quarta-feira, 15 de julho de 2026

O "favoritismo" de Portugal e a realidade de Espanha

Antes do campeonato do mundo começar e mesmo após os primeiros jogos, uma série de equipas são apresentadas como favoritas e mais ainda como candidatas a vencer.

Em Portugal perguntava-se insistentemente ao selecionador se éramos favoritos e proclamava-se aos quatro ventos que tínhamos os melhores do mundo. Humildade? Para quê? 

Sinceramente acho esse tipo de discurso um sintoma de provincianismo. Não se ganha por se dizer que somos favoritos e os melhores. Em geral é até o contrário. E isso dos melhores é ilusório. Nuno Mendes está certamente entre os melhores laterais, mas tem problemas com lesões. Diogo Costa fez até um excelente campeonato, mas há muitos outros, desde Bono a Martinez, etc.

Seja como for, é dentro de campo e não em conferências de imprensa que as coisas se resolvem. Os candidatos e os favoritos vão sendo eliminados até ficarem só dois e mesmo desses apenas um sairá a sorrir Domingo à tarde em Nova Iorque.

No início todos podem sonhar: até os norte americanos, os mexicanos e os próprios canadianos acreditavam que podiam ir até ao fim. Mas à medida que a competição avança a realidade instala-se.

Desde o início que Espanha, França e Argentina me pareceram as seleções mais fortes. Chegaram as três às meias finais. Praticamente não houve surpresas, excepto a eliminação da Alemanha com o Paraguai.

França era considerada a seleção mais forte, mas Espanha vulgarizou-a por completo. O jogo colectivo da Espanha, a sua posse de bola e controlo dos jogos e a capacidade técnica dos seus jogadores estão numa classe à parte, extraordinária. Mas ainda falta um jogo. 

França por seu turno foi um conjunto de jogadores sem ligação entre si. Não esteve à altura da exigência e não teve liderança em campo. 

Quanto à Argentina, não enfrentou nenhuma selecção de topo até ao momento. Poderia ter jogado com Portugal nos quartos, se tivéssemos feito o nosso trabalho. (E se calhar estaria aqui a escrever agora sobre mais uma meia final de um mundial Portugal - Inglaterra, 60 anos depois.) A Argentina não apenas não enfrentou nenhum desafio de dificuldade elevada como teve demasiadas dificuldades para  eliminar seleções banais. Depende demasiado de Messi. Pode ser que se transfigurem, mas seria uma enorme surpresa para mim se viessem a ser campeões do mundo novamente.

Inglaterra tem vindo a bater à porta do título nos últimos torneios, mas há sempre qualquer coisa que falta. Vejo qualidade, como é óbvio, vejo espírito de sacrifício (que não se via antes), mas não vejo ainda uma equipa ao nível da Espanha. Dito isto, e como é evidente, surpresas podem acontecer quando o vencedor se decide num só jogo. E quem o ganhar será um campeão do mundo justo, porque, ao contrário de todos os outros favoritos e candidatos, ganhou o direito de estar nesse jogo. 

terça-feira, 7 de julho de 2026

"Escandaloso - este Mundial foi uma completa perda de tempo"

 Sinceramente, não estou desiludido. Aconteceu exactamente o que era de prever. Aconteceu o que eu previ. 

Ronaldo foi decisivo pela negativa, ao retirar por completo qualquer possibilidade de Portugal ir longe neste Mundial.

O mundo futebolístico inteiro, excluindo os fan boys, os fanáticos do culto da personalidade, percebe que Ronaldo foi um peso que Portugal arrastou neste Mundial e que uma geração de grandes jogadores foi sacrificada a um ego em busca de objetivos individuais.

Claro que Proença é um dos grandes culpados, claro que Martinez tem imensas responsabilidades. Um olhou para a marca e o dinheiro que Ronaldo trás (trouxe até hoje, porque agora acabou), o outro olhou para o seu próprio lugar e não se quis meter em trabalhos. Mas sabendo-se que Ronaldo é, enquanto figura global, alguém cuja dimensão não pode sequer ser comparada a nenhum deles, é em Ronaldo que eu coloco a principal dose de culpa.

Ele quis usar a seleção para atingir recordes (não alcançou nestes jogos nenhum relevante) e marcas pessoais. Se fosse sério e humilde ele próprio não se sentiria bem em arrastar-se em campo quando Gonçalo Ramos estava a criar bolor no banco de suplentes.

Vergonhoso que Martinez nem sequer tenha levado Gonçalo para o jogo. 

Ronaldo há muitos anos que não faz nada. Em seis mundiais marcou... UM golo nos jogos a eliminar, de PENALTY. O problema foi ter marcado na Liga das Nações, o que levou algumas pessoas a acreditar que ele ainda poderia ser útil neste Mundial. 

E até poderia! Mas a vir do banco! A jogar 20, 30 minutos. Nunca, mas mesmo nunca, a jogar 90 minutos uns atrás dos outros. Mas o seu ego e a falta de coragem de quem deveria liderar fizeram com que Portugal hipotecasse por completo quaisquer hipóteses de ir mais longe. 

A frase do título é de um comentador da BBC. Poderia ter escolhido outras. Todos os apreciadores de futebol autênticos espalhados pelo mundo estão indignados que uma seleção desta qualidade tenha sido colocada ao serviço de um ego a quem ninguém foi capaz de dizer não.