quarta-feira, 8 de abril de 2015

Calendário estranho

Há célebre história do professor universitário que ao avaliar  do aluno lhe diz: "o seu trabalho tem ideias boas e ideias originais". O problema é que as ideias boas não são originais e as originais não são boas.

O futebol português tem ideias originais - muito más - e nem sequer consegue copiar as ideias boas.

Uma das originalidades do futeluso é a calendarização das provas. Por razões que ninguém entende começamos a época em pleno Agosto, quando toda a gente está de férias e o calor é insuportável. Em Espanha e Itália, onde os climas e a cultura são semelhantes, o campeonato (com mais equipas) começa uma ou duas semanas depois do nosso. Nós imitamos porém o calendário dos países nórdicos, esquecendo o "pormenor" de que ali não se joga durante Dezembro. Depois interrompemos o campeonato sucessivamente em setembro, outubro, novembro e dezembro, chegando o mesmo a parar por 3 semanas (!), seja para jogar competições a eliminar, seja por causa das provas das seleções. Com essas paragens constantes e prolongadas retira-se continuidade e fluência à competição. 

Mas sem dúvida que o mais extraordinário do calendário futebolístico português é o agendamento das taças. Em vez de se jogar em datas pre-estabelecidas, durante a semana, estas jogam-se quer à semana, quer ao fim-de-semana, aparentemente quando calha. Mas se isso não bastasse, há equipas a jogar a primeira mão de uma meia final da Taça de Portugal na véspera de outras jogarem a segunda! O mesmo se passa na Taça da Liga na qual o Benfica há muito que é finalista e só na passada semana conheceu o seu adversário. Isto não faz qualquer sentido e cria situações de desigualdade entre os clubes, bem como um caos e anarquia na estrutura das competições que não convêm a ninguém. 


Falta de vergonha

O assunto já aqui e noutros blogs foi referido por mais do que uma vez, por isso não vou perder muito tempo com ele. Em todo o caso é impossível não reparar como casos gravíssimos quando envolvem o Benfica deixam de existir quando acontecem com o Porto.  Se após o jogo com o Belenenses na Luz praticamente não se falou em mais nada na conferência de imprensa senão no "desaparecimento" de Deyverson e Miguel Rosa, porque razão não se falou da ausência de Tozé (jogador que até marcou na jornada anterior) contra o Porto? Admitimos que Kléber estivesse mesmo lesionado (tanto mais que não jogou na jornada anterior por essa razão) mas quanto a Tozé não há notícia disso. Então o que era gravíssimo e um "atentado à verdade desportiva" num caso já não tem importância nenhuma noutro?Isto é um sintoma da imbecilidade e corrupção moral de grande parte da nossa comunicação social.

Por outro lado, existem 2 golos do Porto manifestamente ilegais e um duvidoso. Se fosse o Benfica a vencer dessa forma, não tenho a mínima dúvida de que esse seria o foco de todas as análises ao jogo nos programas de comentários. Assim foram notas de rodapé. 

Deixo ainda uma outra nota que me parece pertinente: de quanto seria o prémio de jogo do Rio Ave ontem? É que se estava a disputar a primeira parte de um acesso à final do Jamor. Certamente que esta seria a grande prioridade do clube nesta fase final da época. Mas isto sou eu a dizer, seguindo aquilo que me parece uma lógica evidente nas coisas. Provavelmente haverá outros factores em jogo que eu desconheço e pesam mais do que as razões objectivas que todos podemos observar e ponderar. Em todo o caso não temos que esperar muito para que as coisas se elucidem um pouco mais. Se já daqui a três dias o clube - independentemente do resultado - mostrar a atitude que mostrou contra o Benfica e fizer o possível para obter um bom resultado, eu serei levado a crer que estamos perante uma equipa que faz o possível e que provavelmente joga melhor em casa do que fora e a quem o jogo de Braga correu mal. Caso contrário, caso se assista a uma exibição ao nível da de ontem, eu serei obrigado a concluir que para o Rio Ave a sua grande prioridade para o fim de época foi o jogo com o Benfica. E isso, não podendo ser considerado normal, levanta questões que merecem de uma vez por todas ser investigadas - em nome da tal "verdade desportiva". 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Algumas notas soltas

Benfica-Nacional


Mais uma grande exibição com um futebol pressionante, criativo e vistoso que podia ter dado uma goleada. Valeu porém apenas 3 pontos e não justifica embandeirar em arco. Se as coisas correrem como é de esperar e o Porto ganhar em casa ao Estoril, para a semana estaremos de novo obrigados a vencer e na seguinte idem. Só então, verificando-se esses resultados, estaremos "autorizados" a empatar um jogo, o clássico com o Porto. Em campeonatos tão desequilibrados como o nosso é assim que as coisas são. O que é fundamental é não repetir até ao fim do campeonato prestações como a de Paços ou Vila do Conde.

Jonas (e Lima)


Voltou a facturar e a mostrar toda a sua classe. No entanto também aqui há que sublinhar que não se deve embandeirar em arco. O jogador está de facto a superar expectativas mas por outro lado está a fazer o que lhe é pedido e o que dele se espera que é marcar golos. Esperemos que assim continue até ao fim do campeonato, porque a veia goleadora dos avançados normalmente é um bom sinal para uma equipa que deseja ser campeã. Lima não tem sido tão exuberante mas também tem marcado golos importantes (apesar de um ou outro falhanço nalguns jogos que acabaram por redundar em derrotas, importa recordar que foi ele que marcou os dois golos decisivos no dragão). Que ambos continuem em grande.

Calendário


O Benfica recebe para a semana a Académica e depois disso vai ao Restelo. São os jogos que faltam até receber o Porto. Este recebe agora o Estoril, depois vai a Vila do Conde e finalmente recebe a Académica antes de ir à Luz. Joga para a Champions com o Bayern entre os jogos com o Rio Ave e a Académica (1ª mão) e depois deste e antes da visita a Lisboa. 

Danilo

A venda de Danilo deixou-me espantado. Cheguei a pensar que fosse mentira de 1 de Abril. Trata-se de um grande negócio para o Porto e um enorme barrete para o Real Madrid. Em primeiro lugar porque me parece difícil que qualquer lateral possa valer esses montantes (só um fenómeno como Roberto Carlos), em segundo porque Danilo apesar de ser um bom jogador está muito longe de ser um fora de série. Tenho pois alguma dificuldade em perceber este negócio, sobretudo no actual momento da economia mundial, no qual os clubes começam a ter mais cuidados e tendo em consideração os barretes que o Real já levou do Porto, nomeadamente o célebre Secretário. Mas no Real Madrid pelos vistos há um poço de petróleo que dá para tudo...

quarta-feira, 25 de março de 2015

Chega! Exige-se concentração total.

Há várias semanas atrás, disse aqui que não voltava a falar de arbitragens. 
Penso que é chegada a altura do Benfica e os benfiquistas fazerem o mesmo e concentrarmo-nos - todos - única e exclusivamente em jogar e ganhar os nossos jogos.

Eu estou-me marimbando para Lopetegui e o seu discurso semanal. Por mim pode ficar até ao fim da última jornada a lamentar-se das arbitragens. É sinal que está atrás. É para o lado que eu durmo melhor!

Chegou a hora do Benfica deixar de dar troco ao basco que não tem qualquer autoridade para falar do assunto ou fazer considerações e apreciações acerca do futebol português como um todo. Deixem-no a falar sozinho. Até é ridículo o Benfica estar-se a justificar e a defender o mérito da sua liderança.

Está na hora do Benfica se voltar a concentrar a 100% no campeonato e em cada jogo jornada a jornada, abandonando ideias de triunfalismos, de ondas vermelhas, etc, etc. E acima de tudo não se preocupando minimamente com o que o que pensem ou deixem de pensar os outros, os inimigos do Benfica.

É essencial ganhar o campeonato, é absolutamente essencial o Benfica ser bicampeão. Tudo o resto é acessório, irrisório mesmo, perante esse objectivo tão importante. Esse tem que ser o único pensamento dos jogadores ao entrar em campo que têm que ter mais vontade de ganhar do que qualquer outro adversário. É isso que se deseja e é isso que se exige aos profissionais do Benfica. A festa e os elogios vêm depois, só depois de ganhar, só depois de cortar a meta em primeiro. Esse tem que ser o único pensamento na mente de todos neste momento. 


PS - muito menos é hora de bravatas, de bazófias. Ainda não ganhámos nada. Jorge Jesus não tem muito jeito para falar mas tem ainda menos para jogos psicológicos. É bom, pois, que lhe seja feito ver que tem é que se concentrar em treinar e preparar os jogos e não em dar troco a quem não o merece e preocupar-se com coisas que não interessam nada.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Hora de acordar

O Benfica perdeu de forma justa e por culpa própria um jogo em que não percebeu o que se estava a passar.

De facto pouco depois do golo madrugador e sobretudo a partir do início da segunda parte comecei a pensar que o jogo se estava a tornar muito perigoso para o Benfica.

Pela terceira vez esta época o Benfica perde jogos em que foi superior ao seu adversário em posse de bola e ataques. Duas dessas três derrotas surgiram no tempo de descontos, duas delas depois de termos estado em vantagem no marcador muito cedo no jogo.

Todos têm que perceber as lições destas derrotas, parecidíssimas entre si. Jorge Jesus tem mais uma vez que aceitar que, apesar de todas as qualidades, não tem sempre razão. 

Os sinais do jogo apontavam exactamente para o que aconteceu, sobretudo a partir da bola ao poste. O Benfica deixou que um jogo no qual estava em vantagem se tornasse um jogo partido, no qual a bola passava quase diretamente das defesas para o ataque. Era a altura para ter mais um médio em campo, era altura para controlar o jogo de outro modo. Isto até porque Samaris não foi desta vez particularmente feliz. Depois da entrada de Diego, percebeu-se que o Benfica tinha que ter outra cobertura defensiva.

Por outro lado, foi desde o início patente que o Rio Ave apostava sobretudo nas bolas nas costas dos nossos defesas, explorando a velocidade dos seus avançados. Ora isto para mim torna ainda mais incompreensível as exigências de JJ para que a defesa subisse. Como isto foi uma má ideia é algo que ficou demonstrado na expulsão de Luisão. Mas havia já o caso de Eliseu que estava em manifesta inferioridade física (depois de uma entrada violenta de Ukra que não valeu qualquer sanção disciplinar por parte do árbitro) e a quem JJ exigia o que o jogador não podia dar quando o que devia ter feito era substitui-lo. 

Felizmente o Porto acusou a pressão não conseguiu ganhar o seu jogo e a situação praticamente não se alterou. Continuamos na frente e em vantagem no confronto directo. 

Na verdade e olhando agora para o lado positivo das coisas, esta jornada pode marcar uma viragem definitiva para a conquista do campeonato por parte do Benfica. Desde Paços que estamos em perda: tivemos oportunidade de "matar" o campeonato, pois o Porto perdera antes na Madeira com o Marítimo, e baqueámos. O Porto sentiu que era a sua oportunidade e venceu uma série de jogos. Desta vez passou-se o contrário: o Porto poderia ter diminuído a desvantagem para um ponto (colocando a liderança à distância de uma imaginada vitória na Luz) e deixou fugir a oportunidade. O Porto sabe agora que caso não haja mais escorregadelas entrará na Luz a ter que vencer por 3-0 para subir à liderança... Ora acrescentando a isso o facto de terem a caminho uma eliminatória da Champions com o Bayern, a sua situação não é famosa. A pressão está agora sobre eles.

Quanto ao Benfica espero sinceramente que todos tenham aprendido a lição que eu achava já sabida na ponta da língua: para ganhar os jogos é preciso nunca "desligar", é preciso ter sempre a noção que contra nós os adversários dão tudo e é preciso ter espírito "matador". Não tenham pena dos adversários que eles também não têm pena de nós. Depois também é preciso ter realismo e capacidade de sofrimento para conservar as vantagens importantes quando não é possível dilatá-las. 


quinta-feira, 19 de março de 2015

Convocatória fraca

Fernando Santos não pode inventar jogadores, tem que convocar entre os existentes.

No entanto parece-me que as escolhas deixam muito a desejar. Muito em particular e sem ter nada contra os atletas em questão, Bosingwa, Éder e Hugo Almeida parecem-me escolhas absurdas. Se Éder nem no Braga consegue ser titular, se Hugo Almeida praticamente nem clube consegue obter, se Bosingwa joga (e pouco) num campeonato e numa equipa de 3ª linha, como é possível estarem na selecção? Estão pouco acima da mediocridade...

Para além destes, há demasiados jogadores medianos. Nunca gostei de ver Danny na selecção por exemplo. 

Face a essa fragilidade estranham-se algumas ausências, nomeadamente de Pizzi que já vem sendo titular há várias semanas no campeão e líder do campeonato.

Valores portugueses precisam-se urgentemente. 

Entretanto recordo que há um outro português titular do Benfica. Deixo apenas uma pista: é ponta de lança e marca muitos golos. Se jogasse noutro(s) clube(s) possivelmente haveria campanhas diárias para que fosse convocado mas assim... Eu nem sou favorável a naturalizações mas essa é uma realidade presente por todo o lado e até no nosso País. 



Liga dos campeões decepcionante

A Liga dos Campeões tem sido uma galinha dos ovos de ouro para a UEFA, a qual continua por isso a explorar o formato à exaustão, tornando-o menos atractivo para os espectadores. 
Depois de ter sido tentado um esquema de competição que contemplava duas fases de grupos, solução ridícula que obviamente não durou, é agora a vez de se fazer arrastar uma eliminatória por 5 semanas, como foi o caso destes oitavos de final. A intenção é clara: mais transmissões televisivas e mais receitas. Se os jogos fossem como antigamente todos no mesmo dia, as televisões teriam que optar por um e portanto as receitas seriam menores. No entanto este arrastar no tempo não faz qualquer sentido futebolisticamente e acaba por banalizar os jogos desta competição, retirando parte do encanto das "noites europeias".

Este ano deparamo-nos com outro aspecto decepcionante que é o da falta de qualidade das equipas: o United, um dos grandes desta competição, não se qualificou, o Chelsea está eliminado depois de uma prestação ridícula, o Real Madrid passou in extremis depois de perder em casa por uns inexplicáveis 3-4 contra uma equipa fraca, como é o Shalke, Arsenal e City também saíram de prova. Penso mesmo que deve ser a primeira vez em muitos anos que não há uma única equipa inglesa nos quartos de final. Para além disso temos um Atlético de Madrid desenxabido e um Mónaco ultra defensivo nos quartos. O Porto teve evidentemente todo o mérito na forma como se qualificou, mas a verdade é que ainda não defrontou uma única equipa de qualidade, o que não deixa de ser espantoso, tendo em atenção quão avançada a competição já vai. Só lhe falta de facto apanhar o Mónaco nos quartos.

Penso que as equipas favoritas neste momento são o Barcelona e o Bayern, duas equipas com a marca de Guardiola. De facto o melhor Barcelona é aquele que faz recordar o super-Barcelona de há uns anos, treinado por Guardiola, ao passo que o Bayern foi elevado a um novo patamar com a chegada deste grande treinador espanhol. Ao contrário de Mourinho, Guardiola aposta no futebol e na qualidade de jogo, proporcionando grandes espectáculos. 

Outras equipas a rever serão a Juventus e o PSG, para verificar se confirmam as boas indicações que deixaram nos oitavos (sobretudo na segunda mão) ou se ficam por aqui.

Uma coisa é certa: este ano a competição está a desiludir em virtude um rendimento desapontante de algumas das maiores equipas europeias. Dito de outra forma, é um bom ano para uma equipa não favorita poder ir longe na competição. Em todo o caso penso que no final prevalecerá a "lógica" do favoritismo e um dos grandes "tubarões" voltará a conquistar o troféu.