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segunda-feira, 18 de março de 2024

O Benfica europeu

O Benfica cumpriu a sua "obrigação", eliminando o Rangers. Obrigação no sentido em que temos um maior orçamento e uma equipa mais forte, como ficou demonstrado ao cabo da eliminatória. Já na Luz merecíamos um resultado muito diferente, pois o Glasgow marcou no primeiro ataque que fez à nossa baliza e depois logo após o nosso empate, tendo feito pouco para o merecer. Na Escócia o jogo foi mais equilibrado e o Benfica até aceitou remeter-se alguns períodos à defesa, acabando por marcar precisamente num contra ataque no qual toda a equipa do Rangers estava metida dentro do nosso meio campo. 

Foi uma eliminatória brilhante? Não, mas em princípio jogámos o suficiente para merecer a passagem. 

O Benfica tem sido algo maltratado pela comunicação social este ano. Se no ano passado houve, até dada altura, um estado de graça de Schmidt com os média, este ano é o contrário: os elogios tornaram-se em críticas por vezes a roçar o insulto. Note-se que eu não alinho no discurso de que os média e os comentadores estão todos contra o Benfica, que são todos "pasquins" e "avençados", etc. Essa mentalidade não nos leva a lado nenhum e corresponde a uma percepção distorcida da realidade: muitos dos jornalistas ou comentadores insultados em alguns blogs como "anti" são na realidade benfiquistas. Dito isto há que reconhecer que muitas vezes, possivelmente em razão da sua grandeza ímpar, embora também não se possam excluir más intenções por parte de alguns, o Benfica é tratado nos média de uma forma diferente dos outros.

Assim, enquanto Rúben Amorim pode dar descanso a meia equipa e assim perder logo em Alvalade a eliminatória com a Atalanta sem que ninguém esboce uma crítica; enquanto o Porto é eliminado mas fez uma eliminatória "épica"; já o Benfica chega a ser criticado após eliminar o Rangers!

O que se diria se no Benfica tivesse sido feito o que fez Amorim? Não precisamos de imaginar, basta recuar ao tempo de Jorge Jesus no nosso clube: quando ele promoveu alguma rotação na Liga Europa todos os comentadores lhe caíram em cima. Porque Jesus estava a desvalorizar a competição, estava a desonrar os pergaminhos do clube, um treinador de um grande não podia fazer isto, tinha de jogar com os melhores, eles são profissionais pagos para isto, blá, blá, blá. Mas agora quando Amorim o faz, está muito bem pensado, o Sporting não tem plantel para as duas competições, o campeonato é o principal objectivo, etc, etc.


Também é curioso que o Sporting "não tenha plantel" (só o Benfica é que tem). Quanto custou Paulinho? Quanto custou Gyokeres? Hjulmand? St Juste? Segundo o transfermark, respetivamente 16, 21, 18 e 10. Só aqui estamos a falar de 65 milhões. Gyokeres está, é verdade, a fazer uma época tremenda e a justificar plenamente o investimento. Mas de Paulinho não se pode dizer exatamente o mesmo e já está no Sporting há anos suficientes para o juízo ser bem sustentado. Fresneda custou 7 milhões,  Trincão outros 7, Diomande 7,5 e Esgaio 5,5. Juntando aos 65 já vamos em 92 milhões de euros.

Por que é que isto é importante? Porque o Sporting é apresentado nos média como uma equipa de tostões, que faz praticamente milagres, que se bate contra um clube rico e esbanjador (o Benfica). A obrigação, a pressão é sempre do Benfica. O Sporting já está a fazer "mais do que o esperado e a sua obrigação". Amorim, como excelente treinador e profissional que é, percebe essa narrativa e sabe retirar partido dela. 

A questão é que, como acabámos de ver, é uma estória falsa. Aliás, ninguém fala de outra parte que são os perdões de dívida do Sporting, esses sim, susceptíveis de criar distorções na competição e favorecimentos indevidos. Se o Benfica compra jogadores caros é porque fez receitas para isso. Já o Sporting compra porque não paga as dívidas.

Em relação ao Porto, sobre a gestão não vale sequer a pena dizer nada. A "guerra civil" em curso é plenamente esclarecedora. Agora "A Bola" escrever "Gigantes" porque perderam só por um com o Arsenal, depois de terem ganho à base da sorte na primeira mão, e foram eliminados nos penalties, parece-me excessivo. (Já agora: Diogo Costa não era "dos maiores especialistas do mundo em defender penaltis"?) Sim, o Porto bateu-se bem, mas foi basicamente uma equipa defensiva que nunca arriscou nada. Se fosse o Benfica seguramente que o discurso seria diferente ("falta de rasgo", "falta de ambição", "estava ao alcance", etc). 

Depois os portistas dizem que são os maiores de Portugal em termos europeus. Mas nunca ganharam em Inglaterra (e levaram muitas goleadas) ao passo que o Benfica venceu em Inglaterra 4 vezes! E não, não foi no tempo da televisão a preto e branco. Foi recentemente (eu vi todas essas vitórias) e perante Arsenal, Liverpool, Everton e Tottenham, alguns dos maiores de Inglaterra. Também eliminámos o Manchester United na Champions (e sem precisar de anular golos perfeitamente legais ao adversário...).

O que se retira de tudo isto é para os outros perder é normal. Só o Benfica é que tem todas as obrigações e mais alguma. Aliás, mesmo quando ganha não tem mérito. É interessante que esta tenha sido a primeira vitória de um clube português em casa do Glasgow, mas mais uma vez isso não interessa nada e não tem mérito nenhum porque os escoceses nem sabem jogar futebol, só rugby. O que tem mérito é bater-se bem com gigantes do futebol mundial como a Atalanta ou perder apenas por 1 com um Arsenal devastador na Liga dos Campeões. 

Vem agora o Marselha, clube com historial, como bem sabemos, que tem uma equipa interessante (o principal goleador é Aubameyang) e adeptos fervorosos. Será uma eliminatória difícil. Basta dizer que o Marselha este ano já eliminou Ajax, Aek de Atenas, Shakthar Donetsk e Villareal, este último com uma goleada de 4-0 em Marselha que resolveu logo a eliminatória na primeira mão. Agora claro que o Benfica tem todas as possibilidades de passar em frente. O Benfica está neste momento nos terceiros quartos de final consecutivos a nível europeu (duas vezes Liga dos Campeões, uma vez Liga Europa). Naturalmente queremos fazer mais, mas é um registo positivo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Onze finais europeias perdidas

 É inacreditável.


O Benfica pura e simplesmente perde todas as finais europeias em que se vê envolvido. 

Béla Guttmann tinha aparentemente razão e a sua previsão sombria (que muitos consideram uma maldição) já nem se limita aos séniores: agora até as Youth Leagues de júniores estão incluídas.

Para quem não sabe, ou não se lembra, o ex-treinador húngaro do Benfica, bicampeão europeu (1961 e 1962), saiu em litígio com a direcção e terá dito algo como: "nem daqui a 100 anos voltam a ser campeões europeus" ou "sem mim, nem daqui a 100 anos o Benfica conquistará uma Taça continental".  

É absolutamente inacreditável. São 11 (onze) as finais perdidas! Seguidas!!!

O Benfica ganhou uma Taça Latina (1950) e as duas Taças dos Campeões referidas e desde então perdeu TODAS as finais em que se viu envolvido. Oito em séniores e agora três em júniores. Seja por uma razão, seja por outra, o desfecho é sempre o mesmo. Praticamente nem vale a pena ver os jogos.

Ontem foi mais um exemplo. O Benfica marca um auto-golo, falha um penalty e acaba o jogo a atirar bolas à barra, com o Real Madrid completamente remetido à sua defesa e a perder tempo. 

Nas finais europeias do Benfica a lei de Murphy tem 100% de taxa de aplicação. Já perdemos por todas as razões imaginárias. Perdemos por pouca sorte, por arbitragens miseráveis, com golos nos últimos segundos... 

No Benfica as finais são para se perder.


A culpa é de Gutman? A verdade é que explicações individuais para cada uma das derrotas ou falar simplesmente em "coincidências" neste momento já não é convincente. 

O Porto ontem fez uma publicação provocadora que recordava a sua vitória na Youth League (na única final em que participou). Mas olhemos para o historial do Porto na Europa: 5 finais europeias ... 4 vitórias. Se contabilizarmos a Youth League são 5 em 6. Contra factos não há argumentos. O Porto vai às finais para ganhar, o Benfica vai para perder.


Será psicológico? Algo mais?

Em termos práticos, só vale a pena concentrarmo-nos no que podemos controlar. 

E isso é simplesmente a nossa atitude e comportamento. Penso que o Benfica não está a perder finais por falta de empenho, vontade de vencer ou sequer falta de qualidade. Muito pelo contrário. 

Não se pode falar nunca de vontade em excesso mas pode-se falar de ansiedade, de uma carga emocional exagerada, um certo dramatismo na forma como estas competições são encaradas. 

Ainda ontem Hélder Conduto passou o jogo a dizer coisas como "acredita Benfica". 

Encaram-se estes jogos como se fossem algo de transcendente, algo de sobrenatural. Parece que atraímos já a má sorte e o desfecho negativo com a ansiedade que projectamos. E depois as coisas acontecem mesmo: os penalties não assinalados pelo árbitro (e os falhados pelos nossos jogadores), os golos nas primeiras ou únicas oportunidades dos adversários, os golos nos últimos minutos... É um pouco como nos jogos contra o Porto. Parece que entramos já a perder.


Enfim, tudo isto são reflexões que não se pretendem de carácter científico. Muito menos estou a crucificar atletas (ainda ontem os rapazes tudo tentaram - faltou mais uma vez a tal "sorte"). Estas reflexões são apenas uma tentativa de racionalização de algo que é de facto inexplicável e sem comparação no mundo do futebol.


PS - Temos ainda o case study do Sevilha: 6 finais da Liga Europa, 6 vitórias. Será também coincidência?

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Regresso à terra

O que era mais previsível aconteceu e o Benfica caiu na Champions perante uma das melhores equipas do mundo, claramente um dos favoritos à conquista do troféu.
Por algum tempo pareceu possível o Benfica surpreender mas o maior poderio do Bayern acabou por se impor. O golo de Raúl Jimenez deu esperança e empatou a eliminatórias mas talvez nas duas únicas falhas defensivas colectivas do Benfica, os bávaros deram a volta ao resultado e praticamente resolveram. Nessa altura passámos por momentos difíceis e poderíamos ter mesmo sofrido o 3º golo. Mas o Benfica teve ainda fôlego para marcar o segundo golo e voltar a colocar algum grau de incerteza na eliminatória. Mesmo a fechar a partida Jovic teve oportunidade de nos dar a vitória (no jogo que não na eliminatória) mas o remate encontrou o gigante Neuer no seu caminho.
O Benfica perde por um total de 3-2, não deslumbrou mas também não deslustrou. Bateu-se muito bem contra um adversário poderosíssimo, ainda para mais com algumas baixas muito importantes na equipa. Penso que não nos devemos concentrar muito nisso, porque estaríamos a desmerecer os que entraram para os seus lugares e que deram o seu melhor (com destaque para Raúl que mais uma vez teve uma excelente prestação e voltou a marcar num jogo tão importante) mas não há como não reconhecer que as ausências de Jonas e Gaitan sobretudo, na medida em que não há outros jogadores com as suas características no plantel, tiveram o seu peso.
Gostei muito de Jimenez, de Renato, de Talisca e de Gonçalo Guedes mas há que reconhecer que toda a equipa deu tudo o que tinha e bateu-se com enorme dignidade contra o colosso alemão. Ederson também por mais do que uma vez fez intervenções de classe que impediram o Bayern de alcançar outro resultado.
Tudo pesado, o Benfica deixou uma boa imagem na Europa, chegou a uma fase avançada da competição e conseguiu grandes receitas. É pois uma participação europeia altamente positiva que importa valorizar e que consolidar nos próximos anos. Se assim for voltaremos a ter oportunidades para chegar às meias finais, a partir de onde se torna possível ser campeão europeu. Não tenhamos porém ilusões no sentido em que será fácil repetir o que fizemos esta época. Será possível mas nunca fácil.
 
Encerrado este capítulo europeu, o Benfica volta a concentrar-se nas competições nacionais e claramente no campeonato. Segunda-feira recebemos o Vitória de Setúbal, num jogo que não podemos pensar que vai dar facilidades, tanto mais que vem na ressaca desta eliminação. Depois disso, quinta-feira, pelo que que acabei de ouvir Paulo Fonseca dizer há pouco, recebemos o Braga para a meia final da Taça da Liga, após o que vamos a Vila do Conde, naquele que está a ser considerado como dos mais difíceis (e no qual se poderá estar a preparar um "caldinho" mas a isso voltaremos mais tarde). Mas não nos iludamos, a partir de agora todos os jogos são de tremenda dificuldade. Importa pois pensar jogo a jogo como temos feito até aqui e enfrentar cada um deles com total e absoluta entrega. Começa já na segunda-feira. Este é o ciclo final da época, que importa começar bem já contra o Setúbal.
 
Há que recuperar física e mentalmente os jogadores (e de alguma forma os adeptos também precisam de interiorizar esta nova realidade mais "terrena" e nacional) de forma a abordar da melhor forma o que falta jogar que é, tão somente, a fase decisiva da época. Não pode haver, agora que saímos da Europa nenhum abrandamento ou nenhum alívio mental competitivo pois o mais decisivo está por fazer e os nossos adversários não vão facilitar.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Bayern é de outra galáxia

Muito sinteticamente, antes deste jogo tão importante, tão mediático, queria apenas dizer que o Bayern é uma equipa de outro campeonato, de outra galáxia, não apenas em relação ao Benfica mas à maioria dos clubes europeus. Apenas o Barcelona, na minha opinião, está a este nível e joga no mesmo campeonato, em termos de qualidade. Muito admirado ficaria se um destes dois não viesse a ser o campeão europeu.
Dito isto, o Benfica tem obrigação de fazer um bom jogo, um jogo inteligente e no qual procure utilizar as suas armas. Não será fácil porque todos vimos o que aconteceu à Juventus e a outros adversários. Em todo o caso acredito que seja possível o Benfica fazer um bom jogo e pelo menos em alguns períodos conseguir controlar o jogo e criar problemas ao Bayern. Apesar de ser um colosso, com um dos melhores treinadores do mundo e vários jogadores campeões do mundo, com um orçamento gigantesco, o Bayern não é imbatível.
Aconteça o que acontecer esta noite, o trabalho que tem vindo a ser feito não pode ser colocado em causa e o desfecho do jogo desta noite não pode afectar a restante época, a não ser de forma positiva, dando mais motivação ainda para o que falta disputar.
Tenho plena confiança em Rui Vitória e nos jogadores para nos continuarem a dar alegrias esta época para além do jogo desta noite.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Da Rússia com amor, suor e dedicação

Imagem do site da UEFA.
 
 
O Benfica conseguiu algo de importante esta quarta-feira em São Petesburgo. Se avançar para os quartos de final seria já sempre um feito considerável, consegui-lo com uma vitória e o brilhantismo com que a mesma foi alcançada é algo que merece ser elogiado sem reservas.
É que, recorde-se, o Benfica vinha de um jogo de exigência máxima, no qual os jogadores tiveram que disputar cada lance nos limites, estava desfalcado e tinha do outro lado uma equipa de milhões, com vários jogares de grande qualidade.  
Os nossos "meninos" jogaram mais uma vez como gente grande, desde Ederson a Renato, passando por Lindelof e Nélson Semedo. Em relação a este último, é verdade que não fez um jogo isento de erros mas também há que reconhecer que o jovem lateral está a recuperar a sua forma depois de uma lesão muito penalizadora. E claro, convém não esquecer Raúl, que não deixa de ser um jovem, que voltou a ser decisivo na Champions. Uma resposta eloquente para aqueles que se declaravam muito preocupados com o que o avançado mexicano custou aos cofres da SAD. As contas provavelmente agradecerão bastante as verbas avultadas que esta presença (para já) nos quartos de final da maior prova de clubes do mundo trazem ao Benfica.
Os destaques são múltiplos: Eliseu fez um jogo praticamente irrepreensível e Fedja foi uma autêntica muralha no nosso meio campo, ao passo que Samaris voltou a deixar a pele em campo, parecendo bem rotinado na defesa. Que, diga-se, jogou tanto mais exemplarmente quanto estiveram em campo o suposto 4º central ao lado de uma adaptação, o guarda-redes suplente e um lateral que pouco jogou desde o seu regresso de prolongada lesão.
Mas acima de tudo há que destacar a equipa, a sua união e coesão. Estes jogadores claramente sentem que fazem parte de uma equipa que inclui não apenas os 11 que entram em campo mais os suplentes mas todo o plantel e estrutura.
Como eu antevi no anterior post, esta seria a hora de jogadores com menos jogos na época aparecerem. Assim aconteceu com Nélson, com Fedja, com Raúl e com Sálvio e Talisca que vieram ajudar nos últimos minutos. Esta situação prolongar-se-á até ao fim da época: no próximo jogo Talisca será com toda a probabilidade titular e outros poderão entrar para substituir colegas que estejam em níveis de desgaste elevado. Não me surpreenderia, por exemplo, se Gaitán fosse um deles, ou até Pizzi. Os seus substitutos precisarão de estar preparados física e mentalmente para a titularidade.
 
Evidentemente não é hora de euforias. Nada está ganho. Não tenho dúvidas de que no campeonato teremos jogos dificílimos nas jornadas que faltam. Seria um erro tremendo pensar algo de diferente, erro que tenho a certeza que ninguém naquela equipa cometerá. O próximo jogo é já um deles. O facto de ser contra o último em casa pode por vezes levar a um abrandamento dos índices de tensão e concentração. Embora isso seja normal e humano, é necessário porém estar precavido para as dificuldades que o Tondela nos criará (que serão bastantes) e fazer o nosso trabalho. Ainda para mais este jogo vem após uma ressaca de derby e Champions pelo que não há espaço para facilitismos.
Rui Vitória e os jogadores estão de parabéns. Estão a fazer um grande trabalho, mas para que ele seja coroado de sucesso o mais difícil está ainda por fazer.
Segunda-feira lá estaremos para mais uma jornada. Entretanto aqui ficam uns links com ecos da vitória em São Petersburgo.
 
Crónica do jogo com relato em inglês do golo de Gaitan no site da UEFA.
 
 
Vitória do Benfica nas redes sociais.
 
 
 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Bom começo

O Benfica começou com o pé direito a sua participação na Champions. A jornada não poderia ter corrido melhor: aceitando que o Atlético de Madrid é a equipa mais forte e que em circunstâncias normais  o Benfica disputará a 2ª posição com o Galatasaray, a sua vitória em Istanbul é o resultado mais favorável para as nossas pretensões. Costuma-se dizer que vencer os jogos em casa é mais de metade do caminho para garantir a qualificação na fase de grupos da Champions. Vencemos o adversário mais fácil, ficam a faltar os mais difíceis.
 
O Benfica cumpriu perante uma equipa bem organizada, jogando q.b., sem acusar a pressão da "obrigação" de ganhar e sem propriamente perder o rumo quando o golo tardava em aparecer. O Benfica pareceu sempre ter o jogo bem orientado (de alguma forma preparando na 1ª parte o que fez na segunda) com a excepção do lance no qual os cazaques enviaram uma bola ao poste.
Essa oportunidade terá feito os jogadores perceber que era preciso ter uma agressividade diferente e penso que a partir daí merecemos inteiramente a vitória. Claro que não foi uma exibição de luxo. Não foi uma goleada espectacular como a que impuséramos dias antes ao Belenenses. Mas isso é o normal no futebol: nem sempre se pode fazer grandes exibições. O mais importante é cumprir com um plano de jogo bem preparado (como foi o caso) e obter os resultados necessários. Sinceramente sem ter sido uma exibição de encher o olho penso que foi um jogo conseguido por parte do Benfica, pois alcançou os seus objectivos sem grandes sobressaltos e também sem forçar demasiado a nota (principalmente quando o jogo estava ganho), algo que me parece prudente em vésperas de um clássico que poderá ser muito importante para as contas do campeonato. Sobre esse jogo falarei mais tarde.
 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Falemos de outras coisas...

À medida que se aproxima o clássico aumenta um pouco a ansiedade, há um pequeno formigueiro que se acende ao pensar no jogo. Será um fim de semana certamente muito especial. O Estádio estará cheio e convirá chegar cedo para evitar a confusão e o stress de última hora. Enfim, será mais uma grande jornada de benfiquismo.


Entretanto falemos de outras coisas, nomeadamente das competições europeias cujo sorteio das meias finais se realizou há pouco.


Um aspecto que me parece muito curioso é o "regresso" das equipas italianas, nos últimos anos bastante arredadas das fases decisivas. Curiosamente eu sou do tempo em que as equipas italianas ganhavam tudo o que havia para ganhar, sobretudo a Juventus e o Milan. Mas depois disso enfrentaram um período de grande crise na sequência da corrupção e também do maior poderio financeiro dos clubes ingleses e espanhóis.

Essa é outra nota relevante: a completa ausência de equipas inglesas, algo de raro nos últimos anos. City e Chelsea foram uma desilusão na Champions, tal como o Everton e Tottenham na Liga Europa.

A maior surpresa será talvez a presença da Juventus entre os 4 semifinalistas. Penso que o Real não terá porém grande dificuldade em eliminar os italianos e estar na final pelo segundo ano consecutivo. Recordo que se a ganhar será algo de histórico para Ronaldo, para o clube e também para Ancelotti que ganharia a sua 4ª (!!!) Liga dos Campeões como treinador.

Na outra meia será um duelo de Barcelonas: o verdadeiro e o de Munique e de Guardiola. Será certamente uma eliminatória muito especial na qual se espera e deseja, para bem do futebol, que Ribery e Robben (sobretudo estes) estejam de volta à equipa alemã. Neymar também se vem afirmando cada vez mais, tal como o  próprio Suarez (que deixou David Luiz muito mal na primeira mão do embate entre Barça e PSG). Será sem dúvida um duelo de superequipas. 

Quanto à Liga Europa, o Sevilha eliminou o Zénite de forma algo surpreendente e defrontará a Fiorentina, ao passo que o Nápoles defrontará o Dnpro. Abrem-se boas perspectivas para Benitez voltar a ganhar um título europeu para juntar à Taça UEFA, Liga dos Campeões, Liga Europa e Supertaça europeia (para além de um mundial de clubes) que venceu no passado. 




quarta-feira, 22 de abril de 2015

Guardiola e as voltas que a vida dá

Realmente a vida é uma coisa que nos surpreende, precisamente nas alturas em que achamos que tudo é previsível. Como disse outrora alguém vida é o que acontece quando esperamos exactamente o contrário.

A vida dá muitas voltas e por isso convém ser humilde para não ser humilhado pelos outros.

Estava aqui a ver que há quase exactamente um ano atrás (em 12 de Abril de 2014) escrevi um artigo a que chamei "os dois barcelonas". O "segundo Barcelona" era precisamente o Bayern de Munique. Na altura dava ainda como por provar a capacidade de Guardiola em exportar a sua fórmula vencedora para a Alemanha. Penso que hoje já não haverá dúvidas de que o treinador espanhol conseguiu impor as suas ideias e que com isso começa a ganhar um estatuto ímpar no panorama do futebol mundial.

Quando Guardiola ganhou no Barcelona as suas vitórias foram algo desvalorizadas pelo facto de existirem Messi, Iniesta e Xavi e uma escola de futebol que formava jogadores desde os juvenis. Mas neste momento Guardiola está a demonstrar que o seu modelo de jogo não  está constrangido a uma determinada equipa. Que de mais diferente pode haver do estilo algo "palavroso", de passes e mais passes, futebol rendilhado, de Guardiola do que o pragmatismo alemão? Em termos futebolísticos nada. E no entanto Guardiola está a impor as suas ideias e este Bayern é um portento de futebol.

Nessa crónica que escrevi há um ano dava o Real Madrid e o Chelsea como favoritos a chegar à final da Champions. O Real realmente trucidou na altura o Bayern, numa noite de glória para Sérgio Ramos e Ronaldo que marcaram dois golos cada um em Munique. O Chelsea de Mourinho porém foi eliminado pelo Atlético de Madrid. A perspectiva de uma final entre os dois melhores treinadores gorou-se assim. Na Luz o Real venceria a sua "décima" com outro dos melhores treinadores do mundo (e talvez o mais titulado, com 3 Ligas dos Campeões entre muitos outros troféus), Carlo Ancelotti. Mourinho via assim o título que durante três anos perseguira sem sucesso enquanto treinador do Real sorrir ao seu sucessor.

Este ano Mourinho foi eliminado de forma surpreendente pelo PSG (o tal que "humilhou" o Benfica por nos derrotar por 3-0 na sua casa), ao passo que Guardiola já está nas meias finais, assim como o Barcelona. Ancelotti tem boas perspectivas de lá chegar e o outsider deste naipe de equipas deverá ser a Juventus (embora Leonardo Jardim ainda tenha uma palavra a dizer).  

São algumas das muitas voltas que a vida dá. Quando o Real foi campeão de Espanha com Mourinho e Guardiola saiu do Barcelona no fim da época para descansar física e psicologicamente muitos acharam que o espanhol estava derrotado e acabado. Ora ele está a provar que isso não é verdade e ainda que é possível ganhar não abdicando de um futebol bonito, de um futebol bem jogado de um futebol atractivo.

A noite de ontem foi um grande momento de Guardiola. A sua equipa demonstrou ser das melhores do mundo e apesar da noite desastrada do Porto, o mérito do Bayern (sem muitas estrelas) não pode ser colocado em causa. Só uma equipa de topo poderia jogar de forma tão dominadora, tão demolidora para o adversário.

Transpondo isto para Portugal e para o Benfica que é sempre o principal foco do nosso interesse, importa dizer que Jorge Jesus tem sido criticado vezes sem conta por privilegiar esse tipo de futebol, por acreditar nesse tipo de futebol e por insistir nas suas ideias atacantes. Quando perde, logo aparecem todos os seus críticos mais acirrados, em poses triunfais, no estilo: eu bem vos disse, a desprezar e achincalhar o nosso treinador. Quando empatou em Barcelona contra uma equipa com vários suplentes, foi severamente criticado (apesar do Benfica também não ter podido contar com jogadores como Sálvio, Enzo ou Cardozo), falando-se de forma depreciativa de um "Barcelona B ou C". Um dos jogadores titulares do Barcelona nessa noite foi um dos carrascos do Porto, ao marcar dois golos nesta eliminatória: Thiago Alcântara. São voltas...

Mas durante estes 5 anos JJ, apesar de todos os que só criticam e tentam deitar abaixo, não abdicou das suas ideias e de acreditar em si. Os resultados estão à vista e são incomparáveis com os anos que o precedem. Não fora manifesta infelicidade em alguns jogos chave e pelo menos mais um título de campeão nacional e uma Liga Europa estariam no nosso museu.

Isto é verdade, independentemente do que acontecerá no Domingo. O menos surpreendente de certa forma seria o empate, mas todos os cenários são possíveis. Uma coisa é certa, eu acredito neste Benfica e estou convicto de que Domingo sairei do Estádio da Luz satisfeito com o desfecho. Mas nada está garantido. Os portistas certamente esperam o contrário. Manuel Serrão diz que "o Benfica vai ajoelhar novamente". Veremos. Às 5 da tarde de Domingo acaba a conversa e começa o jogo jogado. É aí que tudo se decidirá.

No pasa nada! Olé!!

É impressão minha ou o Porto ontem levou 6-1 de uma equipa do Bayern altamente desfalcada e sem as suas principais figuras? 

É impressão minha ou aos 40 minutos o resultado estava em 5-0?

Não, não é impressão minha. Isto aconteceu mesmo. Se o Bayern tivesse continuado com um ritmo elevado na segunda parte o resultado teria certamente sido muito mais dilatado. Pelo menos uns 8... Mas ao ler a comunicação social de hoje parece que nada de anormal aconteceu.

Agora eu pergunto-me o que seria dito se isto se tivesse passado com o Benfica.

É difícil imaginar, mas uma coisa é certa: pobre Jorge Jesus! O que seria dito do nosso treinador! O ódio que se destilaria contra ele. Aquilo que é a custo e mal disfarçado por alguns comentadores, destilaria com toda a licença e pormenores de crueldade.

Mas como é Lopetegui, o treinador do Porto, que depois de levar 6 ainda vai para a conferência de imprensa com uma postura arrogante, como se todos ali estivessem em dívida para com ele, permitindo-se ainda tratar mal os jornalistas portugueses, as críticas são muito diluídas. 

Pobre Jorge Jesus se se tivesse "atrevido" a estar a perder por 5 aos 40 minutos. Pois se quando perdeu 3-0 com o PSG em Paris houve capas a falar de humilhação e os ataques mais soezes de alguns (sobretudo na vergonhosa SIC)! Mas ontem estavam "estranhamente" calmos e moderados. Ai se fosse Jesus... 

Mas o prémio do maior idiota da noite vai para o "Expresso" que conseguiu ver na derrota por 6 uma obra de Jorge Jesus. Segundo a imbecilidade proposta pela crónica desse jornal, Jorge Jesus teria "encarnado" Lopetegui. Este grande estratega teria afinal que culpar o treinador português pelas invenções que ele desta vez teria copiado resultando na goleada. Já dizia Einstein só há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana...

Registamos tudo isto. Tal como registamos que depois de levar 6 os jogadores do Porto se multiplicaram em declarações de que vinham ganhar o campeonato à Luz. 

Lá estaremos à sua espera.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Calendário: ciclo de jogos decisivos

1. O Benfica inicia Domingo um ciclo muito difícil de jogos que decidirão muito do sucesso desta época.

O quadro de jogos é o seguinte:

9/11 Nacional-Benfica
(a 14/11 a seleção jogará com a Arménia)
22/11 Benfica-Moreirense (Taça de Portugal)
26/11 Zénite-Benfica
30/11 Académica-Benfica
7/12 Benfica-Belenenses
9/12 Benfica-Bayer Leverkussen
14/12 Porto-Benfica

2. Deste ciclo de 6 jogos sairá uma decisão - a continuidade na Europa - e uma maior definição do resultado final do campeonato: nos últimos 5 anos o confronto entre Benfica e Porto determinou o campeão e na maioria dos casos isso aconteceu logo na primeira volta (em 2010 o golo de Saviola projetou-nos para a liderança de que não mais sairíamos, em 2011 a goleada sofrida no dragão afundou-nos definitivamente, em 2012 e 2013 foram os jogos da segunda volta que marcaram a passagem da liderança do Benfica para o Porto e no ano passado a vitória dos "11 Eusébios" marcou a época). Diga-se de passagem que este ano o título poderá ainda ter no Sporting um terceiro candidato o que baralharia as contas tal como as concebemos a partir dos casos dos últimos anos.

3. É evidente que o Benfica procura ainda um equilíbrio e uma dinâmica e que existem (ainda) limitações claras. Nas alas com a lesão de Ola John deixou de haver qualquer rotatividade e Sálvio e Gáitan já se ressentem desse facto. O núcleo nevrálgico da equipa ainda tem muitas intermitências a funcionar: Samaris é substituído em praticamente todos os jogos e já jogaram pelo menos 5 duplas diferentes. As boas notícias são que Enzo parece estar a subir de forma, Júlio César parece começar a agarrar a baliza (dando outra tranquilidade ao sector) e Jardel e Lisandro têm estado a melhorar, dando razoáveis garantias. Isto para já não referir, sob pena de nos tornarmos repetitivos, o extraordinário rendimento de Talisca que é mesmo craque. Derley também tem evoluído o seu jogo e Lima quando passar o período de menos sorte que claramente atravessa começará a facturar com regularidade. 

4. A questão que eu me coloco é se haverá tempo para esta equipa se consolidar e crescer. Isto porque, com todo o realismo, o Porto tem um plantel impressionante com vários - muitos mesmo - jogadores capazes de fazer a diferença. O próprio Sporting está mais forte do que o ano passado (já jogou na Luz e recebeu o Porto para o campeonato), com Nani e mais banco. O seu calcanhar de Aquiles é claramente a defesa. Num cenário destes, teremos que ser inteligentes, calculistas e "resultadistas". Temos que ser realistas e perceber que neste momento não somos favoritos no campeonato nem na Liga dos Campeões. Esse será o primeiro passo para aumentarmos as nossas hipóteses de alcançar os objectivos pretendidos. 








quarta-feira, 5 de novembro de 2014

De volta à luta

A vitória do Bayer sobre o Zénite fazia com que vencendo na Luz o Benfica voltasse às contas da qualificação. 

E assim aconteceu, num jogo difícil, no qual a pressão era muito alta, mas no qual a equipa deu uma boa resposta e venceu com alguma felicidade mas bem. Talisca voltou a ser decisivo num momento em que Jorge Jesus já tinha arriscado tudo.

Estamos agora em igualdade pontual com os russos e a apenas um ponto do Mónaco que na próxima jornada se desloca à Alemanha. 

O cenário está porém ainda longe de se poder considerar muito risonho, pois os dois jogos que temos pela frente são de dificuldade máxima.

Na próxima jornada o Benfica vai à Rússia onde não pode perder. O ideal seria mesmo ganhar. Com uma vitória e uma previsível derrota do Mónaco na Alemanha, o Benfica passava para um lugar de qualificação à entrada para a última jornada que disputamos em casa contra o Bayer. Caso o outro jogo (Mónaco-Zénite) resultasse num empate, o Benfica poderia até perder com os alemães que se qualificaria na mesma para os oitavos de final.

Caso o Benfica empate na Rússia, precisará depois de vencer o seu jogo em casa e esperar que o Zénite não vá vencer ao Principado. No entanto, se o Mónaco vencesse na Alemanha e depois vencesse o Zénite, seria ele que se qualificaria com 11 pontos, contra os 8 que o Benfica faria neste cenário.

São os vários "ses" ou cenários possíveis para o Benfica progredir para os oitavos da Champions. Como já expliquei, acho que o cenário de qualificação para a Liga Europa não nos interessa pois obriga a equipa a grande desgaste físico e emocional, com um retorno desportivo e financeiro limitado. A qualificação para os oitavos da Champions vale monetariamente o mesmo que a chegada à final da Liga Europa.

Refira-se ainda que se o Benfica vencer os seus dois jogos deverá qualificar-se, excepto se o Mónaco vencer também os seus. Ou seja, não dependemos exclusivamente de nós. Em todo o caso, estou convencido de que vencendo o Zénite na Rússia ficaremos muito perto da qualificação. 

A tarefa é pois muito difícil, como é evidente. Nestas qualificações não se podem desperdiçar pontos em casa como aconteceu na primeira jornada contra precisamente os russos, que aliás têm muitos e bons estrangeiros. 

Caso o Benfica perca em São Petersburgo fica automaticamente eliminado da Champions, restando-lhe disputar a vaga pela Liga Europa. Isto porque ficará a 3 pontos dos russos e em desvantagem no confronto directo, que é o primeiro factor de desempate em caso de igualdade pontual. 

Desta vez Jesus terá que ser mais astuto que Villas-Boas e os que ficaram e chegaram terão que ser melhores que os que partiram, como Garay, Javi Garcia e Witsel. Na multinacional do Zénite, agora também patrocinada pelo gás russo, cabem ainda Hulk e Danny, para além dos locais Kerzakov e Arshavin, entre outros. O orçamento é monstruoso.

Não será fácil mas acredito que o Benfica pode consegui-lo se for calculista, inteligente e estiver no máximo das suas capacidades.

Agora regressa porém o campeonato e é nisso que temos que nos focar. Vem aí um jogo habitualmente difícil, no terreno da Choupana na Madeira. A vitória é imprescindível para manter o primeiro lugar. Será o primeiro de 3 jogos fora em quatro jornadas. A equipa terá que estar ao seu melhor para sair deste ciclo como um líder reforçado. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Talisca resolve

Num jogo a seguir a uma derrota e antes de uma jornada decisiva na Champions, o barómetro acusava níveis elevados. A vitória era imprescindível e o adversário não era dos mais fáceis.
O Benfica teve uma boa resposta, perante um Rio Ave que se fechou muito na sua retaguarda e apostou em manter o 0-0 o máximo tempo possível.

Mais uma vez Talisca tinha a chave das balizas adversárias e no momento certo soube usá-la. Mais um hino ao futebol. Começo a perder a conta aos golos monumentais do baiano - um jovem com apenas 20 anos e na sua primeira época fora do Brasil. Estamos perante um craque que temos que saber continuar a fazer crescer.

Depois do golo porém regressaram os problemas que se têm observado em vários jogos: o Benfica tem dificuldade em manter a vantagem no marcador, em "congelar" o jogo, ou seja, baixar o respetivo ritmo, em manter uma posse "tranquila" de bola. É claramente algo em que devemos trabalhar pois o Benfica precisa de saber manter vantagens no marcador. Hoje dá a ideia de que se tentamos apenas "manter" a vantagem baixamos demasiado o ritmo e a intensidade e deixamos o adversário crescer em confiança, se tentamos marcar mais golos acabamos por sofrer em contrapé como aconteceu com o Braga. 

Já amanhã temos um jogo decisivo para a continuidade na Champions. O Benfica precisá impreterivelmente de vencer esta partida e tem todas as condições para o conseguir. 

Precisamos de continuar a evoluir, a assentar processos, a ganhar rotinas, pois há muitos jogadores novos. No entanto os jogos a doer, verdadeiramente decisivos, não param. Mais do que notas artísticas nesta fase precisamos de ser resultadistas. 

Vem aí uma fase verdadeiramente decisiva do campeonato. Nas próximas quatro jornadas, o Benfica joga fora 3 vezes, com três deslocações de alto risco a campos onde temos perdido pontos nas últimas épocas. Na próxima jornada vamos à Madeira jogar com o Nacional, depois vamos a Coimbra e à jornada 13 vamos ao Dragão. Muito do campeonato vai começar a tomar forma nestas jornadas. Jogos destes entre os principais candidatos podem marcar o campeonato: em 2009 a vitória sobre o Porto (golo de Saviola) à 14ª jornada lançou o Benfica para o título; no ano passado nova vitória sobre o Porto, dessa vez por 2-0 e à 15ª jornada, também nos fez acelerar para uma época de sonho. Desta vez o jogo é no dragão mas já é mais do que hora de o Benfica lá vencer para o campeonato.

Duas notas finais sobre a imprensa desportiva portuguesa. A primeira prende-se com a diferença de tratamento da derrota do Benfica em Braga, a qual foi quase comparada à queda de Roma e a derrota do Sporting - essa sim estrondosa - que afinal nada mais é do que um acidente de percurso. É também curioso que se diga que Marco Silva quase não tem responsabilidade no que se passou e que as culpas devem ser assacadas aos jogadores. É curioso porque o elementar bom senso deveria levar os autores de tão brilhantes análises a pensar que se 11 (ou 14) jogadores estiveram mal, então provavelmente a tactica não foi bem preparada. Aliás se há jogo no qual uma equipa deu uma "cabazada" táctica à outra, esse jogo foi o de Guimarães. Não digo isto para atacar Marco Silva, com que até simpatizo, mas sim para mostrar a diferença de tratamento que existe para com Jesus que sempre que a equipa perde é o culpado e um péssimo treinador.

A outra nota prende-se com a originalidade portuguesa. Nos outros países criticam-se as decisões erradas dos árbitros e auxiliares. Em Portugal criticam-se as certas. O fiscal de linha acertou ao anular o golo do Rio Ave, algo que motivou grande "indignação". Cambadas de mentecaptos, autênticos atrasados mentais, dedicam minutos e horas a determinar onde estava afinal o malandro fiscal de linha, para, por processos de intenção inenarráveis, chegar à conclusão que havia uma intenção clara de anular o golo e beneficiar o Benfica. É gente sem classificação.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Equipa (ainda) em construção

O Benfica terá feito (assim todos o esperamos) muito boas contratações, equilibrando um plantel que parecia em desagregação e perda acentuada de qualidade. Os negócios foram aparentemente bons, o problema é que aconteceram já nas vésperas do encerramento do mercado, o que significa que algumas pedras importantes não fizeram a pré-época, como Samaris e Cristante - ou nem sequer começaram ainda a jogar, como é o caso de Júlio César e Jonas. 

Esta equipa está portanto ainda em fase de construção ou crescimento. O próprio Talisca, que me pareceu desde o início um jogador com muita qualidade e enorme potencial, é um jovem que precisa de tempo para assentar na equipa. Samaris ainda mais, pois está no sector nevrálgico do centro do terreno. Por outro lado, jogadores como Bebé e Jonas terão também um espaço na equipa (embora este último não para a Liga dos Campeões) e o próprio Derley, se conseguir "crescer" e perder o medo também poderá ser uma opção válida. Na defesa veremos se Jardel será o titular do lugar.

A vitória por 5-0 em Setúbal foi evidentemente uma óptima notícia e um bom indicador da qualidade que existe e do que o Benfica poderá fazer esta época nas provas nacionais. Não permite porém embandeirar em arco, pois esta equipa perdeu jogadores que eram fundamentais na sua dinâmica do ano passado, jogadores de enorme classe, como Garay, Siqueira, Rodrigo e Markovic (para não falar de Oblak), precisando naturalmente de tempo para que os que chegaram consigam colocar a sua qualidade ao serviço da equipa e esta adquira nova dinâmica. 

É evidente que o posicionamento e a movimentação de Talisca não são os de Rodrigo, que a saída de Garay implica uma maior lentidão da defesa e que Samaris é um jogador com um estilo próprio, pelo que a equipa terá que "absorver" e se adaptar a estas realidades.

Perante uma equipa já bem estabelecida, bem trabalhada, que manteve o essencial da época passada e se reforçou "só" com Garay, Javi Garcia e Arshavin, a tarefa do Benfica tornou-se quase impossível quando erros individuais deitaram tudo a perder. Com uma desvantagem no marcador e em número de jogadores pouco depois do primeiro quarto de hora era quase impossível fazer diferente, pelo menos nesta fase. 

Nada está perdido, embora as coisas se tenham complicado. Não custa perceber que o Zénite é a equipa mais forte deste grupo. A vitória de um fraco Mónaco sobre o Leverkussen indica que o Benfica poderá, se der o seu máximo e souber ser inteligente, ficar em segundo lugar do grupo, vencendo os seus restantes jogos em casa e não perdendo fora com nenhum dos que passaram agora a ser os adversários diretos. Eventualmente terá mesmo que vencer um desses jogos, dependendo das combinações de resultados que forem surgindo.

Os adeptos estiveram bem ao reconhecer o esforço e ao apoiar a equipa. Há que continuar a trabalhar para que ela cresça, para que se torne mais sólida, mais segura, mais compacta. Será uma época longa e exigente mas penso que o Benfica pode, pelo menos ao nível nacional, fazer algo de parecido com o que aconteceu na época passada, nomeadamente ser campeão e talvez vencer a Taça. Seria certamente uma excelente época, que nos deixaria todos muito felizes. Quanto à Champions, penso que temos qualidade para poder passar este grupo, mas para isso precisamos de conseguir resultados - mais do que exibições - nesta fase em que a equipa ainda está em formação. A começar já em Leverkussen.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O plantel e as hipóteses do Benfica esta época

Com o plantel fechado até Dezembro, o Benfica apresenta um quadro de jogadores razoável para os objetivos a que se propõe esta época: renovar o título de campeão e passar a fase de grupos na Champions League.

Os piores receios não se verificaram, pois Gaitan e Enzo mantiveram-se no plantel e este foi ainda reforçado com Samaris e Cristante. Ou seja, existem várias soluções para o meio campo do Benfica.

Para duas posições no meio campo (6 e 8 como agora se repete muito) temos André, Enzo, Samaris, Cristante e o próprio Talisca, para além dos lesionados Rúben e Fedja. São portanto soluções de sobra e de qualidade. Nesta fase Samaris e Cristante lutarão por um lugar ao lado de Enzo, de acordo com o próprio Jorge Jesus, lugar que tem sido ocupado por André Almeida. Com o progredir da época podemos admitir outros cenários, pois JJ já disse que gostaria de contar com Samaris na "posição 8". Admitindo que em Janeiro o Valência poderá voltar à carga por Enzo, é de admitir que existam nessa altura reajustes no plantel.

Continuando a análise ao plantel. curiosamente, temos poucos extremos: para substitutos de Gaitan e Sálvio temos apenas Ola John, Bebé e Pizzi. Noutros anos existiram mais e melhores opções para as faixas.

O problema principal nesta altura reside no eixo do ataque: Lima é escasso. Talisca deu óptimas indicações mas não parece ser - pelo menos no imediato - um jogador com as características necessárias para jogar no ataque. Talisca é excelente no passe (finalmente temos quem cobre bolas paradas com qualidade), tem alguma velocidade mas não tem a dimensão física que um avançado necessita. Talvez JJ venha a "inventar" algum esquema ou solução que resolva este problema, mas para já o que se viu foi um Benfica com défice de concretização das várias oportunidades criadas.

Estamos ainda no início da época, por isso é de admitir que venhamos a melhorar. Para já o descalabro não aconteceu. Apesar das múltiplas saídas, a equipa continua equilibrada e com qualidade. As permanências de Luisão, Enzo, Sálvio e Gaitan eram fundamentais para manter alguma estabilidade e um patamar elevado de qualidade e Samaris e Cristante vieram dar mais soluções e acrescentar qualidade. Ficou a faltar um ponta de lança, que seria excelente ser Campbell. Talvez em Janeiro tal se possa concretizar, sendo de admitir que possa também sair Enzo nessa altura. Até lá teremos que usar a prata da casa no ataque, designadamente Derley e Nélson Oliveira na Champions e estes mais Jara no campeonato para jogarem ao lado ou em vez de Lima. É pouco mas é o que há. Esperemos que estes jogadores sejam capazes de agarrar a oportunidade e potenciar as suas qualidades. Caso Jesus acabe por decidir, como muitos crêem, que Bebé pode ser uma solução para o ataque, melhoramos um pouco o leque de soluções (embora fiquem depois menos soluções para as faixas...).

Seja como for, este grupo permite ter esperanças numa época de algum sucesso. No campeonato, o Benfica tem o conforto de ser o campeão em título e de o seu adversário estar sob bastante pressão em virtude do investimento enorme que realizou. O Porto não se pode dar ao luxo de perder mais um campeonato. O ambiente tornar-se-ia insuportável e a situação financeira descambaria. Nesse sentido, o Benfica tem uma tranquilidade maior para abordar os seus jogos, sobretudo mais para a frente na época, quando a pressão começar a aumentar. Veremos se conseguiremos transformar isso numa vantagem efectiva e suplantar o défice de valor que parece existir nesta fase em termos de cotação dos planteis.

Quanto à Champions, onde o Benfica não tem tido grande sucesso nos últimos anos, penso que existem possibilidades de suplantar este grupo e avançar para os oitavos. O Mónaco é uma equipa vulgar, o Bayer é uma equipa que já batemos no passado e que não está no patamar do Bayern ou do Dortmund e o Zénite é uma equipa forte, talvez o favorito do grupo. Qualquer equipa tem as suas chances e o Benfica tem que fazer uso da sua ampla experiência europeia para progredir na competição.




sábado, 12 de abril de 2014

Os dois Barcelonas

Nos quartos de final da Champions disputados quarta-feira houve uma confirmação e uma semi-surpresa. A confirmação foi a eliminação do Manchester, a semi-surpresa foi a vitória do Atlético de Madrid sobre o Barcelona.
Este Atleti é uma equipa um pouco à Mourinho, ou seja, uma equipa alicerçada na segurança defensiva, muito trabalhadora, sem grande brilho no seu jogo e altamente resultadista.
A sua vitória só foi porém possível porque este Barcelona está distante da equipa dominadora de há uns anos atrás. Xabi não é o mesmo, já não há Puyol, Piqué também se lesionou, Iniesta já não tem o mesmo fulgor do passado e Messi está numa fase de grande apagamento.
Por outro lado, o treinador, não sendo mau, não parece ser capaz de acrescentar muito e menos ainda de inverter o estado de coisas, que parece ser de declínio. É verdade que a equipa ainda tem possibilidade de se sagrar campeã em Espanha mas o tal, bastante apregoado, fim de ciclo  deste Barcelona poderá estar de facto a acontecer. Ou já neste ano ou certamente nos próximos.
No entanto, apesar deste Barcelona estar fora da Liga dos Campeões, há outro barcelona que por lá se mantém: a equipa treinada por Pepe Guardiola, o Bayern de Munique.
Este Bayern de facto não parece uma equipa alemã e está ainda por provar que a fórmula tiki-taka de Guardiola seja exportável. Para já a equipa começou a época a perder a Supertaça alemã e já venceu o campeonato a várias jornadas do fim. Eliminou um frágil Manchester e terá agora a oposição do Real nas meias da Champions. Será esse o verdadeiro teste a este segundo barcelona que em certas alturas parece uma equipa pouco objectiva, que se perde em passes excessivos e cuja agressividade deixa muito a desejar em relação às épocas passadas.
Na outra meia final defrontar-se-ão equipas muito parecidas: sem super-estrelas (com excepção, talvez, de Diego Costa e Hazard - veremos se estarão disponíveis para os jogos), serão dois onzes sobretudo de combate e em busca apenas e só do resultado. E o prémio é alto: uma presença numa final da Champions.
Aceitam-se apostas.
Eu estou tentado a crer que o Real é favorito, assim como o Chelsea, mas veremos.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A queda do City e a "normalidade"

Até ao jogo com o Chelsea para o campeonato o Manchester City era uma equipa temível que desmantelava adversário após adversário e que se previa que pudesse ter uma época repleta de sucessos. 

A derrota (clara e indiscutível) frente ao Chelsea mostrou porém que a equipa tinha (tem) debilidades e que está muito longe de ser imbatível. Os jogadores já não têm a mesma alegria a jogar, a mesma confiança nas suas capacidades e a mesma certeza de que as coisas lhes sairão bem. Por vezes é assim e por isso as derrotas são testes muito grandes à capacidade mental das equipas. 

Há porém um outro factor na queda de rendimento do City: a ausência por lesão de Aguerro. Esta lesão aconteceu precisamente antes do jogo com o Chelsea e afectou tremendamente a equipa. É que Aguerro é um jogador de classe mundial, um jogador que está no patamar logo abaixo de Cristiano Ronaldo e Messi, e que abrilhanta muito a equipa onde actua. 

Nessa medida, a vitória do Barcelona acabou por ser absolutamente normal e, logo a partir dos primeiros minutos de jogo, relativamente previsível. A tal "dimensão física" que o City tentou fazer valer, falhou por completo face à "rabia" que o Barcelona lhe impôs. Com todos os seus melhores centrocampistas em campo, o Barcelona voltou ao seu estilo de posse de bola e pressão imediata logo que a perdia. Não deu qualquer veleidade ao City.

O Barcelona continua a ser uma grande equipa do futebol europeu (frase em si mesma quase redundante) e deu ontem uma enorme lição a um dos "novos-ricos" do futebol europeu.

Também sem surpresas, o Paris SG venceu o Leverkussen, sendo apenas os números dificilmente antecipáveis.

Caso a "normalidade" se mantenha, o Arsenal será atropelado pelo Bayern e o Atlético de Madrid conseguirá ultrapassar o Milan que já há várias épocas deixou de ser um colosso europeu.

Os restantes 4 jogos relativos à primeira mão dos oitavos de final serão jogados para a semana.

Espera-se que Chelsea, Dortmund e Real Madrid acabem por ultrapassar respectivamente o Galatasaray, o Zénite e o Shalke 04. Na outra eliminatória as coisas já são mais imprevisíveis face à época desastrosa que o Manchester United está a realizar. O Olympiakos poderá causar uma meia surpresa. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O melhor Benfica da época - mas já era tarde

O Benfica fez ontem talvez a melhor exibição da época.
Foi um jogo à medida do que vimos a nossa equipa fazer no passado e que este ano tinha conseguido apenas a espaços no jogo da Taça contra o Sporting. 
A um jogo horrível e de difícil desculpabilização, seguiu-se um jogo bastante bom, contra um adversário de nomeada e com grandes estrelas, que jogou sem grande motivação nem pressão.
Seria muito preocupante e pouco profissional se o rendimento tão díspar da equipa tivesse a ver com factores de motivação ou falta dela conforme o adversário e a competição. No Benfica todos os jogos têm que ser levados a sério, e se alguém ali não o percebe têm que os dirigentes o explicar com clareza. 
O Benfica voltou a demonstrar dinâmica e a pressionar o adversário em praticamente todos os momentos - duas características que constituíram o grande trunfo do Benfica nas últimas épocas.
Maxi, que por razões que não consigo compreender, alguns benfiquistas teimam em criticar, é uma peça absolutamente fundamental na nossa dinâmica. Claro que sendo um lateral tão atacante, acaba por ficar por vezes desposicionado. Mas isso é uma consequência natural do tipo de jogo do Benfica e dos riscos que assumimos. A verdade é que dificilmente se encontra um lateral que crie tantos desequilíbrios na frente como Maxi, que tenha tanta força, tanta raça e tanta dinâmica como o pequeno uruguaio. Claramente um dos meus jogadores favoritos do Benfica. O que não quer dizer que, face à sua presença assídua na selecção uruguaia, Maxi não precise por vezes de ir ao banco para descansar - precisa certamente. 
Também Sílvio esteve muito bem e deu imensa profundidade à equipa. Sílvio é um benfiquista que dá o que tem pela equipa e que ontem esteve particularmente bem.
Outra peça que me pareceu fundamental foi Fedja, aliás um dos jogadores mais desastrados contra o Arouca. Na partida de ontem Fedja esteve em todo o lado (inclusivamente no apoio ao ataque) e praticamente sempre bem. Um meio campo com Fedja, Matic e Enzo Perez é fortíssimo e tem que ser a base desta equipa. Penso que já restarão poucas dúvidas acerca disso.
Mais uma vez gostei de Sulejmani, sobretudo pela qualidade do seu último passe, que é realmente superior e dá uma resposta ao que constitui uma pecha da nossa equipa. Markovic, para além de alguns fogachos teve pouca efectividade. 

Agora, como assinalei ontem, está falhado o primeiro objectivo da época. A responsabilidade é a meu ver do treinador que mais uma vez não percebeu como funciona esta competição: é obrigatório vencer os jogos em casa! Ao dizer, na véspera do jogo contra o Olympiakos na Luz, que o mesmo não era decisivo, algo aliás bem patente na forma como os jogadores do Benfica entraram em campo, dando 45 minutos de avanço ao adversário, JJ comprometeu a qualificação. Depois ficámos dependentes do que acontecesse na Grécia e infelizmente aconteceu o que acontece muitas vezes: fomos infelizes e os gregos tiveram uma sorte do tamanho do maracanã. A partir daí, só um milagre nos qualificaria, como assinalei em devido tempo. Não que o Benfica não tivesse qualidade para vencer os jogos restantes (que tinha como se confirmou). O problema é que o Olympiakos que já mostrara ser uma equipa cínica dificilmente deixaria de bater o Anderlecht. 

O ano passado o Benfica perdeu a qualificação para o Celtic de forma contrária: fizemos 4 pontos contra os escoceses mas uma vitória completamente improvável destes contra o Barcelona (e uma derrota do Benfica contra o Spartak) baralhou completamente as contas e levou à nossa eliminação. É curioso que tal como agora, na altura o Benfica estivesse dependente do resultado do jogo do Celtic em casa contra o adversário mais fraco do grupo e também é curioso que na altura tenha sido um penalty altamente duvidoso a decidir a partida aos 81 minutos. O árbitro era alemão, tal como ontem alemão era o árbitro que expulsou 3 jogadores do Anderlecht e marcou 3 penalties a favor do Olympiakos. Certamente são só coincidências, depois do que se passou entre Luisão e um árbitro também alemão na pré-época passada. 

Seja como for, entre os factores que dependem exclusivamente de si (a concentração, a motivação, a abordagem aos jogos) o Benfica voltou a ter falhas comprometedoras na competição e foi assim eliminado sem surpresa mas com muito amargo de boca. Mais uma vez sentimos que fomos eliminados por uma equipa mais fraca.

O primeiro objectivo da época está falhado. Venha o campeonato e a Taça e, quando for altura disso, em Fevereiro, a Liga Europa. Para já o Olhanense é o próximo adversário. Se jogasse sempre como ontem não tenho dúvidas de que o Benfica seria campeão. Veremos o que se passa daqui para a frente.





terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Quantos estarão hoje na Luz?

Penso que ninguém saberá ao certo, mas a verdade é que não se encontra informação sobre o assunto em lado nenhum. Noutras alturas os jornais davam conta das enchentes e de como havia poucos bilhetes disponíveis. Por estes dias nem uma palavra, o que em si é indicativo de que a assistência estará muito abaixo do que seria expectável em condições normais.
Não apenas a venda de bilhetes deverá ser muito reduzida (os preços são pouco menos que proibitivos) como inclusivamente alguns possuidores de bilhetes (nomeadamente packs comprados antes do início da época) optarão por não estar presentes.
As razões prendem-se, claro está, com o sub-rendimento da equipa e com o facto do Benfica não depender de si mesmo para assegurar o apuramento. 
Veremos quantos estarão presentes logo à noite para a primeira decisão da época. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

1º objectivo da época decide-se amanhã

Decide-se amanhã, na Luz e em Atenas simultaneamente, o sucesso ou insucesso do primeiro (não em termos de importância ou prioridade mas de calendário) objectivo da época: a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Penso que ninguém questionará que alcançar os oitavos de final da Liga dos Campeões seja um dos objectivos - o objectivo mínimo em termos da competição - do Benfica para a presente época. Se assim não fosse, o sonho, confessado por presidente e treinador, de chegar à final, este ano disputada na Luz, não apenas seriam um absurdo mas mesmo uma manifestação de completo desnorte.
Nessa medida, Jorge Jesus terá amanhã a sua primeira prova de aferição da época: alcançará ou falhará o primeiro objectivo.
As hipóteses de o alcançarmos são mínimas, como assinalei há 15 dias, mas felizmente existem. Estarei como é por demais evidente, a torcer para que o "milagre" aconteça, mas não tenho muitas esperanças. Aliás procuro já não alimentar muitas esperanças com este Benfica pois as desilusões são sempre proporcionais à crença e infelizmente as desilusões têm sido mais que muitas nas 3 épocas que antecederam a presente.
Voltando a Jorge Jesus, claro que se o meu objectivo fosse defendê-lo com unhas e dentes, eu não estaria aqui a recordar que o treinador tem elevadas possibilidades de amanhã ter o primeiro fracasso da época.
Mas eu só estaria aqui a defender Jorge Jesus com unhas e dentes se estivesse convencido de que Jorge Jesus era o melhor para o Benfica. Já o estive no passado, mas neste momento já não estou.
Neste momento penso que os resultados de Jorge Jesus têm que ser analisados fria e objectivamente e que não se pode continuar a atribuir a factores externos as razões dos desfechos, regra geral negativos, das últimas épocas do Benfica.
Em relação à Liga dos Campeões, agora em causa, o facto do Benfica não depender apenas de si não pode servir de forma nenhuma de factor desculpabilizante: o Benfica entrou como cabeça de série no sorteio (pertenceu ao pote 1) e tinha todas as condições para garantir um lugar entre os dois primeiros. Foi Jorge Jesus quem logo após o jogo com o PSG (apenas o 2º jogo da campanha) deu o primeiro lugar como perdido. Foi também o treinador do Benfica que antes do jogo em casa com o Olympiacos, equipa que, nessa medida, passava a ser a nossa única competidora, veio dizer que o jogo não era decisivo.
Em resumo, se o Benfica não se qualificar para mim não haverá desculpas e a responsabilidade será em primeira análise de Jorge Jesus. Da mesma forma, se o Benfica se qualificar, não desmerecerei o facto, atribuindo-o à sorte.
Como digo, é hora de deixar os resultados falarem friamente.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Jogo entre gigantes.

O Barcelona é de facto uma super-equipa. Disso não pode haver dúvidas. É muito provavelmente a melhor equipa do mundo, constituindo a base, quer em termos de jogadores, quer de sistema táctico, de uma selecção que é "só" bi-campeã da Europa e campeã do Mundo.
O Benfica não é uma super-equipa mas é uma equipa forte. O ano passado foi eliminado da Champions pelo seu vencedor (o Chelsea), numa eliminatória em que não foi em nada inferior ao seu adversário. Não sendo uma super-equipa como o Barcelona, o Benfica é também um gigante do futebol mundial, quer em termos de palmarés, quer em termos de adeptos e grandeza institucional.
Será assim um grande jogo, um clássico até, do futebol europeu, com o favoritismo a pender quase em absoluto para a equipa da casa, mas com o Benfica a ter uma palavra a dizer, até porque algumas peças essenciais do Barcelona (Xabi e Iniesta) não jogarão.
Não é porém um Barcelona mais fragilizado o que entrará em campo. É um engano - que seria fatal se a equipa nele embarcasse - pensar assim. É um Barcelona talvez menos "automático" nos seus processos ofensivos e defensivos, mas ainda assim poderosíssimo, capaz de vencer qualquer equipa de topo e igual na sua matriz de jogo. Veja-se aliás como Guardiola saiu e Tito Vilanova manteve o estilo e a identidade inalteráveis - assim como os resultados. Um Barcelona diferente seria apenas um Barcelona sem Messi - mas este vai mesmo jogar amanhã.
Tarefa portanto muito difícil, mas ainda assim não impossível.
Se o Celtic, uma equipa esforçada e aguerrida, perigosa nas bolas paradas mas limitada tecnicamente, foi capaz de vencer o Barcelona, isso prova que não há imbatíveis.
Só um Benfica ao seu melhor nível e que tenha a sorte do jogo poderá sair amanhã vitorioso.
Mas - atenção: mesmo que isso não aconteça, o Benfica pode-se amanhã qualificar para os oitavos de final da Champions.
A vitória do Celtic sobre o Spartak está longe de ser um dado adquirido. Os russos têm alguma qualidade e tal como perderam surpreendentemente em casa com os escoceses poderão empatar ou vencer amanhã em Glasgow.
Convém ter isso em mente, até como forma de psicologicamente nos motivarmos. Um empate em Nou Camp pode também ser o resultado de que precisamos para progredir na competição. Seria muito positivo e, para mim, seria justo, pelo menos face ao que aconteceu até agora. A partir das 19.45h veremos.