terça-feira, 4 de maio de 2021

Mourinho...

 José Mourinho foi durante anos o melhor treinador do mundo. Foi campeão europeu pelo Porto e pelo Inter e levou o Chelsea ao bicampeonato inglês em dois anos (antes disso, o Chelsea apenas por uma vez se sagrara campeão). No terceiro ano de Mourinho no clube, o Chelsea ficou em segundo lugar. Pelo meio venceu ainda duas taças da Liga e uma de Inglaterra e ficou perto de nova final da Champions no primeiro ano, tendo sido eliminado nas meias finais pelo Liverpool de forma polémica.

Depois partiu para Milão, tendo o Inter alcançado um ciclo de ouro sob a sua liderança. Daí seguiu para Madrid - e nunca mais seria o mesmo.

É verdade que Mourinho chegou ao Real numa altura em que o Barcelona dominava o futebol espanhol, mas uma Liga e uma Taça do Rei em três épocas nunca pode ser suficiente para um clube como o Real. Isto para não falar da humilhação dos 5-0 em Nou Camp ou dos problemas com Casillas, Sérgio Ramos e o próprio Cristiano Ronaldo, assim como o ambiente de permanente guerrilha com jornalistas e rivais. A aura de José começou a dissipar-se.

No regresso a Inglaterra ainda começou bem no Chelsea (campeão) e no United (Taça UEFA e da Liga), mas acabou despedido de ambas, após à primeira época se seguirem épocas em que não ganhou nada. Regressou ao comando de uma equipa através do Tottenham mas aqui nada ganhou (teria tido uma oportunidade na Taça da Liga se não tivesse sido despedido) e deixou a equipa num demasiado modesto 7° lugar  eliminada da Taça de Inglaterra e da Liga Europa (aqui de forma escandalosa, às mãos do Zagreb).

Em suma, Mourinho foi despedido ou dispensado dos últimos quatro clubes por onde passou. E em nenhum deles deixou saudades. O futebol praticado pelas suas equipas nos últimos anos é miserável. Ao contrário do que acontecia no início da sua carreira, a tendência agora é para perder finais, derbies e jogos decisivos.

O único "sucesso" que tem tido é a coleccionar indemnizações.

Felizmente já não será opção para o Benfica, caso as coisas corram mesmo mal neste fim de época e JJ ficar numa situação insuportável. Isto porque já está confirmado na Roma.

Sinceramente não vejo que tipo de sucesso possa vir a ter na Roma, face a um Inter renascido e campeão, uma Juventus que se  fortalecerá para recuperar o título, um Nápoles e um Milan que têm subido nos últimos anos.

Itália era dos poucos países em que Mourinho tinha um legado intacto. Com esta "traição" ao Inter, ele já está maculado - e provavelmente as coisas só irão piorar à medida que os resultados não aparecerem e os romanos perceberem o erro em que incorreram. Antevejo mais um capítulo da decadência de Mourinho, desde um dos melhores do mundo até um treinador demitido por todos os clubes por onde passa sem deixar saudades a ninguém. 

terça-feira, 27 de abril de 2021

Há 40 anos que é a mesma coisa

 Pinto da Costa celebrou recentemente 40 anos de presidência do FC Porto.

E a forma de o assinalar não podia ser mais apropriada: insultos, árbitros rodeados, agressões.

É assim há 40 anos. Vale tudo.

As estórias são mais do que muitas. Em tempos fiz aqui uma resenha de vários desses eventos. A coisa chega a tal ponto que o líder da claque até se permitiu escrever (ou alguém por ele) um livro a gabar-se das suas agressões e crimes diversos.

Há 40 anos que é assim. Com impunidade, com a conivência de polícias, juízes, políticos e a "justiça" desportiva.

Vale tudo, desde bater e ameaçar até dar conselhos matrimoniais e oferecer viagens, fruta e café com leite a árbitros.

Mesmo na Europa há cenas destas, lamentáveis, que envergonham o país. Com o Chelsea foi o que se viu. Até os ingleses, normalmente algo ingénuos nestas matérias, denunciaram este comportamento vergonhoso.

Os comentadores dizem que o Porto foi prejudicado pela arbitragem contra o Moreirense. Não tenho opinião nem quero ter. Mas isto - e o comportamento de Amorim e Viana em Braga (assim como o escandaloso caso Palhinha) - mostram que do outro lado também já se mexem - e muito - neste tabuleiro.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Um Benfica desequilibrado

Os problemas que o futebol do Benfica hoje apresenta são praticamente idênticos aos que tinha há 11 épocas atrás - e sempre teve com Jorge Jesus ao comando da equipa.
O Benfica é capaz de jogos bons, de alguma espectacularidade, mas é sempre e fundamentalmente uma equipa desequilibrada. 
Em 2009/2010 tínhamos uma equipa tremenda. Praticamente todos aqueles jogadores foram contratados pelos melhores clubes do mundo e alguns (David Luiz, Di Maria) ainda jogam ao mais alto nível.
Mas mesmo essa equipa, que tinha um grande trinco e um jogador na ala direita que equilibrava, muitas vezes era apanhada completamente em contra pé.
Claro que todos entendemos que se uma equipa é muito ofensiva, vai correr mais riscos e ter menos gente atrás.
Mas a questão neste momento nem é essa, dado que até estamos a jogar com 3 centrais. 
O problema é (e sempre foi com JJ) o equilíbrio e o controlo (ou falta dele) do meio campo. 
Por vezes isso é disfarçado por uma superioridade muito grande face aos adversários ou por uma grande entrega de Taarabt (de quem sou muitas vezes crítico mas a quem tenho que reconhecer essa característica), mas em jogos contra equipas do mesmo nível acaba por vir ao de cima.
Não existem treinadores perfeitos, isso é óbvio. Agora este défice das equipas de Jesus (sobretudo no Benfica, por alguma razão) tende a não ser corrigido.
Esta época está perdida. O melhor que podemos ambicionar é o 2° lugar e mesmo isso me parece muito difícil.
A verdadeira questão é que temo que o próximo ano seja mais do mesmo. 
O Benfica tem bons jogadores. Mesmo os que não renderam o que se esperava vê-se que têm qualidade. No entanto o desequilíbrio é inerente a este sistema que entrega o meio campo defensivo praticamente a um único jogador. Por isso o rendimento é inconstante e imprevisível.

Uma última palavra para algo que tenho visto no universo de blogues benfiquistas, especialmente num: a ideia de que deveríamos estar a torcer pelo Sporting. Estou a simplificar, mas no essencial é isso.
É uma ideia completamente absurda e contrária ao espírito do Benfica. 
Se não podemos ser campeões é totalmente indiferente quem o será. "Defender" o Sporting é contranatura e ridículo. Ninguém nos pediu tal coisa, ninguém quer a nossa "ajuda" e obviamente que esse não é o nosso papel. 
É um tipo de discurso que diminui o Benfica, é algo que deveria ser impensável.
Deixem por favor de se prestar a esse papel. É confrangedor e caricato. Os nossos adversários só se podem rir dessas figuras a que alguns benfiquistas se estão a prestar. 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Acabou - 100 milhões dão em nada

 Depois de uma goleada ao Paços, talvez na melhor exibição da época, depois de dois empates consecutivos do Sporting que nos aproximaram do primeiro lugar, chegou o completo balde de água fria com uma derrota em casa com o Gil Vicente.

O fim de semana futebolístico já tinha começado mal.

Em Faro, Hugo Miguel e o VAR fingiram não ver dois penalties contra o Sporting. Penalties claros, em que o avançado é claramente derrubado e não há qualquer questão de jogar a bola, pois em ambos os lances o defesa estava muito longe dela. No entanto, neste nosso campeonato de brincadeira este escândalo não apenas passa incólume como ainda temos comentadeiros e "especialistas" de arbitragem a branquear os lances e "explicarem-nos" que afinal aquilo que estamos a ver não é o que aconteceu: os jogadores do Farense foram realmente derrubados, mas a culpa foi deles. Eles é que "provocaram o contacto", "puseram-se à frente dos defesas". 

Enfim, o nojo habitual do charco da comunicação social portuguesa, com muito poucas excepções.

Esse jogo foi claramente um mau prenúncio.

Mas o Benfica tinha obrigação de fazer muito, muito mais. Sinceramente até tenho dificuldade em escrever porque acho que há tanta coisa que está mal que é difícil dizer por onde começar. Acima de tudo acho difícil consertar este plantel.

Claro que a actual situação de estádios vazios, desolados, não ajuda. Este campeonato é, não digo uma farsa, mas é um "campeonatozinho". Não estou a tirar mérito por o Benfica não ir ganhar. A verdade é que um futebol sem público não é o desporto e a competição a que estamos habituados e na qual a capacidade de render sobre alta pressão é um factor decisivo. Este campeonato sem público é quase como uma prova amadora. Aliás mesmo em jogos amadores há mais público do que nestes. Até é deprimente ver os estádios vazios.

Mas deixando esse aspecto de lado, a verdade é que contra o Gil foram expostas as fragilidades e defeitos que têm assolado esta época do Benfica: um meio campo que tem muita dificuldade em pegar no jogo, um ataque ineficaz, uma grande incapacidade de lidar com a adversidade.

Antes do jogo, estava a pesar que esta equipa do Benfica é inferior aos seus rivais quando se trata de recuperar e dar a volta a resultados. Infelizmente o jogo provou-o. 

Quando as coisas correm bem, o talento e a qualidade dos jogadores vem ao de cima. Quando correm mal, são poucos os líderes em campo com capacidade de mudar as coisas, de dar a volta à situação.

Taarabt a fazer o ramadão talvez não estivesse nas melhores condições, mas Pizzi foi um desastre ainda maior. Passes errados, bolas perdidas quando precisávamos desesperadamente de conservar a bola e atacar o adversário... Não se percebe o que se passa com Pizzi. Mas esta equipa é uma manta de retalhos onde falta coesão e há pouca identidade. Até jogadores deprimidos e a ir a psicólogos temos...

Agora acabou tudo. O 1º lugar está fora de questão e mesmo o 2º ficou muito difícil. A jogar assim arriscamo-nos mesmo a perder em casa com o Porto e até com o Sporting. Se isso acontecer será uma humilhação que terá que ter consequências. 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Rui Santos revoltado e "menos optimista"

 O Sporting voltou a empatar e Rui Santos ficou visivelmente irritado. Revoltado mesmo. Não se percebe bem porquê, uma vez que o jogo não teve casos de arbitragem. Mas Rui Santos até disse que se tivesse menos 20 anos imigrava. O pretexto para este discurso inflamado foi o estado do futebol português que "não quer mudar". Até podemos concordar com esta ideia, mas associar isto a uma suposta conspiração para o Sporting não ser campeão é que já é desonesto. 

De facto Rui Santos estava revoltado por o Sporting não ter ganho e por Palhinha ter visto o cartão amarelo. Esse amarelo seria para Santos a "prova" de que o sistema está a fazer tudo para parar o Sporting. Ora isso é ridículo e enganoso porque cartões amarelos mal dados a jogadores do Benfica (como Weigl e Ottamendi) têm sido mais do que frequentes neste campeonato. Aliás, Palhinha tem é sido altamente protegido pelos árbitros e é provavelmente o único jogador no mundo que completou uma série de 5 cartões sem cumprir o respectivo castigo e continuou a jogar desde então. Aliás é dos jogadores com mais faltas do campeonato.

Mas Rui Santos está revoltado por o Benfica e os benfiquistas denunciarem esta situação. Só ele, Rui Santos, é que deveria poder falar, sem ser interrompido e sem qualquer contraditório.

Outra coisa espantosa desta noite (e vi hoje a SIC notícias que não costumo ver, especialmente a dita personagem) é que a jornalista (adepta?) tentava minimizar o mau resultado do Sporting e explicava que o clube ainda tem uma vantagem confortável, mas quando Rui Santos colocou um pouco de água na fervura, fugiu-lhe a boca para a verdade e disse: "estás menos optimista".

Ou seja, admitiu, certamente por lapso, talvez freudiano, que ambos estão a torcer pelo Sporting. Nós estamos optimistas ou pessimistas relativamente a desfechos e resultados que nos interessam. Os jornalistas e comentadores não é suposto estarem a torcer por uma equipa ou outra, pelo que não há lugar a optimismo ou pessimismo. Enfim, é bom para todos sabermos o que vai na cabeça destas pessoas. Já suspeitávamos, mas agora são os próprios a confirmar. 

Uma palavra sobre a vitória do Benfica. Foi uma das melhores exibições e uma das vitórias mais seguras da temporada. Claro que a expulsão facilitou a partida, mas isso não diminui o mérito do Benfica.

A equipa está num bom momento e as coisas correm bem. Terá é que ser assim até ao fim da época porque a margem de erro é, como já disse, nula. 

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Penaltis e fraudes ("O Jogo", jornal oficioso do Porto)

 O Benfica teve na segunda-feira um jogo mais difícil do que eu esperava contra o Marítimo. Para uma equipa que se costuma dar mal na Luz, que tinha sido goleada na jornada anterior e que está no fundo da tabela, o Marítimo criou mais dificuldades do que seria expectável, tanto mais que se viu a perder desde cedo, num penalty tão óbvio quanto desnecessário.

Só "O Jogo", na sua ridícula, caricatural rubrica "o tribunal d'O Jogo" é que conseguiu dizer que não, que um pontapé de um jogador do Marítimo na perna de um nosso jogador, dentro da área madeirense, não deveria ser considerado falta. Mais, o pretenso "tribunal" foi unânime!

É realmente espantoso, mesmo atendendo a que as expectativas relativamente a esta rubrica são já muito baixas. Já se sabe que os ex-árbitros daquele painel exprimem regra geral as "opiniões" que sabem ser do agrado do FCP. Já se sabe que são pouco sérios e que o seu ódio ao Benfica transparece em todas as suas posições. Mas conseguir alcançar a unanimidade na falsidade, num lance que é tão evidente e tão indiscutível, mostra que já não se preocupam sequer em manter uma aparência de independência ou de honestidade.

Ter ali aqueles ex-árbitros ou ter elementos da claque dos super dragões é na prática o mesmo. As suas "opiniões" têm como critério principal a cor das camisolas e não uma avaliação técnica e séria dos lances. Estas pessoas descredibilizam-se a si próprios, mostrando desonestidade e falta de coluna vertebral, mas descredibilizam também a arbitragem. É que é de ex-árbitros que estamos a falar. Se são assim agora que estão reformados e têm pouca (ou nenhuma pressão), como seriam enquanto exerceram a sua profissão? A pergunta é, claro está, retórica porque sabemos bem o que foram. Coroado, por exemplo, foi uma verdadeira vergonha enquanto se andou a passear pelos campos, desrespeitando a verdade desportiva com enorme arrogância e impunidade. Mas Leirós e Fortunato Azevedo são da mesma laia. 

É que este caso é tão evidente que até os adeptos dos outros clubes reconhecem que o penalty é claro, isto para nem falar dos outros ex-árbitros e comentadores independentes. Por isso digo, quando for preciso substituir alguma das pérolas deste "tribunal" será necessário recorrer a membros dos super dragões para manter o mesmo nível de fanatismo e alucinação.

Regressando ao jogo propriamente dito, o Benfica voltou a exibir alguns dos sinais negativos que ficaram patentes antes do início da recuperação. Claro que poderíamos ter marcado mais golos, tivemos volume de jogo e oportunidades para tal - mas voltou a faltar o controlo do meio campo (e consequentemente do jogo), inteligência na posse e frieza nas decisões. Não quero estar sempre a insistir no mesmo, mas na nossa pior fase Taarabt foi um dos maiores problemas. 

Numa palavra, o Benfica não fez um jogo suficientemente bom, nem suficientemente seguro e como tal expôs-se a sofrer o golo do empate. Não que o Marítimo tenha tido oportunidades flagrantes (teve uma bastante perigosa no final do jogo) mas com 1-0 é sempre possível que algo indesejável possa acontecer.

Mais uma vez, a pausa para os jogos da selecção foi negativa para o Benfica. Felizmente não houve perda de pontos mas há que rectificar já o que correu menos bem porque o próximo jogo terá um grau de dificuldade muito maior e nesta fase qualquer percalço será fatal. 

sexta-feira, 26 de março de 2021

A vitória em Braga e o objectivo do 2° lugar

 O Benfica confirmou em Braga a melhoria que se vinha a verificar nos jogos anteriores, desta vez num jogo de dificuldade elevada (a primeira vitória num jogo deste tipo).

Foi também a primeira vitória a jogar no sistema de três centrais - e é por aqui que começo.

Quando Jorge Jesus insistiu na contratação de Lucas Veríssimo, eu escrevi aqui que tal só se compreendia se o treinador estivesse a pensar em jogar num esquema de três centrais.

Admito, sem qualquer problema, que Veríssimo trouxe coisas novas e positivas à equipa e que tem bastante qualidade. Mas com jogadores do nível dos outros centrais é realmente neste sistema (não digo em todos os jogos, mas certamente em muitos) que tiramos o máximo partido do plantel (pelo menos no que diz respeito aos defesas). Dito de outra forma, é um desperdício ter um jogador como Vertongen no banco. É, digamos, um luxo que o Benfica não se deve permitir.

Aliás os defesas do Benfica estiveram entre os melhores jogadores em Braga - e isto num jogo em que toda a equipa esteve a um nível bastante elevado. Weigl esteve bem, os avançados idem e até Taarabt não esteve mal. Ottamendi era, a dado momento, o jogador com mais recuperações de bola (não sei se acabou o jogo com esse estatuto) e se não fosse aquela falha que poderia ter sido comprometedora, teria feito um jogo quase perfeito. Vertongen por sua vez esteve envolvido no lance do primeiro golo e deu uma enorme tranquilidade à equipa. Menos exuberante do que o argentino mas também mais fiável. Já Veríssimo tem como principal característica e qualidade o jogo aéreo, em que realmente é impressionante. Mas também tem estado muito bem a controlar o espaço atrás da linha defensiva.

Uma palavra ainda para Helton Leite que fez uma defesa absolutamente decisiva no final da primeira parte, no tal lance de Ottamendi.

O objectivo agora no campeonato tem que ser um e só um: o segundo lugar e o consequente acesso directo à Liga dos Campeões.

Para isso temos "só" que ganhar os nossos jogos, incluindo a recepção ao Porto. É um objectivo perfeitamente acessível e que realisticamente é talvez o melhor que podemos alcançar neste momento.

Depois disso haverá ainda uma Taça para ganhar, o que nos permitirá, a concretizar-se, disputar também a Supertaça na próxima época e assim ter a possibilidade de vencer mais um troféu.

São objectivos perfeitamente ao alcance desta equipa e deste plantel. É preciso agora concentração máxima, confiança (que agora com as vitórias tem que estar restaurada) e muito trabalho para tornar esse final de época uma realidade e compor um pouco essa mesma época, de modo a não termos tido um ano perdido. Com um tal capital poderíamos encarar a próxima época com uma perspectiva favorável, quer desportiva quer financeiramente. 

domingo, 14 de março de 2021

A saga dos penalties - ep. 23

Os sinais de melhoria do Benfica mantêm-se. Mais uma vitória indiscutível, mais um jogo de domínio quase absoluto, em que mantivemos a nossa baliza a zeros.

Os nossos defesas têm estado muito bem. Veríssimo é claramente jogador e Ottamendi está em boa forma. Weigl também tem melhorado. É um jogador bastante seguro e tem realmente, como JJ assinalou, melhorado nos índices de agressividade.

Agora claro que temos enfrentado adversários frágeis, sem grande capacidade de nos causar dificuldades.

A prova dos nove virá para a semana, com o jogo em Braga, o qual definirá em grande medida não apenas o desfecho desta época, como inclusive o que acontecerá na próxima (acesso à Champions).

Mas do jogo de ontem na Luz sobram mais dois factos relevantes. Começo pelo menos importante.

Jesualdo Ferreira é uma personagem um tanto ou quanto estranha. Foi adjunto de Toni e chegou mesmo a treinador do Benfica, onde não fez nada (acabou em 4°).

Depois no Braga teve um bom desempenho e acabou no Porto, onde foi tricampeão - mas nos anos de apito dourado.

O que é lamentável é que Jesualdo sempre se demarcou do Benfica (a quem deve, juntamente com Toni, o facto de ter andado muitos anos a treinar ao mais alto nível) e abraçou a mentalidade e a cultura portista. Pouca gratidão e pouca fidelidade, para não dizer mais.

Ontem Jesualdo voltou a mostrar a sua mentalidade e carácter ao queixar-se da arbitragem num jogo em que foi beneficiado e teve muita sorte em não ter sofrido uma goleada humilhante.

Passemos então à arbitragem. Em primeiro lugar a expulsão. É indiscutível: o defesa não tenta jogar a bola e o avançado está isolado no corredor central, com a bola controlada e apenas o guarda redes pela frente. O estranho é que Manuel Mota tenha inicialmente dado o amarelo.

Depois o local da falta. É um facto que ela começa fora da área, mas Waldschmidt continua de pé e é apenas quando o defesa lhe dá com a perna de trás que o atacante benfiquista é derrubado. Portanto seria penalti. Mas mais grave ainda do que isso é o seguinte: o VAR não tem nada que intervir porque o lance não é um erro claro do árbitro e as imagens mostradas, não exibindo o lance até ao fim, nomeadamente a segunda falta do boavisteiro, são enganadoras.

É mais um episódio da saga "Não há penalties para o Benfica nesta época". Episódio 23. É já um recorde. Há sempre alguma coisa: se é e o árbitro não vê (ou não quer marcar), o VAR fica quieto e calado; se o árbitro marca, o VAR vem-lhe dizer que não é e manda-o ao ecrã, onde a decisão é revertida; se é duvidoso, siga o jogo que ninguém quer saber. 

22 jornadas sem um penalti é já um recorde nacional e internacional. A única dúvida é se os árbitros continuarão este pagode, para achincalhar o Benfica ainda mais, até ao final do campeonato.

Depois temos ainda os cartões. Segundo as estatísticas oficiais da Liga (https://www.ligaportugal.pt/pt/liga/estatisticas/20202021/liganos/faltas#), Palhinha é o jogador com mais faltas.



No entanto tem apenas 5 cartões amarelos (ou serão 4, dada a providência cautelar?) e nenhum árbitro lhe dá o 6° (ou 5°). Talvez seja porque ninguém sabe o que aconteceria então - seria castigado ou já está numa nova série? E ainda são vítimas e perseguidos...

Mas Weigl, que tem cerca de metade das faltas de Palhinha, tem mais cartões do que este (um deles por ter sofrido um penalti - algo que é claramente proibido nesta Liga).

Ontem Weigl levou amarelo à primeira falta, numa rasteira normal. Taarabt foi também amarelado, penso que igualmente na primeira falta que lhe foi assinalada, no lance do golo que Mota anulou por considerar que o marroquino bateu com o braço num adversário.

Prefiro não dizer mais porque classificar isto obrigaria a uma linguagem  muito agressiva a partir daqui. 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Ronaldo e a Juventus

 Quando Ronaldo saiu do Real Madrid para a Juventus disse (penso que não cheguei a escrever) que era um mau negócio para todas as partes: para o Real porque perdia o seu melhor jogador, para Ronaldo porque ia para uma equipa pior (e um futebol demasiado defensivo), para a Juventus porque pagava um valor exorbitante por um jogador em fase descendente da carreira.

Penso que não me enganei. Onde acertei menos foi na Juventus: o problema não foi tanto a questão financeira, foi sobretudo a vertente desportiva. Isto porque apesar de Ronaldo ser obviamente um jogador excepcional, um goleador de eleição, ele não aumentou a qualidade da Juventus. Pelo contrário, a principal característica da equipa de Turim, a sua capacidade colectiva, não apenas não foi reforçada, como até ficou prejudicada. A equipa começou a jogar principalmente para o português, tornando-se dependente dele num mau sentido, e perdeu a sua principal referência em termos de criatividade: Dybala. De facto a chegada de Ronaldo teve como consequência o eclipse do argentino, um jogador genial e imprevisível.

Claro que as escolhas de treinadores não ajudaram, mas até nesse particular nos perguntamos que papel terá tido Ronaldo no fim do ciclo Allegri na Juventus. A partir daí foi sempre a descer. Foi mais uma instância da ilusão que os gestores por vezes têm de que o que se alcançou está adquirido e que há que mudar para subir a um outro patamar, neste caso o de vencer a Liga dos Campeões. É uma ilusão porque nada está nunca adquirido e regredir é sempre uma possibilidade.

Dito isto, a Juventus não tem há vários anos suficientes jogadores de qualidade. Como também deixou de ter qualidade colectiva tornou-se numa equipa banal a nível europeu. Nos primeiros anos Ronaldo conseguiu disfarçar isto graças aos seus golos. Agora já não. 

Por exemplo a equipa que defrontou o Benfica há 7 anos era muito superior à equipa que defrontou o Porto esta semana. Isto não é para diminuir o feito do Porto, que é notável, especialmente dadas as circunstâncias. É apenas uma constatação (que aliás deve servir para valorizar ainda mais o feito espantoso da nossa equipa que empatou na Meia Final da Liga Europa, num Juventus Stadium completamente cheio que seria o palco da Final).

Porque a Juventus que o Benfica enfrentou era uma verdadeira equipa, com um grande treinador que tem continuado (e este ano provavelmente voltará) a ganhar títulos ao mais alto nível. Uma equipa que tinha Pogba, Arturo Vidal e... Pilro. Entre muitos outros, claro (como Buffon, Tevez e jogadores que ainda lá estão mas tinham menos 7 anos...).

Em todo o caso, o ponto adicional que eu queria fazer prender-se com o atirar da culpa da eliminação frente ao Porto para cima de Ronaldo.

É completamente ridículo! 

A Juventus perdeu porque o seu treinador não tem capacidade para este nível de exigência. É tão simples quanto isso. Talvez um dia Pilro seja treinador - ao dia de hoje não o é.

Sérgio Conceição, com todos os defeitos que tem e que aqui tenho apontado, preparou bem os dois jogos e o Porto foi quase sempre superior enquanto esteve em igualdade numérica. Obviamente com meios muito mais limitados.

No entanto Pilro é um ícone do futebol italiano e como tal havia que encontrar um bode expiatório. Foi Ronaldo, por ter estado mal na barreira (apesar do guarda redes ter dado dois frangos durante a eliminatória). 

Seja como for, a era de Ronaldo na Juventus terá muito provavelmente chegado ao fim - sem brilho, como era de prever. 

domingo, 7 de março de 2021

O portinho da raiva e o pasteleiro a Dias

 Já aqui escrevi e todos sabem que quando o Porto perde (ou empata) reage de forma vil e anti-desportiva. Há toda uma escola de mau perder muito enraizada naquele clube, que mostra a sua cara feia em todas as oportunidades. 

Depois do jogo com o Sporting, Sérgio Oliveira disse que para o Sporting não perder com o Porto era como ganhar a Champions. Uma declaração ridícula pois é óbvio que para o Sporting não perder aquele jogo era um passo importante para ser campeão. Nem houve assim tantos festejos que justificassem dizer aquilo. É mesmo puro mau perder. 

Após a primeira mão da Taça em Braga, Conceição terá dito a Carvalhal que 11 contra 11 o Braga levava 5. Mais uma vez, completamente despropositado e uma total falta de respeito pela com um colega.

Isto para já nem falar dos insultos (e agressões) a jornalistas ou de Francisco Conceição a não cumprimentar um colega e a cuspir para o chão de forma ostensiva. Ou do comportamento deplorável do treinador do Porto para com Jorge Jesus no final do jogo com o Benfica. 

Tudo o contrário do que são os valores e do que deve ser a prática do desporto. Mas alguns ainda tentam branquear ou desvalorizar estas reacções e atitudes. 

E isto conduz-me ao segundo tema deste artigo: a arbitragem inacreditável de Soares Dias no jogo da segunda mão da Taça entre o Porto e o Braga.

Soares Dias não apenas não é o melhor árbitro português como é talvez um dos piores. Se o papel de um árbitro é ser isento e justo, passando tanto quanto possível despercebido e tendo o mínimo de influência no mesmo, Soares Dias não é mau, é péssimo. 

Soares Dias deveria dedicar-se aos bolos, porque de facto ele é mais bolos. Talvez como pasteleiro seja melhor porque como árbitro não presta. 

Mas a nossa imprensa submissa e os nossos comentadores cartilheiros (ou com pouca coragem, como os benfiquistas que alinham por esse discurso), alimentam esse mito. 

Claro que eu não sou ingénuo e percebo muito bem essa conversa. Soares Dias é o sucessor de Proença, o "melhor do mundo" que só não foi um bluff completo porque fez exactamente o que era suposto: proteger o Porto a nível nacional e os mais poderosos a nível internacional. 

Proença era, futebolisticamente falando, um ladrão. E dos maiores que alguma vez vi. Penaltis para o Porto eram todos, os existentes, os duvidosos e os inexistentes. Para o Benfica, por vezes nem mesmo os óbvios. A explicação era porque ele era do Benfica e portanto não queria beneficiar a "sua" equipa e portanto exercia um "excesso de zelo". Conversa para burros, obviamente.

O que acontecia com os penaltis, passava-se com os cartões vermelhos. Nos clássicos era raro, raríssimo, o Porto não beneficiar de um penalti, de uma expulsão de um adversário ou de ambos. Enfim, um ladrão, uma coisa inqualificável. 

Soares a Dias é a mesma coisa. Aqui já não se coloca o problema de ser do Porto. Ele não esconde as suas cores nem os seus têm problemas em exigir que seja ele a arbitrar os seus jogos. 

No jogo com o Braga, o campo não estava inclinado, estava quase a pique! 

Foi das arbitragens mais escandalosas que vi nos últimos anos. Uma expulsão totalmente injustificada a pedido e praticamente sem olhar para o ecrã do VAR! 12 minutos de descontos! Num jogo que não teve grandes paragens. Dias deu uns escandalosos 6 minutos na primeira parte (enquanto o comentador da Sporttv dizia que "era muito importante que o Porto marcasse o segundo golo ainda na primeira parte") e na segunda deu 5 mas prolongou o jogo até aos 96'.

Os lançamentos de linha lateral eram marcados uns bons 10 metros mais à frente, de forma a ultrapassar logo a primeira linha de defesa do Braga. As faltas eram marcadas praticamente com a bola em movimento e de forma a surpreender o adversário. Até por essa razão, os descontos deveriam ter sido mínimos... 

Soares a Dias fez bem a lida da casa. Mas não chegou. Principalmente porque não teve oportunidades para assinalar os penaltis que gostaria. 

Não estou aqui a celebrar, porque o Braga é um adversário de respeito que não pode ser menosprezado. 10 contra 11 deram 3...

Mas temos olhos na cara para ver o que se passa no futebol português. É no mínimo estranho que a nossa imprensa finja que não se passa nada. Se calhar é por medo da raiva do Portinho... 

sexta-feira, 5 de março de 2021

Porque não jogam Gabriel E Weigl?

Já fui aqui bastante crítico de Weigl mas também não tenho problemas em admitir que o alemão tem melhorado nos últimos jogos. Ainda não me convence muito, mas já tem mostrado alguma coisa.
E a verdade é que Jorge Jesus tem confiança no jogador e dá-lhe a titularidade. Em detrimento de Gabriel, que para mim é um jogador mais combativo, mais forte que, na minha opinião, enche mais o campo. Mas, claro, não sou treinador. Sou um mero adepto que gosta de futebol e vive intensamente o Benfica. 
Agora o que não entendo mesmo é por que razão não Jesus não aposta nos dois jogadores em simultâneo: Weigl E Gabriel. Há alguma lei que diga que não o pode fazer?
Com um Weigl nas costas, Gabriel poderia recuperar as bolas mais alto no terreno e empurrar os adversários mais para trás. Teríamos uma outra capacidade de pressão e de recuperação de bola. 
E como qualquer um deles sabe construir, não prevejo que esse meio campo fosse limitado sob esse ponto de vista. 
Claro que teríamos menos criatividade, eventualmente menos capacidade de transporte de bola. Mas Gabriel tem boa técnica de passe e Weigl, um pouco mais apoiado e portanto mais solto das tarefas defensivas, poderia ser mais dinâmico, característica que sabemos que tem e que porventura poderia desenvolver mais. 
Aliás, falta de criatividade não é exactamente o principal problema do Benfica. 
Num 4-4-2 com Gabriel e Weigl no miolo, continuaríamos a ter 4 jogadores para a frente: dois alas e dois avançados. Há espaço para Rafa, Cebolinha e dois avançados. Aliás, tanto Pizzi, como Pedrinho podem encaixar neste esquema, permitindo juntar um deles aos médios quando não temos bola e transformar o 4-4-2 em 4-3-3 em certos momentos do jogo. 
Por outro lado, com defesas / alas muito ofensivos como são os do Benfica, não me parece que tivéssemos défice ofensivo. Acho até que o problema do Benfica em muitos jogos tem sido o oposto: a dificuldade em recuperar a bola em zonas altas do terreno e assim não conseguir encostar os adversários à sua zona defensiva. Isto significa que que demoramos demasiado tempo entre ataques, dando tempo às equipas adversárias para respirar e assim manter a cabeça fria na hora de defender. 
Enfim, gostaria de ver esta solução pelo menos testada. 

segunda-feira, 1 de março de 2021

Vamos acreditar

 O Benfica voltou às vitórias. Não foi um grande jogo mas houve sinais positivos e é a isso que temos que nos agarrar neste momento. A época ainda não acabou e há objectivos bem ao nosso alcance.

Se houve algo de positivo na entrevista de LFV ontem, foi essa mensagem. 

E a vitória desta noite coloca-nos no caminho desses objectivos: vencemos bem (sobretudo graças a uma segunda parte bastante razoável), não sofremos golos (com alguma sorte, mas também já tivemos muito azar esta época) e recuperámos dois pontos ao Porto. 

O segundo lugar é neste momento o objectivo realista a alcançar e é nisso que temos que nos concentrar, para além, naturalmente, da Taça de Portugal. 

Vamos acreditar que é possível. 

Já disse o que penso serem os erros e equívocos desta época. Está escrito e não vale a pena estar sempre a repetir. 

Vou acreditar que podemos ter um novo ciclo, que podemos melhorar, que a confiança possa regressar e que os resultados apareçam nesta fase final da época. 

Espero também que todos tenham aprendido com os erros, que deixe de haver arrogâncias, bazófias e displicências. Que todos se concentrem no que há ainda para ganhar. 

Pela minha parte vou dar o benefício da dúvida e não insistir no que está mal mas sim acreditar que se pode melhorar no que de positivo hoje se viu. Espero muito sinceramente que até ao final da época não tenha mais nenhuma razão para criticar. 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

As causas da crise do Benfica - II

 Má política de contratações. Os interesses do Benfica não são o critério a que elas obedecem. O Benfica contrata mal (e ultimamente caro). Só o negócio importa. O scouting é fraquíssimo e não existe uma análise do perfil do jogador ou das necessidades da equipa.


Já falei da lógica empresarial com que Vieira conduziu o Benfica durante vários anos. Mas pelo menos no passado havia prospecção. Por exemplo, a Simão seguiu-se Di Maria e a este Gaitan. Os jogadores eram contratados tendo em vista os interesses do clube. A primeira equipa de Jorge Jesus era um equilíbrio de força e talento. No eixo central havia Luisão, David Luiz, Javi Garcia e Aimar, nas alas um extremo puro (Di Maria) e um jogador de equilíbrios e pulmão (Ramirez) e na frente Saviola e Cardozo. Os laterais eram Maxi e Coentrão. Além da qualidade, estes jogadores tinham poder físico e mentalidade. Eram todos muito competitivos. (No ano seguinte saíram vários destes jogadores - e estivemos três anos sem ganhar.)

 Mas a lógica de entreposto e a sobreposição dos interesses dos empresários aos do Benfica levaram ao descalabro. Quando Pedrinho foi contratado isso não obedeceu a qualquer necessidade do plantel. Escrevi-o na altura, não o digo apenas agora. 

https://justicabenfiquista.blogspot.com/2020/03/o-estranho-negocio-pedrinho.html

Este negócio até levou um olheiro a demitir-se. Mas claro que os yes man, os situacionistas, vieram logo dizer que eu estava errado, que não havia problema nenhum (ver caixa de comentários desse post).

Plantel desequilibrado e sem capacidade competitiva.

Os jogadores são contratados sem critério, a não ser a oportunidade de negócio (e mesmo aí resta saber se para o Benfica, se para os intermediários). O perfil dos atletas (físico e psicológico) não é minimamente tido em conta. É por isso que temos um plantel sem dimensão física e com pouco espírito combativo

Numa equipa de "animais competitivos", Weigl pode ser o trinco. Numa equipa como a nossa, é a receita para o desastre que acontece desde que o alemão entrou na equipa. O problema não é o tamanho dos jogadores. A questão é a sua capacidade de ganhar duelos, sprints e divididas. E nesse capítulo o Benfica tem um plantel altamente deficitário: Pizzi, Grimaldo, Cebolinha, Weigl, Pedrinho são os casos mais gritantes, mas mesmo na defesa não temos "bichos" como Rúben Dias. Não há no Benfica nem "carregadores de pianos", nem "tanques", nem tão pouco, com excepção de Rafa, jogadores explosivos. Somos uma equipa de pesos plumas

 

E um último aspecto: mentalmente o plantel é débil. Darwin parece um jogador com boas condições físicas e técnicas mas psicologicamente não tem tido a capacidade (e se calhar o apoio) para triunfar. E como ele, outros. 

 

 

 

Pecados de JJ

Quando uma equipa joga tao mal como o Benfica o treinador está sempre em causa. Quando esse treinador ganha milhões e tem à sua disposição um plantel que, apesar das limitações, tem tantas opções de qualidade, o seu fracasso é evidente. O Benfica não defende bem, é previsível no ataque, não marca um golo de canto, não tem uma ideia de jogo. Os jogadores não parecem saber o que fazer em campo. As substituições por norma pioram a equipa. 

Numa equipa com défice de combatividade e intensidade no meio campo, com falta de homens de barba rija, é absolutamente incompreensível que Gabriel não seja titular e que Samaris praticamente nunca tenha jogado. A titularidade indiscutível de Taarabt é outro mistério. Apesar de algumas características positivas, o marroquino falha demasiado e desequilibra a equipa. 

É inacreditável que Vinicius tenha saído. É inexplicável que Cervi tenha sido marginalizado no início e que mesmo agora jogue pouco. É incrível que se tenha colocado todo o foco na contratação de um central quando havia lacunas bem maiores no plantel.

O discurso de JJ também não faz sentido. Tanto promete arrasar, como diz que não tem tempo para treinar. Tanto diz que está habituado ao covid no Brasil como que o covid arrasou a equipa. Tanto diz que a partir de agora é que é, como se continua a desculpar com o covid. Tanto diz para os jogadores se levantarem porque não levaram com um pau, como pede carinho para os mesmos. As suas conferências de imprensa aos gritos não se admitem. 

JJ não tem neste momento estabilidade emocional para comandar a equipa e não parece ter a força mental para dar a volta à situação. Isto é um déjà vu dos três anos em que nada ganhou no Benfica e do segundo ano no Sporting. 

Arbitragens 

Já escrevi sobre isto. É um absoluto escândalo que o Benfica não tenha nenhum penalti ao cabo de quase dois terços do campeonato. Apesar de todas as falhas apontadas acima, com arbitragens normais talvez estívessemos noutra posição. 


Nota final: ao rever alguns dos posts que escrevi ao longo dos últimos meses constatei que tive razão nos alertas que fui fazendo. Também é patente pelos comentários que existem adeptos realistas, cuja visita frequente ao blog muito agradeço, que estavam a ver a mesma coisa e que contribuíram para uma análise correcta do que estava a acontecer. Outros porém preferiram meter a cabeça na areia e enveredar pelo seguidismo acrítico de tudo o que a direcção diz e faz. O tempo provou que estavam completamente errados. 

Isto suscita-me uma última questão: se nós, simples adeptos, conseguimos fazer diagnósticos correctos e apontar lacunas (e soluções) como é que a direcção que se dedica (ou devia dedicar) a tempo inteiro ao Benfica e é paga para tal, não o consegue?


Ver também a parte I deste post: https://justicabenfiquista.blogspot.com/2021/02/as-causas-da-crise-do-benfica.html


 

Entrevista de Vieira - duro ataque à Liga e arbitragem

 

  Luis Filipe Vieira terá este Domingo uma entrevista difícil, porque o que está a acontecer é inexplicável.



Há aqui quatro "escolas" de pensamento: 

  • os que acham que Luis Filipe Vieira não tem culpa nenhuma, que deu todas as condições para JJ triunfar e que a responsabilidade pelos maus resultados é toda deste;
  • os que consideram que LFV não deu a JJ as condições que lhe prometeu (nomeadamente Cavani, um trinco e Lucas Veríssimo mais cedo) e que como tal Jesus é mais vítima do que culpado;
  • os que consideram que ambos são culpados;
  • os que consideram que nenhum é culpado e que a culpa é do covid e dos árbitros (e talvez do azar).

Eu penso que a maioria dos benfiquistas acha que ambos são culpados; que há uma minoria (ainda muito considerável) de adeptos e sócios que continua a defender Vieira (que depois se subdivide entre os que acham que Jesus é que tem a culpa toda e os que acham que é o covid e os árbitros); e finalmente os "adeptos" de Jesus, que o defendem apesar de tudo e que são já uma minoria já muito pequena, embora bem representada na comunicação social (afinal Lage tinha uma certa razão quando disse que alguns jornalistas escreviam em função dos almoços que lhes pagavam).

Por isso ou Vieira assumia as responsabilidades e colocava o lugar à disposição, manifestando-se pronto para convocar eleições assim que as condições o permitissem (cenário, convenhamos, nada provável) ou teria que disparar em alguma direcção.

É isto que vai fazer. E vai disparar muito em particular para a arbitragem e a Liga.

Claro que a arbitragem tem sido miserável e tem prejudicado brutalmente o Benfica. A questão é: porque é que só agora (que já é demasiado tarde) se vai finalmente falar disso?

A minha resposta é simples: porque agora é a própria sobrevivência política de Vieira que está em jogo. Esse é sempre o seu critério de decisão: foi por isso que investiu em ano de eleições apesar da pandemia, foi por isso que foi buscar JJ.

Os seguidistas ficarão contentes e acharão que tudo fica resolvido. Para o ano as coisas serão diferentes e voltaremos a ganhar, dirão. É uma perspectiva. Mas ilusória. Os problemas manter-se-ão lá todos. 

Agora, este discurso é capaz de criar um certo alívio da pressão sobre a equipa e talvez possa (num cenário optimista) mobilizá-la no sentido de alcançar os poucos objectivos ainda possíveis. Veremos. Espero que sim, naturalmente. Mas não deixa de ser uma análise simplista e desresponsabilizadora que não vai resolver os problemas estruturais do Benfica, que começam com o próprio LFV, as suas más decisões e a sua liderança desgastada por inúmeros casos judiciais.
 

Parabéns ao Benfica pelos seus 117 anos de vida!






 Nota: a violência e as ameaças de morte são completamente inaceitáveis. Ninguém merece isso. Repudio totalmente todos esses comportamentos anti-desportistas e anti-benfiquistas. Uma coisa é contestar, com faixas, com mensagens, com buzinões, abaixo-assinados ou qualquer outra forma legítima de protesto. Outra coisa é entrar por caminhos de violência e criminalidade. São duas coisas que não se cruzam. Pelo contrário, são até incompatíveis. Quem se envolve nisso deve ser punido.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Qual a próxima tábua de salvação?

 O Benfica foi infeliz. Tinha o jogo controlado quer quando sofreu o segundo, quer o terceiro. A dada altura, com 2-2, o Benfica estava a jogar francamente bem, a manter a posse de bola por largos períodos de tempo. No entanto a nossa defesa continua a ter fragilidades e quando do outro lado está um jogador como Aubameyang isso é fatal. Foi um jogo cruel para o Benfica.

Dito isto, já há algum tempo que eu aqui escrevo que JJ não tem a capacidade para dar a volta à situação. Pelo contrário, as coisas tenderão a piorar. 

Por isso estou convencido de que Jesus está no Benfica a prazo. E importa começar a pensar em alternativas.

O problema é que, depois de Vieira apostar tudo em JJ, fazer um investimento brutal com as consequências que estão à vista (e que terá uma ressaca brutal de desinvestimento), que coelho poderá tirar da cartola?

E que treinador com o mínimo de capacidade quererá vir para um Benfica depauperado e em crise?

Nenhum, obviamente. Vieira terá provavelmente que apostar num treinador sem grande experiência nem currículo que, num cenário de instabilidade e com um plantel empobrecido (e possivelmente desequilibrado, visto que mesmo os plantéis com qualidade que temos tido nos últimos anos têm tido sempre esse problema), terá muitas dificuldades. Poderá ser um "novo Amorim" ou um novo Mourinho, mas é mais provável que seja um novo Silas... 

Mas o problema é maior do que esse: saindo Jesus, toda a contestação será dirigida a Vieira. O futuro afigura-se muito difícil.

Os sócios precisam de se mobilizar e as figuras credíveis do Benfica têm que se organizar para criar uma alternativa a Vieira. Esta liderança (ou este vazio de liderança) chegou ao seu fim e precisa de sair. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

As causas da crise do Benfica

A situação presente

 O Benfica encontra-se a meu ver numa situação gravíssima que coloca em causa o futuro próximo do clube. Não que o Benfica vá acabar ou falir, obviamente. No entanto existe um risco real de não sermos competitivos nos próximos anos / década.

Isto porque foi feito um investimento de alto risco, que não deu os resultados esperados, foi aumentada a despesa a níveis perigosos e as receitas desceram a pique devido ao Covid (e assim se manterão no futuro próximo). O Benfica não irá com toda a probabilidade à Liga dos Campeões no próximo ano (como não foi este) e o seu plantel, pago a peso de ouro, terá uma desvalorização brutal. Portanto as receitas extraordinárias também não salvarão a situação. Mas os salários estarão lá na mesma... Como resolver? Vendendo, desinvestindo. Mas essas vendas serão sempre por baixos valores, porque os jogadores não rendem e não estão na principal montra internacional. 


As causas

A principal causa é a total falta de liderança, a completa incapacidade de Vieira para tomar decisões estratégicas acertadas. Tudo começa aí e tudo deriva daí. 

Vieira foi durante alguns anos (poucos) um bom gestor de expectativas e de um modelo empresarial de valorização de jogadores e maximização das receitas que a marca Benfica facilita. Com bons "olheiros" ou scouts, o Benfica comprava relativamente barato e vendia caro. Isto não começou com Vieira (ao longo das décadas o Benfica teve, por exemplo, defesas centrais titulares da selecção do Brasil, jogadores de classe mundial) mas com ele adquiriu uma componente empresarial. Também se soube usar o benfiquismo dos adeptos para aumentar as vendas de merchandising.

No entanto essa política de comprar barato e vender caro (David Luiz, Di Maria, Rodrigo, Gaitan) e de formar jogadores - que tem que ser a política dos clubes portugueses pois não podem competir com os colosssos financeiros europeus - foi completamente invertida nos últimos anos.

Essa é outra dimensão da (não) liderança errática de Vieira. Quando o sucesso desportivo chegou, com a primeira passagem de JJ pelo clube, a porta de entrada para os jovens da formação estava praticamente fechada. São famosas as frases de JJ sobre o assunto, como por exemplo a de que os jogadores da formação teriam que "nascer várias vezes" para poderem estar ao nível de Matic (efectivamente um grande jogador). E são conhecidos os casos de Cancelo ou Bernardo Silva, apenas para citar os mais famosos. JJ queria jogadores "feitos".

Depois JJ saiu supostamente porque o Benfica ia passar a apostar no Seixal. E vários jogadores de qualidade ascenderam, como por exemplo Lindelof e Gonçalo Guedes. Com Bruno Lage (que ficaria no Benfica por "muitos e bons anos"), essa aposta ainda se acentuou mais com a dupla de centrais Rúben/Ferro, entre muitos outros.

Regressado JJ, a "aposta" na formação acabou  - mas o "modelo de negócio" (porque é disso que se trata realmente para os actuais dirigentes do SLB) já tinha mudado antes. As contratações de Raúl de Tomás, Weigl e Pedrinho, todas por 20 milhões de euros e anteriores a Jesus, marcaram uma mudança de paradigma que neste ano atingiu o seu expoente máximo. O Benfica passou a contratar caro.

Estas contratações foram apresentadas como o "dar o salto", especialmente no caso de Weigl, para passar a ser um clube comprador no mercado europeu e adquirir uma dimensão também europeia no seu futebol. Ou seja, o Benfica já tinha (supostamente) o domínio do futebol nacional e iria agora com estas contratações subir a um novo patamar de competitividade, batendo-se com os grandes europeus.

Com isto tocamos numa outra causa da crise do Benfica, intimamente ligada à falta de liderança, que é a da política de contratações errada, tema que fica para o próximo post. 

O problema da liderança, para além dos factores da personalidade de Luís Filipe Vieira, tem também a ver a segunda causa da crise: os múltiplos casos judiciais. 


Graças a Luís Filipe Vieira, o Benfica viu o seu nome envolvido em múltiplos casos judiciais. Houve buscas, denúncias anónimas, há processos, e várias suspeitas. Isto enfraquece a imagem e a influência do Benfica nos órgãos decisórios.

Não gostei de saber que o Benfica oferecia vouchers aos árbitros. Não me parece uma prática salutar. Gosto de pensar no Benfica como um clube impoluto que não recorre a esquemas e expedientes pouco claros. Desde que o caso veio a público, veio-se a saber que vários outros clubes têm práticas semelhantes (alguns tiveram outras bem piores, como sabemos), o que atenua o caso mas mesmo assim deixa sempre um gosto desagradável.

O problema é que as coisas não ficaram por aqui. Houve depois o caso dos emails, o e-toupeira, o caso lex e alegadamente outros relativos a denúncias de subornos (jogos viciados e mala ciao).

Quero deixar claro que na análise que faço dos diferentes casos, com base no que tem vindo a público, não me parece existir matéria de facto para tanto ruído. Uns bilhetes dados a uns funcionários para quebrar o segredo de justiça (que toda a gente faz e nunca se provou que fosse para obter qualquer benefício), um caso em que Vieira queria receber das Finanças dinheiro que aparentemente lhe era devido e conversas truncadas obtidas através da violação de correspondência privada que também nunca provaram coisa nenhuma, a não ser que existiam "cartilheiros". Quanto aos processos por subornos não quero sequer admitir que existam ou pelo menos que tenham a mais pequena credibilidade. Isso seria o fim.

Dito isto, sobram dois problemas: 1) será que há uma conspiração da justiça e das polícias contra LFV, ou pelo contrário haverá um conjunto muito alargado de suspeitas sobre as actividades do mesmo e estes são os casos em que se conseguiram obter indícios para acusações?; 2) não será evidente que estes casos enfraquecem LFV e por arrastamento o Benfica? É que à mulher de César não basta ser séria, tem que o parecer também. Aqui há a suspeita de que nem uma coisa nem outra.

Sem ter respostas definitivas para as perguntas, porque para além de observar que o Benfica é um grande negócio para muitos e que este é o seu principal interesse para estarem no clube, não tenho provas concretas de que Vieira ou qualquer outro elemento da direcção (em que não se incluem obviamente motoristas traficantes de droga) estejam envolvidos em actividades criminosas. Não deixa no entanto de ser estranho que existam tantos casos, tantos rumores e tantas suspeitas.

Do que não tenho dúvidas no entanto é que estes casos prejudicam e enfraquecem o Benfica, retiram-lhe força moral e são grande parte da razão pela qual a nossa equipa de futebol é claramente prejudicada pelas arbitragens e pelas instâncias decisórias do futebol em Portugal. 

Será que nada disto ocorre a LFV? Será que nunca pensou que as sombras que o envolvem se projectam sobre o clube? Uma pessoa inocente e que amasse o Benfica preocupar-se-ia com isso e tentaria proteger o clube. Pelo contrário uma pessoa que estivesse comprometida poderia ter a tentação de usar o clube como escudo protector. Uma tal pessoa tenderia a manter-se em silêncio e a não agitar as águas.

Assim, é legítimo perguntarmo-nos se estes casos (e eventualmente outros que desconhecemos) estão também na origem do silêncio do Benfica perante os roubos arbitrais que se vão acentuando jornada a jornada, ao passo que os rivais se manifestam com grande vigor ao mínimo prejuízo das suas equipas (que nalguns casos inclusivé existem apenas nas suas cabeças).


(CONTINUA)




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

O futebol português é uma farsa

 Quem aqui costuma vir, sabe que eu sou extremamente crítico do actual momento do Benfica e das opções erráticas - e erradas - desta direcção, assim como do futebol nulo da nossa equipa, que é evidentemente responsabilidade do treinador. 

Dito isto, não é possível observar as decisões arbitrais semana após semana e fingir que não se passa nada. É que começa a ser demais.

Mas antes de lá ir, um parêntesis: como eu previ, o VAR não resolveu nenhum problema da arbitragem em Portugal. Deixou de se festejar os golos com a mesma emoção (há sempre o receio de que venha a ser descoberta alguma irregularidade, real ou fabricada) e criou-se mais uma camada de influência arbitral no jogo. 

Quanto ao que se está a passar este ano, os adjectivos são redundantes para descrever o que está à vista de todos. 

Os nossos adversários já se dão ao luxo de gozar com o Benfica, dizendo que não temos penalties porque não chegamos à área das outras equipas. 

É que as evidências são de tal ordem que não vale a pena estar aqui a ilustrar. Qualquer jogador do Porto que caia na área é penalti, mas para marcar um a favor do Benfica é preciso... nem sabemos o quê, visto que já houve vários CLARÍSSIMOS que os árbitros e os VARs pura e simplesmente se recusam a marcar. Mãos, rasteiras, empurrões, tudo... 

Mas o problema não são só os penalties, os cartões, os descontos (que quando os nossos rivais estão empatados se prolongam quase até aos 100 minutos mas quando é o Benfica não passam dos 4 ou 5), as faltas e as faltinhas. 

O problema está também na (in)justiça desportiva. Quando Taremi leva um jogo de suspensão depois da entrada que teve sobre Ottamendi ou Sérgio Conceição leva multas de 200 euros, está tudo dito. 

Ou seja, as regras estão viciadas e este campeonato é uma fraude. E a Sporttv é parte desta fraude, como também em tempo assinalei, porque a sua edição das imagens não é isenta. Seria fastidioso estar aqui a ilustrar este ponto. Já o fiz em tempo e não vou insistir nisso. Acho que é algo de evidente para qualquer observador que não seja fanático. Aliás foi nessa base que o Benfica começou a transmitir os seus jogos na BTV e que a dada altura chegou a ter os direitos de transmissão da Liga Inglesa. 

Agora, que postura assumem os dirigentes do Benfica sobre isto, sobre esta fraude? Numa palavra, uma postura frouxa. Eles lá saberão porquê. Uma coisa é certa: não é assim que defendem o Benfica. Mas se calhar também não estão muito preocupados. Só nós, os adeptos, os idiotas que não ganham nada mas que alimentam os que ganham (e muito) com este negócio do futebol, é que nos preocupamos e sofremos. 


 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

O que mais será necessário?

 Já não há muito mais a dizer. 

Nem Vieira nem Jorge Jesus têm condições para continuar no Benfica.

O que mais será necessário? Sofrer goleadas? Descer para o 6° lugar? 

Está na cara há que tempos que: 

1) não há estratégia, não há rumo, não há liderança; 

2) Jorge Jesus não tem condições (talvez de saúde, certamente psicológicas e mentais, para além de técnicas e tácticas) para continuar a treinar a equipa do Benfica.

Já no último post, a seguir ao anterior empate no campeonato, disse aqui que as coisas não iam melhorar e que provavelmente não ganharíamos ao Farense. A questão é portanto apenas uma: quanto tempo mais se deixará esta situação arrastar?

É a única pergunta que se coloca neste momento. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Benfica à deriva. É preciso acção urgente.

 Vieira contratou Jesus para ganhar as eleições. Não devia ter ganho, porque os sinais já são preocupantes há muito, mas aparentemente ganhou, contando com uma grande ingenuidade por parte de uma maioria dos sócios (em que não me incluo).

Vieira pensou que Jesus era uma aposta segura. Como pessoa que, apesar de andar no futebol há décadas, não percebe muito do fenómeno, achou que o sucesso no Brasil era transponível para Portugal. É um raciocínio básico, mas errado. 

Na verdade, a aposta em Jesus era tudo menos segura - era altamente arriscada. E os resultados estão à vista. 

Jesus veio ainda mais arrogante, se é que isto é possível, convencido de que sabe tudo sobre futebol e que os outros andam a ver passar comboios. 

Nada mais errado. É o contrário que é verdade: no Brasil Jesus encontrou um futebol pouco competitivo, no qual os treinadores estão muito longe das melhores práticas dos europeus, têm uma cultura táctica limitada e de certo modo estão parados no tempo.

Claro que generalizo, claro que há excepções. Mas este é o panorama geral, um retrato relativamente fiel da realidade futebolística sul-americana.

Em Portugal, Jesus não beneficiou do efeito surpresa (pelo contrário) e encontrou treinadores muito competentes no que diz respeito ao processo defensivo e à redução de espaços. 

Jesus não tem qualquer antídoto para isso. Qualquer treinador médio da nossa Liga manieta a equipa do Benfica que se torna absolutamente inofensiva e inconsequente. Isto porque Jesus esteve anos lá fora em que não apenas não evoluiu como ainda regrediu. 

Este Benfica não tem dinâmica, não tem velocidade, não tem agressividade e nem sequer tem uma ideia de jogo definida. 

Jesus também não conseguiu ter um efeito positivo no plantel. Mais uma vez, muito pelo contrário: ao estar permanentemente a querer contratar jogadores, criou mal estar e desconfiança no plantel. Também a prepotência de colocar Ottamendi a capitão (e o jogador não tem culpa nenhuma disso) não contribuiu para o bom ambiente no balneário, nem para a união da equipa. 

Claro que Jesus não teve sorte. Se nos tivéssemos apurado para a Liga dos Campeões, se não tivéssemos perdido aquele jogo com o Boavista, se tivéssemos ganho no Dragão, se não tivéssemos tido tantos casos de covid, se não tivéssemos perdido em Alvalade ao minuto 92, talvez as coisas fossem diferentes. Mas ninguém vive de ses.

O campeonato está perdido, o apuramento directo para a Liga dos Campeões também está muito difícil e arriscamo-nos mesmo a ficar fora dos 3 primeiros lugares. 

O futebol do Benfica é deprimente e os problemas que já vinham da época passada mantém-se exactamente iguais. Jesus não foi capaz de melhorar rigorosamente nada no futebol do Benfica. 

Os erros tácticos são evidentes, as substituições por regra pioram a equipa e agora pelos vistos o desnorte é tamanho que já nem se sabe em quanto tempo de jogo se vai. 

É mau demais para ser verdade. 

Pensar que se gastaram mais de 100 milhões de euros nisto é imoral em tempos de pandemia. 

Jesus só ainda não saiu do Benfica porque o presidente praticamente apostou tudo nele e porque a indemnização será brutal. Se despedir o treinador, Vieira sabe que as atenções e a insatisfação se passam a focar 100 % nele. 

No entanto é altamente improvável que as coisas melhorem. O mais natural é perdermos na quinta feira com o Arsenal e não será muito surpreendente se também não ganharmos em Faro. Depois virá provavelmente nova derrota com o Arsenal.

Portanto a questão é quanto mais tempo se deixará arrastar esta situação.

O problema do Benfica é porém mais profundo do que a mera situação do treinador. O problema do Benfica neste momento é duplo: falta de liderança e falta de benfiquismo. 

É precisa uma revolução no Benfica. É preciso tirar de lá Luís Filipe Vieira. É preciso mudar a estrutura de alto a baixo. Precisamos de uma estratégia que não passe por dar dinheiro a ganhar a sanguessugas mas sim por dar títulos ao Benfica e aos benfiquistas. 

Precisamos de benfiquismo e de acção. Vieira não vai sair de lá pelo seu pé, precisa de ser corrido. Os benfiquistas têm que se pôr em campo para que isso se torne uma realidade - enquanto é tempo. Por este andar, Vieira deixará o clube numa situação igual ou pior à que encontrou, quando Vale e Azevedo se preparava para liquidar o clube com a constituição de uma SAD que o colocaria (a preço de saldo) nas mãos de estrangeiros. 

Num cenário de pandemia e quebra brutal das receitas, o Benfica pelo andar da carruagem dirige-se a grande velocidade para o abismo. 

O tempo de agir é agora. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Se não ganhamos ao Nacional...


 Ganhamos a quem?

A pergunta, colocada num vídeo viral de Paulo Parreira, o "adepto possuído", tem toda a razão de ser. 

Ganhamos a quem? Na verdade a muito poucos, e mesmo essas vitórias têm sido, na maioria dos casos, pouco convincentes. 

JJ gabou-se de que colocaria o Benfica a jogar o triplo, mas é o inverso que tem acontecido. O "seu" Benfica apresenta um futebol lento, triste, previsível, sem intensidade.

Jogadores de 15, 20 e 24 milhões parecem amadores. 

Darwin tem 3 golos na Liga. Isto admite-se? Os nossos rivais contrataram por 3 e 5 milhões jogadores que apresentam um rendimento muitas vezes maior... 

Que gestão é esta? Desportiva e financeira. Contratamos caro (Pedrinho, Cebolinha, Weigel ou Raul de Tomaz são outros exemplos) para depois retirar um rendimento desportivo baixíssimo destes jogadores.

Mas voltando ao jogo com o Nacional, a falta de determinação, de atitude, de intensidade dos jogadores do Benfica é gritante e inadmissível. 

Depois do Nacional se ter recusado a adiar o jogo, o Benfica tinha obrigação não apenas de vencer mas de HUMILHAR os madeirenses.

Mas este Benfica é uma equipa de moles, jogadores sem raça (e pelos vistos pouco orgulho em si próprios). O jogo do Porto foi uma excepção. Com o Nacional voltou-se ao normal. 

Cervi foi e é a excepção e é provavelmente por essa razão que o querem pôr fora do Benfica.

Uma última palavra para o cartão amarelo a Palhinha. É inconcebível e roça o escândalo. Espero que seja despenalizado porque o cartão não faz sentido e é completamente injusto.

Agora não venham os sportinguistas apresentar isto como a prova de que o Benfica manda nisto tudo. Se a intenção fosse beneficiar o Benfica, como explicar a escandalosa decisão de não marcar um penalty descarado a nosso favor no jogo com o Nacional que provavelmente nos daria os três pontos?



segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Notas soltas - mercado, momento do Benfica e Octávios

 A vitória do Benfica sobre o Tondela foi cinzenta, mantendo-se vários problemas. Também houve no entanto algumas coisas positivas. Se eu estivesse certo de que as melhorias fazem parte de um percurso ascendente, estaria mais optimista. O problema é que a trajectória esta época tem sido de altos e baixos, com mais baixos do que altos, infelizmente.

Em todo o caso houve coisas positivas, como por exemplo a defesa. Os nossos centrais começam a mostrar a qualidade que indiscutivelmente têm. Ottamendi voltou a fazer um grande jogo, depois de já contra o Porto ter sido um dos poucos com uma exibição positiva (no seu caso, muito positiva mesmo). É um jogador que para além de defender muito bem (comentendo como é evidente alguns erros - não há nenhum jogador que os não cometa e os que muito raramente os cometem são foras de série como van Dijk), constrói bem, com uma qualidade técnica muito acima da média para um central. Também Vertonghen tem vindo a subir de rendimento. É um jogador muito bom no jogo aéreo (melhor do que Ottamendi), muito sólido e fiável.

Isto leva-me à questão de Lucas Veríssimo. Acredito que seja um grande central. No entanto não me parece que esta seja a posição que urgia reforçar. Temos ainda Jardel que ao longo dos anos mostrou ser um jogador que cumpre (apesar da idade e do histórico de lesões limitarem o seu rendimento), Ferro que foi campeão pelo Benfica como titular ao lado de Rúben, Todibo, que alguma qualidade há-de ter ou o Barcelona não o teria contratado e ainda os jogadores da equipa B.

Se Veríssimo vier para jogar numa defesa a 3, a sua contratação fará sentido e aí as minhas dúvidas deixam de ter razão de ser. Suspeito porém que não é isso que vai acontecer. Dito isto, a partir do momento em que chegar não volto a este assunto e contará obviamente com o meu apoio.

Fala-se também de William Carvalho. Mais uma vez não percebo. O Benfica investiu para cima de 100 milhões de euros nos últimos 12 meses. Tem no seu plantel Samaris, Gabriel, Weigl. Tinha ainda Florentino. Vai-se contratar mais um centro campista de características defensivas? Não deveria antes JJ melhorar os jogadores que tem? Será que deixaram os 3 de saber jogar? Isto para já nem insistir na questão Florentino, jogador que aprecio.

Ainda outra questão a este respeito: porque nunca jogou JJ com uma dupla em que constem dois destes três jogadores (Samaris-Gabriel-Weigel)? Porque tem sempre que jogar Taarabt ou Pizzi na segunda posição do meio campo? É algo para que não encontro qualquer resposta. Qualquer um daqueles três sabe construir. A ideia de que temos que ter um médio (muito) ofensivo na segunda posição do meio campo quando já temos dali para a frente 4 atacantes é algo que não me parece fazer sentido. Aliás, isso obriga os alas a defender demasiado. Cebolinha tem sido vítima disso.

Também na frente se diz que Seferovoc está de saída. É o nosso melhor goleador... A decisão aparentemente prende-se com o salário do suíço. Mas quererá ele sair? Vai ser empurrado do clube? Antes dele já Vinícius saiu para o Tottenham. Também há rumores de que queremos extremos. Que os que temos não desequilibram. Sobre isto prefiro nem fazer comentários. Mas esta roda viva cria uma instabilidade que não ajuda à consolidação da equipa. 

Finalmente, os Octávios. Há três na CMTV mas falaremos apenas de dois. Um que defende sempre JJ. De certo modo fica-lhe bem, pois mostra que é leal aos seus amigos. Mas muitas vezes exagera. No entanto não posso deixar de sublinhar que Octávio é uma espécie de antíodo anti-Porto. No Sporting mudou a mentalidade e fez com que o clube passasse a derrotar frequentemente o Porto. Pergunto-me se não teria um impacto positivo no Benfica também. E antes que aqui surjam "indignações", recordo que Eurico foi jogador dos três grandes, assim como Futre ou Carlos Alhinho, entre outros.

Já o outro Octávio, o Lopes, consegue ser, de entre todas as figuras que pululam por estes programas de comentadeiros, nalguns casos mal frequntados, claramente o pior. O seu ódio ao Benfica é de tal ordem que chega a espumar da boca. É desagradável, é torpe. Berra a toda a hora. Entra em confronto com toda a gente. Mas este indivíduo é também conhecido por estar permanentemente a atacar, a acusar e a difamar o Benfica. Muitas vezes com insinuações ínvias, mas outras com acusações directas de corrupção. Eu só tenho uma pergunta: porque é que o Benfica ainda não processou este senhor?


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Regresso ao passado

 O Benfica de Luís Filipe Vieira foi desportivamente um fracasso até à chegada de Jorge Jesus. Assim de repente, lembro-me de uma Taça vencida com Camacho e um campeonato com Trapattoni, para além de uma Taça da Liga com Quique Flores. Um pecúlio fraquíssimo.

Depois chegou JJ e o Benfica foi campeão, com uma grande equipa. De imediato se declarou um novo ciclo, mas a verdade é que o Porto logo vence mais um tri, com JJ ajoelhado no dragão no último deles e goleadas por 5-0 e celebrações na Luz pelo meio. Anos de tristeza desportiva e desapontamento.

Jesus voltaria a vencer dois campeonatos, mas o melhor período até veio depois, com Rui Vitória (dois campeonatos) e Lage (um), somando 3 campeonatos no espaço de 4 anos.

Vieira, em desespero face a um campeonato e Taça perdidos no ano passado para um adversário intervencionado pela UEFA e quase impedido de contratar (o segundo campeonato do Porto em três anos), tratou de ir buscar Jesus ao Brasil e investir fortemente na equipa. Ganhou as eleições, como queria (essa foi a principal razão do investimento - não o desejo de sucesso desportivo), mas as coisas não estão a funcionar. De todo.

O futebol do Benfica é uma nulidade. Não atacamos nem defendemos em condições. O meio campo não controla o jogo. Taarabt é um jogador nulo: não marca golos, não faz assistências, não faz equilíbrios defensivos, não rouba bolas, só as perde. Com um meio campo a dois, é impensável ter um jogador destes a titular. Leva a bola para a frente? Mas quantas dessas investidas resultam em golo? E quantas resultam em perdas de bola, muitas vezes com a equipa em contra pé? 


Jorge Jesus recebe milhões de euros por ano e os resultados apresentados são miseráveis. Mais: apresenta resultados negativos, pois já fez o Benfica perder a qualificação para a Liga dos Campeões, colocou o Benfica na porta de saída da Liga Europa, ao ficar atrás do Rangers na fase de grupos e ir em consequência jogar com o Arsenal, perdeu a Supertaça (com mais uma exibição miserável), está em 3° no campeonato, 4 pontos atrás de um Sporting de tostões; e como se não bastasse continua (aparentemente) a contratar jogadores, nomeadamente um central para uma posição para a qual há já 4 jogadores.

É uma vergonha. É até, de certa forma, uma imoralidade, em tempos de pandemia. Mas parece-me que pouca gente no Benfica hoje partilha destes sentimentos. Acho que estão sobretudo preocupados com o seu próprio futuro e os seus interesses pessoais.

O Benfica parece estar a regressar ao tempo "pré-JJ" de Vieira, um tempo de derrotas sucessivas, curiosamente com o mesmo treinador que há 16 anos levou a uma quebra (apenas parcial) da hegemonia do Porto. 

Hegemonia que, com curtas interrupções, dura desde 1985: 22 campeonatos para o Porto contra 11 campeonatos para o Benfica, 12 Taças de Portugal contra 8 do Benfica, 19 Supertaças contra 7 do Benfica. Um domínio avassalador. A Supertaça é o troféu que melhor o reflecte, pois é mais ou menos contemporâneo da mudança de ciclo no futebol português. Curiosamente, a Taça da Liga que evidentemente também entra nesta contabilidade é uma competição em que o Benfica tem um grande domínio: 7 contra zero do Porto; esse domínio coincide com o período em que o Benfica quebrou temporariamente o domínio do Porto; mas não a vencemos há 4 anos (Sporting 2 vezes, Braga 1 e Moreirense 1 foram os clubes vencedores desde então). O que confirma que a aparente hegemonia do Benfica não o chegou a ser e que a cultura vencedora não foi suficientemente implementada. 

O que a contabilidade global desde 1985 mostra é isto: 53 títulos para o Porto, 33 para o Benfica. Sem a Taça da Liga teríamos menos de metade dos títulos do Porto (e isto sem incluir competições europeias em que o Porto acrescenta mais 7 contra zero do Benfica no mesmo período...). 

Ora voltando ao tema principal, deste período de 36 anos (desde 1984/85 até metade da época 2020/21), quase 20 são já da responsabilidade de Vieira (17 como presidente e 3 como director desportivo e principal figura atrás de Vilarinho).