segunda-feira, 4 de maio de 2020

O campeonato terminará realmente?

Penso que não.

Com o pânico que aqui previ (e não era muito difícil fazê-lo) que se instalaria com o corona vírus, os campeonatos de todo o mundo pararam, como aliás parou o mundo à sua volta.

Agora diz-se que o campeonato recomeçará com jogos à porta fechada.

Mas o que acontecerá quando jogadores acusarem positivamente? Não estou a falar de uma possibilidade remota, estou a falar de algo que tem uma possibilidade de praticamente 100% de acontecer.

Nessa altura voltaremos praticamente à estaca zero. Dir-se-á que é uma inconsciência continuar. E o ambiente tornar-se-á muito tenso.

Nessa altura ponderar-se-ão possibilidades e o mais certo é haver uma decisão administrativa: ou não há campeão ou é decretado campeão quem está à frente. Dir-se-á que se tentou mas que as circunstâncias (e a segurança) ditam que não é possível continuar.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

O fim do futebol?

A crise do COVID19 afecta todos os sectores e profissões mas afecta muito em particular o futebol.

Duas razões para isto:
1) em tempos exigentes económica e financeiramente, haverá menos dinheiro disponível - bancos, investidores e grandes empresas canalizarão o seu dinheiro para necessidades mais imediatas ou mais essenciais para o seu negócio;
2) face a uma ameaça de um vírus muito contagioso, espectáculos de 30, 40, 50.000 pessoas estão completamente fora de questão. Eventualmente no Verão o futebol pode ter espectadores, mas até quando? O vírus surgiu na China ainda no Outono. Estamos na Primavera e ele está a atingir o seu pico nos países europeus. Por isso, enquanto não existir vacina teremos público apenas durante três ou 4 meses? No pico do calor em Portugal?

Estes dois factores reforçam-se mutuamente, criando uma espiral negativa: com menos receitas há menos jogadores de qualidade e menos motivação dos espectadores para ir aos estádios, com menos gente nos estádios (e/ou mesmo a obrigação de jogos à porta fechada), as receitas de publicidade, patrocínios, transmissões televisivas também diminuirão.

Isto é no futuro. Mas já no imediato há clubes em situação delicada que não conseguem responder às obrigações de tesouraria sem receitas. De Espanha chegam notícias de grandes cofrtes salariais nos principais clubes.

Por isso considero que o futebol está em estado de emergência e que rapidamente têm que se procurar caminhos para ultrapassar esta situação sob pena do negócio se tornar inviável a curto prazo.

quarta-feira, 11 de março de 2020

O estranho negócio Pedrinho

O Benfica esteve interessado em Bruno Guimarães, um jogador que todos reconheciam ter grande valor. O negócio acabou por ser arrebatado pelo Lyon, por cerca de 22 milhões de euros.

Poucos dias depois, o Benfica virou-se para Pedrinho, um jogador completamente diferente quer do ponto de vista da qualidade, quer da posição em campo.
No entanto os valores do negócio são, ao que parece, sensivelmente iguais: 20 milhões de euros. Curiosamente o mesmo valor de RDT e Weigl... Agora pelos vistos é sempre assim. Se calhar é para arredondar.

Este caso de Pedrinho (que no aeroporto mostrou um desconhecimento completo do Benfica) foi tão estranho que levou o então olheiro do Benfica no Brasil a demitir-se, dizendo que estavam a ser contratados jogadores sem qualidade:

 "Entendendo que o papel dos empresários e o interesse destes passou a prevalecer sobre a análise objetiva do valor dos jogadores, tornando seu trabalho inútil e prescindível, entendeu que deveria terminar a ligação que mantinha com o Benfica". - comunicado de imprensa.

Curiosamente perguntaram ontem a Jorge Jesus sobre Pedrinho. A sua resposta foi esta:

"Se me perguntarem se há jogadores no Brasil na mesma posição do Pedrinho melhores do que ele, eu digo que há e mais do que um, são vários. Cebolinha [Everton, do Grémio], Dudu [Palmeiras], Rony [Palmeiras], Michael [Flamengo]. Já lhe disse quatro!".

Face a isto, temos que nos perguntar: a quem aproveitam estes negócios? Porque ao Benfica já se viu que não é...

terça-feira, 10 de março de 2020

Pânico

A Federação acabou de decidir que os jogos desta jornada (e das seguintes, sem data definitiva) se vão realizar à porta fechada.
É uma decisão drástica, de que não recordo precedentes, motivada pelo Corona vírus. 
A mesma decisão já havia sido tomada antes em Itália. Israel já decretou um período de quarentena para todos os visitantes do país. 
Na Grécia todos os profissionais do Olympiakos estão a ser testados depois do presidente ter sido infectado com o vírus. 
As bolsas mundiais estão em queda livre. 
É o pânico generalizado. 

domingo, 8 de março de 2020

O que se passa com Bruno Lage?

A equipa do Benfica é hoje a imagem do seu treinador: apática, mole, à espera do que lhe vai acontecer.

É estranho porque no ano passado vimos uma equipa confiante, a jogar um bom futebol: atacante, apoiado, com a bola e os jogadores sempre em progressão para a baliza adversária.

Claro que este ano não temos João Félix que era importante no sistema de jogo de Lage, ao fazer a ligação entre o meio campo e o ataque, mantendo em sentido  a defesa adversária graças à sua imprevisibilidade e sentido de baliza. O ano passado havia ainda Jonas que entendia também muito bem esse papel de ligação entre sectores.

Mas isso não explica tudo.

Lage dispôs de várias soluções que, não tendo a mesma qualidade, podiam trazer algo à equipa. É há Vinicius que garante muitos golos.

Mais do que a falta de jogadores (que é uma realidade que se verifica sobretudo nas competições europeias) ou mesmo da má forma de vários titulares, o principal problema do Benfica hoje é a falta de uma ideia de jogo.

Bruno Lage não consegue este ano nem dar consistência e coesão à equipa, nem tirar partido das qualidades dos jogadores que tem. Não consegue aplicar o sistema do ano passado aos jogadores deste ano, mas também é incapaz de criar um novo, adaptado a estes mesmos jogadores.

Começa a ser demasiado - experiências a mais, duplas a mais, erros a mais -, demasiados jogos sem ganhar. Começa a escassear o tempo e a esgotar-se o crédito de Lage.

sábado, 7 de março de 2020

Medíocres

O que é isto?

Mas admite-se que uma equipa com 7 pontos de vantagem perca o campeonato em 5 jornadas?!

Aquelas renovações todas com jogadores que ainda tinham dois e três anos de contrato foram para quê?

Estão a gozar com os benfiquistas?

Tenham vergonha na cara.

sexta-feira, 6 de março de 2020

As contradições do Benfica

Acabaram de ser conhecidas as contas do Benfica e os resultados são excelentes. Mérito da direcção? Claro que sim e não há como o negar.
Pode-se dizer que o Benfica é o maior clube português (o que é indiscutível) mas o Porto e o Sporting também são grandes e as suas contas são desastrosas. Já o Braga que é muito mais pequeno tem boas contas. Por isso o factor determinante é a gestão e a sua qualidade. Aliás o Benfica esteve praticamente falido há duas décadas atrás.
Agora o que não se compreende é como é que esta superioridade não se reflecte nos plantéis!
Muito até pelo contrário: o Porto em geral impõe-se ao Benfica nos confrontos directos. O ano passado foi a excepção.
Esta é uma contradição no trabalho desta direcção, que leva muitas pessoas a interrogarem-se sobre se a prioridade são os resultados financeiros ou os desportivos.
A longo prazo, a saúde financeira será o mais importante, mas a questão é que o insucesso desportivo, nomeadamente a nível europeu, também pode ter um impacto muito negativo nas receitas.

Outra coisa que não se entende são as contratações: não se contratam defesas para poder ser alternativas aos titulares mas gastam-se 20 milhões num jogador para uma posição para a qual existiam já várias alternativas válidas. Contrata-se um jogador espanhol por 20 milhões cujo rendimento foi nulo, quando existem avançados muito melhores e mais baratos em mercados que, ao contrário do espanhol (e do alemão) estão ao nosso alcance.
Por falar em 20 milhões, é essa a nova unidade, a nova bitola para as contratações do Benfica?
Parece que sim, porque aparentemente é esse o valor pelo qual nos preparamos para contratar mais um jogador: Pedrinho. Que não é titular indiscutível do... Corinthians.
Isto depois de não termos querido dar 20 ou 21 por um outro jogador que realmente parece muito acima da média, Bruno Guimarães.
Jogador que aliás exibe uma estampa física (vulgar cabedal) assinalável, ao contrário de Pedrinho que, como o nome indica, é mais um levezinho...
Será que no Benfica ainda ninguém se apercebeu de que um dos problemas da nossa equipa é a falta de poderio físico, a insuficiente capacidade de choque?
Nos jogos europeus e mesmo contra o Porto isso é evidente. Temos uma equipa demasiado macia, problema que se tornou gritante com a lesão de Gabriel.

Enfim são algumas reflexões soltas cujo fio condutor é a discrepância entre a qualidade do trabalho da direcção nalgumas áreas e a gritante falta de visão, a roçar o amadorismo e quase o dolo, noutras. Infelizmente estas últimas são as mais importantes para os sócios e os adeptos.

Dito de outra maneira e sintetizando: não se entende por que razão um clube tão pujante financeiramente não se consegue impor a outro que está falido.

terça-feira, 3 de março de 2020

Miserável, terceiro-mundista

O futebol português é simplesmente uma vergonha.

O que aconteceu na Liga Europa é a consequência lógica da gestão danosa, da corrupção que grassa no futebol português (e que infelizmente parece estar bastante mais disseminada pela sociedade portuguesa do que eu pensava).

A incompetência começa na cúpula: Pedro Proença é, como dirigente, o que foi como árbitro: um vaidoso completamente incapaz. Todo ele é forma e estilo, zero de substância. Como árbitro prejudicava o Benfica em TODOS os jogos, alegadamente por ser benfiquista e muito honesto... (pausa para rir)

Fernando Gomes é muito apreciado dentro da Federação, incluindo pelo seleccionador e os jogadores. Mas tem um passado no mínimo duvidoso e não se quer envolver no charco da clubite, quando deveria ser a autoridade máxima e o garante da decência do nosso futebol.

Aquilo que aconteceu no Porto aquando da visita do Benfica, com enforcados, faixas com mensagens de ódio, bolas de golfe - acontecimentos gravíssimos - foi completamente ignorado por aquelas autoridades quando a sua obrigação era a de uma acção rápida e firme

Este estado de coisas - que não mudou assim tanto desde o apito dourado, altura em que o Porto deveria ter perdido os títulos referentes às épocas em que comprovadamente corrompeu árbitros com viagens e prostitutas - motiva um clima de guerrilha permanente Benfica-Porto que seca tudo à volta e está a matar o futebol português.

Neste estado de coisas, o Benfica, por muito que isso nos custe admitir, tem igualmente muitas culpas e muito a explicar.

O futebol português foi dominado pelo Porto durante três décadas através de um sistema de corrupção económica e institucional. Árbitros, quinhentinhos, agências de viagens, doping, observadores, dirigentes, tudo estava controlado e tudo está disponível para consulta no youtube graças às escutas da polícia judiciária.

O problema é que nada mudou, atendendo a que as condenações foram todas revertidas. Agora sabemos que há corrupção ao mais alto nível nas instâncias judiciais. Agora percebemos por que razão os juízes do Porto não quiseram condenar o clube e Pinto da Costa.

E tudo voltou à normalidade de um país de terceiro mundo.

A dada altura, o Benfica percebeu que por muito que fizesse em campo não conseguia ganhar. E iniciou uma estratégia de influência nos lugares de poder para contrariar o poder do Porto.

Esta é a realidade e assim chegámos à situação presente que envergonha os benfiquistas que têm verticalidade e decência: vouchers mal explicados e manobras no limite da legalidade que equipas de advogados agora procuram demonstrar que não configuram actos de corrupção.

É preciso começar do zero. Estes dirigentes, do Benfica, do Porto, do Braga, têm todos, sem excepção, negócios e passados obscuros e têm que ser investigados. Todos têm que abandonar o futebol. O mesmo é válido para a arbitragem e para os dirigentes da Liga e Federação. No caso do Sporting, a situação é diferente: gente amadora e incompetente que está a destruir o que resta do clube e que por essas razões deveria demitir-se urgentemente.

Se eu acho que isto vai acontecer? Acho que não. Somos, infelizmente, um país retrógrado e corrupto.

Agora as consequências estão à vista: o Benfica caminha para perder um campeonato que teve no bolso, envolvido em escândalos e investigações policiais, contratações que ninguém entende, comissões e negociatas mal explicadas que parecem feitas para dar dinheiro a ganhar aos amigos; o Porto é controlado por claques e informáticos criminosos e está em falência financeira; o Sporting caminha para a extinção; os clubes portugueses são eliminados por equipas de terceira e quarta linha da Europa. E os dirigentes assobiam para o ar.

Todos caminham alegremente para o abismo.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Infelizmente previsível

O Benfica nunca poderia perder em casa com o Braga depois de perder no dragão. Essa incapacidade de estar à altura dos grandes momentos (ainda por cima duas semanas seguidas), mostrou desde logo que esta equipa não tinha a fibra de campeão. O que aconteceu hoje nada mais foi do que a consequência lógica do que já estava visto. E assim um campeonato que estava praticamente ganho é atirado borda fora por falta de liderança e maturidade.

A celebrada hegemonia está perdida. O Porto vai conqiuistar o seu segundo campeonato em 3 anos e o 5º em 10. O Porto que é, diga-se, um clube completamente falido financeiramente. O problema é que a falência no Benfica é desportiva e de liderança. Isso é absoltamente claro. Quando se perdem 8 pontos em 4 jornadas e se é eliminado da Liga Europa depois de estar duas vezes em vantagem na eliminatória em nossa casa é porque não há estrutura nem liderança.

Uma derrocada completa que desmente por completo os discursos de LFV. Uma vergonha e uma desilusão enorme para os benfiquistas que não mereciam isto.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A defesa de papel - Weigl e Taarabt

Mais uma derrota (neste caso no conjunto da eliminatória) mais um jogo de terror para a defesa do Benfica, mais três golos sofridos.

O momento do Benfica é mau e não se recomenda. Mas como explicar o que está a acontecer? Quais as causas?

A primeira realidade indesmentível é que quando joga com equipas mais fortes o Benfica por regra empata ou perde. Este ano perdeu os dois jogos com o Porto, com o Braga venceu um e perdeu outro; na Liga dos Campeões perdeu 3 jogos, empatou um e ganhou dois e na Liga Europa empatou um e perdeu outro. No total temos 7 derrotas, dois empates e apenas três vitórias. Ou seja, ao nosso nível (ou ao nível a que aspiramos) temos no presente ano uns míseros 16,6% de vitórias.

Portanto, tendo o Benfica jogado recentemente na Liga Europa, com o Porto e com o Braga é "normal", segundo estes padrões, que tenha perdido a maioria e não tenha ganho nenhum. Quando Bruno Lage diz que fizemos um jogo "à Benfica" ou quando Rúben diz que "fizemos um bom jogo" estão no fundo a aceitar a "normalidade" deste estado de coisas.

Mas isto não explica tudo. A verdade é que a partir de dada altura começámos a sofrer golos e a conceder oportunidades aos nossos adversários, mesmo os mais frágeis, como não acontecera até ali. Isto não começou a acontecer há muito tempo. Há um mês atrás tínhamos acabado de vencer dois jogos fora seguidos (um deles o Sporting), mantínhamos 7 pontos de avanço e tudo parecia ir bem...


O primeiro jogo em que os problemas foram evidentes foi o Benfica-Rio Ave para a Taça de Portugal, disputado a 14 de Janeiro. O Benfica vence por 3-2 na Luz com muitas dificuldades. Depois ainda há dois jogos (os referidos acima) em que não sofremos golos (vitórias em Paços e em Alvalade por 2-0) e a partir daí é o descalabro:  desde 31.01 até 27.02 o Benfica disputa 8 jogos e consegue apenas 3 vitórias! Concede 3 derrotas e empata dois dos jogos (que lhe valem uma qualificação para o Jamor e uma eliminação da Liga Europa).

Quadro 1 - Fonte: "A Bola".

Mas o mais revelador aqui são os golos sofridos: 14 golos. Uma média de quase dois por jogo... E isto com Vlachodimos ainda a fazer grandes exibições... Curiosamente marcámos exactamente os mesmos 14.

O que aconteceu? Os defesas deixaram de saber jogar?

Não: o meio campo deixou de ser pressionante e de proteger a defesa. Porquê? Porque Bruno Lage decidiu desfazer a dupla Gabriel-Taarabt (que se estabelecera aos poucos, após diferentes tentativas e diferentes esquemas de jogo) e introduzir Weigl na equipa.

Para que não hajam dúvidas, aqui estão os 9 jogos imediatamente antes da entrada de Weigl no 11:

Quadro 2. Jogos imediatamente antes da chegada de Weigl.


Nestes 9 jogos temos 23 golos marcados e 7 sofridos. 6 vitórias e 3 empates. Note-se bem que nestes jogos estão incluídos dois jogos da Champions, um jogo com o Braga, um jogo em Guimarães e ainda jogos da Taça e Taça da Liga em que não jogámos com os principais titulares.

Ou seja, os números não deixam dúvidas: a entrada de Weigl na equipa coincidiu com o descalabro defensivo da equipa e também com perda de rendimento ofensivo. Isto é um facto. Logo na sua estreia Weigl é substituído com o Benfica a perder em casa com o Aves (último classificado...) e é só após a sua saída que o Benfica dá à volta ao jogo. No quadro abaixo está o registo dos primeiros jogos com Weigl:


Como referi acima, o Benfica-Rio Ave foi  (pelo menos para mim) o primeiro grande sinal de preocupação. O Benfica venceu mas não convenceu e concedeu inúmeras oportunidades ao adversário. Mas depois ainda ganhámos em Alvalade e Paços - sem sofrer golos - pelo que se diria que as coisas estavam novamente bem e que não se podia imputar a Weigl a diferença (para pior) do rendimento da equipa.

E de certa forma isso é verdade. Depois de no jogo com o Rio Ave dar a titularidade a Weigl e Taarabt, em Alvalade e Paços Lage aposta na dupla Gabriel-Weigl. Parece encontrar-se um novo equilíbrio e a segurança defensiva regressa. No jogo seguinte (ver o primeiro quadro), Lage volta à fórmula Weigl-Taarabt e voltamos a sofrer dois golos. Depois com o Famalicão jogam Gabriel e Taarabt, sofremos mais uma vez dois golos e o brasileiro lesiona-se.

Daí para cá é o que se sabe (e consta do quadro 1), praticamente sempre com a dupla Weigl-Taarabt. Nos últimos jogos houve um único jogo em que não sofremos pelo menos um golo. Foi o Gil Vicente-Benfica (um jogo difícil, num terreno em que o Porto perdeu e o Braga de Amorim empatou). O Benfica ganhou por 1-0. Quem jogou? Samaris e Weigl, com Taarabt no apoio ao ataque.

A evidência está à vista: a dupla Weigl-Taarabt não funciona. A equipa fica completamente desequilibrada e abrem-se autoestradas para a nossa baliza, expondo os nossos defesas (que é óbvio que não estão num bom momento). Neste momento, com a lesão de Gabriel, impõe-se em absoluto a entrada de Samaris na equipa, seja para jogar com Florentino seja com Weigl (com Taarabt penso que não, porque se poderiam manter os desequilíbrios que só Gabriel tem a capacidade de disfarçar quando o marroquino ali joga).

Agora do que não tenho dúvidas é de que se Bruno Lage continuar a insistir na sua teimosia e jogar com a dupla Weigl-Taarabt no meio campo vamos perder o campeonato e a Taça de Portugal.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O caso Marega

O Porto ganhou e ficou a um ponto do Benfica, quando há apenas uma semana atrás podia ter ficado a 10... mas a principal notícia da noite de ontem, que vai dar origem a intermináveis debates televisivos e crónicas jornalísticas foi o caso dos insultos a Marega.


Marega marcou um golo e, na opinião dos adeptos do Vitória, celebrou de forma "excessiva", atendendo a que é um ex-jogador do clube.

Seguiram-se insultos, vaias e até cadeiras atiradas para o relvado. Marega agarrou numa cadeira e provocou os adeptos, fazendo o ambiente aquecer ainda mais.

Depois o público começou a vaiar Marega de cada vez que a bola ia na sua direcção e, no meio dessas vaias, foram também audíveis sons a imitar macacos, uma manifestação de um racismo que não tem cabimento e já não deveria existir nos estádios.

O maliano indignou-se e decidiu abandonar o campo. Entre o golo e a sua decisão passaram-se aproximadamente 8 minutos.

Estes são os factos. Vamos agora à minha opinião sobre eles.

Os urros que se ouviram (não é possível quantificar quantas pessoas terão participado neles, até porque o som das vaias não é assim tão distinto - a diferença é que um é contínuo e o outro interrompido) são uma coisa indigna, inaceitável e absolutamente condenável. Sobre isso acho que todos concordarão, com excepção dos racistas autênticos, tipo nazis ou skinheads.

Só que eu aqui coloco outra questão: e um estádio cantar em uníssono "SLB, filhos da p...?" É bonito? Merece ser aplaudido? Ou merece ser condenado? Colocar bonecos enforcados em pontes, é bonito?

Fazer, como acontece em muitos estádios (e lamentavelmente também no da Luz) um coro antes do guarda-redes bater a bola e, nessse momento gritar "filho da p...", é muito bonito?

Dir-se-á que são coisas diferentes - e eu concordo que são diferentes. Chamar a uma pessoa macaco por ser negro é pior do que insultar a mãe de outra pessoa simplesmente por ser de outro clube. É verdade.

Mas não podemos ignorar completamente uma das manifestações como coisa normal e rasgar as vestes em indignação, com  discursos moralistas, na outra.

Até por outra razão: a base destes ataques não é o racismo. A base dos ataques é o fanatismo clubista que traz ao de cima as paixões mais básicas e baixas dos adeptos.

Isto percebe-se facilmente quando se verifica que Marega nunca foi alvo de insultos racistas pelos adeptos do Guimarães quando era jogador do clube. O racismo é uma forma de atacar a pessoa por ser de outro clube, que não difere substancialmente do "filho da p...". A "desumanização" do adversário é uma realidade, o racismo é apenas um instrumento desse objectivo. Nenhum adepto (ou apenas uma minoria ínfima deles) é racista para com os seus atletas.

A terminar, há que ter memória e recordar que ainda recentemente o Porto foi acusado pela UEFA de racismo num jogo contra o Young Boys da Suíça. Na altura o clube desvalorizou e negou.

O mesmo (ou pior) já tinha aliás acontecido uns anos antes, nomeadamente em 2012. Na altura o Porto defendeu-se dizendo que a UEFA tinha ouvido mal. Que o que os adeptos gritavam era "Hulk, Hulk, Hulk"...

Notícia "Correio da Manhã" : https://www.cmjornal.pt/desporto/detalhe/fc-porto-diz-que-canticos-racistas-eram-gritos-por-hulk-com-video

Notícia "Público": https://www.publico.pt/2012/02/18/jornal/city-queixase-a-uefa-de-racismo-fc-porto-defende-que-gritos-eram-para-hulk-e-kun-24016967


Racismo é feio, não devia ter lugar nos estádios. Mas eu digo não também à hipocrisia e falso moralismo.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Sem desculpa

O Benfica perdeu numa semana 6 pontos, teve duas derrotas e um empate (este para a Taça e com muita sorte) e poucos acreditam neste momento no título.

No futebol tudo muda numa semana. Ainda há não muito tempo, Sérgio Conceição colocava o seu lugar à disposição e falava-se de crise no Porto.

Há exactamente uma semana podíamos ter alcançado 10 pontos de vantagem e praticamente colocar um ponto final na questão do campeão. Mas acabámos por perder, depois veio a exibição medíocre em Famalicão e hoje nova derrota.

No entanto há muito a apontar, muitos erros, demasiados tiros nos pés. São tantos que até alimentam teorias da conspiração segundo as quais sempre que o Porto está à beira de cair numa crise profunda o Benfica trá-lo de volta à vida...

Foto Lusa


Os erros são visíveis. O primeiro prende-se com Samaris. Toda a gente sabe da importância do grego para a conquista do campeonato no ano passado. Foi simplesmente fundamental. É um jogador feito para os grandes jogos, que sente a camisola, tem fibra, não se intimida. É um jogador que conhece muito bem aquela posição e que assegura um enorme equilibrio à equipa.

Sem que ninguém percebesse porquê, Bruno Lage decide ostracizar o jogador depois do jogo com o Porto na Luz (no qual aliás já não jogou a segunda parte)... Esse é o primeiro erro que aliás é persistente.

Depois houve uma aposta insistente em dois avançados que não funcionavam, um dos quais já não está sequer no Benfica. Finalmente Vinícius impôs-se mas Lage continua a insistir em Seferovic que já se percebeu que não tem qualidade suficiente e que não acrescenta rigorosamente nada vindo do banco.

Há coisas que não se percebem. Tal como Samaris, Florentino também de um dia para o outro desapareceu completamente da equipa e nem opção é no banco na maioria das vezes. Simultaneamente vai-se contratar Weigel de quem ainda não se viu absolutamente nada que justificasse nem a contratação (20 milhões...) nem ter tirado o lugar a quem era titular. Isto para já nem falar do que aconteceu na Liga dos Campeões.

Repare-se, não estou a criticar opções pontuais, para as quais o treinador pode ter razões que nós desconhecemos. Estou a criticar opções que já mostraram não funcionar ou a insistência em excluir jogadores que já mostraram ter rendimento.

Como por exemplo as substituições no dragão e hoje. Como é possível tirar, hoje, Cervi para colocar o nulo Seferovic ou, nos dois jogos, colocar três pontas de lança e bombear bolas sem o mínimo perigo? É que nem meia jogada de perigo criámos no conjunto dos dois jogos...

Ver o Benfica jogar neste momento é penoso. A nossa defesa é um passador, o meio campo quase não existe e o ataque é ineficaz, vivendo apenas do génio de Rafa ou da eficácia (que hoje não existiu) de Vinícius.

Lage precisa rapidamente de arrepiar caminho das suas teimosias e concentrar-se mais no seu trabalho. Admiro o seu discurso positivo e a sua coerência e desportivismo, mas isso não chega nem pode substituir as ideias que são necessárias em termos futebolísticos. O futebol do Benfica carece neste momento de muita coisa, desde a segurança defensiva à criatividade atacante, passando pelo controlo do meio campo. E isso é responsabilidade do treinador.

Já agora, igualmente lamentável foi assitir aos comentários na Btv após o jogo. Segundo os comentadores, Lage explicou tudo muito bem e o Benfica realizou uma grande exibição... Confrangedor.


PS - Taarabt não é solução para o meio campo. É um bom jogador, que verticaliza bem e sai bem da pressão mas não pode jogar ali. Não é um jogador para um meio campo a dois. Não equilibra o meio campo.
PS 2 - Gabriel é um jogador absolutamente fundamental para o Benfica. A sua lesão, da qual obviamente todos esperamos que possa recuperar totalmente, tão cedo quanto possível, é uma notícia desastrosa para o Benfica. Até por isso, a entrada de Samaris é essencial e urgente.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Não pode valer tudo

O Benfica voltou a perder no dragão, num jogo em que deveríamos ter cometido menos erros mas que fica também marcado por casos graves de arbitragem.
Tais casos são conhecidos e não vale a pena estar aqui a insistir. O penalti para mim é o mais escandaloso, porque não se percebe como é que um jogador pode jogar deliberadamente a bola com a mão quando está de costas e não vê a trajectória dessa mesma bola. Isto já para nem falar da falta de Soares nas costas de Ferro.
No entanto culpar Soares Dias é simplista. O problema é mais vasto, como se vê pelo VAR. O que me conduz ao tema do artigo. Não pode valer tudo.
O ambiente criado à volta destes jogos é tenso, há muita rivalidade e alguma hostilidade. Até aí compreendemos. Lisboa é a capital, o Benfica é o maior clube nacional e para equilibrar estas contas, o clube mais bairrista e regionalista tem que usar dos trunfos de que dispõe, nomeadamente criando um ambiente menos hospitaleiro.
O problema é quando se ultrapassam os limites - e isso acontece em todas as visitas do Benfica. São ameaças de morte, são agressões a adeptos, são tarjas gigantes na bancada com insultos e insinuações, são bolas de golfe, são apedrejamentos, etc, etc.
Ou seja, situações que extravasam completamente o âmbito de uma rivalidade normal e resvalam para a violência e a criminalidade organizada.
O problema não é de hoje, mas cada vez é mais visível aos olhos de todos e como tal cada vez menos tolerável numa sociedade que se pretende civilizada.
Eu não sou nenhum politicamente correcto e acho bem que o futebol tenha uma boa dose de virilidade. Agora, isso não pode significar que o Benfica vá ao Porto para ser o cordeiro sacrificial, ou um saco de pancada para aliviar as frustrações de adeptos fanáticos e continuar a alimentar claques delinquentes e criminosas.
Porque se assim for, se estas são as regras do jogo, o que deve impedir o Benfica de retribuir na mesma moeda, aquando das visitas do Porto?
Eu pergunto-me até : o que acontecerá se, como é bem possível, Benfica e Porto se encontrarem no Jamor? Está a ser alimentado um monstro que pode vir a ter consequências gravíssimas.
Claro que dentro do campo, apesar do Benfica poder ter, aqui ou ali, feito mais, este ambiente infernal deu frutos. Os árbitros estavam altamente pressionados - pela bancada e o banco do Porto - e decidiram quase sempre pela equipa da casa. Mas eu até certa medida compreendo : eles também são humanos, têm as suas famílias e inclusive já foram ameaçados.
Eles simplesmente não têm condições para arbitrar estes jogos.
Aliás o que aconteceu este ano foi a repetição do que aconteceu nos anteriores. Este ano Marega e Pepe cedo agrediram Taarabt, que se sabe ser um dos mais influentes jogadores do Benfica. No ano passado Pepe tentou logo de início provocar e intimidar João Félix. Há dois anos, Filipe teve uma entrada assassina sobre Jonas e se continuarmos a recuar chegamos ao infame Paulinho Santos e às suas múltiplas agressões que chegaram a partir o maxilar de João Vieira Pinto...
Porque é que eles fazem isto? Porque podem. Porque sabem que os árbitros vão permitir.
Repare-se, o Porto não tem princípios nem limites : desde fruta, café com leite, conselhos matrimoniais, invasões dos centros arbitrais, ameaças de morte, já vimos que ali vale tudo ; com a Liga miserável que temos, subserviente ao Porto (basta lembrar a felicidade do seu presidente com as vitórias do Porto quando era árbitro, que até beijinhos dava aos  jogaseusdores) nada é feito para punir estes comportamentos ; pelo que resta apenas uma intervenção do governo. Ou então, se nada acontecer, se nada for feito, daqui a não muito tempo estaremos a lamentar algo de bem mais grave.
Para ganhar, não pode valer tudo. Se não, isto deixa de ser um desporto e passa a ser um combate de milícias e uma competição de batoteiros.