sábado, 30 de março de 2024

Más sensações

 Mais ainda do que o resultado, a magra vitória ou a exibição, o jogo de ontem deixou-me más sensações. Foram os 3 penaltis falhados, dois deles por Cabral que até tinha voltado à titularidade, os assobios a Kokçu, uma falha que podia ter sido comprometedora de Trubin e um par de calafrios antes do fim do jogo. Nas vésperas dos dérbies, o Sporting venceu um jogo complicado e os seus atletas acabaram todos abraçados, ao passo que na Luz o ambiente não era famoso. Veremos se isto é prenúncio de alguma coisa já daqui 3 dias. Até lá, boa Páscoa. 

quinta-feira, 21 de março de 2024

A pausa antes da decisão final

 Esta pausa nas competições clubísticas parece autenticamente um intervalo comercial para aguçar o apetite do espectador pelo desfecho final. Um expediente de suspense. Até porque estes jogos das seleções não têm o mínimo interesse.

O Benfica partirá para a fase final da época sem qualquer margem de erro. O Porto já está fora da luta pelo título e o Sporting parte na melhor posição possível, na liderança e dependendo de si, ainda com margem de erro, para ganhar as duas competições nacionais.

No dia 3 de março, imediatamente antes do jogo com o Porto escrevi que era o jogo decisivo. Uma não vitória nesse jogo (estava muito longe de imaginar que um desastre daqueles poderia acontecer)  

"abre caminho para o Sporting assumir a liderança à entrada na recta da meta, ficando [o Benfica] depois dependente de uma vitória improvável (pois o Sporting jogará de cadeirinha, no seu estádio, bastando-lhe um empate) e já quase desesperada no dérbi".

É esta a situação em que estaremos quando as competições reatarem. E é bom termos essa consciência.

Primeiro que tudo teremos o Chaves em casa. É o último classificado, não pode haver margem para qualquer tipo de deslize. Atenção: não é jogo para estar a tentar "demonstrar" seja o que for, colocar muito o pé no acelerador e ir em busca de goleadas. Há que entrar forte para tentar resolver o jogo cedo e se possível gerir depois. Isto porque 4 dias mais tarde recebemos o Sporting para a Taça.  Um jogo também de grande importância: vale uma final da Taça.

E outros quatro dias depois temos o derby decisivo para o campeonato.

 Vencer em Alvalade? Sim, é obrigatório. A "leveza" com que Schmidt encarou o jogo com o Porto transmitiu-se à equipa, enquanto do outro lado o adversário viu aquele jogo como "de vida ou de morte". Agora será a mesma coisa. Tudo bem que o Benfica possa ter um estilo mais pausado e menos "voraz" do que o Sporting. Mas se nestas partidas não equiparar - no mínimo - a agressividade e intensidade do adversário, voltará a perder e poderá colocar em causa até o segundo lugar. Este é o tudo por tudo. Há que ganhar ou ganhar. Não é um jogo de desespero, é um jogo para conquistar a vitória. Para ir a Alvalade recuperar pontos de que precisamos para o objectivo do título. Esta mensagem muito simples tem de ser passada aos jogadores, ao mesmo tempo que é preciso escalar uma verdadeira equipa, não apenas 11 indivíduos a correr cada um para seu lado. A táctica tem de ser a certa mas os jogadores também têm de dar tudo, não é cada um estar apenas preocupado com o seu rendimento individual e o que se dirá sobre si.

Vencendo em Alvalade o Benfica ficaria na liderança à condição, sendo que o Sporting terá ainda uma deslocação ao Porto e o tal jogo em atraso que obrigatoriamente terá de vencer para regressar ao 1º lugar. Isto partindo do pressuposto de que o Sporting ganha na Amadora antes dos jogos com o Benfica. Se não o conseguir, as coisas podem tornar-se um pouco mais risonhas para nós.



segunda-feira, 18 de março de 2024

O Benfica europeu

O Benfica cumpriu a sua "obrigação", eliminando o Rangers. Obrigação no sentido em que temos um maior orçamento e uma equipa mais forte, como ficou demonstrado ao cabo da eliminatória. Já na Luz merecíamos um resultado muito diferente, pois o Glasgow marcou no primeiro ataque que fez à nossa baliza e depois logo após o nosso empate, tendo feito pouco para o merecer. Na Escócia o jogo foi mais equilibrado e o Benfica até aceitou remeter-se alguns períodos à defesa, acabando por marcar precisamente num contra ataque no qual toda a equipa do Rangers estava metida dentro do nosso meio campo. 

Foi uma eliminatória brilhante? Não, mas em princípio jogámos o suficiente para merecer a passagem. 

O Benfica tem sido algo maltratado pela comunicação social este ano. Se no ano passado houve, até dada altura, um estado de graça de Schmidt com os média, este ano é o contrário: os elogios tornaram-se em críticas por vezes a roçar o insulto. Note-se que eu não alinho no discurso de que os média e os comentadores estão todos contra o Benfica, que são todos "pasquins" e "avençados", etc. Essa mentalidade não nos leva a lado nenhum e corresponde a uma percepção distorcida da realidade: muitos dos jornalistas ou comentadores insultados em alguns blogs como "anti" são na realidade benfiquistas. Dito isto há que reconhecer que muitas vezes, possivelmente em razão da sua grandeza ímpar, embora também não se possam excluir más intenções por parte de alguns, o Benfica é tratado nos média de uma forma diferente dos outros.

Assim, enquanto Rúben Amorim pode dar descanso a meia equipa e assim perder logo em Alvalade a eliminatória com a Atalanta sem que ninguém esboce uma crítica; enquanto o Porto é eliminado mas fez uma eliminatória "épica"; já o Benfica chega a ser criticado após eliminar o Rangers!

O que se diria se no Benfica tivesse sido feito o que fez Amorim? Não precisamos de imaginar, basta recuar ao tempo de Jorge Jesus no nosso clube: quando ele promoveu alguma rotação na Liga Europa todos os comentadores lhe caíram em cima. Porque Jesus estava a desvalorizar a competição, estava a desonrar os pergaminhos do clube, um treinador de um grande não podia fazer isto, tinha de jogar com os melhores, eles são profissionais pagos para isto, blá, blá, blá. Mas agora quando Amorim o faz, está muito bem pensado, o Sporting não tem plantel para as duas competições, o campeonato é o principal objectivo, etc, etc.


Também é curioso que o Sporting "não tenha plantel" (só o Benfica é que tem). Quanto custou Paulinho? Quanto custou Gyokeres? Hjulmand? St Juste? Segundo o transfermark, respetivamente 16, 21, 18 e 10. Só aqui estamos a falar de 65 milhões. Gyokeres está, é verdade, a fazer uma época tremenda e a justificar plenamente o investimento. Mas de Paulinho não se pode dizer exatamente o mesmo e já está no Sporting há anos suficientes para o juízo ser bem sustentado. Fresneda custou 7 milhões,  Trincão outros 7, Diomande 7,5 e Esgaio 5,5. Juntando aos 65 já vamos em 92 milhões de euros.

Por que é que isto é importante? Porque o Sporting é apresentado nos média como uma equipa de tostões, que faz praticamente milagres, que se bate contra um clube rico e esbanjador (o Benfica). A obrigação, a pressão é sempre do Benfica. O Sporting já está a fazer "mais do que o esperado e a sua obrigação". Amorim, como excelente treinador e profissional que é, percebe essa narrativa e sabe retirar partido dela. 

A questão é que, como acabámos de ver, é uma estória falsa. Aliás, ninguém fala de outra parte que são os perdões de dívida do Sporting, esses sim, susceptíveis de criar distorções na competição e favorecimentos indevidos. Se o Benfica compra jogadores caros é porque fez receitas para isso. Já o Sporting compra porque não paga as dívidas.

Em relação ao Porto, sobre a gestão não vale sequer a pena dizer nada. A "guerra civil" em curso é plenamente esclarecedora. Agora "A Bola" escrever "Gigantes" porque perderam só por um com o Arsenal, depois de terem ganho à base da sorte na primeira mão, e foram eliminados nos penalties, parece-me excessivo. (Já agora: Diogo Costa não era "dos maiores especialistas do mundo em defender penaltis"?) Sim, o Porto bateu-se bem, mas foi basicamente uma equipa defensiva que nunca arriscou nada. Se fosse o Benfica seguramente que o discurso seria diferente ("falta de rasgo", "falta de ambição", "estava ao alcance", etc). 

Depois os portistas dizem que são os maiores de Portugal em termos europeus. Mas nunca ganharam em Inglaterra (e levaram muitas goleadas) ao passo que o Benfica venceu em Inglaterra 4 vezes! E não, não foi no tempo da televisão a preto e branco. Foi recentemente (eu vi todas essas vitórias) e perante Arsenal, Liverpool, Everton e Tottenham, alguns dos maiores de Inglaterra. Também eliminámos o Manchester United na Champions (e sem precisar de anular golos perfeitamente legais ao adversário...).

O que se retira de tudo isto é para os outros perder é normal. Só o Benfica é que tem todas as obrigações e mais alguma. Aliás, mesmo quando ganha não tem mérito. É interessante que esta tenha sido a primeira vitória de um clube português em casa do Glasgow, mas mais uma vez isso não interessa nada e não tem mérito nenhum porque os escoceses nem sabem jogar futebol, só rugby. O que tem mérito é bater-se bem com gigantes do futebol mundial como a Atalanta ou perder apenas por 1 com um Arsenal devastador na Liga dos Campeões. 

Vem agora o Marselha, clube com historial, como bem sabemos, que tem uma equipa interessante (o principal goleador é Aubameyang) e adeptos fervorosos. Será uma eliminatória difícil. Basta dizer que o Marselha este ano já eliminou Ajax, Aek de Atenas, Shakthar Donetsk e Villareal, este último com uma goleada de 4-0 em Marselha que resolveu logo a eliminatória na primeira mão. Agora claro que o Benfica tem todas as possibilidades de passar em frente. O Benfica está neste momento nos terceiros quartos de final consecutivos a nível europeu (duas vezes Liga dos Campeões, uma vez Liga Europa). Naturalmente queremos fazer mais, mas é um registo positivo.

domingo, 17 de março de 2024

Inacreditável. Época de pesadelo

 Não tenho escrito nada por pura superstição. As coisas estavam a correr um bocadinho melhor e como teoricamente ainda podemos ganhar tudo achei que nesta altura já basta o ruído dos anti benfiquistas e dos média sempre sedentos de sangue.

O que não poderia imaginar é que o ruído, para não dizer a traição, viria de dentro do próprio balneário. 

Esta é uma época inacreditável. É por demais evidente que falta liderança no Benfica a um ponto quase inconcebível. Desde Agosto que alerto para isso. Limito-me a constatar coisas que para mim são evidentes, não tenho nenhuma informação privilegiada ou pelo menos não recorro a ela. E no entanto tanta gente paga principescamente dentro do clube não se apercebe destas evidências e não resolve os problemas.

Lourenço Pereira Coelho, Luizão, Javier Garcia, para não falar do treinador e do Presidente, ninguém é capaz de lidar com a grotesca indisciplina deste plantel.

Desde Agosto que digo que há problemas graves, mas chegamos a meados de Março a continuar a dar tiros nos pés. Os casos já quase não têm conta: Vlachodimos, Neres, Morato, Musa, Ristic, Jurassec, Arthur Cabral, o próprio Di Maria e agora o mais grave de todos, Kokçu.

Independentemente das opções do treinador que muito aqui já critiquei, é inconcebível que numa fase decisiva da época, um jogador venha publicamente criticá-lo e colocar em causa a sua autoridade. O Benfica não tem outra opção senão afastar imediatamente o turco da equipa. 

São casos a mais. Quase só um milagre poderia salvar esta época de ser um falhanço espectacular. Esse milagre passaria por ultrapassar o Marselha (equipa perfeitamente acessível a um Benfica "normal"), vencer o campeonato ou ficar em segundo lugar e vencer a Taça de Portugal (cenário de "mal menor"). Infelizmente não acredito nesse milagre e temo que lentamente venhamos a hipotecar todas as chances de sucesso nas próximas semanas. Oxalá esteja enganado. 

segunda-feira, 4 de março de 2024

Incompetência

 Roger Schmidt não tem condições para continuar no Benfica. A única questão é se sai nos próximos dias/semanas ou no final da época. E não tem condições porque não tem competência.

É verdade que Schmidt é campeão pelo Benfica e fez uma muito boa Champions na época passada.

Mas desde então - aliás já desde a renovação - as decisões têm sido mais do que questionáveis e o futebol do Benfica tem-se vindo a degradar, culminando na débacle de ontem, de alguma forma anunciada. 

Schmidt é incompetente porque não prepara os jogos e não estuda os adversários devidamente. A este nível isso não é possível. 

Ontem parecia um jogo de homens contra rapazes ou de profissionais contra amadores. Sendo que o Benfica tem atletas com mais qualidade e até experiência do que o Porto, a diferença esteve toda nos treinadores. É um facto que o Benfica venceu o Porto 3 vezes na era Schmidt. Mas em duas delas esteve em vantagem numérica desde a primeira parte, tendo acabado por vencer com dificuldade e pela margem mínima. Ontem com a expulsão de Otamendi (segunda exibição seguida para esquecer) o jogo acabou e a questão ficou apenas de saber quantos sofreríamos. Aliás desde o primeiro minuto de jogo que se percebeu que a defesa do Benfica era um passador e o ataque inexistente.

As conferências de imprensa de Schmidt também sugerem que ele não percebe muito do assunto. As explicações são demasiado simplistas e o discurso pouco ou nada mobilizador. Fazem-me lembrar Graham Souness quando disse que o futebol são 11 duelos individuais. Se a coisa funciona assim não se percebe para que é necessário um treinador. 

Ontem Schmidt veio dizer que o Porto esteve melhor a todos os níveis e que estava mais fresco. Sim, é verdade. Mas quem é que há dias tinha dito que o calendário não o preocupava? Que acreditava na forma da equipa? Quem é que deu a titularidade a João Mário para o combate a meio campo que se adivinhava? Quem é que tem esgotado João Neves, que parece um bombeiro a apagar fogos, deixando-o quase sozinho no meio, com parceiros como Mário ou Kokçu, quando tem Florentino no banco? Quem deixa Rafa em campo até aos 90 minutos em jogos em casa contra equipas pequenas e a golear?

Quem é o responsável por o Porto ter sido melhor "física, mental e tacticamente"? Quando se diz "melhor" estamos a falar de 5 golos de diferença melhor (e podiam ter sido mais). 

O que aconteceu ontem já tinha acontecido várias vezes esta época. Começou na Champions mas também aconteceu recentemente contra Sporting e Toulouse. A diferença foi que ontem as bolas começaram a entrar cedo.

Uma humilhação destas não pode passar incólume. Não basta dizer que é futebol e que estas coisas acontecem. Eu já antes do jogo com o Sporting para a primeira volta tinha previsto o pior. Uma vitória à 25ª hora com dois golos nos descontos mascarou muita coisa. Mas ontem tudo ficou completamente destapado. O Benfica foi completamente anulado porque o treinador adversário estudou os nossos pontos fortes e foi ferido e abatido porque o treinador adversário estudou os nossos pontos fracos. Shmidt não fez uma coisa nem outra. Já contra o Sporting se viu que a equipa não tinha guião. Ontem isso foi ainda mais gritante. 

Ontem os jogadores do Benfica entraram para dentro de campo a ver o que é que o jogo dava. Não tinham qualquer plano minimamente estudado. Pareciam desconhecer o adversário que iam enfrentar. Fez lembrar os combates em que amadores vão para dentro do ringue porque até sabem umas coisas e lá na rua são durões. Depois chocam com a realidade, ou seja duas mãos (e por vezes pés, cotovelos, joelhos) a bater-lhes na cara e só querem é sair dali o mais rápido possível. 

Tenham vergonha! Isto é o Benfica! 

Uma última nota sobre o plantel. O Benfica tem 3 pontas de lança para jogar com um (no caso de ontem o pior dos 3) ou nenhum de início. Foi buscar Rollheiser, não se sabe bem para quê. Mas não tem um defesa esquerdo em situação de jogar (Bernat é o que se sabe, Carreras é uma nulidade) após dispensar dois no início da época e não tem um substituto para Bah (para além de Aursnes, o pau para toda a obra). Uma equipa que quer jogar um futebol ofensivo e não tem laterais é algo de inacreditável. Schmidt é seguramente um dos mas não o único responsável por isto.

domingo, 3 de março de 2024

Exigem-se responsabilidades.

Eu ainda quis acreditar mas aconteceu exatamente o que mais temia. Um Roger Schmidt emaranhado nos seus próprios equívocos e labírintos, preso a opções mais do que questionáveis, sem rasgo nem noção da importância dos momentos. Este era um jogo para entrar com tudo, para mostrar quem é (era) o campeão, para dominar desde o início.

Mas com a opção por Morato percebi mesmo antes do jogo que íamos voltar aos maus, péssimos, hábitos das adaptações e das contenções. Já em Alvalade achei que a substituição de Bah por Morato tinha sido má. Se as coisas foram um pouco menos desastrosas na segunda parte do que na primeira, isso nada teve a ver com essa substituição. Teve a ver com o normal abrandamento de quem está a ganhar e a reacção de quem está a perder (reacção que esta noite nem conseguimos ter). 

Este jogo foi vergonhoso, uma exibição (?) escandalosa do Benfica e a culpa é única e exclusivamente de Roger Schmidt. O Benfica foi completamente vulgarizado por um Porto mediano porque Sérgio Conceição com menos recursos consegue fazer muito mais do que Schmidt. Há muito, mas muito tempo que não via um banho de bola tão grande, tão humilhante como este. Desde o primeiro minuto que foi assim e até ao último não percebi qual a estratégia e o que queria Schmidt deste jogo. Defendemos mal e fomos completamente inofensivos. Foi uma réplica, para pior, do que aconteceu em Alvalade. Não há nada, mas mesmo nada de positivo a retirar deste jogo que nos afasta provavelmente definitivamente do título. 

Foi uma época de enorme investimento. Uma época em que jogaram 6 atletas na posição de lateral esquerdo. Em que chegamos à fase final sem ter um 11 base, sem ter sequer um sistema definido, sem que, excepção feita aos centrais, a Di Maria e João Neves, nenhum jogador tem posição definida no 11. (Mesmo João Mário e Aursnes que são sempre titulares já jogaram em diferentes posições ao longo da época).

Só mesmo Schmidt achava que João Mário, Tengstedt, Morato e Kokçu na ala seriam soluções num jogo desta natureza. São erros, equívocos e decisões inexplicáveis a mais. Cabe a Rui Costa tirar ilações do que hoje ficou por demais evidente.

Decisivo

 O jogo com o Porto é decisivo. Ou o Benfica vence e arranca para a vitória no campeonato ou abre caminho para o Sporting assumir a liderança à entrada na recta da meta, ficando depois dependente de uma vitória improvável (pois o Sporting jogará de cadeirinha, no seu estádio, bastando-lhe um empate) e já quase desesperada no dérbi. 

Para vencer teremos de jogar como uma verdadeira equipa - e com muita cabecinha! Só assim e só depois disso os grandes nomes poderão aparecer.

sexta-feira, 1 de março de 2024

Assim não vamos lá

A ter de perder que seja num jogo que permite ainda a recuperação. Mas a margem de erro vai-se reduzindo e os sinais não me parecem nada positivos.

O Benfica ontem até podia ter ganho o jogo se o VAR não tivesse intervido, ou se Veríssimo tivesse tido a coragem de manter a decisão correta do fiscal de linha. E não me venham cá com explicações técnicas porque ainda recentemente vi um golo muito parecido em Inglaterra ser validado. Mas vamos passar à frente, porque os factores externos não podemos controlar, e olhar para dentro.

O treinador do Benfica deve refletir sobre as razões da completa incapacidade e inoperância da equipa durante a primeira parte. Por que razão o Sporting entrava na nossa área com tanta facilidade, Gyokeres recebia constantemente a bola e atacava a nossa baliza sempre com perigo e o Benfica pura e simplesmente não conseguia criar nada, não conseguia sair com perigo para o ataque apesar de ter jogadores rápidos e de existir muito espaço no meio campo do Sporting que podia e devia ter sido explorado.

É verdade que (mais uma vez) o Sporting marca praticamente no primeiro ataque perigoso que fez. Já na Luz foi assim. Mas depois disso (e também há que explicar porque acontece isso - duvido que a sorte seja a única explicação) fomos totalmente manietados. 

Depois vem a substituição de Bah por Morato. A não ser que ela se deva a factores físicos, é inexplicável para mim. A equipa não melhorou; pelo contrário, tornou-se mais previsível.

O Benfica defendeu mal e atacou bem apenas durante alguns minutos entre o primeiro e o segundo golo. 

ATUALIZAÇÃO: segundo as estatísticas do Goalpoint, o Sporting teve 42 ações na área adversária e o Benfica apenas 15. Consequentemente o Sporting fez 19 remates (5 enquadrados) e o Benfica apenas 4 (3 enquadrados). Sendo que de resto as estatísticas até são equilibradas, isto mostra uma muito maior objectividade e simplicidade de processos por parte do Sporting. Sabiam exactamente o que fazer e foram agressivos, ao passo que o Benfica foi macio e inconsequente. 

O mais preocupante para mim é que à entrada da fase final da época, continuemos sem um 11 base e agora sem sequer um sistema definido: jogamos com ponta de lança ou ataque móvel? No meio campo já jogou provavelmente uma dezena de duplas: Neves e Kokçu, Neves e Florentino, Neves e João Mário, Aurnes, etc, etc. É difícil estabilizar um modelo de jogo com tantas alterações.

Vem agora o jogo com o Porto. É necessária uma resposta muito forte da parte de todos. Uma vitória pode colocar as coisas no bom caminho, solidificando o percurso no campeonato e dando moral para os confrontos decisivos com o Sporting. Uma derrota colocaria tudo em causa e os títulos a começar a fugir-nos das mãos.

Nada está perdido e eu continuo a acreditar que temos qualidade suficiente para, a nível nacional, prevalecer sobre os nossos rivais. Mas para isso acontecer há que vencer ou pelo menos não perder no Porto. Caso contrário tudo se poderá desmoronar até ao fim da época. Este é o momento. Veremos se treinador e jogadores saberão estar à altura.