sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Com confiança, sem pressão

O Benfica está claramente melhor. Nos últimos dois jogos ficaram bons sinais que nos permitem enfrentar o futuro com optimismo moderado.

Como tenho vindo a defender, considero que não se pode colocar demasiada pressão numa equipa que (realisticamente) não fez um grande investimento este ano, tendo optado por manter a estrutura campeã no ano anterior e apostar na juventude, na prata da casa.

Estou plenamente convencido de que este Benfica tem muita qualidade e que Rui Vitória pode de facto ser o homem certo para apostar nos jovens e fazer crescer essa qualidade. Sinto que o choque inicial de chegar a uma realidade tão gargantuesca como o Benfica está ultrapassado e que Vitória se vai sentindo mais seguro e confiante. É verdade que o calendário até agora não apresentou desafios de maior, mas agora as coisas vão mudar.

No estádio do "dragão" (não me consigo habituar à ideia de que alguém tenha conscientemente escolhido para nome do seu estádio uma criatura amaldiçoada na cultura ocidental...) o Benfica enfrentará um Porto que está "proibido" de falhar. Lopetegui sabe que a sua cabeça pode depender deste jogo. Se perder Pinto da Costa não o despedirá no dia seguinte. Mas a sua reputação junto dos adeptos já não será recuperável. As coisas tenderão a degradar-se até à insustentabilidade da posição do treinador do Porto. A derrota do ano passado já lhes custou muito engolir. Uma segunda seria intolerável. 

Por isso o treinador do Porto estará no auge das suas capacidades, pelo menos em termos de motivação. E, há que o admitir, o Porto tem um plantel de grande valor, um plantel caro, com alguns jogadores perigosos. Tello, Brahimi e Aboubakar são claramente jogadores aos quais há que prestar muita atenção. Depois o Porto também tem um meio campo consistente com muitos jogadores bastante trabalhadores como Imbula, Danilo, André, Herrera. Mas este Porto também tem fragilidades. Prefiro não as apontar mas tenho a certeza que Rui Vitória as conhece e que as tentará explorar.

Dito isto, o Benfica apresenta-se no dragão como bi-campeão, vindo de uma excelente vitória para o campeonato, à qual deu continuidade na Liga dos Campeões. O Benfica tem também qualidade atacante, disso ninguém terá dúvidas e uma equipa já muito rodada em várias posições. Terá por isso razões para enfrentar o jogo com segurança, com confiança.


No entanto o Benfica continua a ter uma questão em aberto que estou curioso por saber como Vitória resolverá. No ano passado quando ali vencemos por 2-0 (com alguma sorte, há que o admitir), o Benfica jogou com Enzo Pérez e Samaris no meio campo e Talisca atrás de Lima (para além de André Almeida no lugar de Eliseu). Até ao momento Rui Vitória apenas uma vez apostou numa opção semelhante (com o Sporting para a Supertaça) mas as coisas não correram bem. No entanto parece-me evidente que em jogos como o de domingo e de maior grau de dificuldade na Champions o Benfica não poderá jogar com o sistema dos dois pontas de lança, dois extremos e dois médios, um dos quais de características mais ofensivas e de construção. Esse é um problema que há 5 anos que se verifica (com altos e baixos) e que, repito, estou curioso em saber como Rui Vitória resolverá. Pelas suas características físicas, Talisca talvez possa com o tempo ser um médio mais "box to box" e fazer uma boa dupla com Samaris que permita jogar neste sistema, com Jonas a jogar "entre linhas" como agora se diz, ou seja a vir buscar jogo mais atrás e a ajudar a tapar os espaços quando a equipa não tem a bola. Mas neste momento essa solução não é possível. Apostará Vitória em Talisca (ou Pizzi) mas no lugar de um dos avançados? Jogará num "duplo pivot" com Fedja e Samaris? Veremos.


Seja como for, o Benfica entra neste jogo com ambição de ganhar mas sem uma pressão excessiva. Penso que todos compreendem que Nélson Semedo está a começar, que Gonçalo Guedes é também um jovem, que Mitroglou e Jimenez chegaram esta época ao clube e que o treinador também. Acredito que esta equipa esteja a crescer e que nos possa dar alegrias no futuro. Vencer no dragão seria um passo interessante nesse processo mas não imprescindível.





quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Bom começo

O Benfica começou com o pé direito a sua participação na Champions. A jornada não poderia ter corrido melhor: aceitando que o Atlético de Madrid é a equipa mais forte e que em circunstâncias normais  o Benfica disputará a 2ª posição com o Galatasaray, a sua vitória em Istanbul é o resultado mais favorável para as nossas pretensões. Costuma-se dizer que vencer os jogos em casa é mais de metade do caminho para garantir a qualificação na fase de grupos da Champions. Vencemos o adversário mais fácil, ficam a faltar os mais difíceis.
 
O Benfica cumpriu perante uma equipa bem organizada, jogando q.b., sem acusar a pressão da "obrigação" de ganhar e sem propriamente perder o rumo quando o golo tardava em aparecer. O Benfica pareceu sempre ter o jogo bem orientado (de alguma forma preparando na 1ª parte o que fez na segunda) com a excepção do lance no qual os cazaques enviaram uma bola ao poste.
Essa oportunidade terá feito os jogadores perceber que era preciso ter uma agressividade diferente e penso que a partir daí merecemos inteiramente a vitória. Claro que não foi uma exibição de luxo. Não foi uma goleada espectacular como a que impuséramos dias antes ao Belenenses. Mas isso é o normal no futebol: nem sempre se pode fazer grandes exibições. O mais importante é cumprir com um plano de jogo bem preparado (como foi o caso) e obter os resultados necessários. Sinceramente sem ter sido uma exibição de encher o olho penso que foi um jogo conseguido por parte do Benfica, pois alcançou os seus objectivos sem grandes sobressaltos e também sem forçar demasiado a nota (principalmente quando o jogo estava ganho), algo que me parece prudente em vésperas de um clássico que poderá ser muito importante para as contas do campeonato. Sobre esse jogo falarei mais tarde.
 

sábado, 12 de setembro de 2015

O "monstro" Ronaldo e o desastre de Mourinho

Ronaldo, apesar alguns comportamentos estranhos fora do relvado, dentro de campo continua a ser um autêntico "animal". Com o tempo e o inevitável declínio físico, especialmente no que toca ao arranque e ao pique, Ronaldo tem vindo a procurar tendencionalmente as zonas mais próximas da baliza para finalizar, algo que faz como ninguém, concentrando nisso a maioria das suas energias. Focalizando-se ainda mais em ser uma "máquina de golos". Por isso Ronaldo poderá vir ainda a bater mais recordes de golos, caso não tenha lesões, como todos esperamos que não tenha. Este sábado foram "só" 5 na goleada de 6-0 imposta pelo Real ao Espanhol, no terreno deste último. E podiam ter sido 6 do avançado português. Impressionante! Já começam a faltar adjectivos para os números deste enorme jogador.
 
Quanto ao outro português mais conhecido internacionalmente, José Mourinho, o seu Chelsea continua a "colecionar" derrotas. Em 5 jogos da Liga Inglesa já são 3! Uma delas em casa, onde Mourinho não perdia há anos. Hoje foi o Everton quem impôs ao Chelsea uma derrota sem apelo sem agravo. Sem conhecer muito a realidade dos "blues", dá-me ideia de que a defesa está demasiado permeável e que os laterais já não têm a qualidade de outros tempos. Também Obi Mikel e Matic não me parece uma dupla muito complementar e eficaz no meio campo. No ataque não faltam grandes nomes: Pedro, Diego Costa, Falcão, William mas também falta qualquer coisa. Poderá a "receita" Mourinho ter estagnado? Estar espremida? Confesso que achei estranha a renovação por 5 anos quando o treinador ainda tinha contrato pelo menos para esta época e a próxima. Acho que uma renovação dessas pode dar a um treinador uma situação de acomodação que é contrária à natureza de Mourinho, sempre insatisfeito e ambicioso. Este ano o campeonato parece ser para esquecer: está já a 11 (!) pontos do líder Man City e a 6 do United. Poderá tentar finalmente voltar a conquistar a Champions mas para tal os argumentos futebolísticos parecem escassos. Veremos. Abramovic já dá sinais de impaciência...

Grande exibição, bons sinais e dores de crescimento

Já aqui não escrevia há quase duas semanas. O essencial do que queria dizer acerca do início de época já tinha sido dito e não quis contribuir para um ruído excessivo que se fazia sentir entre os benfiquistas.
Apesar das paixões inerentes ao futebol, procuro ser justo nas minhas análises (todos temos essa pretensão) e manter alguma coerência naquilo que digo.
Acima de tudo, depois do desapontamento com o resultado da supertaça e de algumas exibições pouco conseguidas no início de época, a minha perspectiva foi que se deveria  dar algum espaço a Vitória para respirar e ter oportunidade de tentar impor as suas ideias. Para isso era preciso baixar as expectativas e retirar alguma pressão à equipa. No último artigo que escrevi, disse isto:  
O campeonato agora para por duas semanas para compromissos das seleções. A boa notícia é que estamos apenas 1 ponto atrás dos nossos adversários e que haverá agora tempo para trabalhar com calma (os que ficarem, porque muitos se ausentarão para representar as suas selecções) e assentar ideias e processos. Há muito trabalho pela frente! Rui Vitória tem que perceber que o Benfica tem que ter muito mais consistência defensiva, muito mais segurança na troca de bola (o número de passes falhados ou mal feitos é inacreditável) e mais soluções ofensivas para desmontar as defesas cerradas dos adversários da liga dos pequeninos (que são quase todos com excepção do Porto e do Sporting). O Benfica precisa de mais velocidade no ataque, nas combinações e nas desmarcações, mais movimentação dos jogadores e mais dinâmica ofensiva.

Ora nestas duas semanas, para além do tempo que teve para trabalhar (nesse artigo também defendi que a pré-época nos EUA não tinha ajudado) Rui Vitória recebeu da parte de LFV um grande, necessário e merecido apoio. Numa entrevista a A Bola, cujo alcance alguns benfiquistas pouco perspicazes não compreenderam, Vieira disse duas coisas muito importantes: 1) não conseguiu dar a Vitória um ou outro reforço de que a equipa precisava; 2) a alteração de modelo implica "dores de crescimento".

Aquilo que vários benfiquistas, precipitados e sempre prontos para atacar o presidente, não entenderam é que com essas declarações Vieira estava a retirar pressão sobre Vitória (admitindo que o plantel poderia ter um ou outro reforço) e que esta época seria de algum modo de transição. Vencer o campeonato seria importante, vencer seria desejável, vencer seria óptimo, mas não vencer não significaria a demissão do treinador e não significaria o abandono e a desistência deste novo modelo. Isto demonstra para mim que aquilo que se está a fazer está a ser feito com critério e com sustentabilidade e deu um sinal inequívoco para dentro, permitindo maior tranquilidade.
E o resultado imediato está à vista.
A exibição de ontem dá aos benfiquistas razões para encarar o futuro com esperança e optimismo moderado.

Não há que embandeirar em arco! O Belenenses é uma equipa limitada que ontem não foi capaz de nos colocar nenhuns problemas. Mas isso é também mérito do Benfica e da excelente exibição que fez. Crédito total para Rui Vitória e para os jogadores. Sem prejuízo de uma análise mais detalhada ao jogo e às exibições individuais e colectiva, penso que ficou ontem claro que o plantel tem qualidade, muita qualidade! 

Vêm agora aí desafios importantes e dificuldades acrescidas. Vêm aí jogos da Champions e jogos importantes para a definição do campeonato pelo facto de serem marcantes psicologicamente. É importante estar à altura. O jogo de ontem dá-nos confiança para preparar esses jogos com grande rigor e determinação.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A peste verde

Na época 2013/2014 o Benfica perdeu a final da Liga Europa com o Sevilha (que entretanto revalidou esse título) num jogo em que o árbitro perdoou 3 penalties claros aos espanhóis. No dia seguinte as manchetes dos desportivos falavam de Beto como o herói da final quase não referindo o roubo descarado e flagrante que aquele miserável árbitro fizera ao Benfica, objectivamente impedindo-o de ganhar a Liga Europa. Foi preciso os espanhóis, num programa televisivo, admitirem que o que se passara não fora justo e que o Benfica tinha todas as razões para estar revoltado, para se falar um pouco a medo desse roubo no nosso país.

Na época seguinte (a época passada), o Sporting perdeu um jogo com o Shalke 04 no qual o árbitro (por indicação do famigerado árbitro de baliza) assinalou uma grande penalidade quando uma bola bateu claramente na cara de um seu jogador. No dia seguinte os jornais traziam a toda a largura da 1ª página as palavras "ROUBO" e houve um alvoroço nacional com os Ribeiros, os Ritas e tantos outros em completo alvoroço como se o mundo se preparasse para acabar no dia seguinte.

Na quarta-feira, o treinador do Sporting voltou a falhar clamorosamente na Liga dos Campeões, não alcançando um apuramento que constituía o principal objectivo da época. É mesmo caso para dizer que as contas saíram furadas a Bruno de Carvalho e que caso algo mais corra mal a nível nacional não demorará muito até as comadres se zangarem. É verdade que há uma decisão prejudicial ao Sporting num golo de canto que resolveria a eliminatória e que o fiscal resolveu dizer que a bola afinal ultrapassara a linha. Mais uma vez caiu aqui o Carmo e a trindade. Mas quantas decisões dessas e piores teve o Benfica a seu desfavor nos últimos anos na Liga dos Campeões e Liga Europa sem que ninguém se importasse e menos ainda indignasse? Na eliminatória com o Chelsea em 2011/2012 o Benfica teve uma clara grande penalidade por mão descarada de John Terry na Luz que todo o estádio viu menos o árbitro - ou melhor viu, mas não quis marcar. Depois em Londres o árbitro marca um penalty aos 20 ' e expulsa um nosso jogador aos 40' em dois lances muito duvidosos. Estávamos nos quartos da Champions que o Chelsea viria a vencer. Ninguém se indignou ou falou em roubos. E o que dizer quando nas meias finais da Liga Europa contra a Juventus, um jogador dos italianos derruba Enzo Peres com uma "rabada" nas barbas do árbitro e este finge que não vê? Ou quando em Turim o árbitro desse jogo expulsa Enzo e não contente expulsa Markovic do banco (sem que este nada tivesse feito) deixando-nos depauperados para a final que depois seria ainda o "espectáculo" de que falámos no primeiro parágrafo? Isso sim são ROUBOS!

Por isso ao cabo de uma jornada em que o Benfica sofreu um golo que na altura dava um empate em flagrante fora de jogo (depois de na anterior ter tido um penalty claro sobre Mitroglou que ficou por assinalar); em que o Sporting venceu com dois penalties e uma expulsão de um jogador da Académica; ao cabo de tudo isto ainda os ouço falar, chorar e lamentar-se a propósito das arbitragens e vejo os jornais a alimentarem essa novela, digo: CHEGA! Não há paciência para essa conversa de carpideiras, de meninos choramingões, de calimeros. Cresçam e apareçam! 

Vamos (re)começar a época

Ao 4º jogo oficial, o Benfica continua a apresentar um futebol muito fraco, sem ligação, falho em ideias e pouco eficaz. Em termos defensivos a equipa está insegura e só não sofreu mais golos porque Júlio César o evitou. Há falta de entendimento entre os jogadores, parecendo muito fácil aos nossos  adversários fazer combinações à entrada da nossa área e aparecerem isolados à frente da baliza (ainda que ontem tenha existido um fora de jogo flagrante no segundo golo).
 
Aquilo que se diz dos defesas pode-se dizer acerca do meio-campo: muitas vezes os jogadores parecem perdidos em campo, correndo a apagar fogos. Pizzi demonstra nesta fase uma grande incapacidade em ligar os sectores da equipa; ontem foi Samaris quem, apesar de também ter cometido erros, mais tentou pressionar o adversário e carregar jogo. Para mim foi, a seguir a Gaitan (de quem falarei adiante) dos melhores em campo. Em geral parece haver um grande nervosismo que se reflecte numa (ou resulta de?) grande desorganização em campo. Os jogadores jogam sobre brasas e a bola queima nos pés.
 
Aflorado o lado negativo, passemos ao positivo. Em primeiro lugar, a aposta nos jovens tem dado alguns resultados. Nélson Semedo parece-me ser uma boa aposta, Victor Andrade claramente tem talento (embora seja ainda bastante verde), Gonçalo Guedes ontem entrou bem e outros seguramente se seguirão. Rui Vitória tem o mérito de não temer apostar nestes jogadores e de lhes dar confiança para irem lá para dentro e mostrarem as suas qualidades. Isso merece ser louvado. Por outro lado, Rui Vitória tem demonstrado arrojo nas substituições - ainda que por vezes elas pareçam ser fruto de um quase desespero. Pela segunda vez consecutiva, vendo-se a perder, Vitória apostou em dois pontas de lança mais Jonas e tirou um lateral. Penso que isso também merece ser elogiado e que marca a diferença em relação a treinadores que fazem substituições a partir dos 80 e por vezes muitos minutos. Destaco ainda uma outra coisa em que Vitória me parece que merece crédito: apesar das coisas estarem a correr mal (nem o Moreirense nem o Arouca mereciam estar em vantagem sobre o Benfica), o treinador do Benfica manteve (alguma) cabeça fria durante os jogos e um discurso ponderado após os mesmos.
 
 
O campeonato agora para por duas semanas para compromissos das seleções. A boa notícia é que estamos apenas 1 ponto atrás dos nossos adversários e que haverá agora tempo para trabalhar com calma (os que ficarem, porque muitos se ausentarão para representar as suas selecções) e assentar ideias e processos. Há muito trabalho pela frente! Rui Vitória tem que perceber que o Benfica tem que ter muito mais consistência defensiva, muito mais segurança na troca de bola (o número de passes falhados ou mal feitos é inacreditável) e mais soluções ofensivas para desmontar as defesas cerradas dos adversários da liga dos pequeninos (que são quase todos com excepção do Porto e do Sporting). O Benfica precisa de mais velocidade no ataque, nas combinações e nas desmarcações, mais movimentação dos jogadores e mais dinâmica ofensiva.
 
É verdade que noutras épocas os começos não foram muito mais auspiciosos. Derrotas e empates nas primeiras jornadas foram uma realidade em quase todas as últimas 6 épocas. O que mais preocupa nesta fase é uma certa indefinição do modelo de jogo que se reflecte nesse facto de nem defendermos bem (que era a marca das equipas de Vitória no passado) nem atacarmos com grande critério. Mas em abono da verdade há que reconhecer que o estágio nas Américas não permitiu a Rui Vitória trabalhar muito a equipa antes da época começar e que a indefinição do plantel também não ajudou à sua estabilização emocional.

Quero por isso acreditar que estas duas semanas - e o encerramento do mercado - permitirão a todos assentar ideias, consolidar processos e ganhar tranquilidade para enfrentar o início a sério da época: vem aí a Champions e o jogo no dragão. São precisas respostas à altura da equipa. Todos têm que trabalhar mais e melhor - como Samaris disse após o jogo - nos treinos e na preparação dos jogos. Todos têm que fazer o trabalho de casa para chegar aos jogos e as coisas saírem com mais naturalidade, sem tanto nervosismo, sem tanta sofreguidão, sem tanta dependência da inspiração do momento (que não tem sido muita).

Mas atenção: a saída de Gaitan (ontem fez "só" duas assistências) nesta altura seria o hipotecar definitivo da época. Não digo em termos de títulos, porque mesmo com ele e mais um ou outro reforço de última hora (Siqueira seria uma excelente notícia) as minhas expectativas são muito limitadas. Digo em termos de fazer uma época minimamente aceitável e que permita construir bases para o futuro. Sem Gaitan acho que poderíamos enfrentar uma época penosa. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Fazer uma boa Champions

O sorteio da fase de grupos foi razoável para o Benfica. O Atlético de Madrid é o favorito do grupo mas não é impossível ao Benfica bater os espanhóis na Luz, o Galatasaray, embora forte, é uma equipa que está ao nosso alcance e o Astana é seguramente um dos clubes mais fracos desta fase de grupos.
Tudo somado, o Benfica deverá discutir o apuramento e, na pior das hipóteses, terá a passagem à Liga Europa praticamente assegurada. Ou seja, um cenário bem melhor do que o da época passada na qual fomos tristemente eliminados das competições europeias sem honra nem glória. Por outro lado, o Benfica tem boas possibilidades (caso encare os jogos com máxima seriedade) de fazer 6 pontos contra o Astana, o que lhe permitirá por si só um encaixe financeiro importante.
Conforme tenho dito nos últimos dias (mais digerida a derrota contra o Arouca) devemos ver esta época como uma época de transição, na qual as expectativas não devem ser elevadas. Acima de tudo temos que criar as bases de uma equipa forte e renovada, pois a verdade é que vários jogadores do Benfica já estão numa fase adiantada das suas carreiras. (Nessa perspectiva a saída de Maxi acaba por não ter sido assim tão má pois permitiu o aparecimento de Nelson Semedo). Júlio César, Eliseu e Luisão são alguns dos exemplos dessa relativa veterania.
No caso particular da Champions, parece-me que Rui Vitória poderá ter aqui algum espaço que não tem no campeonato, ou seja, ninguém lhe exigirá que ganhe todos os jogos ou que se apure em primeiro lugar e o passado recente oferece um termo de comparação muito baixo, pelo que tudo o que fôr alcançado será sempre visto como positivo. Desejo e acredito que num contexto desses, sem obrigação de assumir os jogos do princípio ao fim e sem o estatuto de claro favorito, Vitória possa libertar-se e contribuir para que o Benfica tenha boas prestações.
O calendário também me parece favorável à partida: começamos com o jogo mais fácil em casa, numa jornada em que um ou ambos os nossos competidores pelo apuramento perderão pontos e acabamos a fase de grupos recebendo o Atlético em casa. Parece-me auspicioso.
 
Finalmente gostaria de destacar o feito de Nélson Évora que alcançou a medalha de bronze nos mundiais de atletismo (triplo salto), competindo realmente com os melhores do mundo. Se acrescentarmos que Évora já não é um jovem (em termos desportivos) e que teve uma longa série de lesões, este feito é ainda mais admirável. Parabéns ao nosso atleta!