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segunda-feira, 6 de abril de 2020

O fim do futebol?

A crise do COVID19 afecta todos os sectores e profissões mas afecta muito em particular o futebol.

Duas razões para isto:
1) em tempos exigentes económica e financeiramente, haverá menos dinheiro disponível - bancos, investidores e grandes empresas canalizarão o seu dinheiro para necessidades mais imediatas ou mais essenciais para o seu negócio;
2) face a uma ameaça de um vírus muito contagioso, espectáculos de 30, 40, 50.000 pessoas estão completamente fora de questão. Eventualmente no Verão o futebol pode ter espectadores, mas até quando? O vírus surgiu na China ainda no Outono. Estamos na Primavera e ele está a atingir o seu pico nos países europeus. Por isso, enquanto não existir vacina teremos público apenas durante três ou 4 meses? No pico do calor em Portugal?

Estes dois factores reforçam-se mutuamente, criando uma espiral negativa: com menos receitas há menos jogadores de qualidade e menos motivação dos espectadores para ir aos estádios, com menos gente nos estádios (e/ou mesmo a obrigação de jogos à porta fechada), as receitas de publicidade, patrocínios, transmissões televisivas também diminuirão.

Isto é no futuro. Mas já no imediato há clubes em situação delicada que não conseguem responder às obrigações de tesouraria sem receitas. De Espanha chegam notícias de grandes cofrtes salariais nos principais clubes.

Por isso considero que o futebol está em estado de emergência e que rapidamente têm que se procurar caminhos para ultrapassar esta situação sob pena do negócio se tornar inviável a curto prazo.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O Benfica voltou mas...

É tristíssimo que depois de uma conquista tão importante e uma festa até então bonita as coisas acabem como acabaram ontem à noite. Um bando de criminosos acabou com a festa e de algum modo estragou-na. Muita coisa correu mal ontem, a começar em Guimarães e a acabar no Saldanha e será preciso, como já disse o Presidente, apurar muito bem responsabilidades. Umas coisas não podem servir para desculpar outras. O que aconteceu é demasiado grave - e não tem a ver apenas com o futebol nem com o Benfica. As nossas sociedades estão doentes e isto são sintomas. Mas isso não serve para desculpar ou desresponsabilizar ninguém. Serve para pensar as coisas de uma forma mais abrangente mas entretanto todos os incidentes terão que ser analisados individualmente.

EM primeiro lugar, quanto aos adeptos que agrediram pessoas e destruíram coisas em Guimarães tem que se perceber - e isso hoje já é possível - quem comprou bilhetes para aquela secção. Se foi a claque, tem que haver consequências drásticas.
Depois em relação ao que aconteceu no Marquês, haverá que perceber muito bem quem são aqueles indivíduos. Há muitas imagens que devem ser utilizadas para identificar os criminosos. Claramente eles estavam num grupo porque actuaram como tal. Não teria a claque obrigação de controlar uma situação destas? Viam-se muitos adeptos a querem parar com aquilo mas individualmente nada podiam fazer sem um enorme risco para a sua integridade física. Agora a claque conta com centenas de elementos pelo que tem um poder de dissuasão incomparavelmente melhor. Na hipótese, que nem quero admitir que aquela gente pertencia à claque então defendo que ela deve ser pura e simplesmente banida do estádio da Luz. É preciso separar o trigo do joio.

Quanto à actuação da polícia, o que se passou em Guimarães com o uso de brutalidade contra uma família é algo de inconcebível e que tem que ser exemplarmente punido. Não há justificação possível para o que se passou. Incidentes desses destroem a imagem da polícia, a sua credibilidade e em última análise a sua capacidade de intervir contando com o respeito e boa vontade dos cidadãos.
Quanto à actuação no Marquês é difícil ajuizar porque realmente era pouco expectável que a polícia se fosse deparar com uma situação tão violenta e caótica numa noite que deveria ser de festa. Ainda assim terão que ser examinados os comportamentos para perceber se eles terão sido os mais adequados. Mas que fique claro que ninguém pode ter nenhuma razão para atirar garrafas ou pedras e que isso é que acabou com a festa e a estragou. 

Ficou assim ensombrada uma festa que começara tão bem, com os jogadores a demonstrar a sua união no relvado de Guimarães e os adeptos do Porto e Gaia a fazerem um cortejo à equipa na sua chagada ao aeroporto Sá Carneiro. Foi mais uma grande demonstração do carácter verdadeiramente nacional e da dimensão do Benfica. A festa no Marquês poderá ter sido demasiado encenada e exagerada nos decibéis. Mas isso são pormenores. O fogo de artifício e o momento do hino foram momentos bonitos, tal como as celebrações dos jogadores.

Este campeonato é importantíssimo e marca de facto o regresso de um Benfica que ganha de forma continuada, algo que era importantíssimo. O mérito deste campeonato é total. Mas melhor falarei disso em próximos posts.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Quem são afinal os mouros?

Os adeptos do Porto chamam muitas vezes aos benfiquistas "mouros", numa alusão ao facto dos árabes e berberes terem invadido Portugal e ocupado durante algum tempo o sul do País, ao passo que o Porto seria a cidade invicta. 

Mas se os portistas e portuenses interpretam este epíteto de "invicta" como o testemunho da invencibilidade da cidade face aos invasores sarracenos estão muito enganados. As invasões árabes da península iniciadas quando o general Tarik atravessou o estreito de Gibraltar em 711 levaram à conquista da quase totalidade da península (e à totalidade do território do actual Portugal). Na altura os cristãos ficaram acantonados nas montanhas das Astúrias, praticamente encostados ao mar. 

Invicta diz respeito a um episódio muito mais tardio, no âmbito da guerra civil entre liberais e absolutistas, durante o qual a cidade do Porto se manteve fiel a D. Pedro e à causa liberal, resistindo ao cerco miguelista e salvando o liberalismo constitucional. 

Por outro lado, os mouros foram expulsos de Lisboa logo em 1147, no início do reinado de D. Afonso Henriques.

Mas existem mais razões para os portistas começarem a ter um cuidado acrescido quando falam em mouros. Porque os têm na sua equipa! Têm nomeadamente um jogador argelino, Brahimi e ainda um camaronês chamado  Aboubakar, uma evidente alusão a Abu Bakr, o primeiro califa do Islão.

Mas é um outro argelino antigo jogador do Porto, Madjer, que vem fazer a mais inesperada e insólita confidência: de acordo com ele, todos os jogadores do Porto beijaram o Corão antes da final com o Bayern de Munique! É de facto algo de improvável, de incrível.

Quem são afinal os mouros?

Com tantos mouros e espanhóis no Porto, começa a ser difícil falar na cidade invicta...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A faixa da polémica - o que ainda não foi dito

Muito se falou sobre este assunto (já vamos na segunda semana) mas o essencial ainda não foi dito.

A verdade é que quem divulgou a faixa, quem lhe deu o máximo de exposição e portanto a "promoveu" foi o actual presidente do Sporting.

A faixa seria sempre lamentável e abjecta, mas se a grande preocupação eram os sentimentos da família do adepto que morreu no Jamor em 1996 porquê dar tanto destaque à faixa? Naturalmente que quanto mais se fala do assunto mais se agravam esses sentimentos de dor.

É que se não tem sido o actual presidente do Sporting, estou em crer que praticamente ninguém saberia deste caso, incluindo a família da vítima. A coisa aconteceu num pavilhão de futsal onde estava um número limitado de pessoas e na transmissão televisiva nem se viu. Foi só quando o Sporting falou nisso que surgiram fotos em toda a imprensa e que a generalidade das pessoas tomou conhecimento do lamentável episódio.

Por outro lado ao dar-se tanta publicidade à faixa não se está a fazer exactamente aquilo que queriam os seus promotores? A dar importância a quem o não merece? A trazer o extremismo e a marginalidade para o centro do debate e da sociedade?

A indignação sportinguista soa pois muito a hipocrisia: alega-se a dor da família mas não se faz senão agravá-la e usá-la para fins populistas e demagógicos. A hipocrisia manifesta-se também no facto dessa indignação parar e desaparecer quando as faixas e as camisolas são de sentido contrário, dirigidas por sportinguistas a benfiquistas. Aí já não há críticas nem condenação. Tudo bate certo porém com a personagem em causa: um mitómano, um indivíduo que possivelmente nem sequer tem uma noção exacta da realidade, a qual confunde com os seus desejos e visão distorcida das coisas. 

Outro assunto é o das tochas e petardos atirados para o meio dos adeptos do Sporting. Considero isso demasiado grave e a necessitar de atenção por parte da polícia. Acho isso criminoso e a exigir uma punição exemplar. O Benfica precisa de se ver livre desse tipo de gente. Gente que faz isso não pode ter lugar num estádio de futebol. Somos o maior clube português e devemos perceber que isso acarreta responsabilidades próprias, nomeadamente a de tudo fazer para que o futebol seja um espectáculo seguro onde se podem levar as famílias. Para isso há que erradicar algumas ovelhas negras.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Arbitragens, ameaças e ataques

A indignação e o "basta" I


A semana que passou foi a da indignação sportinguista.

Devo dizer que compreendo que as pessoas se sintam indignadas quando consideram que foram prejudicadas pela arbitragem e sobretudo quando sentem que a arbitragem espoliou a sua equipa de pontos, de modo que por vezes parece intencional. Muitas vezes aqui me indignei.

No entanto já compreendo menos quando as queixas esquecem favorecimentos e se dão num jogo em que a par de prejuízos houve benefícios claríssimos.

Objectivamente, no jogo que deu aso a tudo isto em Setúbal, o Sporting empatou 2-2 e os golos nascem de um penalty inexistente e de um lance em que a bola parece nem sequer ter entrado.

É verdade que há um golo mal anulado ao Sporting - mas quantos fora-de-jogo são mal assinalados todas as semanas? Também o segundo golo do Setúbal nasce de um penalty fantasma, um penalty à Porto.

Houve por isso equilíbrio nos erros - grosseiros sem dúvida - pelo que não me parece que se possa falar em "roubo".

Roubo é sim um árbitro marcar dois penalties inexistentes contra uma equipa, como aconteceu com Xistrema na época passada contra o Benfica, e este ano vejo também acontecer em jogos do meio da tabela para baixo (área em que o sistema anda a operar e em que temos que ter muito cuidado ou na próxima época voltamos a ter uma maioria esmagadora de clubes do Norte na 1ª Liga).

Obviamente que é ridículo dizer que se vai processar os árbitros e a Liga. As leis da UEFA prevêm a descida de divisão (até aos distritais, ou seja provas amadoras) dos clubes que recorram à justiça civil por questões relativas à justiça desportiva.

Quanto ao outras iniciativas igualmente ridículas em que o Sporting é useiro e vezeiro, sinceramente já nem sei o que dizer. Deixo a imagem, que fala por si, do "comício" do movimento "Basta".





O "caso" JJ vs. Sherwood


Houve depois a situação do desentendimento entre Jorge Jesus e Sherwood no jogo da Liga Europa, que já abordei. Claro que todos os nossos rivais queriam que o nosso treinador fosse punido (pudera!) e foram muito críticos do comportamento "gravíssimo" de JJ. Já disse o que penso sobre o assunto mas o "caso" está encerrado, para desgosto dos nossos rivais. Se falo dele é apenas para assinalar que Sherwood no último jogo, com o Arsenal, se envolveu com Sagna, a quem atirou a bola com força por duas vezes em direção ao peito, levando o jogador a ir-lhe pedir satisfações. Sherwood é pois reincidente em comportamentos provocatórios, neste caso meteu-se foi com a pessoa errada.


O clássico e o basta II


Vi o clássico entre o Sporting e o Porto com enorme gozo. Sabendo que independentemente do que acontecesse o Benfica sairia beneficiado deste jogo, pude vê-lo com toda a descontração.

Com toda a sinceridade, este jogo nada tem a ver com os jogos entre estes adversários e o Benfica.

Vi, comparativamente aos clássicos/derby, um jogo com pouquíssima intensidade, muito pouca tensão, muito pouca emoção. 

Num Benfica-Sporting ou Benfica-Porto, cada lance é disputado como se fosse o último, cada bola como se fosse de golo, o portador da bola é sempre pressionado de muito perto, há poucos espaços e todos jogam nos limites. Já neste jogo, os defesas saiam com a bola sem marcação, os médios construíam quase sem pressão, jogava-se quase a passo, com poucas mudanças de velocidade, poucos duelos rasgados.

Foi, digo-o com toda a sinceridade e sem intenção de apoucar os adversários, um jogo fraco, sem dimensão, sem intensidade e com emoção apenas qb. Um jogo no qual em nenhum momento se sentiu um ambiente vibrante, frenético, um verdadeiro nervosismo e peso da responsabilidade de um jogo decisivo.

Destacaram-se Quaresma, que, como já aqui disse, está de facto noutro patamar, sendo hoje o melhor jogador do Porto e Slijmani pelo golo. Mas destacou-se também e sobretudo Proença! Expulsou um jogador do Porto! Isto é um momento que tem que ser assinalado, porque há um antes e um depois deste jogo. Não apenas Proença validou um golo precedido de fora de jogo, como não marcou um lance de possível penalty a favor do Porto, como ainda expulsou Fernando. Ou muito me engano ou Proença rapidamente deixará de ser "o melhor do mundo". Aliás, se ouvi bem, Manuel Queirós, o portista, disse algo nesse sentido no Domingo à noite.

Já ontem era Manuel Serrão, agora menos sorridente, que dizia: "fomos comidos por um fedelho", ao passo que Eduardo Barroso não escondia um sorriso maroto.

A realidade é que os vários "basta", comunicados e "indignações" parecem ter tido efeito. 


As ameaças de morte - basta III


Há limites para tudo. Há muito que venho dizendo que tem que ser posta ordem no futebol. Têm que se prender pessoas que têm acções criminosas. Já houve mortes resultantes da violência que rodeia o futebol e nada foi feito. Eu espero sinceramente que não seja preciso morrer alguém menos anónimo para que de vez a polícia e a justiça intervenham. E para que isso aconteça será preciso alguns políticos deixarem de dar cobertura a alguns criminosos do futebol.

Aquilo que Bruno de Carvalho fez foi tentar pela via da pressão e da demagogia resolver, quer dizer atacar, dissolver, um sistema de poder que há anos beneficia o Porto. Em larga medida a sua estratégia é correcta (do ponto de vista dos interesses sportinguistas) e está a ser coroada de sucesso.
Há porém que ter muito cuidado pois alguns loucos não sabem onde estão os limites. Por exemplo, adeptos (sportinguistas, tudo o indica) já vandalizaram estabelecimentos do árbitro Manuel Mota.

Claro que a pressão sobre Proença resultou e claro que a pressão sobre Manuel Mota, com ameaças de morte não apenas a si mas à sua filha - algo de cobarde, criminoso e absolutamente inaceitável - também "resultaram". O Benfica sobre um penalty inexistente e vê uma expulsão indiscutível ser autenticamente perdoada a um jogador nacionalista.

Não pode valer tudo! Se a "indignação", real ou estratégica, do Sporting se compreende para acabar de vez com o sistema de poder no futebol português, ela assemelha-se perigosamente à estratégia adoptada há 30 anos por Pinto da Costa. Não se pode, para combater um mal, adoptar-se os seus métodos, ou tornamo-nos iguais a esse mal. Recordo aliás que esta estratégia sportinguista já tem antecedentes e que o gravíssimo e criminoso incêndio do Estádio da Luz - NUNCA CONDENADO PELOS DIRIGENTES SPORTINGUISTAS E MENOS AINDA PELOS ADEPTOS - se seguiu a um incendiar do ambiente com a história da jaula, promovido por dirigentes e comentadores sportinguistas.

Ainda bem que, apesar da tentação ter existido, o nosso clube nunca enveredou por esse caminho.

Mas para além disto, destas ameaças, aconteceu ontem ainda uma outra coisa inimaginavelmente grave: a serem verdadeiros alguns relatos, houve um ontem atentado contra Mário Figueiredo! Como se sabe, o Presidente da Liga tem combatido o monopólio da Sporttv/FC Porto, que tudo têm feito para o depor. A confirmar-se o atentado temos mais uma manifestação do ponto a que esta gente está disposta a ir para manter o status quo dos seus negócios futebolísticos.

Há que pôr ordem e parar com isto. Basta de "bastas", basta de sistema e basta de criminalidade! Isto é futebol, não é, não pode ser uma guerra mafiosa.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Gravíssimo

Aquilo que se passou ontem no Estádio da Luz é de uma gravidade extrema e talvez só mesmo por milagre se tenha evitado a tragédia.

É verdade que estivemos perante condições climáticas extremas mas não é de todo aceitável que um Estádio com 10 anos se comece a desfazer perante o olhar incrédulo dos adeptos a ponto de caírem gigantescas placas de alumínio. Poderia ter acontecido uma tragédia.

Eu encontrava-me debaixo da cobertura que foi afectada e a situação foi assustadora. Primeiro existia uma coluna de som literalmente pendurada pelos cabos. Depois a cobertura da pala como que se rasgou, em dois momentos diferentes e espaçados no tempo alguns minutos, com um ruído fortíssimo.

A dada altura apercebemos-nos de que seguranças (pensámos), caminhavam pelas estruturas da pala, procurando resolver a situação da coluna de som e inspeccionando, de forma sumária, o que se passava com a cobertura.

Enquanto toda a gente no Estádio percebia que algo não estava bem e os espectadores debaixo daquela pala percebiam que a estrutura estava comprometida, alguém continuava a colocar música aos altos berros. O estádio a desfazer-se e um ruído ensurdecedor de Eminem. Foi um cenário surreal.

De imediato percebi que estávamos em perigo e muito rapidamente disse a quem me acompanhava que devíamos sair dali. Esperámos mais uns minutos já junto ao acesso à bancada e também daí rapidamente passámos ao interior do estádio, junto aos bares. Foi aí que tivemos a confirmação de que o jogo tinha sido cancelado (algo que considerávamos inevitável).

O que se passou, a parte da música (já de si normalmente muito desagradável e nas circunstâncias particulares de ontem intolerável) incluída, é gravíssimo, tanto mais que não foi a primeira vez que aconteceu.

Como se pode justificar que um Estádio tão recente (e que tanto custou) não ofereça condições de segurança para os espectadores? Claramente aquela cobertura foi muito mal feita e a construtora que a realizou tem que assumir as devidas responsabilidades.

Tenho as maiores dúvidas que a situação se possa resolver em apenas um dia. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Penafiel-Benfica e outras notas soltas

Diz "A Bola" que o Penafiel-Benfica de hoje (19.00h) pode não se realizar devido ao estado em que o relvado se encontra depois do dilúvio de ontem.

Se fosse o jogo fosse do Porto e Proença fosse chamado podíamos estar certos de que não se realizaria, mas situações dessas só estão ao alcance dos melhores do mundo...

Assim quer-me parecer que haverá mesmo jogo, pelo que é bom que os jogadores estejam mentalizados de que esta partida não é para nota artística. 

Por outro lado não me parece que convocar todos os habituais titulares seja a melhor opção, uma vez que temos um jogo decisivo para o campeonato (prioridade da época) dentro de 4 dias e com um terreno como este os jogadores sofrerão fortíssimo desgaste. Esperemos que ainda assim exista alguma gestão.

Curioso ainda que se o jogo acabasse mesmo por não se realizar, Siqueira não cumpriria castigo pelo que não poderia jogar contra o Sporting.

Por falar em gestão de plantel, gostei imenso do golo e da exibição de Miguel Rosa, possivelmente o melhor em campo no jogo do Belenenses frente ao Braga. Gosto muito deste jogador, que espero que continue a ter sucesso na sua carreira e que ajude este ano o Belenenses a manter-se na 1ª divisão.

Nota também para um outro grande jogador, Matic, eleito igualmente o melhor em campo, na vitória do Chelsea em Manchester, assunto a que voltaremos ainda noutro post.

Escreveremos também em breve sobre as modalidades e nomeadamente o que se passou este fim-se-semana no hóquei em Valongo.


Por fim, não resisto a trazer para aqui um outro assunto extra-futebol e extra-Benfica. 


O que foi isto? Alguém consegue explicar?? Se ainda não sabem o que é um inconseguimento não percam este vídeo! 

http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=98490



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Fusão PT/ZON/Sportinveste (Oliveira) chumbada

A notícia é de ontem à noite, veio referida na imprensa online e o "Público" de hoje dá-lhe grande destaque. Já a vi referida no blog Belo Voar da Águia que assinala e bem que se tratam de boas notícias: com efeito, a ERC (entidade reguladora da comunicação social) chumbou o acordo de entrada da PT no capital da Sport tv que passaria, caso o acordo se mantivesse, a ser detida 25 % pela PT, 25% pela ZON e 50 % por Joaquim Oliveira através da Sportinveste.

Na prática, o que este acordo significaria era um reforço da posição de quase monopólio da Sport TV no tocante aos direitos televisivos e portanto uma posição de controlo das principais fontes de receita do futebol. Daí a uma tremenda influência sobre os clubes vai um pequeno passo. É sobre este pressuposto que assenta grande parte do poder daquilo a que normalmente se chama o sistema.

No detalhe, o acordo (agora vetado) determina que ZON e PT (MEO) passariam a ter condições privilegiadas para distribuir a Sport TV (em detrimento da Vodafone e da Cabovisão) e que  se comprometiam a "não concorrer" contra a Sport TV. Não é claro o que significa esta cláusula de "não concorrência" mas no limite ela podia significar que a ZON e a PT fossem impedidas de distribuir a Benfica TV por esta ser concorrencial em relação à Sport TV.

O parecer negativo da ERC é pois uma boa notícia para o Benfica que, através da sua SAD, tinha contestado o negócio junto da Autoridade da Concorrência. Ele junta-se a um outro chumbo da ICP-ANACOM (autoridade nacional de comunicações). Não é porém ainda definitivo, uma vez que última palavra cabe à Autoridade da Concorrência. Isto se o assunto não chegar mesmo aos tribunais, o que ainda é possível.

A luta pelo poder continua pois no futebol português e estamos muito, mas mesmo muito longe de poder cantar vitória ou sequer de poder decretar um "fim de ciclo". Pode haver sinais disso, mas nada ainda de decisivo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Adeptos do Porto atacam de novo

Aquilo que se passou à porta do estádio do Porto é uma vergonha que mais uma vez demonstra bem a qualidade dos seus adeptos. Não serão todos assim, mas seguramente uma grande parte, senão a maioria é de facto constituída por gente selvagem e marginal que não tem noção dos limites e que noutro país estaria certamente já atrás das grades. 

Ailás, foi bem sintomático ver que, no Trio d'ataque, foram os comentadores afectos ao Benfica e ao Sporting quem mais firmemente condenou o que se passou, ao passo que o do Porto depois de dizer  en passant que a violência era condenável afirmou convictamente que as pessoas tinham o direito de se manifestar e "indignar", pondo aí todo o ênfase.

O que se passou foi lamentável a todos os níveis. Se é verdade que já houve situações em que adeptos do Benfica insultaram a equipa, nunca a coisa atingiu proporções sequer parecidas ao que se viu nas imediações do "dragão", e isto em relação a uma equipa que perdeu um jogo por 0-1 mas não deixa de ser a campeã em título. Isto não se chama "exigência", como alguns iluminados querem fazer crer: chama-se selvageria, chama-se demência, chama-se estupidez e desrespeito.

Pelos vistos porém, estão todos bem uns para outros. Para além da tal figura de Miguel Guedes, outras "autoridades" do Porto já se pronunciaram, nomeadamente um tal de Rui Quinta, ex-adjunto de Vítor Pereira, que diz que o que aconteceu "faz parte da cultura e da essência do clube", acrescentando ainda que "há muitos que gostavam de estar dentro do autocarro a levar com tochas". 

Para este adjunto, os acontecimentos não são apenas normais (algo que aqui vimos dizendo há muito mas que os portistas tentam desmentir). Não, eles são  intrínsecos à cultura e mesmo à essência do clube, quer dizer à sua identidade e natureza!

2. No dia seguinte, Domingo, jogaram o Sporting e o Benfica. No entanto houve pelo menos um adepto do Porto que voltou a "atacar": Manuel Queirós, ainda e sempre. Ele está em todo o lado! É na TVI, é na TSF, é na Antena 1, é no Diário de Notícias, é no Jornal de Notícias...

Que este jornalista/comentador é um adepto do Porto é perfeitamente evidente e aliás consensual entre os próprios adeptos do clube que o reconhecem como um dos seus. De acordo com um blog portista, há vários anos atrás Queirós teria tecido críticas a algumas opções de gestão do seu clube e por isso teria sido colocado num "index" ou lista negra do presidente do Porto, mas entretanto teria já havido uma reaproximação entre os dois. 

Tudo isto para dizer que ontem se comprovou pela enésima vez a total incapacidade deste comentador para ser isento e o carácter quase doentio dos seus comentários. De facto, depois de ouvir os seus comentários na rádio fiquei com uma ideia do jogo e uma imagem mental dos lances tal que quando vi as imagens televisivas fiquei estupefacto. Para ficarem com uma ideia do que falo, vou-vos aqui deixar apenas três exemplos, flagrantes e vergonhosos do que disse Queiroz na emissora pública, Antena 1: 

37 minutos: "o Benfica limita-se a defender, a não querer sofrer golos e portanto a jogar de forma muito...". Nesta altura é interrompido pelo relatador: "Atenção... Goloooo, Benfica".

63 minutos (golo de Lima de livre): "a falta era ao contrário".

69 minutos (expulsão do jogador do Rio Ave): "a expulsão é cruel, a falta foi no meio-campo do Benfica".

Qual o meu espanto quando vi as imagens na televisão. Não pensava ser possível alguém ser tão parcial, tão cego, tão incapaz de despir a pele de adepto e comentar na rádio pública.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Crise? Greve?

Há uma crise em Portugal e na Europa mas ainda há muita gente que tem 59 euros para ir ver os Bon Jovi... Pelos vistos não lhes faz falta. Ainda bem.

Depois temos a greve "geral" do dia de hoje. A verdade é que quando saí de casa esta manhã vi tudo o que é negócio, tudo o que é estabelecimento, bem aberto. Onde me encontro neste momento tenho uma obra em pleno funcionamento. Quem normalmente trabalha hoje trabalhou na mesma. 

As greves gerais são cada vez mais greves de alguns funcionários públicos e dos transportes, que afinal de contas também são empregados do Estado. Quanto aos outros estão a trabalhar porque não têm possibilidade de fazer greves. E provavelmente também não de ir a concertos de Bon Jovi...




quarta-feira, 10 de abril de 2013

As escutas - parabéns ao "Correio da Manhã"

O "Correio da Manhã" é um jornal que se conhece sobretudo pelas suas histórias de crimes e pelos posters de mulheres despidas, que, numa altura em que não havia internet nem TV cabo (nos anos 80), eram o cúmulo do "picante" no País.
Não deixa porém de ser um dos jornais mais atentos a tudo o que se passa em Portugal, tendo por norma mais notícias do que os seus concorrentes, por estar mais e melhor implantado em todo o País, nomeadamente na província, onde outros não chegam.
Recentemente, o CM aderiu à nova moda - os canais temáticos cabo - o que desde logo teve um mérito tremendo: para conseguir desde já alcançar audiências significativas, começou por divulgar as escutas do Apito Dourado, conhecidas e inéditas.
Num País, o nosso, no qual a Justiça é um arremedo de direito (ele próprio já constituído por um amontoado de leis pouco coerentes e mal elaboradas, forjadas numa mentalidade demasiado ideológica), um sistema totalmente ineficaz, a existência de uma comunicação social que denuncie os escândalos e atropelos de toda a decência que perpassam pela política e pela sociedade em geral, é um imperativo.

Só através da imprensa os Portugueses podem ter a esperança de saber o que realmente se passa por muitos corredores do poder - porque com a justiça (as provas são inúmeras) não se pode contar. É uma triste mas indiscutível realidade.

Ou não será verdade que um apparatchik do anterior governo andou tentando calar a imprensa incómoda, comprou o apoio de Figo a José Sócrates, saiu da PT com uma indeminização milionária, com esse dinheiro tentou comprar direitos televisivos da Champions League e continua andando por aí, tendo-se ainda permitindo "comprar" o Belenenses?

Ou não será verdade que quase todos os responsáveis pela calamidade do BPN continuam andando por aí com vidas faustosas e que a famosa SLN, agora com outro nome, continua a ter um enorme património enquanto so portugueses continuam a ter que fazer tremendos sacrifícios, em parte para tapar buracos criados por aquele mesmo BPN?

Ou não será verdade que algumas empresas proto-estatais continuam a ter regimes de excepção, ordenados milionários, benesses inaceitáveis?

A lista poderia continuar.

Nessa medida, temos que estar gratos ao CM por, muito provavelmente por razões comerciais mas ainda assim, estar a divulgar as escutas do Apito Dourado, a maior fraude desportiva que conheço a nível mundial. A organização, o sistema subjacente ao futebol português dos últimos 30 anos, foi uma autêntica "fábrica" de corrupção, uma central de vício, batota e adulteração de resultados e competições. Uma agência de prostitutas, de viagens, de dinheiros mal explicados, de "campeões" viciados. E (quase) todos, exceptuando Valentim Loureiro, os árbitrso que se retiraram e os dirigentes que entretanto morreram, continuam no activo, fazendo o mesmo!

A vergonha não tem fim. E o que faz a justiça? Declara a nulidade das provas, decide prescrições, absolve culpados por "falta de provas", quando as mesmas são esmagadoras e auto-evidentes. A justiça descredibiliza os testemunhos dos acusadores em favor dos acusados, em causa própria. Que aceita que um árbitro vai à noite a casa do Presidente do clube que apitará no dia seguinte para receber conselhos matrimoniais para o seu Pai? Onde está a justiça? Onde está a decência? Onde está a vergonha?

Para além de casos já bem conhecidos, as escutas revelam outros casos espantosos que merecem artigos separados.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Carnaval das eleições do Porto

Nas Câmaras do Porto e Gaia as coisas estão animadas. Depois da tentativa frustrada de lançar a candidatura de Guilherme Aguiar, avança Carlos Abreu Amorim, deputado que começou como independente eleito pelas listas do PSD e que agora concorre pelo partido, apadrinhado por Luis Filipe Menezes, actual presidente e que concorre, como se sabe ao Porto. Aguiar ainda é candidato, mas agora para a Presidência da Assembleia Municipal. Ainda que a política e o futebol sejam coisas diferentes, para mim seria completamente incompreensível que qualquer benfiquista do Porto pudesse votar em Guilherme Aguiar. Mas a animação carnavalesca naquelas bandas não se fica por aí. Também na Câmara do Porto, o clube de futebol continua a pesar e muito na eleição. Ainda que Menezes seja um nome bem visto por Pinto da Costa (que odeia o actual Presidente Rui Rio por este não confundir futebol e política e nunca ter feito da Câmara um instrumento do clube de futebol do Porto), Rui Moreira - esse mesmo - também quer ser candidato e deverá mesmo avançar como independente (eventualmente apoiado pelo CDS). As posições de Rui Moreira são bem conhecidas. Acha que Lisboa equivale a "Palermo". O que vale é que estamos no Carnaval. Mas também se não estivessemos era o mesmo. O Carnaval ali é um estado de espírito. Quase permanente aliás.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Armstrong e doping: entrevista é transmitida amanhã

Uma vez que o assunto foi aqui abordado en passant há uns dias, gostava de clarificar a situação de Lance Armstrong.

De acordo com múltiplas fontes na imprensa norte-americana, Armstrong, depois de anos a negá-lo, admitiu a Oprah Winfrey (na tal entrevista que só amanhã será transmitida) ter usado múltiplas drogas para melhorar a sua performance e que normalmente se classificam como doping.

Armstrong terá usado várias formas ilegais de aumentar o seu rendimento desportivo, desde transfusões de sangue, a dosagens de testosterona, cortizona e sangue de vitela...

Afinal, Armstrong era mesmo batoteiro. Cai mais um mito do desporto.

Pareceu-me interessante uma passagem da reportagem da ABC (o link está abaixo):

"those who know Armstrong best say pictures of his face during competition tell you everything - ferocious and focused" (os que conhecem melhor Armstrong dizem que a sua cara durante a competição diz tudo: feroz e focado).

Imprensa assume-se

Longe parecem ir os tempos em que a independência era vista como ideal de toda a imprensa, defendido por todos os cânones, e a marca da sua credibilidade. Longe vão os tempos em que essa independência, o rigor e a isenção da imprensa era apresentados como uma das marcas distintivas da democracia.
Cada vez mais, a imprensa alinha-se quase sem disfarçar com uma cor política ou clubística.
Talvez essa independência e isenção nunca tenham passado de um mito. Mas era ainda assim um mito em que se acreditava. Se algo vinha na imprensa, atribuia-se-lhe credibilidade.
Mas isso está a acabar.
São cada vez menos os exemplos de isenção, de pensamento equilibrado sobre um assunto, de uma escrita que procure a objectividade e se alicerce em factos.
Chegou-se ao caricato de um burlão cadastrado ser apresentado em jornais e televisões como um "especialista", um "perito insuspeito" com a chancela das Nações Unidas, que apresentava com suposta autoridade soluções milagrosas para o País.
Os gabinetes de imprensa e as tenebrosas agências de comunicação sopram hoje "notícias" e factos para os jornais, que muitas vezes, quase nem se dão ao trabalho de as verificar, ao passo que grupos económicos dominam uma série de orgãos de informação (expressão que em breve tem que começar a levar aspas, tal a tendenciosidade que demonstram), não se coibindo de fazer deles veículos para avançar as suas agendas.
Em Portugal, por razões que algum dia serão cabalmente explicadas, o grupo de Joaquim Oliveira adquiriu uma posição de influência na nossa sociedade que chega às esferas mais altas do poder.
Não é porém o único. A lógica de grupo da Imprensa também começa a imperar sobre a lógica - e a ética - de informação, à semelhança do que se passa noutros aglomerados de comunicação.
Sobre a forma como as coisas são feitas e o carácter das pessoas ficámos recentemente bastante esclarecidos com a lavagem de roupa suja entre o ex-director de comunicação da RTP, Nuno Santos, e uma série de jornalistas e quadros daquela televisão pública.

No futebol, onde o grau de discernimento das pessoas é ainda por cima toldado pelas paixões clubísticas, este fenómeno de parcialidade e de assumir cores, é ainda mais evidente e ainda mais descontrolado.

Muitos se recordarão do que o "jornalista" Manuel Tavares fazia na sua coluna n' "O Jogo" e que as escutas puseram a nú. Simplesmente deplorável.

Mas há muitos outros exemplos de gente que se servia e serve do espaço que lhes dado e da capacidade de chegar ao público para enganar, manipular, distorcer, induzir, influenciar ilegitimamente ou intoxicar os leitores, ao invés de os informar, como o código deontológico do jornalista diz que deve fazer.

Na passada segunda-feira e ontem, os três diários desportivos assumiram as suas cores: "A Bola" assumiu a posição benfiquista e criticou a postura portista de ataque ao árbitro do jogo, "O Jogo" assumiu a posição do Porto e procurou sustentar as respetivas teses, o "Record"... fez da vitória do Sporting em Olhão capa a toda a largura, dedicando ao clássico uma tira no cimo da primeira página.

Note-se bem que eu não estou com isto a dizer que "A Bola" é o orgão oficial do Benfica, como os portistas e sportinguistas gostam de dizer. Se fosse, não teria como colunistas Sousa Tavares, Rui Moreira, e Paulo Teixeira Pinto, entre outros. Não teria, por exemplo, Cruz dos Santos a dar "pareceres" sobre arbitragem constantemente desfavoráveis ao Benfica, até quando as evidências vão em sentido contrário e entram pelos olhos dentro. "A Bola" tenta ser equilibrada (e é, entre os 3 desportivos, a referência e o mais credível), embora sendo visível que há uma tendência mais benfiquista.

O "Record" é um jornal ligado ao Sporting. Tal como "A Bola" em relação ao Benfica, quando o Sporting perde (e tem sido muito), acaba por ser mais crítico para com o "seu" clube do que por vezes é em relação aos rivais.

Coisa diferente é o que se passa com "O Jogo". Se é verdade que existem lá jornalistas sérios e até alguns benfiquistas, a grande maioria é do Porto e não o esconde. E o jornal acaba por ser um eco das posições da direção do Porto. Aliás, existe uma diferença entre o conceito de isenção no Porto e em Lisboa, reflexo de uma mentalidade bairrista versus uma mais aberta.

Nessa medida, as coisas não ficam "empatadas". Ou seja, é muito mais pro-Porto "O Jogo" do que é pro-Benfica "A Bola".

Até aqui tudo relativamente normal. O problema (em termos de intoxicação da opinião pública) surge quando analisamos outra imprensa de referência, nomeadamente o Diário de Notícias, a TSF ou a RTP e a Antena 1 (com a agravante destas duas últimas serem estações públicas, que vivem do dinheiro dos contribuintes). Isto para já não falar, claro está da SportTV.

Porque nessa imprensa de referência verificamos que o clube do Porto continua a ter uma predominância muito grande. Só assim se explica que alguém como Manuel Queiroz, conhecido portista, com ligações fortes à direção do clube e absolutamente incapaz de ser imparcial nas suas análises, continue sistematicamente a comentar tudo que é jogo do Porto e até muitos do Benfica.

Este homem está na TSF, na Antena 1, no DN, na TVI, na RTP Norte. Ele está em todo o lado apesar de qualquer adepto de futebol conhecer bem a sua preferência clubística tanto mais que ela é absolutamente indisfarçável.

Ontem no "Diário de Notícias", que é o congénere de Lisboa ao "Jornal de Notícias", Manuel Queiroz fez algo que eu estava habituado apenas a ver em blogs clubísticos (e mesmo assim só nos mais fanáticos): enunciou todos os lances em que jogadores do Benfica poderiam ter levado cartões amarelos (algumas ridículas e patéticas na alegação de que seriam merecedoras dessa punição disciplinar) e não citou nenhum (e foram tantos!) em que jogadores do Porto podiam ter levado cartões amarelos e até vermelhos!

Que falta de seriedade! Que desonestidade intelectual! Que insulto à inteligência dos leitores!

Agora notem bem, isto não foi no "JN", isto foi no "DN". Mas como nós somos Mouros, temos que comer com isto.

O que sucederia se algum benfiquista fosse escrever dislates em sentido inverso (por exemplo dizendo que o Porto deveria ter acabado o jogo com 8 e ter tido duas penalidades contra) no JN?

Como o título deste post afirma, a imprensa assume cada vez mais as suas cores clubísticas e partidárias. É pena, porque deixamos de ter confiança nela. É pena porque somos empurrados para posições cada vez mais radicais e fecham-se as portas para o diálogo, para o entendimento, para a convivência.

Neste quadro não podemos porém ser os papalvos da história. Estou seguro de que não devemos optar pelos mesmos métodos, pois isso só nos tornaria iguais a eles. Mas temos a obrigação de não nos deixar espezinhar, de defender as nossas cores, de não deixar denunciar sempre, a todo o momento, a falta de honestidade desta gente.

No espectro oposto saúdo a lucidez de Carlos Daniel. Muito embora alguns benfiquistas possam não ter gostado da sua análise ao jogo, eu penso que ela foi equilibrada e que tentou identificar as causas pelas quais se arrasta a incapacidade do Benfica vencer o Porto, sem branquear proençadas e afins e deplorando as declarações do treinador do clube do Porto. Existem ainda assim muitos que se tentam distanciar, que tentam ser objectivos, cuja forma de estar não visa a propaganda ou ofender os adversários.

E há mais uma lição a tirar desta história: enquanto o grupo de Joaquim Oliveira tiver esta posição na sociedade portuguesa e no mundo do futebol em particular o Benfica terá muita dificuldade em vencer de forma consistente e sustentada. Era bom que os nossos dirigentes o percebessem de uma vez por todas. É que os jogos, como outros confrontos do domínio da estratégia, se começam a ganhar no plano das mentes e da psicologia. E esta, neste momento, apesar enfrentarmos gente sem ética desportiva, é-nos desfavorável. A causa? O anti-benfiquismo é todos os dias instilado na opinião pública.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Boas Festas, feliz "boxing day"

Em Inglaterra festeja-se o boxing day, o dia 26, como parte das comemorações natalícias. Em todo o mundo, cristão mas não apenas, festeja-se nesta altura, nesta quadra, o Natal, o ano Novo, o Dia de Reis.
A todos os nossos visitantes e leitores habituais queria assim desejar bom resto de Natal, Boas Festas, com muita amizade, Paz e conforto.

Em Inglaterra jogou-se (e joga-se ainda a esta hora) mais uma jornada da Premier League. O Manchester United venceu o Newcastle por 4-3 com o seu último e decisivo golo a surgir exactamente ao minuto 90. Mais uma vez Inglaterra destaca-se pela espectacularidade e emotividade dos seus jogos.

Em Portugal haverá no fim de semana mais uma jornada da Taça da Liga, podendo uma vitória dar a qualificação matemática ao Benfica.

Entre estes dias procuraremos ainda aqui no Justiça Benfiquista recuperar algumas das situações mais marcantes e mais hilariantes do ano.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Domingos Amaral sacrifica a verdade desportiva à sua vaidade

Há coisas estranhas - ou talvez não.

Numa altura em que finalmente se começam a ouvir vozes independentes (não só já de benfiquistas) a dizer com clareza que o Porto continua a ser constantemente beneficiado pelos árbitros; numa altura em que começa a ser patente o nervosismo da estrutura portista e o esgotamento, por exaustão, da sua propaganda, surge um "benfiquista" a publicar um livro espantoso. Um livro que diz que vai revelar "porque é que" o Porto "é campeão" e o Benfica "só ganha Taças da Liga". A revelação não tarda: o Porto paga mais salários.

É mesmo isto. É tão primário e simplista quanto isto.

A tese é por si mesma absurda. Evidentemente que não é por pagar mais ou menos que a essência da qualidade de um jogador se altera. O que o autor quererá dizer é que quem pode pagar mais tem melhores jogadores e quem tem melhores jogadores ganha.

Mas isto não é necessariamente verdade.

Em 1996-97 o Barcelona de Robson (que tinha tinha Figo, Ronaldo, Stoichkov, Giovanni, De la Pena, Guardiola, Luis Henrique, Nadal, Fernando Couto, Baía, etc, etc) ganhou tudo - menos o campeonato.

O Real Madrid dos "galácticos" esteve 3 anos sem ganhar qualquer troféu (e na altura ainda não existia Messi) e ainda por cima foi várias vezes goleado. 

O Chelsea de Abrahmovic constantemente investiu milhões e milhões em estrelas e até Mourinho não conseguiu ser campeão (e depois dele só por uma vez, com Ancelotti). Por outro lado, Mourinho foi campeão em Itália sem ter, de perto nem de longe, os melhores jogadores.

Os exemplos podem ser multiplicados.

Mesmo que a tese fosse verdadeira, dado que o Benfica é: o clube com mais sócios, com maior receita de quotização, com mais adeptos, com o maior Estádio em Portugal e com mais assistências nos seus jogos o enfoque do livro (se o autor fosse realmente um benfiquista e não alguém que se quer usar do Benfica para fazer fama) deveria ser "como pode o Porto pagar mais do que o Benfica"?

O monopólio da Olivedesportos e a forma como esta beneficia o Porto são aspectos abordados no livro mas que se diluem face a um título daqueles. Título que parece feito para gozar com o Benfica e desvalorizar a Taça da Liga - algo que naturalmente agrada aos portistas mas que se estranha muito que algum benfiquista possa sequer aceitar quanto mais promover.

Aliás muito haveria a dizer do rigor desta publicação, mesmo nos seus pressupostos. Domingos Amaral, pelo que me foi dado a perceber, fez uma pesquisa leviana e de um grau de superficialidade quase incrível. Limitou-se a ir aos Relatórios e Contas dos clubes sem verdadeiramente trabalhar e analisar os dados, chegando ao ponto de nem sequer contabilizar devidamente salários e prémios de jogo.

O livro presta um serviço aos argumentos do sistema e um pretexto para nada mudar: afinal está tudo bem, o que o Benfica precisa é de gastar mais. E o Sporting também, provavelmente. Notável. Por isso foi ver na segunda-feira Guilherme Aguiar a exibir orgulhosamente esta obra prima da literatura futebolística. Pudera! Ele bem sabe como ela lhe poderá servir de alibi para mais uns penalties e umas expulsões. Já nem é preciso argumentar que o árbitro não viu daquele ângulo ou que o jogador estava a proteger-se. Basta acenar com o livro. Lá está declarado, lá está provado: ganha (o campeonato) quem gasta mais. Quem gasta menos ganha a Taça da Liga e provavelmente quem não gasta nada ganha a Taça de Portugal. Lamentável.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Até já há mortes - mas continua a não se passar nada

O jogo de sexta em Braga ficou marcado pela tragédia.
O que se passou não terá sido muito diferente do que a claque do Porto fez em muitos outros locais do país. Nem sequer isso é segredo, não se coibindo o líder daquela claque de publicar em livro tais façanhas.

Desta vez porém as consequências foram fatais. Um adeptos que fugia da claque em fúria foi atropelado e morreu.

Não sabemos o que se passou antes. Existem relatos que falam de apedrejamentos ao autocarro do Porto. De acordo com alguns a vítima poderia ter participado neles, de acordo com outros nada teve que ver e ia sozinho em direcção ao estádio quando começou a ser perseguido pelo bando de marginais.

A noite foi, de acordo com inúmeros relatos, de violência e terror: apedrejamentos, combates de bandos, um atropelamento fatal, dezenas de disparos de shotgun por parte da polícia e um verdadeiro caos vivido em várias zonas da cidade de Braga.

O que dizer sobre isto? Pelos vistos, para além de Rui Santos, de uma ou outra notícia muito a medo na imprensa, sobretudo n' "A Bola" e dos próprios habitantes do bairro das Andorinhas (palco principal dos confrontos) que viveram uma noite de terror, ninguém parece muito preocupado com o assunto.

E porque haveria de estar? Não vem isto acontecendo há anos (há décadas!) sem que ninguém tome medidas?

Não foi mesmo permitido, como atrás se refere, ao líder do mais activo bando de delinquentes do País, vangloriar-se de tais despautérios?

Como já tenho referido, a violência das claques é um problema que afecta todos os clubes e em relação à qual são necessárias medidas enérgicas. Ninguém está inocente nesta matéria. Infelizmente porém a impunidade é a regra neste País, sobretudo para o que se passa no Porto, onde para além disso existe uma grande promiscuidade entre clube e claques.

Impunidade que começa pela situação de um presidente que deveria, ao invés de se passear com meninas que têm idade para ser suas netas, estar atras das grades na companhia de Vale e Azevedo. Para além dos crimes de corrupção e promoção da prostituição, Pinto da Costa inúmeras vezes incitou ao ódio e violência. Outras tantas se utilizou das claques e de outros grupelhos criminosos para intimidar ou agredir quem se atrevia a fazer-lhe frente.

Sexta-feira já houve uma morte. Temo porém que ainda não tenha chegado para que alguns percebam o que se vem passando. Estou certo de que nada mudará - a não ser para a vítima e para a sua família. Esses ficaram com a vida estragada. Mas Pinto da Costa e os seus sequazes continuam a dormir descansados.

Adenda: testemunhas dizem que o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida.

"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
Desmentindo ter feito qualquer emboscada, a claque Red Boys (à qual pertencia João Mico), através do líder, Carlos Cerqueira, diz ter sido informada de que o veículo que transportava adeptos do FC Porto terá chegado a Braga “sem qualquer escolta policial”. “Queremos saber também por que parou na via rápida”, declarou."

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Claques por trás dos distúrbios de ontem?

Soubemos que pessoas que estiveram ontem em São Bento suspeitam que alguns dos elementos mais violentos e marginais claques de futebol tenham estado por detrás dos distúrbios de ontem, promovendo o vandalismo e a destruição de bens que pertencem a todos nós. (Quem vai arranjar? Quem vai limpar? Quem vai pagar os estragos?).
Não apenas os petardos mas alguns cânticos e mesmo métodos de atuação poderiam ser indicativos disso mesmo. Veremos nos próximos dias se há ou não verdade nisto.
A propósito, até quando se permitirá a entrada no Estádio da Luz de petardos? Será preciso mesmo sermos castigados pela UEFA para isto parar?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Injustiça Portuguesa

Folheava hoje um jornal quando me deparei com esta notícia:
Oito anos de cadeia por tentar matar a mulher.

E lembrei-me de Vale e Azevedo.
É um caloteiro? Certamente. Mentiroso compulsivo? Certamente. Prejudicou muito o Benfica? Sem dúvida.

Mas que se saiba não matou nem tentou matar ninguém. Como é então possível ter uma pena superior a homicidas? Como é possível que indivíduos violentos (outra notícia de ontem), com amplo cadastro, que ameaçam de morte pessoas pacíficas, sejam mantidos em liberdade até voltarem a matar?

E depois deste pensamento me vir à mente, li este excelente post: Cores diferentes, justiças diferentes.

Realmente há uma outra personagem corrupta da nossa vida pública que passa com toda a impunidade por processos vários, que incluem mesmo violência e agressões e relações pouco claras com associações criminosas.

Aí já nenhuma prova é válida, já nada serve para condenar.

Portugal atravessa uma grave crise, mas a sua principal raiz é moral. Sem educação, sem valores, sem justiça não há sociedade que funcione.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Participação Portuguesa nos Jogos Olímpicos - decepcionante

A 5 dias do fim dos Jogos Olímpicos, Portugal continua com zero medalhas e prestações modestas, quando não decepcionantes.
O cenário só não é completamente desolador porque temos o remo, onde já estivemos presentes numa final, o double skull, e a canoagem em que estaremos amanhã, quarta-feira dia 8, em mais duas: k2 1000 m masculinos às 10.16h e k4 500 m femininos às 10.44h. Jessica Augusto teve uma participação honrosa na maratona feminina e Clarisse Santos, uma amadora, alcançou um feito enorme ao estar presente na final dos 3.000 m obstáculos. Temos ainda uma cavaleira na final de saltos e um cavaleiro na final de ensino individual, em hipismo.
Para avaliar os resultados de Portugal é preciso perceber que há neste momento 70 países medalhados e que desde 92 que não voltamos dos Jogos Olímpicos sem conquistar medalhas. Que dos países da União Europeia, para além de nós, apenas os seguintes não conquistaram ainda medalhas: Áustria (8,3 milhões de habitantes), Luxemburgo (500.000), Irlanda (4,5 milhões), Bulgária (7,7 milhões), Letónia (2,3 milhões) e Malta (400.000).

Todos os outros países da União Europeia, incluindo a Lituânia (3,3 milhões de habitantes), Chipre (800.000), Estónia (1,3 milhões), Eslovénia (2 milhões), Eslováquia (5,4 milhões), conquistaram já no mínimo uma medalha.

Países de dimensão semelhante à nossa (10,6 milhões) conquistaram até ao momento:

Bélgica (10,7milhões) - 3 medalhas
Hungria (10 milhões) - 8 medalhas
República Checa (10,5 milhões) - 5 medalhas
Suécia (9,2 milhões) - 6 medalhas.

A Holanda (menos de metade do tamanho de Portugal, com uma população de 16,4 milhões), tem "apenas" 13 medalhas. A Espanha, que tem estado menos bem, tem ainda assim 6 medalhas e antevê-se que venha a conquistar mais.

Estes são os dados, objetivos e comparativos, da nossa participação. A avaliação só pode ser uma: um fracasso que só não é completo em virtude do remo e, talvez, da equitação.

O que pode explicar estes resultados embaraçosos?

Os factores serão certamente múltiplos mas para explicar tantos maus resultados alguma coisa estará a ser mal feita.

Façamos o exercício ao contrário: porque estão os resultados do remo e da canoagem (modalidades em que não temos tradição) a ser tão positivos em contraponto à triste prestação da vela?

Penso que a resposta é a mesma que noutros domínios da vida explica o sucesso: muito trabalho e organização. Sem planeamento, sem continuidade, sem saber o que se está a fazer é impossível vencer nestes patamares. Depois há o trabalho e as aptidões físicas.

E é tudo isto que está a faltar no desporto em Portugal.

Certamente não somos dos povos fisicamente mais aptos do planeta. É evidente que não temos velocistas, como dificilmente temos atletas ou ginastas que possam competir ao mais alto nível. Os nossos melhores atletas, como Naide Gomes e Nélson Évora são a excepção mas se olharmos para modalidades como o lançamento do peso, do martelo ou do dardo, apenas conseguimos pensar em Marco Fortes que é um atleta apenas médio a nível internacional. A nível da ginástica então não temos nenhum nome de relevo.

Não podemos competir com os melhores (americanos, chineses e franceses) na natação. Não temos representantes no boxe, na luta livre ou no levantamento de peso. No judo, que combina técnica e vontade com força e atleticismo, conseguimos nos últimos anos bons resultados, nas categorias mais leves.

Em suma, não somos os melhores atletas, nem o mais forte dos povos, é preciso admiti-lo. Isso não quer porém dizer que sejamos os piores ou que não possamos nunca ganhar.

Uma das razões pelas quais não somos grandes atletas é a ausência de uma cultura de desporto em Portugal. O desporto promove o desenvolvimento das aptidões físicas, ao passo que a inércia o seu definhamento. Em Portugal o desporto escolar é pouco menos do que uma anedota, especialmente quando comparado com os países desenvolvidos, nos quais existem equipas das escolas e universidades que disputam campeonatos entre si nas mais diversas modalidades.

A ausência de cultura desportiva também se reflecte na pouca adesão do público ao desporto que não o futebol. O que faz com que as modalidades, sobretudo as não colectivas, se desenvolvam quase na clandestinidade, sem apoios nem visibilidade. O que mata a alta competição.

As multidões que enchem os estádios ingleses para ver Usain Bolt, a canoagem ou a maratona transformar-se-iam em Portugal nalgumas centenas ou poucos milhares de espectadores. O português tem pouca cultura de ar livre, prefere ficar em casa a ver televisão. Tudo isto se reflete na nossa prestação nos olímpicos, pois os nossos atletas emanam do nosso país e não de uma esfera celestial.

Outro factor que se reflete nos nossos resultados internacionais é o estado geral de falsificação do desporto competitivo em Portugal. Enquanto não houver uma limpeza geral dos orgãos dirigentes do desporto português (que do futebol se transmite à generalidade das modalidades), que só acontecerá com uma intervenção do governo e das autoridades judiciais, dificilmente o desporto será limpo e são. Sem isso não há verdadeira competitividade nem verdadeiros campeões, apenas espertos que manobram o sistema em benefício próprio e para ilusão de muitos.

Por fim, tendo consciência das limitações do país, inclusivé financeiras, as autoridades deveriam provavelmente concentrar esforços nalgumas modalidades, nas quais temos mais possibilidades de vencer. A vela é um exemplo lamentável. Com costa, vento e uma tradição de séculos acabamos a fazer tristes figuras, a desprestigiar o país. Não estão em causa os atletas, que darão o seu melhor mas está certamente em causa a Federação da modalidade (uma coutada de alguns) e uma falta de aposta do governo e privados na modalidade. Também no meio fundo e no fundo temos tido grandes atletas e a aposta tem que ser renovada. No judo os maus resultados não devem levar ao desinvestimento mas antes a uma nova aposta. É um desporto e uma arte que tem tradição em Portugal e que, ao contrário de outros ditos desportos de combate, não promove a violência mas sim a disciplina, o respeito por si próprio e pelo adversário. O futebol deveria também estar nos jogos e se isso não acontece, a responsabilidade é da federação, dos clubes e dos dirigentes que não apostam devidamente na formação e no jovem jogador português.

É precisa uma reflexão de fundo. Aqui ficam algumas ideias.