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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Venha a Taça de Portugal

O facto da época ter sido boa ou má - e foi muito má - é irrelevante no próximo Sábado: há um título muito importante em disputa e o Benfica tem que fazer tudo para o vencer.

A Taça é o segundo título mais importante em Portugal e o Benfica já há alguns anos que não a vence.

Vencê-la não salvará a época mas dará um sabor muito diferente ao seu final. Uma época na qual o Benfica teve tudo para sair triunfante a nível nacional e marcar uma diferença acentuada face ao seu principal (único?) opositor, mas em que falhou miseravelmente, única e exclusivamente por culpa própria.

Há um nome a defender, assim como o orgulho (depois de duas derrotas contra o Porto na Liga) e o palmarés para enriquecer.

Temos noção de que apesar de algumas melhoras, este Benfica está longe de convencer. A defesa parece uma manta de retalhos, não oferecendo qualquer segurança. A dinâmica colectiva é coxa: apesar de alguns momentos razoáveis no jogo contra o Sporting, houve demasiados passes falhados e a dada altura da segunda parte fomos quase dominados por uma equipa de benjamins. Os falhanços individuais são mais do que muitos e vários jogadores estão numa má forma física.
Aparentemente, o período final de Lage permitiu uma cultura de laxismo e falta de exigência que está a ser difícil inverter (nesse aspecto a vinda de JJ tenderá a mudar radicalmente as coisas).

O "super plantel" que o Benfica alegadamente teria esta época traduziu-se afinal numa equipa menos do que mediana, com vários jogadores a não mostrarem qualidade para estar no Benfica (e a serem devolvidos à procedência (JM) em Janeiro e outros tantos em sub-rendimento.

Mas claro que também este Porto está muito longe de ser uma equipa temível e a derrota contra o Braga demonstra isso mesmo. Diria até que é uma equipa vulgar e inclusivamente não esteve a salvo de casos esta época, antes pelo contrário (Danilo, Nakajima, Marega...).

Simplesmente, o Porto foi mais consistente e mais maduro do que o Benfica. Isto deveu-se a uma atitude competitiva e mental mais forte. A diferença entre as duas esteve na entrega em campo e não no talento.

Sábado temos que inverter os termos e ser nós a equipa mais combativa, com mais garra e vontade de conquistar a Taça. Se assim fôr temos todas as condições para a conquistar.

Uma última nota para felicitar o Braga pelo 3º lugar e expressar o meu nojo para com o Sporting Clube de Portugal.

É absolutamente vergonhoso que se vá buscar a meio da época um treinador a um clube rival e se chegue ao fim da época sem pagar o devido. Mais uma vez os caloteiros procurarão obter perdões e vantagens indevidas. Foi por isso inteiramente justo e quase poético que o Braga tenha ultrapassado o Sporting na última jornada, com derby e "semi-clássico" Braga-Porto à mistura. Para coroar o ridículo já costumeiro para as bandas de Alvalade, ainda veio Amorim dizer que "nada muda". É verdade...

terça-feira, 3 de março de 2020

Miserável, terceiro-mundista

O futebol português é simplesmente uma vergonha.

O que aconteceu na Liga Europa é a consequência lógica da gestão danosa, da corrupção que grassa no futebol português (e que infelizmente parece estar bastante mais disseminada pela sociedade portuguesa do que eu pensava).

A incompetência começa na cúpula: Pedro Proença é, como dirigente, o que foi como árbitro: um vaidoso completamente incapaz. Todo ele é forma e estilo, zero de substância. Como árbitro prejudicava o Benfica em TODOS os jogos, alegadamente por ser benfiquista e muito honesto... (pausa para rir)

Fernando Gomes é muito apreciado dentro da Federação, incluindo pelo seleccionador e os jogadores. Mas tem um passado no mínimo duvidoso e não se quer envolver no charco da clubite, quando deveria ser a autoridade máxima e o garante da decência do nosso futebol.

Aquilo que aconteceu no Porto aquando da visita do Benfica, com enforcados, faixas com mensagens de ódio, bolas de golfe - acontecimentos gravíssimos - foi completamente ignorado por aquelas autoridades quando a sua obrigação era a de uma acção rápida e firme

Este estado de coisas - que não mudou assim tanto desde o apito dourado, altura em que o Porto deveria ter perdido os títulos referentes às épocas em que comprovadamente corrompeu árbitros com viagens e prostitutas - motiva um clima de guerrilha permanente Benfica-Porto que seca tudo à volta e está a matar o futebol português.

Neste estado de coisas, o Benfica, por muito que isso nos custe admitir, tem igualmente muitas culpas e muito a explicar.

O futebol português foi dominado pelo Porto durante três décadas através de um sistema de corrupção económica e institucional. Árbitros, quinhentinhos, agências de viagens, doping, observadores, dirigentes, tudo estava controlado e tudo está disponível para consulta no youtube graças às escutas da polícia judiciária.

O problema é que nada mudou, atendendo a que as condenações foram todas revertidas. Agora sabemos que há corrupção ao mais alto nível nas instâncias judiciais. Agora percebemos por que razão os juízes do Porto não quiseram condenar o clube e Pinto da Costa.

E tudo voltou à normalidade de um país de terceiro mundo.

A dada altura, o Benfica percebeu que por muito que fizesse em campo não conseguia ganhar. E iniciou uma estratégia de influência nos lugares de poder para contrariar o poder do Porto.

Esta é a realidade e assim chegámos à situação presente que envergonha os benfiquistas que têm verticalidade e decência: vouchers mal explicados e manobras no limite da legalidade que equipas de advogados agora procuram demonstrar que não configuram actos de corrupção.

É preciso começar do zero. Estes dirigentes, do Benfica, do Porto, do Braga, têm todos, sem excepção, negócios e passados obscuros e têm que ser investigados. Todos têm que abandonar o futebol. O mesmo é válido para a arbitragem e para os dirigentes da Liga e Federação. No caso do Sporting, a situação é diferente: gente amadora e incompetente que está a destruir o que resta do clube e que por essas razões deveria demitir-se urgentemente.

Se eu acho que isto vai acontecer? Acho que não. Somos, infelizmente, um país retrógrado e corrupto.

Agora as consequências estão à vista: o Benfica caminha para perder um campeonato que teve no bolso, envolvido em escândalos e investigações policiais, contratações que ninguém entende, comissões e negociatas mal explicadas que parecem feitas para dar dinheiro a ganhar aos amigos; o Porto é controlado por claques e informáticos criminosos e está em falência financeira; o Sporting caminha para a extinção; os clubes portugueses são eliminados por equipas de terceira e quarta linha da Europa. E os dirigentes assobiam para o ar.

Todos caminham alegremente para o abismo.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Reforços do Benfica até ao momento

O Benfica contratou até ao momento sete jogadores: Vlachodimos, Ebuehi, Conti, Chiquinho, João Amaral, Castillo e Facundo Ferreyra. Destes apenas me parecem seguros no plantel principal (pois sabemos que o Benfica contrata também jogadores para rodarem noutros clubes ou apenas para revender) os três sul americanos (o avançado chileno Castillo e os argentinos Conti, central, e Facundo Ferreyrae, ponta de lança), e o guarda-redes grego-germânico Odisseas Vlachodimos. Dos restantes jogadores Ebuehi é um lateral com 22 anos muito promissor, que é o que, a seguir aos referidos, mais hipóteses me parece de permanecer no plantel principal, João Amaral é um extremo que vem do Vitória de Setúbal e Chiquinho um jovem médio que chega vindo da Académica.

Outros nomes de que se fala são Cristian Lema, também argentino e também central (o jogador não renovou com o seu clube mas há mais interessados além do Benfica), e Guilavogui, um credenciado médio francês que actua no Wolfsburgo. De acordo com "A Bola", o clube alemão terá aceitado negociar o jogador. Finalmente há ainda o caso de Mato Milos, lateral direito contratado o ano passado e entretanto emprestado ao Légia por um período que terminou agora, podendo o jogador ingressar no plantel se essa for a intenção da SAD. 

Entre os já assegurados e os possíveis reforços há bastante qualidade. Nota-se também critério e planificação: claramente o Benfica está a preencher com jogadores com algumas provas dadas ou bastante potencial as lacunas mais do que evidentes no plantel da época agora terminada. Veremos até que ponto são de facto soluções porque, como assinalou um visitante deste blog há dias, nunca há garantias de que os jogadores rendem, mesmo quando têm qualidade, porque isso depende de muitas variáveis. O que se pode fazer é planificar e contratar jogadores com qualidade reconhecida, e isso parece estar a ser feito. Ficarão a faltar na minha opinião opções válidas para o meio campo. Não sabemos quando e em que condições Krovinovic regressará, sendo essencial também mais um jogador para o lugar de Pizzi.

Há ainda muito por definir mas para já os sinais são positivos. Ferreyra é um jogador que pode render muito no Benfica se as coisas correrem como esperado. A sua vinda e a de Castillo indica que Jimenez ou Seferovic ou até os dois poderão sair.

Face a tudo isto e como assinalei no anterior post, há que rapidamente esclarecer todas as questões relativas a processos judiciais e suspeitas que pairam sobre o clube de modo à equipa poder trabalhar com tranquilidade e estabilidade com o mínimo possível de ruído e interferências externas. 


segunda-feira, 27 de julho de 2015

NI Red Bulls-Benfica e avaliação da pré-época

Já anteriormente escrevi acerca das necessidades que a meu ver o plantel do Benfica apresenta em termos de contratações. Com a saída de Lima acentua-se ainda mais a carência no sector ofensivo. Jonathan é um jogador com algum potencial mas que não me parece capaz de assumir a responsabilidade de ser avançado titular no Benfica. Mas o jogo de ontem trouxe outros aspectos que importa analisar sem afunilar já a discussão para o problema das contratações.

Em primeiro lugar devo dizer que gostei da exibição da equipa e de ver vários jogadores. O resultado é negativo mas quem tenha visto o jogo sabe que dificilmente ele expressa o domínio da partida. Durante a maior parte do tempo o Benfica foi melhor e onde esteve menos bem foi na finalização. Os golos dos NY Red Bulls resultam de uma falha de Luisão que isola o avançado adversário à frente do guarda-redes (o titular de ontem foi Ederson) e de um momento de génio de um jogador da equipa americana. Para além disso os nova iorquinos pouco fizeram, depois de na passada semana terem imposto um 4-2 ao Chelsea. Já o Benfica teve diversas oportunidades, nalguns casos desaproveitadas, noutros paradas com mérito pelo guarda-redes e defesas adversários. 

O aspecto a relevar mais do jogo talvez seja a boa dinâmica da equipa e a sua capacidade de posse de bola, num esquema que apresentou apenas um avançado de raiz. Jogaram Samaris e Pizzi no meio com Ola John e Carcela nas alas e Tarbaat no apoio a Jonathan. Na segunda parte jogou Jonas com o apoio de Duricic. Trata-se de uma alteração táctica importante e que me parece inevitável. A solução dos dois pontas de lança estará eventualmente presente em jogos do campeonato em casa mas penso que realmente é quase impossível jogar contra equipas de nível de Champions League, sobretudo fora, com dois pontas de lança e apenas dois homens no "miolo" do meio campo a ter que fazer todas as despesas de cobertura e recuperação de bola naquele sector. Nos últimos anos tivemos grandes jogadores (Matic, Enzo) que permitiram um pouco esse tipo de futebol mas mesmo assim temos que reconhecer que os resultados na Champions ficaram sempre aquém do desejado, parcialmente por causa disso. Com um elemento de ligação como Tarbaat ou Djuricic (embora tenha ficado demostrado que neste momento nenhum deles apresenta condição física suficiente - Tarbaat continua com peso a mais e Djuricic precisa de ganhar mais força) as coisas podem-se tornar mais equilibradas e o futebol mais ligado. 

Gostei de ver as combinações atacantes e os passes em progressão e fiquei muito agradado com Carcela e Nélson Semedo. O primeiro mostrou realmente muito futebol (visão, técnica, sentido de baliza) e o segundo foi uma completa surpresa. O jovem mostrou velocidade, sentido posicional e maturidade. Esperemos que estas boas indicações possam ser confirmadas ao longo da época. Ola John continua o mesmo: algumas arrancadas interessantes, alguns bons apontamentos e lances de perigo mas muita inconstância, muito alheamento do jogo. Já falámos de Tarbaat que também mostrou ter bons pés e capacidade mas que precisa de trabalhar mais para poder ser uma opção consistente. 

Quanto a jogadores já firmados no clube, Samaris mostrou a mostrar ser uma peça imprescindível e um jogador que dá imensas garantias, ao passo que Lisandro também me parece cada vez mais um central maduro e com muita qualidade. Quanto a Talisca, a qualidade é muita, disso não tenham dúvidas. A questão é: qual a posição onde poderá render mais? Rui Vitória precisará ainda de algum tempo para o perceber, mas tempo é coisa que começa a escassear...

Em suma, os maus resultados pouco ou nada significam nesta fase. Parece-me que a equipa está a progredir mas também não deixa de ser verdade que falta já muito pouco tempo para o jogo da Supertaça - que evidentemente é para ganhar. Em termos de plantel, face à lesão de Sálvio, é imprescindível que Gaitan fique. No ataque será importante assegurar um substituto para Lima. Com muita pena minha, parece-me que Nélson Oliveira mais uma vez não se conseguirá afirmar. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Aliança Porto-Sporting

Não tenhamos dúvidas - a época que se iniciará em breve será muito dura, muito disputada, muito tensa. Enfrentaremos dificuldades acrescidas em relação aos últimos anos. Podemos dizer que não estamos preocupados com os adversários. Acho muito bem que esse seja o discurso oficial. Agora não devem existir dúvidas de que quer o Sporting, quer o Porto vão estar muito mais fortes do que no ano passado. 

Em relação ao Sporting, penso que é evidente que Jorge Jesus vai trazer padrões de exigência e competitividade mais altos, ao passo que as contratações são já sonantes. Brian Ruiz é um jogador de qualidade, com muita experiência e com 1,88 m de altura. Gutierrez é "só" o titular da Colômbia, que deixa Jackson e Falcao no banco... E têm contratado ainda outros jogadores, falando-se ainda de mais nomes. 

Quanto ao Porto, por um lado é um facto que saiu o seu melhor jogador, Jackson, assim como Óliver, Quaresma, Casemiro e Danilo. Mas entraram Casillas, Imbula, Danilo (ex.Marítimo), André André, Sérgio Oliveira, M. Pereira e Bueno. E não tenhamos dúvidas que até ao início da época chegará ainda um outro avançado para substituir Jackson. Ou seja, em termos de qualidade não há grande variação em relação ao ano passado, mas há agora mais experiência - e com toda a probabilidade alguns dos erros da época passada não se repetirão. 


Quanto ao Benfica não há para já grandes mexidas, o que é bom. O Benfica faz bem a meu ver em procurar ter uma situação financeira estável e não entrar em loucuras. Agora temos que ser realistas e perceber que se a nossa qualidade não aumenta (talvez tenha até diminuído um pouco) e a dos outros sobe consideravelmente, a pequena vantagem que tivemos na época passada pode desaparecer. Pelo que tenho observado, Rui Vitória poderá mesmo ter sido a aposta certa para liderar o Benfica nesta fase. É um homem ponderado, equilibrado que percebeu o que estava bem e o que podia ser melhorado. Um treinador que saberá utilizar o que tem para obter os melhores resultados e melhor rendimento sem tentar passos maiores do que a perna. Mas ainda assim terá que trabalhar com o que tem, que neste momento é, como assinalei no anterior post, bom em termos de meio campo mas limitado nos outros sectores. Na minha opinião, face ao quadro actualmente existente, que naturalmente se pode ainda alterar em virtude de ajustamentos até ao fecho de mercado, temos que estar preparados para não ser os mais fortes em termos de plantel e de 11 e portanto para a eventualidade de podermos não conseguir alcançar o principal objectivo, que é o de revalidar o título. Digo isto porque se o trabalho de Rui Vitória for apesar disso um bom trabalho, não deve ser exigida a "cabeça" do treinador. Teremos que perceber bem as circunstâncias em que as coisas acontecem.


Ao que fica dito acresce a questão das tendências "políticas" do futebol português. Neste momento assistimos a uma aliança entre Porto e Sporting. A intenção não podia ser mais cristalina: atacar e fragilizar o Benfica, o campeão, para depois entre si disputarem os despojos. Cada um achará secretamente que é melhor e mais esperto do que o outro e que, quando o momento chegar, darão a facada nas costas do aliado de ocasião. Em relação ao Benfica sabem porém que só juntando forças o poderão combater. Desta aliança dos desgraçadinhos da última época pode resultar um cenário calamitoso para os nossos interesses, que representaria o maior golpe de estado no futebol português dos últimos 40 anos: o regresso da praga Proença, desta vez não apenas como árbitro mas como dirigente e manda-chuva dos árbitros

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Benfica - veterania, entradas e saídas

Até ao momento o Benfica pouco mexeu no plantel [a base desta avaliação são os 30 que seguiram para os EUA], o que à partida é uma coisa boa tanto mais que somos bi-campeões. A estabilidade é uma base importante para o sucesso. No entanto existem dois factores que têm que ser ponderados neste balanço: o nível de investimento a que assistimos por parte dos rivais e a veterania do plantel do Benfica. 

Começando por este último ponto, é evidente que a experiência é algo importante, mas o Benfica poderá já estar a entrar na fronteira de uma equipa demasiado trintona. Uma equipa demasiado veterana começa a denotar falta de rotação, existem muitos exemplos disso. Na defesa Luisão e Eliseu começam a estar (um para central, outro para lateral) nessa fronteira a partir da qual o rendimento se começa a ressentir. O mesmo se passa no ataque, onde Jonas e Lima estão na mesma situação. É que uma coisa é ter um ou outro jogador mais experiente no seio de uma equipa jovem, outra é ter uma equipa composta sobretudo por jogadores na casa dos 30. O sector onde estamos mais tranquilos neste aspecto é o meio campo onde temos jogadores na plenitude do seu rendimento, como Fedja, Pizzi ou Samaris e jovens como Cristante e Talisca. É um aspecto que o treinador terá que ponderar: por um lado aproveitar a experiência dos jogadores mais velhos da equipa, por outro assegurar-se que ela tem suficiente força e energia para manter um rendimento e uma rotação elevados não apenas em cada jogo mas na época como um todo.

Em termos de qualidade, o Benfica está em défice nalguns sectores. O mais óbvio são as laterais da defesa. Com a saída de Maxi, o Benfica ficou com Eliseu, Sílvio, Marçal e André Almeida, a que eventualmente acrescerá Lindelof, que jogou nessa posição na selecção sub 21 da Suécia. Ora estas opções são insuficientes para o Benfica. Eliseu está um ano mais velho do que o ano passado (em que já era muito criticado por alguns adeptos - que não eu), Sílvio praticamente não jogou depois da gravíssima lesão que teve, pelo que o seu rendimento é uma incógnita e André Almeida é um jogador válido e útil para jogos contra equipas superiores mas que não tem rotação para dar a dinâmica atacante que um grande precisa. Veremos como Marçal se adapta mas este quadro de laterais não chega. Em termos de centrais, para além da questão da idade de Luisão, aparentemente apenas temos Jardel e Lisandro, uma vez que César estará de saída. Ora, isto pode também ser pouco para um quadro competitivo exigente. 

Quanto aos extremos, Carcela será aparentemente uma boa opção, a questão Gaitan mantem-se em aberto e Sálvio estará lesionado no início da época. Para além disto existe apenas Ola John. Mais uma vez é pouco, pouquíssimo se Gaitan acabar por sair, para um clube com as aspirações do Benfica. Se Gaitan saísse (e é verdade que todos os anos se diz que sairá e todos os anos continua) começaríamos a época com Carcela e Ola John. Ora isto não pode ser considerado uma opção válida. Também no eixo do ataque me parece que temos limitações e que o plantel não pode ser considerado fechado. O problema do ataque é que se Rui Vitória optar por apenas um ponta de lança, não me parece que Jonas ou Lima (ou Jonathan Rodrigues que ainda não mostrou nada) possam ser esse jogador. A meu ver são demasiado veteranos para esquemas que exijam uma correria, choque e desgaste permanente na frente de ataque. Para tal são necessários avançados até com outro perfil, mais combativo e agressivo, como Mitrovic. Sabemos que o Benfica o tentou contratar (se vier a acabar no Porto é mais uma desilusão) e que abordou sem sucesso outros jogadores, como Joe Campbell. Confesso que não percebo o que se passa: aparentemente o Benfica não consegue contratar nenhum dos jogadores que deseja, ao contrário dos rivais. Percebo que não se possa entrar em loucuras mas no mínimo seria exigível um pouco mais de segredo nos negócios sob pena do Porto continuar a ter no Benfica o seu melhor olheiro. 

No meio campo, para acabar bem, parece-me que temos as opções válidas e necessárias para vários tipos de modelos e de jogos. Aí não devemos a ninguém em termos de qualidade. 

Na globalidade temos porém que admitir que faltam soluções. A meu ver o Benfica precisaria de um lateral direito de grande dinâmica e qualidade comprovada (mais uma vez parece que tentámos dois nomes nenhum deles com sucesso), de um extremo e de um ponta de lança fisicamente forte, capaz de jogar sozinho na frente e concretizador. Na minha opinião falta ainda um central, mas seria absurdo ir contratar um depois de vender ou emprestar César. Com estas contratações a juntarem-se à qualidade e experiência que já existem (e à juventude que está à espreita para aparecer) teríamos um plantel capaz de disputar as provas nacionais e de pelo menos passar a fase de grupos da Liga dos Campeões, cada vez mais um objectivo mínimo essencial para assegurar a saúde financeira dos clubes. Caso contrário, caso o plantel se mantenha no essencial como está, teremos que esperar de Rui Vitória algo que, não sendo um milagre, seria altamente surpreendente: fazer um plantel inferior ao da época passada render mais e ter melhores resultados desportivos. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Algumas notas soltas

Benfica-Nacional


Mais uma grande exibição com um futebol pressionante, criativo e vistoso que podia ter dado uma goleada. Valeu porém apenas 3 pontos e não justifica embandeirar em arco. Se as coisas correrem como é de esperar e o Porto ganhar em casa ao Estoril, para a semana estaremos de novo obrigados a vencer e na seguinte idem. Só então, verificando-se esses resultados, estaremos "autorizados" a empatar um jogo, o clássico com o Porto. Em campeonatos tão desequilibrados como o nosso é assim que as coisas são. O que é fundamental é não repetir até ao fim do campeonato prestações como a de Paços ou Vila do Conde.

Jonas (e Lima)


Voltou a facturar e a mostrar toda a sua classe. No entanto também aqui há que sublinhar que não se deve embandeirar em arco. O jogador está de facto a superar expectativas mas por outro lado está a fazer o que lhe é pedido e o que dele se espera que é marcar golos. Esperemos que assim continue até ao fim do campeonato, porque a veia goleadora dos avançados normalmente é um bom sinal para uma equipa que deseja ser campeã. Lima não tem sido tão exuberante mas também tem marcado golos importantes (apesar de um ou outro falhanço nalguns jogos que acabaram por redundar em derrotas, importa recordar que foi ele que marcou os dois golos decisivos no dragão). Que ambos continuem em grande.

Calendário


O Benfica recebe para a semana a Académica e depois disso vai ao Restelo. São os jogos que faltam até receber o Porto. Este recebe agora o Estoril, depois vai a Vila do Conde e finalmente recebe a Académica antes de ir à Luz. Joga para a Champions com o Bayern entre os jogos com o Rio Ave e a Académica (1ª mão) e depois deste e antes da visita a Lisboa. 

Danilo

A venda de Danilo deixou-me espantado. Cheguei a pensar que fosse mentira de 1 de Abril. Trata-se de um grande negócio para o Porto e um enorme barrete para o Real Madrid. Em primeiro lugar porque me parece difícil que qualquer lateral possa valer esses montantes (só um fenómeno como Roberto Carlos), em segundo porque Danilo apesar de ser um bom jogador está muito longe de ser um fora de série. Tenho pois alguma dificuldade em perceber este negócio, sobretudo no actual momento da economia mundial, no qual os clubes começam a ter mais cuidados e tendo em consideração os barretes que o Real já levou do Porto, nomeadamente o célebre Secretário. Mas no Real Madrid pelos vistos há um poço de petróleo que dá para tudo...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Perseverar no bom caminho

O Benfica conseguiu (mais) uma boa vitória e talvez a melhor exibição da época: segura, determinada, dominadora, com alguns períodos de bom futebol e três bolas aos postes para além dos três golos. Deu pouco espaço ao Guimarães que não dispôs de praticamente nenhuma oportunidade flagrante de golo. 

A vitória marca também um ano sem Eusébio e nessa medida foi igualmente mais um tributo e uma justa homenagem prestada ao King.

O Benfica tem feito as coisas bem, perante um cenário de previsível adversidade e grandes dificuldades que - até ao momento - não se têm manifestado. Tenho já insistido bastante (e não estou a dizer nada que não seja já sabido) que as saídas de pedras essenciais aumentaram as dificuldades e criaram um potencial de desestabilização. A aposta do Porto neste ano foi algo de inédito no futebol português, com um investimento milionário no seu plantel e a contratação de jogadores de grande qualidade. 

Por outro lado, não tenhamos dúvidas de que este Sporting é uma equipa ainda mais forte do que a do ano passado. Marco Silva é já, sem qualquer dúvida, um valor seguro. Um treinador que compreende muito bem o jogo e que manifesta bom senso apesar da juventude. Felizmente o Sporting perdeu muitos pontos na fase inicial pelo que a sua desvantagem será praticamente irrecuperável, mas a vitória de ontem já depois do último minuto de descontos mostra que eles não darão o campeonato por perdido até estarem matematicamente afastados do título.

Finalmente temos que estar preparados para as surpresas e armadilhas que tantas vezes nos lançam. Pinto da Costa e o seu Porto têm tentado de tudo nas últimas semanas para obter a ajuda e o favor dos árbitros com uma campanha sem escrúpulos e sem vergonha como já é habitual naquelas bandas. Por outro lado a inenarrável TVI24/mais futebol persiste no seu trilho pro-porto e anti-Benfica. Uma coisa que enjoa e chega ao ridículo: aqui há umas semanas, no golo de Lima contra o Belenenses Sousa Martins tentava à força encontrar faltas, ora fosse na cabeçada de Jardel ora na de Lima (que supostamente tinha sido com ... a mão!). É uma doença de que eles, coitados, não se conseguem libertar. Chega-se ao ridículo de serem os próprios fanáticos Eduardo Barroso e Manuel Serrão a dizerem que não há nada, pois dava ideia que a TVI iria passar as imagens ad infinutun, na esperança de que alguém descortinasse ali razões para dizer que o golo devia ter sido anulado e se passar o resto do programa a chorar e protestar pelo benefícios arbitrais de que o Benfica alegadamente beneficiaria. E quem diz esse jogo diz qualquer um do Benfica. Os nossos golos são para eles sempre "polémicos" ou duvidosos mesmo quando resultam de remates de fora da área.

Em síntese, nada está ganho e os perigos estão sempre à espreita.
Já na próxima jornada enfrentamos novo teste de elevado grau de dificuldade: o Marítimo nos Barreiros (derrota no jogo do ano passado). Seguidamente vamos a Paços, campo difícil sobretudo este ano que a equipa está a jogar um bom futebol. E depois da recepção ao Boavista iremos a Alvalade.

O calendário aperta e os nossos adversários sabem que este é o momento ideal para se aproximarem de nós na classificação. O Benfica precisa pois de continuar na actual senda e de encarar cada jogo com o máximo de seriedade. Enfim, o normal quando se quer campeão. Agora que um ou outro reforço poderiam ajudar, disso não tenho dúvidas. Fala-se de Muktar para o meio campo (jogador que desconheço em absoluto e que pelos vistos irá no imediato para a equipa B) e de um jovem avançado. Parece-me que nesta altura e com o campeonato a decorrer só jogadores com grandes rotinas e hábitos competitivos (para não dizer experientes) podem dar algo à equipa, trazer valor acrescentado. Veremos porém. Importante é mesmo manter o mesmo espírito competitivo e capacidade de entrega em todos os jogos.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O plantel e as hipóteses do Benfica esta época

Com o plantel fechado até Dezembro, o Benfica apresenta um quadro de jogadores razoável para os objetivos a que se propõe esta época: renovar o título de campeão e passar a fase de grupos na Champions League.

Os piores receios não se verificaram, pois Gaitan e Enzo mantiveram-se no plantel e este foi ainda reforçado com Samaris e Cristante. Ou seja, existem várias soluções para o meio campo do Benfica.

Para duas posições no meio campo (6 e 8 como agora se repete muito) temos André, Enzo, Samaris, Cristante e o próprio Talisca, para além dos lesionados Rúben e Fedja. São portanto soluções de sobra e de qualidade. Nesta fase Samaris e Cristante lutarão por um lugar ao lado de Enzo, de acordo com o próprio Jorge Jesus, lugar que tem sido ocupado por André Almeida. Com o progredir da época podemos admitir outros cenários, pois JJ já disse que gostaria de contar com Samaris na "posição 8". Admitindo que em Janeiro o Valência poderá voltar à carga por Enzo, é de admitir que existam nessa altura reajustes no plantel.

Continuando a análise ao plantel. curiosamente, temos poucos extremos: para substitutos de Gaitan e Sálvio temos apenas Ola John, Bebé e Pizzi. Noutros anos existiram mais e melhores opções para as faixas.

O problema principal nesta altura reside no eixo do ataque: Lima é escasso. Talisca deu óptimas indicações mas não parece ser - pelo menos no imediato - um jogador com as características necessárias para jogar no ataque. Talisca é excelente no passe (finalmente temos quem cobre bolas paradas com qualidade), tem alguma velocidade mas não tem a dimensão física que um avançado necessita. Talvez JJ venha a "inventar" algum esquema ou solução que resolva este problema, mas para já o que se viu foi um Benfica com défice de concretização das várias oportunidades criadas.

Estamos ainda no início da época, por isso é de admitir que venhamos a melhorar. Para já o descalabro não aconteceu. Apesar das múltiplas saídas, a equipa continua equilibrada e com qualidade. As permanências de Luisão, Enzo, Sálvio e Gaitan eram fundamentais para manter alguma estabilidade e um patamar elevado de qualidade e Samaris e Cristante vieram dar mais soluções e acrescentar qualidade. Ficou a faltar um ponta de lança, que seria excelente ser Campbell. Talvez em Janeiro tal se possa concretizar, sendo de admitir que possa também sair Enzo nessa altura. Até lá teremos que usar a prata da casa no ataque, designadamente Derley e Nélson Oliveira na Champions e estes mais Jara no campeonato para jogarem ao lado ou em vez de Lima. É pouco mas é o que há. Esperemos que estes jogadores sejam capazes de agarrar a oportunidade e potenciar as suas qualidades. Caso Jesus acabe por decidir, como muitos crêem, que Bebé pode ser uma solução para o ataque, melhoramos um pouco o leque de soluções (embora fiquem depois menos soluções para as faixas...).

Seja como for, este grupo permite ter esperanças numa época de algum sucesso. No campeonato, o Benfica tem o conforto de ser o campeão em título e de o seu adversário estar sob bastante pressão em virtude do investimento enorme que realizou. O Porto não se pode dar ao luxo de perder mais um campeonato. O ambiente tornar-se-ia insuportável e a situação financeira descambaria. Nesse sentido, o Benfica tem uma tranquilidade maior para abordar os seus jogos, sobretudo mais para a frente na época, quando a pressão começar a aumentar. Veremos se conseguiremos transformar isso numa vantagem efectiva e suplantar o défice de valor que parece existir nesta fase em termos de cotação dos planteis.

Quanto à Champions, onde o Benfica não tem tido grande sucesso nos últimos anos, penso que existem possibilidades de suplantar este grupo e avançar para os oitavos. O Mónaco é uma equipa vulgar, o Bayer é uma equipa que já batemos no passado e que não está no patamar do Bayern ou do Dortmund e o Zénite é uma equipa forte, talvez o favorito do grupo. Qualquer equipa tem as suas chances e o Benfica tem que fazer uso da sua ampla experiência europeia para progredir na competição.




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Falta um avançado

O Benfica foi melhor do que o Sporting e deveria ter vencido o jogo. Fez o suficiente para tal, não fosse o erro de Artur e um ataque demasiado perdulário na hora de finalizar.
Falta ao Benfica um avançado que crie e concretize situações de golo. Apenas Lima é escasso para este nível de exigência. Talisca tem dado boas indicações e ontem fez um jogo muito bom mas não tem as características de presença na área de um ponta de lança.
Por outro lado Derley, nas poucas oportunidades que teve, não conseguiu convencer, ao passo que Nélson Oliveira parece não contar para JJ.
Campbell seria uma excelente opção para reforçar o ataque mas parece-me muito difícil que tal se possa concretizar, até tendo em atenção a lesão de Giroud.

Por outro lado, a permanência de Enzo daria muitas garantias de que o Benfica, apesar das saídas altamente significativas de jogadores, poderia manter um nível qualitativo elevado esta época e ser competitivo contra plantéis mais caros (a começar, a nível interno, com o Porto que investiu muitos milhões). Com o grego Samaris, o regresso de Fedja, André Almeida, o novo médio aparentemente contratado ao Milan Cristante e o próprio Talisca passariam a existir várias e diversificadas opções no plantel para o meio campo.

Já uma saída de Enzo nesta altura obrigaria a equipa a começar quase do zero no que ao centro do terreno diz respeito. Um cenário que se deve pois evitar naquilo que depender do Benfica.

Quanto à defesa, se no centro Luisão e Jardel, com Lisandro à espera de uma oportunidade, vão chegando para a realidade do nosso campeonato, e na esquerda estamos bem servidos (há ainda Benito), já na direita não existe à partida uma alternativa consistente a Maxi. André Almeida pode episodicamente desempenhar as funções mas não tem o ritmo subida/descida necessário para dar dinâmica à equipa. Havia esperança de que Cancelo fosse essa alternativa mas por razões que desconheço saiu.

Finalmente no tocante à baliza penso que Artur terá ontem feito um dos últimos jogos como titular, devendo Júlio César assumir o lugar com naturalidade e com benefícios para a equipa. Artur nunca conseguiu aprender a sair dos postes ou a jogar com os pés, transmitindo assim nalguns jogos uma tremenda insegurança. Júlio César não sendo um Oblak é no entanto um guarda redes consistente, emocionavelmente estável, experiente e rodado ao mais alto nível. Creio que a sua entrada poderá dar estabilidade ao sector defensivo.

Muito está pois ainda em aberto neste dia de fecho do mercado de transferências que será de bastante ansiedade para os benfiquistas, nomeadamente a questão Enzo e do ponta de lança.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

As maiores transferências do Benfica

De acordo com um levantamento feito pelo semanário "Sol", Jorge Jesus é o treinador que mais receitas com transferências gerou a um clube português.

Ao todo, o Benfica terá realizado em vendas cerca de 251 milhões de euros desde que JJ é treinador.

As principais transferências foram as seguintes:

Witsel 40 milhões - Zénite São Petersburgo
Javi Garcia 20 milhões - Manchester City
Matic 25 milhões - Chelsea
Ramirez 11 milhões (por 50% do passe que era o que o Benfica detinha na altura) - Chelsea
David Luiz 25 milhões (+ Matic, na altura avaliado em 5 milhões) - Chelsea
Fábio Coentrão 30 milhões - Real Madrid
Di Maria 33 milhões - Real Madrid
Bruno César 5,5 milhões - Al Ali
Melgarejo 5 milhões - Kuban Krasnodar

Só aqui estão 194,5 milhões, faltando depois um conjunto de outras vendas menores (e por ano há literalmente dezenas de transferências, a maioria das quais nem chegam a ser referidas pelos media).

São números que não podem ser ignorados e que demonstram, em primeiro lugar, que o Benfica tem bons olheiros e, em segundo, que Jorge Jesus tem sido capaz de valorizar jogadores. David Luiz, Javi Garcia e Coentrão não tinham, nem pouco mais ou menos, estatuto internacional quando chegaram ao clube e chegaram ao topo do futebol mundial. Di Maria, Matic, Witsel e Ramirez pelo contrário já vinham referenciados, mas atingiram no Benfica um patamar superior. 

Já agora e para complementar esta informação refira-se que antes destas, as maiores transferências do Benfica tinham sido as de:

Simão 18 milhões (Atlético de Madrid) em 2007
Manuel Fernandes 18 milhões (Valência) em 2007
Nuno Gomes 17 milhões (Fiorentina) em 2000
Tiago 12 milhões Chelsea em 2004.

Falta agora ao Benfica, para além evidentemente de títulos, começar a aproveitar os frutos do trabalho da formação, com uma aposta mais consistente nos valores portugueses, a começar por André Gomes que me parece que agora que Matic saiu deverá começar a ter mais oportunidades para jogar.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Demasiado previsível - eu avisei...

Estamos só no início de Outubro e Jorge Jesus já está por um fio.
Era previsível, demasiado previsível.

TUDO foi feito de forma errada - tudo! E o principal culpado é Luis Filipe Vieira.

Eu não digo que Vieira seja culpado por ser negligente. Eu creio que ele faz o melhor que sabe. 

Simplesmente é incapaz de, no actual contexto, que todos reconhecemos ser de grande adversidade e de controlo do futebol (e não só) por parte do Porto, inverter as coisas.

Os erros são demasiados e demasiado óbvios. Eu venho alertando aqui há MESES para eles.

1. Renovação de Jorge Jesus

Que sentido teve aquela telenovela?

A renovação de Jorge Jesus, se era para consumar, tinha que se materializar LOGO APÓS O JOGO COM O ESTORIL. PARA dar força ao treinador e estabilidade ao grupo de trabalho. IMEDIATAMENTE ANTES DA IDA AO DRAGÃO.

Assim não foi.

Como se não bastasse, após a derrota com o Chelsea e antes da disputa da terceira final, a do Jamor, Vieira veio dizer que a continuidade de Jorge estava assegurada e não dependia dos resultados. Como???

2. Final do Jamor

Era ABSOLUTAMENTE IMPERATIVO VENCER ESSE JOGO. Escrevi aqui, com todas as letras, QUE NÃO VENCER UM GUIMARÃES DE TERCEIRA CATEGORIA TERIA QUE TER CONSEQUÊNCIAS. Alguém teria que assumir as suas responsabilidades. Jorge Jesus deixaria de ter condições para continuar ou, pelo menos, teriam que se verificar mudanças radicais e estruturais no futebol do Benfica. Lamento dizê-lo mas o Porto NUNCA perderia uma final daquelas. NUNCA. É por estas e outras que o Porto já é o clube com mais troféus do futebol nacional e o Benfica não venceu praticamente nada nos últimos 20 anos. 

3. Pré-época.

Adverti que o descalabro era certo se se continuasse a verificar um padrão de desresponsabilização, falta de estratégia e bazófia.

Depois de perder tudo, os poderes de Jorge Jesus foram reforçados e os disparates continuaram a sai-lhe da boca para fora. Deu entrevistas a dizer que tínhamos feito uma grande época, falou de hegemonia... Como se não bastasse, há dias Vieira veio falar na conquista da Liga dos Campeões...

Adverti em tempo que se deveria reforçar pontualmente a equipa nos sectores carentes (meio campo e defesa) e manter a solidez do plantel nas outras posições. O que se fez? Contrataram-se jogadores às dúzias, criando problemas onde não existiam (com excesso de jogadores para as posições atacantes, levando à desmotivação de todos por não jogarem os minutos que ambicionavam e à falta de rotinas) e mantiveram-se os problemas: lateral esquerda e meio-campo defensivo. Nos últimos dias do mercado foram-se buscar os jogadores de que realmente precisávamos (Fedja e Siqueira) que naturalmente não tiveram tempo suficiente para se integrarem. É o 3º ano seguido em que esta política de contratação perfeitamente demencial se verifica.

4. Caso Cardozo

Inacreditável. Nem merece muitos comentários. Integrado à força à última da hora, depois de um caricato remake do programa "Perdoa-me", versão BenficaTV, os resultados estão à vista.


Ao fim de tantos anos, o padrão está visto, como disse antes. LFV já não tem mais para dar ao Benfica. A única hipótese que ele tem de fazer o Benfica campeão novamente é os nossos adversários serem muito fracos, andarem muito, mas mesmo muito, para trás.

A 5 de Agosto escrevi aqui que ou alguém punha ordem no Benfica ou o descalabro era certo. Neste momento a equação é outra: ou aparece um grupo de benfiquistas responsáveis, liderado por uma figura credível, respeitável e capaz de liderar o clube, que se constitua como alternativa e rapidamente tome conta dos destinos do Benfica, ou arriscamo-nos a voltar aos piores tempos de instabilidade e desgoverno, com o monstro do gigantesco passivo a pesar como um cutelo sobre o Benfica, à semelhança da situação do Sporting.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quem sairá até ao fim do mês?

A menos de um mês do encerramento do mercado, o Benfica já conseguiu resolver alguns casos "bicudos" (Sidney, Kardec e alguns outros) através de empréstimos (nalguns casos com contrapartidas financeiras interessantes) mas ainda não vendeu nenhum jogador.

Entretanto já entraram 11 jogadores (um deles por empréstimo).

Não há porém ainda nenhuma venda, o que para um clube que - diz-se - terá que realizar 50 milhões começa a ser preocupante.

O caso Cardozo arrasta-se  mas aparentemente estará encaminhado (aparentemente o Benfica irá vender o jogador por 12+3 milhões). Para um jogador que fez tantos golos pelo Benfica é uma verba muito pequena. Aliás o Benfica pedia inicialmente 17 milhões, verba um pouco mais consentânea com o valor do jogador.

Garay já estava "vendido" ao Manchester United desde o ano passado (era o que constava) mas por alguma razão continua a não integrar o respetivo plantel.

Depois temos o caso de Gaitan que todos os anos vai sair, pois os dois clubes de Manchester estão loucos por ele, cada um oferecendo mais do que o outro, mas que acaba sempre (felizmente) por ficar.

Agora temos o caso Sálvio. De acordo com alguma imprensa, o internacional argentino tem vários interessados, desde o Arsenal até mais recentemente ao PSG, passando pelo Manchester City e o Tottenham. Existiria, diz-se uma proposta em cima da mesa de 32 milhões de euros do PSG depois do Arsenal ter oferecido 30. 

A mim custa-me a crer (sem por em causa a grande qualidade do jogador acho valores muito elevados) mas veremos. 

Na realidade a questão do "valor" nem sequer se coloca. Um jogador "vale" o que o mercado quiser pagar. 

Veja-se o absurdo da transferência de Gareth Bale, um jogador que ainda nem querer deu provas como já tinham dado Ronaldo, Figo ou Zidane aquando das suas transferências milionárias.


A serem verdade as notícias, com a venda de Sálvio por 30 milhões, números redondos, a de Cardozo por 15 e a de Garay por 10 (por metade do passe), entrariam 55 milhões de euros na tesouraria, mais 5 do que se diz ser necessário.

Nesta medida, não seria "necessário" vender Matic.

Como diz o seu empresário, interessados existem... pudera. Trata-se de um enorme jogador. Quem não gostaria de ter Matic (e tantos outros jogadores do Benfica)? Quase nenhum clube europeu desperdiçaria a oportunidade de ter os mais talentosos jogadores do Benfica no seu plantel. É tudo uma questão de dinheiro. Nesta medida, em relação a Matic a direcção do Benfica deve ter uma e apenas uma postura: o jogador só sai pela cláusula de rescisão.

Cardozo poderá ser substituível (o tempo o dirá), Garay é um grande jogador mas creio que o Benfica ultrapassará bem a sua falta, Sálvio é um extremo de enorme qualidade, um jogador de topo mas, pelo menos para consumo interno, o Benfica conseguirá substituí-lo com os jogadores que tem no plantel. Já Matic é um jogador que não tem substituto. A sua saída obrigaria à contratação de dois jogadores. É a meu ver o único inegociável do Benfica.

PS1 - já depois de publicado este post vejo que o Porto ofereceu 1,2 milhões a Jackson Martinez para este renovar por aquele clube, aumentando a cláusula de rescisão de 40 para 60 milhões. O Porto percebe que o jogador é insubstituível e pretende não apenas colocar-se a salvo da saída do jogador por 40 milhões (que acham pouco para a sua valia) como simultaneamente dar um prémio ao jogador para que este não fique tão frustrado por não poder sair e melhorar as suas condições financeiras. Considero esta gestão do caso correcta.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Instabilidade a mais

O Benfica precisava de uma grande tranquilidade para preparar a presente época.

Nestes últimos 3 anos perdemos (quase) tudo não por falta de qualidade de jogo mas por falta de calma nos momentos cruciais. Na época passada isso foi tanto mais evidente quanto deitámos tudo a perder nos últimos dias de competição e nos últimos momentos dos jogos decisivos.

Essa calma vem com as vitórias e os títulos mas é também resultado da estabilidade.

Infelizmente neste momento a instabilidade é mais do que muita. Não há certeza sobre quem estará no plantel no fim de Agosto e todos os dias se fala em entradas e saídas. 

Os efeitos são ansiedade (entre profissionais e adeptos) e distração, quando se devia passar o contrário - concentração e tranquilidade. Que diferença para outras paragens...

Dirão alguns que isso é fruto dos jornais e atiram (mais uma vez) todas as culpas para os nossos "inimigos" externos, reais ou fictícios.

A verdade é porém outra.

Há várias semanas, o Benfica, através de um comunicado oficial, acusou um jornalista, através de uma insinuação muito pouco subtil, de ser toxicodependente, porque este falou de hipotéticas contratações que não se confirmaram.

No entanto agora o Benfica nada diz quando todos os dias se dá como certa a entrada e saída de vários jogadores. Mais ainda, o próprio treinador já contribuiu para esta parafernália de rumores...

A realidade é que o Benfica está transformado num centro de negócios de passes de jogadores. Não há como o negar.

Há dias expressei contentamento por aparentemente o plantel se estar a consolidar. Pura ilusão! 

Veja-se bem, a menos de 4 semanas do início do campeonato, não se sabe se Matic, Sálvio, Garay e Cardozo saem ou ficam. Estamos a falar dos 4 melhores jogadores do Benfica. Farina já estará em Lisboa mas continua sem se saber se vai ser emprestado ao Braga(??). Um novo lateral esquerdo poderá estar a caminho, Pizzi também estará para assinar e já se fala na contratação de mais um avançado. Saíram nos últimos dias Michel, Hugo Vieira, Miguel Vitor e agora parece que Nélson Oliveira também volta a ser emprestado. Miguel Rosa também não conta para o treinador pelo que estará também para sair. 

Entretanto aguardam ainda pela definição da sua situação jogadores como: Luizinho, Roderick, Jardel, Carlos Martins, Sidney, Djaló e Urreta.

Sem contar com o regresso de Rúben Amorim, o Benfica já contratou  esta época 10 jogadores! Apenas dois deles (Steven Vitória e Sílvio, este último por empréstimo) são portugueses. A esta lista poderão ainda acrescentar-se mais nomes: Pizzi, Farina e, quem sabe, ainda mais um avançado.

É instabilidade a mais.

O Benfica está feito num entreposto de jogadores. Há jogadores contratados que são de imediato emprestados e nunca chegam a vestir a camisola do Benfica. 

É uma porta giratória de entradas e saídas certamente para dar dinheiro a ganhar a muita gente.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A formação do Benfica - II

A contratação de Sílvio, que saúdo, é paradigmática. O jogador foi formado no Benfica e chega ao nosso clube por empréstimo do... Atlético de Madrid.
A contratação parece-me boa pois trata-se um jogador com qualidade, rotinado no lugar e português. Permite uma alternativa a Maxi diferente de André Almeida: Sílvio tem mais rotação, mais cultura daquela posição e mais velocidade. Sílvio pode ainda jogar na esquerda.

A situação de Sílvio é um pouco o retrato da formação do Benfica: formam-se alguns jogadoers com qualidade mas aposta-se pouco neles, sendo-lhes dadas poucas oportunidades. Muitos se perdem assim em clubes de dimensão menor, sem terem tido oportunidade de evoluir como poderiam no seio do Benfica, com condições, jogadores e treinadores melhores do que os que vão encontrar naqueles clubes. Não foi o caso de Sílvio mas a verdade é que o passe do jogador também já não nos pertence.

Repare-se: nem todos podem ser Aimar, Messi, Coentrão ou Matic. A maioria dos jogadores são médios em termos de qualidade, assumindo depois a dedicação, a postura competitiva, os treinadores com quem trabalham, a fortuna ou felicidade que têm na sua carreira um papel decisivo para determinar como esta mesma carreira evolui. 

Trata-se pois de uma questão de aposta dos responsáveis, de confiança dos treinadores, de paciência com os jogadores.

Mourinho no Porto ou no Chelsea contou com jogadores de qualidade excepcional mas também com muitos jogadores medianos ou médios para conseguir atingir as impressionantes conquistas que marcam o seu percurso. Olhe-se para os casos de Nuno Valente, Hilário, Derlei e Postiga. Olhe-se mesmo para Paulo Ferreira, um jogador que conquistou inúmeros títulos de campeão nacionais e internacionais e que não era propriamente um predestinado. Era um jogador competente, dedicado e com boa condição física, apenas isso. Simplesmente teve um Mourinho que apostou nele, lhe deu confiança e o ensinou a ser melhor. 

É isto que o Benfica deve saber fazer. Aproveitar o melhor de cada jogador. "Coentrões", "Di Marias", Ramirez ou "Davids Luises" são a excepção. Jogadores como Sílvio são pelo contrário o jogador médio do futebol europeu, ou da metade superior, em termos de patamar competitivo, do futebol europeu.

Se percebermos isto, se soubermos ser pacientes e apostar nos nossos valores, desde João Cancelo a André Gomes, passando por André Almeida, Miguel Rosa e Ivan Cavaleiro, poderemos tirar muito mais partido da nossa formação. Detectar talentos jovens no estrangeiro ou mal aproveitados em grandes clubes é sem dúvida uma solução que temos usado com resultados positivos desde a chegada de Rui Costa e Jorge Jesus. Importa porém apostar na nossa formação para equilibrar mais os nossos plantéis e as nossas finanças. Tal permitirá mais estabilidade nos plantéis (os jovens talentos estrangeiros não ficam muito tempo), mais cultura benfiquista, mais solidez emocional e melhores resultados financeiros. A criação da equipa B foi um excelente passo nesse sentido. Importa agora dar-lhe também estabilidade ao nível da direção técnica e não mudar de protagonistas todos os anos. Saibamos tirar partido desta aposta e potenciar os jogadores da nossa formação. Não tenho dúvidas de que este é o caminho. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Plantel ganha forma (mas mercado continuará aberto meses)

O Benfica está agora finalmente a reforçar os sectores mais fragilizados da equipa, designadamente as laterais e o centro da defesa.

É curioso que tendo na época passada chegado às finais das três competições mais relevantes (se por final entendermos, no que ao campeonato diz respeito, estar em 1º a duas jornadas do fim), tenhamos apesar disso sentido a necessidade de reforçar a equipa em todos os sectores.
É algo paradoxal: apesar do "quase" sucesso, havia afinal reconhecidamente fragilidades várias. 

No entanto, muito embora tenha contratado já 9 jogadores (a confirmar-se a vinda de Bruno Cortez, lateral esquerdo brasileiro), o Benfica continua a precisar de fazer pelo menos 2 contratações mais. 

As contratações que falta são para o meio-campo.
O problema da defesa está resolvido e o ataque poderá não ter mexidas, mesmo com a mais que provável saída de Cardozo.

Tal como assinala José António Saraiva na sua crónica de hoje no "Record", a contratação dos sérvios poderá significar um tipo de jogo um pouco diferente em que possivelmente não caiba um avançado mais fixo como Cardozo. Estamos a especular um pouco, é certo, mas a realidade é que contratar 3 jogadores com nome e qualidade como Djuricic, Sulejmani e Markovic para apenas um lugar na frente de ataque não faria muito sentido.

Já assinalei anteriormente que via Djuricic como sucessor de Aimar mas que JJ considera que este é mais do tipo de Saviola, um segundo avançado. Sendo essa também uma posição natural para Markovic e Sulejmani (que também jogam pelas alas, onde já existem varias opções), a contratação de um "novo Cardozo", a acrescentar a Lima, retiraria quase por completo o espaço de afirmação às novas contratações sérvias.

Creio portanto que não haverá mais contratações para o ataque, a não ser que apareça um "novo Weldon", isto é, um goleador "barato" e oportuno para jogar apenas alguns minutos quando as equipas adversárias se fecham muito e os jogos estão bloqueados.

O que nos leva à maior incógnita do próximo ano e sobre a qual já escrevi também alguns posts: o meio campo do Benfica em 2013/14. E aqui infelizmente teremos com toda a probabilidade que esperar pelo fecho do mercado. Já o ano passado assim foi com as saídas de Javi Garcia e Witsel e esta época a história poderá repetir-se com a situação de Matic.

Para estarmos a salvo de surpresas (até porque jogadores como Matic não aparecem todos os anos) seria boa ideia assegurar já a contratação de um centro campista que dê garantias e manter um outro já sob observação. É preciso notar que mesmo com Matic o Benfica sentiu a falta de um elemento adicional que pudesse substituir o sérvio quando necessário. Até para o lugar de Enzo deveria ter existido outra opção, dado que a aposta em André Gomes não foi consistente. A este propósito insisto: deveria apostar-se na prata da casa e dar-se uma oportunidade a Miguel Rosa.

Rosa é um centro campista que tem jogado sobretudo no meio campo ofensivo mas cujo talento será eventualmente escasso para assumir essa responsabilidade numa equipa como o Benfica. Mas sendo ele um jogador trabalhador e abnegado, creio que facilmente se poderia fazer a "adaptação". Se Jesus adaptou Enzo, Melga e o próprio Matic, porque não poderia adaptar Rosa?

É pequeno? E Moutinho? Será algum gigante? E Xavi, do Barcelona, será alguma torre?

Esta seria a meu ver uma opção que nos poderia resolver um problema sem custos e com a prata da casa. 

Resolvido até ver o problema da defesa, vislumbrando-se um novo ataque com múltiplas opções, é agora tempo de assegurar que o miolo do campo terá as opções necessárias para enfrentar nova época. Opções que deem resposta às necessidades - não apenas até às "finais" mas até às conquistas.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Será muito difícil substituir Cardozo

Retirado do site da UEFA, Liga Europa.


Cardozo tem uma característica rara e preciosa no futebol: marca golos. Muitos golos, de várias formas. Tem o golo nos pés como se costuma dizer.

Os goleadores são raros no futebol e por isso são muito caros. A ideia de que qualquer um marca desde que lá esteja não é verdadeira e a experiência já múltiplas vezes o demonstrou.

Por regra, as equipas de topo têm um grande goleador. O Sporting nas únicas duas vezes em que foi campeão nos últimos anos teve dois goleadores: Acosta e Jardel. O Porto nos últimos 3 anos teve Falcao, Hulk (muito à custa de penalties, é certo) e Jackson. 

O Benfica tem tido Cardozo e por isso venceu em 2010 e esteve muito perto de vencer nas últimas duas épocas. Se chegámos à final da Liga Europa devemo-lo em grande medida a Cardozo que marcou em todas as eliminatórias. E se a perdemos devemo-lo a Torres que do nada criou o golo que nos colocou em desvantagem e inverteu a tendência do jogo que até aí nos era favorável.

O Benfica tem ainda Lima, tem Rodrigo e tem os sérvios que me parecem bons jogadores. Mas para além de Lima nenhum deles me parece um goleador nato. E nenhum deles, incluindo Lima, tem as características de Cardozo.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Benfica 2013/14 - mais do mesmo?

Começo a ficar cansado, como é notório para quem costuma visitar este blog.

Vejo com preocupação o que se passa no Benfica. A falta de exigência, a falta de responsabilização, um certo irrealismo começam a ser a regra no Benfica.

O fim de época passada foi  o que se sabe. A derrota na final da Taça contra uma equipa remendada do Vitória foi inaceitável.

Deveria ter obrigado a uma reflexão por parte de todos. A um enorme cerrar de fileiras e a uma concentração redobrada no trabalho para a nova época. A uma política de comunicação sóbria, discreta, minimalista. À definição de um rumo claro para que não se repetissem os erros decisivos do final de época passada.

E o que se verifica?

Um treinador que parece já ter esquecido que esteve de joelhos, que chorou, que foi quase agredido e cuspido, a falar em "hegemonia" (!!) do futebol português. Alguém que não é campeão há 4 anos!!

Uma política de vendas e contratações que, apesar de algumas decisões acertadas, parece errática e pouco coordenada.

Eu não quero sequer acreditar que Steven Vitória, um jogador com inquestionável qualidade, possa ser um novo Capdevilla. Mas as declarações de Jorge Jesus fazem-me temer esse cenário. Instado a falar dos reforços para a defesa nem sequer mencionou o seu nome!! Depois, "relembrado" pelo entrevistador (um vice-presidente, o que é outra originalidade neste Benfica) de que havia ainda o luso-canadiano, JJ lá diz que sim, que o jogador até pode ser uma solução, que tem alguma qualidade e que é Português o que "pode ser importante para a Champions". Ou seja, dá ideia que Steven Vitória vem para fazer número ou preencher "quotas" de jogadores portugueses. Na SIC disse-se hoje que "não é líquido que Jorge Jesus queira Steven Vitória no plantel".

Sublinho, nem quero acreditar numa coisa destas.

Depois há o caso de Miguel Rosa, cuja situação, tanto quanto sei, continua por definir. Não me interessa que o jogador possa ter 24 anos, em contraposição com jogadores mais novos das equipas B. 
24 anos é suficientemente novo para ainda poder evoluir quando o ponto de partida (melhor jogador da segunda Liga, consecutivamente eleito em todos os meses como tal) já é bastante razoável.

E finalmente o de Rúben Amorim. Depois de se ter portado mal com o Benfica e o seu treinador, irá aparentemente integrar o plantel e foi, de acordo com "A Bola", abordado para renovar!

Quanto às aquisições, também fiquei surpreendido com as declarações de Jorge Jesus, de acordo com as quais Djuricic afinal não é sucessor de Aimar mas antes um "9 e meio", um jogador "do tipo de Saviola". 


Se este é o caso, parece-me então que contratámos 3 jogadores para a mesma posição: Djuricic, Sulejmani e Markovic.

Para ajudar à "festa", Jesus diz que "é quase impossível que Matic não saia". Como???

O Benfica quer empurrar o seu melhor jogador, o melhor jogador da Liga na época passada, para a porta da rua? Mesmo que esse fosse um cenário provável, desde quando se fazem declarações deste tipo? Acerca de um atleta exemplar que várias vezes já disse estar contente e querer dar o seu contributo para que o Benfica agora conquiste os títulos que merece?? 

E depois vejo os adeptos e os blogs a falarem de calendários "cozinhados" e de novas perseguições ao Benfica. Isto porque - imagine-se - vamos ter que jogar contra os adversários numa certa ordem, que pelos vistos nos será desfavorável. O ponto a que se chegou...


Tudo neste Benfica me começa a parecer demasiado estranho.


Daí algum cansaço e menor tempo dedicado a este blog. Começo a temer que a época que se avizinha venha a ser a repetição de um filme já demasiadas vezes visto nas épocas passadas: muita conversa e zero (ou perto disso) de resultados. E para isso já dei demasiado na época passada em que atingi o meu limite de ilusões com o futebol e com este Benfica.

Espero estar enganado.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Mais uma época. Desfecho diferente?

Está prestes a começar a pré-época 2013/14. Alguns dos reforços do Benfica já se apresentaram no centro de estágios do Seixal para fazer os testes médicos e dentro de dias começarão os treinos e depois os jogos particulares. Uma das curiosidades desta pré-época é o regresso da Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, que trará o primeiro derby, um Benfica-Sporting.

Em termos de plantel, como assinalei anteriormente, estão por definir as situações de Cardozo (que deverá mesmo sair restando perceber por quem será substituído), de Matic e da posição de defesa esquerdo. Essa será neste momento a prioridade, depois do eixo central da defesa ter sido (e bem) reforçado. Temos finalmente as situações de Gaitan e Garay por concretizar assim como a da lista de dispensas. Neste capítulo existe a boa notícia (por confirmar) de que Kardec terá sido apalavrado com o Palmeiras para um empréstimo de um ano.

A grande questão que se coloca é porém a de saber como acabará a época. Dificilmente os benfiquistas se deixarão este ano entusiasmar com o decurso da época que se avizinha, face às desilusões da que há pouco acabou. Mesmo que as coisas comecem a correr bem, o espectro da derrota nas decisões pairará até que tudo esteja definido.

Para que as coisas sejam realmente diferentes em 2013/14 há uma coisa que terá que mudar desde logo na primeira volta. Trata-se do resultado dos confrontos com o Porto. Já bati muito nesta tecla: o Benfica de Jesus, em jogos a contar para o campeonato, tem apenas uma vitória contra o Porto, obtida no primeiro jogo orientado por JJ. Foi na Luz, numa noite de chuva, com um golo de Saviola. Desde aí acumulámos derrotas e empates.

Enquanto o Benfica não fôr capaz de vencer o Porto terá muitas dificuldades em sagrar-se campeão. Isto pela simples razão de que o Porto praticamente não perde pontos nos restantes jogos - em três épocas teve apenas uma derrota! É obra! Nem o Barcelona, nem o Bayern de Munique conseguem registos deste tipo. Falsificação? Batota? É evidente!

O condicionamento dos árbitros quando o Porto actua é evidente para todos (exceptuando, talvez, os mais fanáticos adeptos portistas). Mas esse é já um dado da equação pelo que pela minha parte não contem para voltar a falar desse aspecto. Já disse muito, já identifiquei as causas. Quem quiser pode encontrar nos vários posts sobre o assunto, parte dos quais se encontram no separador "o sistema", as minhas reflexões e propostas sobre a matéria.

Para mim essa conversa acabou. Já escrevi o que tinha a escrever sobre a matéria.

Os sócios do Benfica elegem os seus dirigentes para estes zelarem pelos interesses do clube em todas as suas vertentes. Caso eles não o consigam fazer, devem assumir o falhanço e dar lugar a outros.

Esta é a postura de responsabilização que me proponho adoptar para a época que em breve se iniciará. Acabaram-se as explicações, acabaram-se as desculpas, acabou-se a tolerância para com os falhanços. Este ano o Benfica tem que ganhar o campeonato.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ainda não saiu ninguém...

O Benfica ainda não vendeu/colocou nenhum dos seus transferíveis/dispensados para a próxima época.

Não é muito surpreendente pois o mercado tem estado bastante parado. Veja-se como Cavani, um avançado que fez uma época sensacional e tem características únicas (velocidade, agressividade, capacidade concretizadora) continua com uma situação indefinida. De igual modo Suárez (que deseja sair) e Bale, que foi um dos melhores jogadores do mundo na época passada, continuam vinculados aos seus clubes.

Neymar e as contratações mirabolantes do Mónaco são até ao momento das poucas excepções dignas de registo a este defeso até agora muito calmo. Fala-se também de uma revolução no Chelsea, com a suposta saída de David Luiz e alguns históricos do clube, mas por agora tudo não passa de conversa de jornal.

Voltando ao Benfica, a indefinição não é boa. É óbvio que, dadas as várias contratações já asseguradas, alguns jogadores terão que sair. Lisandro López, que pelo que se vai percebendo se tratará de um jogador de valia em quem o próprio Bayern estaria interessado, não vem certamente para estar na sombra de Garay. No entanto, os jornais, designadamente "A Bola" dizem agora que o Manchester United (apontado como o destino mais que provável do argentino) talvez não vá afinal avançar.

Por outro lado Cardozo, que JJ exigiu que saísse do plantel, continua por colocar, o que também atrasa o processo da sua substituição. Apesar da qualidade de Sulejmani e Markovic, nem um nem o outro me parecem poder substituir Cardozo. O próprio Lima precisa, a meu ver, de um outro ponta de lança para render o que pode (e é muito). O Fenerbahçe, que parecia ser o futuro clube de Cardozo está fora das provas europeias, o que seguramente levará os turcos a repensarem as suas contratações e possivelmente desistir do paraguaio.

Depois temos ainda as situações de Jardel (que penso sinceramente não ter espaço neste plantel), Kardec, Rodrigo Mora e tantos outros, que importa colocar para aliviar a carga salarial e realizar algum encaixe, por pequeno que possa ser.

Em termos de portugueses, temos também Rúben Amorim, Carlos Martins e Djaló que precisam de ver as suas situações definidas.

E o que dizer de Nélson Oliveira? E Roderick Miranda?

Há portanto muito para fazer por parte da SAD. Não tenho dúvidas de que estarão a trabalhar nestes processos mas a realidade é que não existe ainda nada para mostrar. E assim a ansiedade vai crescendo, ao mesmo ritmo que as possibilidades se vão tornando mais limitadas...