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domingo, 28 de fevereiro de 2021

As causas da crise do Benfica - II

 Má política de contratações. Os interesses do Benfica não são o critério a que elas obedecem. O Benfica contrata mal (e ultimamente caro). Só o negócio importa. O scouting é fraquíssimo e não existe uma análise do perfil do jogador ou das necessidades da equipa.


Já falei da lógica empresarial com que Vieira conduziu o Benfica durante vários anos. Mas pelo menos no passado havia prospecção. Por exemplo, a Simão seguiu-se Di Maria e a este Gaitan. Os jogadores eram contratados tendo em vista os interesses do clube. A primeira equipa de Jorge Jesus era um equilíbrio de força e talento. No eixo central havia Luisão, David Luiz, Javi Garcia e Aimar, nas alas um extremo puro (Di Maria) e um jogador de equilíbrios e pulmão (Ramirez) e na frente Saviola e Cardozo. Os laterais eram Maxi e Coentrão. Além da qualidade, estes jogadores tinham poder físico e mentalidade. Eram todos muito competitivos. (No ano seguinte saíram vários destes jogadores - e estivemos três anos sem ganhar.)

 Mas a lógica de entreposto e a sobreposição dos interesses dos empresários aos do Benfica levaram ao descalabro. Quando Pedrinho foi contratado isso não obedeceu a qualquer necessidade do plantel. Escrevi-o na altura, não o digo apenas agora. 

https://justicabenfiquista.blogspot.com/2020/03/o-estranho-negocio-pedrinho.html

Este negócio até levou um olheiro a demitir-se. Mas claro que os yes man, os situacionistas, vieram logo dizer que eu estava errado, que não havia problema nenhum (ver caixa de comentários desse post).

Plantel desequilibrado e sem capacidade competitiva.

Os jogadores são contratados sem critério, a não ser a oportunidade de negócio (e mesmo aí resta saber se para o Benfica, se para os intermediários). O perfil dos atletas (físico e psicológico) não é minimamente tido em conta. É por isso que temos um plantel sem dimensão física e com pouco espírito combativo. 

Numa equipa de "animais competitivos", Weigl pode ser o trinco. Numa equipa como a nossa, é a receita para o desastre que acontece desde que o alemão entrou na equipa. O problema não é o tamanho dos jogadores. A questão é a sua capacidade de ganhar duelos, sprints e divididas. E nesse capítulo o Benfica tem um plantel altamente deficitário: Pizzi, Grimaldo, Cebolinha, Weigl, Pedrinho são os casos mais gritantes, mas mesmo na defesa não temos "bichos" como Rúben Dias. Não há no Benfica nem "carregadores de pianos", nem "tanques", nem tão pouco, com excepção de Rafa, jogadores explosivos. Somos uma equipa de pesos plumas. 

 

E um último aspecto: mentalmente o plantel é débil. Darwin parece um jogador com boas condições físicas e técnicas mas psicologicamente não tem tido a capacidade (e se calhar o apoio) para triunfar. E como ele, outros. 

 

 

 

Pecados de JJ

Quando uma equipa joga tao mal como o Benfica o treinador está sempre em causa. Quando esse treinador ganha milhões e tem à sua disposição um plantel que, apesar das limitações, tem tantas opções de qualidade, o seu fracasso é evidente. O Benfica não defende bem, é previsível no ataque, não marca um golo de canto, não tem uma ideia de jogo. Os jogadores não parecem saber o que fazer em campo. As substituições por norma pioram a equipa. 

Numa equipa com défice de combatividade e intensidade no meio campo, com falta de homens de barba rija, é absolutamente incompreensível que Gabriel não seja titular e que Samaris praticamente nunca tenha jogado. A titularidade indiscutível de Taarabt é outro mistério. Apesar de algumas características positivas, o marroquino falha demasiado e desequilibra a equipa. 

É inacreditável que Vinicius tenha saído. É inexplicável que Cervi tenha sido marginalizado no início e que mesmo agora jogue pouco. É incrível que se tenha colocado todo o foco na contratação de um central quando havia lacunas bem maiores no plantel.

O discurso de JJ também não faz sentido. Tanto promete arrasar, como diz que não tem tempo para treinar. Tanto diz que está habituado ao covid no Brasil como que o covid arrasou a equipa. Tanto diz que a partir de agora é que é, como se continua a desculpar com o covid. Tanto diz para os jogadores se levantarem porque não levaram com um pau, como pede carinho para os mesmos. As suas conferências de imprensa aos gritos não se admitem. 

JJ não tem neste momento estabilidade emocional para comandar a equipa e não parece ter a força mental para dar a volta à situação. Isto é um déjà vu dos três anos em que nada ganhou no Benfica e do segundo ano no Sporting. 

Arbitragens 

Já escrevi sobre isto. É um absoluto escândalo que o Benfica não tenha nenhum penalti ao cabo de quase dois terços do campeonato. Apesar de todas as falhas apontadas acima, com arbitragens normais talvez estívessemos noutra posição. 


Nota final: ao rever alguns dos posts que escrevi ao longo dos últimos meses constatei que tive razão nos alertas que fui fazendo. Também é patente pelos comentários que existem adeptos realistas, cuja visita frequente ao blog muito agradeço, que estavam a ver a mesma coisa e que contribuíram para uma análise correcta do que estava a acontecer. Outros porém preferiram meter a cabeça na areia e enveredar pelo seguidismo acrítico de tudo o que a direcção diz e faz. O tempo provou que estavam completamente errados. 

Isto suscita-me uma última questão: se nós, simples adeptos, conseguimos fazer diagnósticos correctos e apontar lacunas (e soluções) como é que a direcção que se dedica (ou devia dedicar) a tempo inteiro ao Benfica e é paga para tal, não o consegue?


Ver também a parte I deste post: https://justicabenfiquista.blogspot.com/2021/02/as-causas-da-crise-do-benfica.html


 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Há que manter a estrutura

A vitória neste campeonato demonstra como o Benfica evoluiu ao longo dos últimos anos. 

A estabilidade e solidez da sua estrutura técnica e dirigente foi o grande suporte que permitiu este título. Num ano em que o Porto apostou forte e contratou jogadores de categoria internacional (alguns apenas por empréstimo), ao passo que jogadores fundamentais da nossa equipa saíram para outros clubes (a que se juntaram lesões altamente inconvenientes), a estabilidade de métodos e "ideia de jogo" e a grande união do plantel, sustentadas numa estabilidade que vem de cima, foram os factores que fizeram a diferença. Vários são os jogadores que referem a unidade do plantel e o bom ambiente no balneário. Mesmo os jogadores menos utilizados se sentem bem no clube e desejam permanecer. 

Face a isto, seria muito perigoso desmantelar esta estrutura, a começar evidentemente pelo treinador, que é uma peça fundamental e o principal responsável pela vitória no campeonato. Não entendo as notícias de que o Benfica lhe quer baixar o ordenado. Não me parece que um treinador que já rentabilizou tantos jogadores e conquistou tantos títulos possa ser considerado "caro". Caros são aqueles que não ganham nada e fazem os clubes passar períodos de sequeiro. 

Mas a estrutura não é só Jesus. Começa evidentemente em Luis Filipe Vieira e passa, além do treinador, por pessoas como Rui Costa e Shéu. Essa estrutura está a funcionar muito bem, com cada um no seu lugar (Shéu é fundamental no balneário para transmitir aquilo que é o Benfica) pelo que deve ser mantida. É muito difícil construir mas é muito fácil desmantelar e destruir. Não gosto de ver notícias que falam da saída de Jesus (exceptuando aquelas que são do domínio da comédia) mas compreenderei se houver uma oferta irrecusável de um Real Madrid, um Bayern ou um Manchester United. No entanto se Jesus viesse a sair (e na verdade não acredito nisso) porque o Benfica lhe queria baixar o ordenado, acabando num clube da classe média europeia, para nós irmos contratar uma qualquer esperança ou um treinador mediano, isso seria incompreensível e muito perigoso. Poderia significar um retrocesso no caminho que vimos percorrendo de re-afirmação como principal clube português depois de um período hegemónico do Porto. Também me desagradam as notícias que falam da saída de Rui Costa para a Fiorentina ou Milan. Nos últimos anos Rui Costa trouxe jogadores de qualidade para o Benfica e tem sido mais uma peça importante nesta estrutura pelo que simboliza de mística benfiquista. 

Os resultados do Benfica nas últimas épocas demonstram o rigor com que se tem vindo a trabalhar. Aquilo que faltava no Benfica, a tal estrutura sólida e coesa, com todos a remar para o mesmo lado, que faltou no passado, tem finalmente sido conseguido. Há agora que a manter e consolidar. 


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Muita alma, raça e coragem... à Benfica

Mais uma exibição cheia de categoria do Benfica. Num Estádio muito difícil e face a um adversário de grande valor, o Benfica conseguiu o resultado que eu imaginara para este jogo e o merecidíssimo apuramento para a final. À entrada para este jogo, tínhamos uma vantagem mínima. Como se viu nas outras meias finais europeias (excluindo a Valência-Sevilha), uma vitória em casa seria por si só um resultado praticamente suficiente para o apuramento: o Real venceu por 1-0 e isso foi suficiente e ao Chelsea teria bastado vencer para passar à final. Em eliminatórias muito equilibradas, entre equipas de valia semelhante, vencer em casa significa colocar-se à frente na eliminatória e adquirir um ascendente psicológico importante face ao oponente. Por isso, o golo de Lima já me tinha parecido absolutamente decisivo. A ideia de que 2-1 era um mau resultado ou um resultado "muito perigoso", foi algo de positivo na medida em que nos colocou de sobreaviso e criou na Juventus a ideia de que "facilmente" reverteria o resultado. Nunca me pareceu que isso fosse assim tão líquido, pois como sabemos o Benfica joga muito bem fora de casa, fazendo uso da grande velocidade de Gaitan, Markovic, Rodrigo e Lima, mas foi bom para nós que essa ideia se tivesse criado. Jorge Jesus alimentou um pouco este "bluff" ao dizer que o Benfica precisaria de marcar golos em Turim (precisa mas é na final...). Estou em crer que Jorge Jesus sempre acreditou, como eu, que seria possível ao Benfica não sofrer e assim passar com a tal vantagem "perigosa" da primeira mão. Daí a entrada confiante e dominadora do Benfica (ainda que por poucos minutos) ter sido essencial, para desde logo criar a dúvida nos jogadores da Juventus e se perceber que não íamos ali jogar como uns coitadinhos. Houve aliás outro aspecto que não quis referir aqui no blog, quase por superstição, mas que deu muita esperança para o jogo: a Juventus jogou segunda-feira com a maioria dos titulares e esteve a perder, tendo dado a volta ao resultado mas sob muita chuva e num terreno pesado. O Benfica tinha pois alguma vantagem em termos de frescura (ao contrário do que acontecera na primeira mão). De igual modo, o regresso de Gaitán e Sálvio eram boas notícias. Um dos momentos chave do jogo é a cabeçada de Luisão a substituir Oblak entre os postes, muito perto do intervalo. Progressivamente a Juventus conquistara o domínio territorial e começava a trocar (e cruzar) a bola perigosamente perto da área do Benfica. Adivinhava-se que era essencial não sofrer um golo até ao intervalo e assim sendo as coisas poderiam ser um pouco mais tranquilas na segunda parte. Com algumas correcções, o Benfica poderia ser mais incisivo no ataque, colocar a Juve em sentido e evitar uma grande pressão sobre a sua área. Isso parecia ir acontecer pois o Benfica voltou a entrar bem e dava ideia de poder até vir a marcar com o balanceamento ofensivo da Juventus, resolvendo desde logo a eliminatória. Tudo mudou com a expulsão de Enzo. Chegado a esta altura tenho que dizer que a arbitragem foi, do ponto de vista técnico, bastante boa, acertando a maioria das decisões, mas muito caseira no tocante à parte disciplinar. Vidal, Chielini e Asamoah (este amarelado ao fim da terceira falta dura) distribuíram pancada, muitas vezes sem bola, perante a total complacência do árbitro, ao passo que faltas absolutamente banais dos jogadores do Benfica resultaram num festival de cartões absolutamente despropositado, desadequado da realidade do jogo. A expulsão de Markovic não se chegou a perceber e o amarelo a Sálvio é vergonhoso. Pela ordem de razões desse cartão deveríamos ter tido um penalty a nosso favor aos 2m de jogo. O Benfica, vendo-se reduzido a 10, concentrou-se em defender e foi gigante. Ainda reduzido a 9 por lesão de Garay (mais uma vez sem qualquer acção disciplinar por parte do árbitro) os 9 gloriosos em campo cerraram ainda mais os dentes e defenderam com tudo o que tinham a vantagem preciosa. Oblak, que sempre desejei e esperei que fosse a escolha de Jesus, sobretudo pela sua superior capacidade a Artur no tocante aos lances aéreos (cantos, livres laterais), deu uma segurança tremenda e foi intransponível. Não vou, para já, referir a qualidade das outras exibições individuais, que foi grande, pois todos estiveram a um alto nível. Destaco apenas, para além de Oblak, o guardião, Luisão, o capitão que esteve simplesmente intransponível e um gigante a comandar aqueles bravos. Se Luisão não for ao Mundial, Scolari está a ver alguma coisa mal. Mas a vitória é naturalmente de todos, nomeadamente de Artur que não jogou hoje mas nos "manteve" na eliminatória com um par de grandes defesas em Lisboa que seguraram a vantagem preciosa. Estamos na final com todo o mérito e nesta noite de alegria nem sequer quero falar do comportamento antidesportivo e de mau perder dos italianos. O que fica é a nossa qualidade enquanto equipa, a solidariedade dos jogadores e a nossa capacidade de sofrimento. Isso é que merece ser exaltado. Viva o Benfica.

terça-feira, 4 de março de 2014

Não vamos repetir o desastre

É preciso recordar, pois a memória é selectiva e muito influenciável pela emoção, que na época passada estávamos nesta situação:

Campeonato (Liga Zon Sagres), 21ª jornada 

O Benfica acabava de passar para a frente do campeonato vencendo em Aveiro por 1-0 e beneficiando do empate do Porto em Alvalade (0-0). O Porto parecia em franco declínio, não sendo capaz de bater o pior Sporting de sempre, e o Benfica parecia virtualmente imbatível. Isto aconteceu há exactamente um ano: o Porto jogou dia 2 de Março e o Benfica dia 3.

Taça de Portugal

O Benfica tinha praticamente assegurado para lá de qualquer dúvida a presença no Jamor ao vencer por 2-0 em Paços de Ferreira a então equipa-sensação de Paulo Ferreira. A 1ª mão disputara-se a 30 de Janeiro e a segunda mão ocorreria apenas a 15 de Abril.

Taça da Liga

Tínhamos perdido a 27 de Fevereiro o acesso à final da Taça da Liga perdendo em Braga no desempate por grandes penalidade (2-3). Este ano, recorda-se, a eliminatória foi suspensa devido ao protesto do Sporting e ao "caso atraso".

Liga Europa

O Benfica eliminara o Bayer Leverkussen com um total de 3-1 (1-0 fora e 2-1 na Luz) em eliminatória disputada a 14 e 21 de Fevereiro. Os oitavos de final disputar-se-iam a 7 e 14 de Março (este ano serão uma semana mais tarde) na altura contra o Bordéus.

Análise

Ou seja, a época decorria às mil maravilhas e apresentando até muitas similaridades com a presente. Nomeadamente o Benfica parecia muito sólido e dava a ideia de ser quase impossível perder um jogo. Tendemos a dizer que agora a equipa denota uma grande segurança - e é verdade - mas já nessa altura demonstrava uma enorme solidez - certamente não foi um acaso termos (excepto a Taça da Liga) chegado a todas as finais.

A "moral da história" é que mais uma vez ainda não ganhámos nada.

É um facto que no campeonato estamos melhor do que há um ano atrás. A vantagem é bem mais substancial. Não é porém ainda de molde a garantir-nos o título. Para isso precisamos de a alargar ainda um pouco mais, sobretudo em relação ao Sporting. Só se e quando o conseguirmos, poderemos apontar baterias para a Liga Europa. Isto até porque por esta altura tínhamos já resolvido a questão da Taça (ou pelo menos o acesso à final) algo que este ano ainda não aconteceu, sendo a eliminatória obviamente difícil.

O ano passado o que aconteceu foi que alguma rotatividade praticada entre o campeonato e a Liga Europa (durante semanas a fio jogamos sempre a meio da semana e ao fim de semana) não aconteceu entre os jogos contra o Fenerbahçe (muito exigentes) e o jogo decisivo contra o Estoril (no qual ainda por cima Enzo Perez se lesionou, entrando Carlos Martins com os resultados que se sabem - foi expulso). Foi aí que tudo se começou a desmoronar.

A implicação da postura que temos vindo a adoptar esta época é que a eliminatória com o Tottenham deverá ser subalternizada aos confrontos decisivos para o campeonato (ademais com um Sporting-Porto na calha e uma recepção ao Estoril e uma visita à Choupana para o Benfica), o que poderá ter como consequência a eliminação da Liga Europa.

Mas que seja! O Campeonato é mesmo a prioridade! É preferível perder agora a Liga Europa e assegurar uma vantagem decisiva no Campeonato. Isto (o risco de ser eliminado pelo Tottenham, sem prejuízo dos que jogarem tentarem tudo para que assim não seja) tem que ser assumido por todos no Benfica face ao objectivo maior de reconquistar o título. O que não pode acontecer é "rebentar" a equipa agora para depois faltarem pernas nas jornadas decisivas e ver o campeonato esfumar-se mais uma vez!

Já sabemos que muitos virão criticar e atacar, com as conversas do costume de que o Benfica tem que entrar sempre com os melhores para ganhar todas as competições, face à sua história, blá, blá, blá.

Isso tudo é conversa para amolecer, conversa de burros que pode dar aos Ribeiros Cristóvãos, aos Joaquins Ritas, aos Davids Borges, aos Jorges Baptistas, tempo de antena em que se sentem muito importantes nas televisões ou rádios mas que não pode corresponder ao pensamento estratégico de quem decide no Benfica e quem assume as responsabilidades pelos resultados.

Campeonato e Taça são as prioridades. Liga Europa e Taça da Liga vêm depois e submetem-se àqueles objectivos maiores. Este ano queremos títulos e não finais!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

As preocupações dos benfiquistas

Por estes dias o Benfica está em 1º lugar no campeonato e continua noutras competições. A equipa tem subido de rendimento e fez ultimamente alguns bons jogos. Venceu o Porto de forma clara algo que, apesar de dever ser normal, não acontecia há vários anos. 

No entanto percorrendo a blogosfera, dir-se-ia que o Benfica estava num momento desastroso, afastado da luta pelo título e com exibições miseráveis. De facto as críticas são tantas e tão constantes que seríamos levados a pensar assim se não soubessemos que a realidade é felizmente outra. 

Não defendo obviamente uma atitude acrítica por parte de ninguém, mas tudo tem limites. Quando, num momento destes, com o nosso clube envolvido em vários desafios da maior importância e sabendo da falta de princípios do nosso principal adversário, muitos benfiquistas se dedicam diariamente a encontrar temas para criar polémicas ou atacar quem está à frente dos destinos do clube, algo não vai bem na blogosfera benfiquista e merece ser reflectido. 

Quem publica em blogs gosta de ser lido, isso é evidente e legítimo. O que me parece muito discutível do ponto de vista do benfiquismo é instrumentalizar o clube nessa ânsia de audiências, por vezes levantando e empolando temas que só fomentam a dissenção e a divisão interna. 

Nos últimos dias houve "polémica" atrás de polémica, muita dela fomentada pelos próprios benfiquistas. 

Assim de repente lembro-me das seguintes:

Matic não deveria sair do clube.
Jesus desrespeitou a formação.
Artur está triste e no aquecimento só defende com os pés (garanto-vos que li isto!).
Não há gala do Benfica este ano.
André Gomes só entrou no tempo de descontos contra o Marítimo.
O irmão de Matic foi-se embora (polémico por vir, polémico por partir).
O relvado não está em condições.

Não acham que chega de tanta choradinho?

A saída de Matic obviamente não era desejável. Mas há que saber olhar para as coisas de forma realista. Matic queria sair, isso era evidente e o próprio já o disse. Depois da não fazer nenhuma venda relevante no início da época e da não continuação na Liga dos Campeões, o Benfica precisava de receitas, ou seja de vender alguma das suas "pérolas".

Matic podia ter rendido mais mas não se pode esquecer que ele chegou ao Benfica oriundo do Chelsea incluído no negócio de David Luiz. Nessa altura recebemos 25 milhões de euros mais Matic. Agora recebemos mais 25 milhões. Acho que não nos podemos com seriedade queixar muito deste negócio porque na prática um jogador (David Luiz) que fomos buscar quase a custo zero com 17 anos rendeu-nos 50 milhões de euros mais um "empréstimo" de Matic por dois anos e meio. E por favor não me venham dizer que estou a defender Luis Filipe Vieira por isto ou por aquilo porque já o critiquei no passado e voltarei a criticar no futuro se achar que ele o merece. Sou absolutamente independente de qualquer poder ou grupo dentro do Benfica e digo exactamente o que penso depois de tentar analisar as coisas o melhor que consigo.

Aquilo que é importante agora é gerir bem a saída de Matic e de preferência não vender mais ninguém. A saída de Rodrigo em particular seria a meu ver desastrosa, pois Cardozo poderá não voltar a jogar na presente época e Lima não está num grande momento sobretudo na finalização, que é o mais importante. 

Quanto à questão das declarações de Jorge Jesus sobre substituir Matic através da formação, claro que não foram felizes, como logo se percebeu. No entanto o próprio veio rectificar o que dissera e afirmar que não desejara ofender ou diminuir a formação do Benfica. Por outro lado, os míudos, na sua reacção a quente demonstraram o seu amor pelo Benfica ao afirmarem que jogar no seu clube é o sonho que alimentam e do qual não abdicarão. Não há pois razão para - os próprios benfiquistas - empolar este caso.

Quanto ao resto são questões perfeitamente secundárias e folclóricas que não devem de modo nenhum preocupar os benfiquistas. Não vale a pena andar com tanto excitamento à flor da pele. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A saída de Matic: 4-3-3 ou 4-4-2 ?

O meio campo do Benfica é um tópico sobre o qual já escrevi uma série de posts. Não tendo eu pretensões a ser um especialista em táctica, a observação e análise das transformações que se têm verificado naquele sector desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica não deixam de me interessar e merecer algumas considerações.

Desde então o Benfica já teve os seguintes "meios-campos":

2009/2010

Javi Garcia como trinco, apoiado por Ramirez (que fazia o corredor direito, ao passo que Di Maria ficava no esquerdo) e Aimar a construtor de jogo (tratava-se de um 4-4-2 no qual não apenas um dos alas mas o próprio 2º avançado, no caso Saviola, baixavam para dar algum equilíbrio à equipa)

2010/2011

Com a saída de Ramirez (e Di Maria), JJ foi tentando várias soluções que alternou, para colmatar o desequilíbrio que se gerou. Por exemplo colocar ou César Peixoto ou Rúben Amorim nas alas ou ainda Carlos Martins no meio ao lado de Javi. No entanto, com a afirmação definitiva de Gaitan e Sálvio nas alas, a dupla Javi Garcia (indiscutível)-Aimar acabou por ser  mais habitual. Era um 4-4-2 muito marcadamente ofensivo que deu resultados muito negativos numa época para esquecer. 

2011/2012

Chegaram ao Benfica no início dessa época Matic (incluído no negócio de David Luiz que saíra a meio da época anterior, no fim do período de transferências de Janeiro) e Witsel. Este impôs-se na equipa rapidamente e o meio campo passou a ter uma composição mais equilibrada: Javi e Witsel complementavam-se muito bem. Ao passo que Aimar era um criativo sem presença no meio campo (pouca capacidade de choque, pouco poder de recuperar bolas e o próprio posicionamento muito avançado, perto dos pontas de lança), Witsel era o chamado "box-to-box", com uma presença física importante no meio campo. Foi uma época melhor do que a anterior na qual o campeonato se perdeu devido a arbitragens miseráveis e ao esgotamento físico dos jogadores (não houve quase rotação). 

2012/2013

A época passada começou com a mesma dupla no meio campo mas antes do fecho do período de transferências Javi e Witsel foram transferidos. Imaginava-se o pior mas a verdade é que foram substituídos por Matic e Enzo e a equipa ficou ainda mais forte. Matic demonstrou uma capacidade extraordinária para não apenas ser o "novo" Javi Garcia como ainda lhe juntar alguns dos predicados de Witsel. Enzo por seu turno é um grande futebolista, para mais muito raçudo e de alta rotação.

2013/2014?

Com a saída de Matic a solução que me parece mais provável é a sua troca directa por Fedja. Existem obviamente outras possibilidades, incluindo a do Benfica adoptar um 4-3-3 tal como já aconteceu esta época, abrindo-se então espaço para Rúben Amorim. A minha aposta vai porém para Fedja, pelos seguintes motivos: é um jogador mais forte e com mais capacidade de choque do que Amorim; tem rotina da posição e poderá, sublinho poderá, dar mais garantias em termos defensivos. Agora Fedja é claramente um jogador com mais dificuldades a construir, com menos velocidade, um jogador mais ao estilo de Javi do que de Matic. Mas, como se vê pela amostra, o meio campo do Benfica tem mudado constantemente ao longo dos anos (certamente também pela valorização dos jogadores que lá actuam) pelo que não há razões para pânico. Com solidariedade entre os jogadores acredito que a qualidade existente no plantel permitirá suprir esta perda. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Altura certa para lançar Ivan

Ivan Cavaleiro está a mostrar ter não apenas qualidade mas mentalidade competitiva para ser jogador do Benfica.
Se há coisa que podemos aprender com o Sporting é que a aposta em jogadores jovens portugueses da formação dá resultados.
Com a lesão de Sálvio abriu-se um espaço na direita do ataque que permite a meu ver que se deem oportunidades a jogadores como Ivan. É um jogador trabalhador, com recursos técnicos, com espírito colectivo e sentido de baliza.
Jorge Jesus precisa de dar sangue novo a uma equipa que parece amorfa, apática. Cavaleiro é o tipo de jogador que, como se costuma dizer, mexe com o jogo. É jovem, é fisicamente bem dotado, tem recursos técnicos e irreverência.
O jogo da Taça é uma excelente oportunidade para o lançar.
De igual modo gostaria de ver Steven Vitória em acção. Luisão não vai para novo e o luso-canadiano precisa de começar a ter minutos na equipa principal para um dia se poder impor.
O Benfica precisa de ter uma identidade mais definida para poder ter um modelo de jogo minimamente estável e isso não se conseguirá fazer sem uma base de jogadores portugueses. A chegada de André Almeida à seleção é uma boa notícia, importando capitalizar este momento.
Quem conhece melhor os escalões jovens do Benfica afirma que para além de Ivan e de João Cancelo, existem outros jovens com capacidade de afirmação ao mais alto nível.
Está na hora de JJ assumir a aposta que o clube diz estar a fazer na formação. Aproveite a qualidade que lhe é oferecida pela equipa B e aposte nestes jogadores. Há alguma razão para o não fazer? Estamos à espera de quê? Temos medo de quê?
Não está a aposta o Sporting nos seus jovens a dar bons resultados? Não é Josué titular do Porto, tendo já chegado à seleção?
Pela minha parte estou seguro: esta fornada de jovens não deixará ficar mal o Benfica. Assim lhes sejam dadas as oportunidades que eles merecem e o espaço de crescimento de que precisam.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Meio campo do Benfica 2013/14

Como já assinalei anteriormente, o meio-campo do Benfica tem, ao longo dos 4 anos de comando técnico de Jorge Jesus, passado por várias versões.
A primeira versão foi a única campeã. Eis abaixo a equipa tipo desse ano.

Benfica versão 2009/10. 



Foi um modelo único e irrepetível, pois dependia muito das características e da qualidade dos intervenientes: da velocidade de David Luis, da capacidade de cobertura, pressing e ocupação dos espaços defensivos de Javi Garcia, do pulmão e dos equilíbrios gerados por Ramirez.

Este Benfica era tão forte - e tão rápido - que o jogo praticamente não se desenrolava no meio-campo. O Benfica asfixiava os adversários e estava a maior parte do tempo a atacar. As outras equipas quase se remetiam à defesa e a contra-ataques esporádicos. 

No ano seguinte, 2010/2011, saíram Ramirez e Di Maria (tal como Quim, substituído por Roberto). O esquema táctico manteve-se, mas apenas no papel pois a dinâmica era completamente diferente. As asas do Benfica campeão, Di Maria e Ramirez, tinham sido substituídas por Gaitan e Sálvio. Ora apesar destes serem bons jogadores, as características não eram as mesmas. Por um lado Gaitan, apesar de toda a sua qualidade e das suas arrancadas, não tem a velocidade de Di Maria e a capacidade de dar "esticões" como o seu compatriota. Por outro lado, Sálvio não fazia os equilíbrios defensivos que Ramirez fazia pelo que Javi Garcia começou a estar demasiado exposto, com a consequência do Benfica não conseguir ser uma equipa tão pressionante. Daí o aparecimento de César Peixoto na equipa (o que manifestamente não constituía uma solução para o grau de exigência em causa). Juntando Roberto a este quadro, estava preparada a receita para o desastre que aconteceu nos jogos em que o Benfica enfrentou adversários fortes, sobretudo fora de casa.

No ano seguinte, Jesus foi buscar Witsel, que inicialmente foi apresentado como um médio ofensivo. Muitos de nós benfiquistas pensámos que tal contratação era algo estranha, pois tínhamos já Aimar e Bruno César para o lugar, e o próprio Gaitan podia desempenhar tais funções. 

A verdade porém é que Witsel não veio propriamente substituir Aimar mas sim o esquema de jogo do Benfica, apesar de Jorge Jesus ter na altura afirmado que nada se alterara, apenas os jogadores. A realidade é que o meio-campo do Benfica passou a ter dois homens - Javi e Witsel. Com um Saviola cada vez menos produtivo, Aimar surgiu algumas vezes no apoio ao ponta de lança, Cardozo. Mas houve alguns equívocos, como Jara e, na defesa, Emerson.

Do esquema de 2009/10, que se pode classificar coma uma variante do 4-4-2 "diamante" com Javi a assumir as tarefas defensivas e Aimar as ofensivas e Ramirez a fechar no meio quando a equipa perdia a bola, passou-se a um 4-4-2 de pendor ofensivo mais convencional com os dois jogadores do corredor central a jogarem mais perto um do outro.

Esse esquema dos dois homens no meio não se alterou substancialmente com a saída dos dois titulares, já com o campeonato deste ano a decorrer. Com efeito, Javi foi substituído por Matic e Witsel por Enzo Perez. Sendo Matic mais tecnicista que Javi e Enzo mais esforçado e de maior rotação que Witsel, o Benfica teve um meio campo mais dinâmico, em que os dois jogadores se complementaram bem e alternaram nas subidas ao meio campo contrário, ao passo que no esquema anterior Javi era mais fixo e Witsel mais um médio de construção/equilíbrios.

Chegados a este ponto, estamos perante a possibilidade de Matic, face à extraordinária época que realizou, vir a sair. Por outro lado, Djuricic já está contratado, o que à partida parece apontar para um esquema mais parecido com o do primeiro ano.

Nesse esquema, Matic poderia desempenhar a função que Javi Garcia ocupou em 2009/2010 - mas Enzo não. No esquema de um playmaker atrás de dois avançados puros, é necessário um trinco. Mas mesmo essa solução, se não existir um Ramirez, será certamente insuficiente para defrontar adversários mais poderosos que nos criam outro tipo de dificuldades em termos defensivos e de ocupação do meio campo, que não se colocam quando jogamos com a maioria das equipas do nosso campeonato. 

É que o sistema de 4-4-2 diamante, que parece reunir o melhor de dois mundos (dois pontas de lança, um criativo e um meio campo de 4), para funcionar precisa de jogadores nas alas que tenham a capacidade de defender e mesmo juntar ao meio (como fazia Ramirez) quando a equipa não tem a bola, abrindo pelo contrário bem nos flancos quando a equipa ataca. Nem Sálvio, nem Ola John têm estas características em termos defensivos. Gaitan é o único dos que jogam nas alas que pode dar um pouco disso ao Benfica mas é um jogador de muitos altos e baixos.

A alternativa seria um meio campo idêntico ao deste ano (um 4-4-2 mais clássico com dois jogadores no meio) e Djuricic a fazer a ligação com o ataque, como aconteceu nalguns jogos na época 2011/2012. Mas sem Cardozo na frente, um esquema desses parece pouco acutilante em termos ofensivos... Além disso, ele recorda-nos o demasiado inofensivo modelo de Quique Flores.

Por outro lado, não parece crível que JJ venha agora adoptar um sistema diferente, por exemplo um 4-3-3, apesar deste se poder adaptar bem às características dos sérvios já contratados e dos extremos que temos (Sálvio, Ola John e Gaitan, caso continue).  Jesus não quererá no quinto ano passar a um novo modelo que implique deixar de jogar com dois pontas de lança, algo que tem sido a sua imagem de marca desde que chegou ao Benfica.

Muitas dúvidas subsistem portanto em relação à forma como o meio campo do Benfica se disporá para o ano. Uma coisa me parece porém certa: face a tanta incerteza, a presença de Matic no plantel da próxima época seria uma garantia não apenas de estabilidade como de fiabilidade e consistência. Ela permitiria várias soluções, desde um mais arriscado sistema em que apenas ele e Djuricic assegurariam o meio campo até  uma mais conservadora em que ele e Enzo manteriam os seus lugares e Djuricic poderia alternar com um dos avançados, por forma a manter o sistema de 4-4-2. Teremos que esperar para ver, mas espero que estas questões estejam já relativamente delineadas na cabeça de Jesus e que se comecem rapidamente (para além da questão do lateral esquerdo) a encontrar soluções para os diversos cenários possíveis.

terça-feira, 28 de maio de 2013

A decisão

A decisão é sempre solitária.

Vieira fez até hoje um trabalho muito importante de recuperação do Benfica, a nível financeiro, de credibilidade, de estabilidade, de competitividade, de qualidade dos plantéis.  Mas tem-lhe faltado o mais importante: títulos. Dois campeonatos em 12 anos não chega.

No anterior post identifiquei o que para mim foram os erros mais crassos que cometeu esta época, que mais uma vez (e contra todas as expectativas) redundou num rotundo fracasso.

Não quer dizer que tenha feito tudo mal. Também identifiquei algumas coisas boas.

Eu não sou anti nem pro-Vieira. Eu sou e serei sempre Benfica. Enquanto Vieira for o Presidente nunca terá a minha oposição. Nunca andarei a minar o caminho mas também não deixarei de dizer o que penso, nos momentos que considero certos. Por isso ponderei fechar o blog quando me começou a ser impossível calar críticas muito fortes ao que já na altura me parecia um caminho errado, arrepiei caminho quando foi tomada uma decisão que me pareceu na direção certa (romper com a Sporttv) e só falei agora, quando a época já está decidida.

A vida faz-se de escolhas, faz-se de decisões entre diferentes opções ou alternativas.

Até ao momento não apareceu um rumo alternativo credível para o Benfica. O Benfica é uma instituição colossal, um barco muito difícil de pilotar.

Muito do que disse de Vieira, aplica-se a Jorge Jesus.

Elevou muito a qualidade da equipa, trouxe-a a patamares de competitividade não vistos no Benfica há MUITOS ANOS, identificou talentos que rentabilizou para a equipa e em proventos de vendas para a SAD. Mas faltam-lhe títulos!

JJ tinha o campeonato na mão e deixou-o fugir entre os dedos! A Liga Europa podia ter sido ganha, o que teria sido um feito histórico, extraordinário, mas Jorge Jesus também o deixou fugir.

Sim, JJ é tão responsável pela forma como jogámos - e que surpreendeu e encantou não só os benfiquistas como a Europa do futebol - como pela forma como o perdemos. O primeiro golo do Chelsea é o resultado do talento de Torres mas também de uma forma de jogar por vezes quase suicida (que já vem desde a primeira época), de um quase amadorismo em termos defensivos. O segundo golo resulta de uma ingenuidade dolosa, quase "criminosa", na forma como o canto é concedido que depois resulta num golo também inaceitável em termos defensivos. Consta que Enzo Peres estava revoltado com Jesus no fim do jogo porque tinha-o advertido de que o Chelsea costumava bater o canto para o segundo poste com Ivanovic a aparecer naquele espaço, tendo por isso sugerido uma marcação homem a homem ao sérvio, no que teria sido ignorado. E não esqueçamos também que o Chelsea era a equipa da Europa com mais jogos nas pernas.

Nesta medida, o jogo da Taça era ABSOLUTAMENTE DECISIVO. SALVAVA A ÉPOCA, ao contrário do que foi dito! Não salvava o campeonato, que estava perdido, mas salvava a época. Ficaria o registo de um campeonato perdido com infelicidade nos descontos do penúltimo jogo da época, uma honrosa prestação em Amsterdão e uma Taça!

Esse título (são os títulos, estúpido!) era fundamental para manter uma boa média, como assinalei em Janeiro. Perdido esse jogo, JJ perdeu praticamente toda a sua margem de manobra. Ficou abaixo da média do Benfica nos últimos 20 anos (se contabilizarmos conjuntamente Campeonatos e Taças de Portugal). Não ganhou nada este ano.

O jogo da Taça, até pela forma como decorreu, era um jogo facílimo de ganhar. O Benfica jogou a passo, sem atitude, sem determinação, sem espírito vencedor, sem garra, sem qualidade nenhuma. Cada vez que mexeu, Jorge Jesus piorou a equipa.

A conclusão lógica é a de que Jorge Jesus deve deixar o Benfica.


Mas atenção, deve deixar para vir quem? Essa é que é para mim a verdadeira questão.


Rui Vitória? Sinceramente parece-me um erro tremendo. Vitória não me parece ter arcaboiço, unhas para esta guitarra. A pressão no Benfica é uma coisa tremenda, não é para qualquer um. O mesmo se aplica a Paulo Fonseca e mais ainda ao treinador do Estoril. O Benfica não é o Porto onde o verdadeiro "treinador" e líder é Pinto da Costa. Onde qualquer um é campeão. Onde as arbitragens fazem o jeitinho e a "estrutura" ampara os golpes (para além de manter os jogadores em sentido não permitindo indisciplinas).

É tudo isto que Vieira terá que ponderar muito bem. Neste momento a sua credibilidade está no ponto mais baixo. Os benfiquistas estão fartos de perder, fartos de ilusões e desilusões e já não acreditam em mais promessas. Uma aposta falhada reflectir-se-á muito na presidência de Vieira. Voltará a contestação e a instabilidade interna. Uma aposta desastrosa poderá levar o clube à semi-ingovernabilidade ao estilo sportinguista. E não estou sequer a equacionar como poderão reagir os benfiquistas à eventual ida de JJ para o Porto...

Estamos em águas agitadas e cheias de perigos. A derrota na final da Taça foi o momento chave que fez precipitar toda esta situação. É isso que mais me custa e que de alguma forma me revoltou contra Jorge Jesus que até aí eu sempre defendera. É que o espectro do Porto e de Pinto da Costa (mesmo já depois de nos tirarem o campeonato), verdadeira praga do Benfica nos últimos anos, pairou logo sobre o Jamor.

Esta é talvez a decisão mais difícil e importante de Vieira desde que é Presidente do Benfica. E que marcará sempre a sua passagem pelo Benfica.

Época perdida - o papel de Vieira

Este ano o Benfica tinha tudo para ser feliz.
Com expectativas baixas face às saídas de Witsel e Javi Garcia, bem como por um empate em casa, logo na primeira jornada, com o Braga, a equipa não apenas aguentou esse embate como surpreendeu toda a gente, atingindo patamares quase impensáveis em Agosto/Setembro.

Foi um Benfica demolidor o que chegou ao fim do mês passado em condições de ganhar tudo. Houve alguns momentos menos bons, como o empate em casa com o Porto no fim da primeira volta (mantenho que se tivéssemos vencido esse jogo, como podíamos, teríamos sido campeões) ou o jogo contra o Sporting em casa, em que apesar do golo de antologia não conseguimos ser a equipa que normalmente somos.
Mas outros houve que foram sensacionais, como a segunda parte contra o Newcastle na Luz ou a segunda mão contra o Fenerbahçe. Houve exibições seguríssimas, como as vitórias claras em Coimbra e em Paços para a Taça de Portugal, ou as vitórias na Madeira contra o Marítimo e em Guimarães contra o Vitória. Isto para não recuar ao início do campeonato, em que demos goleadas e alguns festivais de futebol.

Já nem nos lembramos destas coisas...

O que correu então mal?

É simples e escreve-se com 6 letras: Vieira.

Vieira terá trabalhado nos bastidores para que vergonhas como a de Coimbra não se repetissem. E teve sucesso nessa tarefa, nomeadamente "saneando" árbitros que claramente têm como objectivo perseguir e prejudicar o Benfica.

Tivemos assim para os nossos jogos nomeações de árbitros jovens ou sem historial de prejuízo ao nosso clube, o que se reflectiu, até ao último terço do campeonato, numa época quase sem casos, em que não fomos prejudicados pelas arbitragens.

O campeonato parecia ganho, pois era evidente que sem invenções, sem xistremas, o Benfica era a melhor equipa.

O Porto dava sinais de desespero.

Mas foi aqui que Vieira (e a estrutura que o acompanha, pois há lá mais gente que tem a obrigação de manter os olhos abertos) errou: achou que as coisas estavam ganhas e subestimou o poder do FC Porto e a influência de Pinto da Costa, que os benfiquistas já davam quase como morto (em sentido figurado, obviamente). 

Deixou-se Vitor Pereira fazer demasiado alarido, demasiada pressão sobre os árbitros sem resposta adequada. Quase todas as semanas o treinador do Porto falava de jogadores do Benfica que deviam levar cartões: ora era Maxi, ora era Matic.

Assim, quando entramos na fase final do campeonato, quando o Benfica podia finalmente criar a décalage decisiva, alargando a sua vantagem para 6 ou 8 pontos e deixando o Porto irremediavelmanente atrasado, este Porto é aguentado pelos árbitros à custa de penalties (a seu favor ou perdoados).

Pinto da Costa sabia que parar o Benfica seria muito difícil (até porque Vieira aí controlou bem Vitor Pereira, o dos árbitros, no sentido de não termos Xistras, Soares Dias nem miguéis semana sim semana não) pelo que optou por controlar as arbitragens do seu clube, praticamente assegurando os pontos todos do Porto até à visita do Benfica ao dragão. Qualquer deslize da nossa equipa até lá tornaria esse no jogo do título.

Há que o dizer, a estratégia foi bem pensada e bem executada se formos capazes de nos abster de um juízo moral, que tem que ser condenatório, desse controlo das arbitragens do Porto. Que foi por demais evidente.

LFV falou e bem a dada altura acerca de um jogador de andebol do Porto, dizendo que eles jogavam com dois guarda redes. Só que isso foi em Dezembro. 

Ora este "ataque final" ocorreu em Março/Abril e aí o Porto contou com um caminho aberto resultante do completo silêncio da parte do Benfica.

Vieira achou que o mais importante era o Benfica concentrar-se em si mesmo. Ganhando, conseguindo ser campeão mesmo apesar das arbitragens teria ainda mais sabor.

Infelizmente não foi a estratégia mais correcta (embora a possa compreender e ela tenha algum apelo). Não foi a mais correcta porque obrigou a equipa a um desgaste que se reflectiria no rendimento da equipa nas "finais".

Tudo aquilo que até disse atrás não justifica porém o título deste post. Se Vieira tivesse apenas cometido os "erros", se é que o são, que aponto atrás, considerando que fez por outro lado um trabalho invisível e muito importante de acabar com os roubos descarados ao Benfica, o balanço seria altamente positivo.

O problema é que os erros estavam ainda por chegar.

E chegaram na semana fatídica que antecedeu o jogo com o Estoril em que tudo se perdeu - e aí o principal responsável é Vieira.

Bastava ganhar ao Estoril para o Benfica ser campeão. Repito, bastava ao Benfica ganhar ao Estoril para ser campeão. Dificilmente perderíamos no Porto (o empate já dava matematicamente o título) e poderíamos rodar alguns jogadores para ter mais frescura física em Amsterdão. Pelo que se viu nesse jogo, com essa frescura adicional poderíamos mesmo ter ganho (muitas vezes quando os jogadores falham golos é porque fisicamente estão muito desgastados - a finalização é o movimento que exige mais rapidez de execução e portanto melhor condição física) a Liga Europa.

O que aconteceu então? Um remake do ano passado! O ano passado, com o Benfica 5 pontos na frente e nos quartos de final da Champions, Vieira deu uma entrevista à RTP na qual parecia já convencido de que o mais difícil já estava feito e que, além de ser campeão nacional, o Benfica poderia mesmo vencer a Champions.

Desde aí foi o descalabro.

Este ano, Vieira, que tinha estado calado toda a época, aparece nessa semana fatídica a dar nova entrevista, desta vez à Benfica TV. Era a consagração! Quando nada estava ganho, como tantas vezes aqui alertei!!

Mas pior, uma vez que alguns poderão achar que estou a ser supersticioso (que não é o caso) e que a entrevista não influiu sobre o rendimento da equipa (apesar do exemplo do ano anterior), Vieira, que até então não falara do tema, veio introduzir a questão da renovação de Jorge Jesus! Na véspera de um jogo decisivo!!!! QUE INCOMPETÊNCIA! QUE AMADORISMO!

Alguns falam da viagem ao Brasil mas aí, se calhar erradamente, não dou uma importância muito grande ao facto. Vieira não passa os jogos no banco ou ao lado da equipa, pelo que a sua ausência não terá sido assim tão notada pelos jogadores. Eles têm é que estar concentrados no seu trabalho e não em quem está à volta.

O pior foi quebrar o silêncio, que naquela altura era de ouro, e introduzir um factor de perturbação, de distração, quando a concentração no jogo com o Estoril devia ser total e absoluta. 

Penso e muitos dizem que Pinto "atacou" e prometeu prémios aos jogadores do Estoril, percebendo que era a última oportunidade de poder tentar tirar o título ao Benfica e sabendo que havia cansaço de uma eliminatória fortíssima, disputada em ritmo frenético, com o Fenerbahçe. Se é verdade, mais uma vez ele foi esperto e nós fomos burros!

As coisas correram como correram. Mas ainda havia uma forma de salvar a situação: era LFV anunciar a renovação com Jorge Jesus na semana antes do jogo com o Porto, reforçando a confiança de todos antes daquele embate decisivo. NADA.

E depois perde-se a Liga Europa, da maneira que foi, e Vieira vem dizer (talvez ainda acreditando no milagre do móvel) que JJ era o seu treinador até ao fim do seu mandato.

Para quê? Das duas uma: ou renovava antes das decisões (como deveria ter feito), ou esperava até ao fim da época. No meio é que NÃO PODIA ter dito nada. Só criou instabilidade, distração.

Finalmente, o tal epílogo de que eu falei aqui há duas semanas foi a final da Taça. Nova derrota e desta vez com uma exibição miserável que levou alguns adeptos no Jamor a interrogar-se sobre se não haveria aqui um espectro do Porto a pairar e um anuncio, sob forma do resultado do jogo, acerca do futuro de JJ. Sentiu-se (até pelas expectativas criadas e pelo apoio incondicional dos adeptos) que havia algo de traição naquele desfecho e naquela exibição. As substituições foram algo de indescritível, anunciando logo que iríamos mesmo perder a final.

Porém o mal já estava feito e já vinha de trás. A partir daí, da sucessão de erros de Vieira que identifiquei, tudo se desmoronou como um castelo de cartas. Jesus, já de si bastante emotivo, perdeu o controle emocional e começou a cometer erros a um ritmo cada vez mais acelerado. 

Faltam apenas dois episódios desta peça. Um deverá ser anunciado já hoje, o outro também muito em breve. A não ser que eu esteja muito enganado e que Vieira agora me surpreenda. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Amanhã quero que JJ se volte a ajoelhar

Mas desta vez com os braços erguidos para cima, para agradecer aos Céus uma conquista histórica.

Jorge Jesus merece e o Benfica também.

O Benfica como instituição, os seus jogadores e sobretudo os seus adeptos que tanto têm dado ao clube, muito em particular nesta época. Que os últimos jogos façam dela um marco memorável da nossa história.

Amanhã quero ver Jorge Jesus voltar a ajoelhar e todo o País e milhões de Portugueses e seguidores do Benfica por todo esse mundo fazerem o mesmo. Um ajoelhar de semi-incredulidade mas de profunda alegria. Um ajoelhar de coração cheio!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O que diz JJ e como o recebem os benfiquistas

O treinador do Benfica é tão conhecido pelas suas tácticas e resultados como pelos seus ditos.
Jorge Jesus é um homem com pouca instrução que, como ele próprio já admitiu, se criou muito na rua e, mais tarde, cresceu no mundo do futebol.
Expressa-se portanto com várias deficiências no tocante ao Português e tem tiques que muitos gostam de apontar, como o mexer no cabelo ou mascar pastilha.
Para mim tudo isso é absolutamente irrelevante. Numa sociedade que anda sempre a cantar a igualdade e a falar com rancor dos "grandes" nem percebo como podem ser estas questões, que no fundo são "de berço", constantemente trazidas para o discurso público.
Coisas diferentes são a educação e o respeito que se devem patentear no trato com os outros. Aí Jesus, por força do seu carácter impulsivo tem tido vários comportamentos criticáveis, pelos quais já tem sido castigado e que a estrutura do Benfica deve procurar corrigir.
Acontece que por vezes se confundem estas duas ordens de questões. A que se junta uma terceira: uma propensão para declarações polémicas, frontais e umas vezes incompreendidas outras deslocadas. Todos temos os nossos momentos menos bons e JJ, que se expõe bastante, acaba por as ter com alguma frequência.
Mas convenhamos: tudo isso (refiro-me às declarações, desde que naõ ofensivas ou insultuosas) é secundário - o que conta realmente são os resultados dentro de campo.
Por isso tenho alguma dificuldade em entender que sejam muitas vezes os próprios benfiquistas a ser mais críticos com o seu treinador do que a generalidade do mundo futebolístico.

Vem isto, bem entendido, a propósito de declarações recentes de JJ, a saber:

  • a de que o plantel (subentendendo-se que se referia a Luisinho e André Gomes) vai dando para o campeonato mas a Liga dos Campeões é outra história
  • a de que Melgarejo nunca seria extraordinário como atacante
  • a de que o Benfica antes dele era o que era.
Em relação às duas primeiras, considero que não serão as mais apropriadas. Uns acharão que elas são desmotivadoras para os jogadores em causa (e poderão ter razão, mas a este nível os jogadores têm que ter uma estrutura psicológica sólida e certamente que nos treinos JJ não lhes dirá que não prestam - se estão no plantel é porque têm qualidade para tal), outros considerarão que elas exprimem realidades e que poderão até "espicaçar" os jogadores (algo que não é fácil de comprovar).

Já quanto à terceira porém, nada como ir aos factos.

Que nos mostram isto:
JJ                                           Antes de JJ
2010 - 1º (76 pontos)            2007 - 3º (59 pontos)
2011 - 2º (63 pontos)            2008 - 4º  (52 pontos, atrás do V. Guimarães)
2012 - 2º (69 pontos)            2009 - 3º (67 pontos)
Em termos de outros títulos para além do Campeonato, no triénio anterior a JJ conquistámos uma Taça da Liga (com Quique, na polémica final contra o Sporting), ao passo que no triénio de JJ conquistámos 3 taças da Liga.

Em matéria de golos, o balanço é este:
JJ                                          Antes de JJ
2010-2012                            2007-2009 
GM   GS    DG                   GM    GS     DG
205    78    127                   154    73      81
GM - Golos marcados
GS - Golos sofridos
DG - Diferença entre marcados e sofridos.

O triénio anterior (entre 2004 e 2006) foi o de Trapattoni (um campeonato) e Camacho (uma Taça), títulos que marcaram o regresso às conquistas: Antes deles o Benfica não vencia uma Taça havia 8 anos e um Campeonato havia 10.

Nas competições europeias é o que sabemos, para além de uma excelente campanha de Koeman, os longos anos entre Toni e Jorge Jesus foram um completo desastre que incluiram várias goleadas de equipas secundárias. Convém não esquecer isso quando se fala de "oportunidades perdidas" contra o "Barcelona B".

Ou seja, o passado e o presente são realmente incomparáveis e nisso JJ tem razão.

E já nem estou falando da valorização de jogadores (Di Maria. Cardozo, Aimar, Ramirez, Coentrão, David Luiz, Witsel, Javi Garcia, entre outros), na adaptação de outros e no aproveitamente (recente, é certo, mas que espero seja para continuar) dos jovens da formação, para o que a equipa B veio dar um grande impulso.
Quanto ao resto, Jesus deve ter mais contenção (e penso que tem aprendido nesse capítulo) e, na minha perspectiva, respeitando o que os outros pensam, os adeptos devem-se é concentrar no essencial e não em factores acessórios, apoiando a equipa, sobretudo quando tantos poderes ocultos a tentam desestabilizar e prejudicar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fez lembrar o 8-1



Excelente vitória, ontem no Bonfim, com o Benfica a fazer lembrar a equipa de há três anos e a equipa que o ano passado alcançou 5 pontos de vantagem sobre o 2º classificado. É um campo por regra difícil para o Benfica, pelo que a vitória de ontem é importante.

Foi uma grande exibição, obviamente facilitada pela expulsão de Amoreirinha. De certa forma, o jogo ficou logo alí sentenciado, tal a diferença de valor entre os jogadores das duas equipas.
Pouco depois veio o primeiro golo e o jogo acabou mesmo.

Sálvio esteve infernal, assim como Rodrigo, a justificarem a titularidade. Sálvio é realmente, independentemente do número de extremos que temos, um jogador como há poucos, que de facto faz a diferença. Quanto a Rodrigo, a opção de renovação foi a mais acertada como se viu pela confiança e atitude que ontem exibiu. Entre os dois é difícil escolher quem esteve melhor, pois Rodrigo marcou dois golos, mas eu escolheria ainda assim Sálvio porque foi um motor a alta rotação que, com os seus esticões, "partiu" totalmente a defesa do Vitória de Setúbal.

De resto toda a equipa mereceu nota alta. Maxi subiu sempre muito bem, Garay deu enorme segurança, Javi esteve ao nível habitual, que é muito alto, Witsel pautou e dominou o meio campo e também Enzo Peres começa a demonstrar ritmo e entrosamento.

Jesus esteve bem ao fazer uso do super-banco de que dispomos, efetuando as substituições cedo e dando minutos a Nolito, Carlos Martins e, mais tarde, Aimar. Todos eles tiveram boas atuações e participação em golos, tendo Nolito mesmo marcado, num lance facilitado pelo guarda redes.

Por fim, em relação a Melgarejo, a exibição foi também bastante boa, destacando-se a excelente jogada e notável assistência para o 1-0 que desbloqueou definitivamente o jogo. Aliás, foi sua a iniciativa que levou à entrada e consequente expulsão de Amoreirinha. No entanto, continuo a ter as maiores dúvidas em relação a esta solução para o lugar de defesa esquerdo. Melgarejo é para mim - já neste momento - um grande jogador mas para o lugar de extremo. Neste jogo destacou-se a atacar e poucas vezes teve que defender. Nessa medida não sei se o Benfica fica a ganhar muito com a sua adaptação ao lugar de defesa.
Lembro-me que Coentrão como extremo não tinha qualidade suficiente a atacar. O mesmo se passava com Maxi. Faltava-lhes algum talento, alguma imaginação e explosão que as extremos é requerida para fintar os adversários. No entanto, tratando-se de dois jogadores com enorme pulmão, vindos de trás e embalados, tornam-se muito perigosos e úteis no ataque. Daí serem adaptações de sucesso.
Já Melgarejo possui essa capacidade de explosão, possui sentido de baliza e uma velocidade espantosa. Penso por isso que tem qualidade suficiente para ser extremo.
Como defesa, não excluo que dê novos erros tais como os que deu contra o Braga.

Sobre a arbitragem e alguns comentários ouvidos nas televisões, falarei de seguida.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Não serão extremos a mais?

O Benfica joga, desde que Jorge Jesus chegou á Luz, com dois jogadores nos corredores (para além dos laterais). No primeiro ano, consegui-se um equilíbrio único nas "asas": o jogador rápido, explosivo e virtuoso que é Di Maria, tinha, como contraponto do lado oposto, um outro fora-de-série, capaz de interpretar os momentos defensivos e ofensivos da equipa, no sentido de lhe dar ora equilíbrio, ora profundidade. Trata-se obviamente de Ramirez cuja capacidade sempre admirei e que tem uma enomíssima quota parte de mérito quer nas vitórias desse ano quer na conquista da Champions pelo Chelsea esta época.
Com estes jogadores na equipa, sobretudo Ramirez mas também devido à velocidade e poder de antecipação de David Luiz, o Benfica podia jogar com apenas um jogador no meio campo defensivo, Javi Garcia, que tem uma enorme capacidade física e de choque.

No ano seguinte, a saída de Ramirez e Di Maria expôs mais as fragilidades do sistema do Benfica no meio campo, criando desequilíbrios evidentes. Que foram este ano corrigidos com a entrada de Witsel e a reorganização do meio campo.

O que faltou este ano foi um lateral esquerdo capaz de dar profundidade e segurança, um substituto de Maxi Pereira e um substituto de Witsel, que nalguns jogos se perceber não estar nas melhores condições físicas. Nas faixas laterais, existia abundância e o lugar que chegou a parecer cativo de Gaitan deixou um jogador explosivo e combativo como Nolito demasiadas vezes no banco. Aliás, com algumas nouances tácticas e técnicas, um certo ajustamento do sistema, até Rodrigo e Nélson Oliveira podem jogar nas faixas (e fizeram-no nalguns jogos) tal como Djaló. Até Emerson, no último jogo, ocupou a posição de extremo esquerdo. Em resumo, para o ataque não nos faltaram jogadores, mesmo considerando que Enzo Perez pouco jogou e saiu a meio da época.

Espanta-me portanto um pouco que o Benfica tendo já contratado um jogador, Ohla John, e aparentemente esteja ainda interessado em Sálvio. Em causa não está a respectiva qualidade, que parece evidente, mas a super abundância de jogadores para apenas dois lugares: John, Nolito, Bruno César, Djaló, sendo que ainda não é claro o destino de Perez e se fala na vinda de Sálvio. A isto acrescem ainda outros emprestados e os jogadores que, foi anunciado por Vieira, serão promovidos dos júniores aos séniores. Parecem-me jogadores a mais.

Por outro lado, para defesas laterais fala-se de Ansaldi, Rojo e Fábio (que afinal aparentemente já não virá) mas ainda nada se concretizou.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Resultados de sondagens - Assembleia Geral

Fizemos já aqui algumas sondagens. Apesar do número de participantes ter sido limitado, queria partilhar os resultados.
Jorge Jesus: a maioria dos participantes considerou que ele se deveria manter como treinador do Benfica na próxima época, até terminar o seu contrato.
Árbitros I: a grande maioria considerou que o que se passou este ano foi ainda mais descarado do que o que aconteceu durante os anos do Apito Dourado, pelos quais o Porto e Pinto da Costa foram condenados por corrupção.
Árbitros II: a pergunta era sobre o que deveria fazer o Benfica para moralizar a arbitragem. A resposta mais votada foi a de que o Benfica deve convocar uma Assembleia Geral para, entre os sócios, debater a questão e definir uma linha a seguir. Seguidamente as opções mais votadas foram: exigir a demissão de Fernando Gomes e Vítor Pereira, começar a usar na Luz os mesmos métodos (mais musculados) que outros usam nas suas casas, com menos votos, exigir a demissão de apenas Fernando Gomes ou apenas Vitor Pereira e por fim dar mais entrevistas a meios de comunicação social.

Comentário: é clara a convicção dos benfiquistas de que o campeonato perdido este ano, se bem que com alguma dose de culpas próprias, se deve sobretudo a arbitragens altamente tendenciosas. Houve por parte dos árbitros uma intenção que chegou a parecer flagrante de prejudicar o Benfica.

Nessa medida, torna-se necessária uma acção decidida e firme por parte da direcção. Não basta protestar é imperioso EXIGIR medidas que garantam que as coisas não se repetem no futuro. O Sporting foi prejudicado em um ou dois jogos e fez um ruído tremendo, com audiências junto do Secretário de Estado e lamentos que duraram toda a época. Depois vieram os benefícios em diversos jogos, sem os quais muito dificilmente estariam no Jamor. Pelo meio houve o caso Pereira Cristovão... O Porto foi prejudicado num lance de penalty (num jogo que até ganhou) e no dia seguinte o árbitro (Duarte Gomes) estava a fazer mea culpa no Facebook. Depois de perder em Barcelos, o treinador do Porto disse que "podiam entregar as faixas ao Benfica" e depois disso foi o que se viu...

Em conclusão, parece-me que a direcção deve tomar medidas para moralizar de vez a arbitragem. Se há coisa evidente, e que se percebe pelo parágrafo acima, é que os árbitros são altamente influenciáveis e permeáveis a pressões. Isto não é aceitável numa competição profissional.

A ideia de convocar uma Assxembleia Geral pode dar à direcção força e legitimidade para EXIGIR medidas de moralização. Se integrámos na sondagem a opção de uso de meios mais "musculados" na Luz, foi apenas no sentido de se fazer perceber aos árbitros que também não aceitaremos impavidamente que outros os usem e retirem disso benefícios, ao passo que nós, por os considerarmos ilegítimos e consequentemente não os usarmos, acabarmos por ser prejudicados. É portanto, mais do que outra coisa, pois não faremos aqui a apologia da violência (o desporto não é isso), uma forma de dizer que não andamos a dormir e não aceitaremos ser os bombos da festa.

Aliás, eu discordo da política dos jogadores não poderem falar com os árbitros ou reclamar das suas decisões (política que foi assumida pelo Benfica). Se olharmos para as equipas de Mourinho, ou mesmo o Barcelona e outras grandes equipas europeias (as inglesas são um pouco a excepção), vemos os jogadores pressionarem os árbitros.
Julgo que é também por sermos os "alunos bem comportados" que acabamos por ver nos ser aplicado um critério de rigor que não se usa contra outras equipas. Que outra equipa teve um jogador expulso por dar um murro na relva? Eu defendo que depois de uma decisão escandalosa como a de não assinalar o penalty em Coimbra, a equipa deveria - SIM, defendo-o - rodear o árbitro e exigir explicações. E no fim do jogo o mesmo. Mesmo que acabássemos o jogo com menos um ou dois, o espírito de grupo sairia reforçado e os jogadores descarregariam um pouco a sua frustração, não sentindo tanto (como aconteceu este ano) que era sempre COMER E CALAR. Por outro lado, o clamor público seria maior e da vez seguinte talvez os árbitros se sentissem menos à vontade para tomar determinado tipo de decisões.

Por fim, aproveito para lembrar que há uma nova sondagem. Para aqueles que quiserem participar está na barra direita.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Entrevista de Jorge Jesus

Numa entrevista hoje dada a "A Bola", Jorge Jesus diz querer continuar no Benfica, onde está de alma e coração. Admite erros, nomeadamente o de ter colocado demasiados "ovos" na Champions quando a prioridade deveria ter sido o campeonato. Refuta porém qualquer falta de motivação ou de dedicação e descarta em absoluto uma ida para o Porto.

São considerações interessantes e que confirmam muito do que temos vindo a dizer neste blog (Jesus tem muitas vezes "mais olhos do que barriga" e faz opções demasiado arriscadas, quase suicidas).

Porém talvez ainda mais importante é que JJ coloca o dedo na ferida, como também aqui temos insistentemente feito, no que respeita à arbitragem. Diz ele: "Mas por que razão os critérios para a marcação de penalties são uns para o Benfica e outros para outro clube? Há alguma razão? Porque é que uma mão na nossa área é sempre motivo para a marcação de um penalty e na área adversária nunca é?" E continua, assinalando outro aspecto que também já tinha apontado, que é o do desgaste que os contantes roubos (não se trata de outra coisa) provocam nos jogadores: "os erros de arbitragem afetam desde logo a motivação dos jogadores nos jogos seguintes e, em consequência, o rendimento daqueles. A revolta e indignação na maioria dos casos retira tranquilidade e provoca um desgaste anímico muito grande"; e, adiante: "a dado passo há um desgaste e cansaço psicológico que é difícil contrariar. Quando os jogadores interiorizam que estão a ser prejudicados e que não conseguem sair daquela situação, como é que isso se resolve?". Jesus diz ainda sobre o castigo de Aimar: "como é que se explica a um jogador que vai ficar de fora dois jogos por uma entrada dura mas leal, enquanto todos os restantes jogadores que foram expulsos durante a época apanharam apenas um jogo, que um jogador que agrediu outro a soco levou apenas um jogo. Tudo isto pesa, não tenha dúvidas".
Jesus disse quase tudo e se não disse mais foi para evitar, como inclusivamente admitiu, ser castigado pelos poderes iníquos do futebol português que, em vez de combaterem situações de grosseiras adulterações da verdade desportiva, ainda castigam que as denuncia.

Penso que os benfiquistas devem entender que enquanto o sistema vigorar no futebol português, o Benfica só será campeão quando for esmagadoramente superior aos seus adversários. Isso só acontece uma vez em cada quatro ou cinco anos, ou mesmo mais. E mesmo assim, sendo muitíssimo superior em campo, ganhará, como aconteceu há 2 anos, apenas tangencialmente, na penúltima ou última jornada. Por outro lado, quando os nossos adversários nos forem superiores, como foi o caso do ano passado, vencerão com 15 ou 20 pontos de avanço sobre nós, como sucedeu no ano passado.

As coisas têm que mudar no futebol português, mas não com estes árbitros, não com estes dirigentes. A sua credibilidade, se alguma vez existiu, está totalmente esgotada. Quer o treinador, quer os jogadores do Benfica sabem que entram em campo já em desvantagem. Olegários, Jorges Sousas, Capelas, Proenças, Miguéis e tantos outros não têm honorabilidade para arbitrar jogos. Só quando forem erradicados do futebol, juntamente com as estruturas que os condicionam e comandam, poderá haver justiça e o melhor vencerá. Esta verdade tem que ser assumida sem rodeios pelo Benfica - ontem já era tarde - e daí serem retiradas consequências. É preciso uma limpeza completa no futebol português, a começar com o Presidente da Federação, Fernando Gomes, cuja saída é uma condição sine qua non para a recredibilização do campeonato nacional. Caso contrário, volto a insistir, não vale a pena sequer competir.

Em rigor, esta é uma batalha em que não cabe ao treinador do Benfica estar na linha da frente. Aguardam-se notícias sobre o que estão o presidente e a estrutura dirigente do Benfica a fazer neste domínio.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Benfica precisa de uma estrutura - os últimos 30 anos

No rescaldo da vitória da Taça da Liga, defendi não ser ainda chegado o momento de se fazer uma avaliação final ao trabalho de Jorge Jesus, até porque a época não terminou. Pode-se e deve-se porém começar a preparar o caminho e a apontar soluções para que o futuro seja mais estável e sustentado do que o presente.
Os últimos 30 anos do Benfica são os piores da sua história.
Em 1982, faz amanhã 30 anos, Pinto da Costa assumiu a presidência do FCP. Os resultados são os que se conhecem. De uma posição de hegemonia no futebol português, o Benfica passou, numa primeira fase, a dividir o seu domínio com o Porto, até chegar à posição de hoje: um clube menorizado, constantemente vencido pelo seu adversário nortenho. Os períodos de crise, instabilidade e conturbação tornaram-se cada vez mais frequentes.
Entre 82 e 2012 o Benfica venceu 6 campeonatos (1982/83, 1983/84, 1986/87, 1988/89, 1990/91, 1993/94, 2004/05, 2009/10), 7 Taças de Portugal (1982/83, 1984/85, 1985/86, 1986/87, 1992/93, 1995/96, 2003/04), 3 Supertaças (1984/85, 1988/89, 2004/05) e 4 Taças da Liga (2008/09, 2009/10, 2010/11, 2011/12). Um total de 20 títulos em 30 anos. No mesmo período, o Porto venceu 18 campeonatos, 12 Taças e 17 (!) Supertaças, totalizando 47 títulos nacionais. Mais do dobro portanto. A isto acrescem duas Taças dos Campeões, duas Taças UEFA (Liga Europa), duas Taças Intercontinentais e uma Supertaça Europeia, num total de 7 títulos internacionais. Se contabilizarmos estes títulos, o Porto quase triplica o número de troféus conquistados pelo Benfica nas últimas três décadas.
Já o Sporting ganhou apenas 2 campeonatos, 4 Taças e 6 supertaças.
Ou seja, desde que Pinto da Costa é presidente do Porto, o domínio deste clube no futebol português foi avassalador, relegando o Benfica para uma posição secundária, e praticamente acabando com acabando com o estatuto de "grande" do Sporting.
Estamos perante algo nunca visto no futebol mundial.
É óbvio que muitos destes títulos portistas foram "conquistados" de forma ilegítima, ilícita, com batota e favores arbitrais. Noutros países, o Porto tê-los-ia perdido e Pinto da Costa teria sido irradiado. É sabido que muitos árbitros, desde Calheiros a Guímaro e Martins dos Santos foram corrompidos. Houve viagens pagas, subornos, "meninas", violência e intimidação. No entanto, estamos em Portugal, a justiça é o que é e a verdade é que esses títulos contam. Por outro lado, não podemos ignorar que houve trabalho, organização e mérito que contribuiram para que o Porto esteja na actual posição. Os títulos internacionais demonstram-no.
O que está então o Benfica a fazer de errado e que lições pode tirar das últimas três décadas para inverter esta tendência de declínio?
A meu ver há dois factores principais: organização e identidade.
A identidade benfiquista começou-se a diluir na época 1979/80 quando entra o primeiro jogador estrangeiro no clube. A mentalidade clubística, a chamada mística, a consciência de se pertencer a um clube especial, a um emblema cuja camisola tinha um peso e acarretava responsabilidades, sofreram o primeiro abalo. Os tempos são outros e não é hoje obviamente exequível manter uma equipa só com portugueses. No entanto, jogar sem portugueses é algo que não pode acontecer no Benfica. Diga-se aliás que Vieira prometeu há uns anos ter no Benfica a espinha dorsal da selecção nacional...
O que se passou seguidamente foi que apesar do Benfica ter bons jogadores nos anos seguintes começou a faltar alguma consistência aos plantéis. Ao lado de jogadores como Diamantino, Chalana, Bento, Rui Águas ou Veloso apareciam outros com menos qualidade. Acima de tudo faltava já a coesão interna necessária para integrar os novos jogadores no espírito benfiquista. Eram equipas heterogéneas. A geração de Humberto Coelho, Nené e Shéu chegava ao fim e a nova não tinha a mesma fibra. Começavam a entrar e sair jogadores e treinadores demasiado depressa. No Porto seguia-se o caminho inverso. Inventava-se uma identidade clubística como bandeira do Norte e criava-se um tipo de jogador à porto, com uma cultura táctica muito forte, que permitia que jogadores menos dotados se integrassem no que era já uma equipa muito coesa. Feita de combatividade e futebol defensivo mas também de alguma técnica, esta cultura portista começou a dar resultados. O complexo de vir jogar ao Sul começava a ser ultrapassado. Jogadores como Jaime Pacheco, Jaime Magalhães, João Pinto, Frasco e Inácio são os maiores expoentes deste novo Porto. Numa bola de contra-ataque Gomes fazia a diferença. Mas em breve haveria também Futre, Madjer, Juary, jogadores cuja criatividade era um bónus para o futebol sempre seguro do Porto.
Para o clube do Norte, o jogo não era para ser bonito, fazer sonhar, transmitir valores. Era para ganhar.
Pedroto e Pinto da Costa começam, a par da cultura desportiva e identidade que inventaram, a fazer uma guerrilha, oculta ou aberta conforme as ocasiões, ao Benfica, a Lisboa, ao "Sul". Não havia "princípios" nem "acordos de cavalheiros". Levam Futre ao Sporting e Rui Águas e Dito ao Benfica. Começam a pressionar árbitros e orgãos federativos. Desde a morte de Pedroto, adopta-se nas Antas uma atitude clara de intimidação e coacção. Do medo futebolístico portista de jogar no Sul passa-se ao medo físico dos restantes clubes (e árbitros) em ir às Antas. Os dirigentes do Benfica não prestaram a devida atenção ao que se estava a passar e quando acordaram já era tarde.
As vitórias dão cada vez mais moral ao Porto. A cidade aglutina-se à volta do clube, o poder cresce nas estruturas do futebol. É a época dos "três pintos". O projecto de poder de Pinto da Costa é estruturado e ambicioso. Também na imprensa há cada vez mais portistas, mais aguerridos, mais militantes e mais subtis do que a clássica imprensa desportiva, maioritariamente afecta ao Benfica. O Benfica perde cada vez mais a sua identidade, definha. Quando chegamos ao fim da década de 80, o equilíbrio de forças no futebol português já foi invertido. O Benfica de João Santos e Gaspar Ramos, que atinge duas finais europeias, ainda consegue dois campeonatos (um deles conquistado nas Antas, sob um clima de terror e violência liderado pelo "guarda Abel") e uma Taça mas os efeitos do ciclo vencedor portista não se tardariam a fazer sentir.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

E Pluribus Unum


Os anglófonos têm uma expressão que hoje me veio à memória, a propósito do que ultimamente vem sendo feito ao Benfica: to add insult to injury. Uma tradução literal não funciona, pois injúria em português é o mesmo que insulto. Juntar insulto à agressão é uma hipótese mas uma tradução mais livre, deitar sal nas feridas, também exprime aquele conceito.
É isto que tem sido feito ao Benfica nos últimos jogos. Em Alvalade não marcar o penalty descarado de Polga e marcar um mais do que forçado a Luisão (dando-lhe o cartão amarelo e vindo a expulsá-lo mais tarde), mais do que nos prejudicar, é insultar-nos, gozar na nossa cara. Houve muito mais casos no jogo. Por exemplo, estou convencido de que Wolksvinkel parte de posição irregular no lance do  pretenso penalty, não ficando minimamente convencido com a única repetição do lance (dum ângulo oblíquo e enviesado). Por exemplo, João Pereira fez o possível e o impossível para ser expulso, tendo acabado apenas amarelado num lance em que Nélson Oliveira recebeu a mesma repreensão disciplinar. Isto depois de pisar, pontapear e insultar - diversas vezes. Por exemplo, Djaló sofreu várias entradas ilegais, para gáudio das bancadas e perante a complacência do árbitro, para quem nada passava. Comparemos o critério aplicado nessas jogadas com o que o árbitro usou no lance entre Luisão e Wolksvinkel e ficamos conversados.

Mas este rol de injustiças, trapaças mesmo - porque não dizê-lo -, veio, como se não bastasse, na sequência de muitas outras coisas. O quê? Dois penaltis por assinalar em Coimbra, o segundo sobre Aimar ainda transformado em falta contra o Benfica, expulsão inconcebível de Emerson por duas faltas absolutamente normais contra o Porto, golo em claríssimo fora de jogo do Porto na Luz, uma escandalosa arbitragem em Olhão (compare-se o abraço de urso sofrido por Jardel ao referido lance Luisão/Wolksvinkel ou a expulsão de Aimar à entrada de Toy sobre Javi Garcia) e,  juntando insulto à injúria, a suspensão inédita de Aimar por dois jogos, impedindo-o de jogar em Alvalade. Recordo ainda que contra Sporting acabámos nos dois jogos a jogar com 10, tal como na Luz contra o Porto.

Tenho que discordar de muitos benfiquistas quando dizem que se jogássemos melhor ganharíamos apesar dos "erros" dos árbitros. Peço desculpa mas os nossos jogadores não são super-homens. Os jogos contra o Benfica são já de si difíceis pelo empenho único que os adversários nele colocam e as tácticas ultradefensivas que adoptam. Ora, se as oportunidades que o Benfica cria são paradas ilegalmente e os árbitros nada assinalam, o desgaste psicológico começa a acumular-se e começam a faltar forças aos nossos atletas para combater tamanhas farsas.

Por isso considero que É INADMISSÍVEL QUE NOS RESIGNEMOS A QUE O BENFICA TENHA QUE JOGAR 2, 3 E 4 VEZES MAIS DO QUE O ADVERSÁRIO PARA PODER GANHAR. Sobretudo quando em certos jogos dos rivais são estendidas passadeiras.

Os nossos jogadores estão cansados? Pudera! Estão psicologicamente abatidos? Qual é o espanto?

Veja-se o estado de espírito de Maxi depois de uma destas actuações arbitrais:

http://www.youtube.com/watch?v=SbKVo1o9Gw4&feature=related

Esclarecedor. Ou recorde-se o que disse Artur após o jogo com o Sporting:

http://www.futebol365.pt/noticias/artigo.asp?id=58594&CAT=Nacional

A coisa é de tal ordem que os nossos defesas evitam até encostar aos adversários, quando dentro da grande área, com medo de que o árbitro tenha um pretexo para marcar penalty. Eles estão dentro de campo, sabem como é. Por isso a frustração e o cansaço acumulam-se.

Perante isto, os nossos adversários riem alarvemente e permitem-se fazer piadolas. No entanto continuam a falar de "colo", "andor" e "regime" e a referir-se indignados à "Taça Lucílio Baptista", que aconteceu há 3 anos atrás... Se um lance num jogo alimentasse para nós 3 anos de queixas, tínhamos nesta época matéria para todo o século.

Daí o meu apelo a todos os Benfiquistas que têm a paciência de me ler: não é hora de recriminarmos Jesus e os nossos atletas. Muito desapoiados pela estrutura do futebol, eles têm feito tudo para que possamos vencer. É HORA DE UNIÃO, de honrar o nosso lema. Já o disse e repito, o BENFICA NÃO PERDEU O CAMPEONATO. Se não o ganharmos é porque ele nos foi ROUBADO.

Tenhamos agora a força de nos manter de pé e honrar o nome do Benfica no que falta jogar na época. Tenho esperança de que até ao fim ainda possam estar reservadas algumas surpresas.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Jorge Jesus

O dia está triste e cinzento, e assim se sentirão muitos benfiquistas, como é o meu caso.

É-me penoso escrever sobre Jorge Jesus. Sei que, tanto como nós, ele gostaria de ganhar. Sei que grande parte do que se passa não é responsabilidade sua.
Tenho respeito por quem tem convicções fortes e não teme dizer o que pensa.
No entanto, todos temos que perceber que os nossos egos não podem estar acima de tudo e temos que ter a capacidade de aprender com os erros. Temos que saber assumir responsabilidades.
Há portanto que escrever sobre Jorge Jesus.

Jorge Jesus chegou ao Benfica com a promessa de que colocaria os jogadores do Benfica a jogar pelo menos o dobro e com um discurso ambicioso.

No primeiro ano esteve à beira do sonho: a equipa jogava espectacularmente e a dada altura pensou-se que poderia vencer o campeonato, a Taça da Liga e a Liga Europa.
Conseguiu os primeiros dois objectivos mas ficou um amargo de boca pela eliminatória que pareceu mal perdida com o Liverpool (com a opção desastrosa de colocar David Luiz a defesa esquerdo) e a derrota nas antas num jogo em que poderíamos ter assegurado o campeonato. Houve também a eliminação para a Taça contra o Guimarães na Luz num jogo de grande infelicidade. Pelo meio ficaram algumas situações mal explicadas, como o aparente gozar com o treinador Manuel Machado entre outras cenas menos edificantes.

O balanço foi porém muitíssimo favorável, com os 4-1 ao Sporting ou o 3-0 ao Porto para a Taça da Liga a entrarem para a história recente do clube como dos jogos mais memoráveis numa época de goleadas e jogos arrasadores.

O Benfica apresentava uma tal força que se esperava conseguir finalmente quebrar a hegemonia do Porto e entrar numa nova era de sucessos.

Pura ilusão. Depois de derrotas em particulares e exibições para esquecer, o Porto consegue derrotar o Benfica na Supertaça. Isto com uma exibição lamentável do nosso clube e um golo que pareceu muito consentido por um guarda-redes que viria a ser um dos casos da gerência de Jesus: Roberto.

Essa derrota marcou a época. No Benfica é assim. Ao passo que noutros lugares se conseguem fazer das fraquezas forças e encontrar motivação nas derrotas e nas críticas, no Benfica de há uns anos para cá os contratempos desmoralizam e abatem a equipa.

O ano passado o Benfica foi muito prejudicado nas primeiras 6 jornadas de arbitragem que levaram o Porto a ganhar uma vantagem que não mais perderia. Mas, para lá disso, há algo de intrinsecamente desequilibrado nas equipas de Jesus, sobretudo de há dois anos para cá e desde a saída de Ramirez.

O Benfica produz um caudal de jogo atacante impressionante, tem posse de bola, cantos, livres e remates. No entanto na grande maioria das situações é quase inofensivo. Por outro lado, nas raras vezes em que as equipas contrárias atacam criam um tremendo perigo para a baliza do Benfica. Não sou treinador e não sei o que são as transições mas seguramente algo não está bem.

O Benfica inicia os jogos numa fúria atacante que impressiona. Mas quando não consegue marcar cedo percebe-se que psicologicamente se deixa abater, que a equipa contrária (por vezes fraca, fraquíssima) começa a ganhar confiança e a acreditar e que o jogo será extremamente difícil. Nessas alturas JJ bloqueia, coloca em campo mais avançados e normalmente acabamos por empatar ou perder os jogos.

Depois há a teimosia. Primeiro foi Roberto. Não vale sequer a pena recordar as exibições quase patéticas do guarda-redes espanhol. Agora é Emerson. Depois de exibições seguras de Capdevila contra o Porto e o Chelsea, depois de exibições lamentáveis de Emerson (sobretudo contra o mesmo Chelsea mas na Luz), Jesus volta a colocar este último em campo contra o Sporting. Não terá sido por ele que perdemos o jogo mas a teimosia de Jesus terá já causado um desgaste no balneário que poderá ser irreparável.

O campeonato perdeu-se em Guimarães. A dois jogos do confronto directo com o Porto uma vitória em Guimarães asseguraria que, na Luz perante os seus adeptos, o Benfica recebia o seu rival em primeiro lugar, já no último terço do campeonato.

Aí Jorge Jesus entrou em curto-circuito. Coloca Matic só no meio-campo (algo que já fizera em São Petersburgo, resultando na segunda derrota da temporada) e Rodrigo (visivelmente diminuído depois da entrada de Bruno Alves) a titular. No banco Jesus parece perdido: depois de uma primeira parte absolutamente vergonhosa faz a primeira substituição já só na segunda e depois guarda duas para... os descontos. Que Jesus estava perdido foi aliás coisa que se percebeu na entrevista após o jogo, quando diz que "ainda", note-se bem ainda, tinha dois pontos de avanço, pelo que quem vinha atrás é que se teria que preocupar.

O que me leva a uma outra consideração: Jorge Jesus tem, com raras excepções, falhado nos momentos decisivos, nos momentos em que se lhe pedia algo de diferente, de melhor, a capacidade de surpreender o adversário e começar a vencer o jogo tacticamente. É o contrário que se vê: em jogos decisivos como aconteceu com a Taça de Portugal no ano passado, a Liga Europa (em 2010 e 2011), os jogos com o Porto para o campeonato (ano passado e este ano na Luz) e por fim ontem em Alvalade (onde não se podia falhar), o Benfica baqueia. Isto para não falar da eliminatória com o Chelsea em que o medo de sofrer golos o levou a perder o jogo na Luz (apesar de não esquecermos obviamente a influência do árbitro no respectivo desfecho).

Como o Sporting ia jogar ontem era demasiado previsível. Tem jogado sempre assim desde que Sá Pinto chegou. Uma equipa que não assume o jogo e espera por um erro do adversário para marcar. Jesus colocou em campo dois avançados demasiados presos de movimentos (Rodrigo tenta mas nesta fase não consegue) e a equipa nunca teve a velocidade que necessitaria para ultrapassar uma defesa do Sporting que tem lacunas e joga acantonada lá atrás. O Benfica dos últimos jogos parece um touro a marrar insistentemente numa parede.

Por fim há o factor físico. Várias vezes quis acreditar que não fosse verdade mas ontem foi o próprio Jesus a admitir que há cansaço. Ora, se assim é, para quê esgotar a equipa em Londres quando a eliminatória estava praticamente perdida, fazendo 10 homens correr incansável e ingloriamente contra 11? Na própria Taça da Liga terá valido a pena jogar com o Porto praticamente na máxima força?

Para quê ir a todas se daí resulta ganhar apenas a mais insignificante (Taça da Liga)?

Jorge Jesus não chegou ontem ao Benfica. Em breve fará três anos desde que assinou. No entanto os erros, os tiros nos pés não são corrigidos. Nalguns casos as coisas agravam-se com a equipa e os adeptos a tornarem-se cada vez mais descrentes e o nosso futebol cada vez mais previsível, presa fácil de qualquer treinador que tenha algum olhinho táctico. Assim não, Jorge Jesus.