segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Jardel - o grito do guerreiro

Jardel foi um durante algum tempo o patinho feio da defesa do Benfica. Com duplas como Luisão e David Luiz ou Luisão e Garay nos últimos anos, é natural que Jardel parecesse um jogador tosco e limitado. Mas a verdade é que Jorge Jesus sempre acreditou no jogador e o brasileiro tem uma atitude e uma mentalidade que o têm feito evoluir imenso e o colocam num patamar altíssimo: dá tudo, é corajoso, é leal e sente a camisola.

Ontem teve um dos seus momentos maiores no Benfica, marcando quando já praticamente só eles, os jogadores, acreditavam que ainda era possível. Foi mesmo na raça. Pela sua humildade e dedicação, poucos mereciam o golo como Jardel, especialmente da forma dramática como surgiu, nos últimos segundos do jogo. Depois de um jogo irrepreensível, o central fez um golaço à ponta de lança. Jardel mostrou que está presente e eu espero que este golo lhe dê ainda mais confiança para o que resta da época. A ele e a toda a equipa. Este campeonato está a ser uma guerra, uma guerra aberta e sem quartel não apenas por parte dos nossos rivais mas da esmagadora maioria da imprensa contra o Benfica. Isto é factual como demonstrarei no post seguinte. Para vencermos precisaremos mais do que nunca de união e de espírito. Como o que ontem demonstrámos. A raça e a alegria de Jardel no golo e o abraço da equipa a Artur no fim do jogo ficam como símbolos deste jogo e dessa atitude que nos distingue.

Era difícil fazer melhor

Não estava particularmente optimista para este jogo. O Benfica partiu para ele com problemas em todos os sectores: na defesa estava fragilizado pela lesão de Júlio César na jornada anterior ao derby, no meio campo há alguns jogos que o decréscimo de rendimento de Talisca tornara claro que nos faltava solidez no sector, no ataque a lesão de Gaitan e a atroz forma em que Sálvio se encontra desde o jogo de Paços tornavam-nos uma equipa com poucas soluções. Por outro lado, como aqui atempadamente referi, o Sporting é uma equipa muito à imagem do seu treinador, muito competente, muito objectiva e  muito determinada. Para além disso, a realidade é que neste momento tem mais soluções do que o Benfica, exceptuando a defesa. Basta dizer que o Sporting apresentou Nani e Carrillo nos corredores, tendo Capel no banco e ainda Mané que também pode jogar por ali. O Benfica que nos últimos anos teve um a abundância enorme de extremos teve que jogar em Alvalade com Ola John que sinceramente me parece muito fraquinho e sem nenhuma solução alternativa no banco. Acabou por entrar Talisca que mostrou que pode jogar por ali mas claramente não é um extremo. Aliás o banco do Benfica para além do baiano tinha apenas Derley em termos de opções ofensivas (Gonçalo Guedes é um jovem da formação que tem qualidade mas que ainda não é para estas andanças), o que é muito pouco.
 
Face a isto, Jorge Jesus, que este ano está a esticar a equipa até onde é possível, adoptou a estratégia mais adequada às realidades. O jogo foi muito fraquinho, é verdade, mas não é possível fazer muito mais. A realidade é que do outro lado estava uma equipa com mais soluções no meio campo e também no ataque, sobretudo nos flancos. Isto claro, contando apenas com os que podiam jogar. Se Gaitan estivesse em condições, a história seria outra. Mas não podendo contar com o mágico argentino, entregar as tarefas de ataque a um insipiente Ola John e um desinspirado Sálvio, que insiste no individualismo, não dava muitas garantias. Jesus privilegiou assim a segurança defensiva e colocou - muito bem a meu ver - André Almeida ao meio, no lugar de Talisca, recuando Jonas para fazer a ligação entre o meio campo e o ataque. Jogar com Talisca e Samaris contra o meio campo de 3 do Sporting seria a meu ver suicida. Já na véspera do jogo eu comentava com um amigo que estava quase seguro de que André Almeida seria titular. Jogou bem e limitou imenso o jogo do Sporting. Maxi foi gigante (como é hábito, fazendo calar aqueles que insistem em criticar um dos melhores profissionais que jamais envergou a camisola do Benfica) e Eliseu não comprometeu, como eu estava seguro de que não faria. O lance em Paços foi um acidente que acontece a qualquer um.
 
O jogo parecia encaminhar-se para o empate a zero com um Benfica pouco perigoso no ataque e o Sporting também a não conseguir estabelecer períodos de pressão contínua nem conseguir criar oportunidades flagrantes. Diga-se aliás que o árbitro anulou uma das jogadas mais perigosas do jogo, um lance em que Jonas tinha a bola dominada dentro da área do Sporting, sem que ninguém tenha percebido porquê e sem que a realização tivesse dado uma única repetição do lance. Aliás para arrumar já este assunto, sublinho que Jorge Sousa, como aliás já é habitual, fez um jogo com poucos erros técnicos (aí pode-se dizer que esteve relativamente bem, ficando porém essa grande dúvida no lance de Jonas) mas com um critério disciplinar no mínimo discutível. Realmente os amarelos dados a Eliseu e Maxi são completamente injustificados, ao passo que Adrien (como também já é hábito) escapou ao cartão apesar das fortes pancadas que deu.

O empate que parecia inevitável foi desfeito aos 87 minutos, num lance que resulta de um ressalto primeiro e de uma recarga depois de uma boa defesa de Artur. A célebre frase feita de que quem joga para o empate acaba por perder parecia ir-se confirmar. O Benfica apelou porém às suas últimas forças e conseguiu na determinação e na raça aquilo que não conseguira na qualidade técnica. Num estádio em delírio perante a possibilidade de vencer o Benfica muitos anos depois, contra uma equipa altamente moralizada por uma sequência grande de vitórias para o campeonato, a crença e o esforço dos nossos jogadores depois de sofrer um golo já nos últimos minutos  para irem "buscar" o empate é algo que merece ser relevado.
 
Foi o possível com as limitações que temos nesta altura face às diversas lesões e momento menos bom de forma de alguns jogadores. O que a equipa mostrou em termos de querer deixa-me antever um desfecho positivo para este campeonato. É importante referir que este era o ano em que o Porto ia cilindrar e em que até o Sporting nos ia ultrapassar. Com lesões de Rúben, Sálvio primeiro, Gaitan e Júlio César agora (além da situação de Fedja), a saída de Enzo em dezembro, não sei como seria possível fazer muito melhor. Recorde-se da época passada para esta saíram "apenas" Rodrigo, Cardozo, Markovic, André Gomes, Garay, Siqueira e Oblak. Estamos 4 pontos à frente do segundo e se conseguirmos restabelecer a confiança que se perdeu um pouco em Paços e recuperar os lesionados, dificilmente perderemos o campeonato.
 
Uma palavra final para Artur. O que lhe fizeram é indecente. Valeu tudo para tentar desestabilizar o nosso guarda-redes. Mais uma campanha infame, a juntar às novelas da renovação de Jorge Jesus, da de Maxi, etc, etc. Tudo tem valido para atacar o Benfica. Mas Artur ontem mostrou a sua classe e a sua personalidade e saiu, como ele disse, com a cabeça erguida. Artur que, recorde-se, defendeu um penalty no jogo de abertura do campeonato na Luz, permitindo que viéssemos a vencer esse jogo por 2-0. Ontem fez um par de excelentes defesas. Foi bonito ver os colegas abraçados. Estes são os valores do Benfica e se formos fiéis a eles estaremos sempre mais perto de vencer. O Benfica é indiscutivelmente não apenas o maior. O Benfica é o melhor clube de Portugal. Ontem, apesar de não termos vencido o jogo como desejávamos e como venceremos certamente em muitas outras ocasiões, mostrámos mais uma vez que somos melhores em pequenas coisas que significam muito.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Objectivo cumprido a caminho da primeira "final"

O Boavista quase não deu réplica ao Benfica tal a diferença de nível entre as equipas. Os 3-0 poderiam ter sido mais noutras circunstâncias. O importante era porém voltar a ganhar depois do deslize de Paços de Ferreira.

A propósito deste último e da grande exibição que foi fazer ao dragão, onde empatou por 5-0, devo dizer que só alguém muito desatento pode ter ficado surpreso. Não é preciso recordar o que se passou na última jornada do campeonato de há dois anos quando Josué comandou as tropas do Paços para perder o jogo contra a sua então futura (e actual ex) equipa. Paulo Fonseca foi um figurante nesse jogo que teve outro protagonista principal: Hugo Miguel que marcou penalty num lance em que James Rodrigues tropeçou em si próprio a um bom metro da área, expulsando o jogador do Paços na jogada. Eles são Porto. Para perceber o que se passou ontem bastava ter ouvido o programa "Grandes adeptos" na sua versão jogos dos grandes e ter ouvido a personalidade adepta do Paços: na realidade era um adepto do Porto encapotado, que sabia a história e o passado portista todo do jogador que por ter marcado um golo na semana passada ao Benfica se tornou no novo herói dos medíocres. Jogador que, pelos vistos, já tem contrato com o Porto para a próxima época (um Josué II). Podemos pois esperar que se levantem agora coros de indignação de todos os quadrantes, a começar nos repórteres na sala de imprensa e a acabar nos imbecis dos comentadores de programas da bola, clamando por um "atentado" à verdade desportiva. É que neste caso nem sequer é um jogador emprestado mas um jogador comprado. Mas é melhor esperarmos sentados. Desta vez não se falará de Estorilgate como não se falou há 15 dias de Penafielgate, como nós não falámos - ao contrário do que eles teriam feito - da originalidade de ter um 4º árbitro a assinalar penalties ao minuto 90. Não falámos porque de facto foi penalty e nós não gostamos de viver na mentira. Mas outros - canalhas sem coluna vertebral - ainda se permitem virar o caso ao contrário e dar este penalty - marcado - como exemplo da protecção dos árbitros ao Benfica por alegadamente o árbitro principal ter hesitado em o marcar. Como se alguém o tivesse obrigado! Esta é mais uma que entra para a história! Depois do golo que apesar de legal devia ter sido anulado pois o fiscal de linha de onde estava não podia ter visto (!) , agora é o penalty que apesar de ter sido marcado contra o Benfica ao minuto 90 demonstra como  os árbitros nos estão a levar ao colo. Repito, estamos perante uma canalha miserável e sem carácter!

Vem agora aí o grande derby. Será a primeira de duas finais. É evidente que o Benfica tem que pensar jogo a jogo mas não existem dúvidas de que estes dois jogos serão decisivos. Os nossos adversários precisam de ganhar os seus jogos contra nós para poderem aspirar ao título e se perderem ficam dele irremediavelmente afastados. 

O jogo com o Sporting será o mais difícil dos últimos anos. Há muito tempo que o Sporting não chegava a esta altura ainda com possibilidades de alcançar o título. Vem de uma sequência grande de vitórias, perdeu apenas um jogo no campeonato, empatou na Luz, ganhou no dragão para a taça e empatou para o campeonato e temos a noção de que é uma equipa competitiva em todos os jogos.  O balão da confiança está cheio como raramente esteve mas o seu treinador é um homem inteligente e com os pés bem assentes no chão. Antevejo um jogo muito difícil para o Benfica, no qual podemos ademais esperar ser prejudicados pela arbitragem. Há uma pressão diária do Sporting, do Porto e da comunicação social para que assim seja.

Só mesmo o melhor Benfica pode vencer o jogo em Alvalade. É verdade que o empate também pode ser um resultado válido (até porque Porto e Sporting ainda jogarão entre si) mas jogar para isso normalmente resulta em derrota. O Benfica terá que ser inteligente como foi no dragão mas fazendo bastante mais porque o Sporting nos vai colocar muitos problemas que o Porto não conseguiu. O nosso meio campo terá que estar muito forte, muito sereno e muito bem posicionado (e ter muito cuidado com os cartões) para que possamos controlar o jogo e marcar os seus ritmos. No ataque será precisa uma mobilidade e agressividade diferente do que se tem visto nos últimos jogos. Há que simplificar e ser muito objectivo. Jardel e Luisão terão que ter cuidado com os contactos dentro da área porque os avançados do Sporting vão passar o jogo à procura deles e ao mínimo pretexto o árbitro quererá assinalar penalties contra nós. 

Acredito que podemos conseguir o nosso objectivo se tivermos muita concentração, capacidade de trabalho e humildade quando o jogo exigir que cerremos fileiras atrás e defendamos a nossa baliza. Na frente precisamos de ser objectivos e letais, aproveitando todas as oportunidades para marcar. Precisamos de jogar sem medo, com confiança. 

Como digo acredito que é possível mas será muito difícil. Nesta fase temos muita coisa que corre contra nós. É bom que a equipa o entenda e que seja capaz de dar uma resposta à Benfica. Ganhando ao Sporting fica metade do trabalho feito. Este rival fica arredado da corrida. Fica depois a faltar o Porto. Mas do Lopetegui teremos tempo de tratar mais tarde.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quando se facilita é assim

O Benfica podia ontem ter praticamente resolvido o campeonato mas perdendo - e da forma que foi - deu novo alento não apenas ao Porto mas ao Sporting.

Tínhamos tudo a nosso favor: o descanso de saber que o 2º perdera o seu jogo, um adversário relativamente macio e um estádio repleto de adeptos. Tivemos inclusivamente uma arbitragem amiga que nos "deu" um penalty inexistente de mão beijada. As facilidades eram tantas que o Benfica, não habituado a estes cenários, se deslumbrou e resolveu complicar a sua própria vida.

O Paços assumiu uma atitude muto humilde e trabalhadora e foi - justamente - premiado. Com armas incomparavelmente mais modestas que as nossas, assumiu o seu estatuto de pequeno e esperou as suas oportunidades.

Claro que o Benfica teve oportunidades mais do que suficientes para ganhar. Três bolas nos ferros demonstram-no. Mas isso também o Porto teve na Madeira e nem por isso mereceu ganhar. Claro que um clube da dimensão de um Paços de Ferreira só pode ganhar ao Benfica tendo felicidade - mas essa sorte faz-se por se conquistar. E o Benfica ontem realmente não soube procurar a felicidade. 

Entrámos em campo com vontade de marcar cedo mas talvez  o penalty falhado e a bola no ferro logo a seguir tenham incutido nos jogadores a ideia de que talvez não fosse a sua noite porque depois dessas ocasiões a equipa pareceu perder muita confiança. Por outro lado o Paços fechava bem os caminhos no centro do terreno, ao passo que os jogadores do Benfica exageravam nos passes e tabelas, perdendo quase sempre a bola ainda antes de a tentar colocar na zona de finalização.

Claro que as coisas não passaram a estar todas mal de uma semana para a outra mas em jogos como este tudo o que está mal vem ao de cima e sobressai. Houve várias exibições muito abaixo dos "mínimos". Talisca fez uma dos seus piores jogos no Benfica, com entradas a destempo e remates sem nexo. Lima não esteve em campo: o corpo estava mas a cabeça estava certamente noutro sítio. Jonas falhou o que não costuma e perdeu demasiadas bolas. Sálvio fez um jogo péssimo, agarrando-se à bola e insistindo no individualismo até ficar invariavelmente sem ela. Jardel fez faltas a mais. Ola John foi mediano e Eliseu não pode entrar na área em carrinho. Salvaram-se do marasmo Júlio César, Luisão, Maxi e Samaris. 

Jorge Jesus também não fez a melhor leitura do jogo. Não houve melhoras depois do intervalo e a equipa foi jogando progressivamente pior com o tempo. A saída de Samaris foi errada pois era ele quem estava a conseguir dar alguma coesão ao nosso meio campo e tapar os buracos, permitindo à equipa recuperar a bola mais depressa. Talisca já não devia estar em campo há muito e Derley deveria ter entrado mais cedo.

Ninguém é perfeito e portanto todos erramos de tempo a tempo. Acima de tudo o Benfica (como Jorge Jesus reconheceu) só não podia ter um resultado, que era a derrota. Com um empate teria ganho um ponto para o segundo classificado. A saída de Samaris foi até por este ponto de vista uma decisão errada do treinador.

Há agora que aprender com os erros e não os repetir. Dentro de duas jornadas o Benfica irá a Alvalade onde vai enfrentar um teste muito sério. Mais ainda do que no dragão. Os sportinguistas estão pela primeira vez em muitos anos em condições de poder vencer. Haverá ali muita vontade por parte de todos para o conseguir. E Marco Silva já mostrou que é um treinador competente e com estrutura mental para enfrentar os momentos mais delicados. No cenário de uma derrota, o Benfica fica com uma vantagem mínima de três pontos e animicamente muito debilitado numa altura em que faltarão ainda muitas jornadas para o fim do campeonato.

Tínhamos o campeonato praticamente na mão. Vencendo um jogo relativamente fácil como era o de ontem teríamos uma vantagem "à prova de bala". Assim estamos em risco de poder quase voltar à estaca zero. Não tenho dúvidas de que esta derrota abalou o grupo e a confiança que existia. Jorge Jesus e os jogadores terão agora que analisar os erros e perceber que sem concentração máxima não é possível ganhar os jogos. O Benfica terá que ser novamente humilde como começou o campeonato e abandonar a postura triunfalista que para já nos custou 3 importantes pontos. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Roubos de lamaçal

Depois de um clube - o único que não pode de árbitros - numa campanha despudorada e desclassificada (à imagem desse mesmo clube) ter vindo insinuar aleivosamente que o Benfica era beneficiado pela arbitragem, assistimos no sábado a mais uma vergonha, daquelas a que esse e sempre esse clube nos habituou nos últimos anos.

Em Penafiel o Porto venceu com três golos irregulares! Deve ser um caso raro no futebol mundial, mas bem apropriado ao clube da fruta e da mentira desportiva. Um clube sem nível e cada vez mais sem valores. Um clube do vale tudo.

Se os seus adeptos tivessem dignidade nunca teriam falado de arbitragens e muito menos teriam tido o mau gosto e a indecência de misturar Eusébio nessa cantilena, ridícula de tão desfazada da realidade. 

Estava à espera - leia-se a frase como um artifício de retórica - de assistir a uma vaga de indignação. Aí há umas jornadas atrás quando o Benfica terá sido beneficiado num jogo as televisões praticamente abriram os telejornais com o assunto e durante uma semana não se falou de outra coisa. Fizeram-se até teorias à volta do assunto. Desta vez, face ao inusitado de uma equipa ganhar com 3 golos irregulares o coro de indignação seria certamente a triplicar.

Mas, para meu não-espanto, os resumos passados nas televisões relativizavam a coisa. Falavam de um golo "contestado pelos da casa" e de outro golo "confuso". 

Prefiro não dizer muito mais porque gente desta merece ser chamada pelos nomes que melhor lhe assentam quando presta este tipo de serviço - indecente e descarado - ao público que é obrigado a ver estas televisões por não haver outras. Esta gente merece mas eu prefiro não usar essa linguagem, sobretudo quando escrevo.

Vou por isso atalhar e dizer que quando passei ontem pela TVI24 estava-se a falar - e a tentar fazer disso um caso - de Talisca e da respectiva expulsão. E esteve-se nisto por muito tempo. Não que eu tenha ouvido. Por uma questão de higiéne mental já me deixei de ouvir aquilo a não ser quando me encontro num humor peculiar e me apetece rir das barbaridades que se dizem. Ontem a televisão estava sem som. No entanto percebi pelas imagens o tempo que passaram a falar do (não) assunto. Era importante falar de coisas que desviassem o foco do que realmente aconteceu no fim de semana - um roubo de lamaçal em Penafiel e uma exibição de gala do Benfica nos Barreiros.

Eu já o escrevi aqui anteriormente e vou repetir. Há gente que - sem ser benfiquista - adormece e acorda a pensar no Benfica e chega a um ponto tal de obsessão que entra já no campo da doença mental.


Para eles temos um só caminho: continuar a fazer exibições como a de domingo. Continuar a ganhar e renovar o título. Voltar a ser o clube hegemónico do futebol português. E deixá-los a falar sozinhos.


NOTA 1: como tem vindo a ser assinalado noutros blogs, sobretudo neste, o jornal "A Bola" entrou por um caminho estranho no qual tanto parece temer dizer a verdade como não hesita em fazer primeiras páginas nas quais o Benfica é objectivamente atacado. Essa saga teve no domingo mais um episódio. O roubo de lamaçal transforma-se num "Jackson à prova de água" que se "adaptou bem" às condições do relvado. Comentários para quê?

NOTA 2: a "pergunta da semana" - DESTA SEMANA - de Rui Santos é algo do estilo "qual a razão para o Benfica estar na liderança? a) bom futebol b) arbitragens." É preciso dizer mais alguma coisa?

NOTA 3: não é de facto preciso dizer mais nada, mas para se ver como a coisa entra no campo do surreal, deve-se ainda recordar como há várias jornadas atrás se passaram horas de televisão a manifestar indignação pelo golo BEM VALIDADO do Benfica contra o Rio Ave porque o fiscal de linha de onde estava supostamente não podia ter visto. Portanto - concluíam no cúmulo da idiotice - o golo devia ter sido invalidado apesar de ser regular. Agora compare-se essa aberração mental com o tempo que se passou a falar dos golos manifestamente ilegais do Porto em Penafiel. E o que dizer do "caso Miguel Rosa" - um crime de lesa Pátria ! que ocupou a totalidade das conferências de imprensa do jogo - por comparação com o não caso-Quinones deste fim de semana (perfeitamente natural e não merecedor de qualquer referência).

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Perseverar no bom caminho

O Benfica conseguiu (mais) uma boa vitória e talvez a melhor exibição da época: segura, determinada, dominadora, com alguns períodos de bom futebol e três bolas aos postes para além dos três golos. Deu pouco espaço ao Guimarães que não dispôs de praticamente nenhuma oportunidade flagrante de golo. 

A vitória marca também um ano sem Eusébio e nessa medida foi igualmente mais um tributo e uma justa homenagem prestada ao King.

O Benfica tem feito as coisas bem, perante um cenário de previsível adversidade e grandes dificuldades que - até ao momento - não se têm manifestado. Tenho já insistido bastante (e não estou a dizer nada que não seja já sabido) que as saídas de pedras essenciais aumentaram as dificuldades e criaram um potencial de desestabilização. A aposta do Porto neste ano foi algo de inédito no futebol português, com um investimento milionário no seu plantel e a contratação de jogadores de grande qualidade. 

Por outro lado, não tenhamos dúvidas de que este Sporting é uma equipa ainda mais forte do que a do ano passado. Marco Silva é já, sem qualquer dúvida, um valor seguro. Um treinador que compreende muito bem o jogo e que manifesta bom senso apesar da juventude. Felizmente o Sporting perdeu muitos pontos na fase inicial pelo que a sua desvantagem será praticamente irrecuperável, mas a vitória de ontem já depois do último minuto de descontos mostra que eles não darão o campeonato por perdido até estarem matematicamente afastados do título.

Finalmente temos que estar preparados para as surpresas e armadilhas que tantas vezes nos lançam. Pinto da Costa e o seu Porto têm tentado de tudo nas últimas semanas para obter a ajuda e o favor dos árbitros com uma campanha sem escrúpulos e sem vergonha como já é habitual naquelas bandas. Por outro lado a inenarrável TVI24/mais futebol persiste no seu trilho pro-porto e anti-Benfica. Uma coisa que enjoa e chega ao ridículo: aqui há umas semanas, no golo de Lima contra o Belenenses Sousa Martins tentava à força encontrar faltas, ora fosse na cabeçada de Jardel ora na de Lima (que supostamente tinha sido com ... a mão!). É uma doença de que eles, coitados, não se conseguem libertar. Chega-se ao ridículo de serem os próprios fanáticos Eduardo Barroso e Manuel Serrão a dizerem que não há nada, pois dava ideia que a TVI iria passar as imagens ad infinutun, na esperança de que alguém descortinasse ali razões para dizer que o golo devia ter sido anulado e se passar o resto do programa a chorar e protestar pelo benefícios arbitrais de que o Benfica alegadamente beneficiaria. E quem diz esse jogo diz qualquer um do Benfica. Os nossos golos são para eles sempre "polémicos" ou duvidosos mesmo quando resultam de remates de fora da área.

Em síntese, nada está ganho e os perigos estão sempre à espreita.
Já na próxima jornada enfrentamos novo teste de elevado grau de dificuldade: o Marítimo nos Barreiros (derrota no jogo do ano passado). Seguidamente vamos a Paços, campo difícil sobretudo este ano que a equipa está a jogar um bom futebol. E depois da recepção ao Boavista iremos a Alvalade.

O calendário aperta e os nossos adversários sabem que este é o momento ideal para se aproximarem de nós na classificação. O Benfica precisa pois de continuar na actual senda e de encarar cada jogo com o máximo de seriedade. Enfim, o normal quando se quer campeão. Agora que um ou outro reforço poderiam ajudar, disso não tenho dúvidas. Fala-se de Muktar para o meio campo (jogador que desconheço em absoluto e que pelos vistos irá no imediato para a equipa B) e de um jovem avançado. Parece-me que nesta altura e com o campeonato a decorrer só jogadores com grandes rotinas e hábitos competitivos (para não dizer experientes) podem dar algo à equipa, trazer valor acrescentado. Veremos porém. Importante é mesmo manter o mesmo espírito competitivo e capacidade de entrega em todos os jogos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

(mais) Um novo começo

A saída de Enzo Perez abre mais um capítulo na "era Jorge Jesus": o treinador terá que mais uma vez formar um meio campo diferente. Este ano ainda por cima com a agravante de que a equipa não se encontrava ainda estabilizada. Desde a saída de Matic há um ano saíram ainda (falando apenas do meio campo) André Gomes e lesionaram-se Fedja e Rúben Amorim.

A última dupla de médios que actou com continuidade e estabeleceu rotinas claras de jogo foi a constituída por Matic e Enzo. Ela actou na época 2012-2013 e na primeira parte da época passada. Desde então houve uma rotação quase constante, com vários jogadores a ocuparem o lugar de Matic: Fedja, Rúben, André Gomes, André Almeida, Samaris e Cristante. A dada altura até o meio campo de três jogadores, com Rúben a ser o terceiro homem, foi ensaiado.

Com a saída de Enzo, perde-se a peça que assegurava a continuidade com aquele passado de relativa estabilidade nas posições. Jorge Jesus terá que de novo "inventar" e solidificar um meio campo, já com a época em andamento e com todas as contrariedades das lesões. Para já a solução parece ser Talisca e Samaris com o italiano Cristante a lutar ainda pelo seu espaço. O problema mais evidente desta solução é que se tratam de três jogadores que chegaram ao Benfica apenas no início de época. O lado mais positivo é que Talisca tem evidentemente muita qualidade e Samaris parece adaptar-se cada vez melhor.

Apesar de tudo apontar para que Talisca se consolide cada vez mais na posição 8, acredito que Jorge Jesus continuará a promover alguma rotatividade como fez até aqui, jogando o brasileiro quer nessa posição quer entre o meio campo e o ataque, como falso segundo ponta de lança. Isso aconteceu muitas vezes e pode continuar a acontecer tendo em atenção que Samaris se sente bem também no lugar 8. Com os regressos de Fedja e Rúben, que se espera e deseja que aconteçam em breve, haverá novas opções e a possibilidade de dotar o meio campo de uma maior consistência. Veremos como o nosso treinador as organiza.

Outra boa notícia é o regresso de Sílvio. Finalmente o Benfica está bem servido de laterais: Maxi (um modelo de profissionalismo para além da grande qualidade), Eliseu, André Almeida (outro grande profissional que está a demonstrar uma capacidade surpreendente mesmo na esquerda e cuja polivalência tanto nos tem valido) e Sílvio dão todas as garantias, havendo ainda Benito.

No centro da defesa as várias opções ensaiadas têm dado resultados positivos. Jardel tem melhorado muito, dando já garantias razoáveis, César tem crescido como jogador e Lisandro também, embora tenha já um nível de maturidade e experiência ligeiramente superior ao brasileiro.

O que é extraordinário neste Benfica é que, ou por saídas em relação às quais o clube pouco podia fazer, ou por lesões, a equipa tem sido praticamente reconstruída de ano para ano (e às vezes no mesmo ano), mantendo um nível de resultados muitíssimo positivo. 

O jogo de Penafiel então é particularmente paradigmático. Por via de lesões, castigos e saídas, Jorge Jesus não pode contar com 5 - cinco - habituais titulares: Eliseu, Luisão, Enzo, Samaris e Sálvio! Ou seja, não pode contar com 3 jogadores fundamentais do eixo central, para além de um dos seus melhores e mais influentes jogadores criativos e do lateral esquerdo titular. E apesar dessas contrariedades ganhou por 3-0. É algo que tem que ser reconhecido e apreciado.

O ano começou bem, o que é sempre bom mas há muito campeonato e muitas dificuldades pela frente. A vantagem de 6 pontos é boa mas não dá garantias de coisa nenhuma. O Benfica terá que continuar a consolidar processos e a ser realista na sua abordagem aos jogos, apostando na prata da casa e recuperando o mais rapidamente possível os lesionados. Será também importante os adeptos continuarem a apoiar a equipa e começarem a comparecer em maior número nos jogos na Luz.