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terça-feira, 3 de março de 2020

Miserável, terceiro-mundista

O futebol português é simplesmente uma vergonha.

O que aconteceu na Liga Europa é a consequência lógica da gestão danosa, da corrupção que grassa no futebol português (e que infelizmente parece estar bastante mais disseminada pela sociedade portuguesa do que eu pensava).

A incompetência começa na cúpula: Pedro Proença é, como dirigente, o que foi como árbitro: um vaidoso completamente incapaz. Todo ele é forma e estilo, zero de substância. Como árbitro prejudicava o Benfica em TODOS os jogos, alegadamente por ser benfiquista e muito honesto... (pausa para rir)

Fernando Gomes é muito apreciado dentro da Federação, incluindo pelo seleccionador e os jogadores. Mas tem um passado no mínimo duvidoso e não se quer envolver no charco da clubite, quando deveria ser a autoridade máxima e o garante da decência do nosso futebol.

Aquilo que aconteceu no Porto aquando da visita do Benfica, com enforcados, faixas com mensagens de ódio, bolas de golfe - acontecimentos gravíssimos - foi completamente ignorado por aquelas autoridades quando a sua obrigação era a de uma acção rápida e firme

Este estado de coisas - que não mudou assim tanto desde o apito dourado, altura em que o Porto deveria ter perdido os títulos referentes às épocas em que comprovadamente corrompeu árbitros com viagens e prostitutas - motiva um clima de guerrilha permanente Benfica-Porto que seca tudo à volta e está a matar o futebol português.

Neste estado de coisas, o Benfica, por muito que isso nos custe admitir, tem igualmente muitas culpas e muito a explicar.

O futebol português foi dominado pelo Porto durante três décadas através de um sistema de corrupção económica e institucional. Árbitros, quinhentinhos, agências de viagens, doping, observadores, dirigentes, tudo estava controlado e tudo está disponível para consulta no youtube graças às escutas da polícia judiciária.

O problema é que nada mudou, atendendo a que as condenações foram todas revertidas. Agora sabemos que há corrupção ao mais alto nível nas instâncias judiciais. Agora percebemos por que razão os juízes do Porto não quiseram condenar o clube e Pinto da Costa.

E tudo voltou à normalidade de um país de terceiro mundo.

A dada altura, o Benfica percebeu que por muito que fizesse em campo não conseguia ganhar. E iniciou uma estratégia de influência nos lugares de poder para contrariar o poder do Porto.

Esta é a realidade e assim chegámos à situação presente que envergonha os benfiquistas que têm verticalidade e decência: vouchers mal explicados e manobras no limite da legalidade que equipas de advogados agora procuram demonstrar que não configuram actos de corrupção.

É preciso começar do zero. Estes dirigentes, do Benfica, do Porto, do Braga, têm todos, sem excepção, negócios e passados obscuros e têm que ser investigados. Todos têm que abandonar o futebol. O mesmo é válido para a arbitragem e para os dirigentes da Liga e Federação. No caso do Sporting, a situação é diferente: gente amadora e incompetente que está a destruir o que resta do clube e que por essas razões deveria demitir-se urgentemente.

Se eu acho que isto vai acontecer? Acho que não. Somos, infelizmente, um país retrógrado e corrupto.

Agora as consequências estão à vista: o Benfica caminha para perder um campeonato que teve no bolso, envolvido em escândalos e investigações policiais, contratações que ninguém entende, comissões e negociatas mal explicadas que parecem feitas para dar dinheiro a ganhar aos amigos; o Porto é controlado por claques e informáticos criminosos e está em falência financeira; o Sporting caminha para a extinção; os clubes portugueses são eliminados por equipas de terceira e quarta linha da Europa. E os dirigentes assobiam para o ar.

Todos caminham alegremente para o abismo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O incompetente

A expressão não é minha mas do próprio. 

Ao fazer o balanço do péssimo Mundial que Portugal fez, desapontando milhões de portugueses e descendentes de portugueses no Brasil,  Fernando Gomes, falando na primeira pessoa do plural, reconheceu a sua incompetência: "fomos incompetentes", foram as palavras textuais.

No entanto, estranhamente, a única consequência que retirou dessa incompetência foi a demissão do médico da seleção, como se a culpa pela triste figura que fizemos no Brasil fosse do "desgraçado" do médico. Como se fosse o médico quem programou a preparação, convocou os jogadores e escolheu os "onzes" e as tácticas. 

Apenas algumas semanas após este episódio (e pouco depois da renovação do contrato do selecionador), demitiu Paulo Bento. As culpas que eram do médico pelos vistos passaram a ser do selecionador, que umas semanas antes até vira os seus poderes reforçados...

O mais recente episódio da incompetência gritante deste Presidente da Federação Portuguesa de Futebol chegou com a apresentação de Fernando Santos.

No momento de apresentar o novo treinador, grande parte das perguntas incidiu sobre Paulo Bento, sobre a entrevista deste à RTP e sobre as versões contraditórias sobre o seu afastamento. Quando se queria olhar para o futuro de forma limpa e com optimismo, Gomes, com um novo selecionador ao seu lado, multiplicou-se em explicações e versões pouco congruentes sobre o que realmente se passou, deixando sombras a pairar sobre a seleção. Um episódio de incompetência pura: ou abordava o assunto antes da apresentação de Fernando Santos e dava nessa altura a sua versão dos factos, ou pura e simplesmente recusava-se a fazê-lo nesta altura, dizendo que estava ali para falar de Fernando Santos e o futuro e que este era o selecionador nacional, nada mais importando.

No entanto, o incompetente assumido - e isto é que é realmente grave - é muito competente para algum tipo de manobras, designadamente as sombrias e pouco limpas.

Desde que foi eleito para a Liga e depois para a Federação, Fernando Gomes começou por "ilibar" Hulk e Sapunaru, no caso das gravíssimas agressões que estes perpetraram, ao deixar cair o Conselho de Disciplina, considerando que este não fôra "competente" e vem agora "ilibar" Pinto da Costa, 10 anos depois, limpando-lhe o cadastro.

É um incompetente muito habilidoso.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O que se passou afinal Domingo de Carnaval?

Esta época fica marcada pelo Domingo de Carnaval.

Nesse dia Proença resolveu dar mais um dos seus "recitais", não vendo razão para duas penalidades a favor do Benfica mas vendo para duas expulsões contra.

Se pensarmos que perdemos o campeonato por 1 ponto podemos concluir que com outra arbitragem na Choupana o Benfica poderia ter sido campeão. 

No entanto não foi essa a única coisa que aconteceu nesse dia. Logo pela manhã de Domingo de Carnaval se soube que tinha ocorrido um assalto à Federação Portuguesa de Futebol. 

Alguém entrou e levou os computadores de Fernando Gomes e a sua secretária, numa operação altamente profissional. O Presidente da Federação disse nesse dia, com voz embargada, que o assalto fora feito a mando de alguém que o quererá limitar ou chantangear. São obviamente declarações gravíssimas que em si mesmas deveriam ser investigadas. Por outro lado foram encontradas diversas provas forenses no local e captadas imagens de vídeos.

Soube-se também entretanto que o computador de Vitor Pereira, o da arbitragem, fora também roubado e que poderia inclusivamente ter sido o alvo do assalto.

No entanto até hoje, dia 4 de Junho, nada se passou. Pelo contrário, se alguma coisa aconteceu foi precisamente um regresso ao passado em termos de arbitragem, como se viu na fase final do campeonato em que até tropeções ou simulações 1 metro fora da área deram penalties e expulsões dos adversários.

Provavelmente será mais um caso para "arquivar" e esquecer, até ao dia em que se fará a história de toda a corrupção em que viveu o futebol português. Quando será esse dia não sabemos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Venham os debates

Ouvi com interesse o Juiz Rui Rangel e gostei da maioria do que disse. Penso que todos podemos concordar com a maioria do teor do seu discurso. É porém ainda vago e fica a faltar o mais importante que é concretizar em propostas de rumo o que contém em termos de ideias e objectivos. Todos queremos um Benfica ganhador, gerido apenas por benfiquistas.
A este propósito devo aliás dizer que fiquei muito agradado com alguns dos nomes que ouvi, desde Paulo Pitta e Cunha ao neto de Borges Coutinho (o sangue está lá, falta ver o resto) a Arrobas da Silva e outros.
A questão porém é como é que chegamos às vitórias, face a um sistema montado, oleado, impune e implacável. Temo portanto que Rui Rangel, no caso de vencer, tivesse vida difícil para lidar com o mundo sujo dos bastidores do futebol.
Por outro lado, ele é juiz e isso pode ser uma mais valia quando se quer combater um sistema que é manifestamente corrupto - seja através de subornos, favores, troca de influências, situações de monopólio, dinheiros mal explicados, etc.

Quanto a Vieira, com todos os erros que cometeu, dá um mínimo de garantias em matéria de estabilidade e boa gestão. É a velha história do copo meio cheio ou meio vazio. Por um lado, Vieira, com tempo que tem no Benfica e no futebol, não cai à primeira rasteira do sistema, no sentido de ser completamente trucidado por ele. Rui Gomes da Silva, tão criticado por alguns, já por mais do que uma vez denunciou, com todas as letras e com os nomes, o que se vem passando em termos de arbitragem e sobrevivênvia do sistema. Por outro lado, Vieira e a sua direcção já cometeram erros grosseiros e de consequências bem graves como o do apoio a Fernando Gomes ou o anúncio feito na época passada de que o Benfica "não fala de árbitros". Vieira aprendeu a lição? Está por provar.

A propósito das eleições para a Federação permitam-me aliás um à parte sobre o que disse Seara há dois dias e que não teve muita repercussão. Fernando Seara disse que não avançou com a candidatura porque o Sporting só a apoiava se ele, Seara, "entregasse a cabeça de Luis Duque numa bandeja".

Desculpe?

Não consigo entender. O que tem o Presidente da Federação a ver com a política interna do Sporting? O que significa entregar a cabeça de Duque numa bandeja?

E, acima de tudo, como pode Seara sacrificar os seus interesses, neste caso coincidentes com os do Benfica, deixando o caminho da presidência da Federação aberto para um portista, por causa de um assunto interno do Sporting?

Seara foi levado, tal como, por arrastamento o Benfica e a credibilidade do futebol português. Xistras, Sousas e afins sentiram de novo que o poder estava no Porto (como quase sempre nos últimos 30 anos) pelo que continuam a fazer o que se vê. Seara faz-se demasiadamente ingénuo para poder ser verdade. E pelos vistos, o Benfica aparece muito abaixo na sua escala de prioridades. Com benfiquistas destes não vamos longe.

Voltando às eleições e concluíndo, creio que o esclarecimento dos benfiquistas acerca das propostas e das figuras que as vão representar depende em muito da possibilidade de se fazer um debate sério e sobre os temas. Não vale a pena fazer declarações de que se é mais benfiquista que os outros ou acenar com o fantasma de Vale e Azevedo. Não há nenhum Vale e Azevedo a concorrer. Há Rangel e Vieira. E era bom que debatessem, com seriedade e elevação, o futuro do Benfica. A notícia, posta a circular, de que Vieira recusa debates, seria um sinal muito negativo. E acredito que poderia levar muitos benfiquistas a decidir o seu sentido de voto. Não pelas razões certas - como aconteceria se houvesse debate substancial - mas por razões ainda assim compreensíveis. Não se poderia deixar de tirar ilações de uma postura de recusa de debate.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Basta - é hora de derrubar o sistema

Portugal está como está: todos os dias somos bombardeados com más notícias, matraqueados com uma crise que já passou a depressão profunda e da qual parece não haver saída.
São manifestações, é o desânimo geral de se estar num túnel e não se vislumbrar saída. E isto não apenas em Portugal mas em toda a Europa.

Chega o fim de semana e milhões de portugueses como eu desligam das notícias e das desgraças e preparam-se para descontrair, não pensando nos males do mundo e usufruindo do descanso e do lado lúdico da vida. É aí que entra o futebol, que é um JOGO. Queremos golos, emoção, jogadas bonitas, competição, incerteza.

Queremos mas não temos.

Não porque a nossa equipa não jogue bem ou não marque golos - ainda ontem, sob chuva torrencial, depois de uma eliminatória europeia a meio da semana - marcámos dois, vimos um jogador isolado ser parado por um fora de jogo inexistente e mandámos 3 bolas aos ferros.

Não temos porque em Portugal o jogo está viciado.

Há 30 anos, semana sim, semana não (quando não são seguidas), temos espetáculos como o de ontem, nos quais os árbitros assumem o protagonismo, agravados ainda com castigos disciplinares pelo meio.

É hora de dizer BASTA. Os benfiquistas que não vêm isto agora, que está escarrapachado à frente dos olhos, nunca o verão.

Perder ou ganhar é desporto. Todos aceitamos perder ou empatar quando jogamos mal ou o adversário foi superior. Agora ter que engolir semana após semana, ano após ano, roubo, roubo e mais roubo, para mim ultrapassa os limites.

Que direito têm estes poderes podres do futebol em roubar aos benfiquistas o prazer de assistir aos fins de semanas a um jogo LIMPO, SEM MANIPULAÇÕES, EM QUE GANHA O MELHOR?

Porque é mesmo só isto que queremos!

Porque raio temos que passar fins de semana indispostos, revoltados, pela acção, no mínimo incompetente e parcial, no máximo corrupta e manipuladora, de árbitros e orgãos dirigentes do futebol?

Nós, que ALIMENTAMOS o futebol português, que sem o Benfica estaria moribundo, sem espectadores nos estádios e nas televisões!

É hora de dizer chega.

Pela minha parte estou absolutamente certo que é hora de agir. Diria mesmo que esta é a última oportunidade de agir. Caso contrário o Benfica entra numa rota descendente irreversível que o levará a ser um novo Sporting. E depois não há retorno possível.

APELO A TODOS OS BENFIQUISTAS que me lerem e a todos os blogs para lançar um movimento, a começar hoje e que passe pela Assembleia Geral do Benfica, no sentido do nosso Presidente DENUNCIAR, sem mais panos quentes e falinhas mansas, a FALSIFICAÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS.

Chega de falarmos nos blogs, de nos revoltarmos e nada fazermos. A nossa saúde, a nossa sanidade mental, as nossas famílias merecem que passemos das palavras aos actos.

Aquilo a que apelo é que todos os benfiquistas juntem forças, se unam, fazendo jus ao seu lema, e que iniciem, no imediato, um movimento de RUPTURA TOTAL E ABSOLUTA COM O SISTEMA, para levar até às últimas consequências, sejam elas as que forem.

NO IMEDIATO, este movimento deve exigir ao Presidente do BENFICA QUE RETIRE O SEU APOIO AO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO E A TODOS OS ORGÃOS DIRIGENTES DA ARBITRAGEM E DA DISCIPLINA.

Que denuncie e assuma a sua ruptura, sem medo de dizer alto e bom som o que está a vista de todos e tudo o mais que se souber ( e não deve ser pouco) e que leve essa postura às últimas consequências, com a certeza que todo o universo benfiquista estará por detrás e a apoiará incondicionalmente, sem receio de castigos nem de represálias. Eles que venham.

NINGUÉM PODERÁ IMPEDIR O BENFICA E OS SEUS DIRIGENTES DE DENUNCIAR ESTA FARSA. Ninguém pode calar esta indignação. Porque de facto basta. Já cansa de tanta fantachada. Diz o povo que o que é demais já cheira mal.

Já ninguém acredita neste futebol e pela sua sobrevivência, pois gostamos deste jogo e queremos voltar a ter prazer em vê-lo aos fins-de-semana, há que assumir em pleno a ruptura com este estado de coisas podre.

O Presidente do Benfica contará certamente com milhões de adeptos nesta sua missão.

É preciso COMEÇAR DO ZERO. COM NOVOS ÁRBITROS, NOVOS OBSERVADORES, NOVOS DIRIGENTES.

CASO CONTRÁRIO, O BENFICA DEVE IMPUGNAR A COMPETIÇÃO E PONDERAR BOICOTÁ-LA sem medo das consequências que daí advenham. Sem o Benfica não há competição, não há a seiva que de que se alimenta o sistema.

É preciso ROMPER, é preciso fazer uma REVOLUÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS que tire os árbitros e o poder do futebol DA ÓRBITA DO FUTEBOL CLUBE DO PORTO E DA SUA ASSOCIAÇÃO DE UMA VEZ POR TODAS.

CHEGA DA PODRIDÃO DAS HOMENAGENS A ÁRBITROS E VERGONHOSOS COMPADRIOS.

Caso contrário não vale a pena gastar as nossas saúdes a sofrer com esta fantochada a que chamam de Liga Portuguesa. Ofereçam entre si os títulos e as homenagens. Pelo menos não pagamos para ver. Com a carteira e com a saúde.

Apelo a todos os blogs amigos, a todos os benfiquistas que divulguem tanto quanto possível esta mensagem e que contribuam para que este movimento se torne numa força imparável. À direcção que o assuma e que se não puder ou por falta de força ou por ter telhados de vidro, que dê lugar a outros.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Conseguiram o que queriam ou a lei de murphy

Desde o primeiro momento que considerei que Luisão tinha arriscado um castigo pesado. Na altura alguma imprensa dizia que esse castigo não era provável, o que era uma boa notícia mas não apagava o erro cometido, aliás totalmente desnecessário.

Simplesmente a chamada lei de Murphy aplica-se ao Benfica como uma certeza matemática.

Porquê? Será um mero acaso?

Eu penso que não.

Ponto prévio: reitero que Luisão, que prezo imenso, que me deu uma alegria gigantesca em 2005 e muitas outras ao longo da sua grande carreira no Benfica, cometeu um erro. Um erro de avaliação: correu extemporaneamente para o árbitro.

Tenho porém a certeza absoluta que a sua intenção não era agredir o árbitro. A coisa sai de proporção quando o árbitro cai daquela forma patética. O mal estava porém feito e o importante era atenuar os estragos. Falar com o árbitro, falar de imediato com o clube alemão. Esse trabalho cabia à direção e não foi feito. O Benfica - mais uma vez - andou distraído. Mas outros estavam - estão sempre - atentos. E não deixam passar oportunidades destas. A lei de murphy aplica-se ao Benfica porque o Benfica tem inimigos (não adversários mas inimigos) que se movem nos meandros do futebol com tremenda eficácia.

O castigo de Jorge Jesus (15 dias durante o defeso) serviu para mostrar que afinal o CD da Federação era nosso "amigo". Tal como Fernando Gomes era nosso amigo e tinha-se zangado com Pinto da Costa quando quis ser eleito para Presidente da Liga (e depois da Federação, quando o poder disciplinar para ali foi transferido).

Acreditem no que vos digo, a lei de murphy aplica-se ao Benfica porque há gente no futebol português que não dorme em serviço. Que sabe muito bem o que anda fazendo.

Depois da "ajuda" e do castigo "amigo" no caso de Jesus (que nada interessava) veio o castigo de Luisão.

Luisão deveria ter sido castigado por comportamento incorrecto. E a fundamentação do parecer deveria ser a de que se tratava de um jogo particular e que não tinha existido nenhuma intenção de agredir o árbitro mas sim um acto irrefletido que tinha tido consequências indesejadas e pelas quais o jogador, aliás exemplarmente correcto durante toda a sua carreira, estava profundamente arrependido.

A moldura penal seria assim outra e o castigo mínimo não seriam 2 meses mas sim 2 jogos.

O Benfica deixou-se dormir - os outros não. Os outros, e penso que Guilherme Aguiar ter-se-á traído quando, cheio de si próprio e provavelmente sabedor do que vinha a caminho, falou na segunda-feira dos grandes amigos que tinha na UEFA e das suas funções de observador internacional, andavam trabalhando nos bastidores para ter a certeza de que o caso estava nos radares da UEFA e FIFA e que assim fosse colocada pressão sobre o CD da Federação.

Nos dias que antecederam o castigo interno foi-se passando a convicção de que se o castigo não fosse pesado a FIFA o poderia agravar. O CD, pressionado, achou que o melhor seria então dar logo uma pena grande, interpretando a "peitada" como agressão. O Benfica calou-se mais uma vez porque ficou satisfeito de, pelo menos, o mesmo não se alargar às competições internacionais.

Mas, mais uma vez, outros não dormiam. Então se o Benfica aceitava que se tratara de uma agressão, se a pena aplicada até fora a mais pequena, como se justificava que Luisão continuasse a actuar em jogos internacionais, nos quais as mensagens ao Fair-Play são constantes e há grande preocupação em proteger a autoridade dos árbitros? Era uma questão de tempo até ao castigo se alargar. E assim aconteceu.

Há quem não ande aqui a dormir - e há quem seja muito ingénuo. Na intersecção destas duas realidades reside a explicação da perfeita aplicação da lei de murphy ao Benfica.