terça-feira, 26 de outubro de 2021

"FC Ronaldo"



 Ronaldo chegou a Manchester, marcou nos primeiros jogos e pensou-se que tudo seria um mar de rosas. A passagem pela Juventus teria sido um erro de casting: uma equipa em perda, que não era capaz de o acompanhar e um estilo de futebol demasiado defensivo que não servia o seu perfil. Já em Inglaterra, com uma equipa de qualidade e um futebol ofensivo, querido pelos adeptos, Ronaldo estaria feliz e o seu rendimento explodiria, com golos em barda.

Tudo isto faz sentido e havia portanto razões para acreditar que as coisas se poderiam passar assim.

Mas a realidade está a ser muito diferente.

Na minha cabeça, apesar de reconhecer aqueles argumentos e de querer que as coisas se passassem daquela forma, pois torço pelo sucesso dos portugueses e Ronaldo já nos deu muitas alegrias e motivos de orgulho, havia duas dúvidas.

1) como se relacionariam Ronaldo e Bruno Fernandes, atendendo a que Bruno era, até à chegada de Cristiano, o líder da equipa, "acima" até de Pogba, marcando quase todas as bolas paradas? 

2) será que o futebol moderno ao mais alto nível é compatível com um avançado que praticamente não pressiona e pouco corre? 

A resposta à primeira questão veio, a meu ver, com o falhanço de um penalti por parte de Bruno Fernandes. O jogador sentiu o peso da decisão, atirando a bola para as nuvens, possivelmente por ter Ronaldo nas suas costas. E não está a render. 

Quanto à segunda, temo que o jogo com o Liverpool tenha dado um sinal de que, a este nível, Ronaldo começa a ser curto. Não pelo que faz dentro da grande área ou perto dela, obviamente, mas pelo que não faz no resto do jogo. 

E há ainda uma outra questão, que não antecipei mas que se começa a tornar evidente - também Solskaer está pressionado: se não coloca Ronaldo em campo (ou se o substitui) expõe-se à irritação do jogador e, se depois não ganha, também às críticas da imprensa e dos adeptos. Mesmo que ache que Ronaldo não é o melhor para a equipa, Solskaer dificilmente não lhe dará a titularidade. 

O problema é agravado pelo facto de Ronaldo ter um ego muito grande e tornar tudo numa questão pessoal. Ora o futebol não é um jogo individual mas sim colectivo. Todos os jogadores, mesmo os melhores dos melhores, necessitam de uma equipa, de um colectivo de homens todos a remar na mesma direcção. Se há um que se acha mais importante e acima dos outros, dificilmente poderá contar com o compromisso e empenho máximo dos restantes. A verdade é que Ronaldo tem atitudes e tiques de uma pessoa mimada, dificilmente explicáveis em alguém da sua idade. Não parece solidário com os companheiros quando as coisas não correm bem - como se a culpa fosse dos outros e não dele. É isso que transparece. E o United é uma equipa em cacos. 

Neste jogo com o Liverpool, o United foi simplesmente arrasado, passado a ferro, cilindrado. E a diferença de um Ronaldo para um Salah ficou bem espelhada, o que seguramente deixou Cristiano para lá de frustrado, como aliás se viu naquele lance lamentável em que provavelmente deveria ter sido expulso. 

Mas é uma simples questão biológica, que ninguém pode contornar. A idade pesa, sobretudo num desporto de exigência máxima, de intensidade enorme, de velocidade vertiginosa. Salah além do grande, enorme talento, está no seu auge físico. Ronaldo no Real Madrid teve épocas absolutamente incríveis - mas já lá vai uma década. Nos últimos anos de Real, Cristiano já se tinha especializado em finalizar e já não carregava a bola nem ultrapassava adversários como em 2010 e 2011. E na Juventus continuou a marcar muitos golos mas também pouco ou nada contribuia para o jogo colectivo da equipa. 

Tudo isto é normal. Ronaldo faz 37 anos em pouco mais de 3 meses. Não pode correr como um jovem de 20, 21 ou mesmo 26 anos. 

O que não é normal e não deveria acontecer é Ronaldo criar mau ambiente ou contribuir para queimar treinadores. É que, como assinala um jornalista inglês, nos últimos 3 anos Ronaldo "despediu" 3 treinadores: Alegri, Sarri e Pilro. Seria um péssimo sinal (e muito mau para o próprio Ronaldo) se um mês depois da sua chegada também Solskaer fosse demitido. 


segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Sinais preocupantes




 O Benfica ganhou ao cair do pano quando já quase ninguém esperava. A vitória permite manter o primeiro lugar e alimenta um pouco a moral.

Dito isto, há sinais bastante preocupantes. 

O primeiro é que o Benfica tem grande dificuldade em desmontar equipas que jogam recuadas, com  defesas muito fechadas. Em geral é no contra golpe, com mais espaço, que conseguimos marcar golos. As vitórias mais importantes foram nesse registo: em Guimarães e contra o Barcelona. Já quando enfrentamos equipas muito fechadas temos uma enorme dificuldade em criar oportunidades e, claro, mais ainda em marcar golos. O problema é que o Benfica enfrenta, na maior parte dos jogos, adversários que se fecham muito.

Para além do lado táctico, há coisas que preocupam desde a vitória com o Barcelona. Não sei se esse jogo subiu à cabeça de alguém mas parece. É que desde então temos:

uma derrota em casa com o Portimonense, 

uma vitória no prolongamento, pela margem mínima, contra uma equipa da 2ª divisão, 

uma derrota por goleada frente ao Bayern,

a vitória de ontem, nos descontos.

Ou seja, em três jogos fáceis perdemos um, empatámos um (se contarmos apenas os 90 minutos) e vencemos outro (in extremis), ao passo que no jogo difícil que tínhamos fomos goleados.

Mas mais do que apenas os resultados, as exibições foram paupérrimas. É verdade que contra o Bayern até aos 70 minutos estávamos a jogar bem, com atitude, e poderíamos até estar a ganhar (seria injusto, mas possível). Simplesmente o jogo não são 70 minutos e desde que sofremos o primeiro a equipa desmantelou-se como um castelo de cartas. Não deveria acontecer. Especialmente sofrer 4 golos com três centrais da categoria dos nossos. Mas claro que o Bayern é um caso à parte no futebol mundial, pelo que damos essa goleada de barato.

Agora nos outros jogos não há desculpas: as exibições foram tão más como os resultados. Lentidão de processos, previsibilidade, atitude insuficiente, incapacidade para desmontar os adversários, foram algumas das características dessas exibições. Será isto estranho ao facto de Jorge Jesus ter decidido, a partir do jogo com o Barcelona, que deixava de haver rotação e que passavam a jogar sempre os mesmos? Sinceramente parece-me que a relação é óbvia: os jogadores passaram a estar mais cansados e o rendimento desceu consideravalmente. 

Esperemos que esta seja apenas uma fase. Que o treinador corrija os seus erros e que a equipa volte a um registo mais positivo. Esperemos que sim, mas infelizmente os sinais neste momento são os opostos. Ao passo que vemos outras equipas progredir e começar a carburar à medida que a época avança, no nosso caso vemos um pouco o contrário. 

É o momento de todos reflectirem ou arriscamos uma outra época de desilusão e derrotas à semelhança da anterior. Os sinais já foram dados. 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A nova vida de Bernardo Silva (e a genialidade de Guardiola)

 Com a contratação de Grealish por uns exorbitantes 117, 5 Milhões de Euros a continuidade de Bernardo Silva no Manchester City foi colocada em causa e especulou-se na imprensa portuguesa sobre a possibilidade de uma transferência para Espanha.

É preciso ver que já na época passada Bernardo não foi titular indiscutível. Com a recuperação de De Bruyne (jogador muito massacrado por lesões, em grande parte por excessiva violência dos adversários - incluindo Palhinha), Bernardo passou a estar mais tempo no banco. É preciso ver que podem jogar naquelas posições também Riyad Mahrez, Phil Foden ou Sterling. Portanto a concorrência é enorme. E a verdade é que Bernardo é um jogador com muito menos explosão do que qualquer um dos outros referidos.

Diga-se que Bernardo foi um jogador muito útil no sistema do City na época anterior. Ou seja, em 19/20. Nessa altura o talentoso português sacrificou-se pela equipa, sendo importante no tiki-taka então praticado, pela sua enorme qualidade de passe e recepção mas também a pressionar os adversários, a recuar e a fechar espaços. Acontece que com isso Bernardo foi perdendo um pouco do perfume do seu futebol. No Europeu fui critico da prestação de Bernardo Silva porque o jogador fosse por razões físicas ou psicológicas raramente era capaz de ultrapassar os adversários e ir à linha, ou criar rupturas. Basicamente recebia a bola dava dois passos em frente e depois rodopiava passando a bola novamente para trás ou para o lado.

Ora Bernardo aparece esta época rejuvenescido. Mais leve, mais confiante com mais bola e mais capacidade de enfrentar o chamado 1 para 1, Bernardo está a ter uma nova vida no City, apesar da concorrência ser ainda mais forte. Isso deve-se também a um novo posicionamento e uma nuance táctica do sistema de Guardiola. Bernardo aparece agora mais no meio campo, como interior, onde tem mais bola e onde pode olhar para o jogo com outra perspectiva, ao invés de estar no triângulo da frente onde estava a ter mais dificuldade em desbloquear (é preciso ver que contra o City as equipas se fecham muito atrás).

Isto tem-se reflectido de forma muito positiva no futebol de Bernardo e do City como um todo. O jogo entre Liverpool e City (2-2) foi dos melhores que tenho visto e Bernardo Silva foi um dos que esteve em melhor plano. Há uma jogada de Bernardo que é absolutamente genial e mostra a melhor versão do jogador: pegando na bola a meio do seu meio campo, ele ultrapassa literalmente meia equipa do Liverpool, incluindo Fabinho e Van Dike e com uma assistência magistral coloca a bola entre dois defesas para deixar Foden na cara do guarda redes. O avançado inglês ficou com pouco ângulo mas podia e provavelmente devia ter feito golo.

Esta nova forma de jogar, em que Bernardo tem mais bola e mais possibilidade de contruit a partir de trás, progredindo com a bola controlada até à entrada da área é mérito evidente do jogador, da sua visão, da sua capacidade futebolística e qualidade técnica, mas também do seu treinador. Guardiola ficou a ganhar à frente, onde Grealish, apesar de ainda não estar a carburar muito, tem mais capacidade do que Bernardo para resolver naquela zona entre a quina da grande área e o golo mas ficou também a ganhar e muito no meio campo onde Bernardo dá outro perfume, outro toque poético ao futebol do City que assim assume outra dimensão. Menos tiki-taka mas mais profundidade, mais imprevisibilidade.

Isto mostra a capacidade de Guardiola para evoluir o seu sistema e para inovar, não estando preso a esquemas rígidos e ideias feitas. Nisto tenho que o contrastar enormemente com Mourinho.

Gostaria de não ter que o dizer e claro que gostaria que Mourinho tivesse sucesso. Mas a verdade é que Mourinho ficou parado no tempo e não tem neste momento golpe de asa para sair do espartilho táctico em que se colocou e que impõe às suas equipas. É que Mourinho pensa o jogo a partir de uma visão negativa, pretendendo em primeiro lugar anular o adversário.

Por exemplo, ontem contra a Juventus, o que se viu foi uma Roma cuja preocupação primeira (e quase última) foi a segurança defensiva, mesmo quando estava a perder. Pode-se dizer que o adversário é teoricamente superior, mas isso não impede um treinador de tentar ganhar o jogo. Veja-se a Atalanta: tem uma ideia de jogo positiva, tenta sempre ganhar. Não o conseguirá sempre mas, com recursos limitados, bate-se com todos. Já Mourinho preocupa-se em defender, em anular a outra equipa, em tapar os espaços para a sua baliza (algo que aliás já não consegue de modo tão efizaz como no passado). Depois tenta "esticar o jogo", aproveitando a subida da equipa adversária. Esta estratégia é extremamente limitada e aliás fez com que Zaniolo, que tinha sempre que correr meio campo desde que recebia a bola apenas para se acercar da grande área adversária, tivesse que ser substituído ainda na primeira parte. 

Mourinho disse que a Roma fez um jogo "extraordinário" e atribuiu ao árbitro "intenções". É verdade que o árbitro esteve muito mal ao assinalar penalty num lance em que a Roma até marca. Sempre ouvi dizer que penalty seguido de golo é golo, mas como as regras estão sempre a mudar já não sei... Depois para piorar as coisas a Roma falha o penalty. Mas isso é uma ilusão: caso tivesse empatado (e não tinha feito nada para o merecer) a Roma voltaria a recuar ainda mais e sofreria o 2-1.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Então e a rotatividade??!

 Jorge Jesus foi "guloso" contra o Portimonense.

Não digo isto com a facilidade de quem faz análises depois do jogo e em função do resultado.

Assim que vi o 11 titular fiquei preocupado.

A equipa fez um esforço brutal e teve um desgaste tremendo contra o Barcelona. Correu muitos kms e disputou todas as bolas para ganhar. Física e psicologicamente os titulares na quarta-feira ficaram esgotados.

Os níveis de competitividade e intensidade do jogo da Liga dos Campeões não são os habituais nas equipas portuguesas, nem sequer no Benfica.

Por isso era para mim evidente que contra o Portimonense alguns dos mais influentes (e desgastados) deveriam ter começado no banco. O que se poderia perder em qualidade e entrosamento ganhava-se em frescura física e mental, em disponibilidade para o jogo, em "fome" de jogar e se mostrar.

Menos ainda percebo esta decisão quando já se provou que o plantel tem qualidade e profundidade (reconhecida por todos, incluindo o treinador) e quando em mais do que uma ocasião Jorge Jesus até já fez rotatividade, sempre com bons resultados. 

Para quê ter contratado Meité se nem com o Portimonense EM CASA pode jogar? Pizzi também não tem classe suficiente para um jogo destes, para dar algum repouso a João Mário, que já não é novo e tem jogado todas as partidas?? Taarabt o ano passado era titular em todos os jogos e agora nem neste tem uma oportunidade de começar? Mourato, que tem sempre dado conta do recado, mesmo em circunstâncias exigentes, não poderia ter rendido um dos três da linha defensiva? E na frente Rodrigo Pinho que desbloqueou nos Açores ou Ramos não merecem qualquer confiança? 

Jorge Jesus errou de forma crassa. Este treinador tem uma tendência para borrar a pintura quando as coisas estão a correr bem. Depois de uma preparação exímia do jogo com o Barcelona insistiu num 11 desgastado e fez-nos desperdiçar 3 pontos fáceis.

Mas talvez até pior do que isso, pode ter perdido parte do balneário, dando um sinal tão claro como lamentável de que há vários jogadores que não contam e que só jogam quando não há alternativa.

Qual a motivação destes depois do que aconteceu no Domingo? Não muita, certamente.

Gostaria de pensar que Jorge Jesus aprendeu uma lição, mas tenho quase a certeza de que não é assim. 

Estamos à frente, é certo, mas desperdiçámos uma vantagem já relativamente confortável que tínhamos, voltando quase à estaca zero, no que ao campeonato diz respeito. Mais: Sporting e Porto já se defrontaram e nós ainda temos de jogar contra ambos, mais o Braga.

Tudo estava a correr bem demais... Teve de vir asneira. Isto não é mérito dos outros, é demérito nosso. Sem necessidade nenhuma e totalmente previsível. 

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Memorável

 Por vezes hesito em escrever quando as coisas estão a correr bem.

Será superstição, mas sabemos que no futebol esse tipo de comportamentos e crenças pouco racionais ocupam um lugar na mente dos adeptos.

Assim, não quis dizer nada antes deste jogo, apesar de ter uma forte esperança de que o poderíamos ganhar.

Agora do que não estava à espera era de uma vitória tão clara e concludente como a que tivemos.

Especialmente na segunda parte, o Benfica foi totalmente dominador e vulgarizou o Barcelona.

É evidente que esta equipa do Barcelona não está no melhor momento, que há um certo sentimento de orfandade pela saída de Messi e que o clube está numa espécie de limbo.

Isso toda a gente sabe.

Mas esses factos não significam que o Barcelona não seja um grande europeu e que não tenha um grande plantel. É um colosso e tem um plantel de classe.

Por isso só fazendo uma grande, enorme exibição o Benfica podia ter vencido da forma que venceu.

Para além de ter estado impecável do ponto de vista táctico, o Benfica foi enorme nos duelos individuais, na entrega ao jogo e na capacidade física.

Não vale a pena estar a elaborar muito nos elogios, até porque no futebol tudo muda apenas com um ou dois jogos se os resultados não aparecem.

Agora que esta equipa demonstra uma consistência, uma solidez e uma segurança que não se via há muito, disso não há dúvida.

João Mário veio trazer um grande equilíbrio à equipa e o nosso meio campo é hoje muito diferente, para melhor, do que nos anos anteriores. Weigel parece outro jogador e a defesa exibe agora uma segurança que se transmite a toda a equipa.

Parabéns a todos, foi uma noite memorável, à Benfica. Agora é dar continuidade. 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Empatar em Kiev é mau?

 Depende.
Claro que sentimos que o Benfica dominou o jogo quase por completo e nessa medida o resultado sabe a pouco.

Mas convém também perceber que a estratégia do Dinamo era precisamente a de dar a iniciativa do jogo ao Benfica e tentar depois lançar contra ataques letais. Ou seja, se nos balanceássemos demasiado para a frente deixaríamos espaços em que os ucranianos nos poderiam ferir, tornando tudo ainda mais difícil.

A questão era portanto de encontrar um equilíbrio em que assumissemos o jogo e tentássemos o golo mas não arriscássemos demasiado (porque isso seria também quase de certeza fatal). Estivemos perto de o conseguir. Houve algumas oportunidades que poderíamos ter definido melhor. As substituições também não foram as melhores. Era um jogo muito mais para Seferovic (ou até Ramos) do que para Darwin.

Por outro lado, o Dinamo também teve as suas, ainda mais flagrantes, sobretudo no fim, quando a equipa do Benfica abanou e quase foi nocauteada. Tivemos a sorte de ter sido detectado um fora de jogo milimétrico no início da jogada do golo, caso contrário sairíamos da Ucrânia numa posição muito difícil. Mas isto mostrou duas coisas: 1) que o Kiev não é uma equipa inofensiva ou medíocre (tem as suas limitações, é algo inexperiente mas tem jogadores talentosos e objectivos); 2) que não nos podemos desconcentrar e muito menos "desligar do jogo" seja no minuto 1 seja no 90.

Em termos de Liga dos Campeões, um empate fora não é um mau resultado. A fórmula do apuramento é precisamente pontuar fora, nem que seja com um empate e ganhar os jogos em casa. 

Claro que neste caso as coisas serão um pouco diferentes porque os jogos com o Bayern são de um grau de dificuldade extremo e o mais certo é perdermos os dois. Mas isso também é válido para as duas restantes equipas do grupo (o Barcelona aliás já perdeu em casa e de forma concludente). Nesse sentido, este grupo é como se só tivesse 3 equipas que disputarão duas vagas: uma para os oitavos da Champions, outra para os 16vos da Liga Europa. Assim, o jogo da próxima jornada com o Barcelona em casa será de extrema importância. Uma vitória dá-nos-ia boas possibilidades neste mini campeonato a 3.

Uma nota final para recordar que os super-favoritos, com orçamentos descomunais, Man Utd e PSG não foram capazes de bater adversários muito mais modestos, que não estão provavelmente acima do Kiev. O Barcelona foi vulgarizado em casa, como já referido. E o Sporting fez a figura que ontem se viu.

Por isso, a concluir, o ideal teria sido ganhar em Kiev, mas o essencial era não perder. Com o Barcelona em casa se verá que tipo de chances temos neste grupo, sendo que à partida e no papel não tínhamos nenhumas, no que ao apuramento para a fase a eliminar diz respeito. O mau momento do Barcelona pode porém criar aqui uma janela de oportunidade que veremos dia 29 se conseguimos aproveitar.

domingo, 8 de agosto de 2021

Continua a pouca vergonha

 Primeiro jogo para o campeonato, primeira vitória mas mais do mesmo em termos de arbitragem.

De facto é inacreditável como o Benfica é constantemente prejudicado. É em todos os jogos, em quase todas as decisões.

Eu não digo que o árbitro (mais o VAR) não tomem algumas decisões correctas. Mas nos lances de dúvida a decisão vai contra nós em 90% dos casos.

Em primeiro lugar tenho que assinar os 13 minutos de descontos. Se estivéssemos em desvantagem ou empatados teria sido assim? Digo com certeza quase absoluta que não.

Depois vamos aos lances mais polémicos. A expulsão de Artur Jorge é um lance discutível. O jogador toca na bola, não há dúvida, mas depois abalroa Waldschmidt. Aliás faz-lhe praticamente uma tesoura. É portanto muito discutível que o VAR intervenha. Mas já sabemos que quando é contra nós intervém sempre. Mas mesmo intervindo não percebo a decisão de anular a falta. E acho que no mínimo seria sempre amarelo. 

Depois há o lance da expulsão de Diogo Gonçalves. Imprudente? Certamente. Com intenção? Decididamente não. Eu aceito a expulsão. O que não aceito é que as decisões sejam sempre no mesmo sentido e sempre a prejudicar o Benfica. Mais uma vez o VAR interveio. 

Este prejuízo do Benfica, que parece premeditado, é evidente se virmos o lance entre o mesmo Artur Jorge e Gonçalo Ramos. Para mim há uma agressão. A bola não está e o defesa ataca Ramos na cara. O árbitro dá o amarelo (bem aqui ao ver o lance) mas curiosamente neste caso o VAR já não acha necessário intervir. Porque será? E porque será que eu não fiquei surpreendido?

Indo agora ao jogo. Acho que com o decorrer do jogo complicámos um pouco o que começámos por tornar fácil. Facilitámos ao sofrer um golo quando deveríamos ter saído da primeira parte a vencer por dois ou três. Jesus facilitou ao não tirar Gonçalves mais cedo e este teve uma entrada completamente imprudente (que aliás lesionou o adversário) e assim deixou a equipa reduzida a 10.

Dito isto, há que salientar também o positivo. Em primeiro lugar Lucas Veríssimo, que foi com muita justiça o melhor em campo, Gonçalo Ramos pelo que jogou e se entregou e enfim toda a equipa pela capacidade de sofrimento e o acerto no final do jogo apesar do cansaço.

Também a dinâmica mostrada na primeira parte foi bastante boa.