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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Vitória será sempre o treinador do Tetra

Rui Vitória saiu do Benfica, como já há algum tempo me parecia inevitável.

A época até começou bem, com a qualificação para a Champions, depois de apanhar dois dos adversários mais difíceis que nos podiam ter calhado, e uma vitória sobre o Porto na Luz, algo que infelizmente tem sido raro nos últimos anos (e que o agora ex-treinador do Benfica não alcançara até então).

No entanto desde aí que as coisas - inexplicavelmente - descarrilaram por completo. Quando se esperava que a vitória sobre o Porto motivasse a equipa e a levasse a arrancar para a tão propalada "reconquista", foi o contrário que aconteceu, com derrotas desapontantes e exibições confrangedoras. 

Terá sido talvez uma consequência de uma preparação que programou um pico de forma para Agosto, sofrendo em Outubro/Novembro uma quebra física acentuada. A saída de Luizão, pendurando as botas com a época em andamento, algo que não me lembro de alguma vez ver e que nunca chegou a ser explicado, também terá tido um efeito psicológico naquele balneário. A coincidência da sua saída com o início dos maus resultados é um facto.

Seja como for, mais e melhor se exigia com um plantel destes. Contratações que não jogavam, apesar do seu elevado custo, são outra das componentes da má gestão que caracterizou os últimos tempos de Vitória na Luz. 

Não vou insistir muito no ponto, mas já tornei aqui claro e repito que o 4-3-3 nada trouxe de bom e que desde então perdemos muita da nossa capacidade atacante - com poucos ou nenhuns benefícios em termos de solidez defensiva e controle de jogo.

Nas últimas semanas o nível exibicional do Benfica foi de uma pobreza inaceitável e Rui Vitória, como eu escrevi há cerca de duas semanas, já não dava sinais de ser capaz de inverter as coisas. O 4º lugar que ocupamos reflecte este cenário, apesar de ser bom recordar que os árbitros e o VAR têm protegido muito o Porto.

Mas se é justo e factual reconhecer que Vitória chegou ao fim do seu ciclo no Benfica - o seu modelo e a sua liderança estavam esgotados - isso não pode apagar os seus méritos e o seu lugar na história do Benfica.

Rui Vitória é um dos treinadores portugueses com melhor registo no nosso grande clube, tendo alcançado um bicampeonato nos seus dois primeiros anos, assim completando o tão desejado tetra. O próprio penta esteve próximo de ser alcançado e não fora um desinvestimento no plantel (opção estratégica errada a meu ver, imputável sobretudo ao presidente) podíamos mesmo ter consumado essa aspiração. Faltou um jogo na Luz, uma vitória ou até mesmo empate com o Porto e o penta teria sido uma realidade. Mas, com Jonas lesionado, não tivemos opções de qualidade suficiente para contrariar a pouca sorte que nos calhou nessa tarde em que o penta se esfumou.

Para além de dois campeonatos, Vitória conquistou uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças, tendo ainda alcançado uns quartos de final da Champions. Um registo notável que fica manchado - é um facto - pela pior participação de sempre na Liga dos Campeões, com zero pontos e derrotas humilhantes, facto que, mais uma vez, se deve a meu ver em larga medida a opções erradas por parte da direcção, que deixaram o plantel demasiado depauperado para um nível de exigência europeu.

Contas feitas, Vitória conquista 6 títulos na Luz e um inédito tetra. Merecia sair de outra forma. Penso que ter aceite a suposta proposta das arábias após o 6-2 ao Braga teria sido (caso aquela proposta tenha de facto sido real) a decisão certa. No entanto quando o tempo passar e a poeira assentar os benfiquistas não deixarão de lhe reconhecer o seu lugar na história do clube e os méritos das suas conquistas.

É tempo de vir o próximo, tema para um outro post.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A continuidade de Rui Vitória


Nos últimos artigos tenho-me focado muito nas limitações do plantel do Benfica como causa principal dos recentes maus resultados.
Muitos dos comentários aqui deixados e artigos noutros blogs do Benfica têm porém insistido nas responsabilidades de Rui Vitória, sendo (ou parecendo) opinião generalizada que o treinador não tem condições para inverter a situação e deve sair.

Muito embora percebendo todas as críticas e a descrença, penso que não chegámos a esse momento e que Rui Vitória ainda pode dar a volta à situação. Segue-se a minha avaliação, estando os leitores convidados a deixar os seus comentários e opiniões, como sempre aqui acontece.


A solidez mental de Rui Vitória


Fui um grande crítico de Rui Vitória nos seus primeiros tempos de Benfica. Não engoli muito o argumento de que a "estrutura" seria um garante de uma estabilidade e solidez que permitiria ao clube continuar a senda vitoriosa. Achava que Rui Vitória não tinha dimensão para o Benfica. A verdade é que, depois de um início titubeante, no momento da verdade Rui Vitória mostrou grande frieza. Nunca se "desmontou", nunca colapsou perante as críticas, a desconfiança e as provocações e no fim soube pôr o Benfica a jogar um grande futebol e a vencer títulos.

A integração de jovens na equipa


Rui Vitória é o responsável pelo lançamento de vários jovens jogadores na equipa principal: Nélson Semedo, Renato Sanches, Victor Lindelof, Gonçalo Guedes e Éderson. Muitos outros tiveram oportunidades, mas por esta ou aquela razão (ainda) não se impuseram. Acima de tudo fica a ideia de que Vitória não tem qualquer receio em apostar nos jogadores e que estes, sentindo-se apoiados e portanto confiantes, mostram as suas qualidades. 

O excelente futebol do Benfica


O Benfica já jogou um excelente futebol desde que Rui Vitória chegou ao clube. Curiosamente dos melhores jogos que fizemos, nomeadamente as duas recepções ao Porto, não vencemos, mas quem não se lembra do completo massacre que fizemos no primeiro jogo ou das defesas impossíveis de Casillas em qualquer um deles? Quem não se lembra da vitória sobre o Atlético em Madrid? Da dinâmica atacante e das goleadas, sobretudo, mas não apenas, em jogos em casa (a última das quais já esta época, contra o Belenenses)?

Os títulos


No futebol, como em todos os desportos de alta competição, os resultados são a ultima ratio da avaliação do trabalho de um líder. E nesse capítulo Rui Vitória já deu provas mais do que cabais: dois campeonatos disputados - dois primeiros lugares, duas Taças - uma vitória, duas Taças da Liga - uma vitória, duas Supertaças - uma vitória, duas Ligas dos Campeões - duas qualificações, uma para os oitavos outra para os quartos de final. 

O desastre da presente época


O mais irónico de tudo isto é que a presente época até começou bem. O Benfica ganhou a Supertaça e venceu os primeiros jogos de forma convincente. No entanto a partir do momento em que se teve o primeiro deslize (Vila do Conde) tudo começou a desmoronar-se muito depressa. O que se passou em Basileia é altamente desprestigiante para o Benfica. Tememos pelo que venha a acontecer com o United. A Champions está quase perdida e no campeonato estamos em risco de descolar dos da frente, sobretudo o Porto. Ao contrário do ano passado, este ano temos adversários competentes. Ao contrário do que aconteceu há duas épocas, este ano não temos a Champions para "compensar" um mau início no campeonato. 
Este ano tudo está a correr mal, desde os resultados ao futebol praticado, à inconstância das escolhas de Rui Vitória em matéria de jogadores, às incertezas (e limitações) em termos de modelo de jogo. Rui Vitória parece mais desorientado e desanimado do que alguma vez o vi no Benfica.

O que mudou?


O que mudou é o sobretudo o que tenho assinalado em anteriores artigos: o plantel não apenas perdeu qualidade como envelheceu. Entrámos assim numa curva descendente que Vitória não tem sabido contrariar.

Pode Vitória inverter o presente estado de coisas?


A questão que se coloca aqui é se Rui Vitória chegou ao fim do seu ciclo, se esgotou a sua energia e as suas ideias. Um dos argumentos que ouço muito é o de que se acabou o "gás" que vinha ainda de JJ, que Rui Vitória não tem ideias próprias e que a memória dos "processos" (que vinha do anterior treinador) está a desaparecer.

Esta ideia é insólita. Quem a professa está a aderir por inteiro à lógica do "cérebro", aos argumentos do Ferrari e afins, que combatemos com tanta determinação há dois anos.

Será possível que se ache que uma equipa ganha dois anos em "piloto automático"? Que se preparem estratégias de jogos presentes a partir de esquemas e ideias do passado (que supostamente nem se domina)?

Defender isto é desrespeitar Rui Vitória, é ser injusto e não dar mérito a quem o tem. Vitória soube aproveitar o que tinha e tirar grande rendimento dos jogadores. Se assim não fosse os maiores clubes europeus não se teriam interessado pelos nossos jogadores e não teriam pago dezenas de milhões por eles.

Rui Vitória continua pois a ter as qualidades que tinha há dois anos. No entanto a verdade é que não está a conseguir colocá-las em prática da mesma forma. E a verdade também é que será sempre avaliado pelos resultados que produzir. Por isso a grande questão que se coloca é se Vitória irá conseguir inverter o estado de coisas. 

O futebol do Benfica não agrada. Defensivamente a equipa é uma calamidade. 

Luisão já não tem a meu ver condições para jogar a este nível. Certamente que esta dupla, com um Jardel muito debilitado relativamente há dois anos atrás, não funciona. Não se percebe porque saiu Rúben Dias da equipa. Estava a jogar bem e a compensar um pouco a falta de velocidade da nossa defesa. Há que ter a coragem de sentar Luisão ou Jardel. Depois Almeida tem muitas limitações. Há que trabalhar outras opções. O que se passa com Douglas?

No meio campo o Benfica não consegue ter controlo do jogo nem quando está a ganhar nem quando está a perder. Pizzi não pode jogar 90 minutos todos os jogos e, a manter o presente modelo, os extremos precisam de jogar de outra maneira. 


São muitas questões para Vitória resolver mas é esse o seu papel. Acima de tudo o treinador precisa de ter energia, determinação e confiança nas suas capacidades e convicções. Só assim pode liderar estes jogadores e levá-los a inverter o rumo negativo da época. Apesar das limitações do plantel (e teremos necessariamente que ir ao mercado em janeiro) há qualidade para fazer muito melhor. Continua a haver jogadores de classe nesta equipa mas tem que se lhes dar um aproveitamento diferente. Há que procurar soluções que dêem outro equilíbrio à equipa. 



Se e quando Rui Vitória deixar de ter a energia e a confiança necessárias para liderar a equipa, então será chegado o momento de dar o lugar a outro. Ainda não estamos lá. A pausa no campeonato é uma janela de oportunidade para o treinador retomar as rédeas e fazer a equipa entrar novamente nos eixos. Esperemos que a agarre.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Parecia impossível... Tricampeões!!!

Se a história não apenas desta esta época fosse um enredo de ficção poderíamos considera-lo exagerado ou implausível.
 
Tudo começou com o "roubo" de Jorge Jesus, algo que pareceu quase surreal.
 
No Benfica era normal a apreensão: antes de Jorge Jesus existia apenas o título de Trapattoni entre o presente e o abismo aberto por Artur Jorge e consumado nos anos de Vale e Azevedo. Temia-se uma nova seca de títulos e o rápido encerrar de um ciclo vitorioso mal este se iniciara.
 
Tudo se parecia encaminhar para um ano de conquistas em Alvalade e um ano de depressão no Benfica. O "atraso" no anúncio de Rui Vitória e o pouco entusiasmo que o seu nome motivava - uma espécie de anti-JJ em termos de personalidade e carisma - contribuiu para mais incerteza e alguma divisão, com alguns adeptos, em que me incluí, a desejarem que a escolha recaísse antes sobre Marco Silva (escorraçado do Sporting depois de um bom trabalho que culminara na conquista de uma Taça de Portugal).

Na pré-época acumulámos derrota após derrota e não se vislumbrava organização na equipa nem ideias claras. A Supertaça alimentou a euforia veraneante dos sportinguistas e gerou sérias dúvidas entre os benfiquistas acerca das capacidades de Rui Vitória em conduzir o navio benfiquista: não tanto pela derrota mas pela sua aparente cedência aos mind games de JJ. A sua frase de que os jogadores do Benfica tinham entrado em campo com "receio" não foi feliz.

A "estratégia de comunicação" (como agora se diz) do Benfica não era a melhor, pois continuava a referir-se quase diariamente a JJ, ora queixando-se de que ele "traíra" o Benfica, ora afirmando que afinal fora o Benfica que optara por seguir outro rumo estratégico de aposta na formação.
 
O campeonato até começou bem, com uma vitória na Luz de goleada sobre o Estoril, mas logo na primeira deslocação veio a primeira derrota. E percebia-se que as coisas não estavam bem. À 5ª jornada veio a segunda derrota do campeonato (e terceira da época). À 8ª jornada veio o descalabro, com a derrota em casa por 0-3 com o Sporting. O Benfica ficava a 8 pontos do Sporting (com um jogo em atraso que viríamos a empatar) e a 6 do Porto. Estávamos em outubro.

Menos de um mês depois éramos eliminados da Taça perdendo mais uma vez com o Sporting, embora desta vez tenhamos pela primeira vez estado em vantagem (com um golo de Mitroglou a abrir), num jogo com casos de arbitragem em nosso desfavor.
 
Nessa altura poucos acreditariam no tri, não apenas pelos resultados e a desvantagem pontual mas pela manifesta incapacidade da equipa em se bater com os principais opositores. Mesmo os que haviam defendido a contratação de Rui Vitória  já mesmo no tempo de JJ, consideravam agora que o treinador do Benfica não tinha condições para ficar. A sua permanência parecia por um fio.

Houve alguns factores que permitiram porém que a estabilidade se tivesse mantido e que o campeonato tivesse tido este desfecho. Em primeiro lugar, a boa campanha na Liga dos Campeões e o lançamento de jovens como Nélson ou Gonçalo Guedes (na altura Renato ainda não entrara na equipa) foi importante porque mostrou que havia trabalho, apesar de internamente os resultados estarem a ser maus. O segundo foi a vitória em Braga, dias após a eliminação da Taça. Era um teste de fogo ao qual a equipa sobreviveu. O terceiro e mais central de todos foi o apoio inequívoco de Luis Filipe Vieira ao treinador, deixando claro que o mesmo continuaria acontecesse o que acontecesse e ao mesmo tempo retirando pressão com a célebre expressão das "dores de crescimento". Foram duas entrevistas dadas pelo presidente em momentos difíceis que me parece que foram cirúrgicas, para além da presença na primeira fila nos momentos mais difíceis.

O presidente demonstrou visão, da mesma forma que os adeptos demonstraram paixão e crença. Os cânticos aquando do 0-3 na Luz foram efectivamente importantes, tal como a crença que o cântico "dá-me o 35" sempre manteve viva. Faço aliás mea culpa por não ter apreciado devidamente aquele momento aquando da recepção ao Sporting. Admito que estava demasiado irritado com as derrotas com o Sporting, o que me impediu de ver o que a maioria logo reconheceu. Essa reacção deu o mote para o que viria a ser época, embora outras coisas estivessem ainda para acontecer.
 
 A verdade é que o Benfica continuava a jogar pouco e a não ter solidez no seu jogo.  Mas o momento de união total viria a 6 de janeiro, dois anos após a morte de Eusébio. JJ lembrou-se de dizer que não qualificava como treinador. A partir daí todos nos unimos e foi muito simples: exceptuando o jogo com o Porto, vencemos todos os jogos até ao fim, muitos de goleada, com enormes exibições e futebol espectacular nuns casos e muita entrega, sacrifício e crença noutros. Rapidamente ultrapassámos o Porto (que pouco antes tinha uma vantagem de 5 pontos sobre nós) e após o jogo de Alvalade - aquele que verdadeiramente foi decisivo - passámos para a liderança para não mais a perder.

E assim conquistámos o campeonato e nos sagrámos TRICAMPEÕES.



Parecia impossível. Poucos acreditavam. Mas a partir de dada altura, dados os ataques infundados e as calúnias constantes, tornou-se uma questão de honra conquistar este campeonato.

Este campeonato foi uma lição, uma enorme lição.

Rui Vitória, de quem quase todos desconfiámos a dada altura, que porém nunca se desconjuntou, que todos passámos a apoiar a partir do momento em que foi infamemente atacado e desconsiderado, mostrou uma liderança extraordinária: firme, tranquila e sempre focada nos objectivos. Nunca abdicou de nenhuma competição e sempre compreendeu a responsabilidade de ser treinador do Benfica. Isto para além de ter mantido uma postura de cavalheiro ao longo dos mais difíceis e conturbados momentos. O prémio que alcançou é de absoluta justiça e totalmente inquestionável. Sem o apoio do presidente tal teria sido impossível, pelo que o mérito da liderança deste merece igualmente ser destacado.



Este campeonato tem uma história incrível e entra directamente para os momentos importantes do palmarés do clube e da vivência benfiquista. Os meus sinceros parabéns a todos os seus fautores. Obrigado por esta enorme alegria.

 
 
 

 
 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Vitória importante e bem conseguida

Foto do jornal "Record".
 
O Benfica venceu ontem o Guimarães num terreno sempre difícil, de uma forma inteligente e justa.
 
É importante recordar que no ano passado, necessitando de vencer o jogo para assegurar matematicamente o bicampeonato, o Benfica não o conseguiu fazer e também que o Vitória vinha de uma boa sequência de resultados.
 
O jogo foi bastante duro, por opção deliberada do Guimarães e do seu treinador e por permissividade excessiva de Carlos Xistra que começou a puxar dos cartões demasiado tarde. Parabéns aos jogadores do Benfica por não se terem retraído nem deixado intimidar pelo abuso de entradas à margem das leis.
 
No entanto o Benfica não esteve tão bem noutras componentes do jogo. Tal como em jornadas anteriores, voltou não entrar na partida de forma dominadora, deixando ao adversário demasiado espaço para respirar e pensar. O Benfica não marcou suficientemente os ritmos do jogo neste período. Quando o fez, como no fim da primeira parte, esteve perto do golo em 3 ocasiões.
 
Na segunda parte a história foi diferente. Embora mesmo no início o Guimarães tenha tido algumas oportunidades, o Benfica foi progressivamente assumindo o jogo, controlando a posse de bola e os ritmos da partida e apertando o "adversário". O fluxo de jogo no meio campo do Guimarães aumentou e o perigo começou a surgir perto da sua área. Pizzi teve uma grande oportunidade, numa bela iniciativa e Renato Sanches voltou a marcar um golo soberbo.
 
Em última análise foi um jogo conseguido e uma vitória importantíssima numa jornada em que os 3 pontos asseguravam uma reaproximação aos dois primeiros. No entanto deixar as coisas para tão perto do fim obviamente acarreta riscos. Há que encontrar um equilíbrio entre uma abordagem inteligente ao jogo (como em última análise esta foi) e uma atitude mais dominadora. A vitória em Braga, por exemplo, foi um bom compromisso estas estas duas tendências.
 
Deste jogo há que destacar o regresso de Gaitán, as exibições de Pizzi, Jonas e, claro, de Renato. Este jovem começa a ser um caso sério. A sua maturidade e qualidade de jogo e o equilíbrio que dá ao meio campo do Benfica, assim como o posicionamento de Pizzi, a sua qualidade e leitura de jogo, realmente mudaram para melhor o rendimento da equipa naquele sector nevrálgico.
 
Há agora que dar sequência a este crescimento da equipa. Não pode haver novos Aroucas ou Uniões da Madeira! Não pode haver novos deslizes dessa ordem. Se evitarmos tais percalços e continuarmos a melhorar podemos ainda ter uma palavra a dizer nesta Liga. Há que recordar que já jogámos no Porto, em Braga e em Guimarães. Ficam a faltar as deslocações à Madeira e a Alvalade entre as mais difíceis.
 
Rui Vitória tem entre os seus créditos não apenas o lançamento de jovens talentos como Nélson, Gonçalo ou Renato. Ele tem também o mérito de estar a obter o melhor rendimento de Gaitán e Jonas desde que estes chegaram ao Benfica. No entanto defensivamente e em termos de dinâmica colectiva continuam a faltar algumas coisas. Vitória parece um excelente treinador na confiança que incute nos jogadores e na liberdade que lhes dá para expressarem o seu talento natural mas por vezes dá a ideia de que a equipa carece de ideias e processos colectivos. É neste aspecto que me parece que podemos ainda crescer e melhorar muito.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O actual momento do Benfica

O actual momento do Benfica não é tão mau como uns, nem tão bom como outros o caracterizam. 

É, a meu ver, sensivelmente o que se poderia esperar face à decisão tomada pela direcção de desinvestir no futebol face a um quadro alegadamente mais exigente em termos financeiros (e sobre este ponto diremos alguma coisa mais adiante).

A época teve até agora momentos em que as expectativas foram superadas (como é o caso da vitória sobre o Belenenses por 6-0 ou a vitória em Madrid sobre o Atlético) e outros em que ficaram muito abaixo do mínimo exigível, como no caso das derrotas contra Arouca e Sporting. A derrota na Luz foi o ponto mais baixo até ao momento e - esperamos - até ao fim da época. É bom que algo como aquele jogo não se repita tão cedo.

Mas, reafirmo, no geral a época está a corresponder ao que seria expectável: Rui Vitória tem apostado na juventude e na formação (com efeitos visíveis e positivos em termos de inserção de novos valores na equipa principal) e os resultados têm-se ressentido. Uma mudança de treinador raramente não se reflecte negativamente nos resultados, sobretudo quando a qualidade do plantel sofre um decréscimo de qualidade. É verdade que saíram poucos jogadores mas os que saíram não foram devidamente compensados, pelo menos até agora: Maxi foi bem substituído por Nélson Semedo mas a lesão, logo na estreia pela selecção, transformando o sonho em pesadelo (parece uma sina pois já Simão Sabrosa tivera uma situação semelhante há uns anos e espero muito sinceramente que Gonçalo Guedes se "proteja" na sua estreia), acabou com essa solução; já Lima não tem (por agora) substituto à altura.

É de registar, nesta época de transição, o 1º lugar no grupo na Liga dos Campeões. Não é algo que se possa desvalorizar, até tendo em atenção o passado recente. É algo importante desportiva e financeiramente. É algo que não pode ser considerado um mero acaso, até porque o grupo em que nos encontramos não é de todo fácil. Não é possível culpar um treinador pelos maus resultados e não lhe dar crédito pelos bons. Ambos são, em grande parte, da sua responsabilidade.

Também não alinho nas críticas impiedosas à falta de ideias da equipa e a uma alegada táctica do pontapé para a frente e dos cruzamentos sem sentido para a área. Não alinho porque me parecem exageradas, por um lado, e porque não vejo nada de errado em cruzar bolas para a área desde que os centros sejam bem feitos e existam jogadores para a eles responder. Aliás critiquei muitas vezes o futebol do Benfica no passado por exagerar nos passes e nas tabelas, por vezes já dentro da área. O Benfica tem um problema de dinâmica, isso é verdade, e de (na minha opinião) existir por vezes demasiado espaço entre os sectores. Mas eu não sou treinador e portanto não me iludo a pensar que a minha leitura tenha um valor absoluto ou implique uma sentença definitiva sobre o trabalho de Rui Vitória.

Ao treinador do Benfica terá que ser dado tempo, o tal que não existe no futebol e menos ainda no Benfica. Vitória tem que ser capaz de crescer e se afirmar enquanto a equipa vence, pois só esse é o caminho. Agora não faz sentido, depois de vencermos, estar a criticar a equipa. O Benfica fez o suficiente para vencer o Galatasaray - e esse jogo era crucial - e venceu com todo o mérito, inclusivamente depois dos turcos terem empatado sem o merecer. De igual modo o Benfica venceu o Boavista. Aí com menos brilho mas com igual eficácia. E era isso que se pedia. Tal não significa obviamente que tudo esteja bem. 

À entrada para mais uma paragem no campeonato - a terceira - quero acreditar que as coisas melhorarão. Vem aí um novo jogo importante, desta vez para a Taça de Portugal, no qual se exige mais trabalho, superior prestação e sobretudo muito melhor resultado relativamente aos anteriores derbies. Na primeira paragem para o campeonato as coisas melhoraram muito. Na segunda as coisas pioraram, em grande medida devido à lesão de Nélson ao serviço da selecção durante essa paragem. E na terceira esperamos que as coisas melhorem novamente: que Sílvio confirme a subida de rendimento e que os processos colectivos da equipa se aperfeiçoem. Sobretudo há que melhorar a harmonia do meio campo que continua a não convencer. Este é o tempo que normalmente os treinadores não possuem. Rui Vitória precisa de o aproveitar bem.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Regresso ao passado (e às derrotas com palmas)

Não foi mau demais para ser verdade porque foi mesmo verdade.

Jorge Jesus foi à Luz humilhar Rui Vitória e dar uma enorme chapada na cara daqueles que miseravelmente o têm denegrido nas últimas semanas. Nem me vou dar ao trabalho de "explicar" esta frase. A realidade por vezes é auto-explicativa. O que aconteceu ontem é muito bem feito para muita gente. O problema é que o Benfica e muitos que não têm culpa nenhuma dos erros e das faltas de carácter que têm sido cometidas são quem mais sofre com esta lição.

O "processo" instaurado pelo Benfica a Jorge Jesus é vergonhoso, é patético, é embaraçoso. Fez-me lembrar o processo disciplinar a Marco Silva por não ter usado fato num jogo. Faz-me lembrar os maridos despeitados, para não usar outra expressão mais vernácula. 

Muita gente continua porém sem perceber o que aconteceu e muitos continuam a insistir que o problema é a falta de apoio, os pasquins, os avençados, os antis, os árbitros, etc, etc, etc... São burros e não há nada a fazer. Não vale a pena perder tempo com pessoas que são incapazes de aprender com os erros.

Quando se começou a desenhar a saída de Jorge Jesus (e alguns iluminados continuavam a dizer que não, que eram tudo mentiras da comunicação social, que tudo estava a ser tratado calmamente), escrevi aqui que poderíamos estar perante um erro de dimensões históricas. 

Depois defendi que, assumida essa decisão de deixar sair Jesus, Marco Silva seria o homem certo, por todas as razões. E Marco está a mostrar toda a sua qualidade (com recursos escassos) na Grécia.

Quanto a Rui Vitória, está a fazer aquilo que eu esperava. Umas vezes melhor, como em Madrid em que claramente me surpreendeu pela positiva e deu uma grande alegria, outras vezes muito pior como na derrota na Supertaça e na indescritível exibição de ontem. A substituição de Eliseu por Fedja é qualquer coisa que eu não admito e me diz que estamos perante um treinador completamente perdido e que não sabe o que está a fazer. Como se não bastasse, Fedja saiu passados 22 minutos. A perder por 3-0 com o Sporting na Luz.  Rui Vitória faz duas substituições nas quais não altera a estrutura da equipa. Vale a pena dizer mais?

As coisas vão piorar ainda mais. O estado dos jogadores, de cabeça completamente perdida, é indicativo. O efeito Gonçalo Guedes começa a passar (como é evidente, pois estamos a falar de um jovem de 18 anos que é bom que jogue mas de forma gradual, não se lhe podendo colocar sob as costas quase a responsabilidade de resolver sozinho) e Gaitan terá a sua (normal) baixa de forma. À próxima derrota a contestação subirá de tom e a descrença começará a aumentar entre  jogadores e adeptos.

Mas como é evidente as culpas não são todas de Rui Vitória. As coisas até pareciam estar a "entrar nos eixos" mas dois factores fizeram ruir este castelo de cartas a que a nossa equipa (ou apenas 11 jogadores?) se assemelha neste momento.

O primeiro foi a lesão de Nélson Semedo. Numa equipa  demasiado frágil e dependente das individualidades como a do Benfica, Nélson estava a fazer a diferença pela qualidade e dinâmica que conferia ao corredor. Com outro jovem irreverente à sua frente, a nossa ala direita estava temível e disfarçava as limitações do outro lado, tanto mais que Gaitan tinha estado no melhor momento da sua carreira. Sem Nélson ficámos com duas alas coxas e as fragilidades de Eliseu vieram ainda mais ao de cima.

O segundo foi a história das caixas e o silêncio do Benfica perante os ataques diários do Sporting, sob o pretexto de que seríamos superiores e deixaríamos os outros sem resposta, com um "silêncio ensurdecedor" porque isso é que os irritaria mais. O argumento mais idiota que eu já ouvi em futebol. Depois caímos no absurdo, no ridículo de instaurar um processo a Jorge Jesus a 2 semanas do derby, desmentindo por completo essa suposta superioridade e caindo na completa mesquinhez.

Isto não é o Benfica: nem dar prendas a árbitros, nem instaurar processos a ex-treinadores são comportamentos aceitáveis no Benfica.

Rui Vitória não tem culpa destes dois factores mas ele também não está lá para ser ilibado. Ele está lá para ganhar - se necessário impondo a sua vontade perante outros - e isso não me parece que venha a conseguir.

Disse-o e mantenho: quem no Benfica é responsável pelas prendas aos árbitros deveria apresentar a sua demissão. O nome do clube não pode ficar associado a tais comportamentos. Neste momento somos achincalhados quase diariamente e poucos argumentos temos para nos defender. Perdemos qualquer tipo de autoridade moral e só a recuperaremos quando as pessoas responsáveis por isto saírem do clube. Também por aí começamos a perder o derby de forma tão clara. 

O Benfica não é isto. Como não é, apesar de nos tentarem convencer do contrário, irromper em aplausos e festejos quando se está a ser goleado em casa pelo principal rival. Então querer fazer disso o principal facto da noite é de um ridículo inusitado. Os benfiquistas estão confusos e precisam de pensar bem no que se está a passar. Mas também precisam que se apresente uma alternativa credível, de alguém que não veja o futebol apenas como um cruzamento entre o mundo empresarial e a política, e que perceba os valores do Benfica. Infelizmente não vejo para já essa pessoa (ou grupo de pessoas) perfilar-se. 

sábado, 12 de setembro de 2015

Grande exibição, bons sinais e dores de crescimento

Já aqui não escrevia há quase duas semanas. O essencial do que queria dizer acerca do início de época já tinha sido dito e não quis contribuir para um ruído excessivo que se fazia sentir entre os benfiquistas.
Apesar das paixões inerentes ao futebol, procuro ser justo nas minhas análises (todos temos essa pretensão) e manter alguma coerência naquilo que digo.
Acima de tudo, depois do desapontamento com o resultado da supertaça e de algumas exibições pouco conseguidas no início de época, a minha perspectiva foi que se deveria  dar algum espaço a Vitória para respirar e ter oportunidade de tentar impor as suas ideias. Para isso era preciso baixar as expectativas e retirar alguma pressão à equipa. No último artigo que escrevi, disse isto:  
O campeonato agora para por duas semanas para compromissos das seleções. A boa notícia é que estamos apenas 1 ponto atrás dos nossos adversários e que haverá agora tempo para trabalhar com calma (os que ficarem, porque muitos se ausentarão para representar as suas selecções) e assentar ideias e processos. Há muito trabalho pela frente! Rui Vitória tem que perceber que o Benfica tem que ter muito mais consistência defensiva, muito mais segurança na troca de bola (o número de passes falhados ou mal feitos é inacreditável) e mais soluções ofensivas para desmontar as defesas cerradas dos adversários da liga dos pequeninos (que são quase todos com excepção do Porto e do Sporting). O Benfica precisa de mais velocidade no ataque, nas combinações e nas desmarcações, mais movimentação dos jogadores e mais dinâmica ofensiva.

Ora nestas duas semanas, para além do tempo que teve para trabalhar (nesse artigo também defendi que a pré-época nos EUA não tinha ajudado) Rui Vitória recebeu da parte de LFV um grande, necessário e merecido apoio. Numa entrevista a A Bola, cujo alcance alguns benfiquistas pouco perspicazes não compreenderam, Vieira disse duas coisas muito importantes: 1) não conseguiu dar a Vitória um ou outro reforço de que a equipa precisava; 2) a alteração de modelo implica "dores de crescimento".

Aquilo que vários benfiquistas, precipitados e sempre prontos para atacar o presidente, não entenderam é que com essas declarações Vieira estava a retirar pressão sobre Vitória (admitindo que o plantel poderia ter um ou outro reforço) e que esta época seria de algum modo de transição. Vencer o campeonato seria importante, vencer seria desejável, vencer seria óptimo, mas não vencer não significaria a demissão do treinador e não significaria o abandono e a desistência deste novo modelo. Isto demonstra para mim que aquilo que se está a fazer está a ser feito com critério e com sustentabilidade e deu um sinal inequívoco para dentro, permitindo maior tranquilidade.
E o resultado imediato está à vista.
A exibição de ontem dá aos benfiquistas razões para encarar o futuro com esperança e optimismo moderado.

Não há que embandeirar em arco! O Belenenses é uma equipa limitada que ontem não foi capaz de nos colocar nenhuns problemas. Mas isso é também mérito do Benfica e da excelente exibição que fez. Crédito total para Rui Vitória e para os jogadores. Sem prejuízo de uma análise mais detalhada ao jogo e às exibições individuais e colectiva, penso que ficou ontem claro que o plantel tem qualidade, muita qualidade! 

Vêm agora aí desafios importantes e dificuldades acrescidas. Vêm aí jogos da Champions e jogos importantes para a definição do campeonato pelo facto de serem marcantes psicologicamente. É importante estar à altura. O jogo de ontem dá-nos confiança para preparar esses jogos com grande rigor e determinação.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Benfica - veterania, entradas e saídas

Até ao momento o Benfica pouco mexeu no plantel [a base desta avaliação são os 30 que seguiram para os EUA], o que à partida é uma coisa boa tanto mais que somos bi-campeões. A estabilidade é uma base importante para o sucesso. No entanto existem dois factores que têm que ser ponderados neste balanço: o nível de investimento a que assistimos por parte dos rivais e a veterania do plantel do Benfica. 

Começando por este último ponto, é evidente que a experiência é algo importante, mas o Benfica poderá já estar a entrar na fronteira de uma equipa demasiado trintona. Uma equipa demasiado veterana começa a denotar falta de rotação, existem muitos exemplos disso. Na defesa Luisão e Eliseu começam a estar (um para central, outro para lateral) nessa fronteira a partir da qual o rendimento se começa a ressentir. O mesmo se passa no ataque, onde Jonas e Lima estão na mesma situação. É que uma coisa é ter um ou outro jogador mais experiente no seio de uma equipa jovem, outra é ter uma equipa composta sobretudo por jogadores na casa dos 30. O sector onde estamos mais tranquilos neste aspecto é o meio campo onde temos jogadores na plenitude do seu rendimento, como Fedja, Pizzi ou Samaris e jovens como Cristante e Talisca. É um aspecto que o treinador terá que ponderar: por um lado aproveitar a experiência dos jogadores mais velhos da equipa, por outro assegurar-se que ela tem suficiente força e energia para manter um rendimento e uma rotação elevados não apenas em cada jogo mas na época como um todo.

Em termos de qualidade, o Benfica está em défice nalguns sectores. O mais óbvio são as laterais da defesa. Com a saída de Maxi, o Benfica ficou com Eliseu, Sílvio, Marçal e André Almeida, a que eventualmente acrescerá Lindelof, que jogou nessa posição na selecção sub 21 da Suécia. Ora estas opções são insuficientes para o Benfica. Eliseu está um ano mais velho do que o ano passado (em que já era muito criticado por alguns adeptos - que não eu), Sílvio praticamente não jogou depois da gravíssima lesão que teve, pelo que o seu rendimento é uma incógnita e André Almeida é um jogador válido e útil para jogos contra equipas superiores mas que não tem rotação para dar a dinâmica atacante que um grande precisa. Veremos como Marçal se adapta mas este quadro de laterais não chega. Em termos de centrais, para além da questão da idade de Luisão, aparentemente apenas temos Jardel e Lisandro, uma vez que César estará de saída. Ora, isto pode também ser pouco para um quadro competitivo exigente. 

Quanto aos extremos, Carcela será aparentemente uma boa opção, a questão Gaitan mantem-se em aberto e Sálvio estará lesionado no início da época. Para além disto existe apenas Ola John. Mais uma vez é pouco, pouquíssimo se Gaitan acabar por sair, para um clube com as aspirações do Benfica. Se Gaitan saísse (e é verdade que todos os anos se diz que sairá e todos os anos continua) começaríamos a época com Carcela e Ola John. Ora isto não pode ser considerado uma opção válida. Também no eixo do ataque me parece que temos limitações e que o plantel não pode ser considerado fechado. O problema do ataque é que se Rui Vitória optar por apenas um ponta de lança, não me parece que Jonas ou Lima (ou Jonathan Rodrigues que ainda não mostrou nada) possam ser esse jogador. A meu ver são demasiado veteranos para esquemas que exijam uma correria, choque e desgaste permanente na frente de ataque. Para tal são necessários avançados até com outro perfil, mais combativo e agressivo, como Mitrovic. Sabemos que o Benfica o tentou contratar (se vier a acabar no Porto é mais uma desilusão) e que abordou sem sucesso outros jogadores, como Joe Campbell. Confesso que não percebo o que se passa: aparentemente o Benfica não consegue contratar nenhum dos jogadores que deseja, ao contrário dos rivais. Percebo que não se possa entrar em loucuras mas no mínimo seria exigível um pouco mais de segredo nos negócios sob pena do Porto continuar a ter no Benfica o seu melhor olheiro. 

No meio campo, para acabar bem, parece-me que temos as opções válidas e necessárias para vários tipos de modelos e de jogos. Aí não devemos a ninguém em termos de qualidade. 

Na globalidade temos porém que admitir que faltam soluções. A meu ver o Benfica precisaria de um lateral direito de grande dinâmica e qualidade comprovada (mais uma vez parece que tentámos dois nomes nenhum deles com sucesso), de um extremo e de um ponta de lança fisicamente forte, capaz de jogar sozinho na frente e concretizador. Na minha opinião falta ainda um central, mas seria absurdo ir contratar um depois de vender ou emprestar César. Com estas contratações a juntarem-se à qualidade e experiência que já existem (e à juventude que está à espreita para aparecer) teríamos um plantel capaz de disputar as provas nacionais e de pelo menos passar a fase de grupos da Liga dos Campeões, cada vez mais um objectivo mínimo essencial para assegurar a saúde financeira dos clubes. Caso contrário, caso o plantel se mantenha no essencial como está, teremos que esperar de Rui Vitória algo que, não sendo um milagre, seria altamente surpreendente: fazer um plantel inferior ao da época passada render mais e ter melhores resultados desportivos. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Época de glória, futuro de Vitória

A vitória no campeonato no passado fim de semana culminou uma época verdadeiramente memorável nas chamadas modalidades (já não amadoras como no passado) que se traduziu na conquista de quase todos os mais importantes títulos nacionais.

Se contarmos com o futebol profissional, o Benfica alcançou o seguinte registo:

Futebol, Basquetebol, Hóquei em Patins, Voleibol, Futsal - Campeão nacional
Basquetebol, Hóquei em Patins, Voleibol, Futsal - Vencedor da Taça de Portugal
Futebol, Basquetebol, Voleibol - Vencedor da Supertaça
Futebol, Basquetebol - Vencedor da Taça da Liga.

Esta lista, que quase nos deixa sem fôlego, não chega sequer a ser exaustiva e não inclui evidentemente os escalões juniores e femininos. Denota de facto um trabalho notável de uma equipa e uma "organização" (essa parece ser a palavra preferida em detrimento de "estrutura" que se associa ao Porto) que no caso das modalidades tem no vice Presidente Almeida Lima uma peça fundamental.


Em relação ao futsal, o Benfica venceu de forma brilhante o campeonato, derrotando por duas vezes o Sporting em Odivelas e garantindo o título por uns claros 3-1. A vitória soma-se à da Taça de Portugal e marca uma época na qual o Benfica nunca perdeu na fase regular. Mesmo com baixas importantes (por lesões e castigos), o Benfica foi um campeão incontestado. As cenas infantis dos técnicos e dirigentes sportinguistas não têm qualquer justificação. A decisão dos árbitros de repetir dois dos penalties defendidos pelo guarda-redes do Sporting foi totalmente correcta e não merecia contestação. O guarda redes do Sporting tentou ostensiva e intencionalmente fazer batota em 3 dos penalties e os árbitros não o permitiram em duas ocasiões. É ridículo dizer que o guarda-redes do Benfica também se adiantou. Demonstra falta de seriedade (ou capacidade de ver a realidade) e desespero.

Claro que todos entendemos que estes vários títulos das modalidades não teriam o mesmo sabor se não tivéssemos vencido o campeonato de futebol. O futebol é evidentemente o coração da vida benfiquista e da paixão clubística. Daí que seja no futebol que antes de mais nada queremos ganhar, algo que voltará a acontecer na próxima época.

Gostei de ver a apresentação de Rui Vitória. Pareceu-me ponderado, calmo e com perfil para aguentar a pressão. É uma pessoa com bom senso e educação, o que não ganha jogos mas denota um equilíbrio que pode ser útil para ser timoneiro da equipa de futebol do Benfica. De acordo com alguns comentadores mais informados, a competência de Rui Vitória e os seus conhecimentos, também de base teórica, são inquestionáveis. Esperemos que tenha matéria prima de qualidade suficiente para fazer frente ao Porto, porque em relação ao Sporting os recursos de que disporá serão seguramente superiores. Isto para já não falar em relação aos restantes clubes em relação aos quais não há comparação possível em termos de plantel mas também de infraestruturas.

É natural que exista alguma incerteza e ansiedade relativamente à próxima época. O passado de hegemonia do Porto está ainda muito próximo e ninguém o quer ver repetido. O espectro do Benfica regredir aos anos de Camacho, Koeman ou Quique Flores é algo de assustador. As palavras do presidente de que Rui Vitória terá as mesmas condições do que o anterior treinador são tranquilizadoras no sentido em que o nível dos plantéis dos últimos anos tem sido muito elevado e - assumamo-lo - consistente com os títulos que conquistámos. Para essa qualidade se manter é essencial manter a estabilidade do plantel e assegurar um ou outro reforço de qualidade, de classe indiscutível. Não sei se os jogadores marroquinos já contratados possam representar essa masi valia pois não os conheço. Por outro lado,  Maxi é para mim um daqueles jogadores que faz parte da coluna vertebral deste Benfica, pelo que espero sinceramente que fique. Penso que vale até um esforço financeiro adicional por parte do clube.

Existindo essas condições (e quero acreditar que elas se verificarão) Vitória tem condições para vencer. Não digo que tudo mas algo de importante. O campeonato naturalmente é a prioridade mas teremos que ser pacientes, numa época de transição como será esta. Uma coisa é certa: é preciso manter a dinâmica de títulos e de vitórias para não haver aqui qualquer oscilação ou depressão num ciclo vitorioso e virtuoso que se começou a desenhar de forma cada vez mais pronunciada e constante nos últimos anos.

Há uma coisa que devemos ter presente e que não deixa de ser um factor de optimismo. Nos últimos anos, os resultados do Benfica em jogos grandes não têm sido os melhores. Na Liga dos campeões eles foram quase sempre maus (por vezes apesar de grandes exibições, noutras a juntar a más exibições), nas finais da Liga Europa perdemos (ainda que injustamente) e nos clássicos o balanço foi misto: bons contra o Sporting não tão bons contra o Porto. Penso sinceramente que Rui Vitória pode fazer melhor. Se o conseguir e aliar a isso a regularidade no campeonato estaremos certamente perto dos nosso objectivos. Mas enfim, ganhar sempre é o que todos desejam. Esperemos que o futuro dê razão a esta aposta do nosso Presidente e que ela seja de facto de Vitória. Bem vindo de volta ao Benfica.