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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Exageros à portuguesa

 Portugal venceu a Arménia por 9-1, um resultado que "já não se usa", numa exibição memorável, mas obviamente frente a um adversário demasiado fraco para estas andanças. 



Mais uma vez ficou claro que a seleção joga melhor sem Ronaldo, o que é uma evidência há muito. Já aqui escrevi (e nada me move contra Cristiano que merece todo o respeito pelo que fez) que uma equipa de futebol moderno não pode jogar com 10, ou seja com um jogador que se limita a estar perto da área para finalizar, não pressiona e quase não cria. 

Nas últimas competições, nomeadamente Mundiais e Europeus, Ronaldo foi uma nulidade. 


No mundial de 2022 marcou um único golo: de penalti e na primeira jornada. Depois passou a suplente naquele que foi talvez o melhor jogo de Portugal numa fase final nos últimos 20 anos: os 6-1 à Suíça, com hat-trick de Gonçalo Ramos. Portugal seria eliminado por Marrocos num jogo em que Diogo Costa comprometeu. 

No Europeu de 2024 Ronaldo não marcou uma única vez: falhou um penalti contra a Eslovénia e contra a França atirou uma bola de golo praticamente para fora do estádio.

Mais uma vez, não estou a desmerecer o que Cristiano fez. Lembro-me de alguns jogos extraordinários em que carregou a equipa (Espanha, Hungria, playoff contra a Suécia). E na Liga das Nações marcou na meia final e na final. No entanto nos últimos europeus e mundiais as suas prestações foram medíocres.



O título deste post tem a ver com as aspirações de Portugal no Mundial. Leio por todo o lado que o vamos ganhar, que é hora de Portugal ser campeão do mundo. Até o Presidente e o PM se pronunciam sobre o tema. Apenas a "Espanha e França dão mostras de nos poder travar" escreve o chefe de redação do "Record". 

Ora, concordando que Portugal tem uma grande seleção, com um meio campo de luxo e dois laterais que estão no patamar dos melhores do mundo, convém ter calma nestas coisas. Portugal perdeu com a Irlanda, uma seleção esforçada mas mediana e empatou com a Hungria em casa.

Inglaterra e Noruega fizeram qualificações perfeitas, ou seja só com vitórias e a Espanha também o pode fazer. A Inglaterra não sofreu um único golo na fase de qualificação! Noruega marcou... 37 golos em 8 jogos! Uma média de 4,6 por jogo...

O Brasil e a Argentina, que para os comentadores profissionais parecem não contar têm "apenas" 5 e 3 campenatos do mundo respetivamente. A Argentina além disso é a campeã em título. Alemanha e Itália têm 4 mundiais cada uma. França tem 2 e será sempre candidata.

Estas certezas de que temos os melhores jogadores do mundo também precisam de ser acalmadas. Tais excitações não costumam dar grande resultado. Em termos técnicos estamos entre os melhores mas em termos atléticos estamos longe disso. As bolas paradas são um problema para nós por essa razão - e o guarda-redes (o tal que também garantem ser o melhor do mundo - está longe disso) não ajuda. 

Portugal é muito forte no meio campo (sem ser muito poderoso fisicamente), mas tem problemas para desequilibrar defesas fechadas porque os seus extremos e avançados são apenas razoáveis.

A Noruega tem Haland, Inglaterra Kane (mas também Saka, Rashford, Palmer e Foden), Espanha Yamal, França Mbappé e Dembélé, Brasil Vinicius (mais Raphinha, Rodrygo e Matheus Cunha). Todos estes jogadores são fortes, velozes, capazes de desequilibrar defesas e resolver jogos. Já Portugal tem apenas um jogador com este perfil que é Leão, mas que não se afirma na seleção. Além disso há a questão Ronaldo de que já falei. Se não há dúvida de que deve ser convocado, se o estatuto for de que é sempre titular, estamos em maus lençóis. 

Portugal pode, num dia bom, vencer qualquer seleção do mundo. Já o provámos. Mas isso também a Alemanha, a França, a Argentina, o Brasil, a Espanha, a própria Inglaterra e se calhar outras. 

Nunca estivemos numa final de um mundial. Não somos favoritos. Temos de baixar as expectativas e descer à terra. 



Ver também https://justicabenfiquista.blogspot.com/2024/07/espanha-argentina-e-os-melhores-do-mundo.html 

domingo, 7 de julho de 2024

Uma seleção sacrificada a um ego

 O desfecho do jogo com a França foi o que esperava, embora Portugal até me tenha surpreendido. Pensei que perderíamos logo nos 90 minutos. Não porque não tivessemos equipa para ombrear com a França, mas porque jogaríamos com um avançado que não corre, não se desmarca, não pressiona e nem sequer tem já capacidade para finalizar.

É tudo demasiado evidente: Ronaldo não tem lugar a este nível mas a sua presença traz publicidade e consequentemente muito dinheiro que vai reverter para a Federação. Quando Martinez foi contratado, foi-lhe certamente dito que Ronaldo teria lugar cativo. É impensável que o seleccionador tenha ido à Arábia por sua alta recreação. Foi a Federação que lhe disse para ir.

O futebol há muito que não é sobretudo paixão, mas sim negócio. Mais recentemente ficámos a saber que o próprio sucesso desportivo é secundário face ao dinheiro.

Ronaldo, futebolisticamente falando, só não foi uma absoluta nulidade porque fez uma (boa) assistência para Bruno Fernandes. Mas para esse bom momento acontecer, vários maus e péssimos tiveram igualmente lugar. Ronaldo não se limitou a ser uma nulidade, foi um corpo estranho que prejudicou a equipa e tirou lugar a outros que claramente pior não fariam.

Ouvi ontem Miguel Henrique dizer que "Ronaldo continua a ser o nosso melhor finalizador". Ele realmente finaliza as jogadas, mas é matando-as, não colocando a bola dentro da baliza. MH representa aqui quase todos os comentadores cuja falta de coragem para apontar o óbvio roçou o repulsivo.

Ronaldo deu muito à seleção e ao país, pelo que vou terminar a minha apreciação por aqui. A única coisa que resta dizer é que realmente o ego é algo que nos pode levar ao sucesso mas que se não é controlado conduz à queda e ao ridículo.

Esta seleção poderia ter ido mais longe. Merecíamos pelo menos a oportunidade de disputar com a Espanha o acesso à final. Mas tudo foi sacrificado ao ego desmedido e ao narcisismo de um outrora grande jogador que não soube sair a tempo.


Cristiano Ronaldo: Portugal forward on brink of more international history  - BBC Sport

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

"Futebol miserável"

 Qual é a novidade?

Portugal nos últimos anos fez dois ou três bons jogos. De resto tem sido semelhante ao que (não jogou) contra a Sérvia. O Mundial foi o que se viu, o Europeu idem.

Vencemos o Europeu 2016 e nisso ninguém pode tirar o mérito de Fernando Santos.

[Tal como ninguém pode apagar a final do Euro de 2004 ou o 4º lugar no Mundial de 2006 sob Scolari. Segundo alguns o treinador brasileiro não passava de um animador de balneário mas foi o melhor futebol que praticámos nas últimas décadas].

Agora é importante perceber que no Euro 2016, sem retirar nenhum mérito, o nosso futebol não foi nada atrativo, ganhámos apenas um jogo nos 90 minutos e até à final não apanhámos nenhum adversário temível. Ou seja, houve uma conjugação de factores que fez de Portugal campeão, se calhar um título que já merecia. Santos conduziu ainda a seleção a uma vitória na primeira Liga das Nações. É um facto que é o primeiro seleccionador a alcançar títulos para o nosso país.

Mas sempre com este futebol ultradefensivo.

Quando os resultados depois aparecem, como aconteceu em 2016 e 2019, isso suplanta tudo. As vitórias apagam as más exibições. 

Mas quando se perde, todos os problemas vêm ao de cima. 

E a verdade é que o futebol da selecção é paupérrimo. Dá ideia de que este modelo está esgotado. 

Uma última palavra para Ronaldo. Está-se a tornar um problema em todas as equipas onde actua. E um "perito" em demitir treinadores. 

terça-feira, 22 de junho de 2021

Selecção à espera de um milagre

 

Cristiano Ronaldo tem carregado a selecção neste Europeu. Está na altura de outros jogadores mostarem a qualidade que têm. Bruno Fernandes, por exemplo. Os próprios centrais não têm estado ao seu nível. Imagem de "O Jogo".


O jogo com a Hungria (e outra exibições anteriores) vieram dar-nos esperanças legítimas de alcançar algo de importante neste Europeu. Afinal de contas somos campeões em título e a maior parte dos nossos jogadores são titulares das maiores equipas do mundo. Rúben Dias foi eleito o melhor jogador da Premier League, Bruno Fernandes foi o mais decisivo dos jogadores do United, Jota fez uma época excepcional no Liverpool, como Pepe no Porto, Palhinha no Sporting e ainda as revelações Nuno Mendes e Pedro Gonçalves. Temos jogadores com passado na selecção, que já deram mostras da sua capacidade no passado, desde Moutinho a Danilo e William. Temos a qualidade de jogadores como Renato, Bernardo, João Félix. Isto para além de Sérgio Oliveira, Rúben Neves, Rafa ou André Silva. E, claro, temos Cristiano. 

Ou seja, temos matéria prima, uma selecção bastante nivelada por cima, e um treinador que já alcançou feitos históricos.

O primeiro problema prendeu-se com a ausência forçada de Cancelo. Isto porque Cancelo tem uma capacidade atlética, uma velocidade e um andamento que Nélson Semedo neste momento está muito longe de possuir. Cancelo era um jogador diferenciado nesta selecção, dáva-nos uma capacidade de carregar jogo pela direita e fazer rupturas que é muito difícil de substituir.

O segundo problema prende-se com as características de Fernando Santos: as mesmas características que nos conduziram ao sucesso estão agora a "amarrar" a selecção. Isto porque o nosso treinador é por natureza conservador e cauteloso, tendo encontrado uma fórmula que funcionou até aqui (excepção feita ao Mundial 2018) mas que parece agora mostrar todas as suas limitações.

Em 2004, após a derrota com a Grécia, Scolari operou uma revolução no 11, tendo os "consagrados" dado lugar a jogadores mais novos que tinham outra capacidade física e outra fome de vitórias.

Em 2021, a selecção começou bem, pelo que não parecia haver necessidade de mudar. No entanto a derrota pesada e sobretudo a forma como a selecção foi cilindrada pela Alemanha expuseram demasiado as fragilidades de jogadores como William, Danilo e, a partir daí, dos laterais - e até dos centrais. Faltou - e muito - capacidade física e atlética à nossa equipa. Sobretudo no plano da velocidade e da agressividade, Portugal foi altamente deficitário. Chegámos sempre demasiado tarde e andámos sempre a correr atrás da bola e dos jogadores alemães que basculavam o jogo a seu belprazer, colocando bolas nas costas dos nossos laterais e depois na zona de finalização com a maior das facilidades.

Ou seja, uma circulação de bola muito dinâmica e jogadores fisicamente poderosos e rápidos a executar, colocaram a nu as limitações dos jogadores (e sistema) demasiado posicionais de Portugal.

Agora Santos ficou colocado perante um dilema: por um lado, mudar tudo na última jornada da fase de grupos, colocando em campo jogadores que não têm quaisquer rotinas de jogar juntos, é um risco muito grande. Por outro lado, não mudar nada, especialmente depois de todo o mundo ter visto quais as nossas fragilidades é receita quase certa para o fracasso.

É evidente que Palhinha e Renato Santos teriam tido desde o início do jogo contra a Alemanha uma capacidade de disputa da bola e do jogo a meio campo que William / Danilo nunca tiveram. Até Sérgio Oliveira e Moutinho têm mais capacidade de choque e mobilidade do que esta dupla.

No entanto apenas Renato entrou na segunda parte (para o lado direito do meio campo) e, como já referi, é uma aposta arriscada colocar este e Palhinha simultaneamente contra a França, jogo que aliás terá características diferentes do contra a Alemanha.

Depois há a questão dos laterais: Rafael Guerreiro foi demasiado frágil, faria sentido substitui-lo por Nuno Mendes que tem outra dimensão física. (Nélson foi mais vítima do sistema do que propriamente culpado na minha opinião). No entanto Fernando Santos é conservador e tenho dúvidas que o faça.

Outra coisa que já poderia ou deveria ter sido feita era tentar soluções alternativas para o lugar de Bruno Fernandes que tem passado completamente ao lado dos jogos. Claro que é um grande talento e compreende-se que tenha entrado como titular, mas nesta fase e face à ausência de rendimento já deveriam ter sido testadas mais opções. Pedro Gonçalves (Pote) fez uma grande época, foi o melhor marcador do campeonato e é um jogador muito bom a furar as linhas defensivas adversárias, a aparecer onde não se espera e depois a finalizar. Bernardo pode jogar ali, assim como o próprio Félix, este com outras características.

Em suma, Fernando Santos tem estado bastante agarrado, quase amarrado às suas ideias originais e tem dado pouco espaço para outros jogadores se afirmarem. Essa é a sua fórmula, que trouxe sucesso, pelo qual todos os portugueses lhe devem estar muito gratos. No entanto, se era para jogarem sempre os mesmos para quê convocar tantos médios?

Parece-me que é chegada a altura de constatar algumas evidências e fazer algumas alterações.

Dito isto, seja qual for a equipa, será difícil alcançar um resultado positivo contra a França. É o campeão do mundo, tem um meio campo e um ataque de luxo e fisicamente é mais poderosa do que Portugal. Especialmente nesta fase em que estamos muito pressionados e com a confiança muito abalada por uma derrota que poderia ter sido ainda mais humilhante se a Alemanha não tem abrandado (de propósito), é muito difícil não perdermos o jogo.

Com jogadores como Mbappé, Griezman e Benzema, o golo pode aparecer a qualquer momento. Nos últimos jogos a França teve dificuldades em concretizar (apenas dois golos, um marcado pela Alemanha na própria baliza) mas isso pode mudar a qualquer momento. Esperemos apenas que não seja contra Portugal.

Mas acima de tudo esperemos outra coisa: que os nossos jogadores se superem, ultrapassem o trauma da derrota contra a Alemanha e possam inverter a dinâmica negativa criada por esse jogo. Temos que recordar aquilo por onde comecei: somos campeões em título - não o fomos por acaso - e os nossos jogadores estão ao nível dos melhores do mundo. 

É preciso abandonar de vez a mentalidade de pequeninos e abraçar uma mentalidade competitiva, combativa, vencedora. Não podemos voltar a deixar-nos intimidar e amedrontar como aconteceu contra a Alemanha. Para isso Fernando Santos tem também que alterar algumas coisas e dotar a equipa de armas que não tivemos contra a Alemanha. Amanhã é o dia. Se não o fizermos, não haverá outro relativamente ao Europeu e iremos para casa de mãos a abanar.

sábado, 12 de setembro de 2015

O "monstro" Ronaldo e o desastre de Mourinho

Ronaldo, apesar alguns comportamentos estranhos fora do relvado, dentro de campo continua a ser um autêntico "animal". Com o tempo e o inevitável declínio físico, especialmente no que toca ao arranque e ao pique, Ronaldo tem vindo a procurar tendencionalmente as zonas mais próximas da baliza para finalizar, algo que faz como ninguém, concentrando nisso a maioria das suas energias. Focalizando-se ainda mais em ser uma "máquina de golos". Por isso Ronaldo poderá vir ainda a bater mais recordes de golos, caso não tenha lesões, como todos esperamos que não tenha. Este sábado foram "só" 5 na goleada de 6-0 imposta pelo Real ao Espanhol, no terreno deste último. E podiam ter sido 6 do avançado português. Impressionante! Já começam a faltar adjectivos para os números deste enorme jogador.
 
Quanto ao outro português mais conhecido internacionalmente, José Mourinho, o seu Chelsea continua a "colecionar" derrotas. Em 5 jogos da Liga Inglesa já são 3! Uma delas em casa, onde Mourinho não perdia há anos. Hoje foi o Everton quem impôs ao Chelsea uma derrota sem apelo sem agravo. Sem conhecer muito a realidade dos "blues", dá-me ideia de que a defesa está demasiado permeável e que os laterais já não têm a qualidade de outros tempos. Também Obi Mikel e Matic não me parece uma dupla muito complementar e eficaz no meio campo. No ataque não faltam grandes nomes: Pedro, Diego Costa, Falcão, William mas também falta qualquer coisa. Poderá a "receita" Mourinho ter estagnado? Estar espremida? Confesso que achei estranha a renovação por 5 anos quando o treinador ainda tinha contrato pelo menos para esta época e a próxima. Acho que uma renovação dessas pode dar a um treinador uma situação de acomodação que é contrária à natureza de Mourinho, sempre insatisfeito e ambicioso. Este ano o campeonato parece ser para esquecer: está já a 11 (!) pontos do líder Man City e a 6 do United. Poderá tentar finalmente voltar a conquistar a Champions mas para tal os argumentos futebolísticos parecem escassos. Veremos. Abramovic já dá sinais de impaciência...

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Monstros do futebol

O que Messi fez ontem só está ao alcance de um "estratosférico" do futebol. O 1º golo, que desbloqueia o jogo é bom mas o segundo, fazendo Boateng cair "como um pino", como disse alguém na noite de ontem, e fazendo depois um chapéu a Neuer, roça o sublime. Depois disso ainda teve tempo para isolar Neymar para o terceiro.

Messi voltou a provar que é único na sua habilidade, na forma como mantém a bola colada ao pé e realiza o drible curto. É de facto algo de único no futebol mundial.

Isto não implica desvalorizar Ronaldo. Muitas vezes vemo-nos perante as chamadas falsas alternativas nas quais para um ser o melhor o outro tem que ser um jogador banal. Não, são dois super-jogadores, dois monstros do futebol. Ronaldo tem sido uma máquina de golos como nunca se tinha visto, batendo recorde atrás de recorde.

Voltando ao Barcelona, estamos quase perante um caso de concorrência desleal. Ter Messi e Neymar na mesma equipa e ainda lhes juntar Suarez é algo que torna a competição demasiado desequilibrada. Se o Barça estiver nos seus dias é quase imbatível. Pelo que vimos nos últimos jogos, é claramente favorito numa final com o Real e mais ainda a Juventus.

Antes do embate de Guardiola com a antiga equipa eu tinha expressado curiosidade sobre o jogo dos "dois Barcelonas". Reconheço que fiquei desiludido com o jogo do Bayern, pois foi muito pouco afoito no ataque. Nas poucas ocasiões em que procurou fazer subir mais jogadores no terreno foi apanhado em contrapé de uma forma quase embaraçosa. Ora isso não abona a favor do treinador que ainda há umas semanas elogiei após o desmantelamento do Porto por 6-1. Para além disso, a substituição de Muller por Goetze quando já estava a perder não pareceu a melhor solução.

É curioso que só ontem, ao ouvir mais uma vez as palavras de Mourinho proferidas após a conquista do título de campeão inglês, compreendi o verdadeiro alcance e destinatário da sua afirmação de que poderia ter escolhido um campeonato tranquilo onde poderia vencer sem grande dificuldade mas que escolhera a liga mais competitiva do mundo. O alvo da indirecta era Guardiola. 

No entanto também não tenho dúvidas de que Mourinho como Guardiola são, em estilos e com personalidades muito diferentes, também dois monstros do futebol. O espanhol sofreu porém ontem um retrocesso na sua caminhada de afirmação extra-Barcelona. O seu Barcelona bávaro fez uma má figura em Nou Camp. Existe uma atenuante: voltaram a ficar de fora por lesão as principais figuras do Bayern. No entanto este Bayern tem demasiada bola para as oportunidades de golo que cria. Nisso Mourinho é muito mais prático: para ele a posse de bola visa a baliza e o golo. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Estrelas do Mundial

Até ao momento, o jogador que mais brilhou neste Mundial foi sem dúvida Neymar. Dá gosto ver o pequeno grande jogador conduzir a bola: dele podemos esperar sempre qualidade, elegância e classe. A qualquer momento pode surpreender. Joga bem com os dois pés, com a cabeça, marca golos e faz jogar. Os momentos em que o Brasil entusiasmou tiveram quase sempre a sua participação. Tem 4 golos marcados em três jogos.
Apesar do Brasil parecer ter ainda algumas intermitências, tem sido a melhor equipa do Mundial.

Messi não tem estado ao seu melhor nível mas tem 4 golos em três jogos, 3 eleições como homem do jogo em 3 jogos jogados e decidiu a favor da sua selecção todos as partidas. Imaginem se estivesse...
A Argentina ainda não convenceu mas tem Messi e avança para os oitavos onde não deverá ter muitos problemas para eliminar a Suíça.

Robben e Van Persie têm repartido o protagonismo numa Holanda tacticamente renovada. Robben porém tem sido ainda mais decisivo com as suas impressionantes cavalgadas de mais de meio campo. Um grande jogador que, como os outros grandes, aparece nos grandes palcos e grandes momentos.
Nos oitavos a Holanda enfrentará uma equipa forte e equilibrada como tem sido o México.

Outro jogador que tem estado em grande forma e me tem surpreendido é James Rodriguez. Tem três golos e duas assistências. Veremos até onde esta Colômbia pode ir. Para já joga com o Uruguai no qual Suárez voltou a premir o botão de autodestruição e que dificilmente ultrapassará essa contrariedade. 

Shaqiri, Mueller e Benzema têm também 3 golos (o alemão tem menos um jogo que os restantes, sendo que seria uma tremenda alegria se hoje pudesse marcar mais três...) e estão a fazer bons mundiais. Estão a ser o que as suas equipas precisam e a assumir as responsabilidades de resolver. Benzema está a surpreender pela positiva (tal como, em certa medida, a França). Podia aliás ter 4 golos se o árbitro do jogo contra a Suíça não tivesse acabado o jogo décimas de segundo antes do franco-argelino marcar mais um golo espectacular num volley. Para além disso tem duas assistências. Shaqiri mostrou a qualidade que se lhe conhece e que nem sempre vem ao de cima, com um hat trick que envolveu golos sensacionais.

Dempsey nos EUA, é outro jogador que tem assumido a liderança da sua equipa, tendo já dois golos marcados em dois jogos. Slimani também tem estado muito bem e terá hoje um jogo importantíssimo no qual a Argélia disputa com a Rússia a passagem aos oitavos de final.

Ronaldo, "o melhor do mundo" tem zero golos marcados e uma assistência. Ronaldo tem aliás apenas 2 golos em 3 mundiais disputados (contando com o actual). Ainda vai a tempo de alterar este registo demasiado pobre. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

O melhor do mundo (e arredores...)




Como se não bastasse a lamentável imagem deixada por esta selecção no Brasil, Ronaldo agravou ainda mais o estado de coisas.

Depois do célebre "Perguntem ao seleccionador", aquando da nossa eliminação em 2010, desta vez a culpa foi dos colegas, porque afinal de contas "não temos grandes jogadores" (com excepção dele, claro).

Naquele momento senti vergonha de que aquele jogador fosse português.

Aturei muito a Ronaldo (muitos penteados, muitas calinadas, muita vaidade, muitos momentos ridículos) sem lhe fazer críticas, porque estava convencido de que ele sentia genuinamente o seu País e porque evidentemente o seu valor futebolístico é de facto superior.

No entanto estas declarações, depois de ter deixado alimentar a conversa d' "o melhor do mundo" durante semanas a fio, depois dos seus próprios colegas terem aceitado completamente o seu estatuto quase de única estrela da seleção, depois de jogarem para ele a bola constantemente, são inqualificáveis e não podem ser defendidas. 

Basicamente Ronaldo disse que:

os Portugueses se deviam dar por muito satisfeitos por ele se dignar jogar pela seleção, uma vez que era "muito fácil ficar em casa" com um campeonato "espectacular" e uma Liga dos Campões ganha; 
que os seus colegas não estavam à altura da sua categoria, pois a nossa selecção (apesar dele ser "o melhor do mundo") afinal é apenas média e não tem grandes jogadores (com excepção dele claro);
que ganhar era uma ilusão (apesar do próprio ter dito uma semana antes que este ia ser o ano de Portugal);
que "podia ter dado mais" mas que deu "a cara" (ficando por perceber qual a razão pela qual não deu tudo o que podia).

NÃO SÃO PALAVRAS DIGNAS DE UM CAPITÃO DE PORTUGAL.

Ronaldo deveria ter pensado muito melhor no que ia dizer pois desrespeitou a selecção e defraudou muitos portugueses.

Importa dizer que a selecção tem estado em geral muito mal e que não tem criado condições para praticamente ninguém brilhar. Mas Ronaldo tem estado igual ou pior: uma absoluta desilusão que apenas pede a bola a todo o mundo e  quando a tem a única coisa que faz é correr e fazer remates quase sempre sem nexo.

Ronaldo tem 2 golos em 3 mundiais, o que é um péssimo registo, muito longe de qualquer jogador que se queira intitular "o melhor do Mundo".

Ao ver Messi (sem jogar particularmente bem) resolver, ao ver Neymar jogar como joga e marcar como marca, ao ver Robben, Van Persie, Ruiz, Rafa Marquez, Suárez, penso que "o melhor do mundo" deveria fazer muito, mas mesmo muito mais pelo seu País.