Antes do campeonato do mundo começar e mesmo após os primeiros jogos, uma série de equipas são apresentadas como favoritas e mais ainda como candidatas a vencer.
Em Portugal perguntava-se insistentemente ao selecionador se éramos favoritos e proclamava-se aos quatro ventos que tínhamos os melhores do mundo. Humildade? Para quê?
Sinceramente acho esse tipo de discurso um sintoma de provincianismo. Não se ganha por se dizer que somos favoritos e os melhores. Em geral é até o contrário. E isso dos melhores é ilusório. Nuno Mendes está certamente entre os melhores laterais, mas tem problemas com lesões. Diogo Costa fez até um excelente campeonato, mas há muitos outros, desde Bono a Martinez, etc.
Seja como for, é dentro de campo e não em conferências de imprensa que as coisas se resolvem. Os candidatos e os favoritos vão sendo eliminados até ficarem só dois e mesmo desses apenas um sairá a sorrir Domingo à tarde em Nova Iorque.
No início todos podem sonhar: até os norte americanos, os mexicanos e os próprios canadianos acreditavam que podiam ir até ao fim. Mas à medida que a competição avança a realidade instala-se.
Desde o início que Espanha, França e Argentina me pareceram as seleções mais fortes. Chegaram as três às meias finais. Praticamente não houve surpresas, excepto a eliminação da Alemanha com o Paraguai.
França era considerada a seleção mais forte, mas Espanha vulgarizou-a por completo. O jogo colectivo da Espanha, a sua posse de bola e controlo dos jogos e a capacidade técnica dos seus jogadores estão numa classe à parte, extraordinária. Mas ainda falta um jogo.
França por seu turno foi um conjunto de jogadores sem ligação entre si. Não esteve à altura da exigência e não teve liderança em campo.
Quanto à Argentina, não enfrentou nenhuma selecção de topo até ao momento. Poderia ter jogado com Portugal nos quartos, se tivéssemos feito o nosso trabalho. (E se calhar estaria aqui a escrever agora sobre mais uma meia final de um mundial Portugal - Inglaterra, 60 anos depois.) A Argentina não apenas não enfrentou nenhum desafio de dificuldade elevada como teve demasiadas dificuldades para eliminar seleções banais. Depende demasiado de Messi. Pode ser que se transfigurem, mas seria uma enorme surpresa para mim se viessem a ser campeões do mundo novamente.
Inglaterra tem vindo a bater à porta do título nos últimos torneios, mas há sempre qualquer coisa que falta. Vejo qualidade, como é óbvio, vejo espírito de sacrifício (que não se via antes), mas não vejo ainda uma equipa ao nível da Espanha. Dito isto, e como é evidente, surpresas podem acontecer quando o vencedor se decide num só jogo. E quem o ganhar será um campeão do mundo justo, porque, ao contrário de todos os outros favoritos e candidatos, ganhou o direito de estar nesse jogo.