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sábado, 5 de julho de 2025

O Mundial de clubes e o Benfica

 A participação do Benfica no Mundial de clubes teve um saldo neutro e correspondeu ao expectável: uma goleada a um clube de amadores, um empate com um um grande da Argentina, uma vitória inesperada (a primeira de sempre) com um Bayern em modo poupança e uma derrota por 4-1 perante um Chelsea com argumentos superiores aos nossos. A goleada com o Chelsea é um pouco atenuada pelo facto dos golos terem surgido quase todos no fim, quando jogávamos com 10. Mas por outro lado o Benfica foi uma sombra de si mesmo nesse jogo: sempre demasiado encolhido e defensivo, sem capacidade de ser incisivo no ataque.

No final, o saldo é "normal": tínhamos uma secreta esperança de chegar longe e quem sabe ganhar a competição, fazendo jus à história do Benfica e tirando partido do facto da competição surgir no final de época, com as equipas a não terem o mesmo rendimento que alcançam na Liga dos Campeões, mas no fim a lógica imperou e alcançámos o que é habitual na competição continental - passar a fase de grupos e perder na primeira ronda a eliminar.

Perder com o Chelsea não é desprestigiante, mas o nível que apresentámos fica abaixo, na minha opinião, dos mínimos. Lage tentou aplicar a mesma receita que funcionou com o Bayern, mas sem sucesso desta vez. É verdade que a Grécia foi campeã da Europa a jogar assim, mas isso acontece uma vez a cada 50 anos. Acho que o Benfica poderia ter assumido o jogo de outra forma. 

De resto a competição vai avançando para a fase final de acordo com o que seria expectável: as equipas mais fracas vão desaparecendo e os gigantes europeus posicionam-se. Houve algumas surpresas, como acontece sempre: o Inter foi eliminado pelo Fluminense e o City pelo Al Hilal. Mas nas meias finais estarão Paris Saint Germain, Real Madrid e Chelsea e um dos dois primeiros deverá levantar o troféu.

Quando o Benfica foi eliminado li dezenas dos milhares de comentários feitos por brasileiros dirigidos ao nosso clube e aos portugueses, todos eles insultuosos. Fiquei admirado, não sei o que é que lhes fizemos para justificar tanta hostilidade. Os brasileiros, sobretudo adeptos do Flamengo, recordavam a vitória da sua equipa sobre o Chelsea na fase de grupos e gozavam com o Benfica chamando-nos equipa pequena e assegurando que no campeonato brasileiro lutaríamos pela manutenção. Mas via-se ali muito ódio, muito ressentimento.

Tais adeptos esqueceram-se de duas coisas:

1) as equipas europeias estão no "pós-época", com muitas dezenas de jogos nas pernas, separados desta competição por uma pausa competitiva de semanas, física e mentalmente cansados, ao passo que as sul americanas estão no início da época, com os índices físicos e motivacionais no máximo;

2) iam jogar com o Bayern de Munique, que o Benfica tinha vencido, a seguir (e, claro, perderam). Além disso perderam qualquer simpatia que os portugueses poderiam ter pelas equipas brasileiras. 

E fico-me por aqui para não extrapolar do futebol para outras situações, porque os brasileiros que trabalham arduamente em Portugal (centenas de milhares) não têm culpa dos comentários de alguns idiotas. 

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Goleada histórica. Sporting-11 Benfica-1





Aqui fica uma análise a todos os casos da final da Taça de Portugal de dia 25. A análise é 100% objetiva como se poderá constatar. Limito-me a apresentar as situações. As minhas apreciações ou comentários pontuais sobre os lances não interferem sobre a objetividade e validade da análise. 


três penalties a favor do Benfica 


1) remate de Bruma contra o braço de jogador do Sporting, assinalado e posteriormente anulado por fora de jogo de Kokçu no início da jogada;

2) Hjulmand toca/pisa Dalh, árbitro assinala simulação com direito a cartão amarelo;

3) agarrão sobre Belotti na área transformado em livre lateral por uma falta anterior... a favor do Benfica (possivelmente é uma nova regra que ainda não conhecemos);


um penalti para o Sporting


4) um penalti marcado a favor do Sporting;


um golo anulado ao Benfica

5) um golo anulado ao Benfica por alegada falta de Carreras no início da jogada (uma das repetições mostra claramente o jogador do Benfica a cortar a bola que depois ressalta para o pé do jogador do Sporting - não é um erro claro e evidente do árbitro e está portanto fora do protocolo do VAR)

quatro cartões vermelhos perdoados a jogadores do Sporting


6) vermelho direto a Matheus Reis por agressão a Belotti;

7) vermelho direto a Maxi Araújo por agressão ao mesmo jogador ou, no mínimo, cartão amarelo, que seria o segundo; 

8) segundo amarelo para Harder por cotovelada a Otamendi (negligência, se fosse propositado seria cartão vermelho direto);

9) segundo amarelo para Harder por provocação aos adeptos benfiquistas após o seu golo (fazendo demorada e repetidamente um gesto para que se calassem);


golos validados com possíveis ilegalidades


10) um golo validado ao Benfica em que o jogador do Sporting no início da jogada aparece no chão

11) um golo validado ao Sporting num lance em que Otamendi surge no chão


Em 11 decisões cruciais no jogo a equipa de arbitragem decidiu 10 vezes a favor do Sporting e uma a favor do Benfica. 


Análise


Fazendo uma análise mais fina, vamos avaliar essas decisões por categorias.

I. Situações relativamente claras - três a favor do Sporting, uma a favor do Benfica

As situações 1, 4, 10 e 11 podem ser consideradas mais ou menos pacíficas e o juízo geral é que o árbitro decidiu bem.

II. Situações dúbias - todas a favor do Sporting

As situações 2, 3, 8 e 9 são de algum modo de interpretação e podem ser decididas para ambos os lados. Em quatro poderiam ter sido decididas duas para cada lado. Foram decididas as quatro a favor do Sporting. Acresce um cartão amarelo limitativo para Dahl logo no início do jogo.

III. Caso do jogo - decisão a favor do Sporting

A decisão 5 para mim é inaceitável porque não é um lance de erro claro e óbvio do árbitro e portanto o VAR não pode intervir. É uma situação grave porque distorce a verdade desportiva, a favor do Sporting. Já sei que a maioria dos árbitros comentadores dizem que foi uma boa decisão, mas a sua credibilidade é nula: olhemos para o inqualificável Coroado e fica tudo dito. Além disso eles tendem sempre a acompanhar os árbitros nas suas decisões e só dizem que errou quando esse erro é demasiado evidente para o público. Mas se quisermos colocar este lance na categoria anterior então aí temos um 5-0 arbitral a favor do Sporting.

IV. Erros grosseiros - a favor do Sporting

As situações 6 e 7 não merecem comentários. 

V. Tempo de compensação

Foram dados 10 minutos de tempo suplementar, algo nunca visto esta época e que naturalmente beneficiou o Sporting, tanto mais que o penalti é já depois dos 8 minutos de descontos (Pinheiro na Luz deu 7).

Temos assim Sporting - 11 Benfica - 1.

Ninguém me vai convencer de que isto não foi intencional. Erros acontecem para os dois lados, não sempre para o mesmo. Quando pelo meio dos erros há erros grosseiros o assunto deve ser investigado. O Benfica deveria aliás protestar o jogo


Nota 1: a linguagem corporal de Hujlmand no lance do possível penalti sobre Dahl e de Maxi Araújo no lance com Belotti é de jogadores que esperam vir a ser punidos pela arbitragem, ficando surpresos pelo seu comportamento não ter consequências. Nem eles próprios estavam à espera de uma arbitragem tão tendenciosa.

Nota 2: os mesmos árbitros e comentadores que garantiram que Tomás Araújo fez mesmo penalti sobre Ricardo Horta explicaram agora que Dahl fez simulação sobre Hjulmand. Num dos lances, a bola está noutro local e o toque de Araújo não tem qualquer influência sobre o desfecho da jogada. No outro Dahl tem a bola controlada dentro da área. Ou seja, o lance de Dahl seria por maioria de razão mais claro e merecedor de penalti do que o de Horta. Isto suscita-me duas reflexões: a primeira é reiterar que os ex-árbitros e comentadores não valem nada, são anti-benfiquistas e têm zero credibilidade; a segunda é de que os nossos jogadores são muito anjinhos: ao passo que Horta ficou no chão e a contorcer-se até que o VAR principal - Luís Freitas Lobo da Sport TV - dissesse que era penalti e assim passasse a mensagem para o pau mandado que estava na "cidade do futebol",  já Dahl levantou-se logo.

Nota 3: falaram décadas de Calabote porque, supostamente para o Benfica marcar mais golos, o árbitro deu... 4 minutos de descontos. Falaram anos da "Taça Lucílio Baptista" porque na sua opinião foi marcado um penalti inexistente contra o Sporting. Comentários para quê?


Maxi Araújo com as mãos atrás das costas, indicando ao árbitro que não fez nada. Mas o árbitro nem se dirige a ele...A preocupação de Godinho é que Belotti saia do campo para o jogo poder seguir rapidamente. (Ainda havia tempo...)


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

O que Lage precisa de melhorar




1. Bruno Lage entrou bem no Benfica e tem tomado boas decisões. 

2. Depois de vencer os três jogos disputados, alguns comentadores defenderam que afinal os adversários eram fraquíssimos e que o Benfica até deveria ter vencido mais facilmente. Entendamo-nos: uma equipa joga sempre o que a outra deixa. As equipas contra as quais o Benfica jogou são evidentemente menos fortes e têm menos soluções. Mas cada jogo tem a sua história e ter valores individuais superiores não garante coisa nenhuma, é preciso depois ter a capacidade de traduzir essa superioridade em jogo jogado e, mais importante ainda, em golos.

Mais: o Santa Clara chegou à Luz com o estatuto de surpresa do campeonato até ao momento e entrou no jogo a ganhar; o Estrela Vermelha não perdia em casa desde uma derrota pela margem mínima contra o Manchester City ainda no ano passado; e as deslocações ao Bessa não têm sido fáceis nos últimos anos. 

Nessa medida as vitórias do Benfica têm mérito.

3. Dito isto, há muita coisa a melhorar. Temos de ter a percepção clara de que o Sporting está fortíssimo, o que reduz a margem erro para quase zero, até porque já estamos a 5 pontos. E temos de perceber que temos de ser mais consistentes e competitivos se queremos ter sucesso já nesta época. 

4. Aspectos em que temos de melhorar:

a) consistência e rigor defensivo. 

António Silva está a subir de forma. Otamendi também. Mas ainda há erros e falhas de concentração que precisamos de reduzir ao mínimo. Os golos contra o Santa Clara e o Estrela Vermelha são disso exemplos. Neste último, não podem ir os dois centrais ao mesmo adversário, deixando outro sozinho, enquanto um lateral coloca este último em jogo e isolado frente ao guarda redes. Carreras tem estado muito bem, mas ainda é verde e haverão dores de crescimento (espero que Best possa ser alternativa para permitir ao espanhol esse tempo e espaço para melhorar). Na direita ainda não há alternativa a Bah. Apesar de Tomás Araújo ter feito um jogo consistente com o Boavista falta ver contra um adversário mais forte. Kaboré precisa ainda de ganhar rotinas.

b) controlo de jogo com bola 

O Benfica resolveu os últimos dois jogos na primeira parte e depois procurou gerir. Mas contra o Estrela Vermelha, que pressionou muito, o Benfica não foi capaz de manter posses de bola prolongadas e com isso retirar ímpeto ao adversário. É importante conseguirmos isso e temos jogadores para tal, sobretudo com este meio campo a três. 

c) condição física 

Tem-se notado uma quebra de rendimento da primeira para a segunda parte. Isso tem a ver também com a condição física. 

d) rotação e gestão do plantel 

Com a chegada de um novo treinador os jogadores ganham uma motivação extra e um novo ânimo porque se querem mostrar e reclamar mais oportunidades. Mas isso não dura sempre. Lage tem muitas e boas soluções e precisa de as utilizar. Leandro Barreiro já mostrou qualidade. Precisa de jogar mais tempo. É um jogador com boa rotação e capacidade de ganhar e manter a posse de bola. Amdouni tem uma qualidade acima da média. Akturkoglu mostrou já imensa qualidade e é naturalmente titular, mas Amdouni, seja na esquerda ou na direita, tem de jogar mais tempo. Arthur Cabral está a mostrar uma grande determinação e a desequilibrar as defesas adversárias com a sua capacidade física. Precisa de mais tempo. 

Este é um dos segredos do sucesso de Rúben Amorim: a rotação do plantel e a gestão física e mental que assim consegue, retirando o melhor de cada um e para a equipa. Rúben roda o meio campo, roda os centrais (incluindo com substituições durante o jogo, se necessário logo ao intervalo) e roda os alas. Só não roda (nos jogos "a doer", porque nos outros também os deixa no banco) Pedro Gonçalves e Gyokeres porque são os grandes desequilibradores da equipa. Lage precisa de aplicar este princípio no Benfica. 

Principalmente este ano em que o número de jogos roçará o absurdo não faz sentido nenhum estar a jogar sempre com os mesmos. Há que promover muita rotação. E pelo que se viu temos um plantel equilibrado e que permitirá fazê-lo.

e) eficácia atacante

Alguns treinadores e comentadores defendem que só se pode treinar o processo atacante no sentido da dinâmica e da criação de oportunidades e que depois a concretização, a finalização, não se treina, dependendo do jogador e do momento. Eu percebo o argumento mas não estou totalmente de acordo. Há aspectos que influenciam fortemente a probabilidade da bola entrar ou não. Um é a fluidez do jogo atacante. Se as bolas que chegam à zona de definição são já muito em esforço, a probabilidade de ser golo diminiu. Se resultam de um processo atacante bem oleado e chegam com mais naturalidade, o índice de concretização aumenta. Por outro lado, claro que os avançados podem e devem treinar a concretização e o remate. Eusébio fazia-o, Ronaldo idem. Um outro aspecto ainda é a tranquilidade. Se a equipa joga sobre brasas vai falhar mais, ao passo que se os processos estão consolidados e há mais segurança no que se faz, vai-se marcar mais. Por isso penso que podemos melhorar neste capítulo.

f) discurso / comunicação

Bruno Lage teve uma mensagem positiva e que se louva ao chegar ao Benfica, apelando à união, ao benfiquismo e prometendo trabalho e futebol atacante com os adeptos gostam. Mas isto é um discurso de entrada, não é algo que se possa sustentar ao longo de uma época inteira. Um treinador hoje é também um comunicador. Amorim é muito bom nisto, tem uma certa naturalidade que Lage nunca conseguirá. No entanto o Benfica tem muitos profissionais a trabalhar nesta área. Eles precisam de ajudar o treinador a comunicar de uma forma eficaz e motivadora ao longo de uma época longa de modo a se manter o élan. Não queremos revelar demasiado sobre a forma de jogar com análises demasiado detalhadas que dêem armas aos adversários mas também não se pode só dizer lugares comuns ou coisas redondas. A mensagem tem de ser dirigida de forma a alcançar objectivos pré-definidos e não ir ao sabor do que os média ou os nossos adversários querem. Deve ser proativa e não reactiva.

5. Uma nota final para a arbitragem. É um tema sobre o qual cada vez tenho menos vontade de ou paciência para falar, mas é importante que o Benfica esteja atento. Vejo os árbitros cada vez mais "simpáticos" para com o Sporting, a "darem" penalties "suaves", muito facilmente, e poucos cartões aos seus jogadores e muitos aos adversários. Com o Porto as coisas são semelhantes. Já em relação ao Benfica parece continuar a existir um estigma e um receio grande em que possa ficar a imagem de que estão a beneficiar o Benfica. Pouco mudou nos últimos anos. Os suspeitos do costume ajudam à festa: a SportTV e a imprensa desportiva continuam a ter um viés anti-Benfica, isso é absolutamente indiscutível. Como o combater? Nas instâncias relevantes da Liga e Federação, mas também através da comunicação. O Benfica tem de saber usar melhor o poder que os seus adeptos lhe conferem. Não queremos ser beneficiados mas não podemos aceitar ser constantemente prejudicados. 


terça-feira, 2 de abril de 2024

Benfica-Sporting - acompanhamento em direto

Atualizações


Equipas oficiais

Benfica: Trubin, Bah, Otamendi, António Silva, Aursnes, Florentino, João Neves, Neres, Di Maria, Rafa, Tengstedt

Sporting: Franco Israel, Diomande, Coates, Inácio, Esgaio, Hjulmand, Daniel Bragança, Nuno Santos, Trincão, Paulinho, Gyökeres


Neres mantém-se na equipa, ao passo que Cabral perde a titularidade para Tengstedt. No Sporting a surpresa maior é Bragança no lugar de Morita. 


15'30" - Tengstedt faz um chapéu subtil a Israel e a bola vai à barra. 

19'30" - oportunidade flagrante de Di Maria já praticamente dentro da pequena área. A bola foi "ao boneco" 

O Benfica domina mas ainda não conseguiu marcar 

33' mais uma jogada perigosa do Benfica com Tengstedt a ser carregado em falta mesmo à entrada da área com o árbitro a nada assinalar 

37'30" mais uma falta à entrada da área, desta vez sobre Di Maria não assinada. O árbitro assinala mesmo falta de Di Maria 😂

45"+3 cartão amarelo a Di Maria por chutar a bola após o apito do árbitro 

Final da primeira parte 

Adeptos do Sporting fazem a festa 

Boa primeira parte do Benfica mas faltou o golo para dar expressão ao domínio de jogo e assim o Sporting continua à frente na eliminatória 

Sporting muda 3 jogadores da linha defensiva ao intervalo 

Início da segunda parte 

45'30" - primeiro remate (e com perigo) pertence ao Sporting 

46" Golo do Sporting por Hjulmand

52" golo do Benfica por Otamendi 

54'20" golo do Sporting por Paulinho. Katamo mais uma vez surge quase sozinho na esquerda e Trubin defende para a frente oferecendo o golo a Paulinho 

O Benfica agora arrisca muito. Ou marca em breve ou arrisca sofrer novo golo e perder a eliminatória em definitivo 

Bola ao poste de Gyokeres

64' Golo de Rafa

72' Penalti não assinalado sobre Rafa 

Domínio avassalador do Benfica 

Algum cansaço (natural) nota-se na nossa equipa. Os jogadores têm dado tudo 

89' Grande oportunidade do Benfica 

Final da partida. Pelo meio houve um novo lance duvidoso na área do Sporting 

O Benfica mereceu pelo menos o prolongamento. Resta agora ir vencer a Alvalade. 


Caros benfiquistas, a esperança é sempre a última a morrer, pelo que continuamos a esperar uma época vitoriosa. Para já joga-se a passagem à final da Taça de Portugal e logo num derbi, aliás o derbi eterno.

Farei atualizações ao longo do dia e, dependendo do interesse e participação dos benfiquistas, eventualmente também ao longo do jogo.


Quem está mais pressionado? É difícil de dizer, porque se por um lado o Sporting tem estado melhor e os seus jogadores parecem mais confiantes, por outro o Benfica este ano já ganhou um título (supertaça) e já venceu o Sporting na Luz. Neste momento o Sporting parece ter mais a perder do que o Benfica. Por outro lado, Rúben sabe que só irá para o Liverpool se alcançar títulos. E ir treinar o Liverpool não é para qualquer um nem é uma oportunidade que se repita. Basta dizer que Eriksson admitiu recentemente que treinar o Liverpool era o seu sonho. Amorim está portanto sob fortíssima pressão.

De certo modo o Sporting encontra-se na mesma situação que em 2005 com Peseiro: pode ganhar ou perder tudo numa semana.


Grimaldo envia o seu apoio ao Benficahttps://www.abola.pt/futebol/noticias/grimaldo-publica-mensagem-antes-do-benfica-sporting-2024040215581744661


A minha previsão para o 11: Trubin, Bah, Otamendi, António Silva, Aursnes, Florentino, João Neves, João Mário, Di Maria, Rafa, Arthur Cabral.

A maior dúvida para mim é quem jogará do lado esquerdo. Neres tem tido a posição nos últimos jogos mas tem estado algo apagado. Além disso, Schmidt poderá querer dar outro tipo de equilíbrio ao meio campo e daí a inclusão de João Mário. Também poderia ser Kokçu mas o que aconteceu com a entrevista e também em Alvalade (onde jogou nessa posição e mal), leva-me a postar em Mário. Na frente também existem algumas dúvidas, podendo jogar qualquer um dos três avançados que temos. 

segunda-feira, 18 de março de 2024

O Benfica europeu

O Benfica cumpriu a sua "obrigação", eliminando o Rangers. Obrigação no sentido em que temos um maior orçamento e uma equipa mais forte, como ficou demonstrado ao cabo da eliminatória. Já na Luz merecíamos um resultado muito diferente, pois o Glasgow marcou no primeiro ataque que fez à nossa baliza e depois logo após o nosso empate, tendo feito pouco para o merecer. Na Escócia o jogo foi mais equilibrado e o Benfica até aceitou remeter-se alguns períodos à defesa, acabando por marcar precisamente num contra ataque no qual toda a equipa do Rangers estava metida dentro do nosso meio campo. 

Foi uma eliminatória brilhante? Não, mas em princípio jogámos o suficiente para merecer a passagem. 

O Benfica tem sido algo maltratado pela comunicação social este ano. Se no ano passado houve, até dada altura, um estado de graça de Schmidt com os média, este ano é o contrário: os elogios tornaram-se em críticas por vezes a roçar o insulto. Note-se que eu não alinho no discurso de que os média e os comentadores estão todos contra o Benfica, que são todos "pasquins" e "avençados", etc. Essa mentalidade não nos leva a lado nenhum e corresponde a uma percepção distorcida da realidade: muitos dos jornalistas ou comentadores insultados em alguns blogs como "anti" são na realidade benfiquistas. Dito isto há que reconhecer que muitas vezes, possivelmente em razão da sua grandeza ímpar, embora também não se possam excluir más intenções por parte de alguns, o Benfica é tratado nos média de uma forma diferente dos outros.

Assim, enquanto Rúben Amorim pode dar descanso a meia equipa e assim perder logo em Alvalade a eliminatória com a Atalanta sem que ninguém esboce uma crítica; enquanto o Porto é eliminado mas fez uma eliminatória "épica"; já o Benfica chega a ser criticado após eliminar o Rangers!

O que se diria se no Benfica tivesse sido feito o que fez Amorim? Não precisamos de imaginar, basta recuar ao tempo de Jorge Jesus no nosso clube: quando ele promoveu alguma rotação na Liga Europa todos os comentadores lhe caíram em cima. Porque Jesus estava a desvalorizar a competição, estava a desonrar os pergaminhos do clube, um treinador de um grande não podia fazer isto, tinha de jogar com os melhores, eles são profissionais pagos para isto, blá, blá, blá. Mas agora quando Amorim o faz, está muito bem pensado, o Sporting não tem plantel para as duas competições, o campeonato é o principal objectivo, etc, etc.


Também é curioso que o Sporting "não tenha plantel" (só o Benfica é que tem). Quanto custou Paulinho? Quanto custou Gyokeres? Hjulmand? St Juste? Segundo o transfermark, respetivamente 16, 21, 18 e 10. Só aqui estamos a falar de 65 milhões. Gyokeres está, é verdade, a fazer uma época tremenda e a justificar plenamente o investimento. Mas de Paulinho não se pode dizer exatamente o mesmo e já está no Sporting há anos suficientes para o juízo ser bem sustentado. Fresneda custou 7 milhões,  Trincão outros 7, Diomande 7,5 e Esgaio 5,5. Juntando aos 65 já vamos em 92 milhões de euros.

Por que é que isto é importante? Porque o Sporting é apresentado nos média como uma equipa de tostões, que faz praticamente milagres, que se bate contra um clube rico e esbanjador (o Benfica). A obrigação, a pressão é sempre do Benfica. O Sporting já está a fazer "mais do que o esperado e a sua obrigação". Amorim, como excelente treinador e profissional que é, percebe essa narrativa e sabe retirar partido dela. 

A questão é que, como acabámos de ver, é uma estória falsa. Aliás, ninguém fala de outra parte que são os perdões de dívida do Sporting, esses sim, susceptíveis de criar distorções na competição e favorecimentos indevidos. Se o Benfica compra jogadores caros é porque fez receitas para isso. Já o Sporting compra porque não paga as dívidas.

Em relação ao Porto, sobre a gestão não vale sequer a pena dizer nada. A "guerra civil" em curso é plenamente esclarecedora. Agora "A Bola" escrever "Gigantes" porque perderam só por um com o Arsenal, depois de terem ganho à base da sorte na primeira mão, e foram eliminados nos penalties, parece-me excessivo. (Já agora: Diogo Costa não era "dos maiores especialistas do mundo em defender penaltis"?) Sim, o Porto bateu-se bem, mas foi basicamente uma equipa defensiva que nunca arriscou nada. Se fosse o Benfica seguramente que o discurso seria diferente ("falta de rasgo", "falta de ambição", "estava ao alcance", etc). 

Depois os portistas dizem que são os maiores de Portugal em termos europeus. Mas nunca ganharam em Inglaterra (e levaram muitas goleadas) ao passo que o Benfica venceu em Inglaterra 4 vezes! E não, não foi no tempo da televisão a preto e branco. Foi recentemente (eu vi todas essas vitórias) e perante Arsenal, Liverpool, Everton e Tottenham, alguns dos maiores de Inglaterra. Também eliminámos o Manchester United na Champions (e sem precisar de anular golos perfeitamente legais ao adversário...).

O que se retira de tudo isto é para os outros perder é normal. Só o Benfica é que tem todas as obrigações e mais alguma. Aliás, mesmo quando ganha não tem mérito. É interessante que esta tenha sido a primeira vitória de um clube português em casa do Glasgow, mas mais uma vez isso não interessa nada e não tem mérito nenhum porque os escoceses nem sabem jogar futebol, só rugby. O que tem mérito é bater-se bem com gigantes do futebol mundial como a Atalanta ou perder apenas por 1 com um Arsenal devastador na Liga dos Campeões. 

Vem agora o Marselha, clube com historial, como bem sabemos, que tem uma equipa interessante (o principal goleador é Aubameyang) e adeptos fervorosos. Será uma eliminatória difícil. Basta dizer que o Marselha este ano já eliminou Ajax, Aek de Atenas, Shakthar Donetsk e Villareal, este último com uma goleada de 4-0 em Marselha que resolveu logo a eliminatória na primeira mão. Agora claro que o Benfica tem todas as possibilidades de passar em frente. O Benfica está neste momento nos terceiros quartos de final consecutivos a nível europeu (duas vezes Liga dos Campeões, uma vez Liga Europa). Naturalmente queremos fazer mais, mas é um registo positivo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Começar bem. Mais as contratações e atual plantel do Benfica.

RUI Costa tem surpreendido pela positiva. Entrou num momento de enorme crise e escândalo e com muita calma tem vindo a guiar a nau do Benfica através da tormenta, esperamos que em direção à bonanza. 

No meio disto concretizou três contratações que me parecem vir dar uma outra dimensão ao nosso futebol: João Mário, Meité e Yaremchuk. No caso de João Mário, apesar das minhas reticências, o que se tem visto é claramente muito positivo. Não vou aqui estar a analisar, até porque todos podem ver os jogos e ter as suas opiniões mas que JM se posiciona muito bem, aparecendo praticamente no campo todo, e que faz a bola correr com muita fluidez (para além de raramente a perder), não há dúvidas. Contra o Spartak tivemos um meio campo muito dinâmico, com Weigel também a subir bastante de rendimento face às exibições apagadas do passado.

Em relação a Meité, há mais dúvidas na medida em que é um jogador que apesar da sua inegável qualidade nunca se afirmou plenamente. Yaremchuk é uma aposta mais segura na medida em que é um jogador de selecção, com golo, que já demonstrou elevado rendimento em diferentes contextos. Agora claro que chega para uma posição para a qual não havia aparentemente necessidade de contratar dado que temos já Seferovic, Vinícius, Darwin, Ramos, Rodrigo Pinho e Waldschmidt. 

Face a estas reticências, porque digo que as contratações foram boas?

Em primeiro lugar porque acho que vêm dar ao plantel algo que estava em défice: dimensão física. Aqui não tanto por João Mário, que é de constituição normal, mas pelos outros dois: Meité - 1,87m e um porte poderoso, Yaremchuk - 1,91 e também possante. Acho que isto faltava no Benfica. Weigel é um jogador dinâmico mas fisicamente não se impõe. No ataque Seferovic tem até certo ponto essas características mas não é tão forte como Yaremchuk. Já Darwin é um jogador mais esguio. Tem muita velocidade mas não é necessariamente um jogador de choque. Ora o Benfica tinha - e tem - certamente muito talento mas faltava capacidade de choque, faltavam jogadores capazes de se impor fisicamente e portanto também de incutir respeito nos adversários (aspecto muito importante num jogo de futebol, que por vezes é subestimado). 

Em segundo lugar e mais importante que tudo, porque são bons jogadores e encaixam bem no sistema de jogo do Benfica. Eu acreditei muito em Gabriel mas atendendo a que o treinador não aposta nele faltavam claramente soluções no meio campo que agora passam a existir. Principalmente quando jogamos com um meio campo a dois são precisos jogadores inteligentes e com capacidade de jogar em todo o terreno, características que Taarabt (titular praticamente toda a época passada) não tem - nem Pizzi. 

Na frente, apesar de termos muitos avançados muitas vezes faltava quem colocasse a bola dentro da baliza (Seferovic é um jogador de grande qualidade mas não é bem o finalizador nato que este futebol do Benfica pede). Mais uma vez eu pensava que existia uma solução já no plantel (Vinícius) mas os responsáveis não acreditam nele pelo que a contratação de Yaremchuk faz sentido sob esse ponto de vista.

Dito isto, Rui Costa tem ainda muito trabalho pela frente em termos de acertos no plantel. É impensável ficarmos com 5 pontas de lança e com Gabriel, Florentino, Gedson e Taarabt no banco ou na bancada (e há ainda Paulo Bernardo...). E note-se que não estou a incluir aqui Meité neste lote, embora ele tenha começado a época no banco, pois acredito que entre ele e Weigel possa haver alguma rotatividade, nem Chiquinho (que é dado como de saída) nem Samaris (que já nem está oficialmente no plantel. Há centro campistas e pontas de lança a mais e isso também não é bom, pois os jogadores de qualidade que não têm suficientes minutos de jogo começam a ficar insatisfeitos e a criar um mau ambiente, mesmo que sejam bons profissionais. Um ou outro ainda é gerível, mas tantos não é possível. 

De resto acho que o plantel tem qualidade suficiente para podermos competir ao nível esperado em todas as provas. Com algumas saídas nas posições que identifiquei penso que ficamos bem servidos em todas as posições. 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

As causas da crise do Benfica - II

 Má política de contratações. Os interesses do Benfica não são o critério a que elas obedecem. O Benfica contrata mal (e ultimamente caro). Só o negócio importa. O scouting é fraquíssimo e não existe uma análise do perfil do jogador ou das necessidades da equipa.


Já falei da lógica empresarial com que Vieira conduziu o Benfica durante vários anos. Mas pelo menos no passado havia prospecção. Por exemplo, a Simão seguiu-se Di Maria e a este Gaitan. Os jogadores eram contratados tendo em vista os interesses do clube. A primeira equipa de Jorge Jesus era um equilíbrio de força e talento. No eixo central havia Luisão, David Luiz, Javi Garcia e Aimar, nas alas um extremo puro (Di Maria) e um jogador de equilíbrios e pulmão (Ramirez) e na frente Saviola e Cardozo. Os laterais eram Maxi e Coentrão. Além da qualidade, estes jogadores tinham poder físico e mentalidade. Eram todos muito competitivos. (No ano seguinte saíram vários destes jogadores - e estivemos três anos sem ganhar.)

 Mas a lógica de entreposto e a sobreposição dos interesses dos empresários aos do Benfica levaram ao descalabro. Quando Pedrinho foi contratado isso não obedeceu a qualquer necessidade do plantel. Escrevi-o na altura, não o digo apenas agora. 

https://justicabenfiquista.blogspot.com/2020/03/o-estranho-negocio-pedrinho.html

Este negócio até levou um olheiro a demitir-se. Mas claro que os yes man, os situacionistas, vieram logo dizer que eu estava errado, que não havia problema nenhum (ver caixa de comentários desse post).

Plantel desequilibrado e sem capacidade competitiva.

Os jogadores são contratados sem critério, a não ser a oportunidade de negócio (e mesmo aí resta saber se para o Benfica, se para os intermediários). O perfil dos atletas (físico e psicológico) não é minimamente tido em conta. É por isso que temos um plantel sem dimensão física e com pouco espírito combativo

Numa equipa de "animais competitivos", Weigl pode ser o trinco. Numa equipa como a nossa, é a receita para o desastre que acontece desde que o alemão entrou na equipa. O problema não é o tamanho dos jogadores. A questão é a sua capacidade de ganhar duelos, sprints e divididas. E nesse capítulo o Benfica tem um plantel altamente deficitário: Pizzi, Grimaldo, Cebolinha, Weigl, Pedrinho são os casos mais gritantes, mas mesmo na defesa não temos "bichos" como Rúben Dias. Não há no Benfica nem "carregadores de pianos", nem "tanques", nem tão pouco, com excepção de Rafa, jogadores explosivos. Somos uma equipa de pesos plumas

 

E um último aspecto: mentalmente o plantel é débil. Darwin parece um jogador com boas condições físicas e técnicas mas psicologicamente não tem tido a capacidade (e se calhar o apoio) para triunfar. E como ele, outros. 

 

 

 

Pecados de JJ

Quando uma equipa joga tao mal como o Benfica o treinador está sempre em causa. Quando esse treinador ganha milhões e tem à sua disposição um plantel que, apesar das limitações, tem tantas opções de qualidade, o seu fracasso é evidente. O Benfica não defende bem, é previsível no ataque, não marca um golo de canto, não tem uma ideia de jogo. Os jogadores não parecem saber o que fazer em campo. As substituições por norma pioram a equipa. 

Numa equipa com défice de combatividade e intensidade no meio campo, com falta de homens de barba rija, é absolutamente incompreensível que Gabriel não seja titular e que Samaris praticamente nunca tenha jogado. A titularidade indiscutível de Taarabt é outro mistério. Apesar de algumas características positivas, o marroquino falha demasiado e desequilibra a equipa. 

É inacreditável que Vinicius tenha saído. É inexplicável que Cervi tenha sido marginalizado no início e que mesmo agora jogue pouco. É incrível que se tenha colocado todo o foco na contratação de um central quando havia lacunas bem maiores no plantel.

O discurso de JJ também não faz sentido. Tanto promete arrasar, como diz que não tem tempo para treinar. Tanto diz que está habituado ao covid no Brasil como que o covid arrasou a equipa. Tanto diz que a partir de agora é que é, como se continua a desculpar com o covid. Tanto diz para os jogadores se levantarem porque não levaram com um pau, como pede carinho para os mesmos. As suas conferências de imprensa aos gritos não se admitem. 

JJ não tem neste momento estabilidade emocional para comandar a equipa e não parece ter a força mental para dar a volta à situação. Isto é um déjà vu dos três anos em que nada ganhou no Benfica e do segundo ano no Sporting. 

Arbitragens 

Já escrevi sobre isto. É um absoluto escândalo que o Benfica não tenha nenhum penalti ao cabo de quase dois terços do campeonato. Apesar de todas as falhas apontadas acima, com arbitragens normais talvez estívessemos noutra posição. 


Nota final: ao rever alguns dos posts que escrevi ao longo dos últimos meses constatei que tive razão nos alertas que fui fazendo. Também é patente pelos comentários que existem adeptos realistas, cuja visita frequente ao blog muito agradeço, que estavam a ver a mesma coisa e que contribuíram para uma análise correcta do que estava a acontecer. Outros porém preferiram meter a cabeça na areia e enveredar pelo seguidismo acrítico de tudo o que a direcção diz e faz. O tempo provou que estavam completamente errados. 

Isto suscita-me uma última questão: se nós, simples adeptos, conseguimos fazer diagnósticos correctos e apontar lacunas (e soluções) como é que a direcção que se dedica (ou devia dedicar) a tempo inteiro ao Benfica e é paga para tal, não o consegue?


Ver também a parte I deste post: https://justicabenfiquista.blogspot.com/2021/02/as-causas-da-crise-do-benfica.html


 

Entrevista de Vieira - duro ataque à Liga e arbitragem

 

  Luis Filipe Vieira terá este Domingo uma entrevista difícil, porque o que está a acontecer é inexplicável.



Há aqui quatro "escolas" de pensamento: 

  • os que acham que Luis Filipe Vieira não tem culpa nenhuma, que deu todas as condições para JJ triunfar e que a responsabilidade pelos maus resultados é toda deste;
  • os que consideram que LFV não deu a JJ as condições que lhe prometeu (nomeadamente Cavani, um trinco e Lucas Veríssimo mais cedo) e que como tal Jesus é mais vítima do que culpado;
  • os que consideram que ambos são culpados;
  • os que consideram que nenhum é culpado e que a culpa é do covid e dos árbitros (e talvez do azar).

Eu penso que a maioria dos benfiquistas acha que ambos são culpados; que há uma minoria (ainda muito considerável) de adeptos e sócios que continua a defender Vieira (que depois se subdivide entre os que acham que Jesus é que tem a culpa toda e os que acham que é o covid e os árbitros); e finalmente os "adeptos" de Jesus, que o defendem apesar de tudo e que são já uma minoria já muito pequena, embora bem representada na comunicação social (afinal Lage tinha uma certa razão quando disse que alguns jornalistas escreviam em função dos almoços que lhes pagavam).

Por isso ou Vieira assumia as responsabilidades e colocava o lugar à disposição, manifestando-se pronto para convocar eleições assim que as condições o permitissem (cenário, convenhamos, nada provável) ou teria que disparar em alguma direcção.

É isto que vai fazer. E vai disparar muito em particular para a arbitragem e a Liga.

Claro que a arbitragem tem sido miserável e tem prejudicado brutalmente o Benfica. A questão é: porque é que só agora (que já é demasiado tarde) se vai finalmente falar disso?

A minha resposta é simples: porque agora é a própria sobrevivência política de Vieira que está em jogo. Esse é sempre o seu critério de decisão: foi por isso que investiu em ano de eleições apesar da pandemia, foi por isso que foi buscar JJ.

Os seguidistas ficarão contentes e acharão que tudo fica resolvido. Para o ano as coisas serão diferentes e voltaremos a ganhar, dirão. É uma perspectiva. Mas ilusória. Os problemas manter-se-ão lá todos. 

Agora, este discurso é capaz de criar um certo alívio da pressão sobre a equipa e talvez possa (num cenário optimista) mobilizá-la no sentido de alcançar os poucos objectivos ainda possíveis. Veremos. Espero que sim, naturalmente. Mas não deixa de ser uma análise simplista e desresponsabilizadora que não vai resolver os problemas estruturais do Benfica, que começam com o próprio LFV, as suas más decisões e a sua liderança desgastada por inúmeros casos judiciais.
 

Parabéns ao Benfica pelos seus 117 anos de vida!






 Nota: a violência e as ameaças de morte são completamente inaceitáveis. Ninguém merece isso. Repudio totalmente todos esses comportamentos anti-desportistas e anti-benfiquistas. Uma coisa é contestar, com faixas, com mensagens, com buzinões, abaixo-assinados ou qualquer outra forma legítima de protesto. Outra coisa é entrar por caminhos de violência e criminalidade. São duas coisas que não se cruzam. Pelo contrário, são até incompatíveis. Quem se envolve nisso deve ser punido.


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Onze finais europeias perdidas

 É inacreditável.


O Benfica pura e simplesmente perde todas as finais europeias em que se vê envolvido. 

Béla Guttmann tinha aparentemente razão e a sua previsão sombria (que muitos consideram uma maldição) já nem se limita aos séniores: agora até as Youth Leagues de júniores estão incluídas.

Para quem não sabe, ou não se lembra, o ex-treinador húngaro do Benfica, bicampeão europeu (1961 e 1962), saiu em litígio com a direcção e terá dito algo como: "nem daqui a 100 anos voltam a ser campeões europeus" ou "sem mim, nem daqui a 100 anos o Benfica conquistará uma Taça continental".  

É absolutamente inacreditável. São 11 (onze) as finais perdidas! Seguidas!!!

O Benfica ganhou uma Taça Latina (1950) e as duas Taças dos Campeões referidas e desde então perdeu TODAS as finais em que se viu envolvido. Oito em séniores e agora três em júniores. Seja por uma razão, seja por outra, o desfecho é sempre o mesmo. Praticamente nem vale a pena ver os jogos.

Ontem foi mais um exemplo. O Benfica marca um auto-golo, falha um penalty e acaba o jogo a atirar bolas à barra, com o Real Madrid completamente remetido à sua defesa e a perder tempo. 

Nas finais europeias do Benfica a lei de Murphy tem 100% de taxa de aplicação. Já perdemos por todas as razões imaginárias. Perdemos por pouca sorte, por arbitragens miseráveis, com golos nos últimos segundos... 

No Benfica as finais são para se perder.


A culpa é de Gutman? A verdade é que explicações individuais para cada uma das derrotas ou falar simplesmente em "coincidências" neste momento já não é convincente. 

O Porto ontem fez uma publicação provocadora que recordava a sua vitória na Youth League (na única final em que participou). Mas olhemos para o historial do Porto na Europa: 5 finais europeias ... 4 vitórias. Se contabilizarmos a Youth League são 5 em 6. Contra factos não há argumentos. O Porto vai às finais para ganhar, o Benfica vai para perder.


Será psicológico? Algo mais?

Em termos práticos, só vale a pena concentrarmo-nos no que podemos controlar. 

E isso é simplesmente a nossa atitude e comportamento. Penso que o Benfica não está a perder finais por falta de empenho, vontade de vencer ou sequer falta de qualidade. Muito pelo contrário. 

Não se pode falar nunca de vontade em excesso mas pode-se falar de ansiedade, de uma carga emocional exagerada, um certo dramatismo na forma como estas competições são encaradas. 

Ainda ontem Hélder Conduto passou o jogo a dizer coisas como "acredita Benfica". 

Encaram-se estes jogos como se fossem algo de transcendente, algo de sobrenatural. Parece que atraímos já a má sorte e o desfecho negativo com a ansiedade que projectamos. E depois as coisas acontecem mesmo: os penalties não assinalados pelo árbitro (e os falhados pelos nossos jogadores), os golos nas primeiras ou únicas oportunidades dos adversários, os golos nos últimos minutos... É um pouco como nos jogos contra o Porto. Parece que entramos já a perder.


Enfim, tudo isto são reflexões que não se pretendem de carácter científico. Muito menos estou a crucificar atletas (ainda ontem os rapazes tudo tentaram - faltou mais uma vez a tal "sorte"). Estas reflexões são apenas uma tentativa de racionalização de algo que é de facto inexplicável e sem comparação no mundo do futebol.


PS - Temos ainda o case study do Sevilha: 6 finais da Liga Europa, 6 vitórias. Será também coincidência?

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Lista de dispensas

Todas as atenções estão concentradas na possibilidade da vinda de Cavani (e na confirmação de Vertonghen), agora que a contratação de Cebolinha já está assegurada. 
São três jogadores de uma categoria superlativa, que não tem passado pelo Benfica nos últimos anos. (Há ainda Waldschmidt que não conheço.)

O Benfica tinha no seu plantel alguns jogadores de qualidade - já lá vou - mas craques desta dimensão não. Cebolinha é o que vi menos mas o facto de ser um jogador de selecção brasileira diz muito.
A confirmarem-se as notícias, as contratações de Vertonghen e Cavani dariam uma outra dimensão ao Benfica, uma outra capacidade de competir a nível europeu. E, claro, uma obrigação de ganhar tudo a nível nacional.

As contratações melhorarão muito um plantel no qual há já qualidade: Odysseas, Grimaldo, Rúben Dias, Florentino, Gabriel, Pizzi, Rafa e Vinícius são jogadores que poderiam facilmente fazer parte dos plantéis de grandes clubes europeus sem envergonhar. E depois há ainda o caso de Weigel que alguns insistem que é um grande jogador mas que até ao momento não mostrou nada. Mas claro que tenho consciência que jogou num clube e num campeonato altamente competitivos pelo que alguma qualidade terá.

Tem faltado ao Benfica agressividade defensiva e acutilância ofensiva. A confirmarem-se as contratações, as coisas vão mudar para melhor. Vertonghen é um defesa com os níveis certos de agressividade e assertividade e Cebolinha é um jogador que assume o jogo ofensivo e avança sobre os adversários. Sobre Cavani nem vale a pena falar.

Vamos então às dispensas.

A seguinte lista é um misto do que eu acho e do que penso que JJ decidirá:

Zlobin
Tomás Tavares (emprestado)
Jardel
Fejsa
Taarabt
Chiquinho
Zivkovic
Dyego Sousa
Ferreyra (que regressou do empréstimo)
Seferovic

Estou quase seguro de que a grande maioria destes sairá mesmo. E não posso dizer que não concorde, apesar de reconhecer que alguns deles são jogadores interessantes e/ou que deram o seu melhor ao clube. Simplesmente acho que o seu rendimento não está ao nível de um Benfica. No caso de Fejsa e Jardel o caso é diferente: com a idade e historial de lesões simplesmente chegaram ao fim do seu ciclo no clube. A minha maior dúvida é Seferovic porque apesar de tudo é um jogador agressivo, com características interessantes de velocidade, poder físico e capacidade de choque. 

Numa segunda linha, temos outros jogadores que estarão na "corda bamba", sobretudo por a concorrência dos ser muito forte, casos de Cervi, Jota (empréstimo) e Samaris. São jogadores de que gosto e que têm qualidade mas que nas actuais circunstâncias não terão grandes hipóteses de jogar. No caso de Samaris, só com a saída de Weigel ou Gabriel (em que não acredito) faria sentido continuar, até porque, segundo a imprensa, JJ gosta de Florentino e aposta no jogador. 



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Benfica - 10 Nacional - 0: Futebol Total

Não há falta de adjectivos na língua portuguesa mas, nestas 24 horas que se seguiram ao Benfica-Nacional, a maioria deles já foi utilizada para classificar o jogo. Aliás, o resultado e a exibição tão avassaladora do Benfica ontem por si só expressam, melhor do que as palavras o podem fazer, o que aconteceu. Deixam um testemunho para a história que tão cedo não será esquecido.

Porque goleadas e exibições destas - é preciso termos a perfeita consciência disso - acontecem uma vez em décadas. A última assim acontecera há 55 anos. Claro que o Benfica terá outras tardes e noites de glória muito antes disso (esperemos mesmo que ainda esta época). No entanto um resultado desta ordem (como se costuma dizer, "já não se usam" números destes) aliado a uma exibição que esteve muito perto da perfeição, é algo que não acontecerá tão cedo. 

E é bom ter noção disso para nos prepararmos para as muitas dificuldades que seguramente surgirão daqui até ao final da época, para tardes e noites em que as coisas não correrão tão bem, tão fluidamente, em que parecerá que "estava escrito" que não iríamos ganhar, e nas quais os jogadores terão que lá ir pela determinação, combatividade, garra e raça. Porque isso é o Benfica. 

Mas claro que este dia (e apenas este, porque amanhã começa já outra história) foi de festa.

Há um mérito inegável de Bruno Lage - mas também de Luis Filipe Vieira - no que ontem aconteceu. Vieira tem apostado na formação (será talvez a única opção viável para os clubes portugueses, atendendo a que a nossa economia está muito distante das grandes Ligas) e os resultados são evidentes.

Rúben Dias, João Félix e o próprio Gedson, que tem tido menos oportunidades neste momento, são já certezas. São jogadores de qualidade indiscutível que já mostraram ser capazes de jogar a este nível. Veremos o que acontece com Ferro (que para já tem dado indicações muito positivas), Florentino (uma excelente entrada no jogo, mas sabemos que provavelmente será preciso tempo para amadurecer) e Jota. Este último é a maior promessa e a maior certeza a nível de talento. Pode vir a ser uma pedra preciosa. Mas vamos ver.

Mas claro que o mérito de quem os coloca a jogar - e como - é do treinador. Lage nesse aspecto tem feito as coisas bem. Com tranquilidade mas dando confiança aos jogadores.

O seu mérito vai, claro, além disso. A forma como a equipa se posiciona, pressiona e lança os seus ataques (as tais "transições") é algo que dá verdadeiramente gosto ver. Há muito talento, mas Lage está a potenciá-lo de uma forma que não víamos há muitos anos (se é qua alguma vez vimos). 

Da exibição de ontem, que não vale a pena adjectivar, tão avassaladora e eloquente ela foi, gostaria de destacar Pizzi. Faço-o não apenas por ontem mas pelos últimos jogos - e por últimos entendo aqui uma quantidade bem grande. Pizzi é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores jogadores do Benfica e de Portugal. É absolutamente inacreditável que alguns adeptos ainda tenham a completa falta de noção de o criticar. Claro que falha alguns passes (especialmente porque arrisca sempre lançar passes de rotura) e claro que tem exibições por vezes menos conseguidas, especialmente quando fatigado. Como todos os jogadores aliás. Mas quando está bem (que é quase sempre) Pizzi é um jogador que faz o Benfica jogar. Mesmo à direita, é o motor e a casa das máquinas do futebol ofensivo da equipa. Os seus números (golos, assistências, envolvimento em jogadas de golo) são absolutamente assombroso. E ontem foi, claro está, uma noite memorável neste particular. 

10 a zero. Uma noite (mais) para a gloriosa história do Benfica.
















sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Vitória será sempre o treinador do Tetra

Rui Vitória saiu do Benfica, como já há algum tempo me parecia inevitável.

A época até começou bem, com a qualificação para a Champions, depois de apanhar dois dos adversários mais difíceis que nos podiam ter calhado, e uma vitória sobre o Porto na Luz, algo que infelizmente tem sido raro nos últimos anos (e que o agora ex-treinador do Benfica não alcançara até então).

No entanto desde aí que as coisas - inexplicavelmente - descarrilaram por completo. Quando se esperava que a vitória sobre o Porto motivasse a equipa e a levasse a arrancar para a tão propalada "reconquista", foi o contrário que aconteceu, com derrotas desapontantes e exibições confrangedoras. 

Terá sido talvez uma consequência de uma preparação que programou um pico de forma para Agosto, sofrendo em Outubro/Novembro uma quebra física acentuada. A saída de Luizão, pendurando as botas com a época em andamento, algo que não me lembro de alguma vez ver e que nunca chegou a ser explicado, também terá tido um efeito psicológico naquele balneário. A coincidência da sua saída com o início dos maus resultados é um facto.

Seja como for, mais e melhor se exigia com um plantel destes. Contratações que não jogavam, apesar do seu elevado custo, são outra das componentes da má gestão que caracterizou os últimos tempos de Vitória na Luz. 

Não vou insistir muito no ponto, mas já tornei aqui claro e repito que o 4-3-3 nada trouxe de bom e que desde então perdemos muita da nossa capacidade atacante - com poucos ou nenhuns benefícios em termos de solidez defensiva e controle de jogo.

Nas últimas semanas o nível exibicional do Benfica foi de uma pobreza inaceitável e Rui Vitória, como eu escrevi há cerca de duas semanas, já não dava sinais de ser capaz de inverter as coisas. O 4º lugar que ocupamos reflecte este cenário, apesar de ser bom recordar que os árbitros e o VAR têm protegido muito o Porto.

Mas se é justo e factual reconhecer que Vitória chegou ao fim do seu ciclo no Benfica - o seu modelo e a sua liderança estavam esgotados - isso não pode apagar os seus méritos e o seu lugar na história do Benfica.

Rui Vitória é um dos treinadores portugueses com melhor registo no nosso grande clube, tendo alcançado um bicampeonato nos seus dois primeiros anos, assim completando o tão desejado tetra. O próprio penta esteve próximo de ser alcançado e não fora um desinvestimento no plantel (opção estratégica errada a meu ver, imputável sobretudo ao presidente) podíamos mesmo ter consumado essa aspiração. Faltou um jogo na Luz, uma vitória ou até mesmo empate com o Porto e o penta teria sido uma realidade. Mas, com Jonas lesionado, não tivemos opções de qualidade suficiente para contrariar a pouca sorte que nos calhou nessa tarde em que o penta se esfumou.

Para além de dois campeonatos, Vitória conquistou uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças, tendo ainda alcançado uns quartos de final da Champions. Um registo notável que fica manchado - é um facto - pela pior participação de sempre na Liga dos Campeões, com zero pontos e derrotas humilhantes, facto que, mais uma vez, se deve a meu ver em larga medida a opções erradas por parte da direcção, que deixaram o plantel demasiado depauperado para um nível de exigência europeu.

Contas feitas, Vitória conquista 6 títulos na Luz e um inédito tetra. Merecia sair de outra forma. Penso que ter aceite a suposta proposta das arábias após o 6-2 ao Braga teria sido (caso aquela proposta tenha de facto sido real) a decisão certa. No entanto quando o tempo passar e a poeira assentar os benfiquistas não deixarão de lhe reconhecer o seu lugar na história do clube e os méritos das suas conquistas.

É tempo de vir o próximo, tema para um outro post.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Assembleias gerais

Ponto prévio: não escrevo a reboque de Rui Gomes da Silva, que toca neste tema na sua crónica no blog Geração Benfica. Desde ontem que eu tencionava escrever este post que acaba por coincidir, em algumas coisas, com a linha de pensamento de RGS.

No Sporting a oposição a Bruno de Carvalho procura fazer uma Assembleia Geral de destituição, ao passo que aquele, recusando essa assembleia, marca outras duas (embora essa não seja uma competência sua) nas quais pretende por um lado mudar os estatutos e por outro ter novas eleições ... para a mesa da Assembleia Geral e para o Conselho Fiscal. Ou seja, cada uma das partes neste diferendo quer usar (ou instrumentalizar) a Assembleia Geral - que é o órgão de representação dos sócios por excelência  - para prosseguir a sua própria agenda.

No Benfica felizmente não temos este triste espectáculo de um clube dividido até ao tutano, a ser diariamente enxovalhado na praça pública pelo seu próprio presidente. Tivemos um cenário parecido, como todos sabem, mas felizmente já há muitos anos. Mas se não há comparação possível entre as situações, há no entanto algo para que a situação do Sporting nos chama a atenção e que merece reflexão por parte dos benfiquistas.

Esta noite haverá uma Assembleia Geral no Benfica. É a primeira após o término da época e a primeira que eu me lembre em muito tempo. No entanto na ordem dos trabalhos estará apenas a discussão do orçamento e plano de atividades. Ora será que isto faz sentido? Será que, face a tudo o que aconteceu e está ainda a acontecer, não deverá ser esta uma oportunidade de abordar a situação no clube? Não deveriam ser analisados e discutidos os resultados no futebol, nas modalidades (onde nos arriscamos a não ganhar um único título - o futsal é a derradeira oportunidade) e os inúmeros casos judiciais em que o Benfica tem estado envolvido?

As assembleias gerais não podem ser apenas momentos burocráticos para carimbar e legitimar tudo o que a direção faz. Elas têm que ser o momento de dar aos sócios razões do que se faz e explicações para o que não corre bem. Os clubes pertencem aos sócios e as assembleias gerais servem precisamente para convocar e exercer esse poder das bases. Nessa medida as direções têm que prestar contas aos sócios e não podem pretender que as AG's sejam meras formalidades para expedientes estatutários sem substância. A agenda da presente reunião da AG denota esse espírito burocrático e uma tentativa de esvaziar a reunião da discussão dos temas mais prementes. 

A direção tem que perceber que está lá para servir o Benfica e os benfiquistas e não o contrário. Que o exercício do poder executivo por parte da direção representa uma honra para quem lá está e não um favor que se faz aos benfiquistas. Dito isto gostava que esta noite fosse feito um debate sério sobre o presente momento do clube e que a direção explicasse aos sócios o que se está a passar: péssimos resultados no futebol e nas modalidades, casos judiciais a envolver o clube e alguns negócios mal explicados, como os empréstimos de Jiménez e Talisca. 

É uma oportunidade única para, dentro de casa, esclarecer aqueles que com o seu dinheiro e dedicação sustentam toda a estrutura do clube, a começar pelos seus dirigentes. 

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Reforços do Benfica até ao momento

O Benfica contratou até ao momento sete jogadores: Vlachodimos, Ebuehi, Conti, Chiquinho, João Amaral, Castillo e Facundo Ferreyra. Destes apenas me parecem seguros no plantel principal (pois sabemos que o Benfica contrata também jogadores para rodarem noutros clubes ou apenas para revender) os três sul americanos (o avançado chileno Castillo e os argentinos Conti, central, e Facundo Ferreyrae, ponta de lança), e o guarda-redes grego-germânico Odisseas Vlachodimos. Dos restantes jogadores Ebuehi é um lateral com 22 anos muito promissor, que é o que, a seguir aos referidos, mais hipóteses me parece de permanecer no plantel principal, João Amaral é um extremo que vem do Vitória de Setúbal e Chiquinho um jovem médio que chega vindo da Académica.

Outros nomes de que se fala são Cristian Lema, também argentino e também central (o jogador não renovou com o seu clube mas há mais interessados além do Benfica), e Guilavogui, um credenciado médio francês que actua no Wolfsburgo. De acordo com "A Bola", o clube alemão terá aceitado negociar o jogador. Finalmente há ainda o caso de Mato Milos, lateral direito contratado o ano passado e entretanto emprestado ao Légia por um período que terminou agora, podendo o jogador ingressar no plantel se essa for a intenção da SAD. 

Entre os já assegurados e os possíveis reforços há bastante qualidade. Nota-se também critério e planificação: claramente o Benfica está a preencher com jogadores com algumas provas dadas ou bastante potencial as lacunas mais do que evidentes no plantel da época agora terminada. Veremos até que ponto são de facto soluções porque, como assinalou um visitante deste blog há dias, nunca há garantias de que os jogadores rendem, mesmo quando têm qualidade, porque isso depende de muitas variáveis. O que se pode fazer é planificar e contratar jogadores com qualidade reconhecida, e isso parece estar a ser feito. Ficarão a faltar na minha opinião opções válidas para o meio campo. Não sabemos quando e em que condições Krovinovic regressará, sendo essencial também mais um jogador para o lugar de Pizzi.

Há ainda muito por definir mas para já os sinais são positivos. Ferreyra é um jogador que pode render muito no Benfica se as coisas correrem como esperado. A sua vinda e a de Castillo indica que Jimenez ou Seferovic ou até os dois poderão sair.

Face a tudo isto e como assinalei no anterior post, há que rapidamente esclarecer todas as questões relativas a processos judiciais e suspeitas que pairam sobre o clube de modo à equipa poder trabalhar com tranquilidade e estabilidade com o mínimo possível de ruído e interferências externas. 


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Benfica-Porto - as derrotas têm causas

Já escrevi sobre a enorme desilusão que este jogo foi e também sobre a tendência - que não é de hoje - de perder com o Porto. O Benfica neste momento ganha um jogo ao Porto em cada 10 disputados. Se não acreditam vejam por vocês mesmos:

Do site zerozero.com.
Olhando para os últimos 40 jogos a estatística "melhora" um bocadinho, indicando que ganhamos um jogo a cada quatro, mas se nos limitarmos ao campeonato ela volta a piorar: 7 vitórias em 20 épocas e 40 jogos.

Mas se é verdade que há realidades que estão para lá de cada jogo particular e que se verificam nas tendências a longo prazo, claro que cada jogo tem a sua história e merece a sua análise própria.

Nesse particular destaco as seguintes ideias:


  • os sinais pré-jogo não foram bons. Jonas nem no banco estava, ao passo que Marega seria titular. A lesão (que ainda não percebi) do melhor e mais decisivo jogador do Benfica veio na pior altura possível. Marega não sendo um jogador da classe de Jonas, é o mais decisivo do Porto (as duas derrotas que esta equipa sofreu e nos permitiram chegar à liderança aconteceram quando o maliano esteve lesionado).
  • o jogo foi pobre, com muitas cautelas por parte de ambas as equipas e poucas oportunidades de golo. 
  • a primeira parte foi do Benfica, perante um Porto expectante e a melhor oportunidade pertenceu-nos. Era lance para golo mas Pizzi não conseguiu rematar bem. Rafa desequilibrou e foi parado em falta demasiadas vezes, perante alguma permissividade de Artur Soares Dias. No entanto, apesar de mais encolhido, o Porto tinha capacidade de criar perigo nas saídas, graças à técnica de Brahimi e à capacidade física dos seus avançados. Soares e Marega visaram a nossa baliza com perigo.
  • na segunda parte o Porto subiu linhas e o Benfica recuou, parecendo receoso ou fisicamente mais desgastado. O Porto teve mais posse de bola e começou a criar perigo perante a nossa completa inoperância na frente. Varela salvou uma bola de golo quando Marega lhe apareceu isolado pela frente e Brahimi quase fez golo num remate em arco ao segundo poste. O Benfica não criou nenhuma ocasião nem fez qualquer remate à baliza nesta fase.
  • as substituições pioraram a nossa equipa: a saída de Rafa foi fatal, porque o pequeno extremo era o único que desequilibrava e a entrada de Samaris tornou-nos ainda mais defensivos. Seferovic entrou mas nada acrescentou.
  • o golo surgiu ao cair do pano praticamente inviabilizando qualquer reação. Claro que o empate se aceitaria, mas a vitória calhou à equipa que mais a procurou, pelo que não se pode falar em injustiça. O Benfica colocou-se a jeito para o que aconteceu.


Uma nota final para dizer o seguinte: ao contrário do que se tem dito, os plantéis de Benfica e Porto são bastante equivalentes. A ilusão de que teríamos muito melhor plantel deve-se ao facto do Porto não ter feito contratações esta época. No entanto, ao contrário do Benfica, também não vendeu e ainda recuperou jogadores "proscritos" como Aboubakar, Marega e Ricardo. Os laterais do Porto são melhores do que os do Benfica e os centrais são equivalentes. Brahimi foi sempre um quebra cabeças para a nossa equipa, ao passo que os dois avançados nos colocaram sempre muitos problemas. Com Pizzi a praticamente não acertar uma, Zivko e Cervi pouco inspirados e Jimenez muito só na frente, apenas Rafa a desequilibrar é pouco, não chega para este nível de exigência. Mas para perceber a questão dos plantéis, olhe-se para os bancos:


PS - não nos podemos desculpar com o árbitro. ASD podia e devia ter sido mais firme na primeira parte a penalizar o constante jogo faltoso do Porto. No entanto nos dois principais lances de que alguns se queixam, o árbitro decidiu bem. No lance da possível expulsão de Sérgio Oliveira a falta é de Filipe Vale Tudo. Quando Sérgio mete o braço já Rafa foi parado ilegalmente pelo brasileiro (que devia ter levado cartão - mas que seria o primeiro e portanto também não daria expulsão). No lance do possível penalty, não me parece haver falta. Há um contacto normal, do qual resulta a queda do nosso jogador mas não há agarrão, empurrão ou rasteira. Seria demasiado forçado marcar penalty num lance daqueles. Soares Dias já nos prejudicou muitas vezes e assinalei-o neste blog com toda a veemência mas neste caso não pode servir de desculpa para não termos feito o que devíamos que era ganhar o jogo. O Benfica simplesmente não foi competente.

sábado, 3 de março de 2018

Exibição de gala

Cinco bolas na baliza do Marítimo, três delas obras primas: duas pela execução individual, outra pela jogada colectiva.
Mais uma enorme exibição do Benfica, com momentos de um futebol absolutamente brilhante, de domínio completo do jogo. Quem viu a partida, do princípio ao fim, sabe que isto é verdade, apesar de uns primeiros 15 a 20 minutos nos quais o Benfica enfrentou dificuldades, em virtude de uma pressão alta do Marítimo.
Mas quando o primeiro golo surgiu, numa insistência de André Almeida que Jonas finalizou, num remate de primeira, seco e colocado ao primeiro poste, percebeu-se que o Benfica tinha feito o mais complicado e que a vitória dificilmente nos fugiria.
A partir de então a equipa encontrou-se e começou a jogar o futebol que classifiquei de brilhante, pela dinâmica, pelas combinações, pela posse de bola em progressão e sempre com inteligência, pelo controlo de jogo e pela qualidade de execução.
Os golos foram por isso surgindo com alguma naturalidade.
Não há grande necessidade de fazer destaques individuais, porque praticamente todos os jogadores estiveram a um nível altíssimo. Mas quando Jonas marca três golos, o segundo dos quais numa obra prima futebolística só ao alcance de um jogador superlativo, de classe mundial, não é possível deixar de o mencionar individualmente. Tal como Zivkovic - não apenas pelo golo de bandeira, como pela assistência para Grimaldo e a enorme qualidade e dinâmica que deu ao nosso futebol. Zivko entrou nesta equipa e assentou nela como uma luva. Foi o segundo melhor em campo.
Foram 52.800 na Luz, numa tarde de muita chuva, os benfiquistas que assistiram a mais esta grande exibição. Para a semana, ao mesmo dia e à mesma hora, com ou sem chuva, lá estaremos novamente. O adversário será o Aves.
O Penta continua vivo.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O lema é sempre o mesmo: ganhar

O título diz (quase) tudo, mas face ao atraso pontual do Benfica e ao calendário do que resta jogar, o Benfica terá mesmo que vencer todos os jogos contra adversários "terceiros" (ou seja os que não são candidatos ao título). Depois os derbies e clássicos definirão quem será o campeão. Perder pontos até lá é porém a morte do artista.
Na passada segunda-feira pensámos que esse momento poderia ter chegado, mas o empate do Porto ainda permite continuar a sonhar. Não há porém margem para mais nenhum deslize. Nem um.
Não interessa por isso se os jogos são "fáceis" ou "difíceis" no papel. Com o plantel que tem, o Benfica tem obrigação de os vencer ou pelo menos fazer tudo ao seu alcance para tal. Isso implica entrar bem nas partidas e não dar 45 minutos de "avanço" ao adversário, como de algum modo aconteceu no Restelo.
É verdade que não estamos obrigados a marcar nos primeiros 15 minutos e que o jogo tem 90 mais descontos, mas nesta fase, com o fim do campeonato a aproximar-se e as equipas a batalharem cada vez mais pelo pontinho nas contas da manutenção, não podemos deixar o jogo correr como aconteceu na passada segunda-feira. Os níveis de intensidade têm que ser bem mais altos do que os que se viram naquela partida.
Sálvio é um dos jogadores mais desequilibradores, tendo números muito positivos em termos de golos e assistências e dando o que pode pela camisola. Tem por isso qualidade e entrega. No entanto quando começa a perder bola atrás de bola o treinador precisa de lhe fazer um alerta à navegação e, se necessário, substitui-lo pois a cada bola perdida a frustração da equipa aumenta quando as coisas não estão a correr bem.
Em relação ao triângulo do meio campo, espero ver Zivkovic a titular. Não que João Carvalho tenha desperdiçado a sua oportunidade ou não mereça voltar a jogar. Simplesmente Zivkovic é um jogador mais parecido com Krovi, quer na velocidade de condução quer inclusivamente em termos morfológicos, parecendo-me aquilo que a equipa precisa neste momento.
Faltam 4 jogos para o Porto-Sporting, jornada em que dependemos apenas de nós para recuperar pontos. Depois outras 4 para o Benfica-Porto em que o mesmo se aplica. E depois mais 2 para o Sporting-Benfica que pode ser o jogo do título. Até lá é tudo para ganhar.


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Grimaldo no Nápoles na próxima época

O interesse do Nápoles em Grimaldo era já antigo. Sabia-se que estavam em Lisboa enviados do clube italiano e a imprensa ("O Jogo", "Futebol365" e a RTP) noticia hoje que o negócio foi fechado. O lateral esquerdo será jogador no Nápoles a partir da próxima época, com a transferência a ficar em 30 milhões de euros, 4 dos quais serão para o Barcelona.

É um desfecho previsível e, dentro do possível, positivo. O Benfica não tem capacidade financeira para acompanhar os maiores clubes europeus (entre os quais o Nápoles, 1º classificado do campeonato italiano, que vendeu Higuain ainda há não muito tempo por 90 milhões de euros, se inclui) e pelo menos assegura-se que o jogador fica até ao fim da época, algo de absolutamente necessário para manter as aspirações ao Penta.

O Benfica precisará agora de começar já a pensar noutras opções para a lateral esquerda, pois Eliseu está também claramente em final de carreira (e contrato). Certamente que o grande jogo e o golo absolutamente brilhante, "à maradona", de Yuri Ribeiro, nosso jogador emprestado ao Rui Ave não terão passado despercebidos aos nossos técnicos. 



Ainda no âmbito do mercado, "A Bola" noticia (mais uma vez) que Talisca poderá estar de saída para a China por 30 milhões de euros. Esperaremos para ver.


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O que passou-se?

O que se passa? Está-se tudo a passar? Ainda nem metade da época se passou e já três competições são passado?!

A Taça passou-se, a Taça da Liga passou-se e na Liga dos Campeões fomos passados a ferro por um vulgar Basileia. 

Parece que tudo o que poderia correr mal está realmente a passar-se - que passou por ali bruxedo. Temos passado por momentos que nem o mais pessimista anteciparia face ao que se passou nas épocas passadas. Nem nos nossos piores pesadelos futebolísticos algo assim se passaria. Nalguns jogos os nossos atletas parecem não conseguir fazer dois passes seguidos (o que se passará nas suas cabeças?). É de um adepto ficar passado.

Mas atenção: no futebol tudo é passageiro e muita água irá ainda passar debaixo da ponte até que a época acabe. Por vezes há que passar por momentos difíceis, passar, como diz o povo, pelas passas do Algarve, para melhor saborear as vitórias.

Logo após a passagem de ano teremos um jogo muito importante para a definição da Liga. Apesar dos maus momentos passados, vencendo o Sporting passamos para o segundo lugar. 

Será caso para dizer que no pasa nada? Não me parece que se possa dizer isso. As coisas não se resolvem de um momento para o outro, como num passe de magia. Independentemente do desfecho do campeonato, esta época ficará marcada por uma campanha lamentável na Liga dos Campeões que afecta o prestígio e o passado do Benfica. Passámos por lá como um grupo de excursionistas a carimbar passaportes. Isto para já não falar das taças nacionais pelas quais passámos sem deixar marca. Diga-se de passagem que nem a passagem à fase decisiva das provas alcançámos. Não basta passar uma esponja... Não é possível passar entre os pingos da chuva no que toca ao apuramento de responsabilidades, para que erros destes não se voltem a passar.

No entanto, o futebol é o momento e o passado conta pouco face ao presente que todos desejam de vitórias. Passe-se o que se passar, o Benfica terá que fazer tudo o que está ao seu alcance para alcançar o Penta. A oportunidade é histórica e não a podemos deixar passar. Usando uma imagem cara ao nosso treinador, este é um cavalo que não tornará a passar tão cedo. 

Passado o Natal e comidas as passas, há que cerrar fileiras para que o Sporting não passe na Luz mas antes ali passe um mau bocado, para que possamos passá-los na classificação. Seria importante passar os Reis pelo menos no segundo lugar. Depois vamos passo a passo.

Àqueles adeptos que não podem ir à Luz, por estarem a passar a quadra fora, não se esqueçam de passar o vosso redpass a um amigo ou familiar.

Até lá uma boa passagem de ano a todos. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As possibilidades de apuramento do SLB (e a velha questão do 4-4-2)

Mourinho disse (e vale a pena sublinhar o respeito demonstrado pelo Benfica na antecipação do jogo desta noite) que 9 pontos não chegariam para o Benfica se apurar para os oitavos de final. 

Por outras palavras, Mourinho acredita que o CSKA ganhará os dois jogos contra o Basileia e portanto somará 9 pontos; mas não acredita que o Benfica, que diz ser "muito melhor que o CSKA", seja capaz de vencer em Moscovo por 2-1 (ou mais). 

Partindo do princípio que o United vence os jogos com o Basileia (fora) e com o CSKA (em casa) é de facto este o cenário que se coloca: o Benfica precisará sempre de vencer esses dois adversários e ainda de vencer o United pelo menos uma vez. Dependendo da conjugação de resultados até aí, um 2-1 sobre o CSKA poderia ser suficiente (caso conseguíssemos entretanto recuperar os 4 golos de desvantagem face aos russos) ou, pelo contrário, poderíamos precisar de vencer por mais de 1 golo de vantagem. 

Nenhum destes últimos cenários em Moscovo parece impossível. O problema é que para lá chegar o Benfica precisaria de vencer o Manchester. E isso é que não se afigura como alcançável face ao que o temos demonstrado nos últimos jogos. Falta intensidade, velocidade e capacidade física a este Benfica. O Manchester (e outros clubes de topo na Europa e até em Portugal) jogam hoje a um nível que o Benfica não consegue acompanhar. Não temos rotação para tal.

Outro problema é o jogo desligado, a falta de coordenação entre sectores e a incapacidade de ter bola e gerir o jogo. Tudo isto se deve a um meio campo insuficiente para os actuais níveis de exigência. Alguns leitores deixaram aqui comentários no sentido de que um meio campo a dois já não é possível no futebol moderno. É uma discussão já antiga, na qual os defensores dessa tese têm a seu favor o argumento de peso de que a maioria das grandes equipas europeias não joga assim. No entanto também é verdade que essas mesmas equipas, na sua maioria, encontram formas de ter dois avançados com presença física na área. O que eu digo - e disso não tenho dúvidas - é que este 4-4-2, com estes jogadores, não serve para embates desta magnitude. Os extremos do Benfica não apoiam o meio campo, o qual fica demasiado dependente de Pizzi. Se este estiver num dia menos bom ou se a equipa adversária fôr capaz de o anular, o Benfica fica sem soluções e a ver o jogo passar-lhe ao lado. 

Rui Vitória certamente já identificou o problema. Cabe-lhe agora encontrar a solução. Certo é que o jogo de hoje será decisivo.