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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mourinho - grande mestre em xadrês




A exibição do Chelsea na passada segunda-feira em Manchester e a consequente vitória, que poderia ter sido mais dilatada, constituiu provavelmente a maior lição táctica que já vi no futebol.

O Manchester City estava numa forma impressionante, cilindrando adversário após adversário e contava por vitórias todos os jogos disputados em casa. Entre esses resultados contavam-se: 4 ao Newcastle, 4 ao United, 3 ao Everton, 6 ao Tottenham e mais 6 ao... Arsenal! Na jornada anterior, o City tinha ido a Londres "dar" mais 5 ao Tottenham ao passo que o Chelsea empatara em casa com o West Ham.

Antevia-se portanto um jogo muito difícil para o Chelsea e uma missão quase impossível para parar o ataque dos cidadãos e manter a melhor defesa da prova.

Antevi aqui uma táctica ultra-defensiva por parte de Mourinho, fechando todos os caminhos da sua área. No entanto não foi isso que aconteceu. Mourinho mostrou que realmente é único no panorama do actual futebol e montou uma estratégia que podemos catalogar de perfeita para este jogo.


Com efeito, o treinador português dispôs a sua equipa em campo como se fossem peças num xadrês, tirando e quase anulando a iniciativa do adversário e sendo capaz de jogar no respectivo meio campo, construindo bastante jogo e oportunidades de golo, quer em ataque organizado e sempre muito apoiado quer em contra-ataque. 


A sua equipa foi um modelo de equilíbrio e solidez que mereceu amplamente a vitória. Em raras ocasiões se terá visto uma influência tão directa e evidente de um treinador no desempenho da sua equipa e no desfecho do jogo. O City foi absolutamente impotente para vencer este Chelsea e se ainda teve oportunidades, no fim do jogo, para alcançar outro desfecho isso deveu-se apenas ao facto da sua equipa ter sido infeliz em várias ocasiões não conseguindo aumentar a vantagem como merecia. 

O Chelsea actou num 4-2-3-1, que tem sido o sistema predilecto de Mourinho no Chelsea, com David Luiz e Matic a fazerem uma "parede" às investidas do City e a impedirem o tal jogo "entre linhas" de que agora tanto se fala e no qual o City é fortíssimo. Os "carroceis" de Silva e do próprio Touré raramente aconteceram (quando o conseguiram criaram as poucas oportunidades de que dispuseram no jogo) e quando o Chelsea saia para o contra-golpe Hazard e William, apoiados por Ramirez, eram sempre setas apontadas à defesa adversária tal a sua velocidade e capacidade. 

É curioso como Mourinho adaptou David Luiz a esta posição com mais sucesso do que os seus antecessores. Como eu aqui disse há algum tempo, não é possível ter um jogador como David no banco durante muito tempo, não faz sentido, é um desperdício e acaba por ser insustentável. Mourinho aceitou por isso a "adaptação", tanta vezes criticada pelos analistas e adeptos, e os resultados estão a ser bons. 

Com esta táctica, Mourinho também consegue ter em campo vários centro campistas, vários jogadores que vão atrás da bola e lutam quando a sua equipa defende.


Para surpresa de alguns, mas não certamente dos benfiquistas, Matic foi o homem do jogo, apesar das excelentes exibições de Cahill, Terry, Hazard e Willian (já Ramirez pareceu-me com menos fôlego do que habitualmente). De facto o sérvio acabou por ser a peça chave do jogo, aparecendo nos espaços de Touré, no centro da sua área a defender, a sair com a bola e passá-la e até no ataque, nomeadamente com um pontapé portentoso que levou a bola ao poste. 


Foi o gigante a que estávamos habituados no Benfica.

Mestre da táctica, Mourinho é igualmente mestre no bluff e nos jogos psicológicos que são também importantes no xadrês para distrair e desorientar o oponente. Após o jogo afirmou que quem fizera a palestra fôra o massagista e continua a dizer que o Chelsea não é candidato ao título, apesar de estar em igualdade pontual com o 2º, que acabou de bater pela segunda vez esta época (na primeira teve sorte, há que o reconhecer) e a escassos 2 pontos do Arsenal, que esta jornada vai ao terreno do Liverpool. 

Penafiel-Benfica e outras notas soltas

Diz "A Bola" que o Penafiel-Benfica de hoje (19.00h) pode não se realizar devido ao estado em que o relvado se encontra depois do dilúvio de ontem.

Se fosse o jogo fosse do Porto e Proença fosse chamado podíamos estar certos de que não se realizaria, mas situações dessas só estão ao alcance dos melhores do mundo...

Assim quer-me parecer que haverá mesmo jogo, pelo que é bom que os jogadores estejam mentalizados de que esta partida não é para nota artística. 

Por outro lado não me parece que convocar todos os habituais titulares seja a melhor opção, uma vez que temos um jogo decisivo para o campeonato (prioridade da época) dentro de 4 dias e com um terreno como este os jogadores sofrerão fortíssimo desgaste. Esperemos que ainda assim exista alguma gestão.

Curioso ainda que se o jogo acabasse mesmo por não se realizar, Siqueira não cumpriria castigo pelo que não poderia jogar contra o Sporting.

Por falar em gestão de plantel, gostei imenso do golo e da exibição de Miguel Rosa, possivelmente o melhor em campo no jogo do Belenenses frente ao Braga. Gosto muito deste jogador, que espero que continue a ter sucesso na sua carreira e que ajude este ano o Belenenses a manter-se na 1ª divisão.

Nota também para um outro grande jogador, Matic, eleito igualmente o melhor em campo, na vitória do Chelsea em Manchester, assunto a que voltaremos ainda noutro post.

Escreveremos também em breve sobre as modalidades e nomeadamente o que se passou este fim-se-semana no hóquei em Valongo.


Por fim, não resisto a trazer para aqui um outro assunto extra-futebol e extra-Benfica. 


O que foi isto? Alguém consegue explicar?? Se ainda não sabem o que é um inconseguimento não percam este vídeo! 

http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=98490



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

André Gomes e as contratações de Inverno

Faltam três dias para o fecho do mercado de Inverno e parece agora certa a saída de André Gomes que se juntará a Matic.
Embora não tenha havido (tanto quanto sei) confirmação oficial por parte do Benfica, o passe do jogador terá sido de facto vendido ao empresário Jorge Mendes por valores da ordem dos 15 milhões de euros, abrindo a potra a que este possa agora negociar com clubes interessados a transferência do atleta.
Entre estes clubes perfilam-se, pelo menos, o Mónaco e o Liverpool. A imprensa inglesa e internacional em geral dá conta deste interesse.

A confirmar-se é algo que lamento. André Gomes é um jogador que gosto muito de ver actuar (embora não tenha tido muitas oportunidades de o fazer este ano) e penso que com a saída de Matic se abria mais espaço para a sua afirmação. É, até ver, o "produto" mais conseguido da formação. Tem uma técnica muito apurada, muita qualidade a tratar a bola e visão de jogo. É também um jogador bastante alto (1,88 m), o  que à partida é mais um dado a seu favor. Não é muito rápido e por vezes não é suficientemente "intenso" como agora se diz. Penso que é por isso que Jorge Jesus não apostou mais nele.

Dito isto, claro que 15 milhões de euros é uma quantia muito considerável, sobretudo por um jovem jogador cujo valor não está ainda definitivamente estabelecido. Veremos o que o futuro trás e se a nossa formação é capaz de produzir mais jogadores com a sua qualidade e características.

Este período de transferências teve até agora como pontos mais significativos as transferências de Matic e Mata, ambas envolvendo o Chelsea.

Segundo se diz em Inglaterra, o Manchester United estaria interessado no sérvio para reforçar o seu meio campo, que tem denotado fragilidades. Sabendo desse interesse, o Chelsea ter-se-ia antecipado (não sendo claro se havia alguma cláusula ou acordo de cavalheiros que dava preferência ao clube londrino no caso de um regresso a Inglaterra) contratando o jogador. 

Na realidade o Chelsea não tinha uma necessidade imediata de contratar Matic, uma vez que tem para jogar no meio campo Ramirez, Lampard, Obi Mikel e o próprio David Luiz. Até ontem, o Chelsea tinha ainda Essien, mas o veterano jogador transferiu-se para o Milan.

Outra transferência marcante é a de Mata, cujos valores parecem muito exagerados. Na realidade transferências entre clubes grandes em Inglaterra costumam motivar uma inflação dos montantes envolvidos. No caso o Chelsea até tinha pago uma verba também elevada (26 milhões de euros) quando há duas épocas o contratou ao Valência. Seja como for, duvido que seja o jogador que vai resolver os problemas do Manchester United, cuja época tem sido penosa.

Para o Benfica, os melhores "reforços" de Inverno seriam sem dúvida Cardozo e Sálvio. Não vejo no mercado ninguém melhor do que eles.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A saída de Matic: 4-3-3 ou 4-4-2 ?

O meio campo do Benfica é um tópico sobre o qual já escrevi uma série de posts. Não tendo eu pretensões a ser um especialista em táctica, a observação e análise das transformações que se têm verificado naquele sector desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica não deixam de me interessar e merecer algumas considerações.

Desde então o Benfica já teve os seguintes "meios-campos":

2009/2010

Javi Garcia como trinco, apoiado por Ramirez (que fazia o corredor direito, ao passo que Di Maria ficava no esquerdo) e Aimar a construtor de jogo (tratava-se de um 4-4-2 no qual não apenas um dos alas mas o próprio 2º avançado, no caso Saviola, baixavam para dar algum equilíbrio à equipa)

2010/2011

Com a saída de Ramirez (e Di Maria), JJ foi tentando várias soluções que alternou, para colmatar o desequilíbrio que se gerou. Por exemplo colocar ou César Peixoto ou Rúben Amorim nas alas ou ainda Carlos Martins no meio ao lado de Javi. No entanto, com a afirmação definitiva de Gaitan e Sálvio nas alas, a dupla Javi Garcia (indiscutível)-Aimar acabou por ser  mais habitual. Era um 4-4-2 muito marcadamente ofensivo que deu resultados muito negativos numa época para esquecer. 

2011/2012

Chegaram ao Benfica no início dessa época Matic (incluído no negócio de David Luiz que saíra a meio da época anterior, no fim do período de transferências de Janeiro) e Witsel. Este impôs-se na equipa rapidamente e o meio campo passou a ter uma composição mais equilibrada: Javi e Witsel complementavam-se muito bem. Ao passo que Aimar era um criativo sem presença no meio campo (pouca capacidade de choque, pouco poder de recuperar bolas e o próprio posicionamento muito avançado, perto dos pontas de lança), Witsel era o chamado "box-to-box", com uma presença física importante no meio campo. Foi uma época melhor do que a anterior na qual o campeonato se perdeu devido a arbitragens miseráveis e ao esgotamento físico dos jogadores (não houve quase rotação). 

2012/2013

A época passada começou com a mesma dupla no meio campo mas antes do fecho do período de transferências Javi e Witsel foram transferidos. Imaginava-se o pior mas a verdade é que foram substituídos por Matic e Enzo e a equipa ficou ainda mais forte. Matic demonstrou uma capacidade extraordinária para não apenas ser o "novo" Javi Garcia como ainda lhe juntar alguns dos predicados de Witsel. Enzo por seu turno é um grande futebolista, para mais muito raçudo e de alta rotação.

2013/2014?

Com a saída de Matic a solução que me parece mais provável é a sua troca directa por Fedja. Existem obviamente outras possibilidades, incluindo a do Benfica adoptar um 4-3-3 tal como já aconteceu esta época, abrindo-se então espaço para Rúben Amorim. A minha aposta vai porém para Fedja, pelos seguintes motivos: é um jogador mais forte e com mais capacidade de choque do que Amorim; tem rotina da posição e poderá, sublinho poderá, dar mais garantias em termos defensivos. Agora Fedja é claramente um jogador com mais dificuldades a construir, com menos velocidade, um jogador mais ao estilo de Javi do que de Matic. Mas, como se vê pela amostra, o meio campo do Benfica tem mudado constantemente ao longo dos anos (certamente também pela valorização dos jogadores que lá actuam) pelo que não há razões para pânico. Com solidariedade entre os jogadores acredito que a qualidade existente no plantel permitirá suprir esta perda. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quem sairá até ao fim do mês?

A menos de um mês do encerramento do mercado, o Benfica já conseguiu resolver alguns casos "bicudos" (Sidney, Kardec e alguns outros) através de empréstimos (nalguns casos com contrapartidas financeiras interessantes) mas ainda não vendeu nenhum jogador.

Entretanto já entraram 11 jogadores (um deles por empréstimo).

Não há porém ainda nenhuma venda, o que para um clube que - diz-se - terá que realizar 50 milhões começa a ser preocupante.

O caso Cardozo arrasta-se  mas aparentemente estará encaminhado (aparentemente o Benfica irá vender o jogador por 12+3 milhões). Para um jogador que fez tantos golos pelo Benfica é uma verba muito pequena. Aliás o Benfica pedia inicialmente 17 milhões, verba um pouco mais consentânea com o valor do jogador.

Garay já estava "vendido" ao Manchester United desde o ano passado (era o que constava) mas por alguma razão continua a não integrar o respetivo plantel.

Depois temos o caso de Gaitan que todos os anos vai sair, pois os dois clubes de Manchester estão loucos por ele, cada um oferecendo mais do que o outro, mas que acaba sempre (felizmente) por ficar.

Agora temos o caso Sálvio. De acordo com alguma imprensa, o internacional argentino tem vários interessados, desde o Arsenal até mais recentemente ao PSG, passando pelo Manchester City e o Tottenham. Existiria, diz-se uma proposta em cima da mesa de 32 milhões de euros do PSG depois do Arsenal ter oferecido 30. 

A mim custa-me a crer (sem por em causa a grande qualidade do jogador acho valores muito elevados) mas veremos. 

Na realidade a questão do "valor" nem sequer se coloca. Um jogador "vale" o que o mercado quiser pagar. 

Veja-se o absurdo da transferência de Gareth Bale, um jogador que ainda nem querer deu provas como já tinham dado Ronaldo, Figo ou Zidane aquando das suas transferências milionárias.


A serem verdade as notícias, com a venda de Sálvio por 30 milhões, números redondos, a de Cardozo por 15 e a de Garay por 10 (por metade do passe), entrariam 55 milhões de euros na tesouraria, mais 5 do que se diz ser necessário.

Nesta medida, não seria "necessário" vender Matic.

Como diz o seu empresário, interessados existem... pudera. Trata-se de um enorme jogador. Quem não gostaria de ter Matic (e tantos outros jogadores do Benfica)? Quase nenhum clube europeu desperdiçaria a oportunidade de ter os mais talentosos jogadores do Benfica no seu plantel. É tudo uma questão de dinheiro. Nesta medida, em relação a Matic a direcção do Benfica deve ter uma e apenas uma postura: o jogador só sai pela cláusula de rescisão.

Cardozo poderá ser substituível (o tempo o dirá), Garay é um grande jogador mas creio que o Benfica ultrapassará bem a sua falta, Sálvio é um extremo de enorme qualidade, um jogador de topo mas, pelo menos para consumo interno, o Benfica conseguirá substituí-lo com os jogadores que tem no plantel. Já Matic é um jogador que não tem substituto. A sua saída obrigaria à contratação de dois jogadores. É a meu ver o único inegociável do Benfica.

PS1 - já depois de publicado este post vejo que o Porto ofereceu 1,2 milhões a Jackson Martinez para este renovar por aquele clube, aumentando a cláusula de rescisão de 40 para 60 milhões. O Porto percebe que o jogador é insubstituível e pretende não apenas colocar-se a salvo da saída do jogador por 40 milhões (que acham pouco para a sua valia) como simultaneamente dar um prémio ao jogador para que este não fique tão frustrado por não poder sair e melhorar as suas condições financeiras. Considero esta gestão do caso correcta.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Plantel ganha forma (mas mercado continuará aberto meses)

O Benfica está agora finalmente a reforçar os sectores mais fragilizados da equipa, designadamente as laterais e o centro da defesa.

É curioso que tendo na época passada chegado às finais das três competições mais relevantes (se por final entendermos, no que ao campeonato diz respeito, estar em 1º a duas jornadas do fim), tenhamos apesar disso sentido a necessidade de reforçar a equipa em todos os sectores.
É algo paradoxal: apesar do "quase" sucesso, havia afinal reconhecidamente fragilidades várias. 

No entanto, muito embora tenha contratado já 9 jogadores (a confirmar-se a vinda de Bruno Cortez, lateral esquerdo brasileiro), o Benfica continua a precisar de fazer pelo menos 2 contratações mais. 

As contratações que falta são para o meio-campo.
O problema da defesa está resolvido e o ataque poderá não ter mexidas, mesmo com a mais que provável saída de Cardozo.

Tal como assinala José António Saraiva na sua crónica de hoje no "Record", a contratação dos sérvios poderá significar um tipo de jogo um pouco diferente em que possivelmente não caiba um avançado mais fixo como Cardozo. Estamos a especular um pouco, é certo, mas a realidade é que contratar 3 jogadores com nome e qualidade como Djuricic, Sulejmani e Markovic para apenas um lugar na frente de ataque não faria muito sentido.

Já assinalei anteriormente que via Djuricic como sucessor de Aimar mas que JJ considera que este é mais do tipo de Saviola, um segundo avançado. Sendo essa também uma posição natural para Markovic e Sulejmani (que também jogam pelas alas, onde já existem varias opções), a contratação de um "novo Cardozo", a acrescentar a Lima, retiraria quase por completo o espaço de afirmação às novas contratações sérvias.

Creio portanto que não haverá mais contratações para o ataque, a não ser que apareça um "novo Weldon", isto é, um goleador "barato" e oportuno para jogar apenas alguns minutos quando as equipas adversárias se fecham muito e os jogos estão bloqueados.

O que nos leva à maior incógnita do próximo ano e sobre a qual já escrevi também alguns posts: o meio campo do Benfica em 2013/14. E aqui infelizmente teremos com toda a probabilidade que esperar pelo fecho do mercado. Já o ano passado assim foi com as saídas de Javi Garcia e Witsel e esta época a história poderá repetir-se com a situação de Matic.

Para estarmos a salvo de surpresas (até porque jogadores como Matic não aparecem todos os anos) seria boa ideia assegurar já a contratação de um centro campista que dê garantias e manter um outro já sob observação. É preciso notar que mesmo com Matic o Benfica sentiu a falta de um elemento adicional que pudesse substituir o sérvio quando necessário. Até para o lugar de Enzo deveria ter existido outra opção, dado que a aposta em André Gomes não foi consistente. A este propósito insisto: deveria apostar-se na prata da casa e dar-se uma oportunidade a Miguel Rosa.

Rosa é um centro campista que tem jogado sobretudo no meio campo ofensivo mas cujo talento será eventualmente escasso para assumir essa responsabilidade numa equipa como o Benfica. Mas sendo ele um jogador trabalhador e abnegado, creio que facilmente se poderia fazer a "adaptação". Se Jesus adaptou Enzo, Melga e o próprio Matic, porque não poderia adaptar Rosa?

É pequeno? E Moutinho? Será algum gigante? E Xavi, do Barcelona, será alguma torre?

Esta seria a meu ver uma opção que nos poderia resolver um problema sem custos e com a prata da casa. 

Resolvido até ver o problema da defesa, vislumbrando-se um novo ataque com múltiplas opções, é agora tempo de assegurar que o miolo do campo terá as opções necessárias para enfrentar nova época. Opções que deem resposta às necessidades - não apenas até às "finais" mas até às conquistas.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Meio campo do Benfica 2013/14

Como já assinalei anteriormente, o meio-campo do Benfica tem, ao longo dos 4 anos de comando técnico de Jorge Jesus, passado por várias versões.
A primeira versão foi a única campeã. Eis abaixo a equipa tipo desse ano.

Benfica versão 2009/10. 



Foi um modelo único e irrepetível, pois dependia muito das características e da qualidade dos intervenientes: da velocidade de David Luis, da capacidade de cobertura, pressing e ocupação dos espaços defensivos de Javi Garcia, do pulmão e dos equilíbrios gerados por Ramirez.

Este Benfica era tão forte - e tão rápido - que o jogo praticamente não se desenrolava no meio-campo. O Benfica asfixiava os adversários e estava a maior parte do tempo a atacar. As outras equipas quase se remetiam à defesa e a contra-ataques esporádicos. 

No ano seguinte, 2010/2011, saíram Ramirez e Di Maria (tal como Quim, substituído por Roberto). O esquema táctico manteve-se, mas apenas no papel pois a dinâmica era completamente diferente. As asas do Benfica campeão, Di Maria e Ramirez, tinham sido substituídas por Gaitan e Sálvio. Ora apesar destes serem bons jogadores, as características não eram as mesmas. Por um lado Gaitan, apesar de toda a sua qualidade e das suas arrancadas, não tem a velocidade de Di Maria e a capacidade de dar "esticões" como o seu compatriota. Por outro lado, Sálvio não fazia os equilíbrios defensivos que Ramirez fazia pelo que Javi Garcia começou a estar demasiado exposto, com a consequência do Benfica não conseguir ser uma equipa tão pressionante. Daí o aparecimento de César Peixoto na equipa (o que manifestamente não constituía uma solução para o grau de exigência em causa). Juntando Roberto a este quadro, estava preparada a receita para o desastre que aconteceu nos jogos em que o Benfica enfrentou adversários fortes, sobretudo fora de casa.

No ano seguinte, Jesus foi buscar Witsel, que inicialmente foi apresentado como um médio ofensivo. Muitos de nós benfiquistas pensámos que tal contratação era algo estranha, pois tínhamos já Aimar e Bruno César para o lugar, e o próprio Gaitan podia desempenhar tais funções. 

A verdade porém é que Witsel não veio propriamente substituir Aimar mas sim o esquema de jogo do Benfica, apesar de Jorge Jesus ter na altura afirmado que nada se alterara, apenas os jogadores. A realidade é que o meio-campo do Benfica passou a ter dois homens - Javi e Witsel. Com um Saviola cada vez menos produtivo, Aimar surgiu algumas vezes no apoio ao ponta de lança, Cardozo. Mas houve alguns equívocos, como Jara e, na defesa, Emerson.

Do esquema de 2009/10, que se pode classificar coma uma variante do 4-4-2 "diamante" com Javi a assumir as tarefas defensivas e Aimar as ofensivas e Ramirez a fechar no meio quando a equipa perdia a bola, passou-se a um 4-4-2 de pendor ofensivo mais convencional com os dois jogadores do corredor central a jogarem mais perto um do outro.

Esse esquema dos dois homens no meio não se alterou substancialmente com a saída dos dois titulares, já com o campeonato deste ano a decorrer. Com efeito, Javi foi substituído por Matic e Witsel por Enzo Perez. Sendo Matic mais tecnicista que Javi e Enzo mais esforçado e de maior rotação que Witsel, o Benfica teve um meio campo mais dinâmico, em que os dois jogadores se complementaram bem e alternaram nas subidas ao meio campo contrário, ao passo que no esquema anterior Javi era mais fixo e Witsel mais um médio de construção/equilíbrios.

Chegados a este ponto, estamos perante a possibilidade de Matic, face à extraordinária época que realizou, vir a sair. Por outro lado, Djuricic já está contratado, o que à partida parece apontar para um esquema mais parecido com o do primeiro ano.

Nesse esquema, Matic poderia desempenhar a função que Javi Garcia ocupou em 2009/2010 - mas Enzo não. No esquema de um playmaker atrás de dois avançados puros, é necessário um trinco. Mas mesmo essa solução, se não existir um Ramirez, será certamente insuficiente para defrontar adversários mais poderosos que nos criam outro tipo de dificuldades em termos defensivos e de ocupação do meio campo, que não se colocam quando jogamos com a maioria das equipas do nosso campeonato. 

É que o sistema de 4-4-2 diamante, que parece reunir o melhor de dois mundos (dois pontas de lança, um criativo e um meio campo de 4), para funcionar precisa de jogadores nas alas que tenham a capacidade de defender e mesmo juntar ao meio (como fazia Ramirez) quando a equipa não tem a bola, abrindo pelo contrário bem nos flancos quando a equipa ataca. Nem Sálvio, nem Ola John têm estas características em termos defensivos. Gaitan é o único dos que jogam nas alas que pode dar um pouco disso ao Benfica mas é um jogador de muitos altos e baixos.

A alternativa seria um meio campo idêntico ao deste ano (um 4-4-2 mais clássico com dois jogadores no meio) e Djuricic a fazer a ligação com o ataque, como aconteceu nalguns jogos na época 2011/2012. Mas sem Cardozo na frente, um esquema desses parece pouco acutilante em termos ofensivos... Além disso, ele recorda-nos o demasiado inofensivo modelo de Quique Flores.

Por outro lado, não parece crível que JJ venha agora adoptar um sistema diferente, por exemplo um 4-3-3, apesar deste se poder adaptar bem às características dos sérvios já contratados e dos extremos que temos (Sálvio, Ola John e Gaitan, caso continue).  Jesus não quererá no quinto ano passar a um novo modelo que implique deixar de jogar com dois pontas de lança, algo que tem sido a sua imagem de marca desde que chegou ao Benfica.

Muitas dúvidas subsistem portanto em relação à forma como o meio campo do Benfica se disporá para o ano. Uma coisa me parece porém certa: face a tanta incerteza, a presença de Matic no plantel da próxima época seria uma garantia não apenas de estabilidade como de fiabilidade e consistência. Ela permitiria várias soluções, desde um mais arriscado sistema em que apenas ele e Djuricic assegurariam o meio campo até  uma mais conservadora em que ele e Enzo manteriam os seus lugares e Djuricic poderia alternar com um dos avançados, por forma a manter o sistema de 4-4-2. Teremos que esperar para ver, mas espero que estas questões estejam já relativamente delineadas na cabeça de Jesus e que se comecem rapidamente (para além da questão do lateral esquerdo) a encontrar soluções para os diversos cenários possíveis.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Académica-Benfica: antevisão

O Benfica joga amanhã a passagem às meias-finais da Taça de Portugal contra um adversário muito difícil. Não apenas a Académica é uma equipa que tradicionalmente nos cria dificuldades e uma equipa muito vocacionada para competições como a Taça, como também o seu treinador Pedro Emanuel tem tido muita, mas mesmo muita sorte contra o Benfica.
Em 2010/2011, quando ostentávamos o título de campeão da época anterior, fomos derrotados em casa por 1-2 logo na primeira jornada por esta equipa, num jogo em que tivemos oportunidades para golear. Na época seguinte houve a célebre "miguelada", com um pontapé a Aimar na área adversária a ser "transformado" por artes de arbitragem numa falta do nosso jogador, custando-nos os 2 pontos que tinhamos de vantagem sobre o Porto. Já esta época houve "xistrada" e voltámos a deixar 2 pontos em Coimbra.
Amanhã para a Taça não há pontos em disputa mas um jogo a eliminar, contra a equipa detentora do título. Para além das questões de arbitragem, há que perceber que a Académica é uma equipa perigosa e matreira. Uma equipa que se fecha toda no seu meio-campo e que aproveita bem as poucas saídas para o ataque que consegue. Não é por acaso que ganhou a Taça no ano passado nem que este ano foi uma das únicas 3 equipas a "roubarem-nos" pontos para o Campeonato.
O Benfica tem que ter isto em mente e ser capaz de duas coisas: não ser ansioso no ataque, não se precipitar a tentar finalizar as suas oportunidades e não desguarnecer demasiado a defensiva. O Benfica tem que ser mais cerebral e mais" neste jogo. E não cometer erros!

É difícil adivinhar o que está na cabeça de Jesus em relação a este jogo. Provavelmente dentro de duas horas (quando JJ fizer a antevisão) saberemos um pouco mais. Mas arrisco-me a antecipar que não haverá muitas mexidas. Já não estamos a disputar a Taça da Liga em casa em posição vantajosa, nem temos um clássico no Domingo (aliás só jogamos para o Campeonato na segunda-feira).

É natural que Paulo Lopes volte à baliza e que André Almeida recupere a titularidade (para o lugar de Maxi ou de Enzo), o mesmo se passando com Ola John. Matic será seguramente titular, tal como Cardozo e muito me surpreenderia se Luisinho substitusse Melgarejo nesta partida. A questão Lima ou Rodrigo (estando este disponível) é mais duvidosa. Diz-se também que Luisão pode voltar à titularidade mas aí não arrisco nenhum prognóstico, dado que Jardel está em grande forma.

Sejam quem forem os 11 que entrarem em campo, eles envergarão a nossa camisola e serão seguramente mais jogadores do que os 11 adversários. Mais rodados, com mais qualidade. Resta agora que sejam a melhor equipa e que se saibam por a salvo de quaisquer actuações habilidosas por parte da arbitragem. Aliás, é importante que mesmo que esta seja tendenciosa, a nossa equipa não se deixe afectar psicologicamente. A atitude deve ser a contrária - de "raiva" e esforço redobrado se isso acontecer.

Este é um momento em que muitos que nos querem mal, sentem que estamos vulneráveis, que se instalou em nós a dúvida depois de não vencermos em casa o único rival para a conquista do título. Cabe a Jesus e à equipa darem a resposta em campo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Treinadores e tácticas

Desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica que jogamos com dois pontas de lança/avançados (Saviola é mais um segundo avançado do que um homem para jogar sozinho na frente).
O Benfica joga num 4-4-2 ofensivo, ou num 4-1-3-2. Digo isto sem pretensões de rigor excessivo.
O que eu quero dizer é que a equipa é por regra constituída por 4 defesas, um médio defensivo, um ofensivo, dois extremos e dois avançados. Os laterais são bastante ofensivos.
Por outro lado sei, porque o próprio já o disse explicitamente, que JJ compreende os riscos desta táctica mas que defende que a matriz ofensiva é congénita ao Benfica e que os adeptos desejam e exigem tal matriz, futebol atacante, golos e o espectáculo daí adveniente.
Aliás há uma coisa que os benfiquistas devem recordar para perceber melhor isto: no Belenenses, JJ era super defensivo e mesmo no Braga havia uma consistência defensiva grande. Jesus sempre se distinguiu (antes de chegar ao Benfica) por dar essa consistência e segurança às suas defesas. Cheguei a ver o Belenenses jogar em Munique contra o Bayern e perder por apenas 1-0.

Por outro lado, eu sempre achei que o 4-3-3 era um sistema mais seguro. O meio campo tem sempre 3 jogadores e quando a equipa defende pode ainda derivar os extremos para o centro do terreno fechando muito os espaços à equipa adversária. Por outro lado, nos desdobramentos ofensivos os médios aparecem muitas vezes no ataque confundindo a defesa que não sabe bem quem são os opositores directos. Por outro lado, o 4-3-3 permite uma coisa que os outros sistemas dificilmente conseguem: colocar 3 jogadores numa faixa, o lateral, o extremo ou ala e o interior. Numa época o Guimarães fez isto com muito sucesso com José Carlos, Paneira e Capucho.
Isto sou eu que observo e digo, na minha visão um pouco simplista, admito-o das tácticas.

Aqui há uns anos atrás deu ideia de que o chamado 4-4-2 em diamante era uma táctica ainda melhor, porque juntava o melhor de dois mundos: criatividade e vocação ofensiva (mantendo os dois pontas de lança) e um meio campo não já com 3 mas com 4 jogadores, conseguindo o aparentemente impossível: ter superioridade numérica no meio contra equipas que jogassem em 4-3-3. Parecia a quadratura do circulo.
Lembro-de de que por exemplo o Milão jogava nesse esquema, jogando com Gattuzo, Pirlo, Rui Costa e Seedorf.
A questão é que para poder jogar num tal sistema, sem que os jogadores se atropelem no meio campo e sem afunilar todo o jogo pelo meio, são necessários intérpretes de uma qualidade verdadeiramente excepcional.

O 4-3-3 acaba assim por ser um sistema mais simples de adoptar e com resultados semelhantes. É por isso o preferido da maioria dos treinadores e está implementado no Porto, por exemplo, há bastante tempo.

Como exemplo de um 4-4-2 mais conservador, ainda assim extremamente eficaz e incrivelmente ofensivo, temos o do Manchester United. É um sistema mais de duas décadas, que, se alguns especialistas tivessem razão deveria ser completamente previsível mas que continua a "dar" títulos.
Acontece porém que o 4-4-2 do Manchester é mais conservador do que o do Benfica no sentido dos dois jogadores do meio serem mais defensivos, ou de contenção como agora se diz, dos que o do Benfica. Acresce que nalguns jogos (foi o caso do último com o Liverpool), Fergusson optar por um sistema mais próximo de um 4-2-3-1.

Isto dá um pouco que pensar.

O que parece estar a acontecer com o Benfica é que contra as equipas pequenas o sistema está a funcionar muito bem mas em jogos mais difíceis ele está a emperrar. Contra o Porto a falta de controle do meio campo foi evidente. Aliás, há uma coisa em que JJ não aprendeu a lição do ano passado: a colocação de Lucho no jogo da época passada (muito avançado no terreno, a pressionar Javi Garcia) foi decisiva para emperrar o jogo do Benfica. Este ano aconteceu algo semelhante, com uma pressão intensa, mais em bloco, sobre os nossos defesas, que JJ não conseguiu contrariar durante toda a primeira parte. Aliás o erro duplo e indesculpável de Artur encontra ainda assim uma explicação nesse factor: muito pressionados e sem linhas de passe os nossos defesas viram-se muitas vezes obrigados a jogar para o guarda-redes. Isso criou um sentimento de grande insegurança desde o início e explica parte do "temor" que a equipa sentiu pelo adversário que pelo contrário era sempre muito confiante nas saídas da defesa, não temendo o 1 para 1 e conseguindo quase sempre o portador da bola ultrapassar (quase sem dificuldade) a nossa primeira linha de pressão.

O Benfica está neste momento a jogar sem nenhum "trinco" (o United joga com dois, embora obviamente eles tenham capacidade de passe e de sair com a bola) e apenas com um jogador mais vocacionado para tarefas defensivas. Mas há outro problema: é que com o quadro de jogadores que temos não se vislumbram muitas alternativas tácticas. Daquilo que se tem falado no Benfica é se devemos jogar com dois pontas de lança ou apenas com um. Mas se jogar apenas com um, a respetiva vaga não vai para um lugar no meio campo mas sim para um jogador de ligação meio-campo/ataque, como Aimar, Gaitan ou até, de certo modo, Rodrigo.

As alternativas seriam a meu ver os jovens Andrés. Ao lado de Matic eles podem eventualmente dar outra consistência ao meio campo que Perez nesta altura não parece garantir.

Enfim, são questões que JJ certamente estará a ponderar, até porque o jogo em Braga se aproxima e na segunda volta haverá um Porto-Benfica que poderá - aí sim - ser decisivo para a atribuição do título. Isto para já não falar da eliminatória contra o Bayer, equipa de alta rotação.
Uma última nota: a questão da renovação ou não de Jorge Jesus vai (penso) depender de como conseguir resolver esta questão e de ser capaz de vencer nos jogos mais importantes contra equipas da dimensão do Benfica. JJ conseguiu elevar o patamar de futebol do Benfica e o rendimento dos jogadores, daí resultando muito importantes vendas para os nossos cofres e uma consistente e sustentada luta pelo título. Mas em última análise o futebol são títulos e no Benfica isso é ainda mais evidente. Por outro lado, ainda que com todas as condicionantes conhecidas, os resultados com o Porto começam a ser curtos. Até por aí me parece que o jogo da segunda volta será decisivo. Tudo o que fique abaixo do título de Campeão esta época saberá a pouco e tornará a continuidade de JJ muito difícil.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Vitória apesar da arbitragem

Já sabemos que em jogos do Benfica o melhor mesmo é estarmos preparados para o pior - até (ou às vezes sobretudo) quando os árbitros são "benfiquistas".
Realmente é espantoso que uma falta dura sobre Bruno César à entrada da área, numa jogada bastante perigosa, seja transformada num... cartão amarelo para o nosso jogador. Bruno César é saco de pancada? É que já em Paços no ano passado sofreu um penalty flagrante (daqueles que é quase impossível não marcar) e também viu um amarelo! Na altura, Bruno até disse "se aquilo não é penalty, não sei o que é penalty". Os casos são tantos que enjoa enumerá-los.
Mas claro houve mais dois penalties por assinalar neste jogo.
Passando à frente, como fez e bem a nossa equipa, conseguimos ainda assim vencer. As contrariedades eram mais que muitas: para além da arbitragem, jogávamos sem Maxi, Garay, Enzo, Aimar, Carlos Martins e André Gomes. A maior parte das equipas teria grandes dificuldades em sequer apresentar um 11 competitivo. O Benfica venceu com toda a justiça, ainda que o adversário tenha dado uma boa réplica.
Mais uma vez boa resposta de Paulo Lopes, André Almeida, Jardel e Luisinho. Bruno César, que algumas vezes tenho criticado esteve também em bom plano na missão que lhe era pedida.
Mas evidentemente que o destaque tem que ir para Matic. Mais uma grande exibição, desta vez "coroada" com um golo. Matic foi enorme a dominar o maio-campo e a sua capacidade de passe começa a destacar-se. Contra o Rio Ave (em que atribui tal título a Artur) antevi que Matic seria muito em breve o melhor em campo e tal confirmou-se logo no jogo seguinte.
Nolito procura a melhor forma (que Gaitan parece estar mais próximo de alcançar) e Cardozo marcou o golo da ordem (não percebi a semi-confusão que sucedeu após tal golo). Ola John voltou a mostrar que, apesar da qualidade, é ainda muito ingénuo.

O Benfica está nos oitavos de final e o sorteio será já amanhã, dia 20 pelas 12.00h.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sacrifício

Boa vitória, sofrida mas saborosa num campo muito difícil (a relva em si), contra um adversário muito organizado e sempre intencional quando tinha a bola.
O Benfica fez um bom jogo, concretizando uma de algumas oportunidades que criou, algo que não era fácil em virtude do pouco espaço dado pelo Rio-Ave, muito bem fechado atrás. No fim, o Rio Ave cresceu muito e passamos por aflições. Valeu muita entrega e capacidade de sacrifício - temos equipa.
Porque - é importante não esquecer! - não tínhamos Maxi, não tínhamos Luisão, não tínhamos Aimar nem Carlos Martins, Perez saiu lesionado e vários jogadores estavam diminuidos fisicamente em virtude de um exigente e decisivo jogo quarta-feira para a Liga dos Campeões. E isto num ano em que de uma assentada perdemos Witsel e Javi (e espero não voltar a falar dissto porque efectivamente já é passado e há que olhar para a frente).
Dito ponderado e lembrando que o Porto empatou em Vila do Conde apenas nos últimos minutos, depois de ter estado grande parte do segundo tempo a perder, a vitória de ontem merece ser valorizada.

Veredictos da Justiça:

Melhores em Campo

Ouro: Artur - 18 valores. Já de alguns jogos para cá que vem sendo decisivo. Ontem fez uma defesa impossível já no dim dos descontos. A bola estava fora? Provavelmente. Isso mesmo terá sido decidido pelo fiscal. Mas o que se diria durante dias, semanas mesmo se a bola tivesse entrado? Quanto tentariam os nossos inimigos fazer daquele lance o exemplo acabado dos "benefícios" concedidos pela arbitragem ao Benfica? Artur foi enorme nesse lance mas esteve muito bem, muito seguro em todo o jogo e merece totalmente a distinção.

Prata: Matic - 17 valores. Também na calha para o ouro há vários jogos, lá chegará em breve. Hoje fica pela prata, com a distinção de ter sido o melhor benfiquista dos que jogam com os pés. Foi uma presença impressionante em quase todas as áreas do campo. Cortou, tapou, cobriu, fez jogar. Matic tem subido de jogo para jogo e tem sido de uma dedicação e abnegação extraordinárias.

Bronze: Lima - 16 valores. Mais um golo decisivo, mais um jogo de enorme trabalho, com muitos recuos para fazer equilíbrios no nosso meio campo e derivas para as faixas para criar desequilíbrios ao adversário. Joga para a equipa, procura sempre Cardozo e ontem voltou a ser feliz, como merece.

Outros destaques

Jardel e Garay - ambos a um nível elevado (15 valores) contribuíram e de que maneira para que não sofressemos nenhum golo.

Ola John - 15 valores. Belas jogadas, muita inteligência e criatividade na frente, um remate fantástico a ser salvo pelo guarda-redes adversário.

Cardozo - 14 valores. Esteve também à beira de marcar tendo sido impedido pelo poste. Hesitou uma ou outra vez na segunda parte mas esteve sempre mexido e perigoso.

O Treinador

Jorge Jesus merece 15 valores. Esteve bem ao montar a equipa e ao colmatar a ausência de Maxi, excelente ao elaborar os posicionamentos e dinâmica dos jogadores, sobretudo Matic e também os laterais. Bem ao tirar Sálvio que há vários jogos vem perdendo gás. Menos bem a insistir em Gaitan pela direita e John pela esquerda (embora nalgumas situações ambos tenham coincidido no flanco esquerdo).

O árbitro

Boa arbitragem, a deixar jogar e a manter um critério uniforme. 14 valores. Já percebi que se fala de um "pisão" de Enzo a um jogador do Rio Ave que alegadamente mereceria um vermelho. É uma novidade da nossa imprensa que nos últimos jogos da Champions, em que curiosamente houve vários pisões, incluindo com Barcelona e Spartak, nunca ali viu maldade nem razão para nenhuns cartões nem amarelos que fosse. Mas é o costume. Como Artur defendeu aquela bola há que arranjar algum "caso" para falar.

Adenda: já vi o lance do "pisão" de Enzo. Um lance casual e perfeitamente normal. É de facto vergonhoso o comportamento parcial, tendencioso e mal intencionado de grande parte parte da nossa imprensa.