segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Medo do Sporting? Não me envergonhem...

As declarações de Rui Vitória no fim do jogo falando em "receio" da equipa ao entrar em campo são completamente inaceitáveis.

Jorge Jesus expressa-se mal, dá erros grosseiros de Português e não raro desrespeita os seus colegas, como foi o caso de Manuel Machado ou agora Rui Vitória. Mas de uma coisa não existem já dúvidas: Jorge Jesus é muito competente como treinador. Ao contrário do que alguns iluminados e "adiantados mentais" tentaram fazer crer, JJ não é um treinador banal que ganhou apenas porque tinha plantéis de sonho. JJ ganhou porque elevou muito o rendimento dos jogadores do Benfica, de tal forma que jogadores anteriormente considerados banais chegaram aos maiores da Europa.
 
Uma das coisas que os detractores de Jorge Jesus alegavam é que nos jogos grandes este "inventava" e que era tacticamente batido por qualquer treinador que soubesse um mínimo da poda. Li e ouvi isto várias vezes ao longo destes anos. Também ouvi dizer que com os plantéis que ele tinha qualquer um minimamente competente venceria e que Rui Vitória, por exemplo, tinha muito mais mérito por aquilo que conseguia fazer com recursos mínimos no Guimarães.
 
Ontem estas teses começaram a ser desmontadas para mal dos benfiquistas. A estrutura evidentemente não ganhou o jogo e Rui Vitória foi batido em toda a linha por Jorge Jesus.
 
O que mais me desiludiu ontem em Rui Vitória foi perceber que ele se deixou condicionar pelo discurso de Jorge Jesus e que caiu como um patinho na sua esparrela. JJ passou a semana a provocar, dizendo que o Benfica era uma equipa à sua imagem, na esperança de que Vitória se deixasse influenciar e inventasse, como veio efetivamente a fazer. Vitória quis surpreender apenas para provar que o seu Benfica não era o Benfica de JJ. Os resultados foram desastrosos. As "surpresas" começaram com o duplo pivot Fedja e Samaris. Eu não sou à partida contra esta solução, até acho que o Benfica terá que evoluir para um sistema no qual o meio campo tenha outro tipo de ocupação. Mas achará Vitória que é num jogo que decide um título que se vai experimentar um sistema que nunca foi ensaiado anteriormente? Isto é um erro de principiante.
 
Depois Vitória deu a titularidade a Sílvio, que foi medíocre, parecendo querer provar novamente o seu distanciamento em relação a JJ que apostava em Eliseu, o que tantos "iluminados" criticavam asperamente. Quanto ao mau rendimento de Talisca já não o imputo tanto ao treinador, mas a verdade é que quando se mexe tanto e não existem rotinas se torna mais difícil aos jogadores com funções de ligar o jogo desempenharem a sua missão com sucesso. Quanto a Ola John prefiro já nem dizer nada.
 
Vitória passou a pré-época a dizer - e bem - que havia que manter as coisas boas e aos poucos ir introduzindo o seu cunho. JJ fez um joguinho psicológico acusando-o de não ter ideias e Vitória altera tudo à pressa com os resultados que se viram. E não me venham dizer que "só" perdemos por 1-0 e que até podíamos ter empatado! Só me faltava agora que os benfiquistas se contentassem em perder por poucos com o Sporting... A época já começou, não há desculpas.

Acima de tudo, o que me preocupa é que Rui Vitória demonstrou pouca personalidade e ser influenciável, algo que é fatal num líder. A seu favor tem a atenuante de nunca ter estado nestas funções - de uma exigência e dificuldade que nenhum de nós consegue sequer imaginar. Só os políticos - e de um modo diferente - estão expostos a este nível de pressão e stress. Mas essa é a realidade do futebol. O futebol - a este nível - não é para moles, nem para pessoas hesitantes ou inseguras.
 
No fim do jogo, Rui Vitória cometeu ainda outro erro grave. Disse que a equipa entrou "receosa". Mas o que é isto? O Benfica agora entra em campo com medo do Sporting? Se isso é verdade (e é o próprio treinador quem o diz) de quem é a responsabilidade disso? Não é uma equipa a imagem do seu treinador?
 
Vitória perdeu o primeiro título - o mais fácil de ganhar porque depende apenas de um jogo. Mas para além disso queimou muitos cartuchos de uma só vez. Tenho a certeza absoluta que a desconfiança dos benfiquistas em relação à sua capacidade é agora generalizada. E isto ao fim de apenas um jogo oficial. É bom que a tal estrutura abra bem os olhos.

Jonas dá chapada a JJ

Depois da palmada que deu a Jonas em campo (e que tentou disfarçar depois com uma simulação de cumprimento) JJ teve a resposta que merecia: Jonas deu-lhe uma violenta palmada nas costas já à saída do estádio, à porta do autocarro do Sporting.
A história parece inventada mas é relatada pela Rádio Renascença que terá presenciado a cena:
 
 
Jonas terá ainda dito, de dedo em riste: tem respeito pelos jogadores do Benfica!
 
Devo dizer que louvo Jonas pela sua atitude.

Mau começo e sinais preocupantes

Já se sabia que a presente época ia trazer dificuldades acrescidas. Sabia-se que Rui Vitória precisaria de algum tempo para conseguir aplicar as suas ideias. No entanto perder, especialmente com o Sporting e com o Porto, é sempre mau e numa final ainda pior.

Por outro lado, verifica-se que nesta fase o Benfica está ainda num estágio atrasado de preparação - e a época já começou. Há lacunas no plantel que aqui assinalámos e que - sublinhe-se bem - serão (muito) agravadas se Gaitan for vendido. Mas para além disso, parece-me que o iniciar o jogo de hoje com um sistema de jogo (o 4-2-3-1) que não foi preparado na pré-época não foi uma boa ideia.
 
O Benfica fez um jogo fraco, sem ideias claras, sem agressividade, muito passivo. Não conseguiu manter a posse de bola por mais de alguns segundos seguidos e não conseguiu trocar mais de 3 ou 4 passes consecutivos. Não se percebeu qual o plano de jogo.
 
Para mim é difícil identificar algum aspecto positivo neste jogo. Uma ilação podemos porém tirar: é que as estruturas não ganham jogos, como eu sempre suspeitei. Veremos se a estrutura do Benfica consegue porém dar ao treinador a estabilidade e os recursos necessários para enfrentar os desafios que se avizinham. A liderança da equipa em termos estratégicos e tácticos caberá porém a Rui Vitória. A primeira impressão em relação ao seu trabalho não foi boa, como o próprio reconheceu. Esperemos que a última o seja. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

NI Red Bulls-Benfica e avaliação da pré-época

Já anteriormente escrevi acerca das necessidades que a meu ver o plantel do Benfica apresenta em termos de contratações. Com a saída de Lima acentua-se ainda mais a carência no sector ofensivo. Jonathan é um jogador com algum potencial mas que não me parece capaz de assumir a responsabilidade de ser avançado titular no Benfica. Mas o jogo de ontem trouxe outros aspectos que importa analisar sem afunilar já a discussão para o problema das contratações.

Em primeiro lugar devo dizer que gostei da exibição da equipa e de ver vários jogadores. O resultado é negativo mas quem tenha visto o jogo sabe que dificilmente ele expressa o domínio da partida. Durante a maior parte do tempo o Benfica foi melhor e onde esteve menos bem foi na finalização. Os golos dos NY Red Bulls resultam de uma falha de Luisão que isola o avançado adversário à frente do guarda-redes (o titular de ontem foi Ederson) e de um momento de génio de um jogador da equipa americana. Para além disso os nova iorquinos pouco fizeram, depois de na passada semana terem imposto um 4-2 ao Chelsea. Já o Benfica teve diversas oportunidades, nalguns casos desaproveitadas, noutros paradas com mérito pelo guarda-redes e defesas adversários. 

O aspecto a relevar mais do jogo talvez seja a boa dinâmica da equipa e a sua capacidade de posse de bola, num esquema que apresentou apenas um avançado de raiz. Jogaram Samaris e Pizzi no meio com Ola John e Carcela nas alas e Tarbaat no apoio a Jonathan. Na segunda parte jogou Jonas com o apoio de Duricic. Trata-se de uma alteração táctica importante e que me parece inevitável. A solução dos dois pontas de lança estará eventualmente presente em jogos do campeonato em casa mas penso que realmente é quase impossível jogar contra equipas de nível de Champions League, sobretudo fora, com dois pontas de lança e apenas dois homens no "miolo" do meio campo a ter que fazer todas as despesas de cobertura e recuperação de bola naquele sector. Nos últimos anos tivemos grandes jogadores (Matic, Enzo) que permitiram um pouco esse tipo de futebol mas mesmo assim temos que reconhecer que os resultados na Champions ficaram sempre aquém do desejado, parcialmente por causa disso. Com um elemento de ligação como Tarbaat ou Djuricic (embora tenha ficado demostrado que neste momento nenhum deles apresenta condição física suficiente - Tarbaat continua com peso a mais e Djuricic precisa de ganhar mais força) as coisas podem-se tornar mais equilibradas e o futebol mais ligado. 

Gostei de ver as combinações atacantes e os passes em progressão e fiquei muito agradado com Carcela e Nélson Semedo. O primeiro mostrou realmente muito futebol (visão, técnica, sentido de baliza) e o segundo foi uma completa surpresa. O jovem mostrou velocidade, sentido posicional e maturidade. Esperemos que estas boas indicações possam ser confirmadas ao longo da época. Ola John continua o mesmo: algumas arrancadas interessantes, alguns bons apontamentos e lances de perigo mas muita inconstância, muito alheamento do jogo. Já falámos de Tarbaat que também mostrou ter bons pés e capacidade mas que precisa de trabalhar mais para poder ser uma opção consistente. 

Quanto a jogadores já firmados no clube, Samaris mostrou a mostrar ser uma peça imprescindível e um jogador que dá imensas garantias, ao passo que Lisandro também me parece cada vez mais um central maduro e com muita qualidade. Quanto a Talisca, a qualidade é muita, disso não tenham dúvidas. A questão é: qual a posição onde poderá render mais? Rui Vitória precisará ainda de algum tempo para o perceber, mas tempo é coisa que começa a escassear...

Em suma, os maus resultados pouco ou nada significam nesta fase. Parece-me que a equipa está a progredir mas também não deixa de ser verdade que falta já muito pouco tempo para o jogo da Supertaça - que evidentemente é para ganhar. Em termos de plantel, face à lesão de Sálvio, é imprescindível que Gaitan fique. No ataque será importante assegurar um substituto para Lima. Com muita pena minha, parece-me que Nélson Oliveira mais uma vez não se conseguirá afirmar. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Geração Anti-Benfica - basta!

É espantoso que o blog mais visitado pelos benfiquistas seja precisamente aquele que passa a vida a atacar toda a estrutura do Benfica e a fazer o jogo dos adversários do Benfica.

É evidente que a direção do Benfica, como os técnicos e os próprios jogadores cometeram erros ao longo dos últimos anos. Errar faz parte da condição humana. Só Deus não se engana e mesmo assim há quem duvide até da sua existência.

Neste blog já critiquei muitas vezes LFV, algumas delas de forma justa outras de forma injusta. Porque eu também erro, como todos os outros.


Agora mover uma perseguição permanente, atacando diariamente o presidente do Benfica por uma coisa e o seu contrário é algo que não cabe na cabeça de nenhum benfiquista que queira o bem do seu clube. As vitórias do clube são no blog "Geração Benfica" meras notas de rodapé, no meio de um dilúvio de delírios acerca de tudo e coisa nenhuma.


Os autores desses posts querem-nos convencer de que eles é que têm a estratégia certa e eles é que seriam as pessoas certas para dirigir o Benfica. Benfica que, recorde-se, estava falido quando Vale e Azevedo de lá saiu. Benfica que, recorde-se nada ganhava desde Damásio. Benfica que, recorde-se, construiu entretanto um Estádio - o melhor e maior de Portugal - um centro de estágios do melhor que existe e é actualmente bi-campeão (isto para já nem falar das modalidades). Benfica que, recorde-se teve eleições em 2012 nas quais LFV teve 83 % dos votos. Até Rangel já admitiu que LFV tem trilhado nos últimos anos a estratégia correcta com resultados visíveis. Mas uns curiosos da internet não apenas acham que está tudo mal e que eles é que sabem mas até que o Presidente do Benfica no fundo está a fazer a estratégia dos nossos adversários! Não acham que já chega?


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Aliança Porto-Sporting

Não tenhamos dúvidas - a época que se iniciará em breve será muito dura, muito disputada, muito tensa. Enfrentaremos dificuldades acrescidas em relação aos últimos anos. Podemos dizer que não estamos preocupados com os adversários. Acho muito bem que esse seja o discurso oficial. Agora não devem existir dúvidas de que quer o Sporting, quer o Porto vão estar muito mais fortes do que no ano passado. 

Em relação ao Sporting, penso que é evidente que Jorge Jesus vai trazer padrões de exigência e competitividade mais altos, ao passo que as contratações são já sonantes. Brian Ruiz é um jogador de qualidade, com muita experiência e com 1,88 m de altura. Gutierrez é "só" o titular da Colômbia, que deixa Jackson e Falcao no banco... E têm contratado ainda outros jogadores, falando-se ainda de mais nomes. 

Quanto ao Porto, por um lado é um facto que saiu o seu melhor jogador, Jackson, assim como Óliver, Quaresma, Casemiro e Danilo. Mas entraram Casillas, Imbula, Danilo (ex.Marítimo), André André, Sérgio Oliveira, M. Pereira e Bueno. E não tenhamos dúvidas que até ao início da época chegará ainda um outro avançado para substituir Jackson. Ou seja, em termos de qualidade não há grande variação em relação ao ano passado, mas há agora mais experiência - e com toda a probabilidade alguns dos erros da época passada não se repetirão. 


Quanto ao Benfica não há para já grandes mexidas, o que é bom. O Benfica faz bem a meu ver em procurar ter uma situação financeira estável e não entrar em loucuras. Agora temos que ser realistas e perceber que se a nossa qualidade não aumenta (talvez tenha até diminuído um pouco) e a dos outros sobe consideravelmente, a pequena vantagem que tivemos na época passada pode desaparecer. Pelo que tenho observado, Rui Vitória poderá mesmo ter sido a aposta certa para liderar o Benfica nesta fase. É um homem ponderado, equilibrado que percebeu o que estava bem e o que podia ser melhorado. Um treinador que saberá utilizar o que tem para obter os melhores resultados e melhor rendimento sem tentar passos maiores do que a perna. Mas ainda assim terá que trabalhar com o que tem, que neste momento é, como assinalei no anterior post, bom em termos de meio campo mas limitado nos outros sectores. Na minha opinião, face ao quadro actualmente existente, que naturalmente se pode ainda alterar em virtude de ajustamentos até ao fecho de mercado, temos que estar preparados para não ser os mais fortes em termos de plantel e de 11 e portanto para a eventualidade de podermos não conseguir alcançar o principal objectivo, que é o de revalidar o título. Digo isto porque se o trabalho de Rui Vitória for apesar disso um bom trabalho, não deve ser exigida a "cabeça" do treinador. Teremos que perceber bem as circunstâncias em que as coisas acontecem.


Ao que fica dito acresce a questão das tendências "políticas" do futebol português. Neste momento assistimos a uma aliança entre Porto e Sporting. A intenção não podia ser mais cristalina: atacar e fragilizar o Benfica, o campeão, para depois entre si disputarem os despojos. Cada um achará secretamente que é melhor e mais esperto do que o outro e que, quando o momento chegar, darão a facada nas costas do aliado de ocasião. Em relação ao Benfica sabem porém que só juntando forças o poderão combater. Desta aliança dos desgraçadinhos da última época pode resultar um cenário calamitoso para os nossos interesses, que representaria o maior golpe de estado no futebol português dos últimos 40 anos: o regresso da praga Proença, desta vez não apenas como árbitro mas como dirigente e manda-chuva dos árbitros

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Benfica - veterania, entradas e saídas

Até ao momento o Benfica pouco mexeu no plantel [a base desta avaliação são os 30 que seguiram para os EUA], o que à partida é uma coisa boa tanto mais que somos bi-campeões. A estabilidade é uma base importante para o sucesso. No entanto existem dois factores que têm que ser ponderados neste balanço: o nível de investimento a que assistimos por parte dos rivais e a veterania do plantel do Benfica. 

Começando por este último ponto, é evidente que a experiência é algo importante, mas o Benfica poderá já estar a entrar na fronteira de uma equipa demasiado trintona. Uma equipa demasiado veterana começa a denotar falta de rotação, existem muitos exemplos disso. Na defesa Luisão e Eliseu começam a estar (um para central, outro para lateral) nessa fronteira a partir da qual o rendimento se começa a ressentir. O mesmo se passa no ataque, onde Jonas e Lima estão na mesma situação. É que uma coisa é ter um ou outro jogador mais experiente no seio de uma equipa jovem, outra é ter uma equipa composta sobretudo por jogadores na casa dos 30. O sector onde estamos mais tranquilos neste aspecto é o meio campo onde temos jogadores na plenitude do seu rendimento, como Fedja, Pizzi ou Samaris e jovens como Cristante e Talisca. É um aspecto que o treinador terá que ponderar: por um lado aproveitar a experiência dos jogadores mais velhos da equipa, por outro assegurar-se que ela tem suficiente força e energia para manter um rendimento e uma rotação elevados não apenas em cada jogo mas na época como um todo.

Em termos de qualidade, o Benfica está em défice nalguns sectores. O mais óbvio são as laterais da defesa. Com a saída de Maxi, o Benfica ficou com Eliseu, Sílvio, Marçal e André Almeida, a que eventualmente acrescerá Lindelof, que jogou nessa posição na selecção sub 21 da Suécia. Ora estas opções são insuficientes para o Benfica. Eliseu está um ano mais velho do que o ano passado (em que já era muito criticado por alguns adeptos - que não eu), Sílvio praticamente não jogou depois da gravíssima lesão que teve, pelo que o seu rendimento é uma incógnita e André Almeida é um jogador válido e útil para jogos contra equipas superiores mas que não tem rotação para dar a dinâmica atacante que um grande precisa. Veremos como Marçal se adapta mas este quadro de laterais não chega. Em termos de centrais, para além da questão da idade de Luisão, aparentemente apenas temos Jardel e Lisandro, uma vez que César estará de saída. Ora, isto pode também ser pouco para um quadro competitivo exigente. 

Quanto aos extremos, Carcela será aparentemente uma boa opção, a questão Gaitan mantem-se em aberto e Sálvio estará lesionado no início da época. Para além disto existe apenas Ola John. Mais uma vez é pouco, pouquíssimo se Gaitan acabar por sair, para um clube com as aspirações do Benfica. Se Gaitan saísse (e é verdade que todos os anos se diz que sairá e todos os anos continua) começaríamos a época com Carcela e Ola John. Ora isto não pode ser considerado uma opção válida. Também no eixo do ataque me parece que temos limitações e que o plantel não pode ser considerado fechado. O problema do ataque é que se Rui Vitória optar por apenas um ponta de lança, não me parece que Jonas ou Lima (ou Jonathan Rodrigues que ainda não mostrou nada) possam ser esse jogador. A meu ver são demasiado veteranos para esquemas que exijam uma correria, choque e desgaste permanente na frente de ataque. Para tal são necessários avançados até com outro perfil, mais combativo e agressivo, como Mitrovic. Sabemos que o Benfica o tentou contratar (se vier a acabar no Porto é mais uma desilusão) e que abordou sem sucesso outros jogadores, como Joe Campbell. Confesso que não percebo o que se passa: aparentemente o Benfica não consegue contratar nenhum dos jogadores que deseja, ao contrário dos rivais. Percebo que não se possa entrar em loucuras mas no mínimo seria exigível um pouco mais de segredo nos negócios sob pena do Porto continuar a ter no Benfica o seu melhor olheiro. 

No meio campo, para acabar bem, parece-me que temos as opções válidas e necessárias para vários tipos de modelos e de jogos. Aí não devemos a ninguém em termos de qualidade. 

Na globalidade temos porém que admitir que faltam soluções. A meu ver o Benfica precisaria de um lateral direito de grande dinâmica e qualidade comprovada (mais uma vez parece que tentámos dois nomes nenhum deles com sucesso), de um extremo e de um ponta de lança fisicamente forte, capaz de jogar sozinho na frente e concretizador. Na minha opinião falta ainda um central, mas seria absurdo ir contratar um depois de vender ou emprestar César. Com estas contratações a juntarem-se à qualidade e experiência que já existem (e à juventude que está à espreita para aparecer) teríamos um plantel capaz de disputar as provas nacionais e de pelo menos passar a fase de grupos da Liga dos Campeões, cada vez mais um objectivo mínimo essencial para assegurar a saúde financeira dos clubes. Caso contrário, caso o plantel se mantenha no essencial como está, teremos que esperar de Rui Vitória algo que, não sendo um milagre, seria altamente surpreendente: fazer um plantel inferior ao da época passada render mais e ter melhores resultados desportivos.