sexta-feira, 8 de julho de 2022

Futeluso: a vergonha do costume

 O futebol em geral não é transparente. Os negócios de Roberto e João Félix, para dar exemplos do nosso próprio clube, não foram reais. Toda a gente percebe que um guarda-redes que só dá frangos e fracassa completamente num clube não sai no ano seguinte por mais de 8,5 milhões de euros. Neste artigo levanta-se a ponta do véu: https://desporto.sapo.pt/futebol/primeira-liga/artigos/transferencia-de-roberto-continua-a-ser-um-misterio . 

Já quanto a João Félix, é evidente que o Benfica contratou vários jogadores a preços inflacionados para "repor" a grande parte dos 126 milhões. É como se os 126 fossem um empréstimo de um banco que depois foi preciso pagar de volta, usando para isso o expediente de contratar jogadores por preços muito acima do seu real valor de mercado. No meio de tudo isto esteve o ubíquo Jorge Mendes.

Temos agora um novo caso em Portugal, pelo menos tão grave como estes e se calhar mais ainda. A contratação de David Carmo.

E para que as coisas fiquem bem claras na cabeça das pessoas, pensem só no seguinte: o Porto não teve 8,5 milhões para contratar João Victor mas teve 22,5 para contratar Carmo. Estranho? Não. São milhões da treta, como da treta é este negócio. Quando foi preciso "mostrar o dinheiro" no Brasil, o Porto encolheu-se. Com Salvador bastou dizer-se que se pagava e tudo ficou um mar de rosas; ele até ficou honrado só de PdC falar com ele.

Uns dizem que o Porto paga 5 milhões por ano (negócio em si já escandaloso) mas se calhar o Porto não paga mesmo nada, a não ser quando vender o jogador para o estrangeiro.

Uma vergonha para não dizer bem pior, e mais ainda se compararmos com o que o trolha de Braga diz sobre o cada vez mais improvável negócio Horta. Aí 10 milhões mais jogadores por um atleta já perto dos 30 anos foi uma oferta insultuosa, mas 5 milhões no imediato (se receber seja o que for) e outros só a ver no futuro por uma das maiores promessas do futebol português já é um grande negócio. 

A isto acresce o bónus se o Porto for campeão. O que é isto? Então o Braga, que supostamente quer ele próprio ser campeão, vai receber de outro clube, alegadamente rival, se aquele ganhar o campeonato? O que significa isto em termos de jogos do Braga com o Porto? E com o Benfica e Sporting, que competem diretamente com o Porto? Tudo isto é lamentável.

 

 

PS - o labrego que pague ao Málaga aquilo a que está obrigado por recusar as propostas do Benfica.



domingo, 26 de junho de 2022

As modalidades

 No defeso do futebol tendemos a dar mais atenção às modalidades, até porque estas entram na sua fase decisiva.

Sem tirar mérito às femininas, que são dominadoras em quase todas as modalidades e onde existe muita dedicação e qualidade técnica (no hóquei fiquei surpreendido pelo nível competitivo), vou-me concentrar nas masculinas, que acompanho mais.

O balanço ainda não é final - falta o hóquei - mas é bastante melhor do que nos anos recentes. Para mim é positivo, atendendo a de onde partimos em relação aos nossos adversários.

Conquistámos dois troféus europeus: a Golden Cup em hóquei em patins (competição que reuniu os clubes que não disputaram a Liga Europeia - e que foram quase todos e os maiores - mas que não tem estatuto oficial) e a Liga Europeia de Andebol, o maior feito de sempre do andebol português. Uma conquista histórica.

Fomos campeões no Voleibol e no Basquetebol de forma absolutamente categórica.

No Futsal não ganhámos nada mas, sem querer falar muito em sorte, a realidade é que não fomos felizes. Na Liga dos Campeões estivemos a vencer o Barcelona por 3-0 e sofremos o golo que nos eliminou da final no último segundo do prolongamento. No playoff para o terceiro lugar vencemos por 5-2. Já no campeonato, a final foi, como quase sempre, Benfica-Sporting. Poderíamos e talvez devessemos ter feito melhor. 3-0 é bastante negativo. Também perdemos a final Taça para o Sporting. Há bastante equilíbrio entre as duas equipas, mas nos momentos decisivos o Sporting tem ganho a maioria das vezes nos últimos anos. Falta qualquer coisa. Foi uma época do quase.

Finalmente temos a decisão final do hóquei em patins na quarta-feira no dragão. O Benfica já eliminou o Sporting nas meias finais no pavilhão João Rocha, também depois de estar a perder por 2-1 na eliminatória. Não é impossível vencer, o Benfica tem qualidade para isso. Agora, claro que o Porto tem uma grande equipa e sem Nicolia as coisas ficam mais difíceis para nós. Há muita coisa, há anos, que não faz sentido na arbitragem em Portugal. Se os juízes forem novamente protagonistas, será ainda mais difícil vencer. Mas temos que ir lá dar tudo. Afinal, fomos ali Campeões Europeus há 9 anos.

No fundo o resultado deste jogo decidirá se o balanço das modalidades de pavilhão é apenas positivo (muito por via do título europeu no andebol) ou muito bom. Se ganharmos serão 3 campeonatos em 5 modalidades. No andebol não somos campeões desde 2007 mas tivemos a espectacular vitória europeia. Do Futsal já falei o suficiente. 3 em 5 está na linha dos resultados que o Benfica deve ter. 2 em 5 ficaria aquém.

De recordar ainda a Youth League. Não entra nestas contas mas é mais um título fora do quadro do futebol sénior. Um título bastante importante e ademais conquistado de forma absolutamente brilhante. 


quinta-feira, 26 de maio de 2022

Nova etapa de esperança

 A vinda de Roger Schmidt é uma lufada de ar fresco no futebol português. Num ambiente marcado por demasiadas quezílias, muitos vícios e um discurso repetitivo, a vinda de um treinador educado, com novas ideias e uma visão positiva do futebol é evidentemente uma boa notícia.

Os benfiquistas podem - e devem - estar esperançosos por uma era diferente, após 3 anos para esquecer. Além de Roger Schmidt, entra (de novo) Lourenço Coelho, que é uma figura importante para fomentar o espírito de balneário e colocar ordem no futebol do Benfica. É indiscutível que as coisas não têm corrido muito bem nesse capítulo e que é necessário "fechar" e unir o grupo.

Finalmente, existe a perspectiva de algumas contratações importantes. É público o interesse em Enzo Fernandez, jogador que parece muito interessante, assim como em Ricardo Horta, um valor seguro que traria qualidade e agressividade à nossa equipa. Além disso, se fosse eu a liderar o Benfica tudo faria para contratar David Carmo, um dos melhores, senão o melhor central a actuar em Portugal, além de Lucas Veríssimo. Uma dupla dos dois seria brutal. 

Mas há muito trabalho a fazer. O Benfica precisa de vender vários jogadores cujo tempo no clube está esgotado. Precisamos de um plantel equilibrado e sem excedentários. Taarabt, Weigl, Seferovic, André Almeida, Pizzi, Meité, João Mário, Diogo Gonçalves, Rodrigo Pinho, Gil Dias, para além dos emprestados Radonjic e Lázaro, são jogadores medianos a mais. Dos 10, além dos emprestados, pelo menos 7 deveriam sair, até para virar uma página em relação ao passado recente de insucessos. E há ainda as situações de Rafa e Grimaldo que têm que ser definidas. Ou os jogadores estão comprometidos com o clube, ou devem prosseguir a carreira noutro lado.

Estamos a falar de muitos casos para resolver, que importa definir rapidamente para se constituir um grupo coeso e começar a construir uma equipa vencedora.

Alguns destes jogadores têm mercado, pelo que podem render alguns milhões, importantes para reinvestir e ir buscar os jogadores de que precisamos para implementar o sistema de Schmidt. Li hoje que o Chelsea pode estar interessado em Weigl. Se assim for, é aproveitar rapidamente. Seferovic também é um jogador conhecido internacionalmente que não deve ser muito difícil colocar, com algum retorno financeiro. Outros casos serão mais problemáticos. Para esses haverá que trabalhar mercados menos exigentes, como os países árabes, a Turquia ou até o Brasil.

Importante é começar a colocar jogadores, mesmo que em condições menos atractivas. Tudo o que vier relativamente a jogadores como Pizzi, Taarabt ou João Mário será ganho, até porque libertaremos massa salarial. Chamem Jorge Mendes: ele não pode servir apenas para colocar no nosso clube jogadores que não interessam ou mamar comissões leoninas nas melhores vendas. Para isso até eu serviria. O difícil é colocar jogadores que não têm muito mercado à partida e é isso que lhe deve ser exigido agora. 

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Futebol CRIME do Porto

Imagem de Henricartoon, retirada de "Sapo Desporto".

 

Há 40 anos que o futebol português se tornou num campo de batalha no qual o desporto foi relegado para segundo plano e a batota dita leis.

Há 10 anos que eu aqui explico o que é o sistema e como o Porto montou uma máquina de coacção sobre diferentes agentes desportivos. Para eles vale tudo. Mas mesmo TUDO, incluindo assassinatos.

Sabemos que há coisas erradas em todos os clubes. As claques em geral são mal frequentadas, violentas e associadas a diversa actividade criminal. Todos os clubes têm responsabilidades neste estado de coisas. Frederico Varandas nesse aspecto foi o único  que teve coragem para fazer o que deve ser feito.

MAS nenhum outro clube usa as claques como o Porto e nenhuma claque é tão má como a do Porto.

Ao passo que o Benfica (e outros) não conseguem ou não querem controlar a actividade violenta de elementos das suas claques, o Porto USA a sua claque como braço armado para cometer as violências e ilegalidades. A claque do Porto é uma tropa de choque usada para ameaçar e coagir jogadores (próprios e dos adversários) e árbitros.

Que outra claque invadiu o centro de estágios dos árbitros?

O que aconteceu nos festejos do título dos penalties deste ano apenas colocou a nú a extrema violência daquela claque e o nível de criminalidade organizada que ali grassa com total impunidade HÁ DECADAS.

A impunidade é absoluta porque a polícia, os juízes e o poder político no Porto TÊM MEDO dos superdragões. E têm medo com boas razões. Basta recordar Carolina Delgado, Ricardo Bexiga, a noite branca ou um sem número de outros incidentes em que a claque portista agrediu, matou ou tentou matar quem lhe fez frente. 

E os árbitros claro que também têm medo. Por isso pensam duas ou três vezes antes de tomar decisões que o Porto considere prejudiciais para si. Uma vez que depois os poderes da Liga, arbitragem e federação até premeiam os árbitros que "erram" a favor do Porto, promovendo a sua ascensão na carreira, a escolha dos árbitros é mais do que evidente. Para que se vão meter em trabalhos? Há que surfar a onda e não fazer ondas. Se tudo vai bem assim, para quê tentarem ser sérios? Isto os que à partida o quereriam ser, porque muitos já vão lá para dentro com uma intenção bem declarada e até oferecem as camisolas aos adeptos. Normalmente os ídolos dos adeptos são os jogadores mas no Porto tudo é diferente.

As consequências estão à vista: Portugal não tem um único árbitro no Mundial - o que é uma boa notícia, pois significa que lá fora também já existe noção do que se passa em Portugal.

Os média têm muita culpa sobre este estado de coisas. Quando chega ao fim do campeonato branqueiam tudo e dizem que quem teve mais pontos é porque foi melhor, ignorando PROPOSITADAMENTE como essa pontuação resulta de uma adulteração da verdade desportiva causada pela parcialidade dos árbitros, sempre no mesmo sentido. Mais: ainda atacam o Benfica por denunciar o óbvio. Os média NÃO têm coragem. Também têm medo do Porto. Mais ume vez, não sem razão, dado que múltiplos jornalistas têm sido agredidos por adeptos e dirigentes do Porto ao longo das décadas, nalguns casos em directo, com todo o país a ver. E mais uma vez em total impunidade.

Foi UMA VERGONHA que todos os canais desportivos e TODOS OS NOTICIOSOS tenham estado horas e horas a fio a transmitir ININTERRUPTAMENTE os festejos do título dos penalties na passada semana, num acto de vassalagem ridícula e cobarde ao Porto.

Voltando à claque do Porto é absolutamente chocante ver as imagens do espancamento de um adepto (que pelos vistos não era o que foi mais tarde assassinado) por um grupo de várias pessoas em cima de um contentor, com outros cá em baixo a aplaudir. Pelos vistos o principal líder deste espancamento cobarde é filho do Macaco e outro seu cunhado. Como é chocante ouvir comentadores do Porto tentar desculpar o acto dizendo que ele aconteceu porque o adepto estava em cima do contentor e isso perigava o tecto do mesmo. Então para resolver o assunto sobem 10 pessoas para cima do contentor e desatam ao soco e pontapé na cabeça do indivíduo. VERGONHA. ISTO NÃO É DIGNO DE UM PAÍS CIVILIZADO. E aparentemente ninguém é identificado, ninguém é inquirido, ninguém é acusado. É a impunidade, é a lei da selva, é um estado dentro do Estado.

E os assassinos do outro indivíduo são o número dois da claque e o seu filho. Tudo jogadores ou ex-jogadores do Canelas cujo comportamento selvagem também é conhecido. MAS QUE PAÌS É ESTE ONDE ISTO ACONTECE? ISTO É TERCEIROMUNDISTA.

A lista de acontecimentos promovida pelo Futebol CRIME do Porto - APENAS ESTE ANO - é quase interminável. Vou citar alguns, só de memória:

  1. agressões por parte de jogadores, dirigentes, adeptos e stewards a jogadores do Sporting no fim do jogo para o campeonato;
  2. uma bala atirada para o campo que Pepe tentou esconder do árbitro;
  3. agressões, tentativas de agressão e insultos ao Presidente do Sporting no mesmo jogo;
  4. confusão com Sá Pinto no fim do jogo com o Moreirense;
  5. confusão no jogo com Braga com "o Engenheiro" aos gritos e de dedo espetado para o árbitro e Sérgio Conceição a estender e imediatadamente retirar a mão ao mesmo, não o cumprimentando;
  6. confrontos entre os seus próprios adeptos, assassinato premeditado de um deles com dezenas de facadas no dia e noite dos "festejos";
  7. insultos de vários jogadores ao Benfica e aos benfiquistas;
  8. distúrbios e apedrejamento de instalações do Tondela quando os seus adeptos queriam comprar os bilhetes reservados aos sócios do Tondela;
  9. Sérgio Conceição acusa a polícia de "mentir"...


Para quem quiser ter um pouco mais de perspectiva sobre o Futebol CRIME do Porto, eu tenho dezenas de posts ao longo dos anos. Aqui fica só uma amostra:


https://justicabenfiquista.blogspot.com/2012/11/o-outro-grande-lider.html

https://justicabenfiquista.blogspot.com/2013/06/o-obo-de-colombo.html 

https://justicabenfiquista.blogspot.com/2012/09/as-proximas-actuacoes-do-sistema.html 

https://justicabenfiquista.blogspot.com/2012/05/o-que-e-o-sistema-parte-i.html

 https://justicabenfiquista.blogspot.com/2012/05/o-que-e-o-sistema-parte-ii.html

 https://justicabenfiquista.blogspot.com/2012/05/o-sistema-as-transmissoes-televisivas.html

E especialmente este:

 https://justicabenfiquista.blogspot.com/2019/01/o-fc-porto-e-um-exemplo.html


sábado, 7 de maio de 2022

Isto é um nojo

Há 40 anos que só as moscas mudam no futebol português.

Para aqueles que achavam que o VAR era uma grande coisa, que ia acabar com as roubalheiras, aqui está a milésima prova de como estavam redondamente enganados. O VAR para esta gentinha é só mais uma oportunidade para roubar.

Realmente assim não é possível competir. 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

O futuro do Benfica e as competições europeias

 O Benfica venceu a Youth League na final mais desequilibrada de sempre na competição (e também da "competição mãe", a Liga dos Campeões - incluindo a fase Taça dos Campeões). Foi um jogo de domínio absoluto do Benfica, com os austríacos a terem a sua melhor oportunidade apenas num erro crasso da nossa defesa. Com excepção do fim da primeira parte e uns curtos minutos na segunda, o Benfica dominou a seu bel prazer, não dando qualquer hipótese ao RBS. A entrada no jogo foi fundamental: o Benfica foi para o ataque desde o apito inicial do árbitro e rapidamente marcou dois golos. Com alguma naturalidade, diga-se. E isto depois do Salzburgo ter cilindrado o Atlético de Madrid. Claramente a lição foi muito bem estudada pelos nossos treinadores e interpretada pelos jogadores que actuaram com grande confiança e anularam completamente o jogo do adversário.

Este tem claramente que ser o caminho do Benfica: aposta na formação e um modelo de futebol atacante e dominador. Essa é a nossa matriz e é por aí que temos de caminhar. Primeiro para voltar a vencer internamente, segundo para poder ter boas prestações nas competições europeias. Este ano isso aconteceu, mas precisamos de o fazer de forma sustentada e consistente.

Nesse sentido, a contratação de Roger Schmidt parece-me fazer sentido. Veremos depois na prática como as coisas se passam mas a ideia é legítima.

E falando de competições europeias, como não comentar o que se passou na noite de quarta-feira em Madrid? Parece mesmo existir algo de paranormal nas noites europeias do Real Madrid, especialmente esta época. Todos compreendemos que o Real tem um grande treinador e grandes jogadores, alguns entre os melhores do mundo. Courtois ontem mostrou porque é dos melhores guarda redes, ao dizer presente nos momentos decisivos, Vinícius foi infernal, Rodrygo voltou a ser talismã e Benzema tem sido o rei da Champions. E um meio campo com Modric, Kroos e Casemiro impõe respeito, especialmente se este último puder fazer faltas impunemente, como aconteceu ontem. Tudo isso é verdade, mas no jogo o City dominou praticamente desde o início, teve oportunidades flagrantes para fazer o 2-0 e acabar com a eliminatória, daquelas que quase nem se percebe como a bola não entra, e o Real marca no seu primeiro remate à baliza, quase no minuto 90, numa jogada em que a bola parecia perdida pela linha de fundo, e empata a eliminatória 1 minuto depois. A partir daí não tive qualquer dúvida de que o Real estaria na final.

Uma última palavra para os ex-benfiquistas Rúben Dias e Ederson. Infelizmente não foram felizes e ficam ligados à eliminação do City. 6 golos sofridos é demasiado e nalguns deles podiam e deveriam ter feito mais e melhor. O penalti cometido por Rúben foi o culminar de uma performance muito abaixo ele é capaz. 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Veríssimo mostra trabalho

 O Benfica manteve a eliminatória viva, num jogo muito difícil, emotivo e intenso.

Sofremos os dois golos da praxe, o primeiro perfeitamente evitável: Vlachodimos faz um passe demasiado arriscado, Grimaldo ajeita a bola para o adversário, deixando a equipa em contrapé (Gilberto também estava mal posicionado) e tornando o golo quase inevitável. Mas felizmente não se confirmaram os meus piores receios. Pelo contrário: dividimos o jogo, nunca nos nos desconjuntámos e o Ajax teve dificuldade em encadear o seu futebol, principalmente aquelas combinações desconcertantes que deixam as defesas em palpos de aranha. O facto é que a nossa defesa esteve por regra bem posicionada. Passámos, é certo, por momentos muito complicados no fim da primeira parte, altura em que o Ajax podia ter sentenciado a eliminatória. Mas também teria sido algo injusto, pois os holandeses já estavam na frente do marcador sem merecerem demasiado, uma vez que o Benfica até entrou bem e depois de empatar sofreu novo golo um pouco do nada e contra a corrente do jogo.

A segunda parte foi bastante diferente, para melhor. Rafa apareceu mais, Taarabt esteve excelente e criámos bastante caudal ofensivo, com largos períodos de domínio do jogo e o adversário totalmente recolhido no seu meio campo. O golo apareceu num momento de transição, quando eventualmente até já nem estávamos a dominar tanto. Depois disso podíamos ter feito o 3-2 num centro de Darwin para Yaremchuk e pelo meio houve um penalti indiscutível sobre Ramos que o VAR não quis sancionar. 

Em  geral foi um bom jogo, com vários golos e oportunidades e domínio alternado. Cabe dar os parabéns a Nelson Veríssimo pois ele é o principal obreiro deste empate (que nas actuais circunstâncias e face às expectativas e qualidade do adversário não é um mau resultado).

Primeiro, porque assumiu a equipa num momento dificílimo e ainda para mais nas circunstâncias pessoais que se conhecem. Segundo, porque apesar das coisas não terem vindo a correr bem não se desmoralizou, não deixou de continuar a fazer o seu trabalho com o mesmo profissionalismo e nunca se escondeu. E finalmente porque preparou muito bem este jogo.

Quando toda a gente pensava que iria jogar com três meio campistas e três avançados, jogou num 4-4-2 com Gonçalo Ramos a baixar e subir conforme a equipa atacava ou defendia. E Ramos fez um excelente jogo, tendo sido decisivo no segundo golo. Além disso, deixou João Mário no banco e apostou em Taarabt. Este já havia estado bem no Bessa e esta noite terá sido mesmo o melhor em campo pelo Benfica. Foi um dos jogos mais conseguidos do marroquino desde que chegou ao clube, ele que tem evoluído muito com Veríssimo, perdendo muito menos bolas.

Em suma, uma segunda parte muito boa, com ritmo fortíssimo, permite ao Benfica acalentar algumas esperanças para o jogo de Amsterdão. E isso é mérito de Veríssimo. Há agora, como disse o próprio numa boa conferência de imprensa, que dar continuidade já no próximo jogo de forma a consolidar estas melhorias.