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terça-feira, 25 de junho de 2013

Meio campo do Benfica 2013/14

Como já assinalei anteriormente, o meio-campo do Benfica tem, ao longo dos 4 anos de comando técnico de Jorge Jesus, passado por várias versões.
A primeira versão foi a única campeã. Eis abaixo a equipa tipo desse ano.

Benfica versão 2009/10. 



Foi um modelo único e irrepetível, pois dependia muito das características e da qualidade dos intervenientes: da velocidade de David Luis, da capacidade de cobertura, pressing e ocupação dos espaços defensivos de Javi Garcia, do pulmão e dos equilíbrios gerados por Ramirez.

Este Benfica era tão forte - e tão rápido - que o jogo praticamente não se desenrolava no meio-campo. O Benfica asfixiava os adversários e estava a maior parte do tempo a atacar. As outras equipas quase se remetiam à defesa e a contra-ataques esporádicos. 

No ano seguinte, 2010/2011, saíram Ramirez e Di Maria (tal como Quim, substituído por Roberto). O esquema táctico manteve-se, mas apenas no papel pois a dinâmica era completamente diferente. As asas do Benfica campeão, Di Maria e Ramirez, tinham sido substituídas por Gaitan e Sálvio. Ora apesar destes serem bons jogadores, as características não eram as mesmas. Por um lado Gaitan, apesar de toda a sua qualidade e das suas arrancadas, não tem a velocidade de Di Maria e a capacidade de dar "esticões" como o seu compatriota. Por outro lado, Sálvio não fazia os equilíbrios defensivos que Ramirez fazia pelo que Javi Garcia começou a estar demasiado exposto, com a consequência do Benfica não conseguir ser uma equipa tão pressionante. Daí o aparecimento de César Peixoto na equipa (o que manifestamente não constituía uma solução para o grau de exigência em causa). Juntando Roberto a este quadro, estava preparada a receita para o desastre que aconteceu nos jogos em que o Benfica enfrentou adversários fortes, sobretudo fora de casa.

No ano seguinte, Jesus foi buscar Witsel, que inicialmente foi apresentado como um médio ofensivo. Muitos de nós benfiquistas pensámos que tal contratação era algo estranha, pois tínhamos já Aimar e Bruno César para o lugar, e o próprio Gaitan podia desempenhar tais funções. 

A verdade porém é que Witsel não veio propriamente substituir Aimar mas sim o esquema de jogo do Benfica, apesar de Jorge Jesus ter na altura afirmado que nada se alterara, apenas os jogadores. A realidade é que o meio-campo do Benfica passou a ter dois homens - Javi e Witsel. Com um Saviola cada vez menos produtivo, Aimar surgiu algumas vezes no apoio ao ponta de lança, Cardozo. Mas houve alguns equívocos, como Jara e, na defesa, Emerson.

Do esquema de 2009/10, que se pode classificar coma uma variante do 4-4-2 "diamante" com Javi a assumir as tarefas defensivas e Aimar as ofensivas e Ramirez a fechar no meio quando a equipa perdia a bola, passou-se a um 4-4-2 de pendor ofensivo mais convencional com os dois jogadores do corredor central a jogarem mais perto um do outro.

Esse esquema dos dois homens no meio não se alterou substancialmente com a saída dos dois titulares, já com o campeonato deste ano a decorrer. Com efeito, Javi foi substituído por Matic e Witsel por Enzo Perez. Sendo Matic mais tecnicista que Javi e Enzo mais esforçado e de maior rotação que Witsel, o Benfica teve um meio campo mais dinâmico, em que os dois jogadores se complementaram bem e alternaram nas subidas ao meio campo contrário, ao passo que no esquema anterior Javi era mais fixo e Witsel mais um médio de construção/equilíbrios.

Chegados a este ponto, estamos perante a possibilidade de Matic, face à extraordinária época que realizou, vir a sair. Por outro lado, Djuricic já está contratado, o que à partida parece apontar para um esquema mais parecido com o do primeiro ano.

Nesse esquema, Matic poderia desempenhar a função que Javi Garcia ocupou em 2009/2010 - mas Enzo não. No esquema de um playmaker atrás de dois avançados puros, é necessário um trinco. Mas mesmo essa solução, se não existir um Ramirez, será certamente insuficiente para defrontar adversários mais poderosos que nos criam outro tipo de dificuldades em termos defensivos e de ocupação do meio campo, que não se colocam quando jogamos com a maioria das equipas do nosso campeonato. 

É que o sistema de 4-4-2 diamante, que parece reunir o melhor de dois mundos (dois pontas de lança, um criativo e um meio campo de 4), para funcionar precisa de jogadores nas alas que tenham a capacidade de defender e mesmo juntar ao meio (como fazia Ramirez) quando a equipa não tem a bola, abrindo pelo contrário bem nos flancos quando a equipa ataca. Nem Sálvio, nem Ola John têm estas características em termos defensivos. Gaitan é o único dos que jogam nas alas que pode dar um pouco disso ao Benfica mas é um jogador de muitos altos e baixos.

A alternativa seria um meio campo idêntico ao deste ano (um 4-4-2 mais clássico com dois jogadores no meio) e Djuricic a fazer a ligação com o ataque, como aconteceu nalguns jogos na época 2011/2012. Mas sem Cardozo na frente, um esquema desses parece pouco acutilante em termos ofensivos... Além disso, ele recorda-nos o demasiado inofensivo modelo de Quique Flores.

Por outro lado, não parece crível que JJ venha agora adoptar um sistema diferente, por exemplo um 4-3-3, apesar deste se poder adaptar bem às características dos sérvios já contratados e dos extremos que temos (Sálvio, Ola John e Gaitan, caso continue).  Jesus não quererá no quinto ano passar a um novo modelo que implique deixar de jogar com dois pontas de lança, algo que tem sido a sua imagem de marca desde que chegou ao Benfica.

Muitas dúvidas subsistem portanto em relação à forma como o meio campo do Benfica se disporá para o ano. Uma coisa me parece porém certa: face a tanta incerteza, a presença de Matic no plantel da próxima época seria uma garantia não apenas de estabilidade como de fiabilidade e consistência. Ela permitiria várias soluções, desde um mais arriscado sistema em que apenas ele e Djuricic assegurariam o meio campo até  uma mais conservadora em que ele e Enzo manteriam os seus lugares e Djuricic poderia alternar com um dos avançados, por forma a manter o sistema de 4-4-2. Teremos que esperar para ver, mas espero que estas questões estejam já relativamente delineadas na cabeça de Jesus e que se comecem rapidamente (para além da questão do lateral esquerdo) a encontrar soluções para os diversos cenários possíveis.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O que diz JJ e como o recebem os benfiquistas

O treinador do Benfica é tão conhecido pelas suas tácticas e resultados como pelos seus ditos.
Jorge Jesus é um homem com pouca instrução que, como ele próprio já admitiu, se criou muito na rua e, mais tarde, cresceu no mundo do futebol.
Expressa-se portanto com várias deficiências no tocante ao Português e tem tiques que muitos gostam de apontar, como o mexer no cabelo ou mascar pastilha.
Para mim tudo isso é absolutamente irrelevante. Numa sociedade que anda sempre a cantar a igualdade e a falar com rancor dos "grandes" nem percebo como podem ser estas questões, que no fundo são "de berço", constantemente trazidas para o discurso público.
Coisas diferentes são a educação e o respeito que se devem patentear no trato com os outros. Aí Jesus, por força do seu carácter impulsivo tem tido vários comportamentos criticáveis, pelos quais já tem sido castigado e que a estrutura do Benfica deve procurar corrigir.
Acontece que por vezes se confundem estas duas ordens de questões. A que se junta uma terceira: uma propensão para declarações polémicas, frontais e umas vezes incompreendidas outras deslocadas. Todos temos os nossos momentos menos bons e JJ, que se expõe bastante, acaba por as ter com alguma frequência.
Mas convenhamos: tudo isso (refiro-me às declarações, desde que naõ ofensivas ou insultuosas) é secundário - o que conta realmente são os resultados dentro de campo.
Por isso tenho alguma dificuldade em entender que sejam muitas vezes os próprios benfiquistas a ser mais críticos com o seu treinador do que a generalidade do mundo futebolístico.

Vem isto, bem entendido, a propósito de declarações recentes de JJ, a saber:

  • a de que o plantel (subentendendo-se que se referia a Luisinho e André Gomes) vai dando para o campeonato mas a Liga dos Campeões é outra história
  • a de que Melgarejo nunca seria extraordinário como atacante
  • a de que o Benfica antes dele era o que era.
Em relação às duas primeiras, considero que não serão as mais apropriadas. Uns acharão que elas são desmotivadoras para os jogadores em causa (e poderão ter razão, mas a este nível os jogadores têm que ter uma estrutura psicológica sólida e certamente que nos treinos JJ não lhes dirá que não prestam - se estão no plantel é porque têm qualidade para tal), outros considerarão que elas exprimem realidades e que poderão até "espicaçar" os jogadores (algo que não é fácil de comprovar).

Já quanto à terceira porém, nada como ir aos factos.

Que nos mostram isto:
JJ                                           Antes de JJ
2010 - 1º (76 pontos)            2007 - 3º (59 pontos)
2011 - 2º (63 pontos)            2008 - 4º  (52 pontos, atrás do V. Guimarães)
2012 - 2º (69 pontos)            2009 - 3º (67 pontos)
Em termos de outros títulos para além do Campeonato, no triénio anterior a JJ conquistámos uma Taça da Liga (com Quique, na polémica final contra o Sporting), ao passo que no triénio de JJ conquistámos 3 taças da Liga.

Em matéria de golos, o balanço é este:
JJ                                          Antes de JJ
2010-2012                            2007-2009 
GM   GS    DG                   GM    GS     DG
205    78    127                   154    73      81
GM - Golos marcados
GS - Golos sofridos
DG - Diferença entre marcados e sofridos.

O triénio anterior (entre 2004 e 2006) foi o de Trapattoni (um campeonato) e Camacho (uma Taça), títulos que marcaram o regresso às conquistas: Antes deles o Benfica não vencia uma Taça havia 8 anos e um Campeonato havia 10.

Nas competições europeias é o que sabemos, para além de uma excelente campanha de Koeman, os longos anos entre Toni e Jorge Jesus foram um completo desastre que incluiram várias goleadas de equipas secundárias. Convém não esquecer isso quando se fala de "oportunidades perdidas" contra o "Barcelona B".

Ou seja, o passado e o presente são realmente incomparáveis e nisso JJ tem razão.

E já nem estou falando da valorização de jogadores (Di Maria. Cardozo, Aimar, Ramirez, Coentrão, David Luiz, Witsel, Javi Garcia, entre outros), na adaptação de outros e no aproveitamente (recente, é certo, mas que espero seja para continuar) dos jovens da formação, para o que a equipa B veio dar um grande impulso.
Quanto ao resto, Jesus deve ter mais contenção (e penso que tem aprendido nesse capítulo) e, na minha perspectiva, respeitando o que os outros pensam, os adeptos devem-se é concentrar no essencial e não em factores acessórios, apoiando a equipa, sobretudo quando tantos poderes ocultos a tentam desestabilizar e prejudicar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ainda as transferências de Hulk e Witsel

Não me alegro com a desgraça de ninguém mas também dificilmente poderá ser chamada de desgraça a situação de Hulk (e, em menor grau, de Witsel) neste momento no Zénite.

No entanto, não é agradável chegar a um clube e ser motivo de ataques dos próprios colegas.

A situação no entanto não me causa propriamente surpresa. Os valores quer das transferências, quer dos ordenados, pareceram-me desde logo manifestamente inflacionados. Os jogadores do Zénite não gostaram e um deles disse mesmo "se tivessemos contratado o Ronaldo ou o Messi ainda compreendia, mas não foi isso que aconteceu".

De Hulk disse eu neste blog, a dada altura: "os valores da transferência de Modric mostram que o que o Porto quer por Hulk é irrealista - a não ser que o dinheiro venha da Rússia" e, num outro momento: "Um jogador super protegido no campeonato português, o "super herói" apaga-se sempre nos palcos internacionais. Hulk é um bom jogador mas não é excepcional".

Agora confirma-se. O valor dos jogadores do Porto está inflacionado em Portugal em virtude do proteccionismo de que beneficiam por parte dos árbitros e do sistema. Houve certamente grandes jogadores no Porto: Jardel ou Falcao são os casos mais evidentes. Falcao está mesmo no top mundial. Por isso saiu por valores tão elevados. A maioria dos que saiem são porém bons jogadores que são transferidos (em parte por adulteração da competição em Portugal) por preços inflacionados - e o mercado europeu já o começou a perceber.

Olhe-se por outro lado para onde estão e como jogam os jogadores do Benfica que sairam nos últimos anos: Di Maria, David Luiz, Javi Garcia, Fábio Coentrão, Ramirez. Dois deles foram campeões europeus no ano passado (e como jogaram!), ao passo que Di Maria é titular e muitas vezes um dos mais perigosos jogadores do Real Madrid. Vaja-se como o próprio Saviola, a outro nível, está a demonstrar a sua qualidade. No entanto em Portugal eram "caceteiros", "simuladores"... E sofriam na pele essa fama. Neste nosso futebol a brincar, Aimar foi, de acordo com os árbitros e comissão disciplinar, o jogador que protagonizou o lance mais violento de toda a época passada! Isto parece uma anedota mas aconteceu mesmo...

Enfim, é só mais uma achega e mais um sinal de quão pervertido está o futebol em Portugal. Nesta medida compreendo perfeitamente e apoio a iniciativa dos adeptos para o jogo da próxima terça-feira com o Barcelona.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Enzo Peres e o meio campo do Benfica

Face à saída de última hora de Witsel o Benfica ficou com um problema no meio campo.

Como todos se recordam, no primeiro ano de Jesus no Benfica, Javi Garcia assumia sozinho o lugar mais recuado do meio campo (à frente tinha Aimar) mas a versatilidade e a tremenda capacidade física de Ramirez davam à equipa um equilíbrio defensivo que se perdeu no ano seguinte. Foi o tal ano catastrófico em que a equipa parecia bipolar. Apanhado em contrapé, o Benfica expunha-se tremendamente - e consequentemente sofremos um número anormal de golos nessa época, perdendo ingloriamente vários troféus (nomeadamente não estando, pelo menos, nas finais da Liga Europa e da Taça de Portugal).

Na terceira época de Jesus, foi contratado Witsel. Inicialmente pensando-se tratar-se de um substituto para Aimar (que foi nalguma medida), Witsel veio sobretudo dar outro desenho ao nosso meio campo. Jogava tanto ao lado como à frente de Javi, permitindo outros equilíbrios, outra gestão da posse de bola e outra segurança defensiva.

Este ano perdemos Witsel (e Javi) pelo que a forma de jogar terá que ser outra.

Nesta medida, há soluções que se podem utilizar para jogar à frente de Matic. Desde logo Carlos Martins: quando em boa forma física penso que poderá ser titular muitas vezes. Mas também há Bruno César, que pode jogar no meio, com características diferentes de Aimar. E, além deste último (que jogará sobretudo num esquema de apoio a um único ponta de lança ou como 10, sozinho à frente de Matic, em jogos "fáceis" em casa), há ainda Enzo Peres.

O jogo de ontem de Enzo agradou-me, tal como já tinha gostado da sua exibição em Setúbal, numa posição diferente, na ala mas derivando também para o meio, onde se sente muito bem.

Enzo tem características diferentes dos nossos restantes jogadores pois gosta de ter a bola, que trata muito bem. É um futebolista maduro, que tem noção o que fazer à bola, no que recorda Witsel. Não tem a mesma capacidade defensiva deste último mas tem uma maior intencionalidade atacante. Enzo tem ainda polivalência, pois além da ala e da posição 8, como agora se diz, pode ainda jogar mais à frente, como 10, na posição de Aimar. Conheço aliás quem defenda que esse será o seu lugar mais natural no futuro.

A sua boa exibição no exigente jogo de ontem, de que o momento alto foi o passe soberbo a isolar Rodrigo, é mais um aspecto positivo que retiro do jogo de ontem.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Últimas transferências - faltam 3 dias

Emisários do Manchester City estiveram em Setúbal. Só eles saberão quem vinham observar e a imprensa especula em Javi ou Witsel. Ambos são importantíssimos para o Benfica.
Modric finalmente assinou pelo Real Madrid, o que assegura que Witsel não sairá para o Barnabéu. Só mesmo o City poderia, nestes dias que faltam para o fecho do mercado de transferências, pagar a cláusula de rescisão e levar-nos este grande jogador. A possibilidade Javi também aumentou e o "Record" diz hoje que o próprio treinador já disso teria sido informado. A confirmar-se seria um dos mais duros golpes, mais ainda do que Witsel. Desde 2009 Javi esteve praticamente em todos os jogos. A sua presença na equipa, a sua capacidade física e a sua garra são fundamentais para o equilíbrio do Benfica. Espero muito honestamente que não saia.
Fala-se também na possível saída de Gaitan para o Liverpool por 12 milhões de euros. Seria um bom negócio que o Benfica deveria aceitar. Também o "Record" fala no interesse da Juventus por Cardozo e numa oferta de 8 milhões. Há a questão Eliseu, Saviola e outros empréstimos e saídas a negociar.

Por outro lado, no Porto, há ainda a questão Hulk. É evidente a vontade do jogador em sair e a necessidade do clube realizar dinheiro. Por outro lado, os valores da transferência de Modric mostram que o que o Porto quer por Hulk é irrealista - a não ser que o dinheiro venha da Rússia. Eu creio que o Porto tem um problema no meio campo, pois além dos titulares Fernando, Moutinho e Lucho tem apenas Defour e Castro (que também vai sair). A acrescer a este cenário, diz-se que Villas-Boas quer Moutinho, para substituir Modric. A sua eventual saída (em que apesar de tudo não acredito muito) seria desastrosa para o Porto. O que parece certo é que um deles sairá - Hulk ganha fortunas no Porto e o clube tem que realizar dinheiro até dia 31.

A "notícia" cómica do dia vem n' "A Bola". Depois de uma exibição como a de ontem do Sporting (que, como eu disse depois da 1ª jornada, não é candidato ao título e o mais certo é não se qualificar para a Liga dos Campeões), o jornal diz que o CSKA oferece 18 milhões por Wolfswinkel...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pai de Witsel diz que atleta fica

"A comunicação social é que se agita com uma transferência. Juro que não recebemos nada. Vai ficar." Desta forma taxativa, o pai de Witsel desmente a saída do jogador para o Real Madrid, que aliás já devia ter acontecido na passada semana. Assim o garantia "A Bola" há 15 dias.
Sempre liguei o alegado interesse do Real Madrid em Witsel às negociações em curso por Modric. Seria natural que o Real quisesse ter uma alternativa a uma contratação que se revelou tão difícil e que chegou a parecer poder não se concretizar.
A 10 dias do fecho do período de transferências e considerando como o mercado tem estado calmo, exceptuando o PSG e a recente contratação de Van Persie pelo Manchester United, parece-me pouco provável que algum clube avance com 40 milhões de euros e por isso Witsel deverá mesmo continuar no Benfica pelo menos mais esta época. São boas notícias.
Claro que deixa de se realizar a tão falada receita extraordinária necessária para equilibrar as finanças do clube, sobretudo se considerarmos que ao já considerável esforço financeiro da época passada se acrescentaram as entradas de Sálvio e Ola John, que acarretam não apenas os valores da transferência mas igualmente dos salários. Fala-se assim da saída de Saviola, um jogador bem pago e que pouco tem jogado, nomeadamente por troca com Eliseu. Veremos.
O que é certo é que Rodrigo Mora já saiu, do que aliás tenho pena. Em diferentes jogos, mas sobretudo no jogo contra o Gil Vicente, em que fez um hat trick, Mora impressionou-me pela positiva. Nélson Oliveira, idem. Se sair Saviola, ficamos ainda com Kardec (se continuar) para substituir Cardozo e com Mitchel e Hugo Vieira (e ainda Djaló) talvez para substituir Rodrigo. São ainda muitos jogadores.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Hoje já é terça...

E Witsel ainda não saiu. Pelo contrário, questionado no estágio da sua selecção sobre o interesse do Real Madrid, afirmou que se sente bem no Benfica. Esperemos portanto que não se confirme a manchete d' "A Bola" da passada semana que garantia que por esta altura Witsel estaria já em Madrid.

Em sentido um pouco inverso ao de Witsel parecem estar Hulk e o próprio Moutinho. Witsel sente-se bem e por sua vontade continua no Benfica, apesar do interesse de alguns grandes clubes. A sua cláusula de rescisão nem sequer é proibitiva. Já Hulk e Moutinho, em graus diferentes, manifestaram já vontade de sair mas não parecem existir interessados.
O campeonato está aí mesmo à porta. É já sábado às 20.15 h que recebemos o Braga na Luz.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"A Bola" garante que Witsel está de saída

Já tinha aqui falado do assunto anteriormente. "A Bola" assegura que Benfica e Real Madrid já acordaram na transferência de Witsel. Como disse na altura, se a palavra de Vieira for mantida e o Real pagar a cláusula de rescisão, então nada poderemos fazer para impedir a saída. No entanto, teria que se garantir rapidamente um substituto de qualidade e provas dadas, pois Witsel foi fundamental no ano passado para o equilíbrio do meio campo - não podemos voltar ao sistema de Javi Garcia sozinho naquela zona do terreno. São porém vários "ses" e temos que aguardar para ver. Os desportivos têm, durante esta silly season, brindado os seus leitores com muitas "notícias" de proveniência duvidosa e intuitos mal disfarçados, desde os elogios desmedidos ao Sporting, que estaria a construir um plantel temível..., até às milionárias propostas por Hulk, que nunca se confirmaram. Enfim, há que escrever alguma coisa.
Até eu já estou a cair nisso...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Witsel (afinal) viajou com equipa

De acordo com a imprensa desportiva, Witsel poderia já não viajar com a equipa para o jogo de hoje com a Juventus, o que indicaria que a sua saída estaria eminente, tanto mais que o Tottenham terá recusado uma oferta de 48 Milhões de Euros por Modric.
Afinal, os mesmos desportivos dizem que afinal Witsel viajou. Temos entretanto já jogadores do Madrid como Pepe dizerem que Witsel é um grande jogador e seria uma boa contratação para o Real.

A confirmar-se a saída será uma pena, mas infelizmente o futebol dos nossos dias é assim. Desde o acordão Bosman e do fim da limitação do número de estrangeiros que era inevitável que assim fosse.

Indivíduos como Jorge Mendes (que estará envolvido no negócio) vivem luxuosamente à conta de transferir jogadores de uns clubes para os outros. O seu interesse é obviamente que existam muitas e vultuosas transferências. Quanto mais melhor.

Quanto a substitutos, os jornais falam de Manuel Fernandes, cujas "características agradariam a Jorge Jesus".

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Movimentações de mercado

"A Bola" de hoje dá conta da saída eminente de Witsel do Benfica.
Já tinha aqui dito que quer o Benfica quer o Porto precisavam de receitas extraordinárias - leia-se vendas de jogadores - para equilibrar as suas finanças e até as suas tesourarias.
Witsel, Gaitan (fala-se agora do interesse do Liverpool) e Cardozo eram (são) os jogadores que têm mercado internacional. Witsel é talvez o melhor dos três, o mais completo, mais regular e mais competitivo.
Depois dos jogos da pré-época, nomeadamente o jogo com o Real Madrid, essa impressão acentuou-se e Witsel terá impressionado, a serem verdade as notícias, Mourinho e os directores madrilenhos.
Claro que Luis Filipe Vieira disse há dias que Witsel só sairia pela cláusula de rescisão. Só há um ano no Benfica, onde se sente bem, o próprio atleta disse que o seu desejo era ficar. Nesta medida, os benfiquistas têm todo o direito de pensar que só por 40 milhões, ou um valor muitíssimo perto disso, o belga sairá.
Veremos o que as próximas horas, dias nos trazem. A confirmar-se uma transferência por esses valores, há que aceitar, dadas as condições do mercado e as necessidades das nossas finanças. Aliás, seria a maior de sempre do Benfica e por estes valores, em todo o mercado de transferências, penso que apenas temos até ao momento  de Thiago Silva do Milan para o Paris Saint Germain. (Fala-se agora da saída de Van Persie para o Manchester United, que a confirmar-se seria seguramente por valores altíssimos).
Por outro lado, há o caso Modric, pretendido também pelo Real Madrid. Até que ponto é que a transferência de Witsel inviabilizaria aquela? Ou pode ser uma forma de pressão sobre o Tottenham para que se decida? Até haver confirmação oficial manterei uma atitude de dúvida.
Em sentido contrário, a imprensa espanhola dá Sálvio como certo no Benfica, chegando-se a dizer que assinará hoje. Não é porém a primera vez que essas notícias surgem. Aguardemos.
Muito embora seja um fã de Sálvio, que considero pertencer a um grupo restrito de jogadores que têm "magia" e a capacidade de resolver, continuo a achar que há uma superabundância de extremos para uma aflitiva carência de laterais. Ola John, Nolito, Gaitan, Bruno César, Enzo Pérez, Djaló, Melga, (Sálvio)...

Uma nota também pela nova "chapa 5", desta vez ao Gil Vicente, com destaque para os 3 golos de Rodrigo Mora, a pedir uma oportunidade no plantel esta época.

domingo, 15 de abril de 2012

Taça Liga II - outras considerações e reacções

As taças valem o que valem e também o valor que lhes quisermos atribuir. Como assinala hoje Domingos Amaral no "Record", a Taça da Liga vale muito mais do que a Supertaça, troféu que permite ao Porto igualar o Benfica em número total de títulos (o Porto tem 18 Supertaças contra apenas 4 do nosso clube). Aquele cronista benfiquista assinala que para vencer a Taça da Liga uma equipa tem que jogar 5 jogos, ao passo que para conquistar a Supertaça basta ganhar um. (A bem do rigor, diga-se porém que no passado, até 2000, a competição era disputada em duas mãos e, em caso de empate, havia ainda uma finalíssima).
Resulta assim claro que desvalorizar uma competição em que estão presentes as equipas da primeira e segunda liga, atribuindo-se uma enorme importância a uma outra que se decide em apenas um jogo (que pode ter como adversário uma equipa secundária que no ano anterior tenha estado na final da Taça de Portugal), não é senão uma estratégia, na linha de outras que bem conhecemos. É bom que os benfiquistas o entendam.

Do jogo de ontem compete dizer que, não tendo sido uma exibição de grande fulgor do Benfica, foi ainda assim uma vitória justa e que teve mérito. Para alguns o Benfica deveria ter goleado por 4 ou mais uma equipa modesta como é o Gil Vicente. Mas convém perceber que nem sempre as coisas se passam assim. Recordo que na primeira edição desta mesma competição o Sporting perdeu com o Vitória de Setúbal. No ano passado, o "super-Porto" de Villas Boas venceu o Braga na final da Liga Europa apenas com um golo (e em fora de jogo). O Benfica campeão de Trapattoni perdeu em 2005 a final da Taça de Portugal também para o mesmo Setúbal. Recordo ainda que este mesmo Gil Vicente está na final após derrotar o Braga e o Sporting. No fim deste parágrafo, reitero a ideia do anterior: não contem comigo para desvalorizar vitórias do nosso clube.

O que me leva a outro acontecimento que emergiu da noite de ontem. Aparentemente alguns adeptos benfiquistas insultaram jogadores e treinadores do Benfica. Isto enquanto em Barcelos a equipa local era recebida com fogo de artifício. Era bom que esses adeptos entendessem que com esse comportamento estão a semear a discórdia e o desânimo nas nossas hostes. Estão a fazer o jogo dos nossos adversários, num ano em que a equipa já teve que suportar tantas injustiças e contratempos. O tempo para fazer balanços e tomar decisões virá no fim da época. Por enquanto há que manter a coesão e a calma. Isso mesmo diz também Hélder (nosso antigo central) no "Record".

Witsel foi eleito o melhor em campo. Fez realmente uma das suas melhores exibições desde que chegou ao Benfica. Gostei também de Rodrigo (ainda longe do que pode, mas a melhorar), de Eduardo, de Matic e da raça de Bruno César, sempre dos mais inconformados. De saudar ainda o golo de Saviola que não tem tido sorte esta época mas é um exemplo de profissionalismo. Saviola tem e sempre teve muita qualidade e pode ainda dar muito ao Benfica. Para o "Record", Nélson Oliveira desaproveitou a oportunidade e foi mesmo o pior em campo. Ao contrário de Saviola, Nélson está na fase de aprender e crescer e como tal é natural que alguns jogos não lhe corram bem. Se há aspecto em que tem que trabalhar e melhorar é na visão de jogo. É bom ter sentido de baliza mas o individualismo em demasia pode ser prejudicial.

A terminar, a pontaria de Rodrigo já depois do fim do jogo. Ao comentar a vitória disse que se o Benfica  tivesse sido derrotado, seria como se tivesse perdido a Liga dos Campeões mas como ganhou a coisa passava a não ter importância nenhuma.

domingo, 1 de abril de 2012

O que dizem os desportivos

Começando pela arbitragem, "A Bola" e o "Record" são unanimes em considerar penalty indiscutível o lance sobre Bruno César, o chuta-chuta (ou gordo, como ontem tantas vezes foi chamado). Já sobre o lance de Javi sobre Lima é considerado penalty pelo "Record" enquanto "A Bola" diz que a falta é ainda fora da área e ilustra-o com uma foto. O "Record" diz ainda que, antes disso, Douglão deveria ter sido expulso por falta sobre Witsel. Na minha opinião a arbitragem foi imparcial e, além do lance de Douglão e do de Javi, totalmente isenta de polémicas. O lance do penalty do Benfica é de facto incontroverso (embora, face às últimas arbitragens, quase tenha ficado surpreendido pela sua marcação). É verdade que é desnecessário mas o jogador do Braga redimiu-se marcando o empate, pleno de oportunidade. Já o lance de Javi está para mim no limite. No limite da linha da área e no limite da falta. O árbitro podia ter marcado e Javi tem por isso que ter cuidado. Podemo-nos considerar felizes por esse lance mas o Braga pode dizer o mesmo em relação à não expulsão de Douglão. Entendo as duas decisões da mesma forma - o árbitro não quis tomar uma decisão que poderia determinar o desfecho do jogo sem estar absolutamente seguro da respectiva justiça. Já o penalty sobre Bruno foi evidente e daí a sua marcação.
Quanto a exibições, ambos os desportivos consideram Bruno César o homem do jogo. Um diz que além de chuta-chuta ele foi corre-corre e o outro ("Record") fura-fura. Gaitan merece a mesma nota que César (e não marcou): 7 n' "A Bola" (1 a 10) e 4 no "Record" (1 a 5). Witsel foi "sereno, talvez até demais" e teve 6 n'"A Bola" e "esteve em dia não" para o "Record" que ainda assim lhe dá 3. Miguel Vitor merece 7 n' "A Bola" e 4 no "Record". Luisão foi "líder", Maxi "impusionador da equipa", Capdevila merece "positivas" em ambos tal como Javi. Rodrigo ficou entre o suficiente e o suficiente menos.
Os desportivos destacam ainda os aplausos que Nuno Gomes recebeu da Luz e as intervenções do speaker durante o jogo, assunto a que dedicarei no futuro uma crónica.

Benfica-Braga - destaques

Para além da confiança e crença, a atitude com que o Benfica entrou em campo do foi excelente. Os jogadores mostraram vontade de vencer desde o início, mantendo uma pressão constante que nos permitia ter quase sempre a bola e mal deixava o Braga respirar. Fez lembrar o Benfica de há dois anos.

Entre os jogadores Javi Garcia está finalmente a voltar ao seu nível e isso faz uma grande diferença no jogo do Benfica. Ontem esteve muito bem nas dobras a Maxi (o motor do costume), tendo jogado por vezes como um verdadeiro lateral direito. Acabou a central com uma enorme segurança.
Miguel Vítor foi outro jogador muitíssimo seguro e competente. Fintado uma vez em situação perigosa fez a falta que se impunha e viu o cartão merecido. Manteve no entanto toda a concentração e não teve erros até à lesão.
Aliás toda a defesa esteve muito bem, liderada por Luisão que não se escondeu do seu lugar de capitão e tentou sempre carregar a equipa para a frente. Capdevila foi seguro e certinho, que era o que se lhe pedia. É verdade que o golo do Braga surge de um livre no seu flanco mas, mais que sua, foi uma falha de Nolito (acabado de entrar no jogo) que criou a situação confusa que deu a falta.
Witsel foi o cérebro que se esperava, sobretudo uma vez que não havia Aimar. Fez um grande jogo.
Finalmente quanto ao ataque, foi um jogo em que Gaitan, Rodrigo e Bruno César, os criativos, alternaram o bom com o menos bom. O que nunca aconteceu foi terem desistido do jogo ou deixado de acreditar. Na minha opinião, Gaitan foi o melhor dos três mas curiosamente acabou por ser Bruno César a decidir. Na sequência de uma combinação com Gaitan marcou o golo da vitória depois de ter sofrido o penalty. Digo curiosamente porque para mim ele teve imensas intermitências e foi talvez, entre aquele trio, o que mais falhou. Durante o jogo, eu, como tantos outros adeptos pediram a sua substituição. Enfim mais um exemplo da irracionalidade do futebol (ou talvez apenas dos adeptos).
Bem Jorge Jesus a tirar Cardozo para colocar Nélson, que trouxe outra força que bem foi necessária no fim e, claro, acima de tudo muito bem por não ter tirado Bruno César.