Mostrar mensagens com a etiqueta previsões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta previsões. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Mundial 2014 - antevisão dos quartos de final

As previsões que aqui fizemos para os oitavos de final revelaram-se totalmente acertadas. Não falhámos nenhuma mas tivemos a nosso "favor" dois desempates por grandes penalidades.

Não houve nenhuma surpresa nestes oitavos (os grandes favoritos passaram e todos os vencedores dos grupos da primeira fase se mantêm em prova) mas esteve à beira de haver - e bem grande.

O Brasil esteve a centímetros do desastre. Uma bola na barra nos últimos segundos podia ter dado a eliminação prematura da equipa frente a um Chile que se mostrou de uma fibra extraordinária. Os jogadores chilenos, pequenos em estatura mas grandes em coragem, mostraram as melhores características do seu povo.

O Brasil jogou muito mal. Depois de aparentes melhoras contra os Camarões, o Brasil voltou a demonstrar um tremendo nervosismo e a ser incapaz de produzir um futebol fluído e acutilante. Acima de tudo o Brasil, ainda relativamente cedo na segunda parte, deu a ideia de não ter capacidade de ultrapassar as dificuldades, desmontar a teia chilena e resolver o jogo. Salvou-se sobre o gongo; mas e agora?

A Colômbia é, a par da Costa Rica, a grande surpresa do Mundial. James está a demonstrar uma categoria bastante acima do esperado. Embora se soubesse que era um jogador de qualidade, muito bom tecnicamente, não costumava ter um rendimento tão constante e ser tão desequilibrador. A verdade porém é que, apesar de jogar há muitos anos a alto nível, James é ainda bastante jovem. Nesta medida, este está a ser o palco da sua confirmação. A Colômbia já foi longe mas a coisa pode não acabar aqui.

Outra semi-surpresa foi o Alemanha-Argélia. A melhor equipa africana deste Mundial mostrou raça e uma entrega enorme, tornando a tarefa da Alemanha muito difícil. Embora não se esperassem muitas facilidades, a verdade é que a Alemanha era tremendamente favorita para este jogo mas teve que ir a prolongamento para conseguir vencer. 

A Holanda sofreu mas acabou por merecer, embora o penalty que evitou o prolongamento ofereça algumas dúvidas e seja uma forma cruel de eliminar um México que também deu tudo e demonstrou um grande coração. 

A Argentina voltou a não convencer. Contra uma Suíça muito limitada só mesmo um Di Maria infernal e um momento de magia de Messi resolveram um jogo que ameaçava ir para penalties. Para além de incapacidade para marcar muitos golos (apesar da qualidade superlativa dos seus avançados), a Argentina denota algumas inseguranças na defesa para o que o seu guarda-redes também contribui. 

França, Costa Rica (esta apenas nos penalties, mas, deve-se recordar, a jogar em inferioridade numérica) e Bélgica venceram com alguma naturalidade, pois era isso que se esperava (pelo menos nós aqui no blog).

Temos pois, para os quartos de final, os seguintes jogos:

França-Alemanha
Brasil-Colômbia
Argentina-Bélgica
Holanda-Costa Rica.

Nesta fase, as previsões tornam-se ainda mais difíceis. Se fossemos pelo nome e pelo ranking, passariam a Alemanha, o Brasil, a Argentina e a Holanda. Mas poderá não ser assim, passe o truísmo. O estado físico e mental dos jogadores, as vicissitudes do jogo, as decisões dos árbitros e a sorte são tudo factores impossíveis de prever. Quando o equilíbrio é muito grande, como é o caso, estes factores podem fazer a diferença.



Em concreto e partindo do mais previsível para chegar ao mais imprevisível, penso que a Holanda é claramente favorita. A Costa Rica tem sido a surpresa deste mundial, ultrapassou o grupo da morte (esse sim), derrotou a Grécia e chegou aos quartos com todo o mérito. Mas penso que não tem futebol para a Holanda, claramente melhor do que todos os adversários prévios.



No Argentina-Bélgica, o favoritismo da Argentina existe mas pode ser surpreendido. Nomeadamente se a Bélgica conseguir defender bem tem fortes hipóteses de ultrapassar os argentinos, dado que, como atrás refiro, a defesa alvi-celeste (apesar de ter bons jogadores) normalmente dá algum espaço. Isto acontece sobretudo porque falta dinâmica à equipa e ligação entre sectores. A causa disto é um meio campo pouco participativo no jogo com dois jogadores (Gago e Mascherano) que são demasiado parecidos. Enzo faria todo o sentido nesta equipa, mas claramente o treinador não aposta nele. Assim, uma vitória belga neste jogo seria apenas uma meia surpresa.



No Brasil-Colômbia poderá acontecer a meu ver algo de inesperado. O Brasil acusa demasiado a responsabilidade, treme muito, falta-lhe dinâmica e depende demasiado de Neymar e também de Hulk. Ou seja, depende demasiado do que os seus principais desequilibradores consigam fazer. Isto não é bom. Já a Colômbia parece uma equipa mais harmoniosa, também com muito talento mas mais integrado na dinâmica colectiva da equipa. Por isso vou fazer aqui a previsão "arriscada" de que a Colômbia elimina o Brasil. Note-se que faço esta previsão contra aquilo que eu gostaria, que era ver o Brasil campeão do Mundo. Gostava muito, obviamente por ser um povo irmão e "meio português" mas também devido a David Luiz, que é um jogador que muito admiro e até a Neymar cujo futebol me tem fascinado. Penso no entanto que se o Brasil não mudar 180º de registo (e isso é obviamente ainda possível), se não se libertar definitivamente do peso da "obrigação" de ganhar e se não jogar muito, mas mesmo muito melhor do que nas anteriores partidas, terá uma grande desilusão e sairá já do Mundial nos quartos. Baseando-me no que vi até agora é isso que antecipo que possa acontecer.



Finalmente no França-Alemanha penso que é quase impossível prever um desfecho. A Alemanha é favorita pelo estatuto que tem, pelo que vem fazendo nos últimos anos em que a Espanha acabou por ser a equipa que a impediu de chegar mais longe em mais do que uma ocasião. A França pelo contrário vem de um período menos bom, no qual se tem ficado por fases muito preliminares das competições. No início deste Mundial precisamente questionávamo-nos sobre que França apareceria. A resposta até agora é: uma França muito forte, muito competitiva, muito consistente. A Alemanha começou muito forte (contra um Portugal muito macio) mas desde então parece vir a perder gás. Uma vitória da França não me surpreenderia nada portanto. Há um factor adicional que poderá ser importante neste jogo: a França sofreu apenas dois golos até agora, ambos contra a Suíça, num jogo que já estava ganho. Nunca esteve a perder neste Mundial. A Alemanha é o favorito "natural" mas tendendo ao que vi nos últimos jogos atrevo-me a prever que a França possa vencer este jogo.



Destas previsões (que ao contrário das dos oitavos de final apostam nalgumas das equipas menos favoritas) resultariam as seguintes meias finais:

Argentina-Holanda
Colômbia-França.

Veremos pois o que acontece a partir de quinta-feira. Emoção não faltará de certeza.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Mundial 2014 - balanço provisório e favoritos para os quartos de final

A primeira fase do Mundial está concluída.

A eliminação de Portugal consumou-se e a realidade abateu-se pesadamente sobre o sonho dos Portugueses. Já fui dizendo qualquer coisa sobre o assunto mas farei muito em breve um balanço e uma avaliação mais detalhada sobre a nossa participação.

Esta primeira fase foi relativamente bem disputada, teve alguns belíssimos jogos e trouxe algumas surpresas.

Como já assinalei, as equipas americanas apresentaram-se bastante fortes e surpreenderam as europeias.

A "sangria" europeia foi grande: Croácia, Espanha, Inglaterra, Itália, Bósnia, Portugal e Rússia. Passaram a Holanda, a Grécia, a França, a Suíça, a Alemanha e a Bélgica. Dois favoritos, aos quais a França, com o o que demonstrou na fase de grupos, se aproximou, um outsider (a Bélgica), uma equipa "esticada" ao máximo das suas capacidades (Grécia) e uma outra que beneficiou de alguma sorte para conseguir alcançar os oitavos (Suíça). Olhando para o que a Grécia faz com recursos limitados percebemos que Portugal deveria ter feito bem melhor.

Das selecções americanas apenas Honduras e Equador ficaram pelo caminho, curiosamente ambas no mesmo grupo e perdendo para duas equipas europeias (foi a única excepção neste confronto Europa-Américas). A grande surpresa foi a Costa Rica que não apenas sobreviveu ao grupo mais difícil do Mundial como conseguiu ser primeira. O Chile foi a outra grande surpresa ao eliminar a Espanha e o México foi também uma surpresa positiva, sobretudo face à péssima campanha no apuramento, no qual foram salvos da eliminação directa por dois golos dos EUA aos 92 e 93 minutos contra o Panamá (vindo depois a vencer nos playoffs a Nova Zelândia).

Quanto aos restantes continentes, não houve nenhuma grande surpresa: apesar da participação esforçada o Irão foi eliminado, tal como a Austrália, a Coreia e o Japão. Continuam a ter um futebol pobre. Já o desempenho dos africanos não é muito mau até ao momento: apesar da eliminação do Gana, dos Camarões e da Costa do Marfim, a Argélia consegue o apuramento e a Nigéria também (embora sem grande brilho). Sobre a Argélia diga-se que tem confirmado o que de melhor se imaginava sobre esta selecção. Slijmani tem mostrado ser um avançado mortífero nas bolas aéreas mas toda a atitude da equipa, aliada a bastante qualidade, tem sido muito boa. Sobretudo nos últimos dois jogos demonstrou ter um bom poderio.

Os oitavos de final serão compostos pelos seguintes jogos:

Brasil-Chile
Colômbia-Uruguai
Holanda-México
Costa Rica-Grécia
França-Nigéria
Alemanha-Argélia
Argentina-Suíça
Bélgica-EUA

Os meus favoritos para os quartos são:

Brasil
Colômbia
Holanda
Costa Rica
França
Alemanha
Argentina
Bélgica

Ou seja, estou a apostar em todos os vencedores dos grupos. Claro que é praticamente impossível que todos os vencedores dos grupos passem. Embora me pareça que estas equipas são favoritas (nalguns casos até muito claras) deverá haver até mais do que uma surpresa.

Indo mais ao pormenor, o Brasil é favorito mas o Chile será certamente um adversário muito difícil. Contra o México (equipa algo semelhante ao Chile) o Brasil não conseguiu vencer. No entanto seria uma surpresa tremenda se o anfitrião fosse eliminado aos oitavos. A minha aposta no Brasil é pois firme.

Já no Colômbia-Uruguai há um equilíbrio muito grande. No histórico de confrontos o Uruguai leva vantagem, mas não uma vantagem esmagadora. A Colômbia está mais forte do que no passado. Suárez está suspenso. Daqui a minha previsão. Mas admito que o Uruguai possa voltar a surpreender. Veremos neste jogo até que ponto os grandes avançados colombianos conseguem levar a sua equipa a um novo patamar futebolístico.

A Holanda parece-me claramente favorita face ao México mas um bloco muito baixo dos mexicanos poderá causar problemas aos holandeses, que têm jogado até agora em contra-ataque. Veremos.

A Costa Rica está a ser a maior surpresa deste campeonato do Mundo. Nunca me passou pela cabeça que pudesse passar o seu grupo à frente de três campeões do Mundo. É algo de incrível. Seria muito surpreendente se agora perdesse frente a uma equipa que está abaixo do que Itália e Inglaterra valem.

Em relação à França, à Alemanha e à Argentina seria quase inacreditável que pudessem ser afastadas por equipas da dimensão da Nigéria, da Argélia e da Suíça.


No Bélgica-EUA imagino um jogo bastante equilibrado. O favoritismo que dou à Bélgica tem a ver com a qualidade dos seus jogadores. Mas se pensarmos que os EUA empataram com Portugal e perderam apenas por 1-0 contra a Alemanha não é disparatado imaginar que possam eliminar a Bélgica num dia em que as coisas lhes saiam muito bem. Klinsman já mostrou que prepara muito bem os jogos. Uma surpresa aqui seria apenas meia surpresa.


Assim, embora neste "mata-mata" todos possam cair, penso que Alemanha, Argentina e França estarão quase de certeza nos quartos. Brasil e Holanda também deverão conseguir ultrapassar os seus adversários embora os seus jogos não estejam isentos de riscos. Costa Rica também é favorita. Colômbia e Bélgica têm um ligeiro favoritismo.

No caso destas previsões se confirmarem (e não confirmarão certamente na íntegra), teríamos uns quartos de final com este alinhamento:

Brasil-Colômbia
Holanda-Costa Rica
França-Alemanha
Argentina-Bélgica.

Isto equivale a dizer que o Brasil e a Argentina dificilmente poderiam pedir um calendário mais favorável até às meias finais (nomeadamente em virtude da eliminação da Espanha que veremos já amanhã se foi uma coisa boa ou má para o Brasil). Aí poderíamos ter um Argentina-Holanda e um Brasil-Alemanha. Neste momento estas quatro equipas são de facto os principais candidatos aos primeiros lugares. Vamos ver se algum deles (ou mais do que um) vacila até lá. O Mundial (re)começa amanhã.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Brasil 2014 - trio de favoritos

No Mundial que começa esta noite há para mim três favoritos que se destacam de todos os outros: Brasil, Espanha e Argentina. São as seleções mais fortes e com os melhores jogadores. A Espanha é campeã do Mundo, o Brasil joga em casa e a Argentina tem um dos conjuntos mais fortes de sempre.

Não vencer um daqueles três seria para mim surpreendente.

Num patamar abaixo coloco a Alemanha, candidato "crónico" às decisões e às finais. Não me parece ter os argumentos de outros anos: Ozil, Muller e Khedira, os principais talentos desta seleção, fizeram épocas muito intermitentes e não parecem chegar a este mundial na melhor forma. O forte colectivo alemão estará presente mas penso que falta a centelha que impulsiona as equipas para os patamares mais altos.

Depois, muito perto da Alemanha, temos a Holanda. Finalista em 2010, vencedor do Euro 88, a Holanda é neste momento um pouco o inverso da Alemanha: muita qualidade individual, muito talento mas falhas na estrutura da equipa. Torneio após torneio, jogadores como Robben, Van Persie e Sneijder vêm passando ao lado da glória. Será a última oportunidade deste grupo de jogadores conseguir algo de importante.

Num patamar de outsiders, ou seja seleções que partem para o Mundial com expectativas relativamente moderadas e que não são verdadeiros contendores à vitória, embora tenham qualidade para se bater com os melhores, surgem Portugal, França, Itália e a própria Bélgica.

Portugal tem um grupo bastante experimentado de jogadores com alguma qualidade (Bruno Alves, Meireles, Veloso, etc), três ou quatro jogadores acima da média (como Pepe, Coentrão, Moutinho e Nani) e depois o fenómeno Ronaldo. Eu sei que este epíteto pertencia ao Ronaldo brasileiro mas de facto o nosso também o merece. É um jogador extraordinário, sensacional, que se estiver em condições pode catapultar Portugal muito longe. 

Itália está a passar um período muito negativo em termos futebolísticos. Não acredito de modo nenhum que possa ganhar ou sequer estar na final mas não podemos esquecer que noutras alturas em que também ninguém dava nada pelas suas equipas foi capaz de surpreender. Não acredito que seja o caso desta vez mas a Itália pode-se também bater com qualquer adversário.

Quanto à Bélgica tem uma fornada de jogadores bastante interessante, que, tal como os portugueses, jogam um pouco por toda a Europa. Courtois, Kompany, Witsel e Hazard são as principais estrelas, mas há muitos outros bons jogadores, habituados ao nível mais alto de competição, nomeadamente a Premier League. Veremos o que serão capazes de fazer como equipa. E atenção porque esta equipa pode ser nossa adversária nos oitavos de final.

A França é um pouco uma incógnita: depois de um ciclo de vitórias seguido de um período depressivo ainda não atingiu a estabilidade emocional e competitiva para estar entre os candidatos, apesar de obviamente ter jogadores de grande competitividade, como Ribery, Benzema e Pogba, entre outros. É evidentemente uma seleção sólida e difícil de bater mas parece não ter argumentos suficientes para chegar às decisões finais. 

Finalmente temos o Uruguai, a Colômbia, a Inglaterra, a Rússia, a Croácia, a própria Grécia, que são equipas candidatas a passar aos oitavos de final mas que não poderão aspirar a muito mais do que isso. Inglaterra tem sido uma desilusão torneio após torneio e eu ficaria muito surpreendido se desta vez fosse diferente. O Uruguai parece-me a mais forte deste lote e pode eventualmente chegar um pouco mais longe. No entanto deve-se recordar que Uruguai e Inglaterra estão no mesmo grupo, juntamente com a Itália e a Costa Rica. Inglaterra, Itália e Uruguai, um dos três não chegará pois sequer aos oitavos de final.

Em suma, imagino uma final em que necessariamente estará o Brasil ou a Argentina, sendo que a Espanha ou a Alemanha ou a própria Holanda poderão ambicionar a disputar esse jogo. Aliás diga-se que a final pode mesmo ser um Brasil-Argentina, caso ambas as equipas vençam os seus grupos e, obviamente, vençam as subsequentes eliminatórias.

Há porém uma coisa curiosa neste Mundial, que é a possibilidade clara do Brasil poder ser eliminado nos oitavos de final. Nesse jogo o Brasil enfrentará a Espanha ou a Holanda. Em princípio deverá ser a Holanda mas não é seguro. Ora qualquer um destes adversários é um candidato ao título. Uma derrota do Brasil seria desastrosa para o torneio, nomeadamente face à contestação que o Mundial já enfrenta.

Já a Argentina enfrentará nos oitavos de final a Suíça, o Equador ou França e, se passar essa eliminatória como é previsível que aconteça, provavelmente enfrentará nos quartos uma destas três equipas: Portugal, a Alemanha ou a Bélgica.

As emoções começam esta noite à hora de jantar.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Scolari divulga convocados do Brasil

Portugal ainda tem que esperar umas semanas, assim como a maioria das outras seleções, mas o Brasil anunciou já a sua convocatória para o Mundial.

Eis a lista de Luis Filipe Scolari (fonte jornal "A Bola"):


Guarda-redes: Júlio César (Toronto FC), Jefferson (Botafogo) e Victor (Atlético Mineiro) 

Defesas: Thiago Silva (PSG), David Luiz (Chelsea), Dante (Bayern de Munique), Henrique (Nápoles), Daniel Alves (Barcelona), Marcelo (Real Madrid), Maicon (Roma) e Maxwell (PSG)

Médios: Ramires (Chelsea), Willian (Chelsea), Oscar (Chelsea), Fernandinho (Manchester City), Hernanes (Inter Milão), Luiz Gustavo (Wolfsburg) e Paulinho (Tottenham)

Avançados: Neymar (Barcelona), Fred (Fluminense), Jô (Atlético Mineiro), Hulk (Zenit) e Bernard (Shakhtar Donetsk) 


Naturalmente que nunca há escolhas consensuais. Cada cabeça sua sentença e numa selecção como a brasileira, onde o campo de recrutamento é gigantesco (além de centenas de convocáveis no Brasil há depois dezenas de outros jogadores espalhados pela Europa a jogar ao mais alto nível) a tarefa do seleccionador é quase ciclópica.

Não conheço muito bem a realidade brasileira por isso não faço muitos juízos mas parece-me algo estranha a convocatória de um jogador chamado Henrique, do Nápoles, um jogador de um currículo muito limitado, deixando de fora Luisão. Estranha para não dizer inexplicável. Admito que Scolari tenha as suas razões - é o seu País e ele é o líder do grupo - mas em termos objectivos parece-me que Luisão, com um percurso futebolístico muitíssimo superior ao de Henrique e a realizar uma época a um nível extraordinário, seria uma convocatória muito mais justificada e muito mais justa. Parece-me uma escolha a todos os títulos decepcionante, mas, de novo, não é o meu País e manda quem pode.

Quanto às outras escolhas parecem-me relativamente razoáveis. Acho que se trata de uma selecção com qualidade, embora não ao nível de outras anteriores. Creio que jogará muito para Neymar. Do que conheço de Fred e Jô, tratam-se de jogadores pouco mais do que medianos, sem muita dimensão.

Muito do que o Brasil será capaz de render dependerá porém do que o meio campo for capaz de render. Ramirez tem feito um final de época muito mau, parece altamente desgastado. Veremos como estará daqui a  um mês. Paulinho tem sido uma decepção no Tottenham, veremos o que poderá render no Brasil, com um treinador que lhe dê mais confiança. Não conheço Hernanes. É algo estranho que existam dois convocados semi-desconhecidos de clubes italianos (ainda por cima clubes que não fizeram grandes campanhas, num campeonato que foi ultrapassado pelo português no ranking UEFA), assim como Luiz Gustavo, que foi dispensado do Bayern e joga no modesto Wolfsburgo, mas, mais uma vez, Scolari terá as suas razões.

Tudo ponderado, não acredito muito neste Brasil. Tinha alguma expectativa depois do que vi na Taça das Confederações mas uma série de jogadores que então foram preponderantes parecem-me nesta altura em má forma, não sendo eventualmente aproveitado o bom momento de uma série de outros, nomeadamente Luisão, Filipe Luis, o próprio Coutinho (que não fazem parte da convocatória) é algo que não me parece um bom prenúncio para o Brasil. Veremos.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A queda do City e a "normalidade"

Até ao jogo com o Chelsea para o campeonato o Manchester City era uma equipa temível que desmantelava adversário após adversário e que se previa que pudesse ter uma época repleta de sucessos. 

A derrota (clara e indiscutível) frente ao Chelsea mostrou porém que a equipa tinha (tem) debilidades e que está muito longe de ser imbatível. Os jogadores já não têm a mesma alegria a jogar, a mesma confiança nas suas capacidades e a mesma certeza de que as coisas lhes sairão bem. Por vezes é assim e por isso as derrotas são testes muito grandes à capacidade mental das equipas. 

Há porém um outro factor na queda de rendimento do City: a ausência por lesão de Aguerro. Esta lesão aconteceu precisamente antes do jogo com o Chelsea e afectou tremendamente a equipa. É que Aguerro é um jogador de classe mundial, um jogador que está no patamar logo abaixo de Cristiano Ronaldo e Messi, e que abrilhanta muito a equipa onde actua. 

Nessa medida, a vitória do Barcelona acabou por ser absolutamente normal e, logo a partir dos primeiros minutos de jogo, relativamente previsível. A tal "dimensão física" que o City tentou fazer valer, falhou por completo face à "rabia" que o Barcelona lhe impôs. Com todos os seus melhores centrocampistas em campo, o Barcelona voltou ao seu estilo de posse de bola e pressão imediata logo que a perdia. Não deu qualquer veleidade ao City.

O Barcelona continua a ser uma grande equipa do futebol europeu (frase em si mesma quase redundante) e deu ontem uma enorme lição a um dos "novos-ricos" do futebol europeu.

Também sem surpresas, o Paris SG venceu o Leverkussen, sendo apenas os números dificilmente antecipáveis.

Caso a "normalidade" se mantenha, o Arsenal será atropelado pelo Bayern e o Atlético de Madrid conseguirá ultrapassar o Milan que já há várias épocas deixou de ser um colosso europeu.

Os restantes 4 jogos relativos à primeira mão dos oitavos de final serão jogados para a semana.

Espera-se que Chelsea, Dortmund e Real Madrid acabem por ultrapassar respectivamente o Galatasaray, o Zénite e o Shalke 04. Na outra eliminatória as coisas já são mais imprevisíveis face à época desastrosa que o Manchester United está a realizar. O Olympiakos poderá causar uma meia surpresa. 

A segunda (e decisiva) fase do campeonato

Não há como enfatizar em excesso esta dupla mensagem: o campeonato é a prioridade absoluta da época e tudo se mantém em aberto.

Claro que é bom ter uma vantagem de 4 e 5 pontos sobre os concorrentes mas a fase decisiva ainda não chegou. Daí eu falar da segunda fase do campeonato, a fase de todas as decisões, apesar de contabilisticamente termos já passado a metade (faltam 11 jogos).

Eis abaixo o quadro comparativo de jogos dos 3 candidatos:

Benfica-Guimarães                    Rio Ave-Sporting             Porto-Estoril   
Belenenses-Benfica                       Sporting-Braga             Guimarães-Porto
Benfica-Estoril                           Setúbal-Sporting              Porto-Arouca
Nacional-Benfica                                               Sporting-Porto
Benfica-Académica                      Marítimo-Sporting         Porto-Belenenses
Braga-Benfica                            Sporting-Guimarães       Nacional- Porto
Benfica-Rio Ave                           P. Ferreira-Sporting         Porto-Académica
Arouca-Benfica                            Sporting-Gil Vicente         Braga-Porto
Benfica-Olhanense                        Belenenses-Sporting         Porto-Rio Ave
Benfica-Setúbal                            Nacional-Sporting          Olhanense-Porto
Porto-Benfica                             Sporting-Estoril

Os jogos (J) a negrito são aqueles em que um dos candidatos ao título joga com equipas da metade superior da tabela (>9). Os jogos a negrito e sublinhado são evidentemente os jogos entre os candidatos ao título (>4).

Se considerarmos os jogos serem em casa ou fora como um factor adicional de ponderação, podemos estabelecer o seguinte quadro de dificuldade dos jogos (em que 1 é em teoria o mais fácil):

Em casa com equipa da metade inferior da tabela (<9): 1
Fora com equipa <9: 1,5
Casa com equipa >9: 1,5
Fora com equipa >9: 2
Casa com equipa >4: 2
Fora com equipa >4: 2,5

De acordo com este critério objectivo (embora discutível obviamente), o Benfica é o clube com melhor calendário:

Benfica:    16,5 (soma do grau de dificuldade)
Sporting:   17,5
Porto        17,5

Claro que isto serve para o que serve, que é pouco mais que nada. O que contará de facto é o que as equipas fizerem em campo, sempre altamente imprevisível mas em grande parte resultando da capacidade das mesmas se manterem focadas e da respectiva capacidade de aguentar a pressão e o cansaço.

Ainda olhando para o calendário, verifica-se que não é impossível que o campeonato possa ficar resolvido (ou perto disso) nas próximas 6 jornadas. De facto é aí que se concentram a maioria dos jogos dos líderes com os >9, para além do importante Sporting-Porto. Na jornada 25 em particular todos os candidatos jogam com equipas >9. A partir dessa jornada, fica a faltar ao Benfica apenas um jogo de grau de dificuldade acima da média: o jogo no Porto.

O Porto tem vindo a subir de produção. A dada altura chegou a parecer possível que o Porto pressionasse o botão de "auto-destruição", "saneando" Fernando da equipa. Isso não aconteceu e o Porto está a viver um "novo começo" com novas apostas (Herrera, Quaresma e Abdoulaye) e uma subida visível de rendimento. No entanto a sua tarefa está muito difícil pois não tem margem de erro. Começa já esta jornada por defrontar o Estoril, que está a jogar muito bem, depois vai a Guimarães e duas jornadas depois enfrentará o Sporting. O Porto precisaria de vencer todos estes jogos para poder encetar uma recuperação, algo que, não sendo impossível, me parece muito difícil.

Quanto ao Sporting, veremos se a quebra de rendimento que se tem verificado desde o fim da primeira volta se mantém ou se a equipa consegue voltar aos índices de rendimento mais elevados do primeiro terço do campeonato. O Sporting está numa posição em que já não pode perder mais pontos, sob pena das expectativas para a época se começarem a desvanecer em desilusão. A verdade é que o Sporting enfrenta uma sequência de 5 jogos bastante difícil.

Quanto ao Benfica, tendo em teoria o calendário mais fácil até ao fim, como ficou demonstrado, terá nos próximas jornadas uma excelente oportunidade para se distanciar ainda mais na classificação e ganhar, aí sim, uma vantagem que poderá ser decisiva. Nos próximos 3 jogos, dois deles em casa, enfrentaremos adversários que nas últimas duas épocas nos deram dissabores: Guimarães e Estoril, para além do Belenenses que nos tirou pontos já esta época na Luz. Na jornada do Sporting-Porto vamos à Madeira e duas jornadas depois a Braga (30 de Março). Depois disso e até à última jornada não temos jogos teoricamente muito difíceis.

Esta é certamente a altura de concentrar todos os esforços no campeonato. A oportunidade de recuperamos o título está bem ao nosso alcance. Esta é a altura em que todos os candidatos sabem, sobretudo o Porto, que não podem falhar e em que lançarão mão de todos os seus trunfos. Saiba o Benfica aproveitar o facto de, nesse contexto, ter o melhor calendário para de destacar de modo decisivo na liderança.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Inglaterra - corrida a três

Face aos resultados das duas últimas jornadas, parece definir-se em Inglaterra um quadro de três grandes candidatos à conquista da Liga Inglesa: o Arsenal, que face à história recente constitui uma agradável surpresa, o Chelsea, que para além de contar com alguns grandes jogadores tem na competitividade de Mourinho um forte argumento a seu favor e o Manchester City, claramente o mais forte dos três em termos de plantel.

Manchester United e Tottenham, a 9 e 10 pontos respetivamente do 1º lugar, parecem já fora da corrida. O United até estava a fazer uma boa recuperação mas dois empates nos últimos dois jogos deitaram tudo a perder. É o problema de já se ter um atraso considerável: qualquer perda de pontos que noutras circunstâncias seria recuperável abre ainda mais o fosso que começa a ser cada vez mais irrecuperável. Com a saída de Fergusson era de prever que o United se ressentisse. Isso mesmo eu já aqui previra. A queda está porém a ser muito abrupta. Quanto ao Tottenham, depois da humilhação dos 6-0 e a 10 pontos da liderança, deverá dar-se por contente se conseguir um lugar europeu.

Quanto ao Liverpool, começou bem e conseguiu-se aguentar bastantes jornadas nos lugares de topo mas sempre pareceu poder perder pontos a qualquer momento. Tem grandes jogadores mas ainda não será esta época que regressará ao primeiro lugar, essa é a minha convicção. 

Do trio Everton, Newcastle e Southampton, a equipa de Liverpool parece a mais consistente. Tratam-se de equipas que lutarão possivelmente por lugares europeus, logo abaixo do pódio. 

Voltando aos candidatos, o Arsenal parece de regresso aos melhores anos de Wenger mas ainda é cedo para ter certezas. A equipa joga neste momento um grande futebol e terá em breve Podolsky de regresso. No entanto vêm a caminho testes de fogo, nomeadamente o jogo fora com o Manchester City, antecedido pela recepção ao Everton, que será também um jogo complicado. A 23 de Dezembro joga-se um emocionante Arsenal-Chelsea. Depois disso será altura para reavaliar a consistência da candidatura do Arsenal.

Quanto ao Chelsea, apesar de alguns dissabores e de mais mudanças do que é habitual em Mourinho, a verdade é que a equipa está em 2º lugar, a apenas 4 pontos do Arsenal e à espreita de algum deslize do rival de Londres. Os próximos três jogos são relativamente fáceis e a equipa pode-se consolidar somando 9 pontos. 

Finalmente no que toca ao City, sendo o mais forte dos candidatos em termos de jogadores e mesmo de colectivo quando está inspirado, acaba por ser uma equipa muito irregular que está a ter problemas surpreendentes quando joga fora. Em 25 pontos conquistados apenas 4 o foram fora de casa! Algo de inusual, para não dizer insólito. Caso o City consiga alterar este estado de coisas e comece a vencer fora de casa, chegará certamente muito perto do primeiro lugar. Neste momento porém, é apenas 3º, a 6 pontos do Arsenal.

Entre hoje e amanhã disputa-se mais uma jornada, com jogos, nomeadamente o Chelsea para ver em directo na Benfica TV.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Plantel ganha forma (mas mercado continuará aberto meses)

O Benfica está agora finalmente a reforçar os sectores mais fragilizados da equipa, designadamente as laterais e o centro da defesa.

É curioso que tendo na época passada chegado às finais das três competições mais relevantes (se por final entendermos, no que ao campeonato diz respeito, estar em 1º a duas jornadas do fim), tenhamos apesar disso sentido a necessidade de reforçar a equipa em todos os sectores.
É algo paradoxal: apesar do "quase" sucesso, havia afinal reconhecidamente fragilidades várias. 

No entanto, muito embora tenha contratado já 9 jogadores (a confirmar-se a vinda de Bruno Cortez, lateral esquerdo brasileiro), o Benfica continua a precisar de fazer pelo menos 2 contratações mais. 

As contratações que falta são para o meio-campo.
O problema da defesa está resolvido e o ataque poderá não ter mexidas, mesmo com a mais que provável saída de Cardozo.

Tal como assinala José António Saraiva na sua crónica de hoje no "Record", a contratação dos sérvios poderá significar um tipo de jogo um pouco diferente em que possivelmente não caiba um avançado mais fixo como Cardozo. Estamos a especular um pouco, é certo, mas a realidade é que contratar 3 jogadores com nome e qualidade como Djuricic, Sulejmani e Markovic para apenas um lugar na frente de ataque não faria muito sentido.

Já assinalei anteriormente que via Djuricic como sucessor de Aimar mas que JJ considera que este é mais do tipo de Saviola, um segundo avançado. Sendo essa também uma posição natural para Markovic e Sulejmani (que também jogam pelas alas, onde já existem varias opções), a contratação de um "novo Cardozo", a acrescentar a Lima, retiraria quase por completo o espaço de afirmação às novas contratações sérvias.

Creio portanto que não haverá mais contratações para o ataque, a não ser que apareça um "novo Weldon", isto é, um goleador "barato" e oportuno para jogar apenas alguns minutos quando as equipas adversárias se fecham muito e os jogos estão bloqueados.

O que nos leva à maior incógnita do próximo ano e sobre a qual já escrevi também alguns posts: o meio campo do Benfica em 2013/14. E aqui infelizmente teremos com toda a probabilidade que esperar pelo fecho do mercado. Já o ano passado assim foi com as saídas de Javi Garcia e Witsel e esta época a história poderá repetir-se com a situação de Matic.

Para estarmos a salvo de surpresas (até porque jogadores como Matic não aparecem todos os anos) seria boa ideia assegurar já a contratação de um centro campista que dê garantias e manter um outro já sob observação. É preciso notar que mesmo com Matic o Benfica sentiu a falta de um elemento adicional que pudesse substituir o sérvio quando necessário. Até para o lugar de Enzo deveria ter existido outra opção, dado que a aposta em André Gomes não foi consistente. A este propósito insisto: deveria apostar-se na prata da casa e dar-se uma oportunidade a Miguel Rosa.

Rosa é um centro campista que tem jogado sobretudo no meio campo ofensivo mas cujo talento será eventualmente escasso para assumir essa responsabilidade numa equipa como o Benfica. Mas sendo ele um jogador trabalhador e abnegado, creio que facilmente se poderia fazer a "adaptação". Se Jesus adaptou Enzo, Melga e o próprio Matic, porque não poderia adaptar Rosa?

É pequeno? E Moutinho? Será algum gigante? E Xavi, do Barcelona, será alguma torre?

Esta seria a meu ver uma opção que nos poderia resolver um problema sem custos e com a prata da casa. 

Resolvido até ver o problema da defesa, vislumbrando-se um novo ataque com múltiplas opções, é agora tempo de assegurar que o miolo do campo terá as opções necessárias para enfrentar nova época. Opções que deem resposta às necessidades - não apenas até às "finais" mas até às conquistas.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O calendário do título - análise e comentários

No post anterior listei todos os jogos do Benfica e do Porto até ao fim do campeonato.

Este calendário dá-nos uma ideia do que nos espera e permite-nos alguma reflexão, que passaremos a fazer.

Note-se porém que há ainda que acrescentar os jogos europeus (que serão mais ou menos em função do apuramento ou não das duas equipas para as fases seguintes das competições) com o que isso implica em termos de recuperação física e gestão dos plantéis.

Sempre que possível faremos a referência a esses jogos, para termos um quadro ainda mais completo da presente época.

Os primeiros factos a salientar são os seguintes:

1) O Benfica joga mais vezes em casa e o Porto mais vezes fora.

Benfica - 8 jogos em casa, 6 fora.
Porto - 6 jogos em casa, 8 fora.

2) O Benfica acaba o campeonato em casa, o Porto fora.

Benfica - termina o campeonato em casa, contra o adversário teoricamente mais fraco.
Porto - termina o campeonato fora, contra a actual equipa sensação da prova.


3) O Benfica jogará dois jogos seguidos em casa, jornadas 19 e 20 e o Porto dois jogos seguidos fora, jornadas 23 e 24.

4) O Porto tem teoricamente mais jogos difíceis.

Benfica - joga com dois grandes, um casa, outro fora.
Porto - joga com 3 grandes, dois em casa, um fora.

5) O Porto tem a vantagem de receber o Benfica a uma jornada do fim, o Benfica tem a desvantagem inversa.

6) Porto tem vantagem em ter um menor número de jogos até ao fim da época.

Benfica - está neste momento em todas as provas (3 nacionais mais Liga Europa).
Porto - já só está no campeonato (em princípio será desclassificado da Taça da Liga) e na Liga dos Campeões.

Caso tal desclassificação se confirme, o Benfica jogará no mínimo mais dois jogos nas competições nacionais (2ª mão das meias-finais da Taça de Portugal e meia-final da Taça da Liga em Braga) e no máximo mais 4 (aqueles jogos mais as finais das competições).

7) Salvo alguma quebra pronunciada ou deslizes inesperados de alguma das equipas, cenários seguramente possíveis mas nesta altura não muito prováveis, o jogo no estádio das antas será decisivo - a vitória de uma das equipas pode significar o título.

Listados os factos, vamos à análise.

Em primeiro lugar, em relação às competições europeias, o Benfica defronta o Bayer Leverkusen num calendário teoricamente favorável em termos de campeonato: a 1ª mão é dia 14, depois do jogo com o Nacional (que deverá ser antecipado para sábado dia 9), seguindo-se um jogo em casa com a Académica. Logo depois jogaremos a 2ª mão (em casa), após o que jogamos novamente em casa para o campeonato, desta vez com o Paços. Ou seja essa eliminatória calha numa boa altura e não deverá interferir demasiado com os jogos da Liga, que não são de grau máximo de dificuldade.

Já em relação ao Porto as coisas são um pouco diferentes: se na 1ª mão, a 19 de Fevereiro, não tem grandes problemas (antes vai a Aveiro e depois recebe o Rio Ave) já a 2ª, a 13 março (fora), surge antes da sua visita à Madeira para defrontar o Marítimo. Na jornada seguinte (duas semanas depois, pois o campeonato pára por causa da selecção) irá a Coimbra jogar com a Académica e na outra recebe o Braga. Serão jornadas complicadas para o Porto, sobretudo se passar a eliminatória com o Málaga. É que os jogos dos quartos são a 2 ou 3 e 9 ou 10 abril, sendo que os jogos com Académica e Braga se jogarão precisamente nesta altura.

A partir daí já tudo é demasiado hipotético.

A esta distância, olhando para este calendário, o que podemos dizer não vai muito além do óbvio: as coisas estão muito equilibradas e qualquer deslize pode ser fatal. O calendário do Benfica é mais favorável do que o do Porto, até considerando a altura em que calham os jogos europeus. No entanto tem sobre o Benfica a vantagem de jogar em sua casa o jogo que poderá ser decisivo.

O ideal para nós era chegar a esse jogo já com uma boa vantagem na classificação. Olhando para os jogos até lá, é certo que a deslocação a Guimarães, a deslocação a Alvalade e as duas deslocações seguidas à Madeira e a Coimbra (com jogos europeus e uma paragem no campeonato pelo meio), assim como a receção ao Braga são as jornadas em que parece mais possível o Porto perder pontos. Para que isso possa acontecer, precisamos porém e antes de mais nada de ganhar os nossos jogos.

Um última curiosidade, que nos pode ajudar a enfrentar a segunda e decisiva metade da maratona competitiva em que nos encontramos: faltam disputar 14 jornadas deste campeonato mas é quase certo que o campeão ficará decidido à 29ª jornada. Até lá faltam 12 jogos. Se os ganharmos muito dificilmente deixaremos de ser campeões. O primeiro é no Domingo. Eu estarei lá. E vocês?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Implicações da derrota do Barcelona em Glasgow

As contas da Champions para o Benfica começaram a complicar-se muito quando perdemos um jogo que não podíamos perder (em Moscovo) depois de dois resultados absolutamente normais: empatar em Glasgow com o Celtic e perder em casa com o Barcelona.

Recordo aliás o seguinte:

quando empatámos em Glasgow na primeira jornada, várias foram as vozes que disseram que o Benfica tinha "obrigação" de fazer melhor, de ser mais ambicioso, até porque o Celtic era "a equipa mais fraca do grupo", como a exibição do Spartak em Nou Camp (chegou a estar ganhar) "demonstrava".

Uma semana depois, o Celtic foi a Moscovo vencer o Spartak. Evidentemente foi uma surpresa, muito embora o resultado tenha acontecido em circunstâncias especiais (o Spartak viu um jogador seu ser expulso). Esse resultado ditou o Benfica ficar na situação que descrevi aqui: não podia perder em Moscovo. Infelizmente fizemos uma péssima exibição, cometemos erros técnicos e tácticos de palmatória e perdemos mesmo.

A partir daí restáva-nos vencer os jogos em casa e esperar que o Barcelona fizesse o que fizera na Luz e vencesse os jogos com os nossos adversários. Mais uma vez, isso não aconteceu: nós realmente vencemos e muito bem o Spartak mas o Barça perdeu na Escócia. O que nos leva para o seguinte cenário:

Classificação



Faltando jogar:

Dia 20/11                              Dia 5/12

Benfica-Celtic                      Barcelona-Benfica
Spartak-Barcelona                Celtic-Spartak

Neste momento, teoricamente, ou melhor matematicamente, todas as equipas têm ainda chances de se apurar e o Barcelona pode mesmo ainda ir parar à Liga Europa.

Para tal ser necessário (o Barcelona ser relegado para a Liga Europa), "bastaria" os catalães perderem os seus dois jogos, o Benfica vencer o Celtic e este vencer o Spartak. Faríamos 10 pontos e o Celtic também contra os atuais do Barcelona. O próprio Spartak, se vencesse os dois jogos alcançaria 9 pontos.

As contas que porém nos interessam a nós, mais realistas, são estas: o Benfica tem que vencer o Celtic (igualando-o em pontos e adquirindo vantagem no confronto direto) e depois não fazer no jogo contra o Barcelona pior que o Celtic fizer em casa contra o Spartak.

Ou seja, não dependemos de nós e inclusivamente as probabilidades estão contra nós. Mas atenção: já houve várias surpresas neste grupo. Nessa medida o que é absolutamente necessário é que o Benfica vença o Celtic em casa, como tem todas as condições para fazer. A partir daí todos os cenários se tornam possíveis. E a partir daí uma outra coisa quase se garantirá (embora não ainda matematicamente): a continuidade na Europa, ainda que na Liga "secundária".

Uma última nota, o Celtic demonstrou ontem uma coisa que se sabe há muito: não há equipas imbatíveis. O que mais me incomodou no nosso jogo contra o Barcelona em casa foi o sentimento de inevitabilidade da derrota, a falta de crença, quer do treinador e dos jogadores até ao público da Luz. Com uma outra atitude (sobretudo faltou alguma agressividade, jogar um bocadinho mais duro, fazer sentir aos jogadores do Barcelona uma outra presença física), podíamos ter alcançado um resultado diferente. Mas assim não aconteceu e agora estamos aqui.

E "aqui" importa primeiro vencer o Celtic e depois pensar no jogo com o Barcelona como um jogo de futebol - em que tudo pode acontecer. Mas as coisas não acontecem sozinhas. É preciso conquistá-las.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Fim do Euro - as previsões e a realidade

Terminou no Domingo o Euro, com um vencedor previsível e um resultado inimaginável.
Mais uma vez dou-me ao trabalho de confrontar as previsões com a realidade. É um exercício que à partida parece absolutamente inútil, mas que me dá algum gozo intelectual.

Em primeiro lugar, na sondagem que promovi, perguntando qual o principal favorito à vitória, seleccionei 7 equipas. Seis delas estiveram nos quartos de final. Não podiam estar as 7 pois a Holanda (eliminada na fase de grupos), Portugal e Alemanha faziam todas parte do Grupo B. Estiveram, além das outras 6 que escolhi, a República Checa e a Grécia.

A Holanda foi a principal desilusão do campeonato, creio que por 3 razões: o vedetismo dos seus jogadores e o mau ambiente entre eles; a boa prestação de Portugal e da Alemanha; a derrota no primeiro jogo com a Dinamarca, que abanou muito a equipa e a deixou numa situação quase desesperada. Aliás, depois deste resultado, considerei que a Holanda tinha perdido o seu estatuto de favorita.

A segunda grande desilusão foi a Rússia, sobretudo pelas expectativas criadas após o primeiro jogo. A Rússia vence a República Checa por 4-1 e esta última acaba por estar nos quartos de final, em detrimento daquela.

Quanto à França e à Inglaterra, confirmaram que neste momento não têm futebol para mais. Os quartos de final que alcançaram correspondem ao que podiam ambicionar e como tal ao expectável.

Dos resultados da referida sondagem verifica-se que a Espanha foi dada como favorita pela maioria dos visitantes deste blog, seguida de Portugal e da Alemanha. Ou seja, três dos semi-finalistas foram apontados como os principais favoritos, com o vencedor a ocupar a primeira posição (note-se que a sondagem foi fechada antes do início do Euro).

No que os participantes na sondagem não acertaram foi no grau de favoritismo atribuído à Itália. Apesar da qualidade dos jogadores estar muitos furos abaixo da última squadra vencedora (Mundial de 2006), que contava com Del Piero, Totti, Toni, Inzagui, Gattuso, Nesta, Canavarro, Zambrotta, a verdade é que a Itália é sempre uma selecção muito competitiva, que se transcende nestes campeonatos em que se jogam poucos jogos e a atitude mental é decisiva. A Itália costuma ir em crescendo e assim aconteceu em grande medida. Com um Pirlo em alto nível e uma equipa sofredora mas também positiva na abordagem aos jogos, qualificou-se com dificuldade, com uma vitória suada frente a uma Irlanda combativa, venceu a Inglaterra nos quartos como era previsível (embora com a sorte dos penalties, resultado de uma atitude ultradefensiva da Inglaterra que não se pode criticar, pois era a que melhor lhe servia), e desmantelou defensivamente a Alemanha nas meias.

No fim da primeira jornada, no link acima citado, considerei:

"Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição".

Para além da Espanha, que fica para último, e de Portugal, que merece artigo separado, falta-me falar da Alemanha. O que aconteceu à Alemanha?

Na minha opinião, aconteceu Joachim Low. É verdade que Low conseguiu levar a Alemanha à final do Euro 2008, depois de derrotar Portugal por 3-2 nos quartos e a Turquia pelo mesmo resultado nas meias. Conseguiu colocar a Alemanha a jogar um futebol atacante e atrativo, espectacular mesmo, como aconteceu em 2010 nas vitórias de 4-1 sobre a Inglaterra e de 4-0 sobre a Argentina. Mas em ambas as competições perdeu com a Espanha por 1-0, na final do Euro 2008 e nas meias do Mundial de 2010. Neste último torneio conquistaria o 3º lugar após derrotar o Uruguai (em 2006, com Klinsmann, a Alemanha tinha igualmente sido 3ª, nessa altura vencendo Portugal por 3-1).

Desta vez, a Alemanha tinha uma oportunidade de ouro para chegar à final, pois jogou contra a Itália mais fraca dos últimos anos. No entanto, Low cometeu a meu ver erros catastróficos para a sua equipa: depois de rodar excessivamente a equipa contra a Grécia, voltou inexplicavelmente a deixar Muller no banco contra a Itália e substituiu os dois pontas de lança ao intervalo. Tirar do jogo um dos melhores pontas de lança do mundo (Gomez) quando se está a perder por 2-0 deu no que deu. Por isso, sem tirar mérito à Itália pela passagem à final, há que atribuir um enorme demérito ao treinador alemão que voltou a deixar escapar uma grande oportunidade de levar a Alemanha de volta aos títulos.

Por fim, em relação à Espanha, há que reconhecer a qualidade dos seus treinadores e jogadores. Não é certamente por acaso, nem por mera sorte, que se vencem 3 torneios seguidos. E no entanto, não deixa de ser verdade que a Espanha é feliz ao bater Portugal nos penalties, tal como o tinha sido em 2008 ao bater a Itália, também por 4-2. Para vencer há que ter a sorte que, infelizmente, nós parecemos não ter, mas a esse assunto voltarei depois. Quanto à Espanha para além dessa ponta de sorte há um mérito muito grande, alicerçado numa qualidade de posse de bola e uma precisão no passe que custam a crer. Iniesta, Xavi e Xabi Alonso fazem um meio campo quase indestrutível. Depois, quando perde a bola, a Espanha tem uma capacidade de pressão que não tem paralelo, em nenhuma outra equipa de futebol do mundo. A sua ocupação dos espaços é simplesmente imaculada. E tudo com jogadores "levezinhos".

É "oficial": por muito que nos custe (e a mim custa-me bastante) a Espanha é a melhor selecção de todos os tempos.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Euro 2012 - 1ª Jornada: pouco futebol e pouco dos favoritos.

A 1ª jornada da fase de grupos trouxe poucos golos e pouco futebol. Estamos numa fase ainda prematura da competição mas temo que o futebol cauteloso e defensivo venha a predominar.
Portugal foi aliás um exemplo disso mesmo, embora tenha como atenuantes o facto de não dispor já da qualidade de outros tempos e de ter defrontado uma das selecções mais forte. Negativo ainda é o facto de se ter já assistido a cenas de violência, esperando-se que elas não se repitam hoje, num jogo de alto risco entre a Polónia e a Rússia (19.45h na SIC).
De entre os favoritos, reconheço que a Espanha demonstrou poderio, frente a uma Itália cuja qualidade nunca pode surpreender quem acompanha regularmente o futebol. A este propósito assinalo que na sondagem que aqui promovemos, aqueles que votaram atribuiram o maior favoritismo à Espanha, seguida de Portugal, Alemanha e Holanda. Quase ninguém apostou na Itália, na França e na Inglaterra.

Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição. Que Holanda e Portugal dependem dos jogos de amanhã para se manterem na competição e que se o conseguirem poderão ganhar uma dose extra de ânimo que lhes permita intrometerem-se entre os favoritos (Holanda perdeu para mim esse estatuto com a derrota com a Dinamarca e as evidentes divisões no plantel, ao passo que Portugal, na minha opinião, sempre foi um outsider). E finalmente, que a Rússia poderá chegar às meias finais, tal como, dependendo do sorteio e considerando que joga em casa, a própria Ucrânia.

Já a Polónia mostrou muito pouco na 1ª jornada e uma derrota hoje significará o adeus prematuro - e doloroso para os adeptos - ao Euro. É verdade que Portugal organizou o Euro em 2004 e que perdeu na primeira jornada, precisamente contra a Grécia (Polónia empatou, mas contra 10). Também é verdade que seguidamente jogou, sem qualquer margem de erro, com a Rússia - exactamente como a Polónia. Simplesmente as semelhanças acabam aí - Portugal tinha uma equipa de luxo e a Rússia não tinha a qualidade de hoje. Antevejo portanto más notícias para a Polónia, mesmo que elas não sejam definitivas já esta noite.
Quanto ao jogo das 17.00h, transmitido apenas pela Sporttv, antevejo equilíbrio. São duas selecções muito diferentes (uma que gosta de atacar, outra que joga no erro adversário) mas que se por via do aspecto táctico se poderão quase equivaler. A República Checa tem muito pouca margem de erro mas a Grécia também sabe que uma derrota a deixa numa situação quase desesperada. Em termos de previsão, parece-me apesar de tudo que a República Checa é mais forte e poderá vencer. Resta ao nosso Fernando Santos montar um esquema que faça com que isso não aconteça.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Euro 2012 - últimos a entrar em campo



Jogam-se hoje os dois últimos jogos da primeira jornada da fase de grupos do Euro 2012. Entrarão em campo França, Inglaterra, Suécia e o segundo país anfitrião Ucrânia.
Antevê-se um dia interessante sobretudo por via do França-Inglaterra às 17.00h. São dois rivais históricos que não têm estado bem nas últimas fases finais. Em relação à Inglaterra, muito embora continue a ocupar um lugar importante no panorama do futebol mundial, a verdade é que há décadas que está arredada dos jogos decisivos, mais ainda dos títulos. Na realidade venceu apenas o Mundial de 66 e sabemos como. De resto os ingleses queixam-se de uma mão de Maradona em 86 e de um golo não sancionado há dois anos contra a Alemanha. É pouco.
Já a França após os títulos de 98 (Mundial) e 2000 (Euro) voltou "apenas" a estar na final do Mundial de 2006 (perdida com a Itália, na última participação da geração de Zidane), não tendo passado da fase de grupos nos dois últimos torneios.
São portanto dois outsiders, a Inglaterra ainda mais do que a França.
A minha previsão é a de que haverá golos e um jogo interessante. A Inglaterra poderia tentar capitalizar a vitória do Chelsea na Champions (ainda que sobretudo a nível psicológico na medida em que ela foi conseguida sobretudo graças a jogadores não ingleses) mas esse factor ter-se-á em larga medida dissipado por efeito de lesões muito penalisadoras: Lampard, Barry e Cahill.
A França tem neste momento mais mecanismos de equipa e mais qualidade em termos de jogadores, com destaque para Evra (que, em contraste com o valor futebolístico, parece dado a episódios caricatos), Ribéry e Benzema.
Não posso portanto deixar de antecipar uma vitória da França, apesar da imprevisibilidade do futebol, acentuada neste tipo de confrontos históricos.
O jogo França-Inglaterra é transmitido às 17.00h na TVI.

Interessante será também o jogo seguinte, sobretudo por permitir dar a conhecer a selecção da Ucrânia, país anfitrião, cujo valor é em larga medida uma incógnita. Já a Suécia tem desiludido nos últimos anos, parecendo demasiado dependente de Ibraimovic. Não considero existir um favorito claro, pelo que, jogando "à defesa", aposto num empate.

domingo, 10 de junho de 2012

Dia 3 - antevisão

Dois jogos interessantes em perspectiva, embora muitíssimo diferentes.

Espanha-Itália é um jogo entre o maior favorito da prova e um favorito a qualquer prova. O resultado é totalmente imprevisível, até porque (que eu me lembre) a Espanha nestes dois últimos campeonatos que venceu apenas jogou contra uma selecção latina e foi precisamente Portugal. Apesar das limitações da nossa selecção de há dois anos, perdemos por 1-0 e poderíamos até ter conseguido o empate. Já depois disso vencemo-la num jogo particular por estrondosos 4-0!

Espanha vai jogar contra uma equipa cínica e matreira que não lhe vai facilitar a vida de modo nenhum.
Nestes casos o prognóstico mais seguro é o do empate. É um prognóstico à defesa, é verdade, mas trata-se realmente de um jogo de tripla.

Já o jogo seguinte entre a Irlanda e a Croácia coloca em jogo duas das equipas mais fracas do Europeu. Se a Croácia ainda tem qualidade técnica, a Irlanda nem isso. Está qualificada unica e exclusivamente por "culpa" de Trapattoni. A Croácia gosta de atacar e a Irlanda gosta de defender, pelo que não me surpreenderia se esta última vencesse, a jogar em contra-ataque.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Euro 2012 - Polónia-Grécia e Rússia-República Checa. Antevisão.

Grupo A - 1ª Jornada

Polónia-Grécia

É um jogo que aponta para empate. A Polónia joga em casa mas a Grécia tem mais futebol. Estando num grupo onde à partida a Rússia (treinada por Advocaat, também holandês, como Hiddink) parte com vantagem, existindo ainda a República Checa, adversário que sempre tem qualidade, Polónia e Grécia sabem que uma derrota neste primeiro jogo poderá ser altamente comprometedora. Ambas as equipas serão cautelosas e com toda a probabilidade privilegiarão a segurança defensiva. A haver vencedor inclino-me para dizer que será a Grécia.

Rússia-República Checa

Duas equipas semelhantes, no valor e na tecnicidade do seu futebol. Penso que a Rússia está mais forte. Antevê-se jogo bastante mais atacante do que o anterior, com golos.

Euro 2012 - Pontapé de saída

Começa hoje, na cidade de Varsóvia o Euro 2012. 16 equipas partem para a competição com ambições mais ou menos realistas. Para além do lote de favoritos (os principais, Espanha, Alemanha e Holanda e os outros França, Itália, Portugal e a própria Inglaterra) há que contar com a Rússia e as próprias selecções anfitriãs, Polónia e Ucrânia. Embora as probabilidades destas últimas estarem na final não seja elevada, há que contar com o factor casa (que se aplica de certo modo à própria Rússia), pelo que não será surpreendente se uma delas estiver nas meias finais.
O Euro começa precisamente com a Polónia a receber a Grécia (Grupo A), treinada por Fernando Santos. Desta selecção há a salientar a excelente fase de qualificação, a experiência do treinador português, o facto de ter vencido a competição há 8 anos e ainda o factor crise - o desejo de dar tudo pelo seu país para animar os compatriotas. A favor da Polónia joga o factor casa, sendo de resto uma selecção relativamente desconhecida... até dos gregos. O jogo é às 17.00h, com a transmissão RTP a começar às 16.30h. Às 19.45h jogam a Rússia e a República Checa (também do Grupo A) sem direito a transmissão televisiva em canal aberto.

O ser humano é naturalmente atraído pelo desejo de conhecer o futuro. As múltiplas previsões, desde as casas de apostas até às estranhas rábulas com animais (polvos, elefantes e até porcos) que se fazem por estes dias atestam, embora de forma um pouco degradada, essa aspiração, que data já da antiguidade. Na altura questionavam-se os deuses e as pitonisas, perscrutravam-se os céus e os astros, interpretavam-se sonhos e visões. O desejo de conhecer o futuro levou mesmo a indagações filosóficas, desde Aristóteles até aos filósofos modernos, passando pelos medievais que elaboraram uma doutrina dos "futuros contingentes". Apesar de todos os progressos da ciência e da quantidade de informação sobre o mundo material que ela possui, determinar o futuro persiste uma tarefa impossível.

Há sempre o imponderável. No futebol o imponderável é a sorte, a decisão do árbitro, um acto irreflectido ou negligente de um jogador que deita tudo a perder para a sua equipa. Por isso qualquer previsão é simultaneamente válida e irrealista. Sabemos a sua inutilidade, a sua irrelevância mas não deixamos de as fazer. Aliás, ao pé da crise, dos problemas, das grandes questões que se colocam à humanidade, o que é o futebol? A resposta mais simples é: uma diversão, algumas horas de prazer lúdico, de descontração. O jogo, a diversão são factores relevantes das nossas vidas. As "previsões" enquadram-se nesse âmbito.

Venha então o Euro e, para quem gosta, as previsões. Os resultados da sondagem deste blog (na barra direita) serão objecto de um post e no fim veremos em que medida eu próprio (que seleccionei o lote de favoritos) e os participantes estávamos perto ou longe do que virá a acontecer.

A bola começa a rolar dentro de menos de duas horas.