quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Obrigado Benfica

Depois de uma paragem veraneia, o blog reabre oficialmente portas para uma nova época. Não será certamente uma temporada muito prolífica em termos de artigos, por razões que não vêm ao caso. De qualquer modo isso agora pouco importa.
Aquilo que neste momento urge dizer e destacar é que o Benfica está qualificado para a Champions League graças a uma exibição notável. Aquilo que importa relevar é que temos equipa. Temos treinador e temos jogadores que dão o seu melhor pelas nossas cores e que têm talento para conseguir alcançar os objetivos do clube para a época desportiva.
Ao contrário do ano passado, este ano partimos com múltiplas opções e alternativas para diversos tipos de jogo. Com opções para rodar jogadores. A única posição em que neste momento estamos debilitados é a lateral direita por manifesta infelicidade dos dois contratados para serem alternativa a André se terem lesionado.
Esta noite viu-se a qualidade de jogo que já se verificara em jogos anteriores com a diferença que ao contrário dessas ocasiões desta vez fomos eficazes. Mas a sorte, se é que se pode falar dela, chegou porque a equipa trabalha, se entrega, tem qualidade e acredita no que faz.
Claro que só alcançámos a qualificação para a Champions mas há todos os motivos para estarmos contentes esta noite e confiantes para a longa época que se inicia.
Obrigado Benfica.

domingo, 8 de julho de 2018

Mundial - já só há um favorito

Alemanha, Argentina, Espanha e finalmente Brasil, um após o outro, os principais candidatos foram caindo na competição, restando neste momento apenas um: França.
A saída do Brasil foi para mim a mais surpreendente eliminação por considerar a canarinha a principal favorita a vencer o troféu. Na minha perspectiva, o Brasil tinha a selecção mais forte em termos individuais, conseguindo também atingir um equilíbrio como equipa.
No entanto perante adversidades que o jogo lhe trouxe (oportunidades falhadas, grandes defesas de Courtois e um autogolo), o Brasil não foi capaz de se superar e elevar ao nível que se exigia. A sua reacção foi insuficiente e a vitória da Bélgica acaba por ser justa. Os diabos vermelhos tiveram a sorte do jogo mas aplicaram a estratégia correcta para a procurar encontrar, nomeadamente a aposta na dupla Fellaini - Witsel para entupir o jogo atacante dos brasileiros. No contra golpe foram a equipa letal a que há décadas habituaram o mundo do futebol.
Com o Brasil fora cai o quarto dos cinco favoritos, deixando apenas a França em prova. Esta eliminou o Uruguai com naturalidade e parte para as meias-finais como favorito. No entanto a Bélgica será seguramente o adversário mais forte que já enfrentaram.
No que toca ao outro"lado" do quadro rumo à final, a Inglaterra confirmou a superioridade que se antevia perante uma Suécia que chegou aos quartos com muita sorte.
A Croácia também confirmou o que se esperava e ultrapassou a Rússia apesar da grande réplica que esta deu.
Dizer que agora tudo pode acontecer é um lugar comum. Eu gostaria que a Bélgica estivesse na final porque acho a França uma equipa demasiado calculista. No entanto analisando friamente parece-me que a França estará na final. Quanto à outra meia final, a Inglaterra tem ganho a minha simpatia ao longo do torneio mas também tenho gostado muito do futebol croata. Apesar de tudo vejo a Croácia como a outra finalista.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Duelo de eleição

Um dos melhores jogos do Mundial foi até agora um candidato improvável a tal distinção: o Bélgica - Japão. A forma meritória como os nipónicos chegaram ao 0-2 e a reviravolta que se seguiu com o 3-2 a chegar já no tempo de desconto constituiu o momento mais emotivo deste campeonato até agora.
Hoje a Bélgica enfrentará um dos principais favoritos à vitória: o Brasil.
Os brasileiros não têm sido os mais espectaculares do torneio mas são, a par da França, dos mais consistentes.
Marcelo regressa e Neymar deverá apoiar Gabriel Jesus. É um teste decisivo a duas das melhores e mais virtuosas equipas da atualidade. O Brasil é favorito a defrontar a França nas meias finais mas espera-se um grande jogo com muita emoção. A não perder.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Mundial - os quartos de final sem Portugal

Estão completados os oitavos de final que ditaram o afastamento de Portugal.

Era uma eliminação esperada. O rendimento da selecção foi demasiado pobre neste Mundial (apenas um pouco acima do que fizemos em 2014). Sem o "abono de família" Ronaldo (a partir do penalti falhado contra o Irão não mais se encontrou) fomos uma equipa quase banal, com pouca capacidade física e sem ideias. Contra um Uruguai fechado na defesa, como gosta, a nossa capacidade de entrada na área foi quase nula, como nula foi a capacidade de rematar com perigo da meia distância. Uma eliminação que acontece assim de forma quase natural.

Há algo a fazer nesta selecção. Era evidente que a defesa não estava à altura deste patamar competitivo, quer no ritmo quer na velocidade. Apenas Pepe tinha ali lugar e Rúben Dias deveria ter sido opção. Se assim fosse poderíamos ter jogado com as linhas mais subidas e mais na antecipação. Não faz sentido Nélson Semedo não ter sido convocado. No meio campo o problema é semelhante. Fernando Santos apostou em jogadores com pouco ritmo e velocidade, tendo feito entrar Manuel Fernandes, o único que fugia a este padrão e é capaz de algumas rupturas, apenas a 5 minutos da eliminação. No ataque as escolhas não andaram muito longe das que eu faria. Era claramente o nosso sector mais forte mas alguns jogadores demoraram (ou não chegaram) a render. Balanço feito, resta-nos guardar as memórias de Paris.

Olhando para o resto da competição e perspectivas, continuo a achar o Brasil e a Croácia as equipas mais fortes e a imaginar uma final entre as duas. No entanto a Inglaterra continua a superar algumas barreiras, sobretudo psicológicas e pode baralhar estas contas. No campo das surpresas, a eliminação da Espanha é claramente a nota mais saliente destes oitavos. Perante uma selecção que já se sabia que pouco mais faria do que defender, a Espanha colocou-se a jeito para que algo assim pudesse acontecer. O penalti cometido por Piqué é ridículo e foi tudo o que os russos precisaram para alcançar o prolongamento e depois o desempate. De resto as coisas seguiram um rumo mais ou menos previsível, tanto mais que alguns eram jogos à partida bastante equilibrados, como por exemplo o Suíça-Suécia. Tinha previsto que os suíços pudessem ganhar mas perante uma equipa tão ou mais defensiva do que a sua os seus argumentos tornaram-se menos eficazes. Em todo o caso achei o resultado algo injusto. A Suécia, diga-se, está a ter uma sorte tremenda, tendo já beneficiado de vários golos "esquisitos", entre autogolos, golos resultantes de desvios em jogadores adversários e outros na sequência de remates falhados que se transformaram em assistências. 

A França deu uma demonstração de poderio, o Brasil confirmou ser o principal candidato e o Bélgica-Japão foi o jogo mais emocionante até agora com os belgas a voltarem a demonstrar fortes argumentos e os japoneses a surpreenderem pela positiva pela excelente réplica que deram.

Apesar de ter acertado em apenas 4 das oito equipas que se apuraram, continuo a acreditar que as meias finais não andarão longe do que previ na mesma ocasião. Sendo óbvio que a Suíça não estará nas meias finais por ter sido eliminada nos oitavos, aposto agora na Inglaterra para essa vaga. As minhas previsões para as meias são assim: França-Brasil e Croácia-Inglaterra (a negrito as previsões que se mantêm desde antes dos oitavos de final). Continuo a considerar o Brasil favorito mas aquilo que a França demonstrou contra a Argentina é para levar muito em conta. A cavalgada de Mbappé no lance do primeiro golo da França (o penalti) é algo que entra para a antologia do futebol. Fez lembrar Ronaldo Fenómeno. Refiro também que num comentário a essas minhas previsões o leitor António previu uma final França-Inglaterra. Para já é possível. 


sexta-feira, 29 de junho de 2018

Mundial 2018 - o caminho para a final

Estão definidos os oitavos de final e assim o caminho e os cruzamentos possíveis entre selecções até à final. Portugal ficou claramente no pior caminho possível, como já tinha assinalado, não tendo nesse percurso, imaginando que ia ultrapassando os adversários, nenhum jogo que não seja de exigência máxima. Ou seja, Portugal poderia, caso passasse as diferentes eliminatórias, enfrentar consecutivamente quatro campeões do Mundo! Que seriam: Uruguai (campeão do Mundo por duas vezes e vencedor da Copa América por 15...), Argentina ou França nos quartos, Brasil nas meias e Espanha na final (ou até Inglaterra, vencedora em 1966, embora as chances de uma final Portugal-Inglaterra andem provavelmente pelo 1%...). 

Este quadro de adversários demonstra bem quão limitadas são as reais possibilidades da nossa selecção. Claro que há sempre esperança mas temos que ter os pés assentes no chão e perceber que nestas circunstâncias só um quase-milagre nos levaria ao título (e mesmo à final).

Compare-se o nosso "grupo" nos oitavos de final com o "grupo" em que calhou a Inglaterra. Por grupo entendo aqui não apenas o emparelhamento dos oitavos mas também o dos quartos. Ao passo que nós temos Uruguai, Argentina e França, Inglaterra tem Colômbia, Suécia e Suíça. Mas Brasil e Espanha também não se podem queixar: ao passo que o "povo irmão" tem México, Bélgica e Japão, os nuestros hermanos têm Rússia, Croácia e Dinamarca. Nas meias finais o apurado do "grupo" de Portugal defrontará o apurado do "grupo" do Brasil, ao passo que o apurado do grupo "Inglaterra" jogará com o "Espanha".

Analisando ainda um pouco mais este caminho para a final, o Brasil vê no seu "lado" três campeões mundiais e o actual campeão europeu eliminarem-se entre si, desse lote saindo o semifinalista que enfrentará, ao passo que Espanha apenas pode enfrentar um campeão do mundo até à final -  Inglaterra que não está sequer no mesmo patamar dos outros campeões, como França ou Argentina.

Para se perceber melhor o que dizemos, nada como visualizar o caminho para a Final. Adicionámos já um conjunto de previsões.


Uruguai
Portugal
França
Brasil
Croácia
Suíça
Colômbia
Inglaterra
Portugal
Colômbia
França
França
Suíça
Suécia
Argentina
Suíça
Brasil
Brasil
Brasil
Croácia
Croácia
Croácia
México
Dinamarca
Bélgica
Bélgica
Espanha
Espanha
Japão
Rússia



Nem todas as previsões têm o mesmo grau de certeza. Alguns dos jogos são muito equilibrados, não havendo um favorito claro, ao passo que as surpresas completas por vezes também acontecem. No entanto estamos confiantes de que: 1) o Brasil vai estar na final; 2) o outro finalista será a Croácia ou a Espanha. Claro que espero estar enganado e que Portugal não apenas esteja na final mas seja Campeão do Mundo. Mas acho difícil. Penso que o título irá para o Brasil. 


Uma rápida "explicação" (e não tenho ilusões de que estarei certo em tudo - pelo contrário a realidade sempre nos surpreende onde menos esperamos):


  • a Suíça pode emergir do "grupo" da Inglaterra como semifinalista porque o "grupo" é fraco e os suíços, não sendo uma grande equipa, são bastante consistentes;

  • aposto na Croácia contra a Espanha porque os croatas têm sido a equipa mais regular e que mais argumentos apresentou até ao momento, ao passo que os espanhóis me parecem fragilizados pelo caso Lopetegui, mas claro que uma vitória da Espanha (que no limite até pode perder com a Rússia) não seria propriamente surpreendente;

  • não imagino uns quartos de final do "grupo" do Brasil que não seja Brasil-Bélgica, jogo que penso que os brasileiros vencerão;

  • nos quartos do "grupo" de Portugal podem pelo contrário estar qualquer das quatro equipas: um Portugal França é praticamente tão provável como um Argentina-Uruguai ou Argentina-Portugal; são quatro equipas muito equivalentes em termos de potencial; escolho a França porque tem sido a mais regular e também - factor importante - a que enfrentou uma fase de grupos mais tranquila e chega mais fresca à fase a eliminar.



quarta-feira, 27 de junho de 2018

Argentina - sangue, suor e lágrimas

A Argentina salvou-se in extremis da eliminação precoce no Mundial ao marcar o golo salvador aos 86 minutos pelo improvável Rojo.
Foi a explosão de sentimentos: Maradona mostrava o dedo do meio (das duas mãos) a alguém nas bancadas (acabando por ter que ser assistido por paramédicos), ao passo que vários eram os jogadores que choravam descontroladamente e no fim da partida. 

Foi um jogo de grande sofrimento e drama. A Argentina marcou relativamente cedo por Messi e tudo parecia correr bem, mas à entrada da segunda parte um penalty cometido por Mascherano nas barbas do árbitro colocou a Argentina novamente à beira da eliminação. No outro jogo a Islândia havia empatado e ia em busca da vitória que lhe daria a qualificação mesmo que a Argentina vencesse por 2-1. 

Sampaolli lançou Aguerro, Pavon e Mesa e Masherano jogava com sangue a escorrer-lhe pela cara. A dada altura tudo pareceu perdido: o árbitro encaminhou-se para o ecrã para analisar um lance comparável ao de Cédric na área da Argentina. O suspense era grande mas o árbitro decidiu não assinalar o segundo penalty do jogo, mantendo a selecção das Pampas viva. 

Essa decisão foi determinante, mas a vitória argentina começou-se a desenhar mais cedo. Sampaolli foi obrigado a ceder: desta vez não houve invenções e, exceptuando Dybala, jogaram os melhores. O rendimento da equipa, apesar das dificuldades em vencer o jogo e de alguns jogadores ainda não renderem o esperado (como Di Maria), foi bem superior ao das anteriores partidas.

Agora a Argentina enfrentará a França nos oitavos de final e o vencedor desse jogo enfrentará o vencedor do Uruguai-Portugal. 



terça-feira, 26 de junho de 2018

Caminho estreito para Portugal no Mundial

Com o volte-face ocorrido nos últimos minutos dos jogos, Portugal complicou substancialmente as suas contas neste Mundial. Já no período de descontos, Espanha perdia e Portugal ganhava. Mas duas decisões do VAR inverteram este estado de coisas e Portugal perdeu a vantagem de três pontos que detinha, passando a segundo classificado do Grupo. Aliás esteve prestes a acontecer um golpe de teatro quando um jogador iraniano apareceu isolado frente a Rui Patrício. Seria a eliminação da selecção na fase de grupos.

As coisas complicaram-se porque Portugal não apenas vai enfrentar o Uruguai (que redimensionou a Rússia para um patamar secundário de competitividade - apesar do factor casa não poder ser completamente descartado numa eliminatória) como enfrentará, caso passe, o vencedor do jogo França-2º classificado do Grupo D (Islândia, Nigéria ou Argentina). Já a Espanha, após o jogo com a Rússia e caso passe, enfrentará o vencedor do jogo Dinamarca-Croácia. E, caso Portugal chegasse às meias enfrentaria com toda a probabilidade um Brasil ou uma Alemanha. 

Ou seja, o caminho que se abriu no Euro com aquela sequência improvável de resultados, aquele alinhamento estelar que nos permitiu evitar Espanha, Alemanha, Itália e enfrentar a França apenas na final, não se repete de modo nenhum no Mundial. Pelo contrário, com a conjugação resultante dos golos nos descontos, Portugal está agora no caminho dos tubarões, sendo as nossas probabilidades de ultrapassar todos e chegar à final bastante diminutas. Principalmente pelo que (não) estamos a jogar.

O jogo de ontem foi negativo na medida em que Ronaldo foi menos exuberante e confiante, falhando um penalty e tendo estado perto da expulsão (que a meu ver seria exagerada mas que obviamente esteve em cima da mesa). Foi negativo também porque voltámos a deixar-nos pressionar fortemente, desta vez nos momentos finais do jogo. Foi negativo porque o rendimento de vários jogadores continua a ser bastante pobre. Foi negativo porque se sente que falta a esta equipa segurança e estabilidade (nomeadamente emocional). A entrada de Quaresma no 11 foi positiva (o golo é monumental e a exibição bastante conseguida até ao extremo se começar a envolver em quezílias com os provocadores adversários) mas João Mário pouco adianta e William é demasiado lento. 

O caminho de Portugal estreitou-se mas para já mantemos pretensões legítimas de nos qualificarmos para os quartos de final, ou seja temos todas as condições de lutar de igual para igual com o Uruguai. 

PS - Lastimo a atitude de Carlos Queirós. É legítimo que seja profissional e prepare a equipa para a qual trabalha no sentido de tentar vencer o seu próprio País. É uma situação estranha e incómoda mas que nos nossos dias se compreende. Agora fazer aquele alarido, aquela pressão, antes, durante e após o jogo, sobre o árbitro e o VAR, pedir a expulsão de Ronaldo e ir dar "bocas" a Moutinho são comportamentos muito feios que só o diminuem. Não pode ficar admirado se depois disto a sua personalidade seja ainda menos apreciada pelos portugueses.