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terça-feira, 2 de junho de 2015

Jesus ganhou, venha outro

Dizem alguns benfiquistas que tudo está encaminhado e que Jorge Jesus será o "próximo" treinador do Benfica. Espero que estejam certos e acima de tudo espero que Jesus fique, por razões que me parecem por demais evidentes. No entanto dizer-se que a incerteza à volta da continuidade é uma mera fabricação da comunicação social e que nunca houve dúvidas é algo que não corresponde à realidade. Parece-me inclusivamente que neste momento nada está decidido. Que sentido faria estar a alimentar especulações e incerteza entre jogadores e adeptos?

Uma coisa que não entendo são as notícias de que o Benfica deseja baixar o vencimento de Jesus. Aí sim, espero que se tratem de meras especulações sem fundamento. Não porque eu queira que JJ ganhe muitos milhões ou porque não ache esse tipo de valores astronómicos. No entanto se o salário de JJ era X há dois anos não faz qualquer sentido baixá-lo depois dele conquistar nesse período praticamente tudo a nível interno (faltou apenas a Taça deste ano para fazer o pleno) e ter permitido ao Benfica vendas de dezenas de milhões de euros. 

Outro factor apontado como razão para o Benfica não continuar com Jorge Jesus é a necessidade de apostar na formação, algo para que Jorge Jesus não estaria particularmente vocacionado. 

Em relação a tudo isto, a minha posição é, por uma vez, similar à de Freitas Lobo: a serem verdade estas notícias, Vieira estaria convencido de que a estrutura seria já suficientemente forte para conseguir aguentar o baque da saída de um treinador que revolucionou mentalidades no Benfica e alcançou resultados extraordinários com uma marca pessoal muito forte.

Ora para mim, apesar de todo o trabalho de grande competência feito por Vieira e a estrutura dirigente em geral, profissionalizando muito o clube e dotando-o de todas as condições de topo para poder ganhar, está ainda por demonstrar que o sucesso dos últimos anos possa ter continuidade sem Jorge Jesus. Não que seja impossível. Claro que pode acontecer. No entanto trata-se de uma aposta no escuro que a meu ver não se justifica nas actuais circunstâncias.

Com Jorge Jesus o Benfica subiu para patamares de competitividade máximos. A frase "acima disto não há nada", dita pelo próprio, no seu estilo peculiar, é quase verdadeira. Os poucos que continuam a colocar a causa o seu trabalho, desvalorizando-o e praticamente dando a entender que qualquer um com um mínimo de competência conseguiria os mesmos resultados, agarram-se agora às más prestações na Liga dos Campeões como último argumento de arremesso contra o treinador do Benfica. É um facto que as prestações não têm sido as ideais mas em cada ano houve circunstâncias particulares que terão que ser avaliadas nas suas particularidades. Além disso o facto do Benfica ter estado em duas finais da Liga Europa não pode ser desvalorizado como algo de insignificante. 

Ora manter estes patamares com um treinador com pouco ou nenhuma experiência a este nível é pouco provável. O que de pior poderia acontecer ao Benfica do que voltar aos anos em que ao fim de 5 ou 6 jornadas já estava a meia dúzia de pontos, acabando o campeonato em 3º lugar? A possibilidade de regresso ao terrível passado recente é algo que deve fazer o presidente do Benfica ponderar muito bem as coisas. É que para construir e fazer bem demora e dá muito trabalho mas destruir é algo que pode acontecer de um dia para o outro.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Deixem o Benfica festejar

Como benfiquista do coração e de pequenino, custou-me e entristeceu-me muito o que aconteceu no domingo. A festa do Benfica foi estragada - e não foi pela polícia, foi pelos adeptos (?) que se envolveram em agressões, roubos e ataques que fizeram do Marquês de Pombal uma zona de intifada. 

Concordo inteiramente com o Presidente da Câmara de Lisboa. Acho inexplicável que quase uma semana depois do que se passou ainda não haja um apuramento de responsabilidades e uma identificação dos grupos criminosos. Porque é disso que estamos a falar. Pedras da calçada e garrafas atiradas daquela forma podem lesionar gravemente e até matar uma pessoa. Quem atira esses objectos indiscriminadamente, aliás no meio de uma multidão onde estavam crianças pequenas, é pior do que um selvagem e do que um animal. É um criminoso que tem que ser banido do convívio com as pessoas normais. Defender, justificar ou desculpabilizar estes actos não é defender minimamente o Benfica. É até o contrário. Luisão disse logo enquanto os acontecimentos decorriam que aquilo não era o Benfica. Luis Filipe Vieira também esteve muito bem ao denunciar a violência e defender que ela tem qeu ser banida do futebol - doa a quem doer! E Leonor Pinhão fez o mesmo na sua crónica de ontem n' "A Bola". Sublinho bem, doa a quem doer, porque se as claques tiveram alguma coisa a ver com isto têm a meu ver que sofrer as consequências com um castigo que seja verdadeiramente exemplar e permita que o desejo do Presidente (e de todos nós) se torne realidade e pais e filhos possam ir em paz e segurança ao futebol.

Claro que a actuação do já infame oficial da PSP em Guimarães é uma coisa inenarrável e aberrante que também tem que ser exemplarmente punida. Claro que no próprio Marquês poderão ter havido comportamentos menos correctos por parte da polícia. Mas nada disso desculpa, justifica ou legitima o que se passou e que acabou com a festa dos benfiquistas cobrindo-nos de vergonha. Por isso insisto: tem que haver um apuramento rápido de responsabilidades. Existem muitos vídeos que permitem identificar as pessoas e, foi dito, houve várias detenções. Expliquem portanto o que aconteceu. Talvez se venha a perceber que de facto os problemas nada tiveram a ver com futebol e o nome do Benfica possa ser limpo desta história absolutamente lamentável.

Felizmente temos este domingo uma nova hipótese de festejar, agora já sem a tensão e a ansiedade de ver concretizado o grande objectivo da época. Alcançado o campeonato, com um mérito enorme e talvez sem as armas do principal contendor, que apostou todas as fichas neste ano (e já vai no segundo empréstimo obrigacionista em menos de um ano...) e nada ganhou, podemos agora saborear tranquilamente a conquista. Podemos festejar a consagração e expressar toda a alegria por este bi-campeonato encarando o jogo com o Marítimo tranquilamente. Finalmente o Benfica consegue ganhar de forma sustentada e não apenas esporadicamente. Fica a faltar a Taça da Liga. O nosso destino é vencer. Luis Filipe Vieira conseguiu encontrar o caminho certo e hoje é reconhecido até pelos seus anteriores críticos e opositores. Espero sinceramente que não cometa o grande erro de desfazer esta equipa ganhadora e de enveredar por experimentalismos nesta fase. O Benfica tem um plantel que este ano foi espremido ao máximo. Outros acharão que era possível fazer melhor. Desde o início da época que deixei aqui claro que esta equipa, este plantel tinha evidentemente qualidade mas estava longe de ser um plantel de topo. O do Porto era, em valores individuais, superior em termos de valor de mercado. A nível europeu foi claro que não havia condições para fazer mais. Nessa medida haverá que acautelar a qualidade para o ano (e isso não se faz com a equipa B ou a formação): Mas acima de tudo é preciso manter o homem que mudou a tendência dos últimos 30 anos do futebol Português - Jorge Jesus.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Há que manter a estrutura

A vitória neste campeonato demonstra como o Benfica evoluiu ao longo dos últimos anos. 

A estabilidade e solidez da sua estrutura técnica e dirigente foi o grande suporte que permitiu este título. Num ano em que o Porto apostou forte e contratou jogadores de categoria internacional (alguns apenas por empréstimo), ao passo que jogadores fundamentais da nossa equipa saíram para outros clubes (a que se juntaram lesões altamente inconvenientes), a estabilidade de métodos e "ideia de jogo" e a grande união do plantel, sustentadas numa estabilidade que vem de cima, foram os factores que fizeram a diferença. Vários são os jogadores que referem a unidade do plantel e o bom ambiente no balneário. Mesmo os jogadores menos utilizados se sentem bem no clube e desejam permanecer. 

Face a isto, seria muito perigoso desmantelar esta estrutura, a começar evidentemente pelo treinador, que é uma peça fundamental e o principal responsável pela vitória no campeonato. Não entendo as notícias de que o Benfica lhe quer baixar o ordenado. Não me parece que um treinador que já rentabilizou tantos jogadores e conquistou tantos títulos possa ser considerado "caro". Caros são aqueles que não ganham nada e fazem os clubes passar períodos de sequeiro. 

Mas a estrutura não é só Jesus. Começa evidentemente em Luis Filipe Vieira e passa, além do treinador, por pessoas como Rui Costa e Shéu. Essa estrutura está a funcionar muito bem, com cada um no seu lugar (Shéu é fundamental no balneário para transmitir aquilo que é o Benfica) pelo que deve ser mantida. É muito difícil construir mas é muito fácil desmantelar e destruir. Não gosto de ver notícias que falam da saída de Jesus (exceptuando aquelas que são do domínio da comédia) mas compreenderei se houver uma oferta irrecusável de um Real Madrid, um Bayern ou um Manchester United. No entanto se Jesus viesse a sair (e na verdade não acredito nisso) porque o Benfica lhe queria baixar o ordenado, acabando num clube da classe média europeia, para nós irmos contratar uma qualquer esperança ou um treinador mediano, isso seria incompreensível e muito perigoso. Poderia significar um retrocesso no caminho que vimos percorrendo de re-afirmação como principal clube português depois de um período hegemónico do Porto. Também me desagradam as notícias que falam da saída de Rui Costa para a Fiorentina ou Milan. Nos últimos anos Rui Costa trouxe jogadores de qualidade para o Benfica e tem sido mais uma peça importante nesta estrutura pelo que simboliza de mística benfiquista. 

Os resultados do Benfica nas últimas épocas demonstram o rigor com que se tem vindo a trabalhar. Aquilo que faltava no Benfica, a tal estrutura sólida e coesa, com todos a remar para o mesmo lado, que faltou no passado, tem finalmente sido conseguido. Há agora que a manter e consolidar. 


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Guardiola e as voltas que a vida dá

Realmente a vida é uma coisa que nos surpreende, precisamente nas alturas em que achamos que tudo é previsível. Como disse outrora alguém vida é o que acontece quando esperamos exactamente o contrário.

A vida dá muitas voltas e por isso convém ser humilde para não ser humilhado pelos outros.

Estava aqui a ver que há quase exactamente um ano atrás (em 12 de Abril de 2014) escrevi um artigo a que chamei "os dois barcelonas". O "segundo Barcelona" era precisamente o Bayern de Munique. Na altura dava ainda como por provar a capacidade de Guardiola em exportar a sua fórmula vencedora para a Alemanha. Penso que hoje já não haverá dúvidas de que o treinador espanhol conseguiu impor as suas ideias e que com isso começa a ganhar um estatuto ímpar no panorama do futebol mundial.

Quando Guardiola ganhou no Barcelona as suas vitórias foram algo desvalorizadas pelo facto de existirem Messi, Iniesta e Xavi e uma escola de futebol que formava jogadores desde os juvenis. Mas neste momento Guardiola está a demonstrar que o seu modelo de jogo não  está constrangido a uma determinada equipa. Que de mais diferente pode haver do estilo algo "palavroso", de passes e mais passes, futebol rendilhado, de Guardiola do que o pragmatismo alemão? Em termos futebolísticos nada. E no entanto Guardiola está a impor as suas ideias e este Bayern é um portento de futebol.

Nessa crónica que escrevi há um ano dava o Real Madrid e o Chelsea como favoritos a chegar à final da Champions. O Real realmente trucidou na altura o Bayern, numa noite de glória para Sérgio Ramos e Ronaldo que marcaram dois golos cada um em Munique. O Chelsea de Mourinho porém foi eliminado pelo Atlético de Madrid. A perspectiva de uma final entre os dois melhores treinadores gorou-se assim. Na Luz o Real venceria a sua "décima" com outro dos melhores treinadores do mundo (e talvez o mais titulado, com 3 Ligas dos Campeões entre muitos outros troféus), Carlo Ancelotti. Mourinho via assim o título que durante três anos perseguira sem sucesso enquanto treinador do Real sorrir ao seu sucessor.

Este ano Mourinho foi eliminado de forma surpreendente pelo PSG (o tal que "humilhou" o Benfica por nos derrotar por 3-0 na sua casa), ao passo que Guardiola já está nas meias finais, assim como o Barcelona. Ancelotti tem boas perspectivas de lá chegar e o outsider deste naipe de equipas deverá ser a Juventus (embora Leonardo Jardim ainda tenha uma palavra a dizer).  

São algumas das muitas voltas que a vida dá. Quando o Real foi campeão de Espanha com Mourinho e Guardiola saiu do Barcelona no fim da época para descansar física e psicologicamente muitos acharam que o espanhol estava derrotado e acabado. Ora ele está a provar que isso não é verdade e ainda que é possível ganhar não abdicando de um futebol bonito, de um futebol bem jogado de um futebol atractivo.

A noite de ontem foi um grande momento de Guardiola. A sua equipa demonstrou ser das melhores do mundo e apesar da noite desastrada do Porto, o mérito do Bayern (sem muitas estrelas) não pode ser colocado em causa. Só uma equipa de topo poderia jogar de forma tão dominadora, tão demolidora para o adversário.

Transpondo isto para Portugal e para o Benfica que é sempre o principal foco do nosso interesse, importa dizer que Jorge Jesus tem sido criticado vezes sem conta por privilegiar esse tipo de futebol, por acreditar nesse tipo de futebol e por insistir nas suas ideias atacantes. Quando perde, logo aparecem todos os seus críticos mais acirrados, em poses triunfais, no estilo: eu bem vos disse, a desprezar e achincalhar o nosso treinador. Quando empatou em Barcelona contra uma equipa com vários suplentes, foi severamente criticado (apesar do Benfica também não ter podido contar com jogadores como Sálvio, Enzo ou Cardozo), falando-se de forma depreciativa de um "Barcelona B ou C". Um dos jogadores titulares do Barcelona nessa noite foi um dos carrascos do Porto, ao marcar dois golos nesta eliminatória: Thiago Alcântara. São voltas...

Mas durante estes 5 anos JJ, apesar de todos os que só criticam e tentam deitar abaixo, não abdicou das suas ideias e de acreditar em si. Os resultados estão à vista e são incomparáveis com os anos que o precedem. Não fora manifesta infelicidade em alguns jogos chave e pelo menos mais um título de campeão nacional e uma Liga Europa estariam no nosso museu.

Isto é verdade, independentemente do que acontecerá no Domingo. O menos surpreendente de certa forma seria o empate, mas todos os cenários são possíveis. Uma coisa é certa, eu acredito neste Benfica e estou convicto de que Domingo sairei do Estádio da Luz satisfeito com o desfecho. Mas nada está garantido. Os portistas certamente esperam o contrário. Manuel Serrão diz que "o Benfica vai ajoelhar novamente". Veremos. Às 5 da tarde de Domingo acaba a conversa e começa o jogo jogado. É aí que tudo se decidirá.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Hora de acordar

O Benfica perdeu de forma justa e por culpa própria um jogo em que não percebeu o que se estava a passar.

De facto pouco depois do golo madrugador e sobretudo a partir do início da segunda parte comecei a pensar que o jogo se estava a tornar muito perigoso para o Benfica.

Pela terceira vez esta época o Benfica perde jogos em que foi superior ao seu adversário em posse de bola e ataques. Duas dessas três derrotas surgiram no tempo de descontos, duas delas depois de termos estado em vantagem no marcador muito cedo no jogo.

Todos têm que perceber as lições destas derrotas, parecidíssimas entre si. Jorge Jesus tem mais uma vez que aceitar que, apesar de todas as qualidades, não tem sempre razão. 

Os sinais do jogo apontavam exactamente para o que aconteceu, sobretudo a partir da bola ao poste. O Benfica deixou que um jogo no qual estava em vantagem se tornasse um jogo partido, no qual a bola passava quase diretamente das defesas para o ataque. Era a altura para ter mais um médio em campo, era altura para controlar o jogo de outro modo. Isto até porque Samaris não foi desta vez particularmente feliz. Depois da entrada de Diego, percebeu-se que o Benfica tinha que ter outra cobertura defensiva.

Por outro lado, foi desde o início patente que o Rio Ave apostava sobretudo nas bolas nas costas dos nossos defesas, explorando a velocidade dos seus avançados. Ora isto para mim torna ainda mais incompreensível as exigências de JJ para que a defesa subisse. Como isto foi uma má ideia é algo que ficou demonstrado na expulsão de Luisão. Mas havia já o caso de Eliseu que estava em manifesta inferioridade física (depois de uma entrada violenta de Ukra que não valeu qualquer sanção disciplinar por parte do árbitro) e a quem JJ exigia o que o jogador não podia dar quando o que devia ter feito era substitui-lo. 

Felizmente o Porto acusou a pressão não conseguiu ganhar o seu jogo e a situação praticamente não se alterou. Continuamos na frente e em vantagem no confronto directo. 

Na verdade e olhando agora para o lado positivo das coisas, esta jornada pode marcar uma viragem definitiva para a conquista do campeonato por parte do Benfica. Desde Paços que estamos em perda: tivemos oportunidade de "matar" o campeonato, pois o Porto perdera antes na Madeira com o Marítimo, e baqueámos. O Porto sentiu que era a sua oportunidade e venceu uma série de jogos. Desta vez passou-se o contrário: o Porto poderia ter diminuído a desvantagem para um ponto (colocando a liderança à distância de uma imaginada vitória na Luz) e deixou fugir a oportunidade. O Porto sabe agora que caso não haja mais escorregadelas entrará na Luz a ter que vencer por 3-0 para subir à liderança... Ora acrescentando a isso o facto de terem a caminho uma eliminatória da Champions com o Bayern, a sua situação não é famosa. A pressão está agora sobre eles.

Quanto ao Benfica espero sinceramente que todos tenham aprendido a lição que eu achava já sabida na ponta da língua: para ganhar os jogos é preciso nunca "desligar", é preciso ter sempre a noção que contra nós os adversários dão tudo e é preciso ter espírito "matador". Não tenham pena dos adversários que eles também não têm pena de nós. Depois também é preciso ter realismo e capacidade de sofrimento para conservar as vantagens importantes quando não é possível dilatá-las. 


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Que meio campo no próximo jogo?

O meio campo do Benfica tem neste momento apenas uma posição fixa, que é a de Samaris. No entanto o grego está castigado para Moreira de Cónegos, pelo que que os titulares daquelas posições são neste momento uma total incógnita. Cristante e Talisca? André Almeida e Pizzi? Rúben Amorim numa dupla com algum daqueles? É difícil dizer o que se passará mas uma coisa é certa: será um meio campo com pouca ou nenhuma experiência em jogar junto.
A minha aposta vai para Cristante e Pizzi. O primeiro porque tem sido a primeira escolha quando se trata de substituir Samaris, o segundo porque tem sido titular (e jogado bem) nas últimas partidas. Rúben ainda não estará, em princípio, em condições de assumir a titularidade, porque caso contrário seria certamente primeira escolha. Por outro lado, Pizzi é um jogador de "andebol", um jogador que, na perspectiva de Jesus, não é suficientemente agressivo a defender. Daí as muitas dúvidas. 

Até por estas razões o jogo de Moreira de Cónegos será de grande exigência e "perigosidade". No entanto é importantíssimo ganhar nas próximas jornadas nas quais os nossos adversários enfrentam desafios muito difíceis e se defrontam entre si, por entre eliminatórias europeias. 


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Recarregar baterias e reafirmar a liderança

Este Benfica é claramente mais fraco do que o da época passada. O que ainda não percebemos é se "chegará" para consumo interno, como se tem dito, ou se pelo contrário está em primeiro lugar de forma passageira, "ainda", apenas para de lá ser desalojado em breve.

Mas já percebemos que há alguns problemas que necessitam de resolução imediata, a qual só está nas mãos do treinador.

A primeira é efetivamente a questão do "trinco". Jorge Jesus precisa de assentar numa solução e mantê-la. Não concordei com a saída de André Almeida da equipa depois da boa exibição contra o Sporting e continuo a achar que nesta fase é ele a melhor opção. Também me parece claro que Samaris é realmente um substituto de Enzo, que possivelmente pode assumir o lugar já em Janeiro. Penso que será visível para todos que Enzo continua a ser profissional mas existe um certo desfazamento emocional em relação à equipa. O seu rendimento não é o mesmo. 

Em todo o caso, JJ tem que fixar uma solução para trinco (Almeida, para mim) e depois dar minutos a Samaris e Cristante para que quando estes forem chamados à titularidade possam render.

Outro problema cuja solução depende do treinador é o das substituições. É inaceitável não fazer ou fazer apenas uma substituição. É inaceitável porque obviamente prejudica a equipa. Sálvio e Gaitan, por este andar, a meio da época já se arrastarão em campo. Há que tentar outras soluções por vezes. Veja-se o último jogo: Sérgio Conceição tirou um dos que estava a ser dos melhores e mais perigoso jogadores do Braga (Pardo) e lançou um jogador fresco que resolveu o jogo.

Há ainda um terceiro problema que, ao contrário dos anteriores, não é particular a esta época mas já se arrasta desde a primeira época de Jesus: perdemos quase sempre os jogos difíceis fora. Ora à sexta época já seria altura do treinador do Benfica perceber que está a fazer alguma coisa mal. 

Em 32 jogos com o Braga, o Porto e o Sporting para o campeonato e da Liga dos campeões, todos fora, como referido, o Benfica tem apenas 7 vitórias. Para além disso alcançou  8 empates, acumulando um número incrível de 17 derrotas. É um balanço demasiado negativo e que deve fazer o treinador do Benfica reflectir sobretudo porque temos dentro de poucas jornadas um jogo com o Porto que neste momento já não nos podemos dar ao luxo de perder. Antes de Braga poderíamos até admiti-lo, mantendo-nos "ainda" em primeiro lugar. No actual cenário, com apenas um ponto de vantagem, já não. Isto para já não referir o jogo em São Petersburgo.

Entretanto há que dar uma resposta muito forte já neste jogo contra o Rio Ave.

Penso que nesta altura em que o Sporting e o Porto parecem crescer em rendimento, têm marcado muitos golos e se aproximaram do Benfica na classificação, a nossa equipa tem que afirmar a sua personalidade e a sua categoria de forma a mostrar que não está psicologicamente afectada e intimidada - pelo menos é isso  que eu espero que aconteça.

"Ainda" estamos em primeiro mas eu espero que estejamos até ao fim do campeonato e que possamos mesmo aumentar a vantagem pontual muito em breve. Para isso é preciso uma coisa: não perder mais pontos. Que as lições de Braga tenham sido bem aprendidas é o que eu sinceramente desejo.

Abaixo encontrarão a relação de todos os jogos disputados fora para o campeonato com Braga, Sporting e Porto e para a Liga dos Campeões desde que Jorge Jesus está no Benfica.


2014/2015

Braga-2 Benfica-1

Liga dos Campeões

Bayer Leverkussen-3 Benfica-1
Mónaco-0 Benfica-0

2013/2014

Braga-0  Benfica-1
Sporting-1 Benfica-1
Porto-2 Benfica -1

Liga dos Campeões

PSG-3 Benfica-0
Olympiacos-1 Benfica-0
Anderlecht-2 Benfica-3

2012/2013

Braga-1 Benfica-2
Sporting-1 Benfica-3
Porto-2 Benfica-1

Liga dos Campeões

Celtic-0 Benfica-0
Spartak de Moscovo-2 Benfica-1
Barcelona-0 Benfica-0

2011/2012

Braga-1 Benfica-1
Sporting-1 Benfica-0
Porto-2 Benfica-2

Liga dos Campeões

Otelul-0 Benfica-1
Basileia-0 Benfica-2
Man United-2 Benfica-2

Zénite São Petersburgo-3 Benfica-2

Chelsea-2 Benfica-1

2010/2011

Braga-2 Benfica-0
Sporting-0 Benfica-2
Porto-5 Benfica-0

Liga dos Campeões

Shalke-2 Benfica-0
Lyon-2 Benfica-0
Hapoel Telavive-3 Benfica-0

2009/2010

Braga-2 Benfica-1
Sporting-0 Benfica-0
Porto-3 Benfica-1

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Desilusão

Esperava-se mais do Benfica.

Depois de se encontrar em vantagem logo aos 2 minutos, a equipa devia ter tido outro controlo do jogo, outro controlo emocional, outra atitude, mais viril, mais madura, mais confiante.

A verdade porém é que à sexta época de Jorge Jesus no Benfica, apesar de todos os méritos que ninguém lhe pode tirar, o treinador continua a ter um registo muito negativo em jogos decisivos fora do Estádio da Luz. Ou seja, em jogos "de champions" fora da Luz, perdemos quase invariavelmente. 

Os bracarenses são uns energúmenos? Abusaram da virilidade? O árbitro foi complacente? Sim, sim e sim.


Mas o Benfica tem que ser uma equipa de homens preparada para coisas deste tipo. O Benfica não se pode deixar intimidar e ser inferiorizado - nem pelo adversário, nem pelo árbitro. Tem que se impor. A verdade é que não se impõe.



Onde é que Sérgio Conceição se atrevia a fazer o que fez ontem contra o banco do Porto? Se calhar nem mesmo contra o do Sporting.


Acho muito bem que o Benfica tenha uma atitude desportivista, de fair play, de cavalheirismo. Mas quando um bando de jagunços pensa que nos pode pisar e comer as papas na cabeça, há que os pôr no seu lugar. Não podemos tolerar desrespeitos. Infelizmente parece faltar gente no Benfica que o entenda. 

Grande parte da derrota do Benfica ontem explica-se por um défice de afirmação de personalidade, mais do que por questões propriamente futebolísticas. O Benfica deixou-se arrastar no turbilhão de raiva e descontrolo que vinha das bancadas. Não teve - e normalmente não tem tido - a frieza emocional para saber aproveitar aquela histeria dos tolos adeptos bracarenses em seu proveito. Não soube actuar como equipa superior que efetivamente é a este Braga.

Esta derrota é pois uma grande desilusão que se vem somar ao que de mau vimos fazendo na Liga dos Campeões. 

O discurso de que "ainda estamos em primeiro" é completamente errado. Primeiro porque está agora a valorizar algo que há uma semana, com mais razões para o fazer, pois a vantagem era nessa altura de 4 pontos em comparação com 1 que não é nada, achava quase irrelevante. Segundo porque está a usar o "ainda", deixando no ar a ideia de que muito em breve poderemos já não estar nessa posição.

Penso que muito pelo contrário, Jorge Jesus e toda a estrutura precisam de reavaliar muito bem as coisas e perceber que o que aconteceu em Braga não se pode repetir. Já jogamos em casa com o Sporting e já fomos a Braga. Fizemos um ponto nesses dois jogos. Se à 13ª jornada formos novamente perder ao dragão (como tem sido regra nos últimos anos), dificilmente renovaremos o título.

Para terminar, isto é não é catastrofismo nem começar a atacar à primeira coisa que corre mal. É um apelo a que se percebam as causas do que está a correr mal (e que já não é assim tão pouco, considerando que a Liga dos Campeões está praticamente perdida).

Duas notas finais: 1) não percebo como é possível fazer apenas uma substituição num jogo destes; 2) Liga Europa de novo por favor não - se não conseguirmos o apuramento para os oitavos da Champions ao menos que fiquemos eliminados das competições europeias - a Liga Europa já me dá pesadelos. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Sem andamento para estas cavalarias

O Benfica fez ontem uma das piores exibições que alguma vez vi o nosso clube fazer. O resultado é altamente lisonjeiro para o que se passou em campo. Foi um dos jogos mais desequilibrados de que me lembro e, em anos e anos de futebol, não me lembro de ver uma equipa tão incapaz de sair do seu meio campo como o foi o Benfica ontem.
Era aflitivo: o Benfica não conseguia fazer dois passes seguidos a partir da linha de meio campo. Se construiu uma jogada minimamente estruturada (para além do golo) durante os 90 minutos de jogo foi muito.


O que se passou foi que uma equipa apareceu na "máxima rotação" e a outra pura e simplesmente não tem andamento para isso. O Benfica entrou em campo já um passo atrás dos alemães e depois passou o jogo todo a correr atrás deles. O problema é que neste momento não há grande velocidade e capacidade de explosão na nossa equipa. Não há o ritmo frenético de outros tempos.

O meio campo do Benfica foi lento e completamente manietado pela pressão de 5 e 6 jogadores do Bayer sobre o portador da bola. Infelizmente a equipa e o treinador não tiveram soluções para esses problemas colocados pelos alemães, para além do mais muito poderosos fisicamente e sempre a jogar no limite da falta.


Individualmente não estivemos bem. Poucos jogadores passaram incólumes ao vendaval alemão: Luisão, Maxi, Sálvio e Gaitan foram os que menos acusaram a pressão e mais tentaram mudar o curso dos acontecimentos, embora nem sempre com êxito. 

Em relação ao meio campo, há que ter algum cuidado em não "queimar" Cristante, que fez o que pode. Antes do jogo ouvi muitos comentadores elogiarem a opção pelo italiano. O jogo não lhe correu bem mas não correu bem a ninguém. Recordo que o próprio Enzo foi substituído. Aliás o argentino parece-me emocionalmente um pouco distante. Talisca, que tem sido o "abono de família" a nível interno ainda não tem intensidade para este tipo de futebol.

Como já referido, o Bayer fez uma pressão infernal (que também não me lembro de ver há bastante tempo e que exige uma condição física impressionante) que dificultou muito a tarefa do Benfica. 5 e 6 jogadores rodeavam Enzo ou Cristante, sem que os jogadores do Benfica se conseguissem desenvencilhar dessa teia. Talvez isso seja mais visível através da transmissão televisiva, mas o treinador do Benfica teria que ter visto o que se passava e alterar mais cedo a forma de jogar. Talvez Jorge Jesus tenha pensado que os alemães não aguentariam e dariam o estoiro na segunda parte. Se assim era, a inacreditável decisão de um árbitro auxiliar ou de baliza acabou com as esperanças que pudéssemos ter. Mas o restante jogo mostrou que o Benfica dificilmente teria capacidade para mais mesmo sem aquele penalty inexistente. 

Deste jogo devem ser tiradas algumas ilações. Desta vez o treinador do Benfica não esteve bem, apesar dos condicionalismos. Como eu referia no anterior artigo, há muito que trabalhar. Há que ser humilde. 

Vêm aí dois jogos com o Mónaco, o primeiro dos quais fora. Em teoria o Benfica precisará de vencer os dois para poder ter esperança de avançar. Uma derrota no principado praticamente condena-nos a lutar pela Liga Europa, algo que sinceramente eu dispensaria pois acho que é um desgaste excessivo para um retorno mínimo. 

Para isso precisamos porém de ter outra abordagem ao jogo, outra dinâmica, outro envolvimento emocional. Jorge Jesus precisa de trabalhar mais os trincos e eventualmente pensar em dar uma oportunidade a Lisandro Lopez. Seria demasiado injusto atribuir as culpas dos problemas defensivos a Jardel mas isso não quer dizer que não se possa, pelo menos num ou noutro jogo, ver se Lisandro pode ser solução ou alternativa (até porque certamente surgirão mais tarde ou mais cedo lesões ou castigos). 

Há também uma questão de atitude e mentalidade competitiva que precisam de melhorar para os 4 jogo que faltam da fase de grupos da Champions. O Benfica não pode deixar uma imagem tão pálida, tão má, tão pobre na Europa. 

Entretanto vem a caminho o campeonato. A derrota em Leverkussen seria ainda mais desastrosa se influísse negativamente na nossa campanha a nível interno que começou bem e todos desejamos que continue bem encaminhada. Será pois importante dar uma grande resposta no Domingo contra o Arouca, vencendo e jogando bem.




sexta-feira, 2 de maio de 2014

Muita alma, raça e coragem... à Benfica

Mais uma exibição cheia de categoria do Benfica. Num Estádio muito difícil e face a um adversário de grande valor, o Benfica conseguiu o resultado que eu imaginara para este jogo e o merecidíssimo apuramento para a final. À entrada para este jogo, tínhamos uma vantagem mínima. Como se viu nas outras meias finais europeias (excluindo a Valência-Sevilha), uma vitória em casa seria por si só um resultado praticamente suficiente para o apuramento: o Real venceu por 1-0 e isso foi suficiente e ao Chelsea teria bastado vencer para passar à final. Em eliminatórias muito equilibradas, entre equipas de valia semelhante, vencer em casa significa colocar-se à frente na eliminatória e adquirir um ascendente psicológico importante face ao oponente. Por isso, o golo de Lima já me tinha parecido absolutamente decisivo. A ideia de que 2-1 era um mau resultado ou um resultado "muito perigoso", foi algo de positivo na medida em que nos colocou de sobreaviso e criou na Juventus a ideia de que "facilmente" reverteria o resultado. Nunca me pareceu que isso fosse assim tão líquido, pois como sabemos o Benfica joga muito bem fora de casa, fazendo uso da grande velocidade de Gaitan, Markovic, Rodrigo e Lima, mas foi bom para nós que essa ideia se tivesse criado. Jorge Jesus alimentou um pouco este "bluff" ao dizer que o Benfica precisaria de marcar golos em Turim (precisa mas é na final...). Estou em crer que Jorge Jesus sempre acreditou, como eu, que seria possível ao Benfica não sofrer e assim passar com a tal vantagem "perigosa" da primeira mão. Daí a entrada confiante e dominadora do Benfica (ainda que por poucos minutos) ter sido essencial, para desde logo criar a dúvida nos jogadores da Juventus e se perceber que não íamos ali jogar como uns coitadinhos. Houve aliás outro aspecto que não quis referir aqui no blog, quase por superstição, mas que deu muita esperança para o jogo: a Juventus jogou segunda-feira com a maioria dos titulares e esteve a perder, tendo dado a volta ao resultado mas sob muita chuva e num terreno pesado. O Benfica tinha pois alguma vantagem em termos de frescura (ao contrário do que acontecera na primeira mão). De igual modo, o regresso de Gaitán e Sálvio eram boas notícias. Um dos momentos chave do jogo é a cabeçada de Luisão a substituir Oblak entre os postes, muito perto do intervalo. Progressivamente a Juventus conquistara o domínio territorial e começava a trocar (e cruzar) a bola perigosamente perto da área do Benfica. Adivinhava-se que era essencial não sofrer um golo até ao intervalo e assim sendo as coisas poderiam ser um pouco mais tranquilas na segunda parte. Com algumas correcções, o Benfica poderia ser mais incisivo no ataque, colocar a Juve em sentido e evitar uma grande pressão sobre a sua área. Isso parecia ir acontecer pois o Benfica voltou a entrar bem e dava ideia de poder até vir a marcar com o balanceamento ofensivo da Juventus, resolvendo desde logo a eliminatória. Tudo mudou com a expulsão de Enzo. Chegado a esta altura tenho que dizer que a arbitragem foi, do ponto de vista técnico, bastante boa, acertando a maioria das decisões, mas muito caseira no tocante à parte disciplinar. Vidal, Chielini e Asamoah (este amarelado ao fim da terceira falta dura) distribuíram pancada, muitas vezes sem bola, perante a total complacência do árbitro, ao passo que faltas absolutamente banais dos jogadores do Benfica resultaram num festival de cartões absolutamente despropositado, desadequado da realidade do jogo. A expulsão de Markovic não se chegou a perceber e o amarelo a Sálvio é vergonhoso. Pela ordem de razões desse cartão deveríamos ter tido um penalty a nosso favor aos 2m de jogo. O Benfica, vendo-se reduzido a 10, concentrou-se em defender e foi gigante. Ainda reduzido a 9 por lesão de Garay (mais uma vez sem qualquer acção disciplinar por parte do árbitro) os 9 gloriosos em campo cerraram ainda mais os dentes e defenderam com tudo o que tinham a vantagem preciosa. Oblak, que sempre desejei e esperei que fosse a escolha de Jesus, sobretudo pela sua superior capacidade a Artur no tocante aos lances aéreos (cantos, livres laterais), deu uma segurança tremenda e foi intransponível. Não vou, para já, referir a qualidade das outras exibições individuais, que foi grande, pois todos estiveram a um alto nível. Destaco apenas, para além de Oblak, o guardião, Luisão, o capitão que esteve simplesmente intransponível e um gigante a comandar aqueles bravos. Se Luisão não for ao Mundial, Scolari está a ver alguma coisa mal. Mas a vitória é naturalmente de todos, nomeadamente de Artur que não jogou hoje mas nos "manteve" na eliminatória com um par de grandes defesas em Lisboa que seguraram a vantagem preciosa. Estamos na final com todo o mérito e nesta noite de alegria nem sequer quero falar do comportamento antidesportivo e de mau perder dos italianos. O que fica é a nossa qualidade enquanto equipa, a solidariedade dos jogadores e a nossa capacidade de sofrimento. Isso é que merece ser exaltado. Viva o Benfica.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Notas soltas de uma sexta-feira chuvosa

Ainda sobre a Liga dos Campeões, o Bayern aparece como claro favorito a passar às meias-finais, o Real Madrid praticamente já lá está, o PSG deu um passo muito importante para tal e Atlético de Madrid e Barcelona disputarão uma segunda mão de grande intensidade e alto grau de incerteza. O Barcelona é ainda, para mim, favorito, pois quem tem Neymar e Messi "arrisca-se" sempre a ganhar, mas a solidez defensiva do Atlético não deve ser subestimada.

Desta eliminatória resulta a queda de um "mito". Não me refiro à queda de José Mourinho enquanto tal, mas ao desmentido absoluto de que as equipas de Mourinho nunca deixam isto ou aquilo, ou nunca sofrem golos assim ou assado. Todas as equipas perdem e todas cometem erros, por vezes quase inacreditáveis. Quem passa a vida a criticar o Benfica e o seu treinador devia lembrar-se sempre disto.




Mourinho não é nenhum deus e perde tal e qual como os outros. Na passada quarta-feira o seu Chelsea até teve uma boa reacção ao golo sofrido (embora para mim o penalty de que resulta o seu golo não exista pois é Óscar que propositadamente faz o seu pé bater na anca de Thiago Silva - que jogador! - provocando o contacto) mas depois foi completamente banalizado na segunda parte, a ponto de sofrer um dos tais golos infantis que "as equipas de Mourinho nunca sofrem". E se virem bem, Lampard é um dos jogadores que fica pior naquele lance, pois Pastore passa por ele três vezes. Lampard, um dos jogadores mais fiáveis do futebol europeu na última década!

Todos erram, todos falham. Todos menos, claro está, os especialistas que criticam tudo e todos - mas muito especialmente o nosso treinador Jorge Jesus, por este não obedecer aos cânones que eles definiram.

Portugal é, já Camões o dizia, um País onde a inveja se eleva acima de quase tudo o resto e no qual o mérito é constantemente desvalorizado.



Passando então para a Liga Europa, gostaria de destacar ainda mais uma vez o facto do Benfica ter vencido categoricamente sem o seu meio campo habitual e, pior ainda do que isso, tendo durante o jogo sofrido uma lesão do seu habitual 3º centrocampista, Rúben Amorim a quem desejo rápido restabelecimento. É um grande jogador que está a justificar plenamente o seu regresso ao plantel. 

Muitos não terão percebido por que razão Jorge Jesus se riu no fim da entrevista quando lhe perguntaram pela exibição de André Almeida. Aquilo que Jorge Jesus optou por não dizer desta vez (mas a que subtilmente aludiu) é que se não jogar o Fedja "joga o Manuel" (a partir dos 2:50), tal como respondeu há alguns meses quando o questionaram sobre a saída de Matic que, como se viu, não implicou a queda abrupta do rendimento da equipa.


Eu nem sei se devia dizer isto, porque algum maluco ainda se vai lembrar de dizer que JJ está a desvalorizar os seus jogadores... Aquilo que JJ na realidade está a dizer é que a equipa já tem a sua dinâmica e que os jogadores que entram (e que obviamente têm qualidade) sabem o que têm a fazer e integram-se bem na mesma. Parabéns também ao André Almeida pela grande exibição. Não se deu pela ausência de Fedja, a ausência de Enzo, a ausência de Rúben. E começámos a época com Matic... Isto diz muito acerca da qualidade daquilo que está a ser feito no Benfica.

Mas continua a haver gente que se declara insatisfeita! Que protesta, que "exige" isto e aquilo. Eu pergunto-me, o que se passou com esta gente durante os anos 90, depois da enorme equipa que venceu 6-3 em Alvalade ter sido desfeita e termos penado durante mais de uma década sem ganhar o campeonato? Durante os anos negros de Vale e Azevedo? Pelo que dizem hoje, nessa altura imagino que tenham estado à beira do suicídio. 

Aquilo que eu digo é: que os nossos problemas continuem a gravitar à volta do que JJ disse ou não disse. É sinal de que continuamos a ganhar e de que para atacar - porque há muitos que precisam de estar sempre a atacar; é, talvez, algo de muito português - os "críticos", os especialistas, aqueles que sabem tudo e nunca se enganam precisam de se continuar a agarrar a minudências, a ninharias, a insignificâncias. Que os nossos problemas continuem a ser qual o grau de "poupança" que exibiremos em quartos-de-final e meias finais de competições europeias e nacionais, ano após ano. É sinal de que lá andamos constantemente.

Ah, e para finalizar. Jorge Jesus tem toda a razão quando diz que as finais se disputam. Há duas equipas em jogo, pelo que só uma pode ganhar. A mentalidade de "disputar" é a correcta, a mentalidade de que "não se joga" é doentia. A primeira é desportiva e saudável, a segunda nasce de uma atitude de ganhar a todo o custo, implicando que os "outros" são sempre figurantes. A máxima de Mourinho é boa quando se ganha mas torna-se ridícula quando se perde. E não se pode ganhar sempre.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Esta equipa enche-nos de orgulho

Dá gosto ver este Benfica.
 
A forma organizada, consciente, determinada como o Benfica joga, inclusivamente com jogadores que chegam a ser 3ªs escolhas, é admirável e digna dos maiores elogios. Este Benfica é de facto uma equipa de enorme qualidade, que enche de orgulho todos os adeptos. Naturalmente que nada está ganho e que convém por isso não exagerar nos elogios, até para que a atitude humilde, trabalhadora e concentrada da equipa não sofra qualquer decréscimo.
 
A eliminatória está evidentemente muito bem encaminhada mas isso não faz do Benfica favorito. Há boas equipas - o Basileia venceu o Valência por 3-0 (e recorde-se que já no ano passado esteve a um passo da final), o próprio Porto ou o Sevilha são adversários de respeito - e há, claro, um grande favorito: a velha senhora Juventus que disputará a final em casa. Aliás devo dizer que, caso o Benfica passe, eu preferiria defrontar a Juventus nas meias finais para pelo menos disputar metade da eliminatória em casa.
 
Em termos de destaques, Sálvio é evidentemente um dos mais merecedores de elogios, quer pelo golo, quer pelas combinações e entrega ao jogo, quer ainda pela sua qualidade em ter e manter a bola. Gaitán esteve também ao nível elevado a que sabe jogar e os centrais praticamente irrepreensíveis. André Gomes e André Almeida foram enormes no meio campo com imenso critério e sentido posicional. Rodrigo foi sempre um perigo à solta e Cardozo surpreendeu-me positivamente pelo que conseguiu fazer e pelo papel decisivo que tem no golo. Pela negativo refiro apenas Maxi, que está num momento menos bom. Aliás já vi o próprio Siqueira fazer melhor. Para terminar com uma nota positiva, considero que Artur foi decisivo com um par de defesas enormes que nos permitiram manter o empate naquela altura do jogo. É verdade que teve um deslize no fim, mas eu valorizo mais as grandes defesas que fez.
 
E pronto, esta já está, venha o próximo jogo, de grande importância e responsabilidade, contra uma equipa que sabe jogar em contra-ataque e tem alguns bons jogadores em termos técnicos (embora não tenha Bebé, como erradamente comecei por aqui escrever - agradecimentos ao leitor pela correcção).
 
Esta noite porém temos o direito de festejar. A equipa (como um todo, treinador e jogadores) deu ao Benfica um motivo de alegria e celebração.

Cuidado com os caldinhos

Já há algum tempo que ando para escrever isto e determinados factos de que tive conhecimento nos últimos dias levam-me a fazê-lo agora.

Há uma (nova) orquestração em marcha para fazer Jorge Jesus sair do Benfica no fim da época.

É óbvio que o balanço do ano desportivo só pode ser feito no fim e que ainda não ganhámos nada (como tantas vezes aqui tenho repetido).

No entanto há que alertar os benfiquistas para que estas manobras começam a ter lugar nos bastidores.

Ainda na segunda-feira ouvia o comentador João Rosado na TSF (que sinceramente ainda não percebi se é mal intencionado ou simplesmente um completo tonto que não sabe o que diz) "explicar" que Jorge Jesus não tinha condições para continuar no Benfica quer ganhasse quer perdesse o campeonato...

Enfim, como é evidente, nem vale a pena perdeu um segundo a desmontar esta idiotice que se anula a si própria. Mas vale a pena referi-la na medida em que vem insidiosa (ou estupidamente) lançar novas sombras sobre a continuidade de JJ.

É evidente que Jorge Jesus comete erros e que não está acima da crítica. No fim da época passada, depois da derrota no Jamor, que para mim foi algo de incompreensível e inaceitável, fiz críticas muito duras a JJ. Como sempre defendi, o futebol mede-se em resultados.

Defendi na altura que JJ deveria sair porque não acreditei que tivesse condições para inverter o estado de depressão e a dinâmica de derrotas que se instalara. No entanto, JJ, felizmente, tem vindo esta época paulatinamente a desmentir essa aparente fatalidade e a dar a volta às coisas.

Estamos neste momento numa posição privilegiada para ser campeões. Se o conseguirmos (e este se é a pedra de toque deste raciocínio) teremos então que a isso aliar excelentes prestações a nível europeu (ao nível do melhor que o Benfica fez em décadas, com presenças consecutivas nas últimas fases das competições, incluindo uma final e grandes jogos e vitórias), tendo necessariamente que concluir que o balanço é largamente positivo.

Se o Benfica for campeão (deixando o Porto a uma larga distância), seria uma loucura completa deixar sair Jorge Jesus e mergulhar de cabeça no escuro, começando de novo do zero ou perto disso e abrindo portas a potenciais ciclos vencedores dos nossos adversários.

Seria uma perfeita loucura, uma inconsciência.

E não me venham com os argumentos dos plantéis. Se os plantéis têm sido bons, isso se deve também em parte ao treinador. Veja-se o Chelsea, vão-me dizer que o seu plantel é medíocre? Um plantel que pouco difere do que conquistou a Liga dos Campeões há dois anos e a Liga Europa o ano passado?! E a verdade é que este ano quase de certeza que não vai ganhar nada. Isto com aquele que muitos defendem ser o melhor treinador do mundo!
 
Se - repito, se - o Benfica for campeão este ano, seria uma inconsciência trocar de treinador. Os adeptos do Porto e do Sporting sonham porém que isso venha a acontecer e essa é uma das razões pelas quais começa a haver movimentações nesse sentido e alguns jornalistas vão deixando recados aqui e ali.

Mantenho que a indefinição à volta do futuro de JJ foi uma das razões pelas quais o fim da época passada correu tão mal. Não repitamos por favor o mesmo erro esta.

quinta-feira, 27 de março de 2014

A gestão da Taça e o factor Proença

Eu sou daqueles adeptos a quem custa muito ver o Benfica perder com o Porto. Mas mais ainda do que perder, custa-me ver o Benfica dominado e a espaços desnorteado, perante o gáudio dos adeptos de Contumil. Trata-se de algo que já aconteceu muitas vezes desde que Jesus está no Benfica, a começar no ano em que podíamos ter sido campeões naquele estádio e "conseguimos" perder 3-1 a jogar contra 10, à infame goleada da noite em que houve galinhas em campo e até ao que se aconteceu o ano passado. 

Face a este passado, custa-me entender alguma passividade ou indiferença de muitos adeptos perante o que aconteceu ontem, mas admito que se trata de uma questão de feitio e natureza. Admito mesmo que eles estejam certos e que eu esteja a ser demasiado emotivo. 

Por outro lado, também me custa ver por aí em muitos espaços benfiquistas (mais no Facebook do que nos blogs) a conversa de nós, os coitadinhos, mais uma vez fomos prejudicados pelo árbitro. Tenham dó e deixem de se expôr ao ridículo. Claro que houve algumas entradas excessivas, nomeadamente a de Fernando, mas também a de Maxi foi bastante dura. O futebol é um jogo de homens, que tem algumas entradas mais duras. Não foi de modo nenhum pela arbitragem que perdemos o jogo. É desprestigiante estar com essa conversa. Depois daquele jogo miserável exista decoro para não falar do árbitro. 

O que aconteceu foi o que já ontem antecipei e depois critiquei: uma gestão exagerada num jogo que era de exigência máxima e que foi entendido pelo nosso adversário como tal. Pelos vistos para muitos benfiquistas, o facto do campeonato ser a prioridade implica que se corra o risco tremendo que foi jogar daquela forma (o resultado é o melhor da noite de ontem), quase abrindo caminho para que o Porto conquiste mais um troféu nacional.

Eu vejo a luta Benfica-Porto como uma luta sem quartel pelo domínio do futebol português, na qual não se pode baixar a guarda um segundo e não se dão benesses ao adversário. Se na Taça da Liga eu aceitaria uma abordagem destas, já na Taça de Portugal considero-a completamente errada sob vários pontos de vista. Mas, volto a dizer, posso ser eu que estou errado.

Compreendo por outro lado, que o "factor Proença", ou seja a sua funesta nomeação para Braga, possa ter pesado pelo menos sobre o subconsciente de Jorge Jesus e do Benfica como um todo.  

Com Proença o Benfica não ganha há vários anos. Perder pontos agora seria obviamente muito preocupante, sobretudo tendo em atenção que na última jornada jogamos de novo no Porto (e o jogo de ontem certamente não contribuiu para afastar os "medos" do "papão", o que para mim era mais uma razão para fazer uma exibição autoritária ou, como JJ disse, "mostrarmos o nosso poder no dragão"). Afinal o que mostrámos foi outra coisa. 

Mas adiante. 

O único aspecto que queria ainda questionar é o seguinte: se a ordem era poupar para depois (presume-se) tentar resolver a eliminatória em Lisboa, porque não um esquema mais conservador como o já utilizado esta época nomeadamente na Grécia, ou seja, um 4-3-3 com Rodrigo na frente e André Gomes ou mesmo Enzo juntamente com Fedja e Amorim? 

É isso que eu não entendo. Cardozo, como todos sabemos, não tem as características tácticas do Lima: 
não recua, não defende, não pressiona. Se as bolas não lhe chegam à área (como era óbvio que não chegariam com este 11) ele estar em campo ou não é completamente igual. Jogámos portanto com 10. Disso não pode haver dúvidas. Custa-me que isto que me parece ser óbvio não tenha sido visto por JJ que tão bem tem estado no resto da época. 

Mas enfim, apontemos baterias para Braga. Uma vitória nesse campo, onde nos últimos anos se têm passado "coisas estranhas", deixará a conquista do campeonato mais próxima, ainda que não completamente segura. Vencendo em Braga ficam a faltar 8 pontos em 5 jogos. Aí já só mesmo uma catástrofe nos levaria o título.

Espero vencer em Braga e espero que, quando chegar o momento, possamos dar a volta a este resultado negativo no dragão. Se isso acontecer naturalmente que todos esqueceremos o mau jogo de ontem e os erros (que são humanos, como bem se sabe) nele cometidos. Não será porém nada fácil. 


Previsível e lamentável

Será exagerado falar em erro colossal, mas não o é certamente classificar a abordagem de JJ ao jogo como um erro crasso.
Estou à vontade para o dizer porque antes do jogo escrevi aqui que o Benfica não podia de modo nenhum jogar sem os extremos habituais e ainda com Cardozo. E nem sequer me referi à questão de Enzo, um pêndulo desta equipa.

Entendamo-nos: entre o 80 e o 8 há muita coisa no meio. Uma coisa é jogar uns 16vos de final contra um PAOK ou mesmo uns oitavos contra um Tottenham, de uma competição na qual, realisticamente e tendo em conta que a final é em Turim e a Juventus está em prova, temos uma reduzida probabilidade de saírmos vencedores. Outra coisa bem diferente é jogar umas meias finais da Taça de Portugal contra o maior rival dos últimos 30 anos!

Se nos jogos da Liga Europa se compreende (e deva apoiar a meu ver) a opção de rotatividade, já num jogo deste calibre não pode haver poupanças. O adversário estaria naturalmente na sua máxima força e o jogo seria portanto previsivelmente de dificuldade máxima.

Jogar com Cardozo foi pois uma decisão a roçar o absurdo, sobretudo para quem viu como o paraguaio está neste momento numa forma fraquíssima. De igual modo, compreendia-se que um dos extremos pudesse ir para o banco - mas não os dois.

Todos erramos. O Benfica tem feito uma época muitíssimo boa até aqui e o mérito é muito do treinador. Contra o Porto e contra o Sporting em casa fizemos jogos a roçar a perfeição. Contra o Estoril e a Académica fizemos dos jogos mais dominadores e tranquilos que me lembro nos últimos anos. Contra o Nacional e o Tottenham demos espectáculo.
 
Mas esta noite JJ esteve mal e Luis Castro foi claramente mais inteligente.
 
Como digo, errar é humano, mas nem por isso deixo de lamentar que JJ tenda a errar em jogos contra o Porto, permitindo ao nosso adversário recuperar um alento quase perdido.

Porque, não tenham dúvidas, este jogo terá consequências. Espero que mínimas e emendáveis, mas as consequências existirão.
 
A opção por não colocar em campo Markovic, Enzo e Gaitan (e colocar Cardozo) é tanto mais errada quanto o Braga também jogou hoje. Não havia portanto aqui nenhuma questão do nosso adversário de Domingo se apresentar mais fresco na próxima jornada.
 
Claro que a prioridade é o campeonato mas a passagem a uma final da Taça está exactamente no mesmo nível de prioridade de uma jornada entre 30 da Liga.
 
Aliás, uma coisa não invalida a outra. Por o campeonato ser prioridade não significa que tenhamos que apresentar 5 ou 6 jogadores não habitualmente titulares. Ou será que por termos fortes possibilidades de ser campeões (motivo de evidente alegria) devemos enfrentar a Taça com sobranceria ou desprezo?
 
Demos alento ao Porto e semeámos novamente a dúvida no nosso seio, que vai alimentar o fantasma da última jornada no dragão. Além disso, perdendo o acesso à final, abrimos caminho a mais um título do Porto (que já está à nossa frente nessa contabilidade) para além de mais uma vez perdermos num confronto directo.
 
Dir-se-á que nada está perdido. É de facto assim. Mas quantas vezes nos últimos anos o Benfica venceu o Porto na Luz por mais do que uma bola ? Eu digo-vos: duas vezes, em 1998 (3-0) e este ano. As probabilidades não são pois as melhores.
 
Quanto ao jogo propriamente dito, deu raiva e dó ver o Benfica (não) jogar desta forma. Fomos inexistentes na primeira parte e pouco mostrámos na segunda. O resultado é lisonjeiro, o que diz muito.
 
O meio campo do Benfica desde o primeiro minuto que se viu que não tinha rotação para o do Porto. Com a equipa habitual, os extremos ajudam a defender e um dos avançados baixa quando a equipa não tem a bola. Com Sálvio (a recuperar de uma lesão gravíssima e Cardozo, sem ritmo nem vocação para isso) era evidente que não poderíamos contrariar um meio campo com Defour, Herrera e Fernando.
 
Entrámos como quase-campeões, grande equipa, melhor equipa a praticar futebol, convencidos de que até as reservas chegavam para o Porto (eu sabia que não seria assim, mas quem decide acreditava nessa ilusão). Saímos vergados a uma superioridade notória do adversário. É fatal subestimar o adversário. O discurso da humildade pelos vistos desta vez ficou esquecido.
 
É isto o que tenho a dizer. A partir de amanhã tentarei esquecer este jogo. Naturalmente que não podemos, por um erro de avaliação, deitar pela borda fora um trabalho excelente desenvolvido ao longo de meses.
 
Para já há que vencer em Braga e depois abordar as restantes competições jogo a jogo. A lição porém fica. E a mim custa-me muito a engoli-la.
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Devem jogar os melhores

Para que fique devidamente registado, eu defendo que devem jogar hoje aqueles que Jesus achar que dão mais garantias, sem qualquer tipo de poupança ou gestão. Isto até porque, convém não esquecer, o Braga (adversário de Domingo) também joga hoje, pelo que a sua fatiga será semelhante.

Eu sempre defendi a gestão do esforço dos jogadores e a rotatividade do plantel na Liga Europa (nos termos e pelas razões que já tive oportunidade de explicar) e na Taça da Liga. Mas não na Taça de Portugal (que tem um nível de prioridade para o Benfica muito elevado, logo abaixo do do campeonato) e muito menos num jogo das meias-finais no estádio do Porto.

Confio que Jorge Jesus jogará com os melhores, com aqueles que estiverem em melhores condições e derem as maiores garantias (ou probabilidades) de rendimento. Colocar em campo dois extremos não habituais, ou seja não jogar Gaitan nem Markovic, e tirar Lima ou Rodrigo para colocar em campo Cardozo pareceria-me um erro nesta fase. Espero que não aconteça. Como disse anteriormente, este jogo é muito importante. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Categórico e com classe

O Benfica fez ontem umas das melhores exibições europeias do passado recente e venceu de uma forma categórica, cheia de classe, um adversário de grande valia.


Tal como acontece sempre, alguns comentadores e observadores da realidade futebolística apressaram-se a desvalorizar o Tottenham (que deixou de ser uma grande equipa que nos ia criar grandes problemas para passar a ser uma equipa banal) ou a encontrar em episódios laterais motivos para desviar atenções ou apoucar a vitória.


A realidade é que o Benfica, a jogar fora perante um estádio lotado e vibrante de apoio à equipa inglesa, dominou por completo o seu adversário e silenciou os adeptos da casa, podendo até ter vencido por números mais expressivos. O Benfica, jogando contra uma equipa que tem jogadores consagrados, de classe e com bastante poder físico, habituada a jogos grandes, impôs por completo o seu futebol quase desde o primeiro minuto, ganhou quase todos os duelos, fez belíssimas jogadas e marcou três belíssimos golos. 

O que dizer da exibição de Luisão? Foi simplesmente perfeito. Tal como João Pinto teve nota 10 d' "A Bola" no célebre 6-3 em Alvalade, Luisão mereceu ontem igualmente nota 10 porque foi exímio a defender (o único golo do Tottenham surge de um remate à baliza num livre) e ainda fez dois belos golos, o segundo então verdadeiramente espectacular.

Outros houve que estiveram igualmente muito bem, como Fedja (mais uma vez), Rúben Amorim (excelente o passe para Rodrigo no 1º golo), este último e não apenas pelo golo, Siqueira, e em geral toda a equipa. Foi uma excelente exibição colectiva do Benfica.

Em relação aos faits divers, já todos sabemos como Jorge Jesus é. Aparentemente o treinador do Tottenham terá aberto as hostilidades, não sabemos se de forma arrogante ou não, mas o que é certo é que recebeu o seu troco. Naturalmente que Jorge Jesus escusava de fazer aquele gesto mas eu que eu não farei aqui é pretender que isso foi a coisa mais importante que aconteceu no jogo de ontem. Picardias daquelas ou parecidas existem em quase todos os jogos (Rui Santos, que entre os vários comentadores é dos que mantém mais discernimento e independência, assinalou aliás e bem que Mourinho já tem tido comportamentos semelhantes).

Em suma e voltando ao futebol dentro das 4 linhas, a exibição foi excelente e a rotatividade verificou-se, embora não em tanta extensão como no passado. Fiquei satisfeito por Sulejmani (jogador com muita qualidade, que aprecio e com o qual simpatizo) e Cardozo terem jogado, tal como Rúben, que aliás estará novamente no 11 na segunda-feira salvo qualquer imprevisto, e Sílvio.

Nos próximos jogos (excluindo evidentemente o jogo com o Nacional) seria importante Jorge Jesus dar algum descanso a Luisão, Siqueira e Rodrigo. Todos desejamos que a excelente condição física que a equipa demonstra se possa manter até ao fim da época. 

Uma última palavra para os comentários ao jogo, quer durante o mesmo, quer após. Não se percebe de facto qual o problema de alguns comentadores, mas seja ele qual fôr deveriam resolvê-lo antes de falar em directo na televisão pois caso contrário perdem toda a credibilidade que poderiam ter. Os comentários em directo falavam de uma entrada muito forte e de um domínio do Tottenham que eu sinceramente nunca vi. Os comentários após, nomeadamente os do inefável Ribeiro Cristovão, procuravam por todos os meios referir-se apenas ao que de mal aconteceu, chegando ao ponto de criticar as declarações de Rúben Amorim! Oh homem vá-se tratar!




terça-feira, 4 de março de 2014

Não vamos repetir o desastre

É preciso recordar, pois a memória é selectiva e muito influenciável pela emoção, que na época passada estávamos nesta situação:

Campeonato (Liga Zon Sagres), 21ª jornada 

O Benfica acabava de passar para a frente do campeonato vencendo em Aveiro por 1-0 e beneficiando do empate do Porto em Alvalade (0-0). O Porto parecia em franco declínio, não sendo capaz de bater o pior Sporting de sempre, e o Benfica parecia virtualmente imbatível. Isto aconteceu há exactamente um ano: o Porto jogou dia 2 de Março e o Benfica dia 3.

Taça de Portugal

O Benfica tinha praticamente assegurado para lá de qualquer dúvida a presença no Jamor ao vencer por 2-0 em Paços de Ferreira a então equipa-sensação de Paulo Ferreira. A 1ª mão disputara-se a 30 de Janeiro e a segunda mão ocorreria apenas a 15 de Abril.

Taça da Liga

Tínhamos perdido a 27 de Fevereiro o acesso à final da Taça da Liga perdendo em Braga no desempate por grandes penalidade (2-3). Este ano, recorda-se, a eliminatória foi suspensa devido ao protesto do Sporting e ao "caso atraso".

Liga Europa

O Benfica eliminara o Bayer Leverkussen com um total de 3-1 (1-0 fora e 2-1 na Luz) em eliminatória disputada a 14 e 21 de Fevereiro. Os oitavos de final disputar-se-iam a 7 e 14 de Março (este ano serão uma semana mais tarde) na altura contra o Bordéus.

Análise

Ou seja, a época decorria às mil maravilhas e apresentando até muitas similaridades com a presente. Nomeadamente o Benfica parecia muito sólido e dava a ideia de ser quase impossível perder um jogo. Tendemos a dizer que agora a equipa denota uma grande segurança - e é verdade - mas já nessa altura demonstrava uma enorme solidez - certamente não foi um acaso termos (excepto a Taça da Liga) chegado a todas as finais.

A "moral da história" é que mais uma vez ainda não ganhámos nada.

É um facto que no campeonato estamos melhor do que há um ano atrás. A vantagem é bem mais substancial. Não é porém ainda de molde a garantir-nos o título. Para isso precisamos de a alargar ainda um pouco mais, sobretudo em relação ao Sporting. Só se e quando o conseguirmos, poderemos apontar baterias para a Liga Europa. Isto até porque por esta altura tínhamos já resolvido a questão da Taça (ou pelo menos o acesso à final) algo que este ano ainda não aconteceu, sendo a eliminatória obviamente difícil.

O ano passado o que aconteceu foi que alguma rotatividade praticada entre o campeonato e a Liga Europa (durante semanas a fio jogamos sempre a meio da semana e ao fim de semana) não aconteceu entre os jogos contra o Fenerbahçe (muito exigentes) e o jogo decisivo contra o Estoril (no qual ainda por cima Enzo Perez se lesionou, entrando Carlos Martins com os resultados que se sabem - foi expulso). Foi aí que tudo se começou a desmoronar.

A implicação da postura que temos vindo a adoptar esta época é que a eliminatória com o Tottenham deverá ser subalternizada aos confrontos decisivos para o campeonato (ademais com um Sporting-Porto na calha e uma recepção ao Estoril e uma visita à Choupana para o Benfica), o que poderá ter como consequência a eliminação da Liga Europa.

Mas que seja! O Campeonato é mesmo a prioridade! É preferível perder agora a Liga Europa e assegurar uma vantagem decisiva no Campeonato. Isto (o risco de ser eliminado pelo Tottenham, sem prejuízo dos que jogarem tentarem tudo para que assim não seja) tem que ser assumido por todos no Benfica face ao objectivo maior de reconquistar o título. O que não pode acontecer é "rebentar" a equipa agora para depois faltarem pernas nas jornadas decisivas e ver o campeonato esfumar-se mais uma vez!

Já sabemos que muitos virão criticar e atacar, com as conversas do costume de que o Benfica tem que entrar sempre com os melhores para ganhar todas as competições, face à sua história, blá, blá, blá.

Isso tudo é conversa para amolecer, conversa de burros que pode dar aos Ribeiros Cristóvãos, aos Joaquins Ritas, aos Davids Borges, aos Jorges Baptistas, tempo de antena em que se sentem muito importantes nas televisões ou rádios mas que não pode corresponder ao pensamento estratégico de quem decide no Benfica e quem assume as responsabilidades pelos resultados.

Campeonato e Taça são as prioridades. Liga Europa e Taça da Liga vêm depois e submetem-se àqueles objectivos maiores. Este ano queremos títulos e não finais!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Gil-Benfica e o campeonato daqui para a frente

O Benfica cometeu demasiados erros e consequentemente não ganhou o jogo. O treinador e os jogadores não leram o nosso último post e o resultado está à vista...

Piadas à parte, de facto era previsível que se o Benfica não levasse este jogo muito a sério se arriscava a não ganhar. Estava-se mesmo a ver que o Gil Vicente marcaria no primeiro remate à baliza que fizesse, depois de, no jogo anterior, no Restelo não ter feito um único. Estava-se mesmo a ver que o guarda-redes adversário iria fazer uma grande exibição. Estava-se mesmo a ver que nos instantes finais teríamos oportunidades claríssimas e que as iríamos falhar.

Tudo isto era previsível porque acontece múltiplas vezes neste tipo de jogos: a equipa mais forte começa a desesperar pelas bolas não entrarem e a equipa menor, ajudada por alguma sorte, cada vez mais acredita que poderá fazer um resultado positivo.

É verdade que o campo estava impróprio, mas o Benfica cometeu demasiados erros: Siqueira tem que ter outro cuidado, Cardozo falhou duas oportunidades flagrantes (incluindo o penalty), Oblak falhou no golo do Gil e alguém falhou igualmente nesse lance ao não cobrir a cabeça da área, deixando o jogador adversário à vontade para fazer o chamado "pontapé de ressaca". 

Jorge Jesus a meu ver também errou. Se, após a expulsão e com o jogo empatado, se percebeu que o treinador do Benfica não mexesse na equipa na expectativa de que pudéssemos chegar ao golo, já depois deste impunha-se reforçar a defesa. Tendo o Benfica até conseguido o mais difícil, que era marcar a jogar com 10, depois disso a ordem devia ter sido de defender a todo o custo.

Diga-se que não havia nenhum lateral no banco; o mais "parecido" com isso era Rúben Amorim. Ainda assim este deveria ter entrado para colocar um jogador sobre a esquerda: Fedja, Maxi, o próprio Rúben ou outro. O que não deveria acontecer é Gaitan ficar a defesa esquerdo, porque isso já tinha acontecido esta época e com péssimos resultados (Benfica-Arouca). De facto foi por ali que surgiu a jogada que iniciou a sequência atacante do Gil Vicente que viria a acabar no golo do empate. Gaitan fez uma falta desnecessária que deu canto e dai veio o golo. Acima de tudo importava dotar a equipa de um maior equilíbrio defensivo pois estávamos a ganhar.

Seja como for o resultado foi este e há que viver com ele sem entrar em dramas ou depressões. A realidade é que ganhámos um ponto ao Porto e mantivemos dois de vantagem para o Sporting.

O resultado do Porto era previsível. O Porto entrou num rápido processo de desmoronamento e estou convencido de que ficará mesmo em 3º lugar este ano caso Benfica e Sporting mantenham sensivelmente o nível da 1ª volta. Não é só a incapacidade e os equívocos de Paulo Fonseca, é a decadência de Pinto da Costa e a desagregação da "estrutura".

Repare-se no que acontece neste período de transferências: uma equipa já de si debilitada traz Quaresma (à partida uma boa contratação) mas depois perde Lucho a custo zero (dois dias depois de Pinto da Costa dizer que ele provavelmente acabaria a sua carreira no Porto...) e "dispensa" Otamendi, restando saber o que vai acontecer a Fernando. Diz-se que o brasileiro já está com a cabeça fora do Porto (sairá a custo zero) e pode mesmo vir a ser marginalizado. Pinto da Costa assumiu que Fonseca era a sua escolha e disse que renovaria o seu contrato se ele estivesse a expirar, mas sábado já o treinador se queixava (pela segunda vez) de que a equipa não tem atitude...

Quanto ao Sporting, parece-me que será o grande opositor do Benfica este ano. Estou plenamente convencido de que em Alvalade todos sentem que podem mesmo lutar pelo campeonato até ao fim, algo que aliás as contratações de Inverno parecem demonstrar. O Sporting está a fazer uma boa época em termos dos tais "objectivos" que traçou, pelo que à partida não se vê qual a necessidade destas contratações. A explicação é que a estrutura sportinguista está a fazer um forcing para atacar o fim do campeonato. 

Claro que o resultado de ontem foi, neste contexto e depois de Porto perder e Benfica empatar, uma desilusão para os sportinguistas. Se nós achamos que, tendo vencido sábado e vencendo o Sporting em casa na próxima jornada, ficaríamos quase com o título na mão, os sportinguistas, ao entrarem ontem em campo já sonhavam em chegar à Luz em primeiro, bastando-lhes um empate nesse jogo para manter a posição. E isto já em plena 2ª volta...

Dito isto o jogo de Domingo tem exactamente o mesmo enquadramento que tinha antes desta jornada se iniciar, ou seja: o Benfica parte à frente sai à frente caso empate ou vença; o Sporting parte atrás e precisa de vencer para passar para 1º, mas se empatar tudo se mantém em aberto. 

O único resultado que pode de facto deixar alguma coisa mais perto de estar decidida é uma vitória do Benfica. Nesse cenário o Benfica fica com 5 pontos de avanço sobre o Sporting que na realidade são 6 porque em caso de empate teria vantagem no confronto directo. Há porém ainda muito campeonato e, antes sequer do Sporting, temos ainda a Taça, um jogo igualmente importante.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

André Gomes e as contratações de Inverno

Faltam três dias para o fecho do mercado de Inverno e parece agora certa a saída de André Gomes que se juntará a Matic.
Embora não tenha havido (tanto quanto sei) confirmação oficial por parte do Benfica, o passe do jogador terá sido de facto vendido ao empresário Jorge Mendes por valores da ordem dos 15 milhões de euros, abrindo a potra a que este possa agora negociar com clubes interessados a transferência do atleta.
Entre estes clubes perfilam-se, pelo menos, o Mónaco e o Liverpool. A imprensa inglesa e internacional em geral dá conta deste interesse.

A confirmar-se é algo que lamento. André Gomes é um jogador que gosto muito de ver actuar (embora não tenha tido muitas oportunidades de o fazer este ano) e penso que com a saída de Matic se abria mais espaço para a sua afirmação. É, até ver, o "produto" mais conseguido da formação. Tem uma técnica muito apurada, muita qualidade a tratar a bola e visão de jogo. É também um jogador bastante alto (1,88 m), o  que à partida é mais um dado a seu favor. Não é muito rápido e por vezes não é suficientemente "intenso" como agora se diz. Penso que é por isso que Jorge Jesus não apostou mais nele.

Dito isto, claro que 15 milhões de euros é uma quantia muito considerável, sobretudo por um jovem jogador cujo valor não está ainda definitivamente estabelecido. Veremos o que o futuro trás e se a nossa formação é capaz de produzir mais jogadores com a sua qualidade e características.

Este período de transferências teve até agora como pontos mais significativos as transferências de Matic e Mata, ambas envolvendo o Chelsea.

Segundo se diz em Inglaterra, o Manchester United estaria interessado no sérvio para reforçar o seu meio campo, que tem denotado fragilidades. Sabendo desse interesse, o Chelsea ter-se-ia antecipado (não sendo claro se havia alguma cláusula ou acordo de cavalheiros que dava preferência ao clube londrino no caso de um regresso a Inglaterra) contratando o jogador. 

Na realidade o Chelsea não tinha uma necessidade imediata de contratar Matic, uma vez que tem para jogar no meio campo Ramirez, Lampard, Obi Mikel e o próprio David Luiz. Até ontem, o Chelsea tinha ainda Essien, mas o veterano jogador transferiu-se para o Milan.

Outra transferência marcante é a de Mata, cujos valores parecem muito exagerados. Na realidade transferências entre clubes grandes em Inglaterra costumam motivar uma inflação dos montantes envolvidos. No caso o Chelsea até tinha pago uma verba também elevada (26 milhões de euros) quando há duas épocas o contratou ao Valência. Seja como for, duvido que seja o jogador que vai resolver os problemas do Manchester United, cuja época tem sido penosa.

Para o Benfica, os melhores "reforços" de Inverno seriam sem dúvida Cardozo e Sálvio. Não vejo no mercado ninguém melhor do que eles.