quinta-feira, 15 de julho de 2021

Acordem benfiquistas

 Pelo que tenho lido e ouvido, muitos benfiquistas estão em estado de negação e insistem em não ver a crise profunda em que o clube está envolvido.

A situação é gravíssima e não é a enterrar a cabeça na areia que as coisas se vão resolver.

Em primeiro lugar há que perceber que a imagem do Benfica já estava manchada antes da detenção de Luís Filipe Vieira. O clube viu o seu nome envolvido em múltiplos casos, alguns deles judiciais ainda por concluir e as suas instalações foram objecto de várias buscas policiais.

É verdade que muitos destes casos se têm revelado pouco consistentes. Mas há ainda processos em aberto e os danos reputacionais são já irreversíveis.

Isto afecta a marca, o seu valor, a capacidade de atrair parceiros, patrocínios e investimento e também jogadores e treinadores de renome internacional.

Mas o problema agravou-se imensamente com a detenção de Vieira e as notícias que têm vindo a público na última semana - e outras que continuarão a aparecer.

É necessário perceber que estamos perante um escândalo internacional, quer pelos ecos que tem tido na imprensa mundial quer por envolver já actores estrangeiros (investidores, bancos, empresas e offshores).

Os benfiquistas que pensam que ignorando o que se está a passar ou atacando juízes, procuradores ou media, tudo passa e será esquecido, não têm a mínima noção do mundo em que vivemos.

A partir deste momento, todas as operações do Benfica estarão sobre um escrutínio muito maior das autoridades, reguladores, empresas e bancos. Ninguém arriscará ser acusado no futuro de conivência com práticas menos claras, para já nem falar de condutas ilegais.

O crédito e as próprias transacções financeiras do Benfica (especialmente as internacionais) serão a partir de agora mais difíceis.

Insisto que não querer ver isto, fingir que nada está a acontecer ou enterrar a cabeça na areia, não apenas não resolve nada como só agravará o problema. 

Nem se pense que fazer uma boa época no futebol (algo que é altamente improvável face à instabilidade vivida) resolverá seja o que for. 

Aquilo que os sócios podem e devem fazer para ajudar o clube a sair desta situação é tomar decisões muito racionais sobre o futuro do Benfica.

Algo que infelizmente não têm demonstrado muita capacidade de fazer no passado recente. Por exemplo, ao eleger Vieira (a não ser que tenha existido fraude eleitoral), os sócios ignoraram sinais já demasiado evidentes de - no mínimo - má gestão e falta liderança e rumo. Escolheram mal, pessimamente. As consequências ficaram à vista com os resultados desportivos desastrosos da época passada e, como se não bastasse, Vieira é agora acusado de roubar o clube, além de múltiplas irregularidades e negócios em que actuava como se o Benfica fosse uma das suas empresas.

Para sair da situação negra em que se encontra, o Benfica precisa de uma equipa dirigente altamente profissional, competente e impecável do ponto de vista ético. 

Os sócios precisam de ir um pouco mais longe na sua análise do próximo presidente do que meramente "eu gosto dele" ou "é um benfiquista de gema".

É por demais evidente que o presidente do BENFICA tem que ser benfiquista. Já basta o que tivemos que aturar nos últimos anos. 

Mas isso não chega. Nem pouco mais ou menos. Nem ser simpático. Ou "conhecer o clube". Quem melhor o conhece andou aparentemente a roubá-lo, ou pelo menos a geri-lo de forma negligente e danosa nos últimos anos. 

Ora o que tenho lido por muitos blogues e ouvido em entrevistas a adeptos é preocupante. "Gostam" de um, "não gostam" de outro, insultam potenciais candidatos, acusando-os sem qualquer base (e provavelmente de forma caluniosa) de estar a soldo de interesses obscuros. A acusação mais ligeira é a de que "querem ir ao pote" ou "têm sede de poder". Estes adeptos parecem achar que todos os dirigentes roubam mas que os que já lá estão têm mais direito a esse saque do que outros que queiram vir de fora. 

Acima de tudo, não percebem minimamente o que está em causa e o tipo de perfil e qualidades que são necessários. 

O nosso querido clube precisa de um líder com carisma, um currículo imaculado e capacidade de gestão que varra de uma vez por todas o amadorismo, o compadrio e a corrupção para fora do clube. 

O Benfica está numa situação muito grave (não sabemos qual a real situação das contas, que pode ser muito pior do que as oficialmente divulgadas). A decisão dos sócios nas próximas eleições será por isso de tremenda importância. Pode significar a diferença entre esta crise durar um par de anos ou uma década. Há que a tomar de forma muito racional, esquecendo "dívidas de gratidão" que já deram no que está à vista. 


terça-feira, 13 de julho de 2021

A sorte no Euro (e no futebol em geral)

 Muitas vezes se fala da sorte e falta dela no contexto do futebol. É normal, porque é um jogo e portanto há sempre um certo grau de sorte ou alietoriedade.

No entanto a sorte muito raramente é o factor decisivo e este Euro prova isso mesmo.

A Itália teve a sua dose de sorte contra a Áustria e a Espanha. Podia ter perdido qualquer um desses jogos.

No entanto a Inglaterra também teve sorte. Por exemplo no jogo com a Alemanha Muller completamente isolado atirou a rasar o poste e isso foi decisivo para a vitória inglesa. Depois a Inglaterra beneficiou de um calendário muito favorável para chegar à final.

Já na final, a Inglaterra viu-se a ganhar logo no início do jogo, numa altura em que tinha feito pouco para o merecer. E não soube segurar essa vantagem. Também no prolongamento não foi capaz de tirar partido do facto de ter menos minutos de jogo do que a Itália, que já tinha disputado dois prolongamentos nas eliminatórias.

E para terminar, esteve em vantagem nos penalties, perdeu-a, esteve à beira da derrota no penalti de Jorginho e mesmo depois deste falhar não foi capaz de levar a decisão para a morte súbita nos penalties.

Ou seja, a Inglaterra teve várias oportunidades e não aproveitou nenhuma.

Já a Itália soube sempre aproveitar as oportunidades ou a sorte que o jogo lhe ofereceu (por exemplo ter alcançado o empate ainda antes da fase de desespero começar, ou o penalti ao poste de Rashford). Em todos os jogos perseguiu o máximo possível.

Isto é válido para o futebol em geral, sobretudo um campeonato. Uma equipa pode ter sorte ou azar num jogo, mas ao longo de uma época esse factor é negligenciável.

Já a arbitragem, sendo um factor humano, tem outro tipo de influência, potencialmente mais significativa, sobretudo quando há predisposição para favorecer uma(s) equipa(s) em detrimento de outras. 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Finalmente. Tempo de virar a página no Benfica

 Estava a escrever unm post sobre Vieira e os vieiristas... Fui ultrapassado pelos eventos.

Ainda bem.

É chegada a altura de virar esta página negra na história do Benfica.

Sim, é verdade que LFV entrou no Benfica num período difícil e fez obra, incluindo o estádio. Reconstruiu muito do que estava em cacos, não apenas por causa de Vale e Azevedo - o problema já vinha de Damásio e da destruição do plantel e do balneário do Benfica operada por Artur Jorge. Também os problemas financeiros já vinham de trás.

LFV teve um papel importante na saída desse ciclo negativo. E teve uma oportunidade de se tornar um presidente histórico no Benfica, alcançando a hegemonia do futebol português.

Perdeu essa oportunidade ao desinvestir no ano do Penta - agora sabemos porquê. Sacrificou os interesses do Benfica para salvaguardar os seus próprios interesses empresariais privados e familiares. Isso é indesculpável.

Por isso a saída de LFV (que "comprou" as eleições passadas com JJ e 100 milhões - mal - investidos) já é tardia. Há 3 anos que o Benfica não ganha praticamente nada - e isto com rivais nas ruas da amargura.


A notícia que melhor enquadra e explica a detenção de LFV:

https://sol.sapo.pt/artigo/739981/luis-filipe-vieira-e-rei-dos-frangos-foram-detidos 

Arbitragem no Euro comparada com Liga Portuguesa

 A arbitragem no Euro tem sido exatamente aquilo que eu defendo: deixar jogar, apitar o menos possível, dar cartões quando eles se justificam, marcar penalties apenas quando a situação é flagrante e o VAR intervir apenas quando há erro evidente e objectivo do árbitro.

Tem havido aqui e ali um ou outro erro, um ou outro exagero, mas na maioria esmagadora dos jogos as decisões têm sido as correctas. E não há uma única selecção que possa dizer que foi eliminada por causa do árbitro.

Isto é praticamente o oposto do que acontece em Portugal onde a arbitragem: passa o jogo a apitar, interrompe a toda hora com faltas e faltinhas, dá imensos cartões amarelos, marca penalties por tudo e por nada e o VAR passa a vida a intervir. Além disso muitos jogos em Portugal são decididos nos últimos minutos através de decisões arbitrais questionáveis.

A arbitragem em Portugal é simplesmente DEPLORÁVEL.

Há dias um comentador dizia que no Euro "os jogadores também ajudam" (os árbitros). Foi imediatamente corrigido (penso que por um ex-jogador) que lhe disse, com toda a razão, que os jogadores não ajudam nada, eles sabem é que é inútil reclamar ou fazer fitas e que serão punidos se forem por esse caminho. 

Já em Portugal um jogador do Porto pode dizer ao árbitro que ele é maluco, com o gesto para todo o mundo ver, e nada lhe acontece. 

O problema em Portugal são os árbitros mas também os comentadores, incluindo ex-árbitros que de certo modo validam no plano da opinião pública as decisões completamente erradas daqueles.

Senão vejamos: quantos dos penalties do Porto na época passada seriam marcados neste Europeu? Num cálculo por alto eu diria uns 10 %, ou seja, 1 em 10. Aqueles toquezinhos dentro da área, com o jogador a mergulhar (Taremi, Conceição, etc) e aquelas bolas que batiam casualmente na mão NUNCA seriam penalties neste Euro. E muito bem, porque não o deveriam ser nunca.

Mas os pacóvios comentadores de arbitragem em Portugal e os os paineleiros dos clubes (incluindo do Benfica), vêm sempre, como verdadeiros parolos e pessoas incapazes de pensar pela sua cabeça, dizer que "houve toque por isso é falta". Idiotas absolutos.

Agora que no Euro praticamente nenhum desses toques na área é sancionado com penalty, os mesmos comentadeiros e especialistas (incluindo ex-árbitros, insisto) já acham muito bem, contradizendo completamente os seus comentários ao longo de uma época inteira.

Um dos principais problemas do futebol português é a arbitragem, que impede uma maior competitividade (mais ritmo, mais tempo útil de jogo, mais intensidade). Ao contrário de um lugar comum que costuma ser repetido, Portugal não tem "dos melhores árbitros do mundo".

Portugal tem árbitros medíocres. Soares Dias, o nosso mais bem cotado, apitou dois jogos na fase de grupos. Nem aos oitavos chegou. 


segunda-feira, 5 de julho de 2021

Portugal é das melhores seleções do mundo?

A seleção foi eliminada sem honra nem glória, deixando um amargo de boca muito grande.

Entrámos no jogo com a Bélgica a "especular", ou seja, a ver no que davam as coisas, esperando que uma oportunidade surgisse para poder ferir o adversário, em vez de a procurarmos activamente.

É um estilo, é o estilo de Fernando Santos, o qual afinal de contas não é assim tão diferente do que levou a Grécia ao título em 2004.

Mas compare-se por exemplo com a Espanha. A seleção vizinha é o contrário de Portugal: assume o jogo desde o início, domina por completo a posse de bola e procura de todas as formas chegar à baliza adversária.

Não sou um adepto apaixonado pelo jogo da Espanha. Há uma certa falta de verticalidade, daquela velocidade e vertigem que faz do futebol um jogo emocionante. Considero o jogo da Espanha por vezes monótono, aborrecido, com excesso de passes que não adiantam muito.

Em todo o caso é um modelo que exalta as principais qualidades do jogador espanhol e como tal é o melhor para aquela seleção. Além disso, independentemente de preferências ou gostos, o facto é que a Espanha ataca muito e com 12 golos marcados é neste momento o melhor ataque da prova. 

A questão que se coloca em relação a Portugal é se o modelo e o estilo são os melhores e mais adaptados às características dos seus jogadores. 

A resposta parece mais ou menos evidente, mas antes de a dar talvez valha a pena perder um pouco de tempo a avaliar o jogador português.

Diz-se que Portugal tem das melhores seleções e dos jogadores mais talentosos do mundo. Será que é mesmo assim? Vejamos.

São dados os exemplos de Bernardo Silva, João Félix e Jota, para além de Ronaldo que é um caso à parte. 

Olhemos para os números, os quais são objectivos e não dependem de opiniões.

Bernardo Silva foi o 10º jogador mais utilizado no City na Premier League. Marcou dois golos e fez 6 assistências. Quando De Bruyne (6 golos e 12 assistências) regressou de lesão, Bernardo passou a estar sobretudo no banco. 

Isto não é para desvalorizar Bernardo Silva. É um grande jogador. Mas quando estamos a falar do top dos tops, Bernardo não está acima dos outros.

João Félix no Atlético de Madrid fez 7 golos e 6 assistências na Liga, mais 3 golos na LC. São números medíocres.

Diogo Jota esteve bastante tempo lesionado e entrou muito bem na equipa do Liverpool fazendo uma série de golos seguidos. No total 9 na Premier League e 4 na LC. Mas na seleção não conseguiu dar sequência. 

Ou seja, para além da máquina de golos Ronaldo (que, já se sabe, tem pouca capacidade para pressionar os defesas quando a equipa adversária tem a bola), temos jogadores bons no toque de bola mas com capacidade limitada de concretizar. Esta é a realidade que os números mostram.

Mais: temos pouca capacidade no um para um. É muito raro os nossos jogadores driblarem os adversários ou passarem por eles em velocidade. Com Bernardo Silva isso era gritante: quase sempre ercebia a bola, rodopiava sobre si próprio e passava para trás; praticamente nunca foi capaz de ultrapassar um adversário. Sobre Ronaldo nem vale a pena falar, porque embora essa tenha sido a sua principal capacidade ao longo da carreira, neste momento não consegue driblar, nem adversários muito limitados. Jota fez alguns piques mas apenas por uma vez entregou a bola em condições (o golo contra a Alemanha). De resto era inconsequente. O único jogador capaz de levar a bola para a frente e ultrapassar adversários era mesmo Renato Sanches.

Juntando isso à incapacidade dos nossos laterais fomos uma equipa demasiado macia, quase inofensiva. 

Ora todas as outras equipas medianas do Europeu conseguem fazer esses desequilibrios e fizeram-no: a Suíça, a Dinamarca, a Ucrânia tiveram essa capacidade, para já nem falar da França, da Alemanha, da Itália, da Espanha ou da Inglaterra.

A seleção vale mais do que mostrou, mas não é aquilo que nós portugueses pensamos. 

As ausências de João Cancelo e Nuno Mendes foram extremamente penalizadoras porque são jogadores com uma dimensão atlética que os seus substitutos não têm, nem de perto nem de longe, e que poderiam ter dado mais profundidade à equipa, aumentando também o rendimento dos homens da frente. Resta saber como será a seleção com eles.

Quanto ao sistema: este não parece ser o melhor modelo para a nossa seleção. Aquilo em que apesar de tudo estamos acima da média é no toque de bola e na capacidade de passe. De certo modo características semelhantes às dos espanhóis (o que não é surpreendente dado que somos vizinhos e povos semelhantes). Bernardo Silva, por exemplo, nesse jogo de posse é um óptimo jogador, tal como Moutinho, Rúben Neves - e, noutro registo, até os "gémeos" William e Danilo. Mas num sistema em que pouco temos a bola, as nossas melhores características não sobressaem e o rendimento da equipa dificilmente será alto.

Os nossos melhores momentos foram aliás nos jogos com a Hungria, a França (quando conservámos a posse de bola e assumimos o jogo) e a segunda parte contra a Bélgica. De resto esta presença no Europeu não deixa muitas saudades.

Veremos se Fernando Santos é capaz de reinventar o futebol da nossa seleção e também até que ponto a presença de Cancelo e Mendes (este ainda a ter que provar que o rendimento exibido no Sporting na época passada é para ter continuidade) nos pode dar uma outra dimensão. 

terça-feira, 22 de junho de 2021

Selecção à espera de um milagre

 

Cristiano Ronaldo tem carregado a selecção neste Europeu. Está na altura de outros jogadores mostarem a qualidade que têm. Bruno Fernandes, por exemplo. Os próprios centrais não têm estado ao seu nível. Imagem de "O Jogo".


O jogo com a Hungria (e outra exibições anteriores) vieram dar-nos esperanças legítimas de alcançar algo de importante neste Europeu. Afinal de contas somos campeões em título e a maior parte dos nossos jogadores são titulares das maiores equipas do mundo. Rúben Dias foi eleito o melhor jogador da Premier League, Bruno Fernandes foi o mais decisivo dos jogadores do United, Jota fez uma época excepcional no Liverpool, como Pepe no Porto, Palhinha no Sporting e ainda as revelações Nuno Mendes e Pedro Gonçalves. Temos jogadores com passado na selecção, que já deram mostras da sua capacidade no passado, desde Moutinho a Danilo e William. Temos a qualidade de jogadores como Renato, Bernardo, João Félix. Isto para além de Sérgio Oliveira, Rúben Neves, Rafa ou André Silva. E, claro, temos Cristiano. 

Ou seja, temos matéria prima, uma selecção bastante nivelada por cima, e um treinador que já alcançou feitos históricos.

O primeiro problema prendeu-se com a ausência forçada de Cancelo. Isto porque Cancelo tem uma capacidade atlética, uma velocidade e um andamento que Nélson Semedo neste momento está muito longe de possuir. Cancelo era um jogador diferenciado nesta selecção, dáva-nos uma capacidade de carregar jogo pela direita e fazer rupturas que é muito difícil de substituir.

O segundo problema prende-se com as características de Fernando Santos: as mesmas características que nos conduziram ao sucesso estão agora a "amarrar" a selecção. Isto porque o nosso treinador é por natureza conservador e cauteloso, tendo encontrado uma fórmula que funcionou até aqui (excepção feita ao Mundial 2018) mas que parece agora mostrar todas as suas limitações.

Em 2004, após a derrota com a Grécia, Scolari operou uma revolução no 11, tendo os "consagrados" dado lugar a jogadores mais novos que tinham outra capacidade física e outra fome de vitórias.

Em 2021, a selecção começou bem, pelo que não parecia haver necessidade de mudar. No entanto a derrota pesada e sobretudo a forma como a selecção foi cilindrada pela Alemanha expuseram demasiado as fragilidades de jogadores como William, Danilo e, a partir daí, dos laterais - e até dos centrais. Faltou - e muito - capacidade física e atlética à nossa equipa. Sobretudo no plano da velocidade e da agressividade, Portugal foi altamente deficitário. Chegámos sempre demasiado tarde e andámos sempre a correr atrás da bola e dos jogadores alemães que basculavam o jogo a seu belprazer, colocando bolas nas costas dos nossos laterais e depois na zona de finalização com a maior das facilidades.

Ou seja, uma circulação de bola muito dinâmica e jogadores fisicamente poderosos e rápidos a executar, colocaram a nu as limitações dos jogadores (e sistema) demasiado posicionais de Portugal.

Agora Santos ficou colocado perante um dilema: por um lado, mudar tudo na última jornada da fase de grupos, colocando em campo jogadores que não têm quaisquer rotinas de jogar juntos, é um risco muito grande. Por outro lado, não mudar nada, especialmente depois de todo o mundo ter visto quais as nossas fragilidades é receita quase certa para o fracasso.

É evidente que Palhinha e Renato Santos teriam tido desde o início do jogo contra a Alemanha uma capacidade de disputa da bola e do jogo a meio campo que William / Danilo nunca tiveram. Até Sérgio Oliveira e Moutinho têm mais capacidade de choque e mobilidade do que esta dupla.

No entanto apenas Renato entrou na segunda parte (para o lado direito do meio campo) e, como já referi, é uma aposta arriscada colocar este e Palhinha simultaneamente contra a França, jogo que aliás terá características diferentes do contra a Alemanha.

Depois há a questão dos laterais: Rafael Guerreiro foi demasiado frágil, faria sentido substitui-lo por Nuno Mendes que tem outra dimensão física. (Nélson foi mais vítima do sistema do que propriamente culpado na minha opinião). No entanto Fernando Santos é conservador e tenho dúvidas que o faça.

Outra coisa que já poderia ou deveria ter sido feita era tentar soluções alternativas para o lugar de Bruno Fernandes que tem passado completamente ao lado dos jogos. Claro que é um grande talento e compreende-se que tenha entrado como titular, mas nesta fase e face à ausência de rendimento já deveriam ter sido testadas mais opções. Pedro Gonçalves (Pote) fez uma grande época, foi o melhor marcador do campeonato e é um jogador muito bom a furar as linhas defensivas adversárias, a aparecer onde não se espera e depois a finalizar. Bernardo pode jogar ali, assim como o próprio Félix, este com outras características.

Em suma, Fernando Santos tem estado bastante agarrado, quase amarrado às suas ideias originais e tem dado pouco espaço para outros jogadores se afirmarem. Essa é a sua fórmula, que trouxe sucesso, pelo qual todos os portugueses lhe devem estar muito gratos. No entanto, se era para jogarem sempre os mesmos para quê convocar tantos médios?

Parece-me que é chegada a altura de constatar algumas evidências e fazer algumas alterações.

Dito isto, seja qual for a equipa, será difícil alcançar um resultado positivo contra a França. É o campeão do mundo, tem um meio campo e um ataque de luxo e fisicamente é mais poderosa do que Portugal. Especialmente nesta fase em que estamos muito pressionados e com a confiança muito abalada por uma derrota que poderia ter sido ainda mais humilhante se a Alemanha não tem abrandado (de propósito), é muito difícil não perdermos o jogo.

Com jogadores como Mbappé, Griezman e Benzema, o golo pode aparecer a qualquer momento. Nos últimos jogos a França teve dificuldades em concretizar (apenas dois golos, um marcado pela Alemanha na própria baliza) mas isso pode mudar a qualquer momento. Esperemos apenas que não seja contra Portugal.

Mas acima de tudo esperemos outra coisa: que os nossos jogadores se superem, ultrapassem o trauma da derrota contra a Alemanha e possam inverter a dinâmica negativa criada por esse jogo. Temos que recordar aquilo por onde comecei: somos campeões em título - não o fomos por acaso - e os nossos jogadores estão ao nível dos melhores do mundo. 

É preciso abandonar de vez a mentalidade de pequeninos e abraçar uma mentalidade competitiva, combativa, vencedora. Não podemos voltar a deixar-nos intimidar e amedrontar como aconteceu contra a Alemanha. Para isso Fernando Santos tem também que alterar algumas coisas e dotar a equipa de armas que não tivemos contra a Alemanha. Amanhã é o dia. Se não o fizermos, não haverá outro relativamente ao Europeu e iremos para casa de mãos a abanar.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Vieira destrói o Benfica

 Após arrastar o nome do Benfica, um clube honrado, com uma história gloriosa, pela lama, graças a acusações, buscas, processos judiciais e negócios mal explicados, Vieira envergonha agora o clube através de derrotas sucessivas em praticamente todas as competições em que entramos.

No futebol é o que se sabe, falhámos TODOS os objectivos. Mas todos mesmo. Começámos a época a falhar a entrada na Liga dos Campeões e acabámos a perder a Taça de Portugal. Pelo meio perdemos a Supertaça, a Taça da Liga, fomos eliminados da Liga Europa quando tínhamos uma vantagem de dois golos na segunda parte da segunda mão da eliminatória contra o Arsenal e nem o segundo lugar no campeonato conseguimos atingir.

Mas agora nas modalidades o cenário foi o mesmo: no hóquei eliminados da final da Liga dos Campeões pelo Sporting, da final do campeonato pelo Porto (com um 0-4 no último jogo, depois de estar em vantagem por 2 jogos a zero no playoff), no basquetebol fomos eliminados da final pelo Sporting e no andebol ficámos em terceiro. Salvou-se o voleibol, em que fomos campeões. Vamos ver o Futsal. Para já perdemos o primeiro jogo da final em Alvalade por 1-3.

Mau demais.

Um balanço dos miseráveis resultados nas modalidades nos últimos 10 anos pode ser encontrado em 


https://justicabenfiquista.blogspot.com/2021/06/as-modalidades.html?m=1