi acima mas quero referir que André Almeida foi irrepreensível a defender, apesar de "amarelado" desde o primeiro minuto, Gaitán  cada vez mais se assume como maestro desta equipa, Talisca, com a sua tranquilidade e autoconfiança influenciou toda a equipa, Luisão mostrou toda a sua classe, calma e liderança, Maxi que fez no máximo uma falta o jogo todo apesar de ter Brahimi e Torres pela frente, Enzo e Samaris que dominaram o meio campo, com o grego a defender como um leão e Enzo a sair e a construir com grande inteligência e ainda Lima, como é óbvio, que resolveu o jogo. 

Voltando à história do jogo, de facto na primeira grande ocasião, nascida de um lance que o Benfica costuma ensaiar, conseguimos o golo. E a partir daí era mais ou menos evidente que, aguentando o resultado até ao intervalo, não perderíamos o jogo e teríamos até grandes possibilidades de conseguir o segundo golo.

E assim foi. O Benfica voltou do intervalo ainda mais compacto, não dando quaisquer veleidades ao Porto, que se mostrava cada vez mais impotente para passar a nossa barreira defensiva, e começou a ameaçar o segundo pois o balanceamento ofensivo do Porto começava a ser demasiado arriscado. Numa jogada com princípio meio e fim, com intervenção de Gaitan e Talisca, Fabiano defendeu o remate do baiano para a frente e Lima foi o primeiro a reagir, encostando para o segundo.

Havia agora poucas dúvidas sobre o vencedor do jogo. O Benfica só voltou a passar por situações de perigo quando o Porto se lançou totalmente para a frente, colocou Bakar ao lado de Jackson e começou a fazer cruzamentos perigosos para a área. Quaresma que entretanto entrara "picava-se" com André Almeida que tinha amarelo e portanto tinha que ter o maior cuidado. Mas as oportunidades claras do Porto só surgem depois de Luisão sair (ainda a 15 minutos do fim). É então que surgem as bolas à barra. A propósito espera-se que Luisão possa recuperar rapidamente do seu entorse.

O Benfica poderia porém também ter feito o 3-0 pois Alex Sandro esteve muito perto do autogolo num contra-ataque letal do Benfica. Se não fosse a lesão de Luisão, Jorge Jesus poderia eventualmente apostar em Derley para o lugar de Lima e as coisas poderiam ter-se complicado ainda mais para o Porto.

Em todo o caso a vitória do Benfica não merece contestação, num jogo sem casos e em que a arbitragem merece ser elogiada pois foi irrepreensível.

O Benfica adquire uma vantagem importante e pode enfrentar com mais confiança o remanescente da época. Quinta-feira vem já aí um novo jogo exigente, com o Braga para a Taça. Há que manter a postura que temos tido e que ontem teve o seu máximo expoente até ao momento na época, enfrentando os jogos com grande seriedade, rigor e espírito de sacrifício do indivíduo pela equipa mas simultaneamente de confiança nas qualidades. Temos equipa e temos plantel, como se viu ontem e contra o Leverkussen.

Grande vitória, memorável, num estádio sempre muito difícil. Jesus e todos os jogadores estão de parabéns, assim como os adeptos que bem se fizeram ouvir ao longo de todo o jogo. Viva o Benfica!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Académica-0 Benfica-2: Boa resposta.

Depois da eliminação da Liga dos Campeões e das críticas à prestação da equipa, era importante dar uma boa resposta e mostrar que não se deixara abater psicologicamente.

Isso foi conseguido. O Benfica fez um jogo razoável, com controlo absoluto da partida, sem dar veleidades ao adversário e ganhou o jogo de forma clara. Não sou mais entusiasta porque esta equipa da Académica me parece fraca e incapaz de dar uma réplica mais consistente. Já na próxima jornada veremos se é realmente assim, uma vez que a Académica receberá o Porto.

Recordo que o Benfica recebe agora o Belenenses e que depois se desloca ao dragão para um jogo de enorme importância para o desfecho final do campeonato. Essa será realmente a grande prova desta equipa para a época: depois do falhanço europeu Jorge Jesus e o plantel têm que mostrar que são capazes de vencer também as equipas de topo.

Face ao forte investimento do Porto no plantel e à evidente qualidade que temos que reconhecer que ali existe, será um jogo muito difícil, num estádio onde raramente fazemos bons resultados. Mas até por isso um bom resultado seria certamente um factor catalizador para o resto da época.

Ainda faltam dias semanas para o jogo mas é de esperar que exista já uma preparação mental para esse momento tão importante, tanto mais que Maxi e Enzo estão "tapados" e não podem ver cartão amarelo face ao Belenenses sob pena de serem penalizados para o dragão.

Dezembro será um mês importante também no tocante à Taça de Portugal, competição na qual receberemos o Braga dia 17, logo a seguir ao jogo no dragão.

Voltando ainda ao jogo de Coimbra, penso que foi visível um factor que se tem vindo a notar que é a subida de rendimento de Samaris e a maior consistência do meio campo do Benfica. Há agora muito menos espaço e maior controlo dos jogos. 

Talisca tem estado um pouco abaixo do normal nos últimos jogos mas Jonas está a mostrar uma categoria que sinceramente me surpreende. É um jogador que ainda tem muito para dar ao futebol. Faz todo o sentido Lima descansar algum tempo no banco nesta fase. Gaitán está num óptimo momento de forma e Sálvio também está a melhorar de jogo para jogo.


Finalmente não posso deixar de destacar a exibição de André Almeida que mais uma vez demonstra todo o seu profissionalismo, a sua qualidade e a sua disponibilidade para ajudar a equipa onde quer que ela precise.