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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A nova vida de Bernardo Silva (e a genialidade de Guardiola)

 Com a contratação de Grealish por uns exorbitantes 117, 5 Milhões de Euros a continuidade de Bernardo Silva no Manchester City foi colocada em causa e especulou-se na imprensa portuguesa sobre a possibilidade de uma transferência para Espanha.

É preciso ver que já na época passada Bernardo não foi titular indiscutível. Com a recuperação de De Bruyne (jogador muito massacrado por lesões, em grande parte por excessiva violência dos adversários - incluindo Palhinha), Bernardo passou a estar mais tempo no banco. É preciso ver que podem jogar naquelas posições também Riyad Mahrez, Phil Foden ou Sterling. Portanto a concorrência é enorme. E a verdade é que Bernardo é um jogador com muito menos explosão do que qualquer um dos outros referidos.

Diga-se que Bernardo foi um jogador muito útil no sistema do City na época anterior. Ou seja, em 19/20. Nessa altura o talentoso português sacrificou-se pela equipa, sendo importante no tiki-taka então praticado, pela sua enorme qualidade de passe e recepção mas também a pressionar os adversários, a recuar e a fechar espaços. Acontece que com isso Bernardo foi perdendo um pouco do perfume do seu futebol. No Europeu fui critico da prestação de Bernardo Silva porque o jogador fosse por razões físicas ou psicológicas raramente era capaz de ultrapassar os adversários e ir à linha, ou criar rupturas. Basicamente recebia a bola dava dois passos em frente e depois rodopiava passando a bola novamente para trás ou para o lado.

Ora Bernardo aparece esta época rejuvenescido. Mais leve, mais confiante com mais bola e mais capacidade de enfrentar o chamado 1 para 1, Bernardo está a ter uma nova vida no City, apesar da concorrência ser ainda mais forte. Isso deve-se também a um novo posicionamento e uma nuance táctica do sistema de Guardiola. Bernardo aparece agora mais no meio campo, como interior, onde tem mais bola e onde pode olhar para o jogo com outra perspectiva, ao invés de estar no triângulo da frente onde estava a ter mais dificuldade em desbloquear (é preciso ver que contra o City as equipas se fecham muito atrás).

Isto tem-se reflectido de forma muito positiva no futebol de Bernardo e do City como um todo. O jogo entre Liverpool e City (2-2) foi dos melhores que tenho visto e Bernardo Silva foi um dos que esteve em melhor plano. Há uma jogada de Bernardo que é absolutamente genial e mostra a melhor versão do jogador: pegando na bola a meio do seu meio campo, ele ultrapassa literalmente meia equipa do Liverpool, incluindo Fabinho e Van Dike e com uma assistência magistral coloca a bola entre dois defesas para deixar Foden na cara do guarda redes. O avançado inglês ficou com pouco ângulo mas podia e provavelmente devia ter feito golo.

Esta nova forma de jogar, em que Bernardo tem mais bola e mais possibilidade de contruit a partir de trás, progredindo com a bola controlada até à entrada da área é mérito evidente do jogador, da sua visão, da sua capacidade futebolística e qualidade técnica, mas também do seu treinador. Guardiola ficou a ganhar à frente, onde Grealish, apesar de ainda não estar a carburar muito, tem mais capacidade do que Bernardo para resolver naquela zona entre a quina da grande área e o golo mas ficou também a ganhar e muito no meio campo onde Bernardo dá outro perfume, outro toque poético ao futebol do City que assim assume outra dimensão. Menos tiki-taka mas mais profundidade, mais imprevisibilidade.

Isto mostra a capacidade de Guardiola para evoluir o seu sistema e para inovar, não estando preso a esquemas rígidos e ideias feitas. Nisto tenho que o contrastar enormemente com Mourinho.

Gostaria de não ter que o dizer e claro que gostaria que Mourinho tivesse sucesso. Mas a verdade é que Mourinho ficou parado no tempo e não tem neste momento golpe de asa para sair do espartilho táctico em que se colocou e que impõe às suas equipas. É que Mourinho pensa o jogo a partir de uma visão negativa, pretendendo em primeiro lugar anular o adversário.

Por exemplo, ontem contra a Juventus, o que se viu foi uma Roma cuja preocupação primeira (e quase última) foi a segurança defensiva, mesmo quando estava a perder. Pode-se dizer que o adversário é teoricamente superior, mas isso não impede um treinador de tentar ganhar o jogo. Veja-se a Atalanta: tem uma ideia de jogo positiva, tenta sempre ganhar. Não o conseguirá sempre mas, com recursos limitados, bate-se com todos. Já Mourinho preocupa-se em defender, em anular a outra equipa, em tapar os espaços para a sua baliza (algo que aliás já não consegue de modo tão efizaz como no passado). Depois tenta "esticar o jogo", aproveitando a subida da equipa adversária. Esta estratégia é extremamente limitada e aliás fez com que Zaniolo, que tinha sempre que correr meio campo desde que recebia a bola apenas para se acercar da grande área adversária, tivesse que ser substituído ainda na primeira parte. 

Mourinho disse que a Roma fez um jogo "extraordinário" e atribuiu ao árbitro "intenções". É verdade que o árbitro esteve muito mal ao assinalar penalty num lance em que a Roma até marca. Sempre ouvi dizer que penalty seguido de golo é golo, mas como as regras estão sempre a mudar já não sei... Depois para piorar as coisas a Roma falha o penalty. Mas isso é uma ilusão: caso tivesse empatado (e não tinha feito nada para o merecer) a Roma voltaria a recuar ainda mais e sofreria o 2-1.

terça-feira, 22 de março de 2016

O campeonato mais louco do mundo

Não me refiro ao português (apesar destes estar a ser esta época altamente disputado e emocionante) mas ao inglês no qual o "conto de fadas" pode mesmo vir a acontecer e uma equipa que se esperava ir lutar para não descer de divisão poderá vir a ser campeã. Refiro-me evidentemente ao Leicester (lê-se "lé-ce-têr) que está em 1º lugar há muitas jornadas, tendo neste momento apenas a oposição do Tottenham (a 5 pontos). É que o Arsenal e o City estão respetivamente a 11 e 15 pontos! Apesar de terem um jogo a menos, a apenas 7 jornadas do fim não parece minimamente possível que os "cidadãos" possam recuperar, ao passo que a inconstância dos "gunners" também não abona muito em favor das suas chances. O título deverá pois ser disputado entre Leicester e Tottenham!
A possível vitória do Leicester seria talvez a maior surpresa da história do desporto, por se tratar de um  esforço colectivo que requer um estado de superação mantido consistentemente durante quase um ano.
De acordo com um artigo recentemente publicado no site goal.com tratar-se-ia de um feito não apenas improvável como mesmo impossível. É que, recorda o artigo, o Manchester City gastou 202 milhões de euros no passado Verão, ao passo que o United gastou 364 ao cabo das duas últimas épocas (a passada e a presente). Os valores astronómicos não se tratam de uma gralha minha, são reais: quando se desbarata como Van Gaal o faz ou a pagar 40 milhões por um jogador banal como Otamendi é natural que os valores acumulem rapidamente. Já no tocante ao Leicester as coisas são bem diferentes: o seu jogador mais valioso, Vardy, neste momento o melhor goleador, custou 1 milhão de libras, cerca de 1.2 milhões de euros. Seguiremos com muita atenção o que se passará em Inglaterra até ao fim do campeonato. É bom referir que só agora, quando a possibilidade do Leicester ser campeão começar a poder passar a realidade é que os jogadores começarão a sentir as pernas a tremer. Uma coisa é um sonho ou algo de distante, outra é poder realmente concretizar esse sonho ganhando 5 dos jogos que faltam. Mas mesmo considerando esse factor do nervosimo adicional ou ansiedade que eventualmente poderá afectar as raposas há que contar com a perda de pontos do Tottenham que também inevitavelmente acontecerá. O calendário do Leicester é melhor do que o dos londrinos, tornando a possibilidade da sua vitória nalgo de bastante palpável. Não deixaria de ser interessante - e provavelmente justo - que o grande obreiro dessa vitória fosse um treinador que ao longo da sua carreira passou sempre ao lado dos grandes sucessos, apesar de ter estado em grandes clubes. Esse treinador, a que Mourinho chamou um perdedor, poderia assim fazer parte da história do futebol, no clube mais improvável e quando já ninguém dava nada por ele. Mas ainda é cedo para celebrar. Estarei a torcer pelo Leicester e não deixarei de aqui ir fazendo actualizações sobre a corrida mais louca do mundo.

sábado, 12 de setembro de 2015

O "monstro" Ronaldo e o desastre de Mourinho

Ronaldo, apesar alguns comportamentos estranhos fora do relvado, dentro de campo continua a ser um autêntico "animal". Com o tempo e o inevitável declínio físico, especialmente no que toca ao arranque e ao pique, Ronaldo tem vindo a procurar tendencionalmente as zonas mais próximas da baliza para finalizar, algo que faz como ninguém, concentrando nisso a maioria das suas energias. Focalizando-se ainda mais em ser uma "máquina de golos". Por isso Ronaldo poderá vir ainda a bater mais recordes de golos, caso não tenha lesões, como todos esperamos que não tenha. Este sábado foram "só" 5 na goleada de 6-0 imposta pelo Real ao Espanhol, no terreno deste último. E podiam ter sido 6 do avançado português. Impressionante! Já começam a faltar adjectivos para os números deste enorme jogador.
 
Quanto ao outro português mais conhecido internacionalmente, José Mourinho, o seu Chelsea continua a "colecionar" derrotas. Em 5 jogos da Liga Inglesa já são 3! Uma delas em casa, onde Mourinho não perdia há anos. Hoje foi o Everton quem impôs ao Chelsea uma derrota sem apelo sem agravo. Sem conhecer muito a realidade dos "blues", dá-me ideia de que a defesa está demasiado permeável e que os laterais já não têm a qualidade de outros tempos. Também Obi Mikel e Matic não me parece uma dupla muito complementar e eficaz no meio campo. No ataque não faltam grandes nomes: Pedro, Diego Costa, Falcão, William mas também falta qualquer coisa. Poderá a "receita" Mourinho ter estagnado? Estar espremida? Confesso que achei estranha a renovação por 5 anos quando o treinador ainda tinha contrato pelo menos para esta época e a próxima. Acho que uma renovação dessas pode dar a um treinador uma situação de acomodação que é contrária à natureza de Mourinho, sempre insatisfeito e ambicioso. Este ano o campeonato parece ser para esquecer: está já a 11 (!) pontos do líder Man City e a 6 do United. Poderá tentar finalmente voltar a conquistar a Champions mas para tal os argumentos futebolísticos parecem escassos. Veremos. Abramovic já dá sinais de impaciência...

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Monstros do futebol

O que Messi fez ontem só está ao alcance de um "estratosférico" do futebol. O 1º golo, que desbloqueia o jogo é bom mas o segundo, fazendo Boateng cair "como um pino", como disse alguém na noite de ontem, e fazendo depois um chapéu a Neuer, roça o sublime. Depois disso ainda teve tempo para isolar Neymar para o terceiro.

Messi voltou a provar que é único na sua habilidade, na forma como mantém a bola colada ao pé e realiza o drible curto. É de facto algo de único no futebol mundial.

Isto não implica desvalorizar Ronaldo. Muitas vezes vemo-nos perante as chamadas falsas alternativas nas quais para um ser o melhor o outro tem que ser um jogador banal. Não, são dois super-jogadores, dois monstros do futebol. Ronaldo tem sido uma máquina de golos como nunca se tinha visto, batendo recorde atrás de recorde.

Voltando ao Barcelona, estamos quase perante um caso de concorrência desleal. Ter Messi e Neymar na mesma equipa e ainda lhes juntar Suarez é algo que torna a competição demasiado desequilibrada. Se o Barça estiver nos seus dias é quase imbatível. Pelo que vimos nos últimos jogos, é claramente favorito numa final com o Real e mais ainda a Juventus.

Antes do embate de Guardiola com a antiga equipa eu tinha expressado curiosidade sobre o jogo dos "dois Barcelonas". Reconheço que fiquei desiludido com o jogo do Bayern, pois foi muito pouco afoito no ataque. Nas poucas ocasiões em que procurou fazer subir mais jogadores no terreno foi apanhado em contrapé de uma forma quase embaraçosa. Ora isso não abona a favor do treinador que ainda há umas semanas elogiei após o desmantelamento do Porto por 6-1. Para além disso, a substituição de Muller por Goetze quando já estava a perder não pareceu a melhor solução.

É curioso que só ontem, ao ouvir mais uma vez as palavras de Mourinho proferidas após a conquista do título de campeão inglês, compreendi o verdadeiro alcance e destinatário da sua afirmação de que poderia ter escolhido um campeonato tranquilo onde poderia vencer sem grande dificuldade mas que escolhera a liga mais competitiva do mundo. O alvo da indirecta era Guardiola. 

No entanto também não tenho dúvidas de que Mourinho como Guardiola são, em estilos e com personalidades muito diferentes, também dois monstros do futebol. O espanhol sofreu porém ontem um retrocesso na sua caminhada de afirmação extra-Barcelona. O seu Barcelona bávaro fez uma má figura em Nou Camp. Existe uma atenuante: voltaram a ficar de fora por lesão as principais figuras do Bayern. No entanto este Bayern tem demasiada bola para as oportunidades de golo que cria. Nisso Mourinho é muito mais prático: para ele a posse de bola visa a baliza e o golo. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Falemos de outras coisas...

À medida que se aproxima o clássico aumenta um pouco a ansiedade, há um pequeno formigueiro que se acende ao pensar no jogo. Será um fim de semana certamente muito especial. O Estádio estará cheio e convirá chegar cedo para evitar a confusão e o stress de última hora. Enfim, será mais uma grande jornada de benfiquismo.


Entretanto falemos de outras coisas, nomeadamente das competições europeias cujo sorteio das meias finais se realizou há pouco.


Um aspecto que me parece muito curioso é o "regresso" das equipas italianas, nos últimos anos bastante arredadas das fases decisivas. Curiosamente eu sou do tempo em que as equipas italianas ganhavam tudo o que havia para ganhar, sobretudo a Juventus e o Milan. Mas depois disso enfrentaram um período de grande crise na sequência da corrupção e também do maior poderio financeiro dos clubes ingleses e espanhóis.

Essa é outra nota relevante: a completa ausência de equipas inglesas, algo de raro nos últimos anos. City e Chelsea foram uma desilusão na Champions, tal como o Everton e Tottenham na Liga Europa.

A maior surpresa será talvez a presença da Juventus entre os 4 semifinalistas. Penso que o Real não terá porém grande dificuldade em eliminar os italianos e estar na final pelo segundo ano consecutivo. Recordo que se a ganhar será algo de histórico para Ronaldo, para o clube e também para Ancelotti que ganharia a sua 4ª (!!!) Liga dos Campeões como treinador.

Na outra meia será um duelo de Barcelonas: o verdadeiro e o de Munique e de Guardiola. Será certamente uma eliminatória muito especial na qual se espera e deseja, para bem do futebol, que Ribery e Robben (sobretudo estes) estejam de volta à equipa alemã. Neymar também se vem afirmando cada vez mais, tal como o  próprio Suarez (que deixou David Luiz muito mal na primeira mão do embate entre Barça e PSG). Será sem dúvida um duelo de superequipas. 

Quanto à Liga Europa, o Sevilha eliminou o Zénite de forma algo surpreendente e defrontará a Fiorentina, ao passo que o Nápoles defrontará o Dnpro. Abrem-se boas perspectivas para Benitez voltar a ganhar um título europeu para juntar à Taça UEFA, Liga dos Campeões, Liga Europa e Supertaça europeia (para além de um mundial de clubes) que venceu no passado. 




quarta-feira, 22 de abril de 2015

Guardiola e as voltas que a vida dá

Realmente a vida é uma coisa que nos surpreende, precisamente nas alturas em que achamos que tudo é previsível. Como disse outrora alguém vida é o que acontece quando esperamos exactamente o contrário.

A vida dá muitas voltas e por isso convém ser humilde para não ser humilhado pelos outros.

Estava aqui a ver que há quase exactamente um ano atrás (em 12 de Abril de 2014) escrevi um artigo a que chamei "os dois barcelonas". O "segundo Barcelona" era precisamente o Bayern de Munique. Na altura dava ainda como por provar a capacidade de Guardiola em exportar a sua fórmula vencedora para a Alemanha. Penso que hoje já não haverá dúvidas de que o treinador espanhol conseguiu impor as suas ideias e que com isso começa a ganhar um estatuto ímpar no panorama do futebol mundial.

Quando Guardiola ganhou no Barcelona as suas vitórias foram algo desvalorizadas pelo facto de existirem Messi, Iniesta e Xavi e uma escola de futebol que formava jogadores desde os juvenis. Mas neste momento Guardiola está a demonstrar que o seu modelo de jogo não  está constrangido a uma determinada equipa. Que de mais diferente pode haver do estilo algo "palavroso", de passes e mais passes, futebol rendilhado, de Guardiola do que o pragmatismo alemão? Em termos futebolísticos nada. E no entanto Guardiola está a impor as suas ideias e este Bayern é um portento de futebol.

Nessa crónica que escrevi há um ano dava o Real Madrid e o Chelsea como favoritos a chegar à final da Champions. O Real realmente trucidou na altura o Bayern, numa noite de glória para Sérgio Ramos e Ronaldo que marcaram dois golos cada um em Munique. O Chelsea de Mourinho porém foi eliminado pelo Atlético de Madrid. A perspectiva de uma final entre os dois melhores treinadores gorou-se assim. Na Luz o Real venceria a sua "décima" com outro dos melhores treinadores do mundo (e talvez o mais titulado, com 3 Ligas dos Campeões entre muitos outros troféus), Carlo Ancelotti. Mourinho via assim o título que durante três anos perseguira sem sucesso enquanto treinador do Real sorrir ao seu sucessor.

Este ano Mourinho foi eliminado de forma surpreendente pelo PSG (o tal que "humilhou" o Benfica por nos derrotar por 3-0 na sua casa), ao passo que Guardiola já está nas meias finais, assim como o Barcelona. Ancelotti tem boas perspectivas de lá chegar e o outsider deste naipe de equipas deverá ser a Juventus (embora Leonardo Jardim ainda tenha uma palavra a dizer).  

São algumas das muitas voltas que a vida dá. Quando o Real foi campeão de Espanha com Mourinho e Guardiola saiu do Barcelona no fim da época para descansar física e psicologicamente muitos acharam que o espanhol estava derrotado e acabado. Ora ele está a provar que isso não é verdade e ainda que é possível ganhar não abdicando de um futebol bonito, de um futebol bem jogado de um futebol atractivo.

A noite de ontem foi um grande momento de Guardiola. A sua equipa demonstrou ser das melhores do mundo e apesar da noite desastrada do Porto, o mérito do Bayern (sem muitas estrelas) não pode ser colocado em causa. Só uma equipa de topo poderia jogar de forma tão dominadora, tão demolidora para o adversário.

Transpondo isto para Portugal e para o Benfica que é sempre o principal foco do nosso interesse, importa dizer que Jorge Jesus tem sido criticado vezes sem conta por privilegiar esse tipo de futebol, por acreditar nesse tipo de futebol e por insistir nas suas ideias atacantes. Quando perde, logo aparecem todos os seus críticos mais acirrados, em poses triunfais, no estilo: eu bem vos disse, a desprezar e achincalhar o nosso treinador. Quando empatou em Barcelona contra uma equipa com vários suplentes, foi severamente criticado (apesar do Benfica também não ter podido contar com jogadores como Sálvio, Enzo ou Cardozo), falando-se de forma depreciativa de um "Barcelona B ou C". Um dos jogadores titulares do Barcelona nessa noite foi um dos carrascos do Porto, ao marcar dois golos nesta eliminatória: Thiago Alcântara. São voltas...

Mas durante estes 5 anos JJ, apesar de todos os que só criticam e tentam deitar abaixo, não abdicou das suas ideias e de acreditar em si. Os resultados estão à vista e são incomparáveis com os anos que o precedem. Não fora manifesta infelicidade em alguns jogos chave e pelo menos mais um título de campeão nacional e uma Liga Europa estariam no nosso museu.

Isto é verdade, independentemente do que acontecerá no Domingo. O menos surpreendente de certa forma seria o empate, mas todos os cenários são possíveis. Uma coisa é certa, eu acredito neste Benfica e estou convicto de que Domingo sairei do Estádio da Luz satisfeito com o desfecho. Mas nada está garantido. Os portistas certamente esperam o contrário. Manuel Serrão diz que "o Benfica vai ajoelhar novamente". Veremos. Às 5 da tarde de Domingo acaba a conversa e começa o jogo jogado. É aí que tudo se decidirá.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Liga dos campeões decepcionante

A Liga dos Campeões tem sido uma galinha dos ovos de ouro para a UEFA, a qual continua por isso a explorar o formato à exaustão, tornando-o menos atractivo para os espectadores. 
Depois de ter sido tentado um esquema de competição que contemplava duas fases de grupos, solução ridícula que obviamente não durou, é agora a vez de se fazer arrastar uma eliminatória por 5 semanas, como foi o caso destes oitavos de final. A intenção é clara: mais transmissões televisivas e mais receitas. Se os jogos fossem como antigamente todos no mesmo dia, as televisões teriam que optar por um e portanto as receitas seriam menores. No entanto este arrastar no tempo não faz qualquer sentido futebolisticamente e acaba por banalizar os jogos desta competição, retirando parte do encanto das "noites europeias".

Este ano deparamo-nos com outro aspecto decepcionante que é o da falta de qualidade das equipas: o United, um dos grandes desta competição, não se qualificou, o Chelsea está eliminado depois de uma prestação ridícula, o Real Madrid passou in extremis depois de perder em casa por uns inexplicáveis 3-4 contra uma equipa fraca, como é o Shalke, Arsenal e City também saíram de prova. Penso mesmo que deve ser a primeira vez em muitos anos que não há uma única equipa inglesa nos quartos de final. Para além disso temos um Atlético de Madrid desenxabido e um Mónaco ultra defensivo nos quartos. O Porto teve evidentemente todo o mérito na forma como se qualificou, mas a verdade é que ainda não defrontou uma única equipa de qualidade, o que não deixa de ser espantoso, tendo em atenção quão avançada a competição já vai. Só lhe falta de facto apanhar o Mónaco nos quartos.

Penso que as equipas favoritas neste momento são o Barcelona e o Bayern, duas equipas com a marca de Guardiola. De facto o melhor Barcelona é aquele que faz recordar o super-Barcelona de há uns anos, treinado por Guardiola, ao passo que o Bayern foi elevado a um novo patamar com a chegada deste grande treinador espanhol. Ao contrário de Mourinho, Guardiola aposta no futebol e na qualidade de jogo, proporcionando grandes espectáculos. 

Outras equipas a rever serão a Juventus e o PSG, para verificar se confirmam as boas indicações que deixaram nos oitavos (sobretudo na segunda mão) ou se ficam por aqui.

Uma coisa é certa: este ano a competição está a desiludir em virtude um rendimento desapontante de algumas das maiores equipas europeias. Dito de outra forma, é um bom ano para uma equipa não favorita poder ir longe na competição. Em todo o caso penso que no final prevalecerá a "lógica" do favoritismo e um dos grandes "tubarões" voltará a conquistar o troféu.



quinta-feira, 8 de maio de 2014

Inglaterra - City (quase) campeão

No início da época, previ que Mourinho não teria um bom ano e que o City tinha as maiores probabilidades de ser campeão. 
Acabou por ser esse o desfecho da Liga Inglesa (e da época de Mourinho), mas muita coisa aconteceu entretanto, nomeadamente o campeonato realizado - e agora perdido- pelo Liverpool.
Para esta equipa histórica, o desfecho da Liga é bastante cruel.
O Liverpool fez um excelente campeonato, com um futebol atacante, atractivo, espectacular, venceu o City a poucas jornadas do fim e assumiu a liderança isolada da Premier League e acaba por perder o campeonato mesmo na recta final, em virtude de uma derrota em casa com o Chelsea na antepenúltima jornada e de um empate com o Crystal Palace na penúltima. Nesse jogo, os reds venciam por 3-0 aos 79 minutos!!
Claro que matematicamente o Liverpool ainda pode ser campeão, precisando de ganhar na última jornada e esperar por uma derrota do City. Mas quem acredita que o Manchester City perderá em casa na última jornada frente ao West Ham quando um empate lhe dá matematicamente o título? Penso que quase ninguém. Se dúvidas houvesse sobre a capacidade do City para abordar estes últimos jogos depois das escorregadelas do Liverpool elas ficaram ontem dissipadas com a goleada (4-0) a um Villa que tentou apenas e só defender.

O Liverpool esteve este ano perto, muito perto mesmo. Jogadores como Sturridge, Sterling, Coutinho e Suarez deram espectáculo, marcaram golos de todas as formas e feitios... Gerrard e Lucas fizeram uma grande época.
É por isso muito cruel, e os reds têm a minha simpatia, perder mesmo no fim, quando o prémio parecia à vista. 
O "culpado" acabou por ser Mourinho, que venceu em Sttanford Bridge. O Chelsea fez um bom jogo (é verdade que acabou a defender muito mas a isso foi obrigado), foi relativamente dominador na primeira parte mas a derrota é um resultado pesado e algo injusto. Sobretudo Gerrard não merecia acabar a época (e talvez a carreira, pelo menos ao nível a que este ano esteve) desta forma. Para quem não viu o jogo, o médio do Liverpool, no centro do terreno e sem nenhum companheiro nas suas costas, domina mal uma bola que vem da lateral, imediatamente escorrega e Demba Ba, embalado de trás, fica com uma "autoestrada" completamente aberta para a grande área do Liverpool e não perdoa. Foi uma imagem que ainda por cima foi ridicularizada pelos rivais dos reds. Gerrard não o merecia porque fez uma excelente época. O mesmo se pode dizer de Suarez, eleito o melhor jogador da época, além de ser o melhor marcador da Premier League.
A confirmar-se o desfecho previsível, o City acabará por ser um campeão justo (soube aproveitar as "deixas" dos seus principais rivais), que alicerça o seu sucesso num conjunto de jogadores fortíssimos, num treinador competente e num tremendo desempenho caseiro (apenas um empate e uma derrota, esta contra o Chelsea).
O Arsenal voltou a desiludir, apesar de até ter começado bem e ter andado na liderança muitas jornadas. O seu desempenho nos jogos "grandes" foi porém absolutamente desastroso e as responsabilidades terão que ser assacadas a Wenger nesse aspecto. Houve a meu ver alguns erros por parte do treinador não apenas na preparação desses jogos mas na insistência, com poucos resultados, na opção por Giroud em detrimento de Podolky, quando deveria ter havido mais rotatividade. Claro que as lesões que assolaram o plantel constantemente, desde Walcott a Ozil (sem ele a equipa foi-se abaixo) a Wilshere, foram muito prejudiciais às ambições arsenalistas.
Finalmente o United foi uma tremenda desilusão, embora pela minha parte nunca me tenha parecido que Moyes tivesse suficiente "arcaboiço" para levar aquele barco a bom porto. Seria sempre muito difícil suceder a Ferguson mas Moyes "exagerou".
O "chosen One" e o "happy One" não fizeram jus aos seus epítetos. Feliz poderá estar no Domingo Pellegrini, que Mourinho atacou e menorizou de forma gratuita e injustificada. Como se vê.



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mourinho em queda, City com título à vista

O Chelsea voltou a perder pontos e está definitivamente arredado da luta pelo título.

Este final de época está a ser penoso para Mourinho. 

No início da mesma, considerei que dificilmente o treinador português voltaria a repetir o sucesso do passado no clube londrino. Durante a época admiti que poderia ter que rever essa previsão, dados alguns sucessos pontuais que o Chelsea teve, mas agora que tudo está terminado para os blues, o balanço é francamente negativo. O Chelsea não ganhou nada. Pior ainda, o ambiente agora pelos vistos já é mau, com Mourinho a criticar em público os seus jogadores, nomeadamente um dos que mais lhe deu - Hazard - implicitamente culpando-o pelo desaire frente ao Atlético de Madrid. 

Quanto a esse jogo, não foi muito diferente do Liverpool-Chelsea, que possivelmente deu o título ao City. Também aí a equipa que menos "obrigação" tinha de atacar e vencer o jogo acabou precisamente por o conseguir jogando em contra-ataque e explorando o erro do adversário. O Atlético fez ao Chelsea o que o Chelsea normalmente faz aos adversários: fechar-se muito bem atrás, não dar espaços, não deixar jogar e depois sair em contra-ataques rápidos. Estou obviamente a simplificar muito algo que tem muito mais nuances tácticas, mas em linhas muito gerais é isso. 

O problema é que este Chelsea quando tem que assumir o jogo, quando encontra pela frente uma equipa que usa os seus próprios métodos e joga na expectativa, vê-se muitas vezes em apuros. Foi isso que Hazard quis dizer quando falou em o Chelsea "não estar vocacionado para jogar futebol". É por esta frase ser tão certeira e incisiva que Mourinho ficou tão irritado.

Este ano o Chelsea venceu todos os "grandes", duas vezes o City e duas vezes o Liverpool e goleou o Arsenal mas depois perdeu e empatou jogos com os últimos classificados. Porquê? Porque estando a sua matriz definida para defender e explorar o erro e o espaço nas costas dos adversários, quando se vê obrigado a jogar em organização, com os defesas contrários posicionados de frente para a bola tem muitas dificuldades. Falta imaginação. E é indiscutível que isso tem tudo a ver com o esquema de Mourinho e a sua concepção de futebol. Que poderá estar em queda. Mourinho teve um último ano muito mau em Madrid (não só pelos resultados - zero títulos - mas também pelo ambiente que criou à sua volta, incompatibilizando-se inclusivamente com Pepe e Ronaldo) e este ano de regresso ao Chelsea não foi bom. Nada bom mesmo. O Chelsea dos anos anteriores, os tais que Mourinho desvaloriza, conquistara consecutivamente a Liga dos Campeões e a Liga Europa. 

Descontado o Chelsea, há neste momentos duas equipas com possibilidades de serem campeãs: o City e o Liverpool. Há duas partidas para disputar e as equipas estão em igualdade pontual. No entanto o City lidera o campeonato pois no critério de desempate (diferença de golos) leva mais 9 do que o Liverpool. Em dois jogos essa diferença é irrecuperável. Se o City vencer os seus dois jogos - e são ambos em casa, contra Aston Villa (quarta-feira) e West Ham (Domingo) será campeão. 

O Liverpool teve tudo na mão. A possibilidade de ser feliz décadas depois conquistando um título que andou tão longe nos últimos anos. No entanto o referido jogo em que Mourinho conseguiu anular o ataque dos reds e um erro dramático de Gerard, tudo mudou. Agora o Liverpool tem que esperar por um deslize do City, que está muito mais forte nesta ponta final com o regresso de Aguerro e Touré. O Liverpool joga hoje a penúltima jornada, não podendo mesmo perder mais pontos sob pena de hipotecar já qualquer esperança (Crystal Palace-Liverpool, BenficaTV 20.00h). 

sábado, 12 de abril de 2014

Os dois Barcelonas

Nos quartos de final da Champions disputados quarta-feira houve uma confirmação e uma semi-surpresa. A confirmação foi a eliminação do Manchester, a semi-surpresa foi a vitória do Atlético de Madrid sobre o Barcelona.
Este Atleti é uma equipa um pouco à Mourinho, ou seja, uma equipa alicerçada na segurança defensiva, muito trabalhadora, sem grande brilho no seu jogo e altamente resultadista.
A sua vitória só foi porém possível porque este Barcelona está distante da equipa dominadora de há uns anos atrás. Xabi não é o mesmo, já não há Puyol, Piqué também se lesionou, Iniesta já não tem o mesmo fulgor do passado e Messi está numa fase de grande apagamento.
Por outro lado, o treinador, não sendo mau, não parece ser capaz de acrescentar muito e menos ainda de inverter o estado de coisas, que parece ser de declínio. É verdade que a equipa ainda tem possibilidade de se sagrar campeã em Espanha mas o tal, bastante apregoado, fim de ciclo  deste Barcelona poderá estar de facto a acontecer. Ou já neste ano ou certamente nos próximos.
No entanto, apesar deste Barcelona estar fora da Liga dos Campeões, há outro barcelona que por lá se mantém: a equipa treinada por Pepe Guardiola, o Bayern de Munique.
Este Bayern de facto não parece uma equipa alemã e está ainda por provar que a fórmula tiki-taka de Guardiola seja exportável. Para já a equipa começou a época a perder a Supertaça alemã e já venceu o campeonato a várias jornadas do fim. Eliminou um frágil Manchester e terá agora a oposição do Real nas meias da Champions. Será esse o verdadeiro teste a este segundo barcelona que em certas alturas parece uma equipa pouco objectiva, que se perde em passes excessivos e cuja agressividade deixa muito a desejar em relação às épocas passadas.
Na outra meia final defrontar-se-ão equipas muito parecidas: sem super-estrelas (com excepção, talvez, de Diego Costa e Hazard - veremos se estarão disponíveis para os jogos), serão dois onzes sobretudo de combate e em busca apenas e só do resultado. E o prémio é alto: uma presença numa final da Champions.
Aceitam-se apostas.
Eu estou tentado a crer que o Real é favorito, assim como o Chelsea, mas veremos.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Tropeção do Chelsea e sprint do City e do Liverpool

A Liga Inglesa está ao rubro.

Com duas surpreendentes derrotas em três jornadas o Chelsea sofreu uma forte pancada nas suas aspirações. Mourinho queixa-se da arbitragem na primeira dessas derrotas (contra o Aston Villa) mas na segunda, ainda mais inesperada, contra um Crystal Palace que anda perto dos lugares de descida, não há nada a dizer. Desta vez o treinador português não terá abordado o jogo da melhor forma. E esta derrota pode-lhe sair cara, pois faltam apenas 6 jornadas para o fim do campeonato em Inglaterra. 

No imediato, a consequência foi a ultrapassagem por parte do sensacional Liverpool. Como já o fiz no passado, dou o braço a torcer no que concerne a este histórico, que não considerei candidato no início da Liga, dada o seu passado recente: agora já não há dúvidas, não apenas o Liverpool é candidato como está numa boa posição para vencer o campeonato, uma vez que receberá ainda Chelsea e Manchester City.

Os "cidadãos" estão novamente num bom momento e caso tivessem batido o Arsenal teriam ultrapassado o Chelsea, embora em igualdade pontual (em Inglaterra o critério de desempate é a diferença de golos - e recorde-se que ainda em 2012 o campeonato foi decidido assim). Dependem apenas de si para ser campeões, o que, com o plantel que têm, é uma verdadeira vantagem. Continuo pois a achar (aqui não mudei de opinião) que o City é o principal favorito. 

Tudo está porém em aberto e dependerá dos últimos jogos. Quem fôr capaz de manter uma boa forma nos últimos jogos estará em vantagem, sendo que tudo se poderá decidir nos despiques directos. A propósito de forma, o Liverpool é o clube que se encontra melhor, com uma impressionante série de 8 vitórias consecutivas. A qualquer momento porém as coisas podem mudar, como se viu com o Chelsea. 

Já quanto ao Arsenal, que como eu previ que viria a acontecer, saiu fora desta corrida. Saiu com alguma dignidade, pois até fez um bom jogo contra o City, merecendo mais do que o empate que alcançou. Vencendo esse jogo ainda manteria algumas ambições, assim já não. Foi sobretudo nos duelos com os grandes que o Arsenal se foi abaixo. Pode-se também queixar de algumas lesões mas penso que sobretudo Wenger não conseguiu preparar táctica e mentalmente a sua equipa para aqueles embates. A derrota com o Chelsea (e outras) foram humilhantes. Seria para mim uma surpresa se Wenger não abandonasse o clube no final da época. 

Quanto ao Tottenham, que defrontámos na Liga Europa, Sherwood está a fazer bem pior do que Villas-Boas, que já não tivera uma prestação muito positiva no início da época. O actual treinador não parece ser o homem certo para conduzir esta equipa a um sucesso relativo (um 3º lugar ou uma Taça) e também não deverá continuar para a próxima época. 

Sobre o desastre do United temos vindo a falar com regularidade. A sua carreira na Liga dos Campeões não continuará para lá desta eliminatória, podendo Moyes dar-se por satisfeito se não sofrer uma pesada humilhação. 


quarta-feira, 26 de março de 2014

A importância de um treinador



Continua a penosa época do Manchester United.

Depois de uma derrota clara com o Liverpool e de uma vitória com sorte sobre o Olympiakos, o United voltou ao "normal" desta época: uma equipa que joga com mentalidade de pequeno, sem fio de jogo, sem plano de jogo, sem organização sobre o terreno, com vários jogadores fora das suas posições. Em suma, um caos táctico. 

A vitória de ontem do seu grande rival City no seu campo (0-3) foi mais uma jornada duríssima para os adeptos do clube (para além de, mas isso é outro assunto, um mau resultado para o Chelsea de Mourinho). O resultado, que se começou a definir logo aos 43 segundos (!), poderia aliás ter sido muito mais expressivo se o City tivesse forçado as coisas. O mais espantoso (e desolador para os adeptos) é que em nenhum momento o United teve o domínio do jogo. Pelo contrário, mesmo a perder desde praticamente o apito inicial, a equipa da casa continuou a aceitar ser dominada e jogar em contra-ataque! É a mentalidade de um treinador de equipa pequena, totalmente desajustada ao Manchester United.

Para quem muitas vezes minoriza o papel dos treinadores, atribuindo o sucesso ou fracasso quase por inteiro à qualidade dos jogadores que formam os plantéis, está aqui um exemplo perfeito. Este United tem precisamente os mesmos jogadores da época passada, mais Felaini, um bom centro campista belga. No entanto, ao passo que na época passada foi campeão, este ano nem às competições europeias irá. A equipa desaprendeu completamente de jogar à bola.

A proverbial paciência dos ingleses para com os treinadores, no sentido de lhes dar tempo e condições de estabilidade, parece estar a esgotar-se. O problema não me parece ser o tempo, mas sim Moyes não saber o que está a fazer. A ideia de uma reconstrução do plantel parece-me ainda ser muito perigosa para o United. Estas "revoluções" não costumam dar o melhor resultado. O clube arrisca-se a destruir o pouco que resta da estrutura ganhadora do passado, em nome de uma pura incógnita. Se é verdade que o plantel precisa de uma certa renovação, Moyes não parece ser o homem ideal para a conduzir pois ainda não demonstrou competências básicas quanto mais para conduzir tarefa de tão elevado grau de responsabilidade. 

A incapacidade de Moyes é aliás tão evidente, tão flagrante que há até quem mantenha que Ferguson (senhor de um enorme ego) o escolheu precisamente para que falhasse e que o contraste com o seu legado fosse bem visível. A escolha de Mourinho teria sido a mais lógica e acertada, até porque o treinador português tinha admitido (ao arrepio do que tem sido a sua carreira) "assentar" e vislumbrar para o futuro uma estadia mais prolongada num clube, assim "piscando o olho" ao lugar. 

De acordo com a imprensa, os adeptos do United terão ontem manifestado a sua clara insatisfação, quer com Moyes quer com o próprio Ferguson. Cada vez menos parecem existir condições para a continuidade do escocês. Aliás o desastre mais que provável, eu diria mesmo inevitável, frente ao colosso de Munique, em eliminatória que se disputa nas próximas duas semanas, tornará na minha perspectiva o ambiente ainda mais insustentável.

A situação em Londres não é também a melhor. O maior clube da capital vai terminar mais uma época sem ganhar nada a não ser algumas muito cruéis lições futebolísticas. Wenger sairá, tudo o indica, de Inglaterra sem honra nem glória. Depois de sustentar polémicas e de manter uma postura muitas vezes arrogante, foi humilhado, passado a ferro, pelo Chelsea de Mourinho, que alcançou a sua maior goleada até ao momento sob o comando do treinador português.

"Levar" 6 a zero de um rival, já depois de derrotas também humilhantes com Liverpool e City, é algo que custa muito a engolir a um adepto. Wenger está a atingir o seu prazo de validade e já não parece ter ideias nem capacidade de adaptação à realidade do futebol moderno para poder ganhar seja o que for. As suas equipas denotam uma falta de agressividade que é gritante e a sua incapacidade em alterar seja o que for a partir do banco é por demais evidente. O fracasso de Wenger está-se a tornar cada vez mais um espectáculo público a que começa a ser penoso assistir. Ontem voltou a marcar passo (2-2 em casa contra o Cardiff que está em zona de despromoção) e pode ainda dar-se por satisfeito por uma escandalosa decisão do árbitro que acabou o jogo quando um jogador da equipa visitante corria isolado para a baliza do Arsenal.

Tal como defendi desde o início da Liga Inglesa, o City continua a ser o principal favorito à vitória. Tem o melhor plantel e tem um bom treinador. Mourinho conseguiu o que muitos consideravam impossível, que foi a liderança destacada (embora com maior número de jogos) mas a derrota com o Aston Villa poderá ter-lhe sido fatal. Aquilo que eu não previ e em relação ao que, com muita satisfação, dou a mão à palmatória, é a "candidatura" do Liverpool ao título. Sempre defendi que o Liverpool não tinha consistência para se manter na corrida até ao fim.



Felizmente porém - pois o seu futebol é o mais espectacular, o mais atacante e o mais entusiasmante - está a conseguir manter-se nos primeiros lugares e pode ainda aspirar a vencer a Liga, até porque receberá os outros dois candidatos. Mais uma vez, o treinador faz toda a diferença pois foi capaz de colocar os grandes jogadores que o Liverpool efectivamente tem a jogar como equipa e retirando de cada um deles o máximo rendimento.  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Mourinho enfrenta trituradora

É já daqui a 4 horas que o Chelsea de Mourinho vai a Manchester para enfrentar o City, uma equipa com média de 3 golos por jogo! Em casa então, o City costuma ser demolidor. Já o Chelsea tem a melhor defesa (com menos um golo sofrido em relação ao Arsenal) e tentará manter esse registo sabendo que não será fácil.

Existe bastante expectativa para perceber quem colocará Mourinho no meio-campo e também em relação à estratégia que utilizará - se ultra-defensiva se tentando ter a bola e assumir o comando do jogo. Inclino-me mais para a primeira hipótese por duas razões: no jogo fora contra o Arsenal a sua equipa não correu nenhum risco e o City é absolutamente letal quando apanha os adversários em contra pé.

Os dois candidatos jogam sabendo que o Arsenal venceu e está na frente à condição e que o Liverpool voltou a perder pontos e, embora seja favorito para um dos quatro lugares, "corre por fora" das contas do título.

O City passa para a frente se vencer, resultado que colocaria o Chelsea a uma desconfortável distância de 6 pontos do primeiro lugar.

Este é um daqueles jogos que apetece mesmo ver, de emoção máxima, embora por vezes o espectáculo se ressinta do facto de estar muito em jogo, pois os treinadores arriscam pouco (Mourinho então nem se fala).

Aguerro não joga por lesão. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Última hora (actualizado)

  • Man. City
    -
    Barcelona
  • Olympiacos
    -
    Man. United
  • AC Milan
    -
    At. Madrid
  • B. Leverkusen
    -
    Paris SG
  • Galatasaray
    -
    Chelsea
  • Schalke 04
    -
    Real Madrid
  • Zenit
    -
    B. Dortmund
  • Arsenal
    -
    B. Munique



São os jogos dos oitavos da Champions.
Os favoritos para os quartos são: Man. Utd, Paris SG, Chelsea, Real Madrid, Dortmund e B. Munique. Nos outros jogos é mais difícil destacar o favorito, embora Man City e Atlético de Madrid me pareçam também um bocadinho à frente. 

Já em seguida virá o sorteio da Liga Europa. Pode ser seguido em directo na SIC Notícias.


Outra notícia bem fresquinha: Villas-Boas já não é treinador do Tottenham. Foi despedido pelo seu péssimo trabalho e resultados humilhantes do Tottenham esta época. 

PS - Está no "Record" um artigo que diz que "o melhor dos últimos 114 anos já não é treinador do Tottenham". Ora bem, estas notícias sensacionalistas e estas estatísticas já não nos surpreendem mas ainda assim merecem ser contestadas com factos. 

Villas-Boas com efeito conseguiu enquanto treinador do Tottenham um bom ratio de vitórias por jogos. Mas esta estatística, embora real e denote alguma coisa, é um pouco enganadora. De facto não é esta estatística que determina quem é o melhor. O melhor é o que ganha ou fica melhor classificado. Nessa medida, dizer que é o melhor dos últimos 114 anos, alguém que ficou em 5º na única época completa que fez, quando ainda no ano anterior a equipa ficara em 4º, é realmente insólito. Recordemos que o Tottenham tem cerca de 30 títulos, entre domésticos e internacionais, incluindo 2 UEFA e uma Taça das Taças. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Inglaterra - a grande carreira do Everton

Há cerca de uma semana, considerei que o lote de candidatos ao título em Inglaterra se restringia agora a 3 equipas: Arsenal, Manchester City e Chelsea. Equivale isto a deixar de fora o Liverpool (que por sinal está em 2º), o United e, numa segunda ou terceira linha, o Tottenham e o Everton.

Em relação ao Liverpool, o que se passa é que considero que, apesar do bom momento, falta regularidade à equipa para sustentar até ao fim da época uma candidatura ao título. Está a 5 pontos do primeiro mas vejo-o a perder muitos mais, sobretudo quando Suárez não puder, por uma razão ou outra, resolver os jogos, como tem acontecido ultimamente. 

Já o Manchester United confirmou em absoluto que não é candidato ao título, com nova sequência de péssimos resultados e exibições horríveis. A equipa não tem nenhuma identidade, fez 8 pontos nos últimos 6 jogos e já está a 13 do Arsenal!

Manchester City e Chelsea voltaram a desperdiçar pontos. A equipa de Mourinho mais uma vez não se encontrou e o próprio treinador parece algo perdido, oscilando demasiado nas suas escolhas e falando demasiado do rendimento dos seus jogadores (ora para elogiar ora para deixar críticas implícitas). Já o City voltou ao "vício" de não vencer fora.

Mas para mim a grande notícia da jornada passada é o Everton de Roberto Martinez que foi a Londres e impôs um empate ao Arsenal. A equipa está em 5º mas importa assinalar que já jogou com todos os grandes tubarões (United, City, Arsenal, Liverpool e Chelsea) e perdeu apenas um jogo (fora com o City). Se não fosse o mau início de época, com 3 empates, a equipa poderia estar bem mais próxima do Arsenal. 

No fim-de-semana haverá dois jogos importantes: um escaldante City-Arsenal (sábado às 12.45h) e um Tottenham-Liverpool.

O City não perdeu ainda pontos em casa esta época: em 7 jogos tem 7 vitórias, 29 golos marcados e 2 sofridos! Se há ocasião ideal para relançar o campeonato é esta e o City não a quererá desperdiçar.
Já o Arsenal teve oportunidade de descolar na jornada do fim-de-semana, estabelecendo uma distância de 7 pontos para os segundos, mas a excelente réplica do Everton e alguma falta de rasgo ou inspiração levaram a que não capitalizasse da derrota do Chelsea e do empate do City. Se assim tivesse acontecido, com uma vantagem de 7 pontos na tabela, poderia enfrentar este jogo com mais tranquilidade.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Inglaterra - corrida a três

Face aos resultados das duas últimas jornadas, parece definir-se em Inglaterra um quadro de três grandes candidatos à conquista da Liga Inglesa: o Arsenal, que face à história recente constitui uma agradável surpresa, o Chelsea, que para além de contar com alguns grandes jogadores tem na competitividade de Mourinho um forte argumento a seu favor e o Manchester City, claramente o mais forte dos três em termos de plantel.

Manchester United e Tottenham, a 9 e 10 pontos respetivamente do 1º lugar, parecem já fora da corrida. O United até estava a fazer uma boa recuperação mas dois empates nos últimos dois jogos deitaram tudo a perder. É o problema de já se ter um atraso considerável: qualquer perda de pontos que noutras circunstâncias seria recuperável abre ainda mais o fosso que começa a ser cada vez mais irrecuperável. Com a saída de Fergusson era de prever que o United se ressentisse. Isso mesmo eu já aqui previra. A queda está porém a ser muito abrupta. Quanto ao Tottenham, depois da humilhação dos 6-0 e a 10 pontos da liderança, deverá dar-se por contente se conseguir um lugar europeu.

Quanto ao Liverpool, começou bem e conseguiu-se aguentar bastantes jornadas nos lugares de topo mas sempre pareceu poder perder pontos a qualquer momento. Tem grandes jogadores mas ainda não será esta época que regressará ao primeiro lugar, essa é a minha convicção. 

Do trio Everton, Newcastle e Southampton, a equipa de Liverpool parece a mais consistente. Tratam-se de equipas que lutarão possivelmente por lugares europeus, logo abaixo do pódio. 

Voltando aos candidatos, o Arsenal parece de regresso aos melhores anos de Wenger mas ainda é cedo para ter certezas. A equipa joga neste momento um grande futebol e terá em breve Podolsky de regresso. No entanto vêm a caminho testes de fogo, nomeadamente o jogo fora com o Manchester City, antecedido pela recepção ao Everton, que será também um jogo complicado. A 23 de Dezembro joga-se um emocionante Arsenal-Chelsea. Depois disso será altura para reavaliar a consistência da candidatura do Arsenal.

Quanto ao Chelsea, apesar de alguns dissabores e de mais mudanças do que é habitual em Mourinho, a verdade é que a equipa está em 2º lugar, a apenas 4 pontos do Arsenal e à espreita de algum deslize do rival de Londres. Os próximos três jogos são relativamente fáceis e a equipa pode-se consolidar somando 9 pontos. 

Finalmente no que toca ao City, sendo o mais forte dos candidatos em termos de jogadores e mesmo de colectivo quando está inspirado, acaba por ser uma equipa muito irregular que está a ter problemas surpreendentes quando joga fora. Em 25 pontos conquistados apenas 4 o foram fora de casa! Algo de inusual, para não dizer insólito. Caso o City consiga alterar este estado de coisas e comece a vencer fora de casa, chegará certamente muito perto do primeiro lugar. Neste momento porém, é apenas 3º, a 6 pontos do Arsenal.

Entre hoje e amanhã disputa-se mais uma jornada, com jogos, nomeadamente o Chelsea para ver em directo na Benfica TV.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

EPL - do momento do Arsenal ao afundamento do Tottenham

O Arsenal voltou a vencer, desta vez a equipa sensação do Southampton, mantendo-se firme na liderança. Não foi o melhor jogo do líder, que venceu graças a um erro inacreditável do guarda-redes, que se pôs a inventar com pseudo fintas a Giroud, que o desarmou com facilidade e rematou para a baliza deserta (o lance fez aliás lembrar o golo do Porto na Luz o ano passado graças a uma dupla intervenção desastrada de Artur) e a um penalty muito discutível. Foi porém suficiente para os 3 pontos que naturalmente é o que mais conta no futebol. 

Com o empate do Liverpool no derby da cidade, contra o Everton, o Arsenal aumentou para 4 pontos a sua vantagem sobre o 2º, posição que o Chelsea agora também partilha.

Em 4º vem o Manchester City, que esmagou no Domingo o Tottenham de André Villas-Boas por 6-0. O City está agora a 6 pontos do líder, na companhia do referido Southampton. Já os "Spurs" cairam para a 9ª posição e demonstraram sem margem para dúvidas que não são candidatos ao título e muito provavelmente não ficarão nos 4, nos 5 e se calhar nem nos 6 primeiros lugares. A jogar desta forma a equipa de Villas-Boas terá muitas dificuldades e não tardarão a ser-lhe assacadas justificações face a um investimento tão avultado em jogadores.

O Manchester United voltou a perder pontos, ao deixar-se empatar no terreno do Cardiff já em tempo de descontos, interrompendo uma série de 3 vitórias seguidas e perdendo a oportunidade de se aproximar do grupo da frente.

No Domingo estas duas equipas em sub-rendimento, Tottenham e United, encontrar-se-ão em Londres. Mas atenção, porque o United, apesar do empate em Cardiff, vem a melhorar a sua prestação, ao passo que com os Spurs parece passar-se o contrário. O Arsenal vai precisamente ao terreno do Cardiff e o Liverpool visita o terreno do Hull, a equipa em pior forma da Premier League: nos últimos 6 jogos fez apenas 4 pontos. O Chelsea recebe o Southampton, a tal equipa surpresa e o City recebe o Swansea, treinado por Michael Laudrup.

Recorde-se que o City tem 6 vitórias em 6 jogos em casa (estando a sua performance fora no extremo oposto: nos mesmos 6 jogos apenas 4 pontos), ao passo que o Chelsea tem 5 vitórias e um empate, concedido no último jogo em casa frente ao West Brom. Aliás, mais do que concedido, deve-se falar em conseguido, pois foi obtido já em descontos, na cobrança de um penalty inexistente.

Em resumo, mais uma jornada entusiasmante em perspectiva num campeonato em que todas as semanas há muito para contar.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A BenficaTV vale (mesmo) a pena

Habitei-me há muitos anos, por vicissitudes várias que para aqui não interessam, a assistir na TV a jogos da Liga Inglesa.

Depois da perda de qualidade da Liga Italiana, o calcio, as Ligas Espanhola e Inglesa tornaram-se as mais apelativas. O que se passou em Itália foi que as tácticas super-defensivas tornaram o futebol demasiado calculista e aborrecido. Em Inglaterra e em Espanha aconteceu o contrário: o futebol atacante começou-se a impor e os jogos tornaram-se cada vez mais entusiasmantes. O espectáculo começou a ganhar e estas ligas começaram a atrair mais receitas, conseguindo assim contratar os melhores jogadores que aos poucos de Itália se mudaram para Inglaterra e Espanha. Há uns 15/20 anos atrás o sonho de qualquer grande jogador era Itália. De facto, as principais estrelas do futebol mundial jogavam no calcio: os melhores holandeses, os melhores alemães, os melhores sul-americanos brilhavam nas equipas de topo, sobretudo o Inter, o Milan, a Juventus e o Nápoles. 

Hoje claro que não é assim. De Itália o domínio do futebol passou para Espanha, depois para Espanha e Inglaterra e neste momento, a meu ver para Inglaterra. Espanha tem duas das três melhores equipas mundiais (Barcelona e Real Madrid, à qual se juntam os bávaros do Bayern) mas a melhor Liga é a Inglesa. Isto porque em Espanha a disputa do campeonato (e da Liga dos Campeões) se limita àqueles dois, não tendo as outras equipas quaisquer hipóteses de competir ao mesmo nível, ao passo que em Inglaterra existem várias equipas de nível semelhante: Manchester United, Chelsea, Arsenal, Manchester City. 

Devido à espectacularidade do seu futebol, Inglaterra conseguiu atrair grandes receitas e com isso milionários que para lá levaram as principais estrelas.

Ronaldo não está mas esteve muitos anos, Messi nunca esteve e provavelmente nunca estará (os dois melhores do mundo em dois dos três melhores clubes mundiais), mas a "concentração" de estrelas na Premier League é enorme. United, City e Chelsea são obviamente os principais detentores destas vedetas, mas o próprio Arsenal, o Liverpool e até o Tottenham ou equipas menores como o Newcastle têm jogadores que, por exemplo, o Benfica, equipa média do futebol mundial, não poderia comportar em termos financeiros. 

Assim, Inglaterra acaba por ter a maioria dos clubes que compõem a élite do futebol mundial sendo o nível médio elevadíssimo. Acresce que em Inglaterra os estádios estão sempre cheios e o ambiente é frenético, o que confere uma enorme espectacularidade à Liga inglesa. 

Dito isto, a BenficaTV é um excelente negócio para quem a subscreve. Afirmo-o com toda a objectividade possível.

Para além dos jogos do Benfica em casa (que, confesso, não são o que mais me atrai neste momento) e da Liga Inglesa, a BenficaTV oferece aos subscritores o Brasileirão (que tem alguns bons jogos), a Liga grega (que, quando não há nada melhor para ver, também tem algum interesse), a MLS (EUA) e ainda as modalidades. Isto para além de outros programas, de debates e história do Benfica que são por vezes também interessantes. Acresce que a Liga Inglesa é transmitida em HD, o que eleva a qualidade da transmissão a um outro patamar, e que o nível da narração e dos comentários é bastante razoável. 

Por 10 euros, ter a melhor Liga do mundo e os outros produtos televisivos referidos é a meu ver um dos melhores negócios que o adepto de desporto e o benfiquista em particular pode alguma vez conseguir. Recomendo vivamente a quem ainda não tem.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Premier League, dia 7 - boa semana para Chelsea



O Chelsea venceu um jogo que esteve muito complicado e ganhou pontos ao Tottenham e ao Arsenal, tendo subido 3 posições na tabela. A equipa de Villas-Boas foi goleada (0-3) em casa pelo West Ham do experiente técnico Sam Allardyce (também conhecido como "Big Sam") e o Arsenal deixou-se empatar no terreno do WBA, assim quebrando um ciclo de 8 vitórias consecutivas em jogos fora. O Liverpool venceu com autoridade o Crystal Palace e os dois Manchesters também venceram, depois de terem estado a perder. O Tottenham acaba assim por ser o grande penalizado da jornada, tanto mais que jogava em casa e, em caso de vitória, estaria agora em 1º lugar, juntamente com Arsenal e Liverpool.

A equipa de Mourinho foi a grande beneficiada da jornada e está de novo com a liderança à vista. Num jogo em que entrou muito bem e podia ter resolvido ainda na primeira parte, contra um adversário relativamente fraco que faz da alma e do futebol simples, rápido e directo os seus principais argumentos, o Chelsea viu-se em apuros inesperados quando, já bem dentro da segunda parte, o Norwich empatou.

Chegou-se a temer o pior para a equipa londrina, tanto mais que a equipa da casa, fortemente apoiada pelo seu público, cresceu e se tornou cada vez mais ameaçadora. O Chelsea estava ademais "proibido" de perder pontos, face às vitórias de sábado de Liverpool, United e City. A estrela de Mourinho voltou porém a brilhar: sem desesperar, o manager do Chelsea tirou Demba Ba, que até fizera uma boa partida como único avançado fixo, para colocar em campo Etoo, lançando depois Hazard e o brasileiro William. Estes dois últimos viriam, num minuto, a fazer 2 golos. Primeiro foi Hazard, num mortal contra-ataque resultante de um canto favorável ao Norwich, a marcar, num autêntico frango do guarda-redes opositor. Bola ao centro e de imediato novo golo do Chelsea, desta vez num grande remate de William. Em momentos de dificuldade, o treinador português realmente não se desconjunta e as suas opções acabaram por resolver a partida. Esta vitória foi muitíssimo importante e certamente dará muita moral à equipa. Grande jogo de Ramirez e David Luiz. Este último, estar envolvido na jogada do golo do Norwich, deu imensa alma e força à sua equipa, ao passo que Ramirez deu a sua habitual força ao meio-campo londrino, a jogar no meio, atrás e à frente.

O Liverpool, jogando antes, resolveu rapidamente o seu jogo, através de excelentes combinações no ataque, com a qualidade de Suárez, Sturridge e Moses a sobressair. Com um interessante esquema de 3 defesas, a equipa dominou completamente o meio campo e os seus avançados fizeram o resto. Aos 17 minutos o resultado era já de 2-0 (Suárez e Sturridge) e aos 38 de 3-0 (Gerrard, de penalty). Depois disso a equipa desacelerou e o Palace acabaria por chegar ao golo de honra num cabeceamento resultante de uma bola parada. Vitória sem contestação e o melhor arranque de campeonato do Liverpool nos últimos anos. Caso a equipa consiga manter-se consistente e confiante poderá ser um caso sério.

Quanto aos Manchesters tiveram jogos diferentes, apesar de ambos terem começado a perder. A jogar em casa, o City sofreu um golo cedo do Everton, que iniciou a jornada na 4ª posição e sem derrotas, à frente do seu adversário na partida. No entanto o City dominou  a partida e chegou à vitória (3-1) sem surpresa, depois de ter dado a volta ao marcador ainda na primeira parte. Já o United venceu o lanterna vermelha num jogo que esteve bastante difícil e que foi desbloqueado por Januzaj, belga de origem kosavar de apenas 18 anos que ameaça vir a ser a nova estrela da equipa. Não apenas pelos golos mas pelo seu futebol de grande classe e maturidade, o jovem jogador foi a figura da partida e salvou para já um Moyes em grandes dificuldades para dar dinâmica à sua equipa. É preciso ver que o United continua a contar com jogadores de imensa classe, como Van Persie, Rooney, Nani e Evra, entre tantos outros, pelo que, apesar do impacto da saída de Ferguson, se esperaria bem mais da equipa. Apesar da vitória, o United continua a 6 pontos da liderança e caso a equipa não melhore substancialmente perderá certamente muitos mais pontos.

Quanto ao Arsenal, empatou no terreno do West Bromich Albion, num empate que se ajusta ao que se passou, embora a equipa da casa (que marcou primeiro) pudesse ter feito o 2-0 e quase resolver a partida no início da 2ª parte. O WBA venceu na passada semana o United em Anfield, pelo que já demonstrou ser uma equipa difícil de defrontar. Wenger estava satisfeito pelo resultado e por se manter na liderança, agora em igualdade pontual com o Liverpool.

Em resumo, foi uma excelente jornada para o Chelsea. Venceu fora um jogo difícil e viu o Arsenal perder pontos, beneficiando ainda das derrotas do Everton e do Tottenham para subir na classificação e estar agora com a liderança à vista. Também o City teve uma boa jornada, derrotando o Everton de Martinez e aproximando-se do topo. Para o Tottenham a desilusão foi completa. Perder 0-3 em casa contra uma equipa que tinha vencido apenas na primeira jornada e depois acumulara 2 empates e 3 derrotas nos jogos seguintes, é no mínimo surpreendente. É verdade que a equipa não foi feliz e que os dois primeiros golos do West Ham foram pelo contrário um pouco de sorte mas isso não explica tudo. Sofrer 3 golos em 12 minutos (entre os 66 e os 78 minutos) não pode deixar de fazer pensar Villas-Boas. Mais uma vez se demonstra que os exageros da imprensa portuguesa em relação à alegada excelência do trabalho do treinador português não se justificam.

A Premier League interrompe-se agora um fim de semana, tal como todas as outras ligas europeias, para os compromissos das selecções. Quando voltar, a 19, teremos uma jornada em que o principal jogo é o Newcastle-Liverpool. Para os "reds" será um bom teste, num terreno habitualmente difícil. Para manter o bom momento e começar a acreditar que poderá ser possível manter-se no topo da classificação, o Liverpool deverá vencer esta partida. Quanto aos outros candidatos, têm jogos relativamente fáceis: o Arsenal recebe o Norwich, o Chelsea o Cardiff e o United o Southampton, ao passo que o City vai ao terreno do West Ham. O Everton recebe o Hull City e o Tottenham vai ao sempre difícil estádio do Aston Villa. Everton e Spurs terão que ganhar para não perderem o comboio da frente.






sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Mourinho longe do sucesso

Nunca pertenci aos clubes de fans ou de opositores a Mourinho.

Alegrei-me pelos seus sucessos no Chelsea e sobretudo no Inter. Gostei que fosse campeão no Real (até porque não simpatizo muito com o actual Barcelona). Não gostei porém da sua postura no ano passado, quando a meu ver foi arrogante e esticou demasiado a corda ao entrar em conflito com os seus próprios jogadores. Creio também que cometeu um grande erro ao voltar ao Chelsea.

Quando chegou a Inglaterra em 2004, Mourinho encontrou um futebol em que todas as equipas jogavam de forma muito aberta e atacante. O campeonato era muito disputado e mesmo os principais candidatos perdiam muitos pontos.

Mourinho trouxe consigo um futebol muito mais calculista, resultadista e cínico do que o praticado habitualmente em Inglaterra. Com as suas indiscutíveis capacidades tácticas dotou o Chelsea de uma grande segurança defensiva criando a base para sofrer poucos golos e consequente estar mais perto de vencer.

Nessa época Mourinho encontrou uma boa base, deixada por Ranieiri, em que se incluíam jogadores como Terry, Lampard, Geremi, Makelele, Gallas, Joe Cole e Damien Duff que foram importantes para o sucesso do clube. A estes o treinador português juntou excelentes contratações como Peter Chec, Drogba e Ricardo Carvalho, a que se pode também acrescentar Paulo Ferreira (embora a verba paga por este último tenha sido astronómica, algo tornado possível pela aquisição do clube por parte de Abramovic).

Importa esclarecer que Lampard, Terry e Makelele (sobretudo estes, mas também Gallas) eram já jogadores feitos, de qualidade perfeitamente estabelecida e reconhecida. Lampard e Terry tinham já sido distinguidos em anos anteriores como o melhor jogador da Premier League e Makelele já tinha passado Real Madrid, ao passo que Gallas era já internacional francês.

Convém também dizer que no ano anterior, o Chelsea de Ranieri fôra 2º na Premier League (a melhor classificação em 49 anos) e chegara às meias-finais da Liga dos Campeões, perdendo precisamente para o Mónaco que viria a ser claramente derrotado na final pelo Porto de Mourinho.

Tudo se conjugou pois para que Mourinho tivesse sucesso no Chelsea: a sua abordagem, para além de extremamente competente, mais pragmática do que a abordagem algo "romântica" com que a maioria das equipas abordava o jogo; a excelência do seu plantel; a decadência do Arsenal (que nunca mais voltaria a ganhar nada).

Os números ilustram bem o que digo: Mourinho bateu o record (que ainda detém) de pontos da Premiership: 95 pontos. Este record é absoluto pois o total de 95 pontos é inclusivamente mais alto do que os anos em que a Premier League teve 22 equipas e portanto 42 jogos (o formato de 20 equipas e 38 jogos está em vigor em Inglaterra desde a época 1995/96). No entanto, e em total contraste, o Chelsea desse ano marcou apenas 72 golos, um dos números mais baixos de golos por parte de uma equipa campeã. Ou seja, o Chelsea de Mourinho ganhava muitas vezes por 1-0 e outras tantas por 2-1. Estes dados atestam bem o realismo (ou cinismo) do seu modelo de jogo.

Apenas a título de curiosidade, diga-se que o record de golos marcados por uma equipa campeã pertence ao Chelsea, com a impressionante marca de 102 golos. Esse record pertence a Ancelotti. No geral, as equipas campeãs marcaram bastante mais golos do que o Chelsea de Mourinho mas perderam muitos mais pontos.

Ora as circunstâncias do futebol inglês são hoje muito diferentes das que Mourinho encontrou quando chegou pela primeira vez a Inglaterra. A seu favor tem a reforma de Alex Fergusson, que certamente afectará o Manchester United (14 vezes campeão em 21 anos de Premier League). Não tem porém a mesma aura e espírito de conquista com que chegou no passado. Não contará com o efeito surpresa de 2004/04. Está a regressar a um local onde foi feliz, o que por norma não dá bons resultados. Não tem a grande equipa que tinha em 2004 nem aparentemente a disponibilidade do proprietário para grandes contratações. Quando Mourinho chegou em 2004, o Arsenal e o United eram os grandes candidatos, sendo o Chelsea quase um outsider. Este ano o Chelsea é um candidato (nem outra coisa seria admissível) o que desde logo lhe aumenta a responsabilidade, mas além daqueles dois (apesar do Arsenal vir a desiludir ano após ano) terá ainda que contar com a concorrência do City e eventualmente do próprio Liverpool e do Tottenham. Acresce que, embora ainda muito cedo, o ambiente não parece ser o melhor, existindo aparentemente já algum incómodo entre jogadores tão importantes como David Luis, Mata ou Torres. 

Por todas estas razões prevejo que o futuro de Mourinho à frente do Chelsea não será coberto de sucessos como foi no passado. Olhando para as "cartas" de que cada equipa dispõe, o Manchester City parece-me a equipa favorita para vencer a Liga inglesa.