terça-feira, 17 de setembro de 2019

Assim, não

Continua ininterrupto o ciclo negro do Benfica na Liga dos Campeões, apesar das declarações de vontade de presidente e treinador(es) de querer mudar este triste estado de coisas.

Que começa, diga-se, logo nas bancadas, com um aspecto desolador para um jogo de Liga dos Campeões. Qualquer jogo da Liga Portuguesa, com um qualquer Paços desta vida (sem desprimor para o clube), tem muito mais espectadores, o que devia levar os dirigentes a repensar os preços tanto dos bilhetes como dos redpasses.

Quanto ao jogo propriamente dito, não posso concordar com as escolhas de Bruno Lage. São demasiados jogadores com falta de ritmo e/ou experiência ao mesmo tempo em campo. Isto independentemente do valor individual de cada um e até das exibições realizadas que não vou aqui avaliar. No Benfica quando se perde, sobretudo em casa, não faz qualquer sentido falar de boas exibições individuais. Também não o faz estar a apontar individualmente culpados quando a falha é sobretudo colectiva e portanto em primeira análise do treinador.

Para além disso, do escalonamento do 11, o posicionamento dos jogadores não foi o melhor. Desde o início que nos senti muito inseguros no jogo, sendo bastante evidente que qualquer aceleração do Leipzig criava de imediato situações de perigo na nossa baliza. Não estávamos nem confortáveis no jogo defensivamente nem minimamente perigosos no ataque. Aí a pobreza foi franciscana.

Já não é aliás a primeira vez que o Benfica não tem propriamente antíodoto para equipas que pressionam sobre todo o terreno. Taarabt foi conseguindo libertar-se a espaços, gerando aqui e ali desequilíbrios, mas quando a bola entrava no último terço simplesmente não tínhamos acutilância: Tomas estava muito sozinho na frente e os extremos demasiado recuados (ou cobertos) para poderem dar opções.

Recorde-se que no ano passado era o Benfica quem pressionava os adversários, recuperando rapidamente a bola e saindo depois com grande velocidade para o ataque. Mas neste momento não há Gabriel - jogador insubstituível neste plantel - nem Félix, nem Jonas que, mesmo com reumático, com a sua inteligência criava espaços onde eles pareciam não existir.

Este ano a dinâmica só apareceu a espaços, sendo que as opções alternativas para os jogadores que referi estão muito longe de assegurar o desejável. Temos vivido muito das acelerações de Rafa e da qualidade de Pizzi, mas em jogos de mais elevada exigência, nomeadamente física, e com marcações muito apertada o rendimento destes baixa consideravelmente.

Não tenho soluções milagrosas mas como adepto esperava muito mais e melhor esta noite. Voltámos às sendas das derrotas na CL, o que começa já a enjoar. Uma derrota que aliás compromete fortemente o apuramento. Na CL é preciso vencer os jogos em casa e procurar arrecadar alguns pontos fora. Com um início destes temo o pior. Assim, não.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Resposta categórica

No futebol tudo pode mudar em apenas uma semana. Depois de um campeonato histórico com 5 vitórias em 6 jogos contra Porto, Sporting e Braga, a que acresceu a conquista da Supertaça com um resultado esmagador de 5-0 sobre o rival, bastou uma derrota na Luz contra o Porto para Bruno Lage já ser um amador e Pizzi ser o maior enterra do Benfica.
Não fiquei menos irritado com essa derrota do que qualquer outro adepto, mas no que não alinho é em discursos demagógicos e irresponsáveis que resultam de falta de maturidade ou servem agendas de uma determinada oposição que está mais preocupada em chegar ao poder do que com o bem do Benfica.
É evidente que vencedo o Porto teríamos dado um golpe fortíssimo naquele clube e um passo muito grande para a conquista do presente campeonato. Conceição provavelmente não continuaria e instabilidade seria enorme para o lado das Antas. Poderíamos e deveríamos ter enfrentado esse jogo de outra forma mas nem sempre as coisas correm como queremos. O importante nessas situações é tirar as ilações devidas e é isso que espero que tenha acontecido.
A vitória e a exibição em Braga indicam que isso aconteceu. Nunca podemos pensar que as vitórias acontecem "naturalmente". É preciso lutar por elas sem triunfalismos antecipados - e idiotas - ou sobrancerias e vedetismos despropositados.
O Benfica voltou a fazer um bom jogo e a marcar muitos golos, ainda que dois deles tenham tido intervenção direta dos defesas adversários.
Temos agora uma pausa para corrigir algumas coisas que não estão bem e trabalhar na recuperação de alguns lesionados, capítulo em que continuamos a ser muito penalizados.
Temos um plantel equilibrado e talento ainda por explorar. Acredito que Raul de Tomas pode fazer muito mais e também que Vinícius tem grande potencial, nomeadamente uma velocidade e poder físico que o torna único no plantel.
Termino voltando ao princípio: os adeptos e sócios precisam de crescer um bocadinho; nada justifica os ataques e até insultos dirigidos aos nossos por uma simples derrota que se segue a uma série épica e irrepetível de vitórias e uma recuperação que nos deu um dos títulos mais saborosos de sempre.

domingo, 25 de agosto de 2019

Não se deitam foguetes antes da festa

Já aqui escrevi múltiplas vezes acerca da crónica incapacidade do Benfica em jogos contra o Porto.
Mesmo nos últimos anos, nos quais vencemos 5 campeonatos em 6 e portanto dominámos quase por completo o panorama nacional, o Porto tem um registo melhor do que o Benfica... na nossa casa.
É confrangedor e roça mesmo o misterioso. A nossa equipa parece que se amedronta, ao passo que o Porto se agiganta.
No entanto a explicação para esta derrota talvez seja um pouco diferente e de alguma forma até a oposta: desta vez perdemos por arrogância e sobranceria.
Antes do apito inicial parecia que já tínhamos ganho e que o Porto estava ali para servir de bombo da festa: houve fogo de artifício e faixas alusivas ao 38... Isto quando estamos em Agosto, apenas na terceira jornada.
Um ambiente despropositado, que influenciou o desenrolar do jogo.
O Porto cerrou os dentes e enfrentou o jogo como um desafio crucial, disputando os duelos sempre nos limites. Aceitou o papel de não favorito, percebeu que não podia ganhar no talento mas apenas na entrega e no rigor tático e executou o seu plano de modo quase perfeito.
Já o Benfica entrou de forma altiva, convencido de que lhe bastaria conter a previsível entrada forte do Porto para no momento certo impor o seu ritmo e ferir o adversário. O problema é que o Porto foi ganhando cada vez mais confiança e emperrando sempre o jogo ofensivo do Benfica, pressionando bem alto a nossa defesa, manietando muito bem o nosso meio campo (quase sempre em inferioridade numérica), cortando constantemente as nossas linhas de passe e anulando os nossos avançados (que, diga-se, são praticamente inofensivos).
Cedo se percebeu que só o talento de Rafa, Pizzi ou Grimaldo poderiam conseguir suprir as deficiências colectivas, mas os dois últimos estiveram num péssimo plano e Rafa sozinho não poderia resolver.
O Porto marcou logo após o seu primeiro lance de perigo (e primeiro remate à baliza), no canto daí resultante.
A reacção do Benfica surgiu apenas na segunda parte, quando durante uns 15 a 20 minutos conseguimos encostar o Porto atrás, com Taarabt a conseguir impor alguma velocidade ao nosso jogo ofensivo. Nessa altura o Porto recorreu ao anti-jogo com Pepe literalmente a gozar com os espectadores perante a complacência do árbitro. A dinâmica que pretendíamos foi assim quebrada, mas diga-se que também não fomos capazes de criar oportunidades claras e que o contra ataque do Porto nos colocou sempre em sentido, especialmente com a autoestrada que se abriu com a saída de Samaris.
Bruno Lage terá que reflectir sobre o que se passou e encontrar soluções diferentes. Esta dupla de avançados não funciona e assim todo o jogo da equipa fica emperrado. Também o meio campo neste jogo foi dominado pelo adversário, mostrando dificuldades tanto a construir como a defender. No sector recuado houve múltiplas falhas, tanto ao nível dos passes errados e perdas de bola como dos posicionamentos, com jogadores do Porto a aparecerem várias vezes nas suas costas, apenas com Vlacodimos à sua frente. Não pode ser. As mudanças mais óbvias passam pelo desfazer desta dupla de avançados e com a entrada de Vinícius no 11. O brasileiro é muito mais rápido, agressivo e acutilante do que qualquer dos avançados titulares.
No entanto há mais mudanças necessárias, nomeadamente ser intolerante com a complacência e a sobranceria, no plano mental, e encontrar novos equilíbrios pós-Jonas e Félix que claramente ainda não existem apesar das goleadas ao Sporting e a vitória na ICC terem dado (erradamente) a impressão contrária.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Calma e cabecinha

O Benfica está a 3 passos de ser campeão. O título está por isso próximo, mas não ainda garantido. Por isso é preciso ter muita determinação e igual dose de frieza.
Isto aplica-se também aos adeptos, que mais do que nunca precisam de apoiar a equipa mas sem ansiedade excessiva, sem colocar, com o seu natural entusiasmo, pressão adicional e excessiva sobre a equipa.
É preciso ter bem presente que esta é apenas mais uma jornada e que, seja qual for o resultado, o campeão não ficará decidido.
Claro que tudo isto não passam de reflexões de mero senso comum e que de algum modo todos os benfiquistas têm presentes. No entanto não se perde nada em recordar aquilo que é ou deveria ser óbvio e apelar à tranquilidade .

terça-feira, 30 de abril de 2019

Agora é à descarada!

Ao contrário do que muitos esperavam e desejavam, esta jornada não trouxe uma cambalhota na classificação. Trouxe, isso sim, um reforço da liderança do Benfica na Liga já muito perto do fim. E isto, para alguns personagens indígenas, provocou muita azia.
Ouvi, por exemplo, um Freitas Lobo extasiante enquanto o Braga esteve por cima no jogo, a mudar radicalmente de tom quando os acontecimentos mudaram de feição na segunda parte. Aí ficou desiludido e só quis falar de arbitragem.
Vi um Fernando Mendes e um Octávio cheios de azia. Dois exemplos acabados do que é um "dragarto". Octávio Machado aumenta a sua azia com o vinho que bebe, tornando-se ainda mais penoso e desconfortável ouvi-lo e vê-lo naqueles estados ébrios.
Não vi, mas sei que Rui Santos se manifestou de forma exaltada contra a arbitragem. Ele que na sua classificação na "Liga real" com penalties colocava ainda na passada semana o Benfica 10 pontos à frente do Porto...
Para quê mais considerandos? Está bem à vista: a vitória do Benfica foi um duro revés para os dragartos que pululam na nossa comunicação social, fazendo-os perder as estribeiras e revelar às claras o seu anti-benfiquismo. Pensavam que o Benfica ia perder a liderança em Braga. Puseram nisso todas as suas esperanças... Agora estão incrédulos, raivosos. Temos pena... Desmascararam-se de uma vez por todas. Daqui para a frente não podem continuar a mascararem-se de isentos.
Com o passar do tempo tornar-se-á cada vez mais claro que os penalties a favor do Benfica foram decisões absolutamente normais do árbitro e que a vitória do Benfica foi categórica. O penalty sobre Félix existe, independentemente do jogador do Benfica fazer ou não teatro. Esgaio tenta cortar a bola e pontapeia a bota de Félix. O jogador do Braga soube de imediato o que tinha feito, como se vê pela sua expressão e não esboça sequer nenhum protesto.
O "problema" começou depois com os "comentadeiros", desde logo Freitas Lobo e seguidamente todo o rol de anti-benfiquistas que aqui encontraram um pretexto para descarregar as suas frustrações e também a sua inveja relativamente a João Félix.
Quanto ao resto, só temos que os desmascarar e passar à frente. Que gritem, que chorem, que esperneiem à vontade.
Sábado há mais um jogo crucial nesta caminhada histórica. É aí e só aí que está o nosso foco.

domingo, 28 de abril de 2019

Passo de gigante

O Benfica voltou a dar-se mal com a ideia de "gerir".
Depois do empate do Porto, a vitória não era imprescindível para manter a liderança, o que terá porventura influenciado a forma como entrámos em campo em Braga.
Seja ou não esse o caso, a verdade é que a primeira parte do Benfica não foi boa. Demasiado expectante, sem iniciativa, com pouca capacidade de construir a partir da defesa, a perder quase sempre os duelos no meio campo e sem capacidade de atacar a baliza adversária. Assim sendo, colocámo-nos a jeito para o que viria a acontecer: um golo do Braga num penalty indiscutível de Rúben Dias, depois do jogador do Braga ter passado por vários dos nossos jogadores ainda antes de entrar na área. Era um "castigo" duro para o Benfica, pois não tinha havido grandes oportunidades no jogo, mas previsível face ao que (não) estávamos a fazer. Ainda esboçámos uma reacção mas inconsequente.
A primeira parte estava esgotada e temi o pior, atendendo a que o Braga gosta de jogar em transições rápidas para o ataque, podendo-nos criar problemas face ao nosso necessário balanceamento ofensivo.
No entanto o Benfica entrou muito forte, muito determinado na segunda parte e rapidamente criou várias situações, uma delas com uma bola ao poste de João Félix que pouco depois viria a conquistar o penalty que deu início à reviravolta.
Sobre este lance, é daqueles que em jogo corrido parece falta clara e em câmera lenta deixa muitas dúvidas. Félix coloca-se em posição de proteger a bola e o defesa do Braga entra em carrinho tocando-lhe no pé. O contacto é indiscutível - o jogador do Braga nem protesta. Por isso parece-me penalty, embora perceba que alguns contestem a intensidade e a reacção de Félix.
Faltava porém marcar o penalty, colocar a bola dentro da baliza. Nesse momento Pizzi demonstrou grande frieza e compustura. 
Alcançado o empate, colocava-se a questão de como abordaríamos o restante jogo, mas felizmente não voltámos à "gestão". Pelo contrário, até ao 1-3 não abrandámos.
O segundo golo surgiu de novo penalty, desta vez por mão na bola. Na minha opinião o remate é muito perto do jogador mas também é verdade que a bola ia para a baliza e o jogador abre o braço.
Mais uma vez Pizzi teve enorme frieza - e classe - e concretizou em golo o penalty que ele próprio criara. Jogão do bragantino que ainda foi a tempo de colocar a bola no coração da área num canto para Rúben Dias entrar de rompante e marcar o terceiro, fazendo porventura as pazes com alguns adeptos mais críticos.
Depois houve gestão - aí sim, justificava-se fazê-la, de forma inteligente - com a equipa a encostar atrás e a sair para o ataque com enorme velocidade e acutilância. Foi assim com naturalidade que fizemos mais um golo, desta vez num slalom genial de Rafa após um falhanço escandaloso (apesar do guarda redes ter mérito na defesa) de Seferovic.
Esta já está. Uma vitória importantíssima num jogo que chegou a estra muito complicado. Há que rever aquela primeira parte. A segunda foi porém de uma classe e autoridade incríveis. Custa a crer como aqueles meninos jogam com tanta matutidade.
Venha agora o Portimonense. Estamos hoje bem mais perto do título do que há uma semana, mas claro que temos que continuar a pensar passo a passo e sempre com concentração máxima e sem euforias.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Quem não está bem no Benfica pode ir embora

É isto que o presidente do Benfica tem a dizer sobre Samaris.
Um jogador que tem sido absolutamente crucial na recuperação e liderança do Benfica da Liga.
Um profissional exemplar para com os treinadores, companheiros e adeptos. Alguém que esteve meses encostado (nem servindo para suplente com Vitória) e nunca teve uma palavra negativa ou exigências de saída. Um homem que fez questão de aprender português e fala fluentemente, melhor até que muitos nascidos cá.
Um jogador que sente a camisola como poucos e dá tudo pela equipa.
Um jogador que impõe respeito aos adversários e não treme nos momentos difíceis.
Ora sobre este jogador, Vieira resolve dizer, nas vésperas de um jogo decisivo para o desfecho do campeonato, que quem não gosta não está cá.
Se eu não tivesse visto e me contassem, não acreditava. Mas infelizmente vi em directo.
Pior ainda, essa parece ter sido a mensagem principal que LFV quis passar, porque sobre os restantes assuntos quentes nada disse de relevo.
E tudo isto porque aparentemente Samaris quer 1,5 por época e o Benfica só quer dar 1 milhão. Isto quando todos os anos se gastam dezenas de milhões, nalguns casos por jogadores que são completas incógnitas.
Estou incrédulo. Mesmo que LFV pense que não pode gastar 2 milhões de euros ao longo de dois anos para garantir Samaris nas próximas duas épocas (algo que acho quase surreal face aos valores de que ouvimos falar, entre vendas e contratações) não o deveria vir dizer em público, menos ainda nesta altura.
Acabo com uma simples pergunta: quantos jogadores da qualidade de Samaris se encontram no mercado que custem (com tudo incluído, passe e salários) 3 milhões de euros por época?