terça-feira, 5 de outubro de 2021

Então e a rotatividade??!

 Jorge Jesus foi "guloso" contra o Portimonense.

Não digo isto com a facilidade de quem faz análises depois do jogo e em função do resultado.

Assim que vi o 11 titular fiquei preocupado.

A equipa fez um esforço brutal e teve um desgaste tremendo contra o Barcelona. Correu muitos kms e disputou todas as bolas para ganhar. Física e psicologicamente os titulares na quarta-feira ficaram esgotados.

Os níveis de competitividade e intensidade do jogo da Liga dos Campeões não são os habituais nas equipas portuguesas, nem sequer no Benfica.

Por isso era para mim evidente que contra o Portimonense alguns dos mais influentes (e desgastados) deveriam ter começado no banco. O que se poderia perder em qualidade e entrosamento ganhava-se em frescura física e mental, em disponibilidade para o jogo, em "fome" de jogar e se mostrar.

Menos ainda percebo esta decisão quando já se provou que o plantel tem qualidade e profundidade (reconhecida por todos, incluindo o treinador) e quando em mais do que uma ocasião Jorge Jesus até já fez rotatividade, sempre com bons resultados. 

Para quê ter contratado Meité se nem com o Portimonense EM CASA pode jogar? Pizzi também não tem classe suficiente para um jogo destes, para dar algum repouso a João Mário, que já não é novo e tem jogado todas as partidas?? Taarabt o ano passado era titular em todos os jogos e agora nem neste tem uma oportunidade de começar? Mourato, que tem sempre dado conta do recado, mesmo em circunstâncias exigentes, não poderia ter rendido um dos três da linha defensiva? E na frente Rodrigo Pinho que desbloqueou nos Açores ou Ramos não merecem qualquer confiança? 

Jorge Jesus errou de forma crassa. Este treinador tem uma tendência para borrar a pintura quando as coisas estão a correr bem. Depois de uma preparação exímia do jogo com o Barcelona insistiu num 11 desgastado e fez-nos desperdiçar 3 pontos fáceis.

Mas talvez até pior do que isso, pode ter perdido parte do balneário, dando um sinal tão claro como lamentável de que há vários jogadores que não contam e que só jogam quando não há alternativa.

Qual a motivação destes depois do que aconteceu no Domingo? Não muita, certamente.

Gostaria de pensar que Jorge Jesus aprendeu uma lição, mas tenho quase a certeza de que não é assim. 

Estamos à frente, é certo, mas desperdiçámos uma vantagem já relativamente confortável que tínhamos, voltando quase à estaca zero, no que ao campeonato diz respeito. Mais: Sporting e Porto já se defrontaram e nós ainda temos de jogar contra ambos, mais o Braga.

Tudo estava a correr bem demais... Teve de vir asneira. Isto não é mérito dos outros, é demérito nosso. Sem necessidade nenhuma e totalmente previsível. 

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Memorável

 Por vezes hesito em escrever quando as coisas estão a correr bem.

Será superstição, mas sabemos que no futebol esse tipo de comportamentos e crenças pouco racionais ocupam um lugar na mente dos adeptos.

Assim, não quis dizer nada antes deste jogo, apesar de ter uma forte esperança de que o poderíamos ganhar.

Agora do que não estava à espera era de uma vitória tão clara e concludente como a que tivemos.

Especialmente na segunda parte, o Benfica foi totalmente dominador e vulgarizou o Barcelona.

É evidente que esta equipa do Barcelona não está no melhor momento, que há um certo sentimento de orfandade pela saída de Messi e que o clube está numa espécie de limbo.

Isso toda a gente sabe.

Mas esses factos não significam que o Barcelona não seja um grande europeu e que não tenha um grande plantel. É um colosso e tem um plantel de classe.

Por isso só fazendo uma grande, enorme exibição o Benfica podia ter vencido da forma que venceu.

Para além de ter estado impecável do ponto de vista táctico, o Benfica foi enorme nos duelos individuais, na entrega ao jogo e na capacidade física.

Não vale a pena estar a elaborar muito nos elogios, até porque no futebol tudo muda apenas com um ou dois jogos se os resultados não aparecem.

Agora que esta equipa demonstra uma consistência, uma solidez e uma segurança que não se via há muito, disso não há dúvida.

João Mário veio trazer um grande equilíbrio à equipa e o nosso meio campo é hoje muito diferente, para melhor, do que nos anos anteriores. Weigel parece outro jogador e a defesa exibe agora uma segurança que se transmite a toda a equipa.

Parabéns a todos, foi uma noite memorável, à Benfica. Agora é dar continuidade. 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Empatar em Kiev é mau?

 Depende.
Claro que sentimos que o Benfica dominou o jogo quase por completo e nessa medida o resultado sabe a pouco.

Mas convém também perceber que a estratégia do Dinamo era precisamente a de dar a iniciativa do jogo ao Benfica e tentar depois lançar contra ataques letais. Ou seja, se nos balanceássemos demasiado para a frente deixaríamos espaços em que os ucranianos nos poderiam ferir, tornando tudo ainda mais difícil.

A questão era portanto de encontrar um equilíbrio em que assumissemos o jogo e tentássemos o golo mas não arriscássemos demasiado (porque isso seria também quase de certeza fatal). Estivemos perto de o conseguir. Houve algumas oportunidades que poderíamos ter definido melhor. As substituições também não foram as melhores. Era um jogo muito mais para Seferovic (ou até Ramos) do que para Darwin.

Por outro lado, o Dinamo também teve as suas, ainda mais flagrantes, sobretudo no fim, quando a equipa do Benfica abanou e quase foi nocauteada. Tivemos a sorte de ter sido detectado um fora de jogo milimétrico no início da jogada do golo, caso contrário sairíamos da Ucrânia numa posição muito difícil. Mas isto mostrou duas coisas: 1) que o Kiev não é uma equipa inofensiva ou medíocre (tem as suas limitações, é algo inexperiente mas tem jogadores talentosos e objectivos); 2) que não nos podemos desconcentrar e muito menos "desligar do jogo" seja no minuto 1 seja no 90.

Em termos de Liga dos Campeões, um empate fora não é um mau resultado. A fórmula do apuramento é precisamente pontuar fora, nem que seja com um empate e ganhar os jogos em casa. 

Claro que neste caso as coisas serão um pouco diferentes porque os jogos com o Bayern são de um grau de dificuldade extremo e o mais certo é perdermos os dois. Mas isso também é válido para as duas restantes equipas do grupo (o Barcelona aliás já perdeu em casa e de forma concludente). Nesse sentido, este grupo é como se só tivesse 3 equipas que disputarão duas vagas: uma para os oitavos da Champions, outra para os 16vos da Liga Europa. Assim, o jogo da próxima jornada com o Barcelona em casa será de extrema importância. Uma vitória dá-nos-ia boas possibilidades neste mini campeonato a 3.

Uma nota final para recordar que os super-favoritos, com orçamentos descomunais, Man Utd e PSG não foram capazes de bater adversários muito mais modestos, que não estão provavelmente acima do Kiev. O Barcelona foi vulgarizado em casa, como já referido. E o Sporting fez a figura que ontem se viu.

Por isso, a concluir, o ideal teria sido ganhar em Kiev, mas o essencial era não perder. Com o Barcelona em casa se verá que tipo de chances temos neste grupo, sendo que à partida e no papel não tínhamos nenhumas, no que ao apuramento para a fase a eliminar diz respeito. O mau momento do Barcelona pode porém criar aqui uma janela de oportunidade que veremos dia 29 se conseguimos aproveitar.

domingo, 8 de agosto de 2021

Continua a pouca vergonha

 Primeiro jogo para o campeonato, primeira vitória mas mais do mesmo em termos de arbitragem.

De facto é inacreditável como o Benfica é constantemente prejudicado. É em todos os jogos, em quase todas as decisões.

Eu não digo que o árbitro (mais o VAR) não tomem algumas decisões correctas. Mas nos lances de dúvida a decisão vai contra nós em 90% dos casos.

Em primeiro lugar tenho que assinar os 13 minutos de descontos. Se estivéssemos em desvantagem ou empatados teria sido assim? Digo com certeza quase absoluta que não.

Depois vamos aos lances mais polémicos. A expulsão de Artur Jorge é um lance discutível. O jogador toca na bola, não há dúvida, mas depois abalroa Waldschmidt. Aliás faz-lhe praticamente uma tesoura. É portanto muito discutível que o VAR intervenha. Mas já sabemos que quando é contra nós intervém sempre. Mas mesmo intervindo não percebo a decisão de anular a falta. E acho que no mínimo seria sempre amarelo. 

Depois há o lance da expulsão de Diogo Gonçalves. Imprudente? Certamente. Com intenção? Decididamente não. Eu aceito a expulsão. O que não aceito é que as decisões sejam sempre no mesmo sentido e sempre a prejudicar o Benfica. Mais uma vez o VAR interveio. 

Este prejuízo do Benfica, que parece premeditado, é evidente se virmos o lance entre o mesmo Artur Jorge e Gonçalo Ramos. Para mim há uma agressão. A bola não está e o defesa ataca Ramos na cara. O árbitro dá o amarelo (bem aqui ao ver o lance) mas curiosamente neste caso o VAR já não acha necessário intervir. Porque será? E porque será que eu não fiquei surpreendido?

Indo agora ao jogo. Acho que com o decorrer do jogo complicámos um pouco o que começámos por tornar fácil. Facilitámos ao sofrer um golo quando deveríamos ter saído da primeira parte a vencer por dois ou três. Jesus facilitou ao não tirar Gonçalves mais cedo e este teve uma entrada completamente imprudente (que aliás lesionou o adversário) e assim deixou a equipa reduzida a 10.

Dito isto, há que salientar também o positivo. Em primeiro lugar Lucas Veríssimo, que foi com muita justiça o melhor em campo, Gonçalo Ramos pelo que jogou e se entregou e enfim toda a equipa pela capacidade de sofrimento e o acerto no final do jogo apesar do cansaço.

Também a dinâmica mostrada na primeira parte foi bastante boa. 

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Começar bem. Mais as contratações e atual plantel do Benfica.

RUI Costa tem surpreendido pela positiva. Entrou num momento de enorme crise e escândalo e com muita calma tem vindo a guiar a nau do Benfica através da tormenta, esperamos que em direção à bonanza. 

No meio disto concretizou três contratações que me parecem vir dar uma outra dimensão ao nosso futebol: João Mário, Meité e Yaremchuk. No caso de João Mário, apesar das minhas reticências, o que se tem visto é claramente muito positivo. Não vou aqui estar a analisar, até porque todos podem ver os jogos e ter as suas opiniões mas que JM se posiciona muito bem, aparecendo praticamente no campo todo, e que faz a bola correr com muita fluidez (para além de raramente a perder), não há dúvidas. Contra o Spartak tivemos um meio campo muito dinâmico, com Weigel também a subir bastante de rendimento face às exibições apagadas do passado.

Em relação a Meité, há mais dúvidas na medida em que é um jogador que apesar da sua inegável qualidade nunca se afirmou plenamente. Yaremchuk é uma aposta mais segura na medida em que é um jogador de selecção, com golo, que já demonstrou elevado rendimento em diferentes contextos. Agora claro que chega para uma posição para a qual não havia aparentemente necessidade de contratar dado que temos já Seferovic, Vinícius, Darwin, Ramos, Rodrigo Pinho e Waldschmidt. 

Face a estas reticências, porque digo que as contratações foram boas?

Em primeiro lugar porque acho que vêm dar ao plantel algo que estava em défice: dimensão física. Aqui não tanto por João Mário, que é de constituição normal, mas pelos outros dois: Meité - 1,87m e um porte poderoso, Yaremchuk - 1,91 e também possante. Acho que isto faltava no Benfica. Weigel é um jogador dinâmico mas fisicamente não se impõe. No ataque Seferovic tem até certo ponto essas características mas não é tão forte como Yaremchuk. Já Darwin é um jogador mais esguio. Tem muita velocidade mas não é necessariamente um jogador de choque. Ora o Benfica tinha - e tem - certamente muito talento mas faltava capacidade de choque, faltavam jogadores capazes de se impor fisicamente e portanto também de incutir respeito nos adversários (aspecto muito importante num jogo de futebol, que por vezes é subestimado). 

Em segundo lugar e mais importante que tudo, porque são bons jogadores e encaixam bem no sistema de jogo do Benfica. Eu acreditei muito em Gabriel mas atendendo a que o treinador não aposta nele faltavam claramente soluções no meio campo que agora passam a existir. Principalmente quando jogamos com um meio campo a dois são precisos jogadores inteligentes e com capacidade de jogar em todo o terreno, características que Taarabt (titular praticamente toda a época passada) não tem - nem Pizzi. 

Na frente, apesar de termos muitos avançados muitas vezes faltava quem colocasse a bola dentro da baliza (Seferovic é um jogador de grande qualidade mas não é bem o finalizador nato que este futebol do Benfica pede). Mais uma vez eu pensava que existia uma solução já no plantel (Vinícius) mas os responsáveis não acreditam nele pelo que a contratação de Yaremchuk faz sentido sob esse ponto de vista.

Dito isto, Rui Costa tem ainda muito trabalho pela frente em termos de acertos no plantel. É impensável ficarmos com 5 pontas de lança e com Gabriel, Florentino, Gedson e Taarabt no banco ou na bancada (e há ainda Paulo Bernardo...). E note-se que não estou a incluir aqui Meité neste lote, embora ele tenha começado a época no banco, pois acredito que entre ele e Weigel possa haver alguma rotatividade, nem Chiquinho (que é dado como de saída) nem Samaris (que já nem está oficialmente no plantel. Há centro campistas e pontas de lança a mais e isso também não é bom, pois os jogadores de qualidade que não têm suficientes minutos de jogo começam a ficar insatisfeitos e a criar um mau ambiente, mesmo que sejam bons profissionais. Um ou outro ainda é gerível, mas tantos não é possível. 

De resto acho que o plantel tem qualidade suficiente para podermos competir ao nível esperado em todas as provas. Com algumas saídas nas posições que identifiquei penso que ficamos bem servidos em todas as posições. 

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Acordem benfiquistas

 Pelo que tenho lido e ouvido, muitos benfiquistas estão em estado de negação e insistem em não ver a crise profunda em que o clube está envolvido.

A situação é gravíssima e não é a enterrar a cabeça na areia que as coisas se vão resolver.

Em primeiro lugar há que perceber que a imagem do Benfica já estava manchada antes da detenção de Luís Filipe Vieira. O clube viu o seu nome envolvido em múltiplos casos, alguns deles judiciais ainda por concluir e as suas instalações foram objecto de várias buscas policiais.

É verdade que muitos destes casos se têm revelado pouco consistentes. Mas há ainda processos em aberto e os danos reputacionais são já irreversíveis.

Isto afecta a marca, o seu valor, a capacidade de atrair parceiros, patrocínios e investimento e também jogadores e treinadores de renome internacional.

Mas o problema agravou-se imensamente com a detenção de Vieira e as notícias que têm vindo a público na última semana - e outras que continuarão a aparecer.

É necessário perceber que estamos perante um escândalo internacional, quer pelos ecos que tem tido na imprensa mundial quer por envolver já actores estrangeiros (investidores, bancos, empresas e offshores).

Os benfiquistas que pensam que ignorando o que se está a passar ou atacando juízes, procuradores ou media, tudo passa e será esquecido, não têm a mínima noção do mundo em que vivemos.

A partir deste momento, todas as operações do Benfica estarão sobre um escrutínio muito maior das autoridades, reguladores, empresas e bancos. Ninguém arriscará ser acusado no futuro de conivência com práticas menos claras, para já nem falar de condutas ilegais.

O crédito e as próprias transacções financeiras do Benfica (especialmente as internacionais) serão a partir de agora mais difíceis.

Insisto que não querer ver isto, fingir que nada está a acontecer ou enterrar a cabeça na areia, não apenas não resolve nada como só agravará o problema. 

Nem se pense que fazer uma boa época no futebol (algo que é altamente improvável face à instabilidade vivida) resolverá seja o que for. 

Aquilo que os sócios podem e devem fazer para ajudar o clube a sair desta situação é tomar decisões muito racionais sobre o futuro do Benfica.

Algo que infelizmente não têm demonstrado muita capacidade de fazer no passado recente. Por exemplo, ao eleger Vieira (a não ser que tenha existido fraude eleitoral), os sócios ignoraram sinais já demasiado evidentes de - no mínimo - má gestão e falta liderança e rumo. Escolheram mal, pessimamente. As consequências ficaram à vista com os resultados desportivos desastrosos da época passada e, como se não bastasse, Vieira é agora acusado de roubar o clube, além de múltiplas irregularidades e negócios em que actuava como se o Benfica fosse uma das suas empresas.

Para sair da situação negra em que se encontra, o Benfica precisa de uma equipa dirigente altamente profissional, competente e impecável do ponto de vista ético. 

Os sócios precisam de ir um pouco mais longe na sua análise do próximo presidente do que meramente "eu gosto dele" ou "é um benfiquista de gema".

É por demais evidente que o presidente do BENFICA tem que ser benfiquista. Já basta o que tivemos que aturar nos últimos anos. 

Mas isso não chega. Nem pouco mais ou menos. Nem ser simpático. Ou "conhecer o clube". Quem melhor o conhece andou aparentemente a roubá-lo, ou pelo menos a geri-lo de forma negligente e danosa nos últimos anos. 

Ora o que tenho lido por muitos blogues e ouvido em entrevistas a adeptos é preocupante. "Gostam" de um, "não gostam" de outro, insultam potenciais candidatos, acusando-os sem qualquer base (e provavelmente de forma caluniosa) de estar a soldo de interesses obscuros. A acusação mais ligeira é a de que "querem ir ao pote" ou "têm sede de poder". Estes adeptos parecem achar que todos os dirigentes roubam mas que os que já lá estão têm mais direito a esse saque do que outros que queiram vir de fora. 

Acima de tudo, não percebem minimamente o que está em causa e o tipo de perfil e qualidades que são necessários. 

O nosso querido clube precisa de um líder com carisma, um currículo imaculado e capacidade de gestão que varra de uma vez por todas o amadorismo, o compadrio e a corrupção para fora do clube. 

O Benfica está numa situação muito grave (não sabemos qual a real situação das contas, que pode ser muito pior do que as oficialmente divulgadas). A decisão dos sócios nas próximas eleições será por isso de tremenda importância. Pode significar a diferença entre esta crise durar um par de anos ou uma década. Há que a tomar de forma muito racional, esquecendo "dívidas de gratidão" que já deram no que está à vista. 


terça-feira, 13 de julho de 2021

A sorte no Euro (e no futebol em geral)

 Muitas vezes se fala da sorte e falta dela no contexto do futebol. É normal, porque é um jogo e portanto há sempre um certo grau de sorte ou alietoriedade.

No entanto a sorte muito raramente é o factor decisivo e este Euro prova isso mesmo.

A Itália teve a sua dose de sorte contra a Áustria e a Espanha. Podia ter perdido qualquer um desses jogos.

No entanto a Inglaterra também teve sorte. Por exemplo no jogo com a Alemanha Muller completamente isolado atirou a rasar o poste e isso foi decisivo para a vitória inglesa. Depois a Inglaterra beneficiou de um calendário muito favorável para chegar à final.

Já na final, a Inglaterra viu-se a ganhar logo no início do jogo, numa altura em que tinha feito pouco para o merecer. E não soube segurar essa vantagem. Também no prolongamento não foi capaz de tirar partido do facto de ter menos minutos de jogo do que a Itália, que já tinha disputado dois prolongamentos nas eliminatórias.

E para terminar, esteve em vantagem nos penalties, perdeu-a, esteve à beira da derrota no penalti de Jorginho e mesmo depois deste falhar não foi capaz de levar a decisão para a morte súbita nos penalties.

Ou seja, a Inglaterra teve várias oportunidades e não aproveitou nenhuma.

Já a Itália soube sempre aproveitar as oportunidades ou a sorte que o jogo lhe ofereceu (por exemplo ter alcançado o empate ainda antes da fase de desespero começar, ou o penalti ao poste de Rashford). Em todos os jogos perseguiu o máximo possível.

Isto é válido para o futebol em geral, sobretudo um campeonato. Uma equipa pode ter sorte ou azar num jogo, mas ao longo de uma época esse factor é negligenciável.

Já a arbitragem, sendo um factor humano, tem outro tipo de influência, potencialmente mais significativa, sobretudo quando há predisposição para favorecer uma(s) equipa(s) em detrimento de outras. 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Finalmente. Tempo de virar a página no Benfica

 Estava a escrever unm post sobre Vieira e os vieiristas... Fui ultrapassado pelos eventos.

Ainda bem.

É chegada a altura de virar esta página negra na história do Benfica.

Sim, é verdade que LFV entrou no Benfica num período difícil e fez obra, incluindo o estádio. Reconstruiu muito do que estava em cacos, não apenas por causa de Vale e Azevedo - o problema já vinha de Damásio e da destruição do plantel e do balneário do Benfica operada por Artur Jorge. Também os problemas financeiros já vinham de trás.

LFV teve um papel importante na saída desse ciclo negativo. E teve uma oportunidade de se tornar um presidente histórico no Benfica, alcançando a hegemonia do futebol português.

Perdeu essa oportunidade ao desinvestir no ano do Penta - agora sabemos porquê. Sacrificou os interesses do Benfica para salvaguardar os seus próprios interesses empresariais privados e familiares. Isso é indesculpável.

Por isso a saída de LFV (que "comprou" as eleições passadas com JJ e 100 milhões - mal - investidos) já é tardia. Há 3 anos que o Benfica não ganha praticamente nada - e isto com rivais nas ruas da amargura.


A notícia que melhor enquadra e explica a detenção de LFV:

https://sol.sapo.pt/artigo/739981/luis-filipe-vieira-e-rei-dos-frangos-foram-detidos 

Arbitragem no Euro comparada com Liga Portuguesa

 A arbitragem no Euro tem sido exatamente aquilo que eu defendo: deixar jogar, apitar o menos possível, dar cartões quando eles se justificam, marcar penalties apenas quando a situação é flagrante e o VAR intervir apenas quando há erro evidente e objectivo do árbitro.

Tem havido aqui e ali um ou outro erro, um ou outro exagero, mas na maioria esmagadora dos jogos as decisões têm sido as correctas. E não há uma única selecção que possa dizer que foi eliminada por causa do árbitro.

Isto é praticamente o oposto do que acontece em Portugal onde a arbitragem: passa o jogo a apitar, interrompe a toda hora com faltas e faltinhas, dá imensos cartões amarelos, marca penalties por tudo e por nada e o VAR passa a vida a intervir. Além disso muitos jogos em Portugal são decididos nos últimos minutos através de decisões arbitrais questionáveis.

A arbitragem em Portugal é simplesmente DEPLORÁVEL.

Há dias um comentador dizia que no Euro "os jogadores também ajudam" (os árbitros). Foi imediatamente corrigido (penso que por um ex-jogador) que lhe disse, com toda a razão, que os jogadores não ajudam nada, eles sabem é que é inútil reclamar ou fazer fitas e que serão punidos se forem por esse caminho. 

Já em Portugal um jogador do Porto pode dizer ao árbitro que ele é maluco, com o gesto para todo o mundo ver, e nada lhe acontece. 

O problema em Portugal são os árbitros mas também os comentadores, incluindo ex-árbitros que de certo modo validam no plano da opinião pública as decisões completamente erradas daqueles.

Senão vejamos: quantos dos penalties do Porto na época passada seriam marcados neste Europeu? Num cálculo por alto eu diria uns 10 %, ou seja, 1 em 10. Aqueles toquezinhos dentro da área, com o jogador a mergulhar (Taremi, Conceição, etc) e aquelas bolas que batiam casualmente na mão NUNCA seriam penalties neste Euro. E muito bem, porque não o deveriam ser nunca.

Mas os pacóvios comentadores de arbitragem em Portugal e os os paineleiros dos clubes (incluindo do Benfica), vêm sempre, como verdadeiros parolos e pessoas incapazes de pensar pela sua cabeça, dizer que "houve toque por isso é falta". Idiotas absolutos.

Agora que no Euro praticamente nenhum desses toques na área é sancionado com penalty, os mesmos comentadeiros e especialistas (incluindo ex-árbitros, insisto) já acham muito bem, contradizendo completamente os seus comentários ao longo de uma época inteira.

Um dos principais problemas do futebol português é a arbitragem, que impede uma maior competitividade (mais ritmo, mais tempo útil de jogo, mais intensidade). Ao contrário de um lugar comum que costuma ser repetido, Portugal não tem "dos melhores árbitros do mundo".

Portugal tem árbitros medíocres. Soares Dias, o nosso mais bem cotado, apitou dois jogos na fase de grupos. Nem aos oitavos chegou. 


segunda-feira, 5 de julho de 2021

Portugal é das melhores seleções do mundo?

A seleção foi eliminada sem honra nem glória, deixando um amargo de boca muito grande.

Entrámos no jogo com a Bélgica a "especular", ou seja, a ver no que davam as coisas, esperando que uma oportunidade surgisse para poder ferir o adversário, em vez de a procurarmos activamente.

É um estilo, é o estilo de Fernando Santos, o qual afinal de contas não é assim tão diferente do que levou a Grécia ao título em 2004.

Mas compare-se por exemplo com a Espanha. A seleção vizinha é o contrário de Portugal: assume o jogo desde o início, domina por completo a posse de bola e procura de todas as formas chegar à baliza adversária.

Não sou um adepto apaixonado pelo jogo da Espanha. Há uma certa falta de verticalidade, daquela velocidade e vertigem que faz do futebol um jogo emocionante. Considero o jogo da Espanha por vezes monótono, aborrecido, com excesso de passes que não adiantam muito.

Em todo o caso é um modelo que exalta as principais qualidades do jogador espanhol e como tal é o melhor para aquela seleção. Além disso, independentemente de preferências ou gostos, o facto é que a Espanha ataca muito e com 12 golos marcados é neste momento o melhor ataque da prova. 

A questão que se coloca em relação a Portugal é se o modelo e o estilo são os melhores e mais adaptados às características dos seus jogadores. 

A resposta parece mais ou menos evidente, mas antes de a dar talvez valha a pena perder um pouco de tempo a avaliar o jogador português.

Diz-se que Portugal tem das melhores seleções e dos jogadores mais talentosos do mundo. Será que é mesmo assim? Vejamos.

São dados os exemplos de Bernardo Silva, João Félix e Jota, para além de Ronaldo que é um caso à parte. 

Olhemos para os números, os quais são objectivos e não dependem de opiniões.

Bernardo Silva foi o 10º jogador mais utilizado no City na Premier League. Marcou dois golos e fez 6 assistências. Quando De Bruyne (6 golos e 12 assistências) regressou de lesão, Bernardo passou a estar sobretudo no banco. 

Isto não é para desvalorizar Bernardo Silva. É um grande jogador. Mas quando estamos a falar do top dos tops, Bernardo não está acima dos outros.

João Félix no Atlético de Madrid fez 7 golos e 6 assistências na Liga, mais 3 golos na LC. São números medíocres.

Diogo Jota esteve bastante tempo lesionado e entrou muito bem na equipa do Liverpool fazendo uma série de golos seguidos. No total 9 na Premier League e 4 na LC. Mas na seleção não conseguiu dar sequência. 

Ou seja, para além da máquina de golos Ronaldo (que, já se sabe, tem pouca capacidade para pressionar os defesas quando a equipa adversária tem a bola), temos jogadores bons no toque de bola mas com capacidade limitada de concretizar. Esta é a realidade que os números mostram.

Mais: temos pouca capacidade no um para um. É muito raro os nossos jogadores driblarem os adversários ou passarem por eles em velocidade. Com Bernardo Silva isso era gritante: quase sempre ercebia a bola, rodopiava sobre si próprio e passava para trás; praticamente nunca foi capaz de ultrapassar um adversário. Sobre Ronaldo nem vale a pena falar, porque embora essa tenha sido a sua principal capacidade ao longo da carreira, neste momento não consegue driblar, nem adversários muito limitados. Jota fez alguns piques mas apenas por uma vez entregou a bola em condições (o golo contra a Alemanha). De resto era inconsequente. O único jogador capaz de levar a bola para a frente e ultrapassar adversários era mesmo Renato Sanches.

Juntando isso à incapacidade dos nossos laterais fomos uma equipa demasiado macia, quase inofensiva. 

Ora todas as outras equipas medianas do Europeu conseguem fazer esses desequilibrios e fizeram-no: a Suíça, a Dinamarca, a Ucrânia tiveram essa capacidade, para já nem falar da França, da Alemanha, da Itália, da Espanha ou da Inglaterra.

A seleção vale mais do que mostrou, mas não é aquilo que nós portugueses pensamos. 

As ausências de João Cancelo e Nuno Mendes foram extremamente penalizadoras porque são jogadores com uma dimensão atlética que os seus substitutos não têm, nem de perto nem de longe, e que poderiam ter dado mais profundidade à equipa, aumentando também o rendimento dos homens da frente. Resta saber como será a seleção com eles.

Quanto ao sistema: este não parece ser o melhor modelo para a nossa seleção. Aquilo em que apesar de tudo estamos acima da média é no toque de bola e na capacidade de passe. De certo modo características semelhantes às dos espanhóis (o que não é surpreendente dado que somos vizinhos e povos semelhantes). Bernardo Silva, por exemplo, nesse jogo de posse é um óptimo jogador, tal como Moutinho, Rúben Neves - e, noutro registo, até os "gémeos" William e Danilo. Mas num sistema em que pouco temos a bola, as nossas melhores características não sobressaem e o rendimento da equipa dificilmente será alto.

Os nossos melhores momentos foram aliás nos jogos com a Hungria, a França (quando conservámos a posse de bola e assumimos o jogo) e a segunda parte contra a Bélgica. De resto esta presença no Europeu não deixa muitas saudades.

Veremos se Fernando Santos é capaz de reinventar o futebol da nossa seleção e também até que ponto a presença de Cancelo e Mendes (este ainda a ter que provar que o rendimento exibido no Sporting na época passada é para ter continuidade) nos pode dar uma outra dimensão. 

terça-feira, 22 de junho de 2021

Selecção à espera de um milagre

 

Cristiano Ronaldo tem carregado a selecção neste Europeu. Está na altura de outros jogadores mostarem a qualidade que têm. Bruno Fernandes, por exemplo. Os próprios centrais não têm estado ao seu nível. Imagem de "O Jogo".


O jogo com a Hungria (e outra exibições anteriores) vieram dar-nos esperanças legítimas de alcançar algo de importante neste Europeu. Afinal de contas somos campeões em título e a maior parte dos nossos jogadores são titulares das maiores equipas do mundo. Rúben Dias foi eleito o melhor jogador da Premier League, Bruno Fernandes foi o mais decisivo dos jogadores do United, Jota fez uma época excepcional no Liverpool, como Pepe no Porto, Palhinha no Sporting e ainda as revelações Nuno Mendes e Pedro Gonçalves. Temos jogadores com passado na selecção, que já deram mostras da sua capacidade no passado, desde Moutinho a Danilo e William. Temos a qualidade de jogadores como Renato, Bernardo, João Félix. Isto para além de Sérgio Oliveira, Rúben Neves, Rafa ou André Silva. E, claro, temos Cristiano. 

Ou seja, temos matéria prima, uma selecção bastante nivelada por cima, e um treinador que já alcançou feitos históricos.

O primeiro problema prendeu-se com a ausência forçada de Cancelo. Isto porque Cancelo tem uma capacidade atlética, uma velocidade e um andamento que Nélson Semedo neste momento está muito longe de possuir. Cancelo era um jogador diferenciado nesta selecção, dáva-nos uma capacidade de carregar jogo pela direita e fazer rupturas que é muito difícil de substituir.

O segundo problema prende-se com as características de Fernando Santos: as mesmas características que nos conduziram ao sucesso estão agora a "amarrar" a selecção. Isto porque o nosso treinador é por natureza conservador e cauteloso, tendo encontrado uma fórmula que funcionou até aqui (excepção feita ao Mundial 2018) mas que parece agora mostrar todas as suas limitações.

Em 2004, após a derrota com a Grécia, Scolari operou uma revolução no 11, tendo os "consagrados" dado lugar a jogadores mais novos que tinham outra capacidade física e outra fome de vitórias.

Em 2021, a selecção começou bem, pelo que não parecia haver necessidade de mudar. No entanto a derrota pesada e sobretudo a forma como a selecção foi cilindrada pela Alemanha expuseram demasiado as fragilidades de jogadores como William, Danilo e, a partir daí, dos laterais - e até dos centrais. Faltou - e muito - capacidade física e atlética à nossa equipa. Sobretudo no plano da velocidade e da agressividade, Portugal foi altamente deficitário. Chegámos sempre demasiado tarde e andámos sempre a correr atrás da bola e dos jogadores alemães que basculavam o jogo a seu belprazer, colocando bolas nas costas dos nossos laterais e depois na zona de finalização com a maior das facilidades.

Ou seja, uma circulação de bola muito dinâmica e jogadores fisicamente poderosos e rápidos a executar, colocaram a nu as limitações dos jogadores (e sistema) demasiado posicionais de Portugal.

Agora Santos ficou colocado perante um dilema: por um lado, mudar tudo na última jornada da fase de grupos, colocando em campo jogadores que não têm quaisquer rotinas de jogar juntos, é um risco muito grande. Por outro lado, não mudar nada, especialmente depois de todo o mundo ter visto quais as nossas fragilidades é receita quase certa para o fracasso.

É evidente que Palhinha e Renato Santos teriam tido desde o início do jogo contra a Alemanha uma capacidade de disputa da bola e do jogo a meio campo que William / Danilo nunca tiveram. Até Sérgio Oliveira e Moutinho têm mais capacidade de choque e mobilidade do que esta dupla.

No entanto apenas Renato entrou na segunda parte (para o lado direito do meio campo) e, como já referi, é uma aposta arriscada colocar este e Palhinha simultaneamente contra a França, jogo que aliás terá características diferentes do contra a Alemanha.

Depois há a questão dos laterais: Rafael Guerreiro foi demasiado frágil, faria sentido substitui-lo por Nuno Mendes que tem outra dimensão física. (Nélson foi mais vítima do sistema do que propriamente culpado na minha opinião). No entanto Fernando Santos é conservador e tenho dúvidas que o faça.

Outra coisa que já poderia ou deveria ter sido feita era tentar soluções alternativas para o lugar de Bruno Fernandes que tem passado completamente ao lado dos jogos. Claro que é um grande talento e compreende-se que tenha entrado como titular, mas nesta fase e face à ausência de rendimento já deveriam ter sido testadas mais opções. Pedro Gonçalves (Pote) fez uma grande época, foi o melhor marcador do campeonato e é um jogador muito bom a furar as linhas defensivas adversárias, a aparecer onde não se espera e depois a finalizar. Bernardo pode jogar ali, assim como o próprio Félix, este com outras características.

Em suma, Fernando Santos tem estado bastante agarrado, quase amarrado às suas ideias originais e tem dado pouco espaço para outros jogadores se afirmarem. Essa é a sua fórmula, que trouxe sucesso, pelo qual todos os portugueses lhe devem estar muito gratos. No entanto, se era para jogarem sempre os mesmos para quê convocar tantos médios?

Parece-me que é chegada a altura de constatar algumas evidências e fazer algumas alterações.

Dito isto, seja qual for a equipa, será difícil alcançar um resultado positivo contra a França. É o campeão do mundo, tem um meio campo e um ataque de luxo e fisicamente é mais poderosa do que Portugal. Especialmente nesta fase em que estamos muito pressionados e com a confiança muito abalada por uma derrota que poderia ter sido ainda mais humilhante se a Alemanha não tem abrandado (de propósito), é muito difícil não perdermos o jogo.

Com jogadores como Mbappé, Griezman e Benzema, o golo pode aparecer a qualquer momento. Nos últimos jogos a França teve dificuldades em concretizar (apenas dois golos, um marcado pela Alemanha na própria baliza) mas isso pode mudar a qualquer momento. Esperemos apenas que não seja contra Portugal.

Mas acima de tudo esperemos outra coisa: que os nossos jogadores se superem, ultrapassem o trauma da derrota contra a Alemanha e possam inverter a dinâmica negativa criada por esse jogo. Temos que recordar aquilo por onde comecei: somos campeões em título - não o fomos por acaso - e os nossos jogadores estão ao nível dos melhores do mundo. 

É preciso abandonar de vez a mentalidade de pequeninos e abraçar uma mentalidade competitiva, combativa, vencedora. Não podemos voltar a deixar-nos intimidar e amedrontar como aconteceu contra a Alemanha. Para isso Fernando Santos tem também que alterar algumas coisas e dotar a equipa de armas que não tivemos contra a Alemanha. Amanhã é o dia. Se não o fizermos, não haverá outro relativamente ao Europeu e iremos para casa de mãos a abanar.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Vieira destrói o Benfica

 Após arrastar o nome do Benfica, um clube honrado, com uma história gloriosa, pela lama, graças a acusações, buscas, processos judiciais e negócios mal explicados, Vieira envergonha agora o clube através de derrotas sucessivas em praticamente todas as competições em que entramos.

No futebol é o que se sabe, falhámos TODOS os objectivos. Mas todos mesmo. Começámos a época a falhar a entrada na Liga dos Campeões e acabámos a perder a Taça de Portugal. Pelo meio perdemos a Supertaça, a Taça da Liga, fomos eliminados da Liga Europa quando tínhamos uma vantagem de dois golos na segunda parte da segunda mão da eliminatória contra o Arsenal e nem o segundo lugar no campeonato conseguimos atingir.

Mas agora nas modalidades o cenário foi o mesmo: no hóquei eliminados da final da Liga dos Campeões pelo Sporting, da final do campeonato pelo Porto (com um 0-4 no último jogo, depois de estar em vantagem por 2 jogos a zero no playoff), no basquetebol fomos eliminados da final pelo Sporting e no andebol ficámos em terceiro. Salvou-se o voleibol, em que fomos campeões. Vamos ver o Futsal. Para já perdemos o primeiro jogo da final em Alvalade por 1-3.

Mau demais.

Um balanço dos miseráveis resultados nas modalidades nos últimos 10 anos pode ser encontrado em 


https://justicabenfiquista.blogspot.com/2021/06/as-modalidades.html?m=1



quarta-feira, 2 de junho de 2021

As modalidades

 Nos últimos anos o registo do Benfica nas modalidades de pavilhão, está muito aquém do esperado e exigível.

Tomando os últimos 10 anos como amostra (e excluindo os campeonatos que não acabaram devido à pandemia), os resultados são os seguintes:

Basquetebol: 6 títulos, o último em 2017 (Oliveirense é bicampeã e Porto ganhou os restantes dois campeonatos). Este ano nem chegámos à final. 

Andebol: zero títulos. Acabamos o campeonato em terceiro. 

Hóquei em patins: 3 títulos (5 do Porto, um do Sporting e um do Valongo). Vamos ao dragão discutir o apuramento para a final, depois de termos perdido a oportunidade de conquistar a Liga dos Campeões. 

Voleibol: 6 títulos 

Futsal: 3 títulos (7 do Sporting). Este ano os dois clubes disputarão mais o vez o título entre si. 


Em 50 títulos possíveis de campeão, o Benfica venceu 18. Um pouco mais de um terço. 

O grosso desses títulos vem no entanto de duas modalidades: o basquete, onde o Benfica é historicamente muito forte mas onde vem a perder gás e o voleibol que, se quisermos ser sérios, é o desporto com menor expressão e menor investimento de todas as modalidades de pavilhão (basta ver quem são, para além do Benfica e do Sporting, as outras equipas).

Portanto nas modalidades mais importantes o Benfica tem 12 títulos em 40 possíveis. Apenas 6 fora do basquete. Uma miséria portanto.

Tentar mascarar isto com títulos... das meninas é brincar com os benfiquistas.

Naturalmente que respeito as vitórias alcançadas pelas nossas atletas e felicito-as por isso. Mas não confundamos títulos de alta competição com campeonatos amadores onde as atletas do Benfica beneficiam de condições e estruturas muito superiores às das outras equipas. 

Aqui há um ano, no futebol feminino havia 70 profissionais e 250 amadoras. Nas outras modalidades, as profissionais serão ainda mais raras. Estamos portanto a falar de mundos incomparáveis: de um lado desportos de alta competição (mesmo que internacionalmente sejamos fracos, com excepção do hóquei e em certa medida o vólei) e do outro um desporto amador que está nos primórdios e que em todo o caso nunca alcançará os índices físicos e de espectacularidade do desporto masculino, pela simples razão de que os homens são fisica e atleticamente mais aptos do que as mulheres. 

Em suma, o falhanço desta direcção não se esgota no futebol.

Que o maior clube nacional, supostamente o financeiramente mais são, perca constantemente para os seus rivais no futsal (provavelmente a modalidade com mais adeptos), pouco ganhe no hóquei, não seja campeão no andebol desde 2007-2008 (o único campeonato nos últimos 30 anos) e apenas ganhe no basquete e no vólei, é um atestado de incompetência de uma direcção que ainda por cima se gaba de ganhar muito nas modalidades.

Isto é o resultado de quê? Falta de mentalidade vencedora, eventualmente, mas sobretudo falta de investimento: as outras equipas simplesmente têm jogadores melhores. Ora como conciliar isto com o "milagre financeiro" do Benfica? Como é que o Sporting "falido" nos bate constantemente nas modalidades, agora até já no hóquei e no basquetebol?

É apenas mais um exemplo da incompetência de Luis Filipe Vieira e seus vices, incluindo aqueles que até há pouco tempo faziam parte da oposição. 





segunda-feira, 24 de maio de 2021

Que tristeza... Parabéns Vieira (e quem votou nele)

 O título diz praticamente tudo. 

Os resultados falam por si.

Atentemos apenas ao seguinte: Jorge Jesus tem 5 finais da Taça e apenas uma vitória, no Benfica perdeu duas, perdeu mais duas na Liga Europa e outras duas Supertaças para o Porto (a segunda esta época). Ou seja, excluindo Taças da Liga, Jorge Jesus tem o seguinte registo de finais no Benfica: 6 finais, 4 derrotas e duas vitórias. Ambas as vitórias foram alcançadas perante... o Rio Ave, uma no Jamor, com um 2-1 em que acabámos o jogo com o credo na boca e uma Supertaça... nos penaltis.

E não me venham com a conversa de que para perder é preciso lá chegar e que estamos nas decisões. Isso não é conversa para o Benfica. Principalmente a nível nacional, é absolutamente normal o Benfica estar nas decisões.

O que temos de constatar é o contrário: o Benfica de Jorge Jesus é um derrotado crónico em finais. Quando lá chegamos (como em todos os jogos decisivos) Jorge Jesus falha. Isto é apenas a confirmação do que já sabemos há muito.

Eu vou porém mais longe: o Benfica de Vieira é um clube de perdedores. Já com Lage perdemos a final do ano passado com o Porto (permitindo a dobradinha deste clube) e também nas Youth League perdemos todas as finais. É um clube sem alma, sem chama, sem espírito e sem cultura vencedora que vai para as finais todo contente como se o objectivo fosse participar. No que participamos quase sempre (e sempre se contarmos apenas as finais a doer, com adversários grandes) é na festa dos outros.

Uma tristeza, isto não é o Benfica. Isto é um clube que foi tomado por arrivistas e espertalhões que o usam para negociatas e alpinismo social. Uma vergonha, para não dizer um nojo.

Lembrar-me do que fizeram a Jorge de Brito, um Senhor, um benfiquista a sério, para dar lugar ao tipo de gente que desde então tomou conta do clube para se servir dele, entristece-me e revolta-me.

O Benfica nunca mais foi o mesmo. De certo modo, os sócios estão a ter o que merecem, especialmente os que votaram em Vieira nas últimas eleições, quando já era por demais evidente o seu perfil.

Para mim, isto não é o Benfica. São necessárias mudanças profundas, a começar pelo presidente. Enquanto isso não acontecer vai ser mais do mesmo, um título aqui, outro ali - era o que mais faltava que o maior clube de Portugal nunca ganhasse - mas nunca seremos um clube verdadeiramente vencedor, conquistador, dominador, com espírito, com raça, com valor, que faça os adversários tremer, que faça os seus adeptos orgulhosos. Não com este presidente, não com estes dirigentes. Resta saber se ainda há entre os adeptos benfiquismo autêntico. 


sábado, 15 de maio de 2021

A vitória que se exigia

 Uma primeira parte de grande qualidade, contra uma equipa debilitada pela ausência dos dois jogadores mais fortes do seu meio campo, ditou uma vitória incontestável do Benfica no derby.

Era o resultado que eu esperava e que os benfiquistas em geral mereciam, numa época de grande desilusão. Claro que este foi o campeonato covid e que mesmo que o vencessemos não teria o mesmo sabor. Mas é evidente que ficámos muito aquém do exigível.

Era importante vencer não somente por uma questão de brio mas também para que o Sporting não terminasse o campeonato invicto.

O Benfica tem melhores jogadores, mas não tem melhor equipa. Neste jogo as individualidades vieram ao de cima e a vitória é justa. Poderíamos ter alcançado um resultado mais expressivo mas facilitámos um pouco na segunda parte. Além disso, o árbitro também teve - MAIS UMA VEZ - influência. Houve dualidade de critérios em relação aos amarelos - o de Gabriel é escandaloso - e ficou um vermelho por mostrar ao lateral esquerdo do Sporting.

É já cansativo falar disto. Na jornada passada houve um jogador do Nacional a defender uma bola com as duas mãos e nem assim o VAR interviu...

Em todo o caso vencemos que era o mais importante. Não pelo segundo lugar, que obviamente já estava fora de questão graças a Soares a Dias, mas pela honra. Haverá agora que conquistar a Taça de Portugal para iniciar um novo ciclo vitorioso. 

domingo, 9 de maio de 2021

Penalties revertidos

A época que está prestes a terminar ficará como um case study. É impensável o Benfica chegar a três jornadas do final do campeonato com um único penalti assinalado a seu favor. Está, nesta contabilidade, atrás do pior ataque e também do último classificado da Liga.

É impensável, é escandaloso, é a prova acabada da pouca vergonha que impera no futebol português.

Como é que isto aconteceu?

De duas maneiras: através dos árbitros e através do VAR.

Primeiro: os árbitros claramente não quiseram marcar penaltis a favor do Benfica.

Segundo: os assistentes no VAR serviram de instância de recurso para garantir que o Benfica praticamente não teria penaltis nesta época, seja ao não alertar os árbitros para penalties óbvios e flagrantes, seja ao reverter decisões tomadas pelos árbitros.

O último episódio aconteceu no jogo com o Porto.

Não discuto os foras de jogo nem as linhas. Embora haja aspectos discutíveis na colocação das linhas e na determinação do exacto momento do passe, é muito difícil, senão impossível, dizer que há uma premeditação no sentido de adulterar a realidade ou prejudicar uma equipa. Por isso não discuto a situação do Rafa.

No entanto no lance de Diogo Gonçalves, estive a rever as imagens e há um contacto indiscutível no joelho do nosso jogador que o derruba.

Numa primeira análise, parece que Diogo Gonçalves cai porque pisa o pé do jogador do Porto. A imagem da câmara que mostra essa situação é a única que o VAR mostrou a Soares Dias (ou a única que ele quis ver - foi muito rápido a decidir). Mas outras câmaras, com outros ângulos mostram que é o toque no joelho do Diogo que o derruba. Estas imagens são claras. 

Houve mesmo penalti - e o VAR não tinha nada que ter intervido.

O Benfica tinha que levar o que aconteceu esta época até às últimas consequências,  utilizando todos os seus direitos e exigindo nomeadamente as comunicações VAR e os relatórios dos observadores para perceber o que realmente se passou.

Não basta falar (aliás esta direcção praticamente nem fala, parece que está sob chantagem ou comprometida com alguma situação que não lhe permite queixar-se), é preciso falar mas é também necessário tomar medidas para garantir que esta pouca vergonha não fica impune, para EXIGIR um tratamento justo e equitativo do nosso clube por parte dos árbitros.

E os penaltis são, como já referi anteriormente, apenas um aspecto. Com os cartões amarelos passa-se a mesma coisa: admite-se que Ottamendi tenha 12 amarelos, Weigel 10, Pizzi e Gabriel (que pouco tem jogado) 6, e que Pepe tenha 6, Sérgio Oliveira 5, Octávio 2 e Palhinha 6???

Chega! Os jogadores e os adeptos do Benfica não o merecem. Alguém tem que pôr cobro a isto. 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Resultado previsível, campeonato atípico

 Num jogo em que ambos precisavam de ganhar e as equipas têm uma valia semelhante, o empate era o resultado mais provável. E foi o que aconteceu.

É certo que o Benfica poderia ter vencido, sobretudo pelo que fez nos últimos minutos, mas uma análise fria mostra que o Porto foi superior enquanto esteve em desvantagem no marcador (mais de 50 minutos) e que nesse período rematou muito e teve algumas oportunidades.

O Benfica não teve sorte em dois lances em que foras-de-jogo de alguns centímetros nos retiraram um golo e um penalti e no remate de Taarabt que espirrou para a barra depois de defesa incompleta de Marchesin.

Uma coisa que nos devemos recordar é que este Porto foi eliminado da Champions nos quartos de final por uma das equipas que chegou à final. E foi eliminado por pouco, não tendo sido inferior ao seu adversário no global dos 180 minutos.

A verdade é que para além da rivalidade e sem nunca desculpar ou esquecer comportamentos vergonhosos por parte de atletas, técnicos e dirigentes, não deixa de ser verdade que o Porto é um adversário forte, muito difícil de bater.

Em relação à arbitragem, é evidente que Pepe teria que ter sido expulso. Mas para além disso não me parece que Soares Dias tenha sido nesta ocasião particularmente tendencioso. Aliás assinalou dois penaltis, que acabaram por ser revertidos, é verdade, mas que a meu ver indicam que o árbitro não estava condicionado para prejudicar o Benfica. O fora-de-jogo é uma questão objectiva (não entro pelo caminho de questionar as linhas) e no lance de Diogo Gonçalves é de facto o nosso jogador que vai ao encontro do defesa e acaba por o pisar.

Vamos acabar o campeonato em 3°, restando a Taça de Portugal que agora é ainda mais imperativo ganhar. Mas aconteça o que acontecer nesse jogo, é uma época perdida em que foram falhados TODOS os objectivos.

Terá que ser feita uma reflexão muito profunda sobre o que correu mal.

Foi, claro está, uma época atípica, não apenas em Portugal. Juventus não foi campeã, em Espanha também é provável que seja um outsider a conquistar o título, em Inglaterra o Liverpool esteve como se viu e mesmo em França o PSG arrisca-se a não ser campeão.

Mas com o mal dos outros podemos nós bem. Bayern, City e Inter são exemplos de clubes que não permitiram "pandomias" para usar um neologismo de JJ que se aplica bem à situação e não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Não facilitaram. E, já agora, há que dar mérito ao Sporting que foi muito competente e nos momentos mais difíceis fez das fraquezas forças, arregaçou as mangas e não teve problemas em assumir as suas limitações e defender resultados. 

Ao contrário do Benfica que foi muitas vezes sobranceiro e pensou que os jogos eram favas contadas, acabando por ser surpreendido.

Volto a dizer: há muito a ponderar. O Benfica não tem um plantel inferior a Sporting e Porto, muito pelo contrário. Por isso há que identificar causas e responsabilidades para tamanho fracasso.


ADENDA: não tinha visto bem o lance do segundo golo de Cebolinha. NÃO HÁ QUALQUER RAZÃO PARA O ÁRBITRO O TER ANULADO. Isto muda a minha percepção sobre a arbitragem que efectiva e objectivamente prejudicou o Benfica e teve influência no resultado. Pelo facto peço desculpa aos leitores. 

terça-feira, 4 de maio de 2021

Mourinho...

 José Mourinho foi durante anos o melhor treinador do mundo. Foi campeão europeu pelo Porto e pelo Inter e levou o Chelsea ao bicampeonato inglês em dois anos (antes disso, o Chelsea apenas por uma vez se sagrara campeão). No terceiro ano de Mourinho no clube, o Chelsea ficou em segundo lugar. Pelo meio venceu ainda duas taças da Liga e uma de Inglaterra e ficou perto de nova final da Champions no primeiro ano, tendo sido eliminado nas meias finais pelo Liverpool de forma polémica.

Depois partiu para Milão, tendo o Inter alcançado um ciclo de ouro sob a sua liderança. Daí seguiu para Madrid - e nunca mais seria o mesmo.

É verdade que Mourinho chegou ao Real numa altura em que o Barcelona dominava o futebol espanhol, mas uma Liga e uma Taça do Rei em três épocas nunca pode ser suficiente para um clube como o Real. Isto para não falar da humilhação dos 5-0 em Nou Camp ou dos problemas com Casillas, Sérgio Ramos e o próprio Cristiano Ronaldo, assim como o ambiente de permanente guerrilha com jornalistas e rivais. A aura de José começou a dissipar-se.

No regresso a Inglaterra ainda começou bem no Chelsea (campeão) e no United (Taça UEFA e da Liga), mas acabou despedido de ambas, após à primeira época se seguirem épocas em que não ganhou nada. Regressou ao comando de uma equipa através do Tottenham mas aqui nada ganhou (teria tido uma oportunidade na Taça da Liga se não tivesse sido despedido) e deixou a equipa num demasiado modesto 7° lugar  eliminada da Taça de Inglaterra e da Liga Europa (aqui de forma escandalosa, às mãos do Zagreb).

Em suma, Mourinho foi despedido ou dispensado dos últimos quatro clubes por onde passou. E em nenhum deles deixou saudades. O futebol praticado pelas suas equipas nos últimos anos é miserável. Ao contrário do que acontecia no início da sua carreira, a tendência agora é para perder finais, derbies e jogos decisivos.

O único "sucesso" que tem tido é a coleccionar indemnizações.

Felizmente já não será opção para o Benfica, caso as coisas corram mesmo mal neste fim de época e JJ ficar numa situação insuportável. Isto porque já está confirmado na Roma.

Sinceramente não vejo que tipo de sucesso possa vir a ter na Roma, face a um Inter renascido e campeão, uma Juventus que se  fortalecerá para recuperar o título, um Nápoles e um Milan que têm subido nos últimos anos.

Itália era dos poucos países em que Mourinho tinha um legado intacto. Com esta "traição" ao Inter, ele já está maculado - e provavelmente as coisas só irão piorar à medida que os resultados não aparecerem e os romanos perceberem o erro em que incorreram. Antevejo mais um capítulo da decadência de Mourinho, desde um dos melhores do mundo até um treinador demitido por todos os clubes por onde passa sem deixar saudades a ninguém. 

terça-feira, 27 de abril de 2021

Há 40 anos que é a mesma coisa

 Pinto da Costa celebrou recentemente 40 anos de presidência do FC Porto.

E a forma de o assinalar não podia ser mais apropriada: insultos, árbitros rodeados, agressões.

É assim há 40 anos. Vale tudo.

As estórias são mais do que muitas. Em tempos fiz aqui uma resenha de vários desses eventos. A coisa chega a tal ponto que o líder da claque até se permitiu escrever (ou alguém por ele) um livro a gabar-se das suas agressões e crimes diversos.

Há 40 anos que é assim. Com impunidade, com a conivência de polícias, juízes, políticos e a "justiça" desportiva.

Vale tudo, desde bater e ameaçar até dar conselhos matrimoniais e oferecer viagens, fruta e café com leite a árbitros.

Mesmo na Europa há cenas destas, lamentáveis, que envergonham o país. Com o Chelsea foi o que se viu. Até os ingleses, normalmente algo ingénuos nestas matérias, denunciaram este comportamento vergonhoso.

Os comentadores dizem que o Porto foi prejudicado pela arbitragem contra o Moreirense. Não tenho opinião nem quero ter. Mas isto - e o comportamento de Amorim e Viana em Braga (assim como o escandaloso caso Palhinha) - mostram que do outro lado também já se mexem - e muito - neste tabuleiro.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Um Benfica desequilibrado

Os problemas que o futebol do Benfica hoje apresenta são praticamente idênticos aos que tinha há 11 épocas atrás - e sempre teve com Jorge Jesus ao comando da equipa.
O Benfica é capaz de jogos bons, de alguma espectacularidade, mas é sempre e fundamentalmente uma equipa desequilibrada. 
Em 2009/2010 tínhamos uma equipa tremenda. Praticamente todos aqueles jogadores foram contratados pelos melhores clubes do mundo e alguns (David Luiz, Di Maria) ainda jogam ao mais alto nível.
Mas mesmo essa equipa, que tinha um grande trinco e um jogador na ala direita que equilibrava, muitas vezes era apanhada completamente em contra pé.
Claro que todos entendemos que se uma equipa é muito ofensiva, vai correr mais riscos e ter menos gente atrás.
Mas a questão neste momento nem é essa, dado que até estamos a jogar com 3 centrais. 
O problema é (e sempre foi com JJ) o equilíbrio e o controlo (ou falta dele) do meio campo. 
Por vezes isso é disfarçado por uma superioridade muito grande face aos adversários ou por uma grande entrega de Taarabt (de quem sou muitas vezes crítico mas a quem tenho que reconhecer essa característica), mas em jogos contra equipas do mesmo nível acaba por vir ao de cima.
Não existem treinadores perfeitos, isso é óbvio. Agora este défice das equipas de Jesus (sobretudo no Benfica, por alguma razão) tende a não ser corrigido.
Esta época está perdida. O melhor que podemos ambicionar é o 2° lugar e mesmo isso me parece muito difícil.
A verdadeira questão é que temo que o próximo ano seja mais do mesmo. 
O Benfica tem bons jogadores. Mesmo os que não renderam o que se esperava vê-se que têm qualidade. No entanto o desequilíbrio é inerente a este sistema que entrega o meio campo defensivo praticamente a um único jogador. Por isso o rendimento é inconstante e imprevisível.

Uma última palavra para algo que tenho visto no universo de blogues benfiquistas, especialmente num: a ideia de que deveríamos estar a torcer pelo Sporting. Estou a simplificar, mas no essencial é isso.
É uma ideia completamente absurda e contrária ao espírito do Benfica. 
Se não podemos ser campeões é totalmente indiferente quem o será. "Defender" o Sporting é contranatura e ridículo. Ninguém nos pediu tal coisa, ninguém quer a nossa "ajuda" e obviamente que esse não é o nosso papel. 
É um tipo de discurso que diminui o Benfica, é algo que deveria ser impensável.
Deixem por favor de se prestar a esse papel. É confrangedor e caricato. Os nossos adversários só se podem rir dessas figuras a que alguns benfiquistas se estão a prestar. 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Acabou - 100 milhões dão em nada

 Depois de uma goleada ao Paços, talvez na melhor exibição da época, depois de dois empates consecutivos do Sporting que nos aproximaram do primeiro lugar, chegou o completo balde de água fria com uma derrota em casa com o Gil Vicente.

O fim de semana futebolístico já tinha começado mal.

Em Faro, Hugo Miguel e o VAR fingiram não ver dois penalties contra o Sporting. Penalties claros, em que o avançado é claramente derrubado e não há qualquer questão de jogar a bola, pois em ambos os lances o defesa estava muito longe dela. No entanto, neste nosso campeonato de brincadeira este escândalo não apenas passa incólume como ainda temos comentadeiros e "especialistas" de arbitragem a branquear os lances e "explicarem-nos" que afinal aquilo que estamos a ver não é o que aconteceu: os jogadores do Farense foram realmente derrubados, mas a culpa foi deles. Eles é que "provocaram o contacto", "puseram-se à frente dos defesas". 

Enfim, o nojo habitual do charco da comunicação social portuguesa, com muito poucas excepções.

Esse jogo foi claramente um mau prenúncio.

Mas o Benfica tinha obrigação de fazer muito, muito mais. Sinceramente até tenho dificuldade em escrever porque acho que há tanta coisa que está mal que é difícil dizer por onde começar. Acima de tudo acho difícil consertar este plantel.

Claro que a actual situação de estádios vazios, desolados, não ajuda. Este campeonato é, não digo uma farsa, mas é um "campeonatozinho". Não estou a tirar mérito por o Benfica não ir ganhar. A verdade é que um futebol sem público não é o desporto e a competição a que estamos habituados e na qual a capacidade de render sobre alta pressão é um factor decisivo. Este campeonato sem público é quase como uma prova amadora. Aliás mesmo em jogos amadores há mais público do que nestes. Até é deprimente ver os estádios vazios.

Mas deixando esse aspecto de lado, a verdade é que contra o Gil foram expostas as fragilidades e defeitos que têm assolado esta época do Benfica: um meio campo que tem muita dificuldade em pegar no jogo, um ataque ineficaz, uma grande incapacidade de lidar com a adversidade.

Antes do jogo, estava a pesar que esta equipa do Benfica é inferior aos seus rivais quando se trata de recuperar e dar a volta a resultados. Infelizmente o jogo provou-o. 

Quando as coisas correm bem, o talento e a qualidade dos jogadores vem ao de cima. Quando correm mal, são poucos os líderes em campo com capacidade de mudar as coisas, de dar a volta à situação.

Taarabt a fazer o ramadão talvez não estivesse nas melhores condições, mas Pizzi foi um desastre ainda maior. Passes errados, bolas perdidas quando precisávamos desesperadamente de conservar a bola e atacar o adversário... Não se percebe o que se passa com Pizzi. Mas esta equipa é uma manta de retalhos onde falta coesão e há pouca identidade. Até jogadores deprimidos e a ir a psicólogos temos...

Agora acabou tudo. O 1º lugar está fora de questão e mesmo o 2º ficou muito difícil. A jogar assim arriscamo-nos mesmo a perder em casa com o Porto e até com o Sporting. Se isso acontecer será uma humilhação que terá que ter consequências. 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Rui Santos revoltado e "menos optimista"

 O Sporting voltou a empatar e Rui Santos ficou visivelmente irritado. Revoltado mesmo. Não se percebe bem porquê, uma vez que o jogo não teve casos de arbitragem. Mas Rui Santos até disse que se tivesse menos 20 anos imigrava. O pretexto para este discurso inflamado foi o estado do futebol português que "não quer mudar". Até podemos concordar com esta ideia, mas associar isto a uma suposta conspiração para o Sporting não ser campeão é que já é desonesto. 

De facto Rui Santos estava revoltado por o Sporting não ter ganho e por Palhinha ter visto o cartão amarelo. Esse amarelo seria para Santos a "prova" de que o sistema está a fazer tudo para parar o Sporting. Ora isso é ridículo e enganoso porque cartões amarelos mal dados a jogadores do Benfica (como Weigl e Ottamendi) têm sido mais do que frequentes neste campeonato. Aliás, Palhinha tem é sido altamente protegido pelos árbitros e é provavelmente o único jogador no mundo que completou uma série de 5 cartões sem cumprir o respectivo castigo e continuou a jogar desde então. Aliás é dos jogadores com mais faltas do campeonato.

Mas Rui Santos está revoltado por o Benfica e os benfiquistas denunciarem esta situação. Só ele, Rui Santos, é que deveria poder falar, sem ser interrompido e sem qualquer contraditório.

Outra coisa espantosa desta noite (e vi hoje a SIC notícias que não costumo ver, especialmente a dita personagem) é que a jornalista (adepta?) tentava minimizar o mau resultado do Sporting e explicava que o clube ainda tem uma vantagem confortável, mas quando Rui Santos colocou um pouco de água na fervura, fugiu-lhe a boca para a verdade e disse: "estás menos optimista".

Ou seja, admitiu, certamente por lapso, talvez freudiano, que ambos estão a torcer pelo Sporting. Nós estamos optimistas ou pessimistas relativamente a desfechos e resultados que nos interessam. Os jornalistas e comentadores não é suposto estarem a torcer por uma equipa ou outra, pelo que não há lugar a optimismo ou pessimismo. Enfim, é bom para todos sabermos o que vai na cabeça destas pessoas. Já suspeitávamos, mas agora são os próprios a confirmar. 

Uma palavra sobre a vitória do Benfica. Foi uma das melhores exibições e uma das vitórias mais seguras da temporada. Claro que a expulsão facilitou a partida, mas isso não diminui o mérito do Benfica.

A equipa está num bom momento e as coisas correm bem. Terá é que ser assim até ao fim da época porque a margem de erro é, como já disse, nula. 

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Penaltis e fraudes ("O Jogo", jornal oficioso do Porto)

 O Benfica teve na segunda-feira um jogo mais difícil do que eu esperava contra o Marítimo. Para uma equipa que se costuma dar mal na Luz, que tinha sido goleada na jornada anterior e que está no fundo da tabela, o Marítimo criou mais dificuldades do que seria expectável, tanto mais que se viu a perder desde cedo, num penalty tão óbvio quanto desnecessário.

Só "O Jogo", na sua ridícula, caricatural rubrica "o tribunal d'O Jogo" é que conseguiu dizer que não, que um pontapé de um jogador do Marítimo na perna de um nosso jogador, dentro da área madeirense, não deveria ser considerado falta. Mais, o pretenso "tribunal" foi unânime!

É realmente espantoso, mesmo atendendo a que as expectativas relativamente a esta rubrica são já muito baixas. Já se sabe que os ex-árbitros daquele painel exprimem regra geral as "opiniões" que sabem ser do agrado do FCP. Já se sabe que são pouco sérios e que o seu ódio ao Benfica transparece em todas as suas posições. Mas conseguir alcançar a unanimidade na falsidade, num lance que é tão evidente e tão indiscutível, mostra que já não se preocupam sequer em manter uma aparência de independência ou de honestidade.

Ter ali aqueles ex-árbitros ou ter elementos da claque dos super dragões é na prática o mesmo. As suas "opiniões" têm como critério principal a cor das camisolas e não uma avaliação técnica e séria dos lances. Estas pessoas descredibilizam-se a si próprios, mostrando desonestidade e falta de coluna vertebral, mas descredibilizam também a arbitragem. É que é de ex-árbitros que estamos a falar. Se são assim agora que estão reformados e têm pouca (ou nenhuma pressão), como seriam enquanto exerceram a sua profissão? A pergunta é, claro está, retórica porque sabemos bem o que foram. Coroado, por exemplo, foi uma verdadeira vergonha enquanto se andou a passear pelos campos, desrespeitando a verdade desportiva com enorme arrogância e impunidade. Mas Leirós e Fortunato Azevedo são da mesma laia. 

É que este caso é tão evidente que até os adeptos dos outros clubes reconhecem que o penalty é claro, isto para nem falar dos outros ex-árbitros e comentadores independentes. Por isso digo, quando for preciso substituir alguma das pérolas deste "tribunal" será necessário recorrer a membros dos super dragões para manter o mesmo nível de fanatismo e alucinação.

Regressando ao jogo propriamente dito, o Benfica voltou a exibir alguns dos sinais negativos que ficaram patentes antes do início da recuperação. Claro que poderíamos ter marcado mais golos, tivemos volume de jogo e oportunidades para tal - mas voltou a faltar o controlo do meio campo (e consequentemente do jogo), inteligência na posse e frieza nas decisões. Não quero estar sempre a insistir no mesmo, mas na nossa pior fase Taarabt foi um dos maiores problemas. 

Numa palavra, o Benfica não fez um jogo suficientemente bom, nem suficientemente seguro e como tal expôs-se a sofrer o golo do empate. Não que o Marítimo tenha tido oportunidades flagrantes (teve uma bastante perigosa no final do jogo) mas com 1-0 é sempre possível que algo indesejável possa acontecer.

Mais uma vez, a pausa para os jogos da selecção foi negativa para o Benfica. Felizmente não houve perda de pontos mas há que rectificar já o que correu menos bem porque o próximo jogo terá um grau de dificuldade muito maior e nesta fase qualquer percalço será fatal. 

sexta-feira, 26 de março de 2021

A vitória em Braga e o objectivo do 2° lugar

 O Benfica confirmou em Braga a melhoria que se vinha a verificar nos jogos anteriores, desta vez num jogo de dificuldade elevada (a primeira vitória num jogo deste tipo).

Foi também a primeira vitória a jogar no sistema de três centrais - e é por aqui que começo.

Quando Jorge Jesus insistiu na contratação de Lucas Veríssimo, eu escrevi aqui que tal só se compreendia se o treinador estivesse a pensar em jogar num esquema de três centrais.

Admito, sem qualquer problema, que Veríssimo trouxe coisas novas e positivas à equipa e que tem bastante qualidade. Mas com jogadores do nível dos outros centrais é realmente neste sistema (não digo em todos os jogos, mas certamente em muitos) que tiramos o máximo partido do plantel (pelo menos no que diz respeito aos defesas). Dito de outra forma, é um desperdício ter um jogador como Vertongen no banco. É, digamos, um luxo que o Benfica não se deve permitir.

Aliás os defesas do Benfica estiveram entre os melhores jogadores em Braga - e isto num jogo em que toda a equipa esteve a um nível bastante elevado. Weigl esteve bem, os avançados idem e até Taarabt não esteve mal. Ottamendi era, a dado momento, o jogador com mais recuperações de bola (não sei se acabou o jogo com esse estatuto) e se não fosse aquela falha que poderia ter sido comprometedora, teria feito um jogo quase perfeito. Vertongen por sua vez esteve envolvido no lance do primeiro golo e deu uma enorme tranquilidade à equipa. Menos exuberante do que o argentino mas também mais fiável. Já Veríssimo tem como principal característica e qualidade o jogo aéreo, em que realmente é impressionante. Mas também tem estado muito bem a controlar o espaço atrás da linha defensiva.

Uma palavra ainda para Helton Leite que fez uma defesa absolutamente decisiva no final da primeira parte, no tal lance de Ottamendi.

O objectivo agora no campeonato tem que ser um e só um: o segundo lugar e o consequente acesso directo à Liga dos Campeões.

Para isso temos "só" que ganhar os nossos jogos, incluindo a recepção ao Porto. É um objectivo perfeitamente acessível e que realisticamente é talvez o melhor que podemos alcançar neste momento.

Depois disso haverá ainda uma Taça para ganhar, o que nos permitirá, a concretizar-se, disputar também a Supertaça na próxima época e assim ter a possibilidade de vencer mais um troféu.

São objectivos perfeitamente ao alcance desta equipa e deste plantel. É preciso agora concentração máxima, confiança (que agora com as vitórias tem que estar restaurada) e muito trabalho para tornar esse final de época uma realidade e compor um pouco essa mesma época, de modo a não termos tido um ano perdido. Com um tal capital poderíamos encarar a próxima época com uma perspectiva favorável, quer desportiva quer financeiramente. 

domingo, 14 de março de 2021

A saga dos penalties - ep. 23

Os sinais de melhoria do Benfica mantêm-se. Mais uma vitória indiscutível, mais um jogo de domínio quase absoluto, em que mantivemos a nossa baliza a zeros.

Os nossos defesas têm estado muito bem. Veríssimo é claramente jogador e Ottamendi está em boa forma. Weigl também tem melhorado. É um jogador bastante seguro e tem realmente, como JJ assinalou, melhorado nos índices de agressividade.

Agora claro que temos enfrentado adversários frágeis, sem grande capacidade de nos causar dificuldades.

A prova dos nove virá para a semana, com o jogo em Braga, o qual definirá em grande medida não apenas o desfecho desta época, como inclusive o que acontecerá na próxima (acesso à Champions).

Mas do jogo de ontem na Luz sobram mais dois factos relevantes. Começo pelo menos importante.

Jesualdo Ferreira é uma personagem um tanto ou quanto estranha. Foi adjunto de Toni e chegou mesmo a treinador do Benfica, onde não fez nada (acabou em 4°).

Depois no Braga teve um bom desempenho e acabou no Porto, onde foi tricampeão - mas nos anos de apito dourado.

O que é lamentável é que Jesualdo sempre se demarcou do Benfica (a quem deve, juntamente com Toni, o facto de ter andado muitos anos a treinar ao mais alto nível) e abraçou a mentalidade e a cultura portista. Pouca gratidão e pouca fidelidade, para não dizer mais.

Ontem Jesualdo voltou a mostrar a sua mentalidade e carácter ao queixar-se da arbitragem num jogo em que foi beneficiado e teve muita sorte em não ter sofrido uma goleada humilhante.

Passemos então à arbitragem. Em primeiro lugar a expulsão. É indiscutível: o defesa não tenta jogar a bola e o avançado está isolado no corredor central, com a bola controlada e apenas o guarda redes pela frente. O estranho é que Manuel Mota tenha inicialmente dado o amarelo.

Depois o local da falta. É um facto que ela começa fora da área, mas Waldschmidt continua de pé e é apenas quando o defesa lhe dá com a perna de trás que o atacante benfiquista é derrubado. Portanto seria penalti. Mas mais grave ainda do que isso é o seguinte: o VAR não tem nada que intervir porque o lance não é um erro claro do árbitro e as imagens mostradas, não exibindo o lance até ao fim, nomeadamente a segunda falta do boavisteiro, são enganadoras.

É mais um episódio da saga "Não há penalties para o Benfica nesta época". Episódio 23. É já um recorde. Há sempre alguma coisa: se é e o árbitro não vê (ou não quer marcar), o VAR fica quieto e calado; se o árbitro marca, o VAR vem-lhe dizer que não é e manda-o ao ecrã, onde a decisão é revertida; se é duvidoso, siga o jogo que ninguém quer saber. 

22 jornadas sem um penalti é já um recorde nacional e internacional. A única dúvida é se os árbitros continuarão este pagode, para achincalhar o Benfica ainda mais, até ao final do campeonato.

Depois temos ainda os cartões. Segundo as estatísticas oficiais da Liga (https://www.ligaportugal.pt/pt/liga/estatisticas/20202021/liganos/faltas#), Palhinha é o jogador com mais faltas.



No entanto tem apenas 5 cartões amarelos (ou serão 4, dada a providência cautelar?) e nenhum árbitro lhe dá o 6° (ou 5°). Talvez seja porque ninguém sabe o que aconteceria então - seria castigado ou já está numa nova série? E ainda são vítimas e perseguidos...

Mas Weigl, que tem cerca de metade das faltas de Palhinha, tem mais cartões do que este (um deles por ter sofrido um penalti - algo que é claramente proibido nesta Liga).

Ontem Weigl levou amarelo à primeira falta, numa rasteira normal. Taarabt foi também amarelado, penso que igualmente na primeira falta que lhe foi assinalada, no lance do golo que Mota anulou por considerar que o marroquino bateu com o braço num adversário.

Prefiro não dizer mais porque classificar isto obrigaria a uma linguagem  muito agressiva a partir daqui. 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Ronaldo e a Juventus

 Quando Ronaldo saiu do Real Madrid para a Juventus disse (penso que não cheguei a escrever) que era um mau negócio para todas as partes: para o Real porque perdia o seu melhor jogador, para Ronaldo porque ia para uma equipa pior (e um futebol demasiado defensivo), para a Juventus porque pagava um valor exorbitante por um jogador em fase descendente da carreira.

Penso que não me enganei. Onde acertei menos foi na Juventus: o problema não foi tanto a questão financeira, foi sobretudo a vertente desportiva. Isto porque apesar de Ronaldo ser obviamente um jogador excepcional, um goleador de eleição, ele não aumentou a qualidade da Juventus. Pelo contrário, a principal característica da equipa de Turim, a sua capacidade colectiva, não apenas não foi reforçada, como até ficou prejudicada. A equipa começou a jogar principalmente para o português, tornando-se dependente dele num mau sentido, e perdeu a sua principal referência em termos de criatividade: Dybala. De facto a chegada de Ronaldo teve como consequência o eclipse do argentino, um jogador genial e imprevisível.

Claro que as escolhas de treinadores não ajudaram, mas até nesse particular nos perguntamos que papel terá tido Ronaldo no fim do ciclo Allegri na Juventus. A partir daí foi sempre a descer. Foi mais uma instância da ilusão que os gestores por vezes têm de que o que se alcançou está adquirido e que há que mudar para subir a um outro patamar, neste caso o de vencer a Liga dos Campeões. É uma ilusão porque nada está nunca adquirido e regredir é sempre uma possibilidade.

Dito isto, a Juventus não tem há vários anos suficientes jogadores de qualidade. Como também deixou de ter qualidade colectiva tornou-se numa equipa banal a nível europeu. Nos primeiros anos Ronaldo conseguiu disfarçar isto graças aos seus golos. Agora já não. 

Por exemplo a equipa que defrontou o Benfica há 7 anos era muito superior à equipa que defrontou o Porto esta semana. Isto não é para diminuir o feito do Porto, que é notável, especialmente dadas as circunstâncias. É apenas uma constatação (que aliás deve servir para valorizar ainda mais o feito espantoso da nossa equipa que empatou na Meia Final da Liga Europa, num Juventus Stadium completamente cheio que seria o palco da Final).

Porque a Juventus que o Benfica enfrentou era uma verdadeira equipa, com um grande treinador que tem continuado (e este ano provavelmente voltará) a ganhar títulos ao mais alto nível. Uma equipa que tinha Pogba, Arturo Vidal e... Pilro. Entre muitos outros, claro (como Buffon, Tevez e jogadores que ainda lá estão mas tinham menos 7 anos...).

Em todo o caso, o ponto adicional que eu queria fazer prender-se com o atirar da culpa da eliminação frente ao Porto para cima de Ronaldo.

É completamente ridículo! 

A Juventus perdeu porque o seu treinador não tem capacidade para este nível de exigência. É tão simples quanto isso. Talvez um dia Pilro seja treinador - ao dia de hoje não o é.

Sérgio Conceição, com todos os defeitos que tem e que aqui tenho apontado, preparou bem os dois jogos e o Porto foi quase sempre superior enquanto esteve em igualdade numérica. Obviamente com meios muito mais limitados.

No entanto Pilro é um ícone do futebol italiano e como tal havia que encontrar um bode expiatório. Foi Ronaldo, por ter estado mal na barreira (apesar do guarda redes ter dado dois frangos durante a eliminatória). 

Seja como for, a era de Ronaldo na Juventus terá muito provavelmente chegado ao fim - sem brilho, como era de prever. 

domingo, 7 de março de 2021

O portinho da raiva e o pasteleiro a Dias

 Já aqui escrevi e todos sabem que quando o Porto perde (ou empata) reage de forma vil e anti-desportiva. Há toda uma escola de mau perder muito enraizada naquele clube, que mostra a sua cara feia em todas as oportunidades. 

Depois do jogo com o Sporting, Sérgio Oliveira disse que para o Sporting não perder com o Porto era como ganhar a Champions. Uma declaração ridícula pois é óbvio que para o Sporting não perder aquele jogo era um passo importante para ser campeão. Nem houve assim tantos festejos que justificassem dizer aquilo. É mesmo puro mau perder. 

Após a primeira mão da Taça em Braga, Conceição terá dito a Carvalhal que 11 contra 11 o Braga levava 5. Mais uma vez, completamente despropositado e uma total falta de respeito pela com um colega.

Isto para já nem falar dos insultos (e agressões) a jornalistas ou de Francisco Conceição a não cumprimentar um colega e a cuspir para o chão de forma ostensiva. Ou do comportamento deplorável do treinador do Porto para com Jorge Jesus no final do jogo com o Benfica. 

Tudo o contrário do que são os valores e do que deve ser a prática do desporto. Mas alguns ainda tentam branquear ou desvalorizar estas reacções e atitudes. 

E isto conduz-me ao segundo tema deste artigo: a arbitragem inacreditável de Soares Dias no jogo da segunda mão da Taça entre o Porto e o Braga.

Soares Dias não apenas não é o melhor árbitro português como é talvez um dos piores. Se o papel de um árbitro é ser isento e justo, passando tanto quanto possível despercebido e tendo o mínimo de influência no mesmo, Soares Dias não é mau, é péssimo. 

Soares Dias deveria dedicar-se aos bolos, porque de facto ele é mais bolos. Talvez como pasteleiro seja melhor porque como árbitro não presta. 

Mas a nossa imprensa submissa e os nossos comentadores cartilheiros (ou com pouca coragem, como os benfiquistas que alinham por esse discurso), alimentam esse mito. 

Claro que eu não sou ingénuo e percebo muito bem essa conversa. Soares Dias é o sucessor de Proença, o "melhor do mundo" que só não foi um bluff completo porque fez exactamente o que era suposto: proteger o Porto a nível nacional e os mais poderosos a nível internacional. 

Proença era, futebolisticamente falando, um ladrão. E dos maiores que alguma vez vi. Penaltis para o Porto eram todos, os existentes, os duvidosos e os inexistentes. Para o Benfica, por vezes nem mesmo os óbvios. A explicação era porque ele era do Benfica e portanto não queria beneficiar a "sua" equipa e portanto exercia um "excesso de zelo". Conversa para burros, obviamente.

O que acontecia com os penaltis, passava-se com os cartões vermelhos. Nos clássicos era raro, raríssimo, o Porto não beneficiar de um penalti, de uma expulsão de um adversário ou de ambos. Enfim, um ladrão, uma coisa inqualificável. 

Soares a Dias é a mesma coisa. Aqui já não se coloca o problema de ser do Porto. Ele não esconde as suas cores nem os seus têm problemas em exigir que seja ele a arbitrar os seus jogos. 

No jogo com o Braga, o campo não estava inclinado, estava quase a pique! 

Foi das arbitragens mais escandalosas que vi nos últimos anos. Uma expulsão totalmente injustificada a pedido e praticamente sem olhar para o ecrã do VAR! 12 minutos de descontos! Num jogo que não teve grandes paragens. Dias deu uns escandalosos 6 minutos na primeira parte (enquanto o comentador da Sporttv dizia que "era muito importante que o Porto marcasse o segundo golo ainda na primeira parte") e na segunda deu 5 mas prolongou o jogo até aos 96'.

Os lançamentos de linha lateral eram marcados uns bons 10 metros mais à frente, de forma a ultrapassar logo a primeira linha de defesa do Braga. As faltas eram marcadas praticamente com a bola em movimento e de forma a surpreender o adversário. Até por essa razão, os descontos deveriam ter sido mínimos... 

Soares a Dias fez bem a lida da casa. Mas não chegou. Principalmente porque não teve oportunidades para assinalar os penaltis que gostaria. 

Não estou aqui a celebrar, porque o Braga é um adversário de respeito que não pode ser menosprezado. 10 contra 11 deram 3...

Mas temos olhos na cara para ver o que se passa no futebol português. É no mínimo estranho que a nossa imprensa finja que não se passa nada. Se calhar é por medo da raiva do Portinho... 

sexta-feira, 5 de março de 2021

Porque não jogam Gabriel E Weigl?

Já fui aqui bastante crítico de Weigl mas também não tenho problemas em admitir que o alemão tem melhorado nos últimos jogos. Ainda não me convence muito, mas já tem mostrado alguma coisa.
E a verdade é que Jorge Jesus tem confiança no jogador e dá-lhe a titularidade. Em detrimento de Gabriel, que para mim é um jogador mais combativo, mais forte que, na minha opinião, enche mais o campo. Mas, claro, não sou treinador. Sou um mero adepto que gosta de futebol e vive intensamente o Benfica. 
Agora o que não entendo mesmo é por que razão não Jesus não aposta nos dois jogadores em simultâneo: Weigl E Gabriel. Há alguma lei que diga que não o pode fazer?
Com um Weigl nas costas, Gabriel poderia recuperar as bolas mais alto no terreno e empurrar os adversários mais para trás. Teríamos uma outra capacidade de pressão e de recuperação de bola. 
E como qualquer um deles sabe construir, não prevejo que esse meio campo fosse limitado sob esse ponto de vista. 
Claro que teríamos menos criatividade, eventualmente menos capacidade de transporte de bola. Mas Gabriel tem boa técnica de passe e Weigl, um pouco mais apoiado e portanto mais solto das tarefas defensivas, poderia ser mais dinâmico, característica que sabemos que tem e que porventura poderia desenvolver mais. 
Aliás, falta de criatividade não é exactamente o principal problema do Benfica. 
Num 4-4-2 com Gabriel e Weigl no miolo, continuaríamos a ter 4 jogadores para a frente: dois alas e dois avançados. Há espaço para Rafa, Cebolinha e dois avançados. Aliás, tanto Pizzi, como Pedrinho podem encaixar neste esquema, permitindo juntar um deles aos médios quando não temos bola e transformar o 4-4-2 em 4-3-3 em certos momentos do jogo. 
Por outro lado, com defesas / alas muito ofensivos como são os do Benfica, não me parece que tivéssemos défice ofensivo. Acho até que o problema do Benfica em muitos jogos tem sido o oposto: a dificuldade em recuperar a bola em zonas altas do terreno e assim não conseguir encostar os adversários à sua zona defensiva. Isto significa que que demoramos demasiado tempo entre ataques, dando tempo às equipas adversárias para respirar e assim manter a cabeça fria na hora de defender. 
Enfim, gostaria de ver esta solução pelo menos testada. 

segunda-feira, 1 de março de 2021

Vamos acreditar

 O Benfica voltou às vitórias. Não foi um grande jogo mas houve sinais positivos e é a isso que temos que nos agarrar neste momento. A época ainda não acabou e há objectivos bem ao nosso alcance.

Se houve algo de positivo na entrevista de LFV ontem, foi essa mensagem. 

E a vitória desta noite coloca-nos no caminho desses objectivos: vencemos bem (sobretudo graças a uma segunda parte bastante razoável), não sofremos golos (com alguma sorte, mas também já tivemos muito azar esta época) e recuperámos dois pontos ao Porto. 

O segundo lugar é neste momento o objectivo realista a alcançar e é nisso que temos que nos concentrar, para além, naturalmente, da Taça de Portugal. 

Vamos acreditar que é possível. 

Já disse o que penso serem os erros e equívocos desta época. Está escrito e não vale a pena estar sempre a repetir. 

Vou acreditar que podemos ter um novo ciclo, que podemos melhorar, que a confiança possa regressar e que os resultados apareçam nesta fase final da época. 

Espero também que todos tenham aprendido com os erros, que deixe de haver arrogâncias, bazófias e displicências. Que todos se concentrem no que há ainda para ganhar. 

Pela minha parte vou dar o benefício da dúvida e não insistir no que está mal mas sim acreditar que se pode melhorar no que de positivo hoje se viu. Espero muito sinceramente que até ao final da época não tenha mais nenhuma razão para criticar. 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

As causas da crise do Benfica - II

 Má política de contratações. Os interesses do Benfica não são o critério a que elas obedecem. O Benfica contrata mal (e ultimamente caro). Só o negócio importa. O scouting é fraquíssimo e não existe uma análise do perfil do jogador ou das necessidades da equipa.


Já falei da lógica empresarial com que Vieira conduziu o Benfica durante vários anos. Mas pelo menos no passado havia prospecção. Por exemplo, a Simão seguiu-se Di Maria e a este Gaitan. Os jogadores eram contratados tendo em vista os interesses do clube. A primeira equipa de Jorge Jesus era um equilíbrio de força e talento. No eixo central havia Luisão, David Luiz, Javi Garcia e Aimar, nas alas um extremo puro (Di Maria) e um jogador de equilíbrios e pulmão (Ramirez) e na frente Saviola e Cardozo. Os laterais eram Maxi e Coentrão. Além da qualidade, estes jogadores tinham poder físico e mentalidade. Eram todos muito competitivos. (No ano seguinte saíram vários destes jogadores - e estivemos três anos sem ganhar.)

 Mas a lógica de entreposto e a sobreposição dos interesses dos empresários aos do Benfica levaram ao descalabro. Quando Pedrinho foi contratado isso não obedeceu a qualquer necessidade do plantel. Escrevi-o na altura, não o digo apenas agora. 

https://justicabenfiquista.blogspot.com/2020/03/o-estranho-negocio-pedrinho.html

Este negócio até levou um olheiro a demitir-se. Mas claro que os yes man, os situacionistas, vieram logo dizer que eu estava errado, que não havia problema nenhum (ver caixa de comentários desse post).

Plantel desequilibrado e sem capacidade competitiva.

Os jogadores são contratados sem critério, a não ser a oportunidade de negócio (e mesmo aí resta saber se para o Benfica, se para os intermediários). O perfil dos atletas (físico e psicológico) não é minimamente tido em conta. É por isso que temos um plantel sem dimensão física e com pouco espírito combativo

Numa equipa de "animais competitivos", Weigl pode ser o trinco. Numa equipa como a nossa, é a receita para o desastre que acontece desde que o alemão entrou na equipa. O problema não é o tamanho dos jogadores. A questão é a sua capacidade de ganhar duelos, sprints e divididas. E nesse capítulo o Benfica tem um plantel altamente deficitário: Pizzi, Grimaldo, Cebolinha, Weigl, Pedrinho são os casos mais gritantes, mas mesmo na defesa não temos "bichos" como Rúben Dias. Não há no Benfica nem "carregadores de pianos", nem "tanques", nem tão pouco, com excepção de Rafa, jogadores explosivos. Somos uma equipa de pesos plumas

 

E um último aspecto: mentalmente o plantel é débil. Darwin parece um jogador com boas condições físicas e técnicas mas psicologicamente não tem tido a capacidade (e se calhar o apoio) para triunfar. E como ele, outros. 

 

 

 

Pecados de JJ

Quando uma equipa joga tao mal como o Benfica o treinador está sempre em causa. Quando esse treinador ganha milhões e tem à sua disposição um plantel que, apesar das limitações, tem tantas opções de qualidade, o seu fracasso é evidente. O Benfica não defende bem, é previsível no ataque, não marca um golo de canto, não tem uma ideia de jogo. Os jogadores não parecem saber o que fazer em campo. As substituições por norma pioram a equipa. 

Numa equipa com défice de combatividade e intensidade no meio campo, com falta de homens de barba rija, é absolutamente incompreensível que Gabriel não seja titular e que Samaris praticamente nunca tenha jogado. A titularidade indiscutível de Taarabt é outro mistério. Apesar de algumas características positivas, o marroquino falha demasiado e desequilibra a equipa. 

É inacreditável que Vinicius tenha saído. É inexplicável que Cervi tenha sido marginalizado no início e que mesmo agora jogue pouco. É incrível que se tenha colocado todo o foco na contratação de um central quando havia lacunas bem maiores no plantel.

O discurso de JJ também não faz sentido. Tanto promete arrasar, como diz que não tem tempo para treinar. Tanto diz que está habituado ao covid no Brasil como que o covid arrasou a equipa. Tanto diz que a partir de agora é que é, como se continua a desculpar com o covid. Tanto diz para os jogadores se levantarem porque não levaram com um pau, como pede carinho para os mesmos. As suas conferências de imprensa aos gritos não se admitem. 

JJ não tem neste momento estabilidade emocional para comandar a equipa e não parece ter a força mental para dar a volta à situação. Isto é um déjà vu dos três anos em que nada ganhou no Benfica e do segundo ano no Sporting. 

Arbitragens 

Já escrevi sobre isto. É um absoluto escândalo que o Benfica não tenha nenhum penalti ao cabo de quase dois terços do campeonato. Apesar de todas as falhas apontadas acima, com arbitragens normais talvez estívessemos noutra posição. 


Nota final: ao rever alguns dos posts que escrevi ao longo dos últimos meses constatei que tive razão nos alertas que fui fazendo. Também é patente pelos comentários que existem adeptos realistas, cuja visita frequente ao blog muito agradeço, que estavam a ver a mesma coisa e que contribuíram para uma análise correcta do que estava a acontecer. Outros porém preferiram meter a cabeça na areia e enveredar pelo seguidismo acrítico de tudo o que a direcção diz e faz. O tempo provou que estavam completamente errados. 

Isto suscita-me uma última questão: se nós, simples adeptos, conseguimos fazer diagnósticos correctos e apontar lacunas (e soluções) como é que a direcção que se dedica (ou devia dedicar) a tempo inteiro ao Benfica e é paga para tal, não o consegue?


Ver também a parte I deste post: https://justicabenfiquista.blogspot.com/2021/02/as-causas-da-crise-do-benfica.html


 

Entrevista de Vieira - duro ataque à Liga e arbitragem

 

  Luis Filipe Vieira terá este Domingo uma entrevista difícil, porque o que está a acontecer é inexplicável.



Há aqui quatro "escolas" de pensamento: 

  • os que acham que Luis Filipe Vieira não tem culpa nenhuma, que deu todas as condições para JJ triunfar e que a responsabilidade pelos maus resultados é toda deste;
  • os que consideram que LFV não deu a JJ as condições que lhe prometeu (nomeadamente Cavani, um trinco e Lucas Veríssimo mais cedo) e que como tal Jesus é mais vítima do que culpado;
  • os que consideram que ambos são culpados;
  • os que consideram que nenhum é culpado e que a culpa é do covid e dos árbitros (e talvez do azar).

Eu penso que a maioria dos benfiquistas acha que ambos são culpados; que há uma minoria (ainda muito considerável) de adeptos e sócios que continua a defender Vieira (que depois se subdivide entre os que acham que Jesus é que tem a culpa toda e os que acham que é o covid e os árbitros); e finalmente os "adeptos" de Jesus, que o defendem apesar de tudo e que são já uma minoria já muito pequena, embora bem representada na comunicação social (afinal Lage tinha uma certa razão quando disse que alguns jornalistas escreviam em função dos almoços que lhes pagavam).

Por isso ou Vieira assumia as responsabilidades e colocava o lugar à disposição, manifestando-se pronto para convocar eleições assim que as condições o permitissem (cenário, convenhamos, nada provável) ou teria que disparar em alguma direcção.

É isto que vai fazer. E vai disparar muito em particular para a arbitragem e a Liga.

Claro que a arbitragem tem sido miserável e tem prejudicado brutalmente o Benfica. A questão é: porque é que só agora (que já é demasiado tarde) se vai finalmente falar disso?

A minha resposta é simples: porque agora é a própria sobrevivência política de Vieira que está em jogo. Esse é sempre o seu critério de decisão: foi por isso que investiu em ano de eleições apesar da pandemia, foi por isso que foi buscar JJ.

Os seguidistas ficarão contentes e acharão que tudo fica resolvido. Para o ano as coisas serão diferentes e voltaremos a ganhar, dirão. É uma perspectiva. Mas ilusória. Os problemas manter-se-ão lá todos. 

Agora, este discurso é capaz de criar um certo alívio da pressão sobre a equipa e talvez possa (num cenário optimista) mobilizá-la no sentido de alcançar os poucos objectivos ainda possíveis. Veremos. Espero que sim, naturalmente. Mas não deixa de ser uma análise simplista e desresponsabilizadora que não vai resolver os problemas estruturais do Benfica, que começam com o próprio LFV, as suas más decisões e a sua liderança desgastada por inúmeros casos judiciais.
 

Parabéns ao Benfica pelos seus 117 anos de vida!






 Nota: a violência e as ameaças de morte são completamente inaceitáveis. Ninguém merece isso. Repudio totalmente todos esses comportamentos anti-desportistas e anti-benfiquistas. Uma coisa é contestar, com faixas, com mensagens, com buzinões, abaixo-assinados ou qualquer outra forma legítima de protesto. Outra coisa é entrar por caminhos de violência e criminalidade. São duas coisas que não se cruzam. Pelo contrário, são até incompatíveis. Quem se envolve nisso deve ser punido.