sábado, 26 de janeiro de 2019

São caracóis, são caracolinhos

Pedro Henriques, o árbitro que envergonha os militares, foi exposto, foi denunciado, foi desmascarado como avençado do Sporting - e dou os parabéns a António Salvador por, como se diz em bom português, ter posto a boca no trombone.
Aquela pompa toda de PH caiu de uma assentada. PH já não volta a enganar ninguém.
Mas claro que há outros. Há um em particular que eu gostava de ver o presidente do Benfica desmascarar.
É um dos maiores farsantes do futebol português. Eu pensava que já tinha ouvido tudo desta criaturinha e esperava não voltar sequer a pensar nele de novo - quanto mais escrever.
Mas não foi assim. O fulano ainda me consegue surpreender pela velhaquez e falta de caráter.
Ontem recebi no telefone um alerta nas notícias desportivas: "o que se passou é completamente inaceitável". Como a figura em questão gosta de se apresentar como paladino da verdade desportiva, pensei que ele teria engolido um sapo e, num momento de genuíno respeito pela verdade (a dos factos e não das fantasias) fosse reconhecer que o que se passou na Taça da Liga foi uma vergonha. Ou até - quem sabe - expressar indignação pela situação de PH.
Não podia estar mais enganado. Afinal o grande caso desta semana foi o comentário - lamentável - de um comentador da BTV.
Como já disse várias vezes, o futebol português (com tudo o que está à volta) é um lodo populado de seres rastejante.
Esta figura faz parte do grupo daqueles que, como PH estão estrategicamente posicionados em órgãos de comunicação influentes com o objetivo de minar constantemente o Benfica e desgastar o seu nome e prestígio.
Sem um pingo de vergonha, este meia leca usa da sua posição nos media para tentar transformar umas declarações muito infelizes mas que não passam de um fait diver no caso da semana, assim distraindo as atenções daquilo de realmente grave que se passou. Nem nos lembramos de tamanha indignação quando J. Marques usou exactamente a mesma expressão - corja - para se referir a benfiquistas.
É assim, J. Marques e este outro - a quem, por facilidade vou chamar caracolinhos - partilham uma coisa. E não falo de dignidade, nem sequer de indignação. Tudo isto não passa de teatro e encenação. O que eles realmente partilham é o ódio ao Benfica. E isso o Presidente do Benfica deveria, como fez Salvador, denunciar de forma clara e brutal.
Seria a este propósito interessante perceber bem as circunstâncias em que caracolinhos saiu do jornal A Bola e por que razão já por mais de uma vez foi anunciada a sua saída da SIC e sempre acaba por lá ficar, apesar de ninguém gostar dele e de cada vez menos pessoas verem os programas em que ele aparece. Há aliás poucos comentadores que se possam gabar de terem um programa só para si, onde dizem o que querem sem contraditório.
É um mistério que seria bom esclarecer. Talvez ajudasse a perceber algumas outras coisas estranhas que vão acontecendo no futeluso.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Uma questão de vArgonha (ou falta dela)

Pedro Henriques (na foto) foi árbitro e é (pelo menos até este momento não tenho notícias da sua dispensa) comentador de arbitragem na SportTV. Não um comentador qualquer mas aquele que profere o pomposamente intitulado "Juízo Final". 

Nesse programa, PH revê os lances polémicos dos jogos mais sonantes, com recurso ao VAR e profere o seu douto verdicto, constituindo-se como pretensa autoridade independente - e "Final", para citar o nome do programa. Acontece que PH não é independente. Pelo contrário, PH tem uma agenda. As boas notícias é que PH foi desmascarado. As más é que não sabemos quantos PH há espalhados pelas televisões portuguesas. Temos aliás razões para crer que PH faz parte de um esquema de manipulação da opinião pública, branqueando "erros" de arbitragem que resultam em prejuízo do Benfica.

Outros claros expoentes são Jorge Coroado, José Leirós e Marco Ferreira, árbitros cujo histórico de prejuízos ao Benfica enquanto árbitros é tão gritante quão manifesta é a sua hostilidade actual ao nosso clube. 

Mas recuemos no tempo para recordar um tristemente célebre Benfica-Nacional de 2008/09. O Benfica estava em 1º lugar, o Porto já tinha jogado e empatara nessa jornada e em caso de vitória o Benfica abria uma vantagem de 4 pontos sobre esse clube e de 5 sobre o Sporting.

Foi um jogo tenso (o Nacional estava a fazer um bom campeonato) e difícil. Quase ao cair do pano, o Benfica marca por Cardozo mas... PH anula por mão. O que se passou? Miguel Vítor, então defesa central do Benfica, sofre falta na área do Nacional, ficando caído. Acto contínuo, um jogador do Nacional chuta a bola, esta bate na mão de Vítor (que estava no chão, a talvez menos de um metro do jogador do Nacional), ressalta para Cardozo e este faz golo.

Havia duas opções: assinalar penalty ou permitir a vantagem e apontar para o centro do terreno, sancionando o golo. Mas PH encontrou outra: assinalar mão na bola a um jogador que está deitado no chão (por ter sofrido falta), a meio metro e de costas relativamente àquele que chuta contra ele.

Não contente, ainda expulsou Nuno Gomes já depois da partida, numa situação na qual o árbitro alega que foi injuriado e Nuno Gomes diz nunca se ter cruzado com ele. Os responsáveis do Benfica, nomeadamente Shéu Han que era delegado técnico, nem se aperceberam da amostragem de nenhum cartão.

Aqui ficam imagens dessa vergonha:

 Esse campeonato ficou ainda marcado por um outro escândalo, promovido pelo actual presidente da Liga de Clubes:


Sem a invenção de Proença, o Benfica teria vencido no dragão e chegado à liderança do Campeonato, ultrapassando o Porto, já na segunda volta. Mas claro que Proença nunca deixaria isso acontecer, estragando o seu registo "perfeito" nos clássicos!

E a história vai-se repetindo, ano após ano. Os ganhos que se pensava terem sido conquistados em matéria de verdade desportiva e imparcialidade arbitral foram completamente desbaratados graças à maior campanha de propaganda e desinformação que já se viu no futebol. Cavalgando sobre o caso dos emails e das pretensas "toupeiras" que passavam "segredos de estado" a troco de uns bilhetes para a bola, o Porto instalou de novo um sistema de medo e coacção no futebol português. O Sporting serviu de lacaio e idiota útil, mas ia também fazendo das suas: voltando a PH, afinal para que servia a avença que recebia de Alvalade? Se nestes anos todos, Frederico Varandas, o médico "sempre próximo da equipa", nunca o viu (pois não sabia de nada), é porque as suas supostas funções de "aconselhamento técnico" não passavam de uma fachada.

O papel de PH parece por isso ser o de "cartilheiro" do Sporting, sob uma máscara de autoridade independente e isenta. Ou seja, uma hipocrisia e maquiavelismo inacreditáveis.

Assim vamos andando e rindo neste futebol português no qual nem as moscas mudam. Só se deslocam de uma posição para outra dentro do mesmo sistema.

Por isso repito o que disse aqui logo em Setembro: continua a pouca vergonha.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Como se conserta o futebol português?

A resposta rápida e directa é a de que são precisos outros protagonistas: outros árbitros, outros funcionários e outros dirigentes. Nada neste sistema funciona nem nenhum destes protagonistas é reciclável. Na Liga, na Federação mas também nos clubes, sobretudo num deles.
Pinto da Costa deveria ter sido erradicado há muitos anos, juntamente com Reinaldo Teles e vários outros. Mas não apenas isso não aconteceu (apesar de serem comprovadamente corruptos - foram condenados e não recorreram, sendo a amnistia de que beneficiaram um exemplo da justiça desportiva travestida deste país) como agora são os seus descendentes (familiares ou "espirituais") que vêm ocupar lugares de responsabilidade.
O caso de J. Marques, um exemplo acabado de indigência humana, para mim é dos mais chocantes. Este indivíduo nada mais faz do que provocar, insinuar, insultar e incendiar o futebol português. É um parasita do futebol. Nada, absolutamente nada de positivo ou bom ele traz. Não produz nada, não contribui com nada mas vive desta indústria.
Correr com esta gente não será porém fácil nem rápido.
Isto para não falar da arbitragem, onde a mudança é talvez ainda mais difícil e importante, pois é nas mãos desta classe que continua a estar o poder de decidir jogos, como ontem ficou mais uma vez claro. Ontem ficou também clara outra coisa e aqui tenho que recordar algo que disse há muito tempo e nesse sentido fazer o papel um pouco desagradável do "eu avisei", especialmente aos benfiquistas que se deixaram iludir. Refiro-me ao VAR. Como antecipei em tempo útil, ou seja, há muito, o VAR não resolveu nada e nalguns casos agrava os problemas da arbitragem.
Agora estamos na situação em que estamos: o VAR é mais um instrumento ao serviço dos mesmos de sempre para viciarem como fazem há décadas os resultados do futebol português.
Retomando a pergunta com que lancei o post, o futebol português pode eventualmente ser consertado, mas não será tão cedo. Até lá não sei se vale a pena ver esta vergonha. Certamente não vale a pena levá-la a sério. Isto é uma palhaçada.


Adenda: está a ser noticiado que Fábio Veríssimo pediu uma licença para se afastar da arbitragem por um período indefinido. A ser verdade, acho bem: é o reconhecimento de que não tem condições (presumivelmente psicológicas) para arbitrar. O problema é que no que diz respeito a competência, ou falta dela, Veríssimo é a regra e não a excepção.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Qualidade e/é simplicidade

Sobre o passado já disse o que tinha a dizer, não sendo preciso fazer muitas comparações para caracterizar o actual momento do Benfica - que é bom.

A vitória sobre o Rio Ave, num jogo que se complicou muito na primeira parte, mostrou que esta equipa está confiante. E quando assim é, a qualidade dos jogadores vem ao de cima. E de facto o Benfica tem muita qualidade no seu plantel. Está claramente acima de todas as outras equipas do campeonato, exceptuando o Porto que está num nível equivalente.
Nessa medida o Benfica tem quase que a obrigação de vencer estes jogos, como venceu hoje - com naturalidade, diga-se.

O grande mérito que reconheço para já a Bruno Lage, é o de escolher bem, fazer as opções certas e não inventar.

O primeiro passo foi o regresso ao 4-4-2. Como quem aqui passa de vez em quando sabe, eu defendo que a matriz do Benfica se expressa muito melhor num 4-4-2 do que num 4-3-3. O Benfica tradicionalmente é uma equipa de futebol atacante, que gosta de marcar muitos golos, que em casa é favorito em mais de 90% por cento dos jogos (apenas contra os gigantes da Europa e, infelizmente, nos últimos anos, contra o Porto, não o é) e que no campeonato português é muito superior a quase todas as outras equipas.

Nessa medida não faz muito sentido jogar com um ponta de lança sozinho na frente, contra equipas que quase sempre se fecham muito na defesa. Em casa então acho mesmo que não faz sentido nenhum.

A meu ver Bruno Lages percebeu isso e ainda uma outra coisa. Que sentido faz ter quatro pontas de lança mais João Félix e jogar apenas com um? Assim, para retirar o melhor partido das características dos jogadores, Lage optou - e bem - por jogar em 4-4-2.

A ideia de colocar Pizzi na direita, hipótese que admiti logo no jogo com o Rio Ave, verificou-se agora e a meu ver faz todo o sentido para equilibrar a equipa, obviando a uma das lacunas de que por vezes o 4-4-2 padece, que é de ter poucos centro campistas e poder perder essa batalha. Com um jogador com rotinas de meio campo e que deriva para o meio, esse problema é atenuado.

Também a opção por Gabriel me pareceu correcta num jogo fora para dar mais poder de choque e capacidade de cobertura e recuperação de bola no nosso meio campo. Claro que se Gabriel tivesse jogado mal e eventualmente perdessemos surgiriam críticas e remoques de que o brasileiro pouco tinha mostrado nos jogos anteriores. Mas em teoria a sua inclusão no 11 fazia sentido e as coisas correram bem com o brasileiro a ser uma das muitas boas exibições desta noite.

O jovem treinador do Benfica mostra assim ter bons feelings, ler bem o que o jogo pode vir a pedir e não inventar. Outra coisa que Lage viu logo é que onde Félix rende mais é na frente de ataque e não na ala.

Também vemos a equipa jogar de forma simples. O 4º golo contra o Rio Ave, o segundo de Seferovic, é um golo de antologia. Como jogar bem que muitas vezes é como jogar simples. Algo que só está ao alcance de jogadores de qualidade. Aquilo que é bem feito parece evidente, mas parece evidente depois de alguém o fazer e mostrar. Antes disso há várias opções possíveis. A melhor, quase sempre, é a mais simples.

O discurso do treinador do Benfica, directo e realista em relação ao que é este grande clube, também me parece incisivo e motivador, ou seja, aquilo que deve ser.

Claro que nem sempre as coisas vão correr bem e que estamos muito longe de poder dizer que Bruno Lage é uma opção de futuro para o Benfica.

Aquilo que esta mudança trouxe e aquilo que Bruno Lage está a tornar evidente é que o plantel do Benfica tem muita qualidade, que é possível jogar bem e que os adeptos podem sentir alegria e emoção ao ver a sua equipa jogar, algo que, pelo menos para mim, há já algum tempo que não se verificava.

Ainda em relação ao jogo de hoje, a entrada em campo na segunda parte foi um exemplo de como se devem abordar situações destas: a ganhar por 1-0 e contra 10, a equipa foi para cima do adversário e praticamente resolveu o jogo (ficou a faltar o terceiro golo, por vezes por um excesso de adorno nas jogadas). Um contraste grande em relação ao passado recente, onde a equipa era demasiado expectante e por vezes hesitante.

Quanto aos jogadores, Pizzi, que alguns iluminados não se cansam de denegrir, voltou a fazer uma grande exibição e Seferovic está a mostrar toda a qualidade que o trouxe ao Benfica. É um jogador muito raçudo, de grande entrega, antes quebrar que torcer, que joga simples e sempre com a baliza na mira. É um atleta que tem muitas características de jogador à Benfica e que está num grande momento. De Gabriel já falei de passagem, mas fez uma exibição muito conseguida, cumprindo exactamente com o que se pedia para este jogo. Zivkovic é um jogador de grande classe, de cujos pés a bola sai redondinha e voltou a ser muito importante para abrir a defesa adversária.

E ainda temos Jonas, Sálvio, Gedson, Samaris, Cervi, Rafa ... e Ferreyra. Ou seja, temos muitas opções. É na defesa que há algumas lacunas que seria bom colmatar ou atenuar neste mercado de Inverno.

Em conclusão. a equipa está solta e confiante. Esperemos que seja para continuar. Estou convicto que sim.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Vitória será sempre o treinador do Tetra

Rui Vitória saiu do Benfica, como já há algum tempo me parecia inevitável.

A época até começou bem, com a qualificação para a Champions, depois de apanhar dois dos adversários mais difíceis que nos podiam ter calhado, e uma vitória sobre o Porto na Luz, algo que infelizmente tem sido raro nos últimos anos (e que o agora ex-treinador do Benfica não alcançara até então).

No entanto desde aí que as coisas - inexplicavelmente - descarrilaram por completo. Quando se esperava que a vitória sobre o Porto motivasse a equipa e a levasse a arrancar para a tão propalada "reconquista", foi o contrário que aconteceu, com derrotas desapontantes e exibições confrangedoras. 

Terá sido talvez uma consequência de uma preparação que programou um pico de forma para Agosto, sofrendo em Outubro/Novembro uma quebra física acentuada. A saída de Luizão, pendurando as botas com a época em andamento, algo que não me lembro de alguma vez ver e que nunca chegou a ser explicado, também terá tido um efeito psicológico naquele balneário. A coincidência da sua saída com o início dos maus resultados é um facto.

Seja como for, mais e melhor se exigia com um plantel destes. Contratações que não jogavam, apesar do seu elevado custo, são outra das componentes da má gestão que caracterizou os últimos tempos de Vitória na Luz. 

Não vou insistir muito no ponto, mas já tornei aqui claro e repito que o 4-3-3 nada trouxe de bom e que desde então perdemos muita da nossa capacidade atacante - com poucos ou nenhuns benefícios em termos de solidez defensiva e controle de jogo.

Nas últimas semanas o nível exibicional do Benfica foi de uma pobreza inaceitável e Rui Vitória, como eu escrevi há cerca de duas semanas, já não dava sinais de ser capaz de inverter as coisas. O 4º lugar que ocupamos reflecte este cenário, apesar de ser bom recordar que os árbitros e o VAR têm protegido muito o Porto.

Mas se é justo e factual reconhecer que Vitória chegou ao fim do seu ciclo no Benfica - o seu modelo e a sua liderança estavam esgotados - isso não pode apagar os seus méritos e o seu lugar na história do Benfica.

Rui Vitória é um dos treinadores portugueses com melhor registo no nosso grande clube, tendo alcançado um bicampeonato nos seus dois primeiros anos, assim completando o tão desejado tetra. O próprio penta esteve próximo de ser alcançado e não fora um desinvestimento no plantel (opção estratégica errada a meu ver, imputável sobretudo ao presidente) podíamos mesmo ter consumado essa aspiração. Faltou um jogo na Luz, uma vitória ou até mesmo empate com o Porto e o penta teria sido uma realidade. Mas, com Jonas lesionado, não tivemos opções de qualidade suficiente para contrariar a pouca sorte que nos calhou nessa tarde em que o penta se esfumou.

Para além de dois campeonatos, Vitória conquistou uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças, tendo ainda alcançado uns quartos de final da Champions. Um registo notável que fica manchado - é um facto - pela pior participação de sempre na Liga dos Campeões, com zero pontos e derrotas humilhantes, facto que, mais uma vez, se deve a meu ver em larga medida a opções erradas por parte da direcção, que deixaram o plantel demasiado depauperado para um nível de exigência europeu.

Contas feitas, Vitória conquista 6 títulos na Luz e um inédito tetra. Merecia sair de outra forma. Penso que ter aceite a suposta proposta das arábias após o 6-2 ao Braga teria sido (caso aquela proposta tenha de facto sido real) a decisão certa. No entanto quando o tempo passar e a poeira assentar os benfiquistas não deixarão de lhe reconhecer o seu lugar na história do clube e os méritos das suas conquistas.

É tempo de vir o próximo, tema para um outro post.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Benfica ilibado: uma decisão óbvia

O caso e-toupeira é para mim desde há muito um processo estranho. Claro que num primeiro momento, aquando da detenção de Paulo Gonçalves, fiquei triste e preocupado. Claro que ter o Benfica envolvido em casos judiciais é algo de absolutamente indesejável.
No entanto, neste caso particular desde muito cedo me pareceu estarmos perante uma acusação muito frágil. Afinal de contas o Benfica era acusado de corromper funcionários judiciais a troco de... convites para jogos. Mais: que benefícios retirou o Benfica desses actos de "corrupção"? O conhecimento do andamento de processos contra o clube? Mas que processos se este é o único que até agora avançou - e com as consequências que estão à vista: a juíza achou que o caso não tinha méritos sequer para ir a julgamento?!
Na minha leitura de leigo, este processo deveria no máximo tratar -se de um processo de violação do segredo de justiça. E, como é sabido, violações de segredo de justiça acontecem diariamente em Portugal sem que daí resultem quaisquer consequências. Falar-se em corrupção era absurdo absurdo e a juíza demonstrou-o ao absolver totalmente a SAD do Benfica mesmo antes de qualquer julgamento.
A concluir, espero que também Paulo Gonçalves seja absolvido de todas as acusações de corrupção - e estou convencido de que o será. Corrupção é um crime muito grave que nada tem a ver com alegadamente receber informações inócuas sobre o estado de processos.
O Ministério Público espalhou-se ao comprido. A montanha pariu um rato.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Mourinho e Vitória

Têm, claro está, carreiras completamente diferentes mas neste momento Mourinho e Rui Vitória estão numa situação que apresenta semelhanças: as suas equipas jogam pouco e mal e não se vislumbra que nenhum deles tenha capacidade de dar a volta à situação. 

O caso de Mourinho é pior: o Manchester está arredado do título antes do Natal e mesmo a qualificação para a Champions parece neste momento uma miragem. O Manchester joga um futebol deprimente, sem qualquer ideia de jogo, sem capacidade de ter a bola e construir jogadas com sentido, sem golos, sem chama, sem sequer criar oportunidades de perigo. Mourinho não tem qualquer plano e culpa os jogadores, quando muitos deles foi ele quem contratou e por somas bem avultadas: Bailly, Lindelof, Dalot, Matic, Pogba, Fred, Lukaku ou Alexis Sánchez.

Primeiro ponto: com o plantel que tem, onde além dos referidos se incluem nomes como Rashford, Martial, Lindegard ou Mata, Mourinho tinha obrigação de fazer muito, mas mesmo muito melhor. Mourinho está a fazer um campeonato ao nível do que Nuno Espírito Santo ou Marco Silva, com plantéis muito menos valiosos têm conseguido (e Marco Silva até está um pouco abaixo das expectativas). Está a 8 pontos do Arsenal e 13 dos Spurs. A uns impensáveis 19 do Liverpool!

Ponto dois: Se o plantel do United não está ao nível dos outros grandes de Inglaterra, nomeadamente do City e do Liverpool, a culpa é de Mourinho. Quem achou por bem gastar 100 milhões na  contrataçãode Pogba? Quem deu 42 milhões por Mkhitarya para depois o trocar por Sánches que nem convocado é? 

Mourinho conseguia transformar jogadores banais em "animais" de competição mas neste momento transforma jogadores talentosos em jogadores banais. Incompatibiliza-se com todos e não assume a responsabilidade por nada. Claramente devia ter a hombridade de se demitir e prescindir da indeminização, mas sabemos que o que se passa é o contrário: não sai apenas porque quer receber a indeminização apesar de já ter percebido que não consegue dar a volta à situação. Mourinho e as suas tácticas ultra defensivas e limitadoras da individualidade e criatividade dos jogadores estão completamente ultrapassadas e já nem resultados garantem. 

Pelo contrário, Mourinho arrasta o United num calvário competitivo e exibicional que o deveria levar, em nome da sua dignidade, a demitir-se. É lamentável que não o faça e que dilapide completamente o prestígio que construiu ao longo da sua carreira. Mais estranho ainda é que a débacle tenha começado imediatamente a seguir à renovação do seu contrato. 

Rui Vitória não está na mesma situação. Não tem - que se saiba, ou pelo menos publicamente - os jogadores contra si e não os acusa de serem os culpados quando as coisas não correm bem. Nesse aspecto, do ponto de vista dos valores, Vitória está muito longe, muito acima de Mourinho. Em termos de resultados as coisas estão um pouco, não muito, apenas um pouco, melhores para Vitória do que para Mourinho. Vitória está teoricamente ainda dentro da luta pelo título. No entanto foi eliminado da Champions mais uma vez sem honra nem glória. Foi mais uma Champions para esquecer. Nesse aspecto Mourinho ainda mantém a ilusão de que pode fazer alguma coisa na Champions.

Mas onde as semelhanças são óbvias é no futebol pobre, sem imaginação nem rasgo das duas equipas. 

Infelizmente tenho que constatar que desde que Vitória começou verdadeiramente a aplicar as suas ideias ao Benfica, nomeadamente o triste 4-3-3, deixámos de ganhar fosse o que fosse e praticar um futebol minimamente atractivo. Digo infelizmente porque sou assim obrigado a concluir que de facto as ideias que foram vencedoras nas duas primeiras épocas vinham de trás.

Desde que chegou ao Benfica, Vitória teve ideias de jogo boas e originais. O problema é que as boas não eram originais e as originais não são boas. As boas vinham dos anos anteriores e as originais não prestam porque esta equipa joga pouco ou quase nada.

Este 4-3-3 continua a não convencer: nem há controlo de jogo, nem posse de bola, nem velocidade, nem oportunidades de golo. Vivemos de rasgos de jogadores excepcionais como Grimaldo, Rafa ou Jonas. Os jogos são penosos de ver.

Têm-se salvado os últimos resultados mas as exibições não auguram nada de bom.

Rui Vitória tem matéria prima para fazer muito melhor, mas infelizmente já poucos acreditam que o consiga.