quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Preparar o futuro vencendo no presente

Noite de regressos


O Benfica está mais uma vez na final da Taça da Liga, depois de uma vitória tranquila e que ficou muito facilitada pela expulsão de um jogador do Vitória de Setúbal no fim da primeira parte. Pela minha parte não concordo com a dupla penalização cartão vermelho e penalty, com a excepção das mãos que evitam que a bola entre na baliza. Aí sim há um golo que é impedido por uma acção ilegal e que portanto merece a dupla penalização, até porque o penalty pode ser falhado. Já em lances como o de ontem, que a lei determina que sejam puníveis com cartão vermelho, parece-me que o castigo é desproporcionado. 

Face à concretização do penalty por Talisca (que assim voltou aos golos) praticamente deixaram de existir dúvidas acerca do vencedor do jogo. Logo de seguida novo penalty, igualmente indiscutível, deu ainda mais tranquilidade ao Benfica. Um jogo que começara difícil, com uma entrada muito forte do Vitória de Setúbal, tornou-se assim fácil.

O destaque vai para o miúdo Gonçalo Guedes que foi talvez o melhor em campo e está a demonstrar que pode ser uma aposta consistente no futuro mas também para os vários regressos. Em primeiro lugar Rúben Amorim que não jogava há 6 meses e é um óptimo reforço para o final de época. Sílvio também fez um dos seus primeiros jogos esta época depois de grave lesão e Lisandro voltou também a ser titular, fazendo aliás uma boa exibição ao lado de Jardel.

O Benfica fez uma exibição q. b. numa noite fria e com pouco público nas bancadas. A falta de entrosamento notou-se na fase inicial do jogo assim como alguma falta de ritmo ou confiança por parte de alguns jogadores. Derley até teve um bom começo mas depois desapareceu do jogo e continuou a sua seca de golos. Talisca marcou como dissemos mas pouco fez de mais. Eliseu, Cristante e Pizzi estiveram razoavelmente bem. Ola John faz algumas jogadas e alguns bons centros mas na maior parte das vezes que tem a bola é inconsequente. Sálvio voltou a não ser feliz e Jonas picou o ponto.

Qual o problema da TVI24?


É um assunto recorrente neste blog, eu sei, mas de facto este canal chega a ser doentio na sua cobertura desportiva. A ligação do canal ao site maisfutebol (que pura e simplesmente deixei de visitar) é apenas mais um dos factos que faz com que a TVI24 pareça o canal oficial do anti-Benfica. Começa com Sousa Martins e depois são todos escolhidos a dedo: Manuel Queirós, um fanático portista, Pedro Sousa, que foi director de comunicação do Sporting, Eládio Paramés que apesar de ter ganho dinheiro no Benfica quando Mourinho lá passou é um "anti", agora José Manuel Freitas, que constantemente critica tudo o que é Benfica (chegou a dizer que Matic era um jogador medíocre) e ainda Dani e Vítor Baía. A única pessoa que me lembro que defende o Benfica naquele canal é o Pedro Ribeiro, entre vários sportinguistas como o Pedro Barbosa e Tomás Morais e portistas. A TVI24 até chega ao ponto de dar um tempo de antena de horas todas as manhãs a Fernando Correia que já se assumiu há muito e trabalha inclusivamente na SportingTV.

Ontem mais uma vez tentaram manipular a opinião pública. Custa-lhes muito ver o Benfica ganhar, eu entendo isso, mas há deveres mínimos de isenção (ou deveria haver) para quem está no ar a falar para centenas de milhares de pessoas. Um lance entre Lisando e Suk na área do Benfica, no qual as repetições tornam evidente que não existe absolutamente nada, nenhum movimento do jogador do Benfica para rasteirar ou agarrar o do Setúbal, no máximo há um toque entre os pés mas que até parece causado pelo avançado, é "transformado" pelos comentadores da TVI24 em "penalty e expulsão". De seguida Sousa Martins com um ar muito sério alvitra: "agora a questão que se coloca aqui é o que teria sido do jogo se o árbitro tivesse assinalado o penalty e expulso o jogador do Benfica". Sinceramente, o fanatismo anti-Benfica desta gente tolda-lhes a visão. Quando não me irrita até me dá gozo: é que isto só mostra quão desesperados eles ficam com as nossas vitórias.

Preparar o futuro


A Taça da Liga serve também para rodar jogadores e dar oportunidades aos menos usados. O Benfica sabe-o e tem-no feito. Ontem mais uma vez alguns jogadores não titulares habitualmente jogaram e na maior parte dos casos bem. O Benfica esta época, convém nunca o esquecer, iniciou o calendário oficial sem 5 titulares da época passada. E em Janeiro perdeu mais um (Enzo Perez). Nessa medida foi preciso ir buscar vários jogadores novos que têm feito o seu caminho de adaptação: Samaris, Talisca, Cristante, Pizzi, Derley, Eliseu, entre outros. Conseguir com essas contingências ir ganhando  e ainda conseguir lançar jogadores para o futuro (como Cristante, Gonçalo Guedes e até Pizzi) é o que se pede e que, excepção feita às competições europeias, se tem ido conseguindo. É continuar neste caminho. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sportinguismos...

É relativamente habitual o Sporting fazer muito barulho e muitos comunicados quando joga contra o Benfica.

Basta dizer que uma vez ameaçaram que não jogavam...


Também já nos habituaram ao ridículo, desde Bettencour e Dias Ferreira a cantar num palco de uma feira, a este mesmo Dias Ferreira a sair de uma mesa na SIC com o moderador a apelar "oh Dias Ferreira sente-se", até aos disparates do presidente que queria despedir o treinador e afinal diz agora que nada se passou.

A última é um comunicado onde se acusa o Benfica de tudo e mais alguma coisa e se apela a castigos. 

Deixem-me dizer que faixas alusivas à morte de seja quem for, em termos aparentemente congratulatórios, são algo de deplorável que ultrapassa todos os limites da decência. Ninguém bem formado deixa de condenar veementemente atitudes tão reles que roçam o limite inferior da humanidade. 

Pretender contudo confundir a acção de um conjunto de indivíduos (não sabemos quantos) num jogo de futsal com a posição dos sócios do Benfica em geral e dos seus órgãos dirigentes é porém algo que não colhe. 

Os sportinguistas têm todo o direito de estar chocados com essa tal tarja - eu também estou.  

Mas misturar isso com o resultado do jogo de futebol de Domingo, com considerações sobre a exibição do Benfica e uma série de outras questões, é misturar coisas que nada têm a ver umas com as outras e que sugere até que mais do que a indignação com a tarja, o que se passa é uma grande frustração e incapacidade de encaixar o resultado daquele jogo.

Para além disso, a indignação do Sporting parece um pouco parcial, porque houve em Alvalade - no estádio - faixas exibidas por adeptos do Sporting cujo conteúdo é pelo menos tão criticável como aquele (por exemplo sugerindo que os benfiquistas deveriam todos morrer). 

Em que ficamos? 

Outra coisa que as declarações e comunicados sportinguistas ignoram é que no jogo de Alvalade os adeptos do Sporting passaram grande parte do tempo a entoar palavrões e insultos ao Benfica ou que houve uma festa no estádio quando Maxi levou com uma bola na cara. Note-se bem: os adeptos do Sporting têm músicas inteiras dedicadas ao Benfica, com insultos, provocações e idiotices sem sentido. Algo que pelos vistos nada incomoda os dirigentes sportinguistas. E não falo das claques - falo da esmagadora maioria dos adeptos sportinguistas que estava no estádio e que cantava em coro que em cada lampião há um c... ou SLB filhos da ...

É preciso pois dizer uma outra coisa: ao passo que os comportamentos violentos, desviantes e doentios de alguns no Benfica são fortemente criticados e repudiados pela generalidade dos benfiquistas (talvez se possa, admito, fazer algo mais para os erradicar de vez, embora me pareça que terá que ser sobretudo a polícia a actuar), já no Sporting esses mesmos comportamentos parecem ser tolerados quando não aplaudidos. 

E demonstro num segundo o que afirmo: o incêndio ateado pelos seus adeptos na Luz (que não contentes ainda agrediram os bombeiros que o tentavam apagar) NÃO FOI CONDENADO POR NENHUM DIRIGENTE DO SPORTING. O máximo que disseram foi que "não se reviam" naquele comportamento". É esta gente que agora nos quer dar lições de moral? Tenham dó mas para esse peditório eu não dou. Vão dar lições de moral às vossas tias.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O anti-benfiquismo ao ataque

Tudo foi feito nas últimas semanas por uma parte muito grande da comunicação social para desestabilizar o Benfica. O aviso de Lucho González  de que para impedir o Benfica de ser campeão teria que se recorrer ao jogo sujo, fabricando histórias e historietas e tentando com manobras de fora do campo aquilo que não estão a conseguir lá dentro foi bem ouvido. Os ataques têm-se tornado cada vez mais desesperados e ferozes.

Primeiro foi a campanha à volta das arbitragens, com um coro de comentadores a garantir que o Benfica só ganhava os jogos graças aos árbitros e a exigir que os golos LEGAIS do Benfica fossem anulados quando os fiscais não estivessem na posição que eles achavam a correcta. No meio disso, Porto e Sporting beneficiaram de erros arbitrais, alguns dos quais flagrantes, em jogos que de outro modo poderiam ter sido muito complicados. Isto claro, com a cumplicidade absoluta da comunicação social que não acha nada de anormal num clube ganhar com três golos irregulares. Houve também o escândalo, o drama nacional que foi a não utilização de Miguel Rosa e Deyverson, sendo que pelo menos uma situação análoga com o Porto, ocorrida já depois, não mereceu nenhum comentário de ninguém. O que era gravíssimo e atentatório da verdade numa jornada passou a ser algo de completamente insignificante meia dúzia de jornadas depois.

Nos últimos dias perdeu-se a vergonha, em especial o "Record" que assumiu as suas cores com um ataque miserável a Artur. Nunca se tinha visto uma coisa parecida em termos de parcialidade tão declarada. Mas "A Bola" não está melhor. Na sua nova política de tentar agradar a gregos e troianos e distanciar-se da imagem de proximidade do Benfica, este jornal entrou na onda do anti-benfiquismo. Basta ver a capa de hoje: o golo de Jardel foi a taluda da sorte num jogo que o Sporting deveria ter ganho. Quando na primeira volta na Luz criamos pelo menos 10 oportunidades claras de golo e o Sporting só empatou devido a um bambúrrio (aí sim) também se falou em sorte grande? Tenham dó. E o que dizer dos "casos" das renovações dos contratos dos jogadores do Benfica e do seu treinador? Sempre a ocuparem páginas de jornais e minutos de conferências de imprensa. Nos outros clubes não há jogadores a precisar de renovar? É só no Benfica?

Na TVI os ataques (raivosos) ao Benfica começaram a ser cada vez mais declarados. Não que eu veja gente como Paramés, Queirós e afins - que parece escolhida a dedo. Mas que é um ninho de anti-Benfica, disso não tenhamos a mais pequena dúvida. E o que dizer de Fernando Correia que até já trabalha na SportingTV e continua a falar na estação dos big brothers como se fosse um comentador isento? E se passarmos para a vizinha de Carnaxide temos os inimigos fidalgais de Jorge Jesus, o "marreta" Ribeiro Cristóvão e o inefável Jorge Baptista para além de Rui Santos que nas últimas semanas também passou a alinhar pelo diapasão do anti-benfiquismo. Da RTPorto já temos falado e da SportTV então já nem vale a pena falar: desde a realização aos comentadores e repórteres cheira-se o azul e branco à distância. Ontem foi apenas mais um exemplo: é espantoso como os lances de ataque perigosos do Benfica interrompidos pelo árbitro ou pelos adversários em situações dúbias não mereceram uma única repetição ou comentário. Sinceramente começa a enjoar.

Os comentadores afectos ao Benfica que aparecem no espaço público têm que estar conscientes do que se está a passar (que tem todos os sinais de campanha orquestrada) e defender o clube com outro tipo de vigor. Que se deixem de querer passar por isentos e justos e assumam como defensores do nosso clube. Quanto aos benfiquistas "anónimos" também devem tirar ilações do que se está a passar e fazer uso do poder que têm, que é o de comprar ou não, visitar ou não, certos jornais em papel e online. Depois do que aconteceu, muito tempo terá que passar até eu me esquecer e voltar a clicar no site do "Record". É que há limites para tudo e claramente o anti-benfiquismo primário e o desespero desta gente está a leva-la a ultrapassa-los.

PS - A resposta de Jorge Jesus ao entrevistador da SportTV na flash interview foi "de letra": "Estamos muito preocupados por estar com 4 pontos de vantagem sobre o segundo".

Jardel - o grito do guerreiro

Jardel foi um durante algum tempo o patinho feio da defesa do Benfica. Com duplas como Luisão e David Luiz ou Luisão e Garay nos últimos anos, é natural que Jardel parecesse um jogador tosco e limitado. Mas a verdade é que Jorge Jesus sempre acreditou no jogador e o brasileiro tem uma atitude e uma mentalidade que o têm feito evoluir imenso e o colocam num patamar altíssimo: dá tudo, é corajoso, é leal e sente a camisola.

Ontem teve um dos seus momentos maiores no Benfica, marcando quando já praticamente só eles, os jogadores, acreditavam que ainda era possível. Foi mesmo na raça. Pela sua humildade e dedicação, poucos mereciam o golo como Jardel, especialmente da forma dramática como surgiu, nos últimos segundos do jogo. Depois de um jogo irrepreensível, o central fez um golaço à ponta de lança. Jardel mostrou que está presente e eu espero que este golo lhe dê ainda mais confiança para o que resta da época. A ele e a toda a equipa. Este campeonato está a ser uma guerra, uma guerra aberta e sem quartel não apenas por parte dos nossos rivais mas da esmagadora maioria da imprensa contra o Benfica. Isto é factual como demonstrarei no post seguinte. Para vencermos precisaremos mais do que nunca de união e de espírito. Como o que ontem demonstrámos. A raça e a alegria de Jardel no golo e o abraço da equipa a Artur no fim do jogo ficam como símbolos deste jogo e dessa atitude que nos distingue.

Era difícil fazer melhor

Não estava particularmente optimista para este jogo. O Benfica partiu para ele com problemas em todos os sectores: na defesa estava fragilizado pela lesão de Júlio César na jornada anterior ao derby, no meio campo há alguns jogos que o decréscimo de rendimento de Talisca tornara claro que nos faltava solidez no sector, no ataque a lesão de Gaitan e a atroz forma em que Sálvio se encontra desde o jogo de Paços tornavam-nos uma equipa com poucas soluções. Por outro lado, como aqui atempadamente referi, o Sporting é uma equipa muito à imagem do seu treinador, muito competente, muito objectiva e  muito determinada. Para além disso, a realidade é que neste momento tem mais soluções do que o Benfica, exceptuando a defesa. Basta dizer que o Sporting apresentou Nani e Carrillo nos corredores, tendo Capel no banco e ainda Mané que também pode jogar por ali. O Benfica que nos últimos anos teve um a abundância enorme de extremos teve que jogar em Alvalade com Ola John que sinceramente me parece muito fraquinho e sem nenhuma solução alternativa no banco. Acabou por entrar Talisca que mostrou que pode jogar por ali mas claramente não é um extremo. Aliás o banco do Benfica para além do baiano tinha apenas Derley em termos de opções ofensivas (Gonçalo Guedes é um jovem da formação que tem qualidade mas que ainda não é para estas andanças), o que é muito pouco.
 
Face a isto, Jorge Jesus, que este ano está a esticar a equipa até onde é possível, adoptou a estratégia mais adequada às realidades. O jogo foi muito fraquinho, é verdade, mas não é possível fazer muito mais. A realidade é que do outro lado estava uma equipa com mais soluções no meio campo e também no ataque, sobretudo nos flancos. Isto claro, contando apenas com os que podiam jogar. Se Gaitan estivesse em condições, a história seria outra. Mas não podendo contar com o mágico argentino, entregar as tarefas de ataque a um insipiente Ola John e um desinspirado Sálvio, que insiste no individualismo, não dava muitas garantias. Jesus privilegiou assim a segurança defensiva e colocou - muito bem a meu ver - André Almeida ao meio, no lugar de Talisca, recuando Jonas para fazer a ligação entre o meio campo e o ataque. Jogar com Talisca e Samaris contra o meio campo de 3 do Sporting seria a meu ver suicida. Já na véspera do jogo eu comentava com um amigo que estava quase seguro de que André Almeida seria titular. Jogou bem e limitou imenso o jogo do Sporting. Maxi foi gigante (como é hábito, fazendo calar aqueles que insistem em criticar um dos melhores profissionais que jamais envergou a camisola do Benfica) e Eliseu não comprometeu, como eu estava seguro de que não faria. O lance em Paços foi um acidente que acontece a qualquer um.
 
O jogo parecia encaminhar-se para o empate a zero com um Benfica pouco perigoso no ataque e o Sporting também a não conseguir estabelecer períodos de pressão contínua nem conseguir criar oportunidades flagrantes. Diga-se aliás que o árbitro anulou uma das jogadas mais perigosas do jogo, um lance em que Jonas tinha a bola dominada dentro da área do Sporting, sem que ninguém tenha percebido porquê e sem que a realização tivesse dado uma única repetição do lance. Aliás para arrumar já este assunto, sublinho que Jorge Sousa, como aliás já é habitual, fez um jogo com poucos erros técnicos (aí pode-se dizer que esteve relativamente bem, ficando porém essa grande dúvida no lance de Jonas) mas com um critério disciplinar no mínimo discutível. Realmente os amarelos dados a Eliseu e Maxi são completamente injustificados, ao passo que Adrien (como também já é hábito) escapou ao cartão apesar das fortes pancadas que deu.

O empate que parecia inevitável foi desfeito aos 87 minutos, num lance que resulta de um ressalto primeiro e de uma recarga depois de uma boa defesa de Artur. A célebre frase feita de que quem joga para o empate acaba por perder parecia ir-se confirmar. O Benfica apelou porém às suas últimas forças e conseguiu na determinação e na raça aquilo que não conseguira na qualidade técnica. Num estádio em delírio perante a possibilidade de vencer o Benfica muitos anos depois, contra uma equipa altamente moralizada por uma sequência grande de vitórias para o campeonato, a crença e o esforço dos nossos jogadores depois de sofrer um golo já nos últimos minutos  para irem "buscar" o empate é algo que merece ser relevado.
 
Foi o possível com as limitações que temos nesta altura face às diversas lesões e momento menos bom de forma de alguns jogadores. O que a equipa mostrou em termos de querer deixa-me antever um desfecho positivo para este campeonato. É importante referir que este era o ano em que o Porto ia cilindrar e em que até o Sporting nos ia ultrapassar. Com lesões de Rúben, Sálvio primeiro, Gaitan e Júlio César agora (além da situação de Fedja), a saída de Enzo em dezembro, não sei como seria possível fazer muito melhor. Recorde-se da época passada para esta saíram "apenas" Rodrigo, Cardozo, Markovic, André Gomes, Garay, Siqueira e Oblak. Estamos 4 pontos à frente do segundo e se conseguirmos restabelecer a confiança que se perdeu um pouco em Paços e recuperar os lesionados, dificilmente perderemos o campeonato.
 
Uma palavra final para Artur. O que lhe fizeram é indecente. Valeu tudo para tentar desestabilizar o nosso guarda-redes. Mais uma campanha infame, a juntar às novelas da renovação de Jorge Jesus, da de Maxi, etc, etc. Tudo tem valido para atacar o Benfica. Mas Artur ontem mostrou a sua classe e a sua personalidade e saiu, como ele disse, com a cabeça erguida. Artur que, recorde-se, defendeu um penalty no jogo de abertura do campeonato na Luz, permitindo que viéssemos a vencer esse jogo por 2-0. Ontem fez um par de excelentes defesas. Foi bonito ver os colegas abraçados. Estes são os valores do Benfica e se formos fiéis a eles estaremos sempre mais perto de vencer. O Benfica é indiscutivelmente não apenas o maior. O Benfica é o melhor clube de Portugal. Ontem, apesar de não termos vencido o jogo como desejávamos e como venceremos certamente em muitas outras ocasiões, mostrámos mais uma vez que somos melhores em pequenas coisas que significam muito.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Objectivo cumprido a caminho da primeira "final"

O Boavista quase não deu réplica ao Benfica tal a diferença de nível entre as equipas. Os 3-0 poderiam ter sido mais noutras circunstâncias. O importante era porém voltar a ganhar depois do deslize de Paços de Ferreira.

A propósito deste último e da grande exibição que foi fazer ao dragão, onde empatou por 5-0, devo dizer que só alguém muito desatento pode ter ficado surpreso. Não é preciso recordar o que se passou na última jornada do campeonato de há dois anos quando Josué comandou as tropas do Paços para perder o jogo contra a sua então futura (e actual ex) equipa. Paulo Fonseca foi um figurante nesse jogo que teve outro protagonista principal: Hugo Miguel que marcou penalty num lance em que James Rodrigues tropeçou em si próprio a um bom metro da área, expulsando o jogador do Paços na jogada. Eles são Porto. Para perceber o que se passou ontem bastava ter ouvido o programa "Grandes adeptos" na sua versão jogos dos grandes e ter ouvido a personalidade adepta do Paços: na realidade era um adepto do Porto encapotado, que sabia a história e o passado portista todo do jogador que por ter marcado um golo na semana passada ao Benfica se tornou no novo herói dos medíocres. Jogador que, pelos vistos, já tem contrato com o Porto para a próxima época (um Josué II). Podemos pois esperar que se levantem agora coros de indignação de todos os quadrantes, a começar nos repórteres na sala de imprensa e a acabar nos imbecis dos comentadores de programas da bola, clamando por um "atentado" à verdade desportiva. É que neste caso nem sequer é um jogador emprestado mas um jogador comprado. Mas é melhor esperarmos sentados. Desta vez não se falará de Estorilgate como não se falou há 15 dias de Penafielgate, como nós não falámos - ao contrário do que eles teriam feito - da originalidade de ter um 4º árbitro a assinalar penalties ao minuto 90. Não falámos porque de facto foi penalty e nós não gostamos de viver na mentira. Mas outros - canalhas sem coluna vertebral - ainda se permitem virar o caso ao contrário e dar este penalty - marcado - como exemplo da protecção dos árbitros ao Benfica por alegadamente o árbitro principal ter hesitado em o marcar. Como se alguém o tivesse obrigado! Esta é mais uma que entra para a história! Depois do golo que apesar de legal devia ter sido anulado pois o fiscal de linha de onde estava não podia ter visto (!) , agora é o penalty que apesar de ter sido marcado contra o Benfica ao minuto 90 demonstra como  os árbitros nos estão a levar ao colo. Repito, estamos perante uma canalha miserável e sem carácter!

Vem agora aí o grande derby. Será a primeira de duas finais. É evidente que o Benfica tem que pensar jogo a jogo mas não existem dúvidas de que estes dois jogos serão decisivos. Os nossos adversários precisam de ganhar os seus jogos contra nós para poderem aspirar ao título e se perderem ficam dele irremediavelmente afastados. 

O jogo com o Sporting será o mais difícil dos últimos anos. Há muito tempo que o Sporting não chegava a esta altura ainda com possibilidades de alcançar o título. Vem de uma sequência grande de vitórias, perdeu apenas um jogo no campeonato, empatou na Luz, ganhou no dragão para a taça e empatou para o campeonato e temos a noção de que é uma equipa competitiva em todos os jogos.  O balão da confiança está cheio como raramente esteve mas o seu treinador é um homem inteligente e com os pés bem assentes no chão. Antevejo um jogo muito difícil para o Benfica, no qual podemos ademais esperar ser prejudicados pela arbitragem. Há uma pressão diária do Sporting, do Porto e da comunicação social para que assim seja.

Só mesmo o melhor Benfica pode vencer o jogo em Alvalade. É verdade que o empate também pode ser um resultado válido (até porque Porto e Sporting ainda jogarão entre si) mas jogar para isso normalmente resulta em derrota. O Benfica terá que ser inteligente como foi no dragão mas fazendo bastante mais porque o Sporting nos vai colocar muitos problemas que o Porto não conseguiu. O nosso meio campo terá que estar muito forte, muito sereno e muito bem posicionado (e ter muito cuidado com os cartões) para que possamos controlar o jogo e marcar os seus ritmos. No ataque será precisa uma mobilidade e agressividade diferente do que se tem visto nos últimos jogos. Há que simplificar e ser muito objectivo. Jardel e Luisão terão que ter cuidado com os contactos dentro da área porque os avançados do Sporting vão passar o jogo à procura deles e ao mínimo pretexto o árbitro quererá assinalar penalties contra nós. 

Acredito que podemos conseguir o nosso objectivo se tivermos muita concentração, capacidade de trabalho e humildade quando o jogo exigir que cerremos fileiras atrás e defendamos a nossa baliza. Na frente precisamos de ser objectivos e letais, aproveitando todas as oportunidades para marcar. Precisamos de jogar sem medo, com confiança. 

Como digo acredito que é possível mas será muito difícil. Nesta fase temos muita coisa que corre contra nós. É bom que a equipa o entenda e que seja capaz de dar uma resposta à Benfica. Ganhando ao Sporting fica metade do trabalho feito. Este rival fica arredado da corrida. Fica depois a faltar o Porto. Mas do Lopetegui teremos tempo de tratar mais tarde.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quando se facilita é assim

O Benfica podia ontem ter praticamente resolvido o campeonato mas perdendo - e da forma que foi - deu novo alento não apenas ao Porto mas ao Sporting.

Tínhamos tudo a nosso favor: o descanso de saber que o 2º perdera o seu jogo, um adversário relativamente macio e um estádio repleto de adeptos. Tivemos inclusivamente uma arbitragem amiga que nos "deu" um penalty inexistente de mão beijada. As facilidades eram tantas que o Benfica, não habituado a estes cenários, se deslumbrou e resolveu complicar a sua própria vida.

O Paços assumiu uma atitude muto humilde e trabalhadora e foi - justamente - premiado. Com armas incomparavelmente mais modestas que as nossas, assumiu o seu estatuto de pequeno e esperou as suas oportunidades.

Claro que o Benfica teve oportunidades mais do que suficientes para ganhar. Três bolas nos ferros demonstram-no. Mas isso também o Porto teve na Madeira e nem por isso mereceu ganhar. Claro que um clube da dimensão de um Paços de Ferreira só pode ganhar ao Benfica tendo felicidade - mas essa sorte faz-se por se conquistar. E o Benfica ontem realmente não soube procurar a felicidade. 

Entrámos em campo com vontade de marcar cedo mas talvez  o penalty falhado e a bola no ferro logo a seguir tenham incutido nos jogadores a ideia de que talvez não fosse a sua noite porque depois dessas ocasiões a equipa pareceu perder muita confiança. Por outro lado o Paços fechava bem os caminhos no centro do terreno, ao passo que os jogadores do Benfica exageravam nos passes e tabelas, perdendo quase sempre a bola ainda antes de a tentar colocar na zona de finalização.

Claro que as coisas não passaram a estar todas mal de uma semana para a outra mas em jogos como este tudo o que está mal vem ao de cima e sobressai. Houve várias exibições muito abaixo dos "mínimos". Talisca fez uma dos seus piores jogos no Benfica, com entradas a destempo e remates sem nexo. Lima não esteve em campo: o corpo estava mas a cabeça estava certamente noutro sítio. Jonas falhou o que não costuma e perdeu demasiadas bolas. Sálvio fez um jogo péssimo, agarrando-se à bola e insistindo no individualismo até ficar invariavelmente sem ela. Jardel fez faltas a mais. Ola John foi mediano e Eliseu não pode entrar na área em carrinho. Salvaram-se do marasmo Júlio César, Luisão, Maxi e Samaris. 

Jorge Jesus também não fez a melhor leitura do jogo. Não houve melhoras depois do intervalo e a equipa foi jogando progressivamente pior com o tempo. A saída de Samaris foi errada pois era ele quem estava a conseguir dar alguma coesão ao nosso meio campo e tapar os buracos, permitindo à equipa recuperar a bola mais depressa. Talisca já não devia estar em campo há muito e Derley deveria ter entrado mais cedo.

Ninguém é perfeito e portanto todos erramos de tempo a tempo. Acima de tudo o Benfica (como Jorge Jesus reconheceu) só não podia ter um resultado, que era a derrota. Com um empate teria ganho um ponto para o segundo classificado. A saída de Samaris foi até por este ponto de vista uma decisão errada do treinador.

Há agora que aprender com os erros e não os repetir. Dentro de duas jornadas o Benfica irá a Alvalade onde vai enfrentar um teste muito sério. Mais ainda do que no dragão. Os sportinguistas estão pela primeira vez em muitos anos em condições de poder vencer. Haverá ali muita vontade por parte de todos para o conseguir. E Marco Silva já mostrou que é um treinador competente e com estrutura mental para enfrentar os momentos mais delicados. No cenário de uma derrota, o Benfica fica com uma vantagem mínima de três pontos e animicamente muito debilitado numa altura em que faltarão ainda muitas jornadas para o fim do campeonato.

Tínhamos o campeonato praticamente na mão. Vencendo um jogo relativamente fácil como era o de ontem teríamos uma vantagem "à prova de bala". Assim estamos em risco de poder quase voltar à estaca zero. Não tenho dúvidas de que esta derrota abalou o grupo e a confiança que existia. Jorge Jesus e os jogadores terão agora que analisar os erros e perceber que sem concentração máxima não é possível ganhar os jogos. O Benfica terá que ser novamente humilde como começou o campeonato e abandonar a postura triunfalista que para já nos custou 3 importantes pontos.