sexta-feira, 29 de junho de 2018

Mundial 2018 - o caminho para a final

Estão definidos os oitavos de final e assim o caminho e os cruzamentos possíveis entre selecções até à final. Portugal ficou claramente no pior caminho possível, como já tinha assinalado, não tendo nesse percurso, imaginando que ia ultrapassando os adversários, nenhum jogo que não seja de exigência máxima. Ou seja, Portugal poderia, caso passasse as diferentes eliminatórias, enfrentar consecutivamente quatro campeões do Mundo! Que seriam: Uruguai (campeão do Mundo por duas vezes e vencedor da Copa América por 15...), Argentina ou França nos quartos, Brasil nas meias e Espanha na final (ou até Inglaterra, vencedora em 1966, embora as chances de uma final Portugal-Inglaterra andem provavelmente pelo 1%...). 

Este quadro de adversários demonstra bem quão limitadas são as reais possibilidades da nossa selecção. Claro que há sempre esperança mas temos que ter os pés assentes no chão e perceber que nestas circunstâncias só um quase-milagre nos levaria ao título (e mesmo à final).

Compare-se o nosso "grupo" nos oitavos de final com o "grupo" em que calhou a Inglaterra. Por grupo entendo aqui não apenas o emparelhamento dos oitavos mas também o dos quartos. Ao passo que nós temos Uruguai, Argentina e França, Inglaterra tem Colômbia, Suécia e Suíça. Mas Brasil e Espanha também não se podem queixar: ao passo que o "povo irmão" tem México, Bélgica e Japão, os nuestros hermanos têm Rússia, Croácia e Dinamarca. Nas meias finais o apurado do "grupo" de Portugal defrontará o apurado do "grupo" do Brasil, ao passo que o apurado do grupo "Inglaterra" jogará com o "Espanha".

Analisando ainda um pouco mais este caminho para a final, o Brasil vê no seu "lado" três campeões mundiais e o actual campeão europeu eliminarem-se entre si, desse lote saindo o semifinalista que enfrentará, ao passo que Espanha apenas pode enfrentar um campeão do mundo até à final -  Inglaterra que não está sequer no mesmo patamar dos outros campeões, como França ou Argentina.

Para se perceber melhor o que dizemos, nada como visualizar o caminho para a Final. Adicionámos já um conjunto de previsões.


Uruguai
Portugal
França
Brasil
Croácia
Suíça
Colômbia
Inglaterra
Portugal
Colômbia
França
França
Suíça
Suécia
Argentina
Suíça
Brasil
Brasil
Brasil
Croácia
Croácia
Croácia
México
Dinamarca
Bélgica
Bélgica
Espanha
Espanha
Japão
Rússia



Nem todas as previsões têm o mesmo grau de certeza. Alguns dos jogos são muito equilibrados, não havendo um favorito claro, ao passo que as surpresas completas por vezes também acontecem. No entanto estamos confiantes de que: 1) o Brasil vai estar na final; 2) o outro finalista será a Croácia ou a Espanha. Claro que espero estar enganado e que Portugal não apenas esteja na final mas seja Campeão do Mundo. Mas acho difícil. Penso que o título irá para o Brasil. 


Uma rápida "explicação" (e não tenho ilusões de que estarei certo em tudo - pelo contrário a realidade sempre nos surpreende onde menos esperamos):


  • a Suíça pode emergir do "grupo" da Inglaterra como semifinalista porque o "grupo" é fraco e os suíços, não sendo uma grande equipa, são bastante consistentes;

  • aposto na Croácia contra a Espanha porque os croatas têm sido a equipa mais regular e que mais argumentos apresentou até ao momento, ao passo que os espanhóis me parecem fragilizados pelo caso Lopetegui, mas claro que uma vitória da Espanha (que no limite até pode perder com a Rússia) não seria propriamente surpreendente;

  • não imagino uns quartos de final do "grupo" do Brasil que não seja Brasil-Bélgica, jogo que penso que os brasileiros vencerão;

  • nos quartos do "grupo" de Portugal podem pelo contrário estar qualquer das quatro equipas: um Portugal França é praticamente tão provável como um Argentina-Uruguai ou Argentina-Portugal; são quatro equipas muito equivalentes em termos de potencial; escolho a França porque tem sido a mais regular e também - factor importante - a que enfrentou uma fase de grupos mais tranquila e chega mais fresca à fase a eliminar.



quarta-feira, 27 de junho de 2018

Argentina - sangue, suor e lágrimas

A Argentina salvou-se in extremis da eliminação precoce no Mundial ao marcar o golo salvador aos 86 minutos pelo improvável Rojo.
Foi a explosão de sentimentos: Maradona mostrava o dedo do meio (das duas mãos) a alguém nas bancadas (acabando por ter que ser assistido por paramédicos), ao passo que vários eram os jogadores que choravam descontroladamente e no fim da partida. 

Foi um jogo de grande sofrimento e drama. A Argentina marcou relativamente cedo por Messi e tudo parecia correr bem, mas à entrada da segunda parte um penalty cometido por Mascherano nas barbas do árbitro colocou a Argentina novamente à beira da eliminação. No outro jogo a Islândia havia empatado e ia em busca da vitória que lhe daria a qualificação mesmo que a Argentina vencesse por 2-1. 

Sampaolli lançou Aguerro, Pavon e Mesa e Masherano jogava com sangue a escorrer-lhe pela cara. A dada altura tudo pareceu perdido: o árbitro encaminhou-se para o ecrã para analisar um lance comparável ao de Cédric na área da Argentina. O suspense era grande mas o árbitro decidiu não assinalar o segundo penalty do jogo, mantendo a selecção das Pampas viva. 

Essa decisão foi determinante, mas a vitória argentina começou-se a desenhar mais cedo. Sampaolli foi obrigado a ceder: desta vez não houve invenções e, exceptuando Dybala, jogaram os melhores. O rendimento da equipa, apesar das dificuldades em vencer o jogo e de alguns jogadores ainda não renderem o esperado (como Di Maria), foi bem superior ao das anteriores partidas.

Agora a Argentina enfrentará a França nos oitavos de final e o vencedor desse jogo enfrentará o vencedor do Uruguai-Portugal. 



terça-feira, 26 de junho de 2018

Caminho estreito para Portugal no Mundial

Com o volte-face ocorrido nos últimos minutos dos jogos, Portugal complicou substancialmente as suas contas neste Mundial. Já no período de descontos, Espanha perdia e Portugal ganhava. Mas duas decisões do VAR inverteram este estado de coisas e Portugal perdeu a vantagem de três pontos que detinha, passando a segundo classificado do Grupo. Aliás esteve prestes a acontecer um golpe de teatro quando um jogador iraniano apareceu isolado frente a Rui Patrício. Seria a eliminação da selecção na fase de grupos.

As coisas complicaram-se porque Portugal não apenas vai enfrentar o Uruguai (que redimensionou a Rússia para um patamar secundário de competitividade - apesar do factor casa não poder ser completamente descartado numa eliminatória) como enfrentará, caso passe, o vencedor do jogo França-2º classificado do Grupo D (Islândia, Nigéria ou Argentina). Já a Espanha, após o jogo com a Rússia e caso passe, enfrentará o vencedor do jogo Dinamarca-Croácia. E, caso Portugal chegasse às meias enfrentaria com toda a probabilidade um Brasil ou uma Alemanha. 

Ou seja, o caminho que se abriu no Euro com aquela sequência improvável de resultados, aquele alinhamento estelar que nos permitiu evitar Espanha, Alemanha, Itália e enfrentar a França apenas na final, não se repete de modo nenhum no Mundial. Pelo contrário, com a conjugação resultante dos golos nos descontos, Portugal está agora no caminho dos tubarões, sendo as nossas probabilidades de ultrapassar todos e chegar à final bastante diminutas. Principalmente pelo que (não) estamos a jogar.

O jogo de ontem foi negativo na medida em que Ronaldo foi menos exuberante e confiante, falhando um penalty e tendo estado perto da expulsão (que a meu ver seria exagerada mas que obviamente esteve em cima da mesa). Foi negativo também porque voltámos a deixar-nos pressionar fortemente, desta vez nos momentos finais do jogo. Foi negativo porque o rendimento de vários jogadores continua a ser bastante pobre. Foi negativo porque se sente que falta a esta equipa segurança e estabilidade (nomeadamente emocional). A entrada de Quaresma no 11 foi positiva (o golo é monumental e a exibição bastante conseguida até ao extremo se começar a envolver em quezílias com os provocadores adversários) mas João Mário pouco adianta e William é demasiado lento. 

O caminho de Portugal estreitou-se mas para já mantemos pretensões legítimas de nos qualificarmos para os quartos de final, ou seja temos todas as condições de lutar de igual para igual com o Uruguai. 

PS - Lastimo a atitude de Carlos Queirós. É legítimo que seja profissional e prepare a equipa para a qual trabalha no sentido de tentar vencer o seu próprio País. É uma situação estranha e incómoda mas que nos nossos dias se compreende. Agora fazer aquele alarido, aquela pressão, antes, durante e após o jogo, sobre o árbitro e o VAR, pedir a expulsão de Ronaldo e ir dar "bocas" a Moutinho são comportamentos muito feios que só o diminuem. Não pode ficar admirado se depois disto a sua personalidade seja ainda menos apreciada pelos portugueses. 

Calendário do Mundial - dias 12 a 14

Segunda-feira, 25 de junho:

15.00 h Rússia - 0 Uruguai - 3
15.00 h Egipto - 1 Arábia Saudita - 2
19.00 h Portugal - 1 Irão - 1
19.00h Espanha - 2 Marrocos - 2

Hoje, terça-feira, 26 de junho:

15.00 h Austrália - Peru, RTP 1 Sport TV 1
15.00 h Dinamarca - França Sport TV 1
19.00 h Nigéria - Argentina, RTP 1 Sport TV 1
19.00 h Islândia - Croácia Sport TV 1

Amanhã, quarta-feira, 27 de junho:

15.00 h México-Suécia, Sport TV 1
15.00 h Coreia do Sul - Alemanha, RTP 1, Sport TV 1
19.00 h Suíça-Costa Rica, Sport TV 1
19.00 h Sérvia-Brasil SIC, Sport TV 1

domingo, 24 de junho de 2018

Mundial - fase de grupos, jornada 2

As semi-surpresas


As primeiras meias surpresas pela positiva são a Inglaterra, a Rússia e o México. São seleções das quais pouco se esperava e que ao cabo da segunda jornada estão apuradas com surpreendente facilidade. Veremos se na fase seguinte conseguirão manter o elevado padrão ou se foram apenas fogachos. 

As confirmações


Entre as confirmações a primeira e mais sólida é a da Croácia. A forma categórica como derrotou a Argentina e carimbou o apuramento deixa um forte aviso à concorrência. Quase o mesmo se pode dizer da Bélgica que aqui já elogiei anteriormente. Uma das selecções mais fortes até ao momento.
O Uruguai também não deixou os seus créditos em mãos alheias e assegurou a presença nos oitavos ao fim da segunda jornada. A pouca competitividade do grupo é uma realidade mas isso não belisca a competência uruguaia.
A França cumpriu com serviços mínimos (mas também Portugal o fez no Euro e acabou por ser campeão) e já está nos oitavos igualmente.
A Suíça, única entre todas a selecções que acabei de citar que ainda não se apurou (mas está lá perto) está a confirmar a solidez que vem demonstrando ao longo dos últimos anos.

As incógnitas


Portugal e Espanha estão bem encaminhados para o apuramento mas persistem dúvidas acerca do que poderão fazer na competição. Espanha partiu como favorita mas a saída de Lopetegui nas vésperas da estreia no Mundial e as dificuldades nos primeiros jogos deixam uma névoa de dúvidas a pairar. Portugal está a viver do talento de Ronaldo e deixou-se dominar por Marrocos de uma forma quase inacreditável.
O Brasil jogou melhor na segunda jornada e deverá confirmar o apuramento mas ainda não carburou como esperado. A vitória tardia com a Costa Rica, quando o apuramento chegou a estar em risco, dará mais motivação. A Alemanha está exactamente nas mesmas circunstâncias. E os alemães nunca desistem.

As desilusões


A maior desilusão é a Argentina - mas ainda mantém possibilidades de se apurar. Aquilo que (não) tem jogado é assustador. Mesmo que se venha a apurar as perspectivas não são boas. Mas o futebol é uma caixa de surpresas.
O Egipto vinha muito motivado pelo talento de Salah mas foi eliminado logo na segunda jornada sem dar um ar da sua graça.  Da Polónia também se esperava muito mais, mas no grupo possivelmente mais fraco do Mundial já conseguiu a proeza de se fazer eliminar. 

Tudo se começará a definir a partir de amanhã


A última jornada obviamente decidirá o que está em aberto relativamente ao apuramento para os oitavos mas dará para além disso indicações fortes quanto aos candidatos que se perfilarão. Nos grupos mais fracos onde já há apurados (nomeadamente o A e o G), o confronto direto entre os primeiros deixará antever qual a real qualidade de selecções como Rússia, Bélgica e Inglaterra (o Uruguai mantém sempre uma bitola competitiva alta e será sempre um adversário difícil nos oitavos). No nosso grupo B veremos o que fazem os primeiros classificados, a começar pela selecção nacional. Nos grupos D, E e F, Argentina, Brasil e Alemanha irão confirmar ou não as suas candidaturas, podendo a alviceleste despedir-se desde já no que seria a mais espectacular derrocada futebolística até ao momento.

sábado, 23 de junho de 2018

Calendário do Mundial - dias 10 e 11

Hoje, sábado 23 de junho:


13.00 h - Bélgica - Tunísia, Sport TV 1
16.00 h - Coreia - México, Sport TV 1
19.00 h - Alemanha - Suécia, RTP 1, Sport TV 1


Amanhã, domingo 24:


13.00 h - Inglaterra - Panamá, Sport TV 1
16.00 h - Japão - Senegal, Sport TV 1
19.00 h - Polónia - Colômbia, RTP 1, Sport TV 1

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Desastre argentino

O que diríamos de Portugal e Fernando Santos se levássemos três da Croácia?
E diríamos com certeza com razão porque apesar de toda a qualidade da equipa croata (e é bastante) é preciso jogar muito mal para, a este nível, perder por três.
As piadas são mais do que muitas em relação a Messi, mas o problema reside na fraqueza colectiva da Argentina. Claro que também Portugal tem sido também frágil enquanto equipa e que apesar disso Ronaldo sobressai. Ainda bem que assim é. Mas não nos iludamos: o futebol é um jogo colectivo; um jogador pode suprir carências mas não ganha jogos sozinho. Por isso não duvidemos: apesar das más exibições (especialmente contra Marrocos), a selecção tem conseguido (com competência sobretudo defensiva) alcançar os seus objetivos.
A Argentina pelo contrário, não ataca nem defende competentemente. É uma equipa sem plano de jogo e com muitos equívocos. Ou arrepia caminho rapidamente ou sai prematura e inesperadamente do Mundial. A vitória da Nigéria abriu uma oportunidade de redenção. Veremos se a alviceleste a aproveita.
Está a ser uma competição incaracterística e com bastantes surpresas. Todos os candidatos e favoritos estão a enfrentar dificuldades inesperadas. nenhum está ainda fora mas todos eles terão que esperar pela última jornada para saber se progridem na competição.
Muita incerteza portanto, tardando em aparecer uma equipa que se distinga da concorrência e se perfile como potencial campeã.