segunda-feira, 4 de maio de 2020

O campeonato terminará realmente?

Penso que não.

Com o pânico que aqui previ (e não era muito difícil fazê-lo) que se instalaria com o corona vírus, os campeonatos de todo o mundo pararam, como aliás parou o mundo à sua volta.

Agora diz-se que o campeonato recomeçará com jogos à porta fechada.

Mas o que acontecerá quando jogadores acusarem positivamente? Não estou a falar de uma possibilidade remota, estou a falar de algo que tem uma possibilidade de praticamente 100% de acontecer.

Nessa altura voltaremos praticamente à estaca zero. Dir-se-á que é uma inconsciência continuar. E o ambiente tornar-se-á muito tenso.

Nessa altura ponderar-se-ão possibilidades e o mais certo é haver uma decisão administrativa: ou não há campeão ou é decretado campeão quem está à frente. Dir-se-á que se tentou mas que as circunstâncias (e a segurança) ditam que não é possível continuar.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

O fim do futebol?

A crise do COVID19 afecta todos os sectores e profissões mas afecta muito em particular o futebol.

Duas razões para isto:
1) em tempos exigentes económica e financeiramente, haverá menos dinheiro disponível - bancos, investidores e grandes empresas canalizarão o seu dinheiro para necessidades mais imediatas ou mais essenciais para o seu negócio;
2) face a uma ameaça de um vírus muito contagioso, espectáculos de 30, 40, 50.000 pessoas estão completamente fora de questão. Eventualmente no Verão o futebol pode ter espectadores, mas até quando? O vírus surgiu na China ainda no Outono. Estamos na Primavera e ele está a atingir o seu pico nos países europeus. Por isso, enquanto não existir vacina teremos público apenas durante três ou 4 meses? No pico do calor em Portugal?

Estes dois factores reforçam-se mutuamente, criando uma espiral negativa: com menos receitas há menos jogadores de qualidade e menos motivação dos espectadores para ir aos estádios, com menos gente nos estádios (e/ou mesmo a obrigação de jogos à porta fechada), as receitas de publicidade, patrocínios, transmissões televisivas também diminuirão.

Isto é no futuro. Mas já no imediato há clubes em situação delicada que não conseguem responder às obrigações de tesouraria sem receitas. De Espanha chegam notícias de grandes cofrtes salariais nos principais clubes.

Por isso considero que o futebol está em estado de emergência e que rapidamente têm que se procurar caminhos para ultrapassar esta situação sob pena do negócio se tornar inviável a curto prazo.

quarta-feira, 11 de março de 2020

O estranho negócio Pedrinho

O Benfica esteve interessado em Bruno Guimarães, um jogador que todos reconheciam ter grande valor. O negócio acabou por ser arrebatado pelo Lyon, por cerca de 22 milhões de euros.

Poucos dias depois, o Benfica virou-se para Pedrinho, um jogador completamente diferente quer do ponto de vista da qualidade, quer da posição em campo.
No entanto os valores do negócio são, ao que parece, sensivelmente iguais: 20 milhões de euros. Curiosamente o mesmo valor de RDT e Weigl... Agora pelos vistos é sempre assim. Se calhar é para arredondar.

Este caso de Pedrinho (que no aeroporto mostrou um desconhecimento completo do Benfica) foi tão estranho que levou o então olheiro do Benfica no Brasil a demitir-se, dizendo que estavam a ser contratados jogadores sem qualidade:

 "Entendendo que o papel dos empresários e o interesse destes passou a prevalecer sobre a análise objetiva do valor dos jogadores, tornando seu trabalho inútil e prescindível, entendeu que deveria terminar a ligação que mantinha com o Benfica". - comunicado de imprensa.

Curiosamente perguntaram ontem a Jorge Jesus sobre Pedrinho. A sua resposta foi esta:

"Se me perguntarem se há jogadores no Brasil na mesma posição do Pedrinho melhores do que ele, eu digo que há e mais do que um, são vários. Cebolinha [Everton, do Grémio], Dudu [Palmeiras], Rony [Palmeiras], Michael [Flamengo]. Já lhe disse quatro!".

Face a isto, temos que nos perguntar: a quem aproveitam estes negócios? Porque ao Benfica já se viu que não é...

terça-feira, 10 de março de 2020

Pânico

A Federação acabou de decidir que os jogos desta jornada (e das seguintes, sem data definitiva) se vão realizar à porta fechada.
É uma decisão drástica, de que não recordo precedentes, motivada pelo Corona vírus. 
A mesma decisão já havia sido tomada antes em Itália. Israel já decretou um período de quarentena para todos os visitantes do país. 
Na Grécia todos os profissionais do Olympiakos estão a ser testados depois do presidente ter sido infectado com o vírus. 
As bolsas mundiais estão em queda livre. 
É o pânico generalizado. 

domingo, 8 de março de 2020

O que se passa com Bruno Lage?

A equipa do Benfica é hoje a imagem do seu treinador: apática, mole, à espera do que lhe vai acontecer.

É estranho porque no ano passado vimos uma equipa confiante, a jogar um bom futebol: atacante, apoiado, com a bola e os jogadores sempre em progressão para a baliza adversária.

Claro que este ano não temos João Félix que era importante no sistema de jogo de Lage, ao fazer a ligação entre o meio campo e o ataque, mantendo em sentido  a defesa adversária graças à sua imprevisibilidade e sentido de baliza. O ano passado havia ainda Jonas que entendia também muito bem esse papel de ligação entre sectores.

Mas isso não explica tudo.

Lage dispôs de várias soluções que, não tendo a mesma qualidade, podiam trazer algo à equipa. É há Vinicius que garante muitos golos.

Mais do que a falta de jogadores (que é uma realidade que se verifica sobretudo nas competições europeias) ou mesmo da má forma de vários titulares, o principal problema do Benfica hoje é a falta de uma ideia de jogo.

Bruno Lage não consegue este ano nem dar consistência e coesão à equipa, nem tirar partido das qualidades dos jogadores que tem. Não consegue aplicar o sistema do ano passado aos jogadores deste ano, mas também é incapaz de criar um novo, adaptado a estes mesmos jogadores.

Começa a ser demasiado - experiências a mais, duplas a mais, erros a mais -, demasiados jogos sem ganhar. Começa a escassear o tempo e a esgotar-se o crédito de Lage.

sábado, 7 de março de 2020

Medíocres

O que é isto?

Mas admite-se que uma equipa com 7 pontos de vantagem perca o campeonato em 5 jornadas?!

Aquelas renovações todas com jogadores que ainda tinham dois e três anos de contrato foram para quê?

Estão a gozar com os benfiquistas?

Tenham vergonha na cara.

sexta-feira, 6 de março de 2020

As contradições do Benfica

Acabaram de ser conhecidas as contas do Benfica e os resultados são excelentes. Mérito da direcção? Claro que sim e não há como o negar.
Pode-se dizer que o Benfica é o maior clube português (o que é indiscutível) mas o Porto e o Sporting também são grandes e as suas contas são desastrosas. Já o Braga que é muito mais pequeno tem boas contas. Por isso o factor determinante é a gestão e a sua qualidade. Aliás o Benfica esteve praticamente falido há duas décadas atrás.
Agora o que não se compreende é como é que esta superioridade não se reflecte nos plantéis!
Muito até pelo contrário: o Porto em geral impõe-se ao Benfica nos confrontos directos. O ano passado foi a excepção.
Esta é uma contradição no trabalho desta direcção, que leva muitas pessoas a interrogarem-se sobre se a prioridade são os resultados financeiros ou os desportivos.
A longo prazo, a saúde financeira será o mais importante, mas a questão é que o insucesso desportivo, nomeadamente a nível europeu, também pode ter um impacto muito negativo nas receitas.

Outra coisa que não se entende são as contratações: não se contratam defesas para poder ser alternativas aos titulares mas gastam-se 20 milhões num jogador para uma posição para a qual existiam já várias alternativas válidas. Contrata-se um jogador espanhol por 20 milhões cujo rendimento foi nulo, quando existem avançados muito melhores e mais baratos em mercados que, ao contrário do espanhol (e do alemão) estão ao nosso alcance.
Por falar em 20 milhões, é essa a nova unidade, a nova bitola para as contratações do Benfica?
Parece que sim, porque aparentemente é esse o valor pelo qual nos preparamos para contratar mais um jogador: Pedrinho. Que não é titular indiscutível do... Corinthians.
Isto depois de não termos querido dar 20 ou 21 por um outro jogador que realmente parece muito acima da média, Bruno Guimarães.
Jogador que aliás exibe uma estampa física (vulgar cabedal) assinalável, ao contrário de Pedrinho que, como o nome indica, é mais um levezinho...
Será que no Benfica ainda ninguém se apercebeu de que um dos problemas da nossa equipa é a falta de poderio físico, a insuficiente capacidade de choque?
Nos jogos europeus e mesmo contra o Porto isso é evidente. Temos uma equipa demasiado macia, problema que se tornou gritante com a lesão de Gabriel.

Enfim são algumas reflexões soltas cujo fio condutor é a discrepância entre a qualidade do trabalho da direcção nalgumas áreas e a gritante falta de visão, a roçar o amadorismo e quase o dolo, noutras. Infelizmente estas últimas são as mais importantes para os sócios e os adeptos.

Dito de outra maneira e sintetizando: não se entende por que razão um clube tão pujante financeiramente não se consegue impor a outro que está falido.