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sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Começar bem. Mais as contratações e atual plantel do Benfica.

RUI Costa tem surpreendido pela positiva. Entrou num momento de enorme crise e escândalo e com muita calma tem vindo a guiar a nau do Benfica através da tormenta, esperamos que em direção à bonanza. 

No meio disto concretizou três contratações que me parecem vir dar uma outra dimensão ao nosso futebol: João Mário, Meité e Yaremchuk. No caso de João Mário, apesar das minhas reticências, o que se tem visto é claramente muito positivo. Não vou aqui estar a analisar, até porque todos podem ver os jogos e ter as suas opiniões mas que JM se posiciona muito bem, aparecendo praticamente no campo todo, e que faz a bola correr com muita fluidez (para além de raramente a perder), não há dúvidas. Contra o Spartak tivemos um meio campo muito dinâmico, com Weigel também a subir bastante de rendimento face às exibições apagadas do passado.

Em relação a Meité, há mais dúvidas na medida em que é um jogador que apesar da sua inegável qualidade nunca se afirmou plenamente. Yaremchuk é uma aposta mais segura na medida em que é um jogador de selecção, com golo, que já demonstrou elevado rendimento em diferentes contextos. Agora claro que chega para uma posição para a qual não havia aparentemente necessidade de contratar dado que temos já Seferovic, Vinícius, Darwin, Ramos, Rodrigo Pinho e Waldschmidt. 

Face a estas reticências, porque digo que as contratações foram boas?

Em primeiro lugar porque acho que vêm dar ao plantel algo que estava em défice: dimensão física. Aqui não tanto por João Mário, que é de constituição normal, mas pelos outros dois: Meité - 1,87m e um porte poderoso, Yaremchuk - 1,91 e também possante. Acho que isto faltava no Benfica. Weigel é um jogador dinâmico mas fisicamente não se impõe. No ataque Seferovic tem até certo ponto essas características mas não é tão forte como Yaremchuk. Já Darwin é um jogador mais esguio. Tem muita velocidade mas não é necessariamente um jogador de choque. Ora o Benfica tinha - e tem - certamente muito talento mas faltava capacidade de choque, faltavam jogadores capazes de se impor fisicamente e portanto também de incutir respeito nos adversários (aspecto muito importante num jogo de futebol, que por vezes é subestimado). 

Em segundo lugar e mais importante que tudo, porque são bons jogadores e encaixam bem no sistema de jogo do Benfica. Eu acreditei muito em Gabriel mas atendendo a que o treinador não aposta nele faltavam claramente soluções no meio campo que agora passam a existir. Principalmente quando jogamos com um meio campo a dois são precisos jogadores inteligentes e com capacidade de jogar em todo o terreno, características que Taarabt (titular praticamente toda a época passada) não tem - nem Pizzi. 

Na frente, apesar de termos muitos avançados muitas vezes faltava quem colocasse a bola dentro da baliza (Seferovic é um jogador de grande qualidade mas não é bem o finalizador nato que este futebol do Benfica pede). Mais uma vez eu pensava que existia uma solução já no plantel (Vinícius) mas os responsáveis não acreditam nele pelo que a contratação de Yaremchuk faz sentido sob esse ponto de vista.

Dito isto, Rui Costa tem ainda muito trabalho pela frente em termos de acertos no plantel. É impensável ficarmos com 5 pontas de lança e com Gabriel, Florentino, Gedson e Taarabt no banco ou na bancada (e há ainda Paulo Bernardo...). E note-se que não estou a incluir aqui Meité neste lote, embora ele tenha começado a época no banco, pois acredito que entre ele e Weigel possa haver alguma rotatividade, nem Chiquinho (que é dado como de saída) nem Samaris (que já nem está oficialmente no plantel. Há centro campistas e pontas de lança a mais e isso também não é bom, pois os jogadores de qualidade que não têm suficientes minutos de jogo começam a ficar insatisfeitos e a criar um mau ambiente, mesmo que sejam bons profissionais. Um ou outro ainda é gerível, mas tantos não é possível. 

De resto acho que o plantel tem qualidade suficiente para podermos competir ao nível esperado em todas as provas. Com algumas saídas nas posições que identifiquei penso que ficamos bem servidos em todas as posições. 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

As causas da crise do Benfica - II

 Má política de contratações. Os interesses do Benfica não são o critério a que elas obedecem. O Benfica contrata mal (e ultimamente caro). Só o negócio importa. O scouting é fraquíssimo e não existe uma análise do perfil do jogador ou das necessidades da equipa.


Já falei da lógica empresarial com que Vieira conduziu o Benfica durante vários anos. Mas pelo menos no passado havia prospecção. Por exemplo, a Simão seguiu-se Di Maria e a este Gaitan. Os jogadores eram contratados tendo em vista os interesses do clube. A primeira equipa de Jorge Jesus era um equilíbrio de força e talento. No eixo central havia Luisão, David Luiz, Javi Garcia e Aimar, nas alas um extremo puro (Di Maria) e um jogador de equilíbrios e pulmão (Ramirez) e na frente Saviola e Cardozo. Os laterais eram Maxi e Coentrão. Além da qualidade, estes jogadores tinham poder físico e mentalidade. Eram todos muito competitivos. (No ano seguinte saíram vários destes jogadores - e estivemos três anos sem ganhar.)

 Mas a lógica de entreposto e a sobreposição dos interesses dos empresários aos do Benfica levaram ao descalabro. Quando Pedrinho foi contratado isso não obedeceu a qualquer necessidade do plantel. Escrevi-o na altura, não o digo apenas agora. 

https://justicabenfiquista.blogspot.com/2020/03/o-estranho-negocio-pedrinho.html

Este negócio até levou um olheiro a demitir-se. Mas claro que os yes man, os situacionistas, vieram logo dizer que eu estava errado, que não havia problema nenhum (ver caixa de comentários desse post).

Plantel desequilibrado e sem capacidade competitiva.

Os jogadores são contratados sem critério, a não ser a oportunidade de negócio (e mesmo aí resta saber se para o Benfica, se para os intermediários). O perfil dos atletas (físico e psicológico) não é minimamente tido em conta. É por isso que temos um plantel sem dimensão física e com pouco espírito combativo

Numa equipa de "animais competitivos", Weigl pode ser o trinco. Numa equipa como a nossa, é a receita para o desastre que acontece desde que o alemão entrou na equipa. O problema não é o tamanho dos jogadores. A questão é a sua capacidade de ganhar duelos, sprints e divididas. E nesse capítulo o Benfica tem um plantel altamente deficitário: Pizzi, Grimaldo, Cebolinha, Weigl, Pedrinho são os casos mais gritantes, mas mesmo na defesa não temos "bichos" como Rúben Dias. Não há no Benfica nem "carregadores de pianos", nem "tanques", nem tão pouco, com excepção de Rafa, jogadores explosivos. Somos uma equipa de pesos plumas

 

E um último aspecto: mentalmente o plantel é débil. Darwin parece um jogador com boas condições físicas e técnicas mas psicologicamente não tem tido a capacidade (e se calhar o apoio) para triunfar. E como ele, outros. 

 

 

 

Pecados de JJ

Quando uma equipa joga tao mal como o Benfica o treinador está sempre em causa. Quando esse treinador ganha milhões e tem à sua disposição um plantel que, apesar das limitações, tem tantas opções de qualidade, o seu fracasso é evidente. O Benfica não defende bem, é previsível no ataque, não marca um golo de canto, não tem uma ideia de jogo. Os jogadores não parecem saber o que fazer em campo. As substituições por norma pioram a equipa. 

Numa equipa com défice de combatividade e intensidade no meio campo, com falta de homens de barba rija, é absolutamente incompreensível que Gabriel não seja titular e que Samaris praticamente nunca tenha jogado. A titularidade indiscutível de Taarabt é outro mistério. Apesar de algumas características positivas, o marroquino falha demasiado e desequilibra a equipa. 

É inacreditável que Vinicius tenha saído. É inexplicável que Cervi tenha sido marginalizado no início e que mesmo agora jogue pouco. É incrível que se tenha colocado todo o foco na contratação de um central quando havia lacunas bem maiores no plantel.

O discurso de JJ também não faz sentido. Tanto promete arrasar, como diz que não tem tempo para treinar. Tanto diz que está habituado ao covid no Brasil como que o covid arrasou a equipa. Tanto diz que a partir de agora é que é, como se continua a desculpar com o covid. Tanto diz para os jogadores se levantarem porque não levaram com um pau, como pede carinho para os mesmos. As suas conferências de imprensa aos gritos não se admitem. 

JJ não tem neste momento estabilidade emocional para comandar a equipa e não parece ter a força mental para dar a volta à situação. Isto é um déjà vu dos três anos em que nada ganhou no Benfica e do segundo ano no Sporting. 

Arbitragens 

Já escrevi sobre isto. É um absoluto escândalo que o Benfica não tenha nenhum penalti ao cabo de quase dois terços do campeonato. Apesar de todas as falhas apontadas acima, com arbitragens normais talvez estívessemos noutra posição. 


Nota final: ao rever alguns dos posts que escrevi ao longo dos últimos meses constatei que tive razão nos alertas que fui fazendo. Também é patente pelos comentários que existem adeptos realistas, cuja visita frequente ao blog muito agradeço, que estavam a ver a mesma coisa e que contribuíram para uma análise correcta do que estava a acontecer. Outros porém preferiram meter a cabeça na areia e enveredar pelo seguidismo acrítico de tudo o que a direcção diz e faz. O tempo provou que estavam completamente errados. 

Isto suscita-me uma última questão: se nós, simples adeptos, conseguimos fazer diagnósticos correctos e apontar lacunas (e soluções) como é que a direcção que se dedica (ou devia dedicar) a tempo inteiro ao Benfica e é paga para tal, não o consegue?


Ver também a parte I deste post: https://justicabenfiquista.blogspot.com/2021/02/as-causas-da-crise-do-benfica.html


 

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Venha a Taça de Portugal

O facto da época ter sido boa ou má - e foi muito má - é irrelevante no próximo Sábado: há um título muito importante em disputa e o Benfica tem que fazer tudo para o vencer.

A Taça é o segundo título mais importante em Portugal e o Benfica já há alguns anos que não a vence.

Vencê-la não salvará a época mas dará um sabor muito diferente ao seu final. Uma época na qual o Benfica teve tudo para sair triunfante a nível nacional e marcar uma diferença acentuada face ao seu principal (único?) opositor, mas em que falhou miseravelmente, única e exclusivamente por culpa própria.

Há um nome a defender, assim como o orgulho (depois de duas derrotas contra o Porto na Liga) e o palmarés para enriquecer.

Temos noção de que apesar de algumas melhoras, este Benfica está longe de convencer. A defesa parece uma manta de retalhos, não oferecendo qualquer segurança. A dinâmica colectiva é coxa: apesar de alguns momentos razoáveis no jogo contra o Sporting, houve demasiados passes falhados e a dada altura da segunda parte fomos quase dominados por uma equipa de benjamins. Os falhanços individuais são mais do que muitos e vários jogadores estão numa má forma física.
Aparentemente, o período final de Lage permitiu uma cultura de laxismo e falta de exigência que está a ser difícil inverter (nesse aspecto a vinda de JJ tenderá a mudar radicalmente as coisas).

O "super plantel" que o Benfica alegadamente teria esta época traduziu-se afinal numa equipa menos do que mediana, com vários jogadores a não mostrarem qualidade para estar no Benfica (e a serem devolvidos à procedência (JM) em Janeiro e outros tantos em sub-rendimento.

Mas claro que também este Porto está muito longe de ser uma equipa temível e a derrota contra o Braga demonstra isso mesmo. Diria até que é uma equipa vulgar e inclusivamente não esteve a salvo de casos esta época, antes pelo contrário (Danilo, Nakajima, Marega...).

Simplesmente, o Porto foi mais consistente e mais maduro do que o Benfica. Isto deveu-se a uma atitude competitiva e mental mais forte. A diferença entre as duas esteve na entrega em campo e não no talento.

Sábado temos que inverter os termos e ser nós a equipa mais combativa, com mais garra e vontade de conquistar a Taça. Se assim fôr temos todas as condições para a conquistar.

Uma última nota para felicitar o Braga pelo 3º lugar e expressar o meu nojo para com o Sporting Clube de Portugal.

É absolutamente vergonhoso que se vá buscar a meio da época um treinador a um clube rival e se chegue ao fim da época sem pagar o devido. Mais uma vez os caloteiros procurarão obter perdões e vantagens indevidas. Foi por isso inteiramente justo e quase poético que o Braga tenha ultrapassado o Sporting na última jornada, com derby e "semi-clássico" Braga-Porto à mistura. Para coroar o ridículo já costumeiro para as bandas de Alvalade, ainda veio Amorim dizer que "nada muda". É verdade...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Benfica - 10 Nacional - 0: Futebol Total

Não há falta de adjectivos na língua portuguesa mas, nestas 24 horas que se seguiram ao Benfica-Nacional, a maioria deles já foi utilizada para classificar o jogo. Aliás, o resultado e a exibição tão avassaladora do Benfica ontem por si só expressam, melhor do que as palavras o podem fazer, o que aconteceu. Deixam um testemunho para a história que tão cedo não será esquecido.

Porque goleadas e exibições destas - é preciso termos a perfeita consciência disso - acontecem uma vez em décadas. A última assim acontecera há 55 anos. Claro que o Benfica terá outras tardes e noites de glória muito antes disso (esperemos mesmo que ainda esta época). No entanto um resultado desta ordem (como se costuma dizer, "já não se usam" números destes) aliado a uma exibição que esteve muito perto da perfeição, é algo que não acontecerá tão cedo. 

E é bom ter noção disso para nos prepararmos para as muitas dificuldades que seguramente surgirão daqui até ao final da época, para tardes e noites em que as coisas não correrão tão bem, tão fluidamente, em que parecerá que "estava escrito" que não iríamos ganhar, e nas quais os jogadores terão que lá ir pela determinação, combatividade, garra e raça. Porque isso é o Benfica. 

Mas claro que este dia (e apenas este, porque amanhã começa já outra história) foi de festa.

Há um mérito inegável de Bruno Lage - mas também de Luis Filipe Vieira - no que ontem aconteceu. Vieira tem apostado na formação (será talvez a única opção viável para os clubes portugueses, atendendo a que a nossa economia está muito distante das grandes Ligas) e os resultados são evidentes.

Rúben Dias, João Félix e o próprio Gedson, que tem tido menos oportunidades neste momento, são já certezas. São jogadores de qualidade indiscutível que já mostraram ser capazes de jogar a este nível. Veremos o que acontece com Ferro (que para já tem dado indicações muito positivas), Florentino (uma excelente entrada no jogo, mas sabemos que provavelmente será preciso tempo para amadurecer) e Jota. Este último é a maior promessa e a maior certeza a nível de talento. Pode vir a ser uma pedra preciosa. Mas vamos ver.

Mas claro que o mérito de quem os coloca a jogar - e como - é do treinador. Lage nesse aspecto tem feito as coisas bem. Com tranquilidade mas dando confiança aos jogadores.

O seu mérito vai, claro, além disso. A forma como a equipa se posiciona, pressiona e lança os seus ataques (as tais "transições") é algo que dá verdadeiramente gosto ver. Há muito talento, mas Lage está a potenciá-lo de uma forma que não víamos há muitos anos (se é qua alguma vez vimos). 

Da exibição de ontem, que não vale a pena adjectivar, tão avassaladora e eloquente ela foi, gostaria de destacar Pizzi. Faço-o não apenas por ontem mas pelos últimos jogos - e por últimos entendo aqui uma quantidade bem grande. Pizzi é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores jogadores do Benfica e de Portugal. É absolutamente inacreditável que alguns adeptos ainda tenham a completa falta de noção de o criticar. Claro que falha alguns passes (especialmente porque arrisca sempre lançar passes de rotura) e claro que tem exibições por vezes menos conseguidas, especialmente quando fatigado. Como todos os jogadores aliás. Mas quando está bem (que é quase sempre) Pizzi é um jogador que faz o Benfica jogar. Mesmo à direita, é o motor e a casa das máquinas do futebol ofensivo da equipa. Os seus números (golos, assistências, envolvimento em jogadas de golo) são absolutamente assombroso. E ontem foi, claro está, uma noite memorável neste particular. 

10 a zero. Uma noite (mais) para a gloriosa história do Benfica.
















quinta-feira, 7 de junho de 2018

Reforços do Benfica até ao momento

O Benfica contratou até ao momento sete jogadores: Vlachodimos, Ebuehi, Conti, Chiquinho, João Amaral, Castillo e Facundo Ferreyra. Destes apenas me parecem seguros no plantel principal (pois sabemos que o Benfica contrata também jogadores para rodarem noutros clubes ou apenas para revender) os três sul americanos (o avançado chileno Castillo e os argentinos Conti, central, e Facundo Ferreyrae, ponta de lança), e o guarda-redes grego-germânico Odisseas Vlachodimos. Dos restantes jogadores Ebuehi é um lateral com 22 anos muito promissor, que é o que, a seguir aos referidos, mais hipóteses me parece de permanecer no plantel principal, João Amaral é um extremo que vem do Vitória de Setúbal e Chiquinho um jovem médio que chega vindo da Académica.

Outros nomes de que se fala são Cristian Lema, também argentino e também central (o jogador não renovou com o seu clube mas há mais interessados além do Benfica), e Guilavogui, um credenciado médio francês que actua no Wolfsburgo. De acordo com "A Bola", o clube alemão terá aceitado negociar o jogador. Finalmente há ainda o caso de Mato Milos, lateral direito contratado o ano passado e entretanto emprestado ao Légia por um período que terminou agora, podendo o jogador ingressar no plantel se essa for a intenção da SAD. 

Entre os já assegurados e os possíveis reforços há bastante qualidade. Nota-se também critério e planificação: claramente o Benfica está a preencher com jogadores com algumas provas dadas ou bastante potencial as lacunas mais do que evidentes no plantel da época agora terminada. Veremos até que ponto são de facto soluções porque, como assinalou um visitante deste blog há dias, nunca há garantias de que os jogadores rendem, mesmo quando têm qualidade, porque isso depende de muitas variáveis. O que se pode fazer é planificar e contratar jogadores com qualidade reconhecida, e isso parece estar a ser feito. Ficarão a faltar na minha opinião opções válidas para o meio campo. Não sabemos quando e em que condições Krovinovic regressará, sendo essencial também mais um jogador para o lugar de Pizzi.

Há ainda muito por definir mas para já os sinais são positivos. Ferreyra é um jogador que pode render muito no Benfica se as coisas correrem como esperado. A sua vinda e a de Castillo indica que Jimenez ou Seferovic ou até os dois poderão sair.

Face a tudo isto e como assinalei no anterior post, há que rapidamente esclarecer todas as questões relativas a processos judiciais e suspeitas que pairam sobre o clube de modo à equipa poder trabalhar com tranquilidade e estabilidade com o mínimo possível de ruído e interferências externas. 


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Grimaldo no Nápoles na próxima época

O interesse do Nápoles em Grimaldo era já antigo. Sabia-se que estavam em Lisboa enviados do clube italiano e a imprensa ("O Jogo", "Futebol365" e a RTP) noticia hoje que o negócio foi fechado. O lateral esquerdo será jogador no Nápoles a partir da próxima época, com a transferência a ficar em 30 milhões de euros, 4 dos quais serão para o Barcelona.

É um desfecho previsível e, dentro do possível, positivo. O Benfica não tem capacidade financeira para acompanhar os maiores clubes europeus (entre os quais o Nápoles, 1º classificado do campeonato italiano, que vendeu Higuain ainda há não muito tempo por 90 milhões de euros, se inclui) e pelo menos assegura-se que o jogador fica até ao fim da época, algo de absolutamente necessário para manter as aspirações ao Penta.

O Benfica precisará agora de começar já a pensar noutras opções para a lateral esquerda, pois Eliseu está também claramente em final de carreira (e contrato). Certamente que o grande jogo e o golo absolutamente brilhante, "à maradona", de Yuri Ribeiro, nosso jogador emprestado ao Rui Ave não terão passado despercebidos aos nossos técnicos. 



Ainda no âmbito do mercado, "A Bola" noticia (mais uma vez) que Talisca poderá estar de saída para a China por 30 milhões de euros. Esperaremos para ver.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Assim, sim

Se o jogo do Benfica em Manchester não foi mau (perder nunca é bom mas há que reconhecer que a equipa fez um jogo válido e que não foi bafejada pela sorte - incluindo nas decisões arbitrais) já o jogo em Guimarães foi bastante razoável, com momentos de qualidade.

Voltámos a ver mecanismos, rotinas, equilíbrio como equipa. Em suma, trabalho de treino posto em prática no jogo.

Não foi um jogo perfeito - longe disso. Houve ainda erros individuais quase primários e períodos de alguma desconcentração. No entanto, sentiu-se já uma ideia de jogo e uma confiança diferente entre os jogadores.
A curva parece agora ascendente.



Rui Vitória voltou a optar por três médios e a equipa respondeu positivamente, apresentando um equilíbrio e segurança que não se viam havia algum tempo.
Gostei muito de Krovinovic. Parece estar a encontrar o seu ritmo e a intensidade necessária para a posição. Gostei também de Samaris na posição de Pizzi, mostrando mais uma vez que é um jogador com o qual o Benfica pode contar. Creio que esta solução de três médios será para manter nos jogos fora. Em casa penso que a
opção continuará a ser por dois avançados com Jonas a fazer a ligação meio campo -ataque.
Com mais uma paragem extensa no campeonato (para jogos de seleção e Taça) Rui Vitória terá bastante tempo para consolidar esta solução.
O empate do Sporting mostra bem que o campeonato está muito longe de estar perdido e que as coisas podem mudar muito rapidamente, por vezes em apenas uma ou duas jornadas. O Porto terá igualmente os seus percalços: não descobriram de repente a fórmulas da invencibilidade nem Sérgio Conceição é um iluminado no meio de ignorantes.
As coisas têm em geral corrido bem para o seu lado, certamente também por mérito e trabalho, mas no último jogo já demonstraram dificuldades e se o árbitro não tivesse deixado passar dois penalties (um deles escandaloso) as coisas poderiam ter dado ainda mais para o torto. É quando os momentos difíceis chegarem - e vão chegar - que se verá a real capacidade desta equipa.
Pelo nosso lado não há obviamente razões para qualquer embandeirar em arco por uma vitória em Guimarães. A nossa margem de erro continua muito diminuta e se queremos chegar ao penta (e certamente queremos) precisaremos de continuar a subir de rendimento. Os erros de Svilar, André Almeida e a paragem colectiva no golo do Vitória são três falhas básicas que não se devem repetir. A concentração tem que ser mantida ao longo de todo o jogo.
Uma nota final para o vídeo árbitro: como aqui antecipeihttp://justicabenfiquista.blogspot.pt/2017/05/a-ilusao-do-video-arbitro.html, aliás um pouco contra a corrente, não veio resolver os problemas com as arbitragens, nem sequer com os chamados erros grosseiros. O que aconteceu este fim de semana foi memorável pela negativa.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A continuidade de Rui Vitória


Nos últimos artigos tenho-me focado muito nas limitações do plantel do Benfica como causa principal dos recentes maus resultados.
Muitos dos comentários aqui deixados e artigos noutros blogs do Benfica têm porém insistido nas responsabilidades de Rui Vitória, sendo (ou parecendo) opinião generalizada que o treinador não tem condições para inverter a situação e deve sair.

Muito embora percebendo todas as críticas e a descrença, penso que não chegámos a esse momento e que Rui Vitória ainda pode dar a volta à situação. Segue-se a minha avaliação, estando os leitores convidados a deixar os seus comentários e opiniões, como sempre aqui acontece.


A solidez mental de Rui Vitória


Fui um grande crítico de Rui Vitória nos seus primeiros tempos de Benfica. Não engoli muito o argumento de que a "estrutura" seria um garante de uma estabilidade e solidez que permitiria ao clube continuar a senda vitoriosa. Achava que Rui Vitória não tinha dimensão para o Benfica. A verdade é que, depois de um início titubeante, no momento da verdade Rui Vitória mostrou grande frieza. Nunca se "desmontou", nunca colapsou perante as críticas, a desconfiança e as provocações e no fim soube pôr o Benfica a jogar um grande futebol e a vencer títulos.

A integração de jovens na equipa


Rui Vitória é o responsável pelo lançamento de vários jovens jogadores na equipa principal: Nélson Semedo, Renato Sanches, Victor Lindelof, Gonçalo Guedes e Éderson. Muitos outros tiveram oportunidades, mas por esta ou aquela razão (ainda) não se impuseram. Acima de tudo fica a ideia de que Vitória não tem qualquer receio em apostar nos jogadores e que estes, sentindo-se apoiados e portanto confiantes, mostram as suas qualidades. 

O excelente futebol do Benfica


O Benfica já jogou um excelente futebol desde que Rui Vitória chegou ao clube. Curiosamente dos melhores jogos que fizemos, nomeadamente as duas recepções ao Porto, não vencemos, mas quem não se lembra do completo massacre que fizemos no primeiro jogo ou das defesas impossíveis de Casillas em qualquer um deles? Quem não se lembra da vitória sobre o Atlético em Madrid? Da dinâmica atacante e das goleadas, sobretudo, mas não apenas, em jogos em casa (a última das quais já esta época, contra o Belenenses)?

Os títulos


No futebol, como em todos os desportos de alta competição, os resultados são a ultima ratio da avaliação do trabalho de um líder. E nesse capítulo Rui Vitória já deu provas mais do que cabais: dois campeonatos disputados - dois primeiros lugares, duas Taças - uma vitória, duas Taças da Liga - uma vitória, duas Supertaças - uma vitória, duas Ligas dos Campeões - duas qualificações, uma para os oitavos outra para os quartos de final. 

O desastre da presente época


O mais irónico de tudo isto é que a presente época até começou bem. O Benfica ganhou a Supertaça e venceu os primeiros jogos de forma convincente. No entanto a partir do momento em que se teve o primeiro deslize (Vila do Conde) tudo começou a desmoronar-se muito depressa. O que se passou em Basileia é altamente desprestigiante para o Benfica. Tememos pelo que venha a acontecer com o United. A Champions está quase perdida e no campeonato estamos em risco de descolar dos da frente, sobretudo o Porto. Ao contrário do ano passado, este ano temos adversários competentes. Ao contrário do que aconteceu há duas épocas, este ano não temos a Champions para "compensar" um mau início no campeonato. 
Este ano tudo está a correr mal, desde os resultados ao futebol praticado, à inconstância das escolhas de Rui Vitória em matéria de jogadores, às incertezas (e limitações) em termos de modelo de jogo. Rui Vitória parece mais desorientado e desanimado do que alguma vez o vi no Benfica.

O que mudou?


O que mudou é o sobretudo o que tenho assinalado em anteriores artigos: o plantel não apenas perdeu qualidade como envelheceu. Entrámos assim numa curva descendente que Vitória não tem sabido contrariar.

Pode Vitória inverter o presente estado de coisas?


A questão que se coloca aqui é se Rui Vitória chegou ao fim do seu ciclo, se esgotou a sua energia e as suas ideias. Um dos argumentos que ouço muito é o de que se acabou o "gás" que vinha ainda de JJ, que Rui Vitória não tem ideias próprias e que a memória dos "processos" (que vinha do anterior treinador) está a desaparecer.

Esta ideia é insólita. Quem a professa está a aderir por inteiro à lógica do "cérebro", aos argumentos do Ferrari e afins, que combatemos com tanta determinação há dois anos.

Será possível que se ache que uma equipa ganha dois anos em "piloto automático"? Que se preparem estratégias de jogos presentes a partir de esquemas e ideias do passado (que supostamente nem se domina)?

Defender isto é desrespeitar Rui Vitória, é ser injusto e não dar mérito a quem o tem. Vitória soube aproveitar o que tinha e tirar grande rendimento dos jogadores. Se assim não fosse os maiores clubes europeus não se teriam interessado pelos nossos jogadores e não teriam pago dezenas de milhões por eles.

Rui Vitória continua pois a ter as qualidades que tinha há dois anos. No entanto a verdade é que não está a conseguir colocá-las em prática da mesma forma. E a verdade também é que será sempre avaliado pelos resultados que produzir. Por isso a grande questão que se coloca é se Vitória irá conseguir inverter o estado de coisas. 

O futebol do Benfica não agrada. Defensivamente a equipa é uma calamidade. 

Luisão já não tem a meu ver condições para jogar a este nível. Certamente que esta dupla, com um Jardel muito debilitado relativamente há dois anos atrás, não funciona. Não se percebe porque saiu Rúben Dias da equipa. Estava a jogar bem e a compensar um pouco a falta de velocidade da nossa defesa. Há que ter a coragem de sentar Luisão ou Jardel. Depois Almeida tem muitas limitações. Há que trabalhar outras opções. O que se passa com Douglas?

No meio campo o Benfica não consegue ter controlo do jogo nem quando está a ganhar nem quando está a perder. Pizzi não pode jogar 90 minutos todos os jogos e, a manter o presente modelo, os extremos precisam de jogar de outra maneira. 


São muitas questões para Vitória resolver mas é esse o seu papel. Acima de tudo o treinador precisa de ter energia, determinação e confiança nas suas capacidades e convicções. Só assim pode liderar estes jogadores e levá-los a inverter o rumo negativo da época. Apesar das limitações do plantel (e teremos necessariamente que ir ao mercado em janeiro) há qualidade para fazer muito melhor. Continua a haver jogadores de classe nesta equipa mas tem que se lhes dar um aproveitamento diferente. Há que procurar soluções que dêem outro equilíbrio à equipa. 



Se e quando Rui Vitória deixar de ter a energia e a confiança necessárias para liderar a equipa, então será chegado o momento de dar o lugar a outro. Ainda não estamos lá. A pausa no campeonato é uma janela de oportunidade para o treinador retomar as rédeas e fazer a equipa entrar novamente nos eixos. Esperemos que a agarre.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Falta qualidade

A derrota de ontem é pesada e custosa mas é o resultado necessário de uma política de desinvestimento que vem sendo seguida há 3 anos no Benfica.
Há aparentemente uma aposta total na formação, com reflexo no desinvestimento na equipa principal de futebol: ao passo que se planeiam obras megalómanas no Seixal, vendem-se os melhores jogadores da equipa.
O Benfica está portanto a apostar no futuro. O problema á que descurou demasiado o presente.

Esta aposta pode ser estrategicamente correcta (só o futuro o dirá) - no entanto este não seria certamente o ano para a assumir de uma forma tão acentuada. Isto porque este ano os prémios na Champions subiram e, por outro lado, só o campeão nacional terá acesso directo à competição na próxima época. O segundo classificado disputará a pré-eliminatória (que pode trazer um adversário muito complicado) e o terceiro pura e simplesmente está excluído da competição.

Pensar que o Benfica está a dar algum avanço competitivo aos seus rivais no acesso a uma competição que vale dezenas de milhões é algo que custa a crer.

Porque é disso que se trata: o Sporting investiu na sua equipa, reforçando-se nas posições onde tinha carências e o Porto - impedido de investir pelo Fair Play financeiro da UEFA -  não vendeu um único jogador e chamou os emprestados que tinha, alguns com qualidade, reforçando-se ainda com um treinador que claramente fez subir os níveis de exigência.

O Benfica pelo contrário vendeu alguns dos seus melhores jogadores, os quais vinham realmente fazendo a diferença. Nélson Semedo era um dos grandes responsáveis pela dinamização do ataque do Benfica, um jogador com uma rara capacidade de subir e descer pelo corredor, com técnica, velocidade e criatividade. Éderson pode vir a ser um dos melhores guarda-redes do mundo e foi certamente o melhor em Portugal no último ano e meio. Lindeloff era um dos jogadores mais rápidos da nossa defesa, fiável e sempre atento. 

Ora vendendo estes três jogadores e não contratando ninguém para os substituir como se esperava que a nossa defesa não se ressentisse? Na verdade contrataram-se dois jogadores para o lugar de lateral direito mas um foi de imediato dispensado, sem que se percebesse o que se passou, e outro está lesionado (?) sem que também ninguém perceba bem porque nunca jogou. Além disso há ainda o caso de Buta que deu boas indicações mas que foi rapidamente "exportado" num empréstimo a um qualquer clube belga de segunda linha. Pelos vistos foi mais uma má decisão a somar a outras tomadas para esta posição. André Almeida ontem voltou a mostrar que não tem condições para ser a principal solução - muito menos a única - para o lugar.

Depois há o caso de Edersón e Lindelof. São dois jovens - tal como Semedo - ambos rápidos, que acudiam a muitas emergências da nossa defesa e tapavam muitos buracos. Ora foram substituídos por dois veteranos que já estavam no plantel que não têm a mesma velocidade nem disponibilidade física. Luisão neste momento - e não há como o esconder - não tem capacidade para jogar nos níveis de exigência da Champions. Não há portanto dúvida de que o Benfica ficou mais fraco na defesa. 

De resto a única contratação sonante que houve para a equipa principal foi Seferovic. Parece-me um bom jogador, mas no melhor dos casos, pelo que se tem visto, será equivalente a Mitroglou. No pior caso ficaremos novamente a perder. Houve ainda Gabriel Barbosa que aguardamos para ver e Krovinovic que está muito longe de ser um valor seguro.

Em suma, as vendas fragilizaram a equipa - muito - e as contratações não acrescentaram nada. 

A SAD achou que o Benfica tinha uma tal bagagem de vitórias que a coisa continuaria o seu curso mais jogador menos jogador. A questão é que nem sempre aparecem jogadores como Nélson Semedo, Renato Sanches, Lindelof e Ederson. E Luisão, Júlio César e Jonas estão numa fase adiantada de veterania e o seu rendimento já não é o mesmo, ao passo que Fedsa e Jardel são clientes habituais do departamento médico.

Penso que se deixou chegar o plantel a um ponto preocupante: os realmente bons são veteranos, ao passo que entre os jovens a qualidade já é menos evidente. Em janeiro poderão ser feitos ajustes pontuais mas esta relação idade/qualidade não vai ser fundamentalmente alterada. É por isso que termino este artigo da mesma forma que o anterior: é basicamente com estes jogadores que a época terá que ser gerida. Já não falo em grandes conquistas, mas apenas em objectivos mínimos.
Um deles seria o de não passar mais vergonhas como a de ontem à noite.

terça-feira, 22 de março de 2016

As lições do Bessa - se queremos realmente o 35

Esta é a altura para o Benfica aproveitar a pausa na competição de clubes para fazer uma reflexão e trabalho de bastidores para preparar a fase final do campeonato. Esta reflexão alarga-se inclusivamente aos adeptos como irei seguidamente demonstrar.
 
Em primeiro lugar, não retiro uma palavra aos elogios que fiz à equipa (e adeptos) pela vitória no Bessa. Foi realmente algo de épico e memorável pelas circunstâncias que a rodearam e as dificuldades que se levantaram. Nisto incluo as permanentes formas de pressão sobre a equipa, nossos jogadores e arbitragens levadas a cabo pelas agências de propaganda e funcionários do Sporting com a colaboração ou complacência de alguma imprensa.
Digamos que o Boavista sentiu as "costas quentes", nomeadamente para dar pancada e provocar desde o primeiro minuto Renato Sanches. O que vale é que este miúdo é mesmo uma força da natureza e que, por muito velhacos e miseráveis que sejam os constantes ataques e provocações ele vai continuar a encher os campos com o seu futebol e a sua entrega. Temos que o enquadrar e proteger para que ele continue a poder dar o seu enorme contributo à equipa.
Às dificuldades do Bessa temos que somar as tremendas ausências da equipa: Júlio César, Luisão, Lisandro, Jardel, Gaitan, Mitroglou e Fesja para além de Samaris e André Almeida que jogaram fora das suas posições. É evidente e inevitável que a equipa se ressinta destas ausências.
 
No entanto se quisermos avaliar friamente as coisas e tentar melhorar temos que admitir que nos últimos minutos jogámos num risco quase total, com a equipa completamente balanceada para o ataque e que o golo memorável de Jonas surgiu seguramente na última oportunidade de que disporíamos no jogo. Ou seja, estivemos perto de não ganhar. E isto numa fase crítica da época. Isto não é uma crítica, é uma constatação que a meu ver deve ser ponderada para melhorar, tanto mais que temos agora duas semanas de paragem, para abordar os jogos até ao fim de uma forma um pouco diferente para melhor.
 
Nada está ganho. É importante recordar bem isto. Não devemos contar com as derrotas do Sporting no dragão e em Braga (ou noutras escorregadelas desse clube), sobretudo porque o Porto está muito descaracterizado e frágil na defesa e porque o Braga já não tem muito para que jogar no campeonato (menos ainda na última jornada, nas vésperas de jogar a final da Taça de Portugal). Nesta medida temos que preparar os nossos jogos com um rigor absoluto e tentar, tanto quanto possível, resolvê-los cedo como fizemos durante várias jornadas (precisamente há uma volta atrás) quando impusemos várias goleadas aos nossos adversários.
 
Outra das coisas que precisamos de fazer é recuperar os nossos lesionados, sobretudo Lisandro, Fesja e Gaitan e recuperar a melhor forma de Nélson Semedo e Sálvio. Ideal era também recuperar Júlio e Luisão obviamente mas esses processos poderão estar mais atrasados. Isto sem esquecer Talisca e Raúl que não estando lesionados precisam claramente de mais confiança porque qualidade têm-na sem dúvida. A pausa é boa porque permite algum tempo para isto, nomeadamente para os jogadores de que acabei de falar e que não estão convocados para as seleções (Gaitan foi convocado mas não jogará devido à lesão). Outro caso é o de Pizzi. Tem sido um jogador importantíssimo esta época, crucial para a recuperação na tabela, mas que nos últimos jogos tem perdido fôlego. Ao contrário de outros fico muito satisfeito de não ter sido convocado para a selecção.
 
Quanto aos adeptos, há duas coisas a ter em mente. Por um lado, é impossível não reconhecer o seu papel na caminhada da equipa e particularmente nesta vitória no Bessa. A forma como encheram o estádio foi algo de extraordinário e que atesta a dimensão do Benfica. No entanto há duas coisas a evitar ou erradicar. A primeira é a euforia. A euforia é contraproducente. Há que ter os pés bem firmes no chão. A outra coisa é a pirotecnia. Para além das multas e dos petardos, no Bessa atiraram várias tochas para o relvado que passaram muito perto dos nossos jogadores! Isto é inconcebível!! Imaginem que um nosso jogador (ou qualquer outra pessoa na verdade) tinha sido atingido pelas tochas?? Da forma que elas foram atiradas, do topo da bancada, dificilmente a sua trajectória podia ser controlada por quem a arremessou. Por isso apelo fortemente às claques, cujo papel tem sido tão importante, que identifiquem as pessoas que fizeram isto e as responsabilizem. As claques têm que controlar as pessoas que estão no seu seio sob pena do Benfica poder sair fortemente prejudicado.
 
É tempo de carregar baterias e trabalhar nos bastidores para poder tornar o 35 numa realidade. Todos o desejamos e todos a remar para o mesmo lado teremos mais hipóteses de o conseguir. A boa notícia é que estamos à frente e que podemos confiar na dedicação e qualidade de todos os profissionais do Benfica para a conquista deste feito.

domingo, 6 de março de 2016

A hora do banco

Este post não é sobre o Banif, o Novo Banco ou a CGD. É sobre o "banco de suplentes" do Benfica.
 
A vitória em Alvalade já é passado. Poderá figurar nas páginas da gloriosa história de vitórias do Benfica se continuarmos a fazer o nosso trabalho até ao fim do campeonato e significar o que todos desejamos. Mas é para a frente que temos que olhar.

Quarta-feira temos já um novo e enorme desafio. Felizmente chegamos ao jogo da 2ª mão com possibilidades de seguir em frente numa competição da importância da Liga dos Campeões. Depois de um jogo tão intenso como o de ontem, enfrentaremos novo desafio de máxima dificuldade e alguns dias depois haverá nova jornada do campeonato.

Nesta altura da época torna-se por isso importante contar com os jogadores que normalmente não fazem parte do 11 inicial.
 
A bem da verdade diga-se que com tantas lesões, isso já vem acontecendo há bastante tempo. Mas nesta altura, com os castigos e a necessidade de gerir o esforço físico, tal torna-se ainda mais premente. Nélson Semedo, Fedja, Talisca e Raúl Jimenez (mas também Sálvio) precisam de estar prontos para ser titulares nalguns jogos decisivos, mantendo a elevada bitola de rendimento dos que têm jogado nestas posições.
Talisca já jogou contra o União e deverá jogar contra o Tondela, pois Renato está castigado após acumulação de amarelos. André Almeida e Jardel estão suspensos e não podem defrontar o Zénit pelo que Nélson deverá ser titular na direita, restando saber se Lisandro recupera ou se Fedja jogará a central. Por outro lado é possível que Rui Vitória aposte na velocidade e capacidade física de Raúl em São Petesburgo.
 
O plantel está esticado aos limites e todos são necessários. Há que fazer das fraquezas forças, como tem sido até aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O actual momento do Benfica

O actual momento do Benfica não é tão mau como uns, nem tão bom como outros o caracterizam. 

É, a meu ver, sensivelmente o que se poderia esperar face à decisão tomada pela direcção de desinvestir no futebol face a um quadro alegadamente mais exigente em termos financeiros (e sobre este ponto diremos alguma coisa mais adiante).

A época teve até agora momentos em que as expectativas foram superadas (como é o caso da vitória sobre o Belenenses por 6-0 ou a vitória em Madrid sobre o Atlético) e outros em que ficaram muito abaixo do mínimo exigível, como no caso das derrotas contra Arouca e Sporting. A derrota na Luz foi o ponto mais baixo até ao momento e - esperamos - até ao fim da época. É bom que algo como aquele jogo não se repita tão cedo.

Mas, reafirmo, no geral a época está a corresponder ao que seria expectável: Rui Vitória tem apostado na juventude e na formação (com efeitos visíveis e positivos em termos de inserção de novos valores na equipa principal) e os resultados têm-se ressentido. Uma mudança de treinador raramente não se reflecte negativamente nos resultados, sobretudo quando a qualidade do plantel sofre um decréscimo de qualidade. É verdade que saíram poucos jogadores mas os que saíram não foram devidamente compensados, pelo menos até agora: Maxi foi bem substituído por Nélson Semedo mas a lesão, logo na estreia pela selecção, transformando o sonho em pesadelo (parece uma sina pois já Simão Sabrosa tivera uma situação semelhante há uns anos e espero muito sinceramente que Gonçalo Guedes se "proteja" na sua estreia), acabou com essa solução; já Lima não tem (por agora) substituto à altura.

É de registar, nesta época de transição, o 1º lugar no grupo na Liga dos Campeões. Não é algo que se possa desvalorizar, até tendo em atenção o passado recente. É algo importante desportiva e financeiramente. É algo que não pode ser considerado um mero acaso, até porque o grupo em que nos encontramos não é de todo fácil. Não é possível culpar um treinador pelos maus resultados e não lhe dar crédito pelos bons. Ambos são, em grande parte, da sua responsabilidade.

Também não alinho nas críticas impiedosas à falta de ideias da equipa e a uma alegada táctica do pontapé para a frente e dos cruzamentos sem sentido para a área. Não alinho porque me parecem exageradas, por um lado, e porque não vejo nada de errado em cruzar bolas para a área desde que os centros sejam bem feitos e existam jogadores para a eles responder. Aliás critiquei muitas vezes o futebol do Benfica no passado por exagerar nos passes e nas tabelas, por vezes já dentro da área. O Benfica tem um problema de dinâmica, isso é verdade, e de (na minha opinião) existir por vezes demasiado espaço entre os sectores. Mas eu não sou treinador e portanto não me iludo a pensar que a minha leitura tenha um valor absoluto ou implique uma sentença definitiva sobre o trabalho de Rui Vitória.

Ao treinador do Benfica terá que ser dado tempo, o tal que não existe no futebol e menos ainda no Benfica. Vitória tem que ser capaz de crescer e se afirmar enquanto a equipa vence, pois só esse é o caminho. Agora não faz sentido, depois de vencermos, estar a criticar a equipa. O Benfica fez o suficiente para vencer o Galatasaray - e esse jogo era crucial - e venceu com todo o mérito, inclusivamente depois dos turcos terem empatado sem o merecer. De igual modo o Benfica venceu o Boavista. Aí com menos brilho mas com igual eficácia. E era isso que se pedia. Tal não significa obviamente que tudo esteja bem. 

À entrada para mais uma paragem no campeonato - a terceira - quero acreditar que as coisas melhorarão. Vem aí um novo jogo importante, desta vez para a Taça de Portugal, no qual se exige mais trabalho, superior prestação e sobretudo muito melhor resultado relativamente aos anteriores derbies. Na primeira paragem para o campeonato as coisas melhoraram muito. Na segunda as coisas pioraram, em grande medida devido à lesão de Nélson ao serviço da selecção durante essa paragem. E na terceira esperamos que as coisas melhorem novamente: que Sílvio confirme a subida de rendimento e que os processos colectivos da equipa se aperfeiçoem. Sobretudo há que melhorar a harmonia do meio campo que continua a não convencer. Este é o tempo que normalmente os treinadores não possuem. Rui Vitória precisa de o aproveitar bem.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

NI Red Bulls-Benfica e avaliação da pré-época

Já anteriormente escrevi acerca das necessidades que a meu ver o plantel do Benfica apresenta em termos de contratações. Com a saída de Lima acentua-se ainda mais a carência no sector ofensivo. Jonathan é um jogador com algum potencial mas que não me parece capaz de assumir a responsabilidade de ser avançado titular no Benfica. Mas o jogo de ontem trouxe outros aspectos que importa analisar sem afunilar já a discussão para o problema das contratações.

Em primeiro lugar devo dizer que gostei da exibição da equipa e de ver vários jogadores. O resultado é negativo mas quem tenha visto o jogo sabe que dificilmente ele expressa o domínio da partida. Durante a maior parte do tempo o Benfica foi melhor e onde esteve menos bem foi na finalização. Os golos dos NY Red Bulls resultam de uma falha de Luisão que isola o avançado adversário à frente do guarda-redes (o titular de ontem foi Ederson) e de um momento de génio de um jogador da equipa americana. Para além disso os nova iorquinos pouco fizeram, depois de na passada semana terem imposto um 4-2 ao Chelsea. Já o Benfica teve diversas oportunidades, nalguns casos desaproveitadas, noutros paradas com mérito pelo guarda-redes e defesas adversários. 

O aspecto a relevar mais do jogo talvez seja a boa dinâmica da equipa e a sua capacidade de posse de bola, num esquema que apresentou apenas um avançado de raiz. Jogaram Samaris e Pizzi no meio com Ola John e Carcela nas alas e Tarbaat no apoio a Jonathan. Na segunda parte jogou Jonas com o apoio de Duricic. Trata-se de uma alteração táctica importante e que me parece inevitável. A solução dos dois pontas de lança estará eventualmente presente em jogos do campeonato em casa mas penso que realmente é quase impossível jogar contra equipas de nível de Champions League, sobretudo fora, com dois pontas de lança e apenas dois homens no "miolo" do meio campo a ter que fazer todas as despesas de cobertura e recuperação de bola naquele sector. Nos últimos anos tivemos grandes jogadores (Matic, Enzo) que permitiram um pouco esse tipo de futebol mas mesmo assim temos que reconhecer que os resultados na Champions ficaram sempre aquém do desejado, parcialmente por causa disso. Com um elemento de ligação como Tarbaat ou Djuricic (embora tenha ficado demostrado que neste momento nenhum deles apresenta condição física suficiente - Tarbaat continua com peso a mais e Djuricic precisa de ganhar mais força) as coisas podem-se tornar mais equilibradas e o futebol mais ligado. 

Gostei de ver as combinações atacantes e os passes em progressão e fiquei muito agradado com Carcela e Nélson Semedo. O primeiro mostrou realmente muito futebol (visão, técnica, sentido de baliza) e o segundo foi uma completa surpresa. O jovem mostrou velocidade, sentido posicional e maturidade. Esperemos que estas boas indicações possam ser confirmadas ao longo da época. Ola John continua o mesmo: algumas arrancadas interessantes, alguns bons apontamentos e lances de perigo mas muita inconstância, muito alheamento do jogo. Já falámos de Tarbaat que também mostrou ter bons pés e capacidade mas que precisa de trabalhar mais para poder ser uma opção consistente. 

Quanto a jogadores já firmados no clube, Samaris mostrou a mostrar ser uma peça imprescindível e um jogador que dá imensas garantias, ao passo que Lisandro também me parece cada vez mais um central maduro e com muita qualidade. Quanto a Talisca, a qualidade é muita, disso não tenham dúvidas. A questão é: qual a posição onde poderá render mais? Rui Vitória precisará ainda de algum tempo para o perceber, mas tempo é coisa que começa a escassear...

Em suma, os maus resultados pouco ou nada significam nesta fase. Parece-me que a equipa está a progredir mas também não deixa de ser verdade que falta já muito pouco tempo para o jogo da Supertaça - que evidentemente é para ganhar. Em termos de plantel, face à lesão de Sálvio, é imprescindível que Gaitan fique. No ataque será importante assegurar um substituto para Lima. Com muita pena minha, parece-me que Nélson Oliveira mais uma vez não se conseguirá afirmar. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Benfica - veterania, entradas e saídas

Até ao momento o Benfica pouco mexeu no plantel [a base desta avaliação são os 30 que seguiram para os EUA], o que à partida é uma coisa boa tanto mais que somos bi-campeões. A estabilidade é uma base importante para o sucesso. No entanto existem dois factores que têm que ser ponderados neste balanço: o nível de investimento a que assistimos por parte dos rivais e a veterania do plantel do Benfica. 

Começando por este último ponto, é evidente que a experiência é algo importante, mas o Benfica poderá já estar a entrar na fronteira de uma equipa demasiado trintona. Uma equipa demasiado veterana começa a denotar falta de rotação, existem muitos exemplos disso. Na defesa Luisão e Eliseu começam a estar (um para central, outro para lateral) nessa fronteira a partir da qual o rendimento se começa a ressentir. O mesmo se passa no ataque, onde Jonas e Lima estão na mesma situação. É que uma coisa é ter um ou outro jogador mais experiente no seio de uma equipa jovem, outra é ter uma equipa composta sobretudo por jogadores na casa dos 30. O sector onde estamos mais tranquilos neste aspecto é o meio campo onde temos jogadores na plenitude do seu rendimento, como Fedja, Pizzi ou Samaris e jovens como Cristante e Talisca. É um aspecto que o treinador terá que ponderar: por um lado aproveitar a experiência dos jogadores mais velhos da equipa, por outro assegurar-se que ela tem suficiente força e energia para manter um rendimento e uma rotação elevados não apenas em cada jogo mas na época como um todo.

Em termos de qualidade, o Benfica está em défice nalguns sectores. O mais óbvio são as laterais da defesa. Com a saída de Maxi, o Benfica ficou com Eliseu, Sílvio, Marçal e André Almeida, a que eventualmente acrescerá Lindelof, que jogou nessa posição na selecção sub 21 da Suécia. Ora estas opções são insuficientes para o Benfica. Eliseu está um ano mais velho do que o ano passado (em que já era muito criticado por alguns adeptos - que não eu), Sílvio praticamente não jogou depois da gravíssima lesão que teve, pelo que o seu rendimento é uma incógnita e André Almeida é um jogador válido e útil para jogos contra equipas superiores mas que não tem rotação para dar a dinâmica atacante que um grande precisa. Veremos como Marçal se adapta mas este quadro de laterais não chega. Em termos de centrais, para além da questão da idade de Luisão, aparentemente apenas temos Jardel e Lisandro, uma vez que César estará de saída. Ora, isto pode também ser pouco para um quadro competitivo exigente. 

Quanto aos extremos, Carcela será aparentemente uma boa opção, a questão Gaitan mantem-se em aberto e Sálvio estará lesionado no início da época. Para além disto existe apenas Ola John. Mais uma vez é pouco, pouquíssimo se Gaitan acabar por sair, para um clube com as aspirações do Benfica. Se Gaitan saísse (e é verdade que todos os anos se diz que sairá e todos os anos continua) começaríamos a época com Carcela e Ola John. Ora isto não pode ser considerado uma opção válida. Também no eixo do ataque me parece que temos limitações e que o plantel não pode ser considerado fechado. O problema do ataque é que se Rui Vitória optar por apenas um ponta de lança, não me parece que Jonas ou Lima (ou Jonathan Rodrigues que ainda não mostrou nada) possam ser esse jogador. A meu ver são demasiado veteranos para esquemas que exijam uma correria, choque e desgaste permanente na frente de ataque. Para tal são necessários avançados até com outro perfil, mais combativo e agressivo, como Mitrovic. Sabemos que o Benfica o tentou contratar (se vier a acabar no Porto é mais uma desilusão) e que abordou sem sucesso outros jogadores, como Joe Campbell. Confesso que não percebo o que se passa: aparentemente o Benfica não consegue contratar nenhum dos jogadores que deseja, ao contrário dos rivais. Percebo que não se possa entrar em loucuras mas no mínimo seria exigível um pouco mais de segredo nos negócios sob pena do Porto continuar a ter no Benfica o seu melhor olheiro. 

No meio campo, para acabar bem, parece-me que temos as opções válidas e necessárias para vários tipos de modelos e de jogos. Aí não devemos a ninguém em termos de qualidade. 

Na globalidade temos porém que admitir que faltam soluções. A meu ver o Benfica precisaria de um lateral direito de grande dinâmica e qualidade comprovada (mais uma vez parece que tentámos dois nomes nenhum deles com sucesso), de um extremo e de um ponta de lança fisicamente forte, capaz de jogar sozinho na frente e concretizador. Na minha opinião falta ainda um central, mas seria absurdo ir contratar um depois de vender ou emprestar César. Com estas contratações a juntarem-se à qualidade e experiência que já existem (e à juventude que está à espreita para aparecer) teríamos um plantel capaz de disputar as provas nacionais e de pelo menos passar a fase de grupos da Liga dos Campeões, cada vez mais um objectivo mínimo essencial para assegurar a saúde financeira dos clubes. Caso contrário, caso o plantel se mantenha no essencial como está, teremos que esperar de Rui Vitória algo que, não sendo um milagre, seria altamente surpreendente: fazer um plantel inferior ao da época passada render mais e ter melhores resultados desportivos. 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Deixem o Benfica festejar

Como benfiquista do coração e de pequenino, custou-me e entristeceu-me muito o que aconteceu no domingo. A festa do Benfica foi estragada - e não foi pela polícia, foi pelos adeptos (?) que se envolveram em agressões, roubos e ataques que fizeram do Marquês de Pombal uma zona de intifada. 

Concordo inteiramente com o Presidente da Câmara de Lisboa. Acho inexplicável que quase uma semana depois do que se passou ainda não haja um apuramento de responsabilidades e uma identificação dos grupos criminosos. Porque é disso que estamos a falar. Pedras da calçada e garrafas atiradas daquela forma podem lesionar gravemente e até matar uma pessoa. Quem atira esses objectos indiscriminadamente, aliás no meio de uma multidão onde estavam crianças pequenas, é pior do que um selvagem e do que um animal. É um criminoso que tem que ser banido do convívio com as pessoas normais. Defender, justificar ou desculpabilizar estes actos não é defender minimamente o Benfica. É até o contrário. Luisão disse logo enquanto os acontecimentos decorriam que aquilo não era o Benfica. Luis Filipe Vieira também esteve muito bem ao denunciar a violência e defender que ela tem qeu ser banida do futebol - doa a quem doer! E Leonor Pinhão fez o mesmo na sua crónica de ontem n' "A Bola". Sublinho bem, doa a quem doer, porque se as claques tiveram alguma coisa a ver com isto têm a meu ver que sofrer as consequências com um castigo que seja verdadeiramente exemplar e permita que o desejo do Presidente (e de todos nós) se torne realidade e pais e filhos possam ir em paz e segurança ao futebol.

Claro que a actuação do já infame oficial da PSP em Guimarães é uma coisa inenarrável e aberrante que também tem que ser exemplarmente punida. Claro que no próprio Marquês poderão ter havido comportamentos menos correctos por parte da polícia. Mas nada disso desculpa, justifica ou legitima o que se passou e que acabou com a festa dos benfiquistas cobrindo-nos de vergonha. Por isso insisto: tem que haver um apuramento rápido de responsabilidades. Existem muitos vídeos que permitem identificar as pessoas e, foi dito, houve várias detenções. Expliquem portanto o que aconteceu. Talvez se venha a perceber que de facto os problemas nada tiveram a ver com futebol e o nome do Benfica possa ser limpo desta história absolutamente lamentável.

Felizmente temos este domingo uma nova hipótese de festejar, agora já sem a tensão e a ansiedade de ver concretizado o grande objectivo da época. Alcançado o campeonato, com um mérito enorme e talvez sem as armas do principal contendor, que apostou todas as fichas neste ano (e já vai no segundo empréstimo obrigacionista em menos de um ano...) e nada ganhou, podemos agora saborear tranquilamente a conquista. Podemos festejar a consagração e expressar toda a alegria por este bi-campeonato encarando o jogo com o Marítimo tranquilamente. Finalmente o Benfica consegue ganhar de forma sustentada e não apenas esporadicamente. Fica a faltar a Taça da Liga. O nosso destino é vencer. Luis Filipe Vieira conseguiu encontrar o caminho certo e hoje é reconhecido até pelos seus anteriores críticos e opositores. Espero sinceramente que não cometa o grande erro de desfazer esta equipa ganhadora e de enveredar por experimentalismos nesta fase. O Benfica tem um plantel que este ano foi espremido ao máximo. Outros acharão que era possível fazer melhor. Desde o início da época que deixei aqui claro que esta equipa, este plantel tinha evidentemente qualidade mas estava longe de ser um plantel de topo. O do Porto era, em valores individuais, superior em termos de valor de mercado. A nível europeu foi claro que não havia condições para fazer mais. Nessa medida haverá que acautelar a qualidade para o ano (e isso não se faz com a equipa B ou a formação): Mas acima de tudo é preciso manter o homem que mudou a tendência dos últimos 30 anos do futebol Português - Jorge Jesus.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Que meio campo no próximo jogo?

O meio campo do Benfica tem neste momento apenas uma posição fixa, que é a de Samaris. No entanto o grego está castigado para Moreira de Cónegos, pelo que que os titulares daquelas posições são neste momento uma total incógnita. Cristante e Talisca? André Almeida e Pizzi? Rúben Amorim numa dupla com algum daqueles? É difícil dizer o que se passará mas uma coisa é certa: será um meio campo com pouca ou nenhuma experiência em jogar junto.
A minha aposta vai para Cristante e Pizzi. O primeiro porque tem sido a primeira escolha quando se trata de substituir Samaris, o segundo porque tem sido titular (e jogado bem) nas últimas partidas. Rúben ainda não estará, em princípio, em condições de assumir a titularidade, porque caso contrário seria certamente primeira escolha. Por outro lado, Pizzi é um jogador de "andebol", um jogador que, na perspectiva de Jesus, não é suficientemente agressivo a defender. Daí as muitas dúvidas. 

Até por estas razões o jogo de Moreira de Cónegos será de grande exigência e "perigosidade". No entanto é importantíssimo ganhar nas próximas jornadas nas quais os nossos adversários enfrentam desafios muito difíceis e se defrontam entre si, por entre eliminatórias europeias. 


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

(mais) Um novo começo

A saída de Enzo Perez abre mais um capítulo na "era Jorge Jesus": o treinador terá que mais uma vez formar um meio campo diferente. Este ano ainda por cima com a agravante de que a equipa não se encontrava ainda estabilizada. Desde a saída de Matic há um ano saíram ainda (falando apenas do meio campo) André Gomes e lesionaram-se Fedja e Rúben Amorim.

A última dupla de médios que actou com continuidade e estabeleceu rotinas claras de jogo foi a constituída por Matic e Enzo. Ela actou na época 2012-2013 e na primeira parte da época passada. Desde então houve uma rotação quase constante, com vários jogadores a ocuparem o lugar de Matic: Fedja, Rúben, André Gomes, André Almeida, Samaris e Cristante. A dada altura até o meio campo de três jogadores, com Rúben a ser o terceiro homem, foi ensaiado.

Com a saída de Enzo, perde-se a peça que assegurava a continuidade com aquele passado de relativa estabilidade nas posições. Jorge Jesus terá que de novo "inventar" e solidificar um meio campo, já com a época em andamento e com todas as contrariedades das lesões. Para já a solução parece ser Talisca e Samaris com o italiano Cristante a lutar ainda pelo seu espaço. O problema mais evidente desta solução é que se tratam de três jogadores que chegaram ao Benfica apenas no início de época. O lado mais positivo é que Talisca tem evidentemente muita qualidade e Samaris parece adaptar-se cada vez melhor.

Apesar de tudo apontar para que Talisca se consolide cada vez mais na posição 8, acredito que Jorge Jesus continuará a promover alguma rotatividade como fez até aqui, jogando o brasileiro quer nessa posição quer entre o meio campo e o ataque, como falso segundo ponta de lança. Isso aconteceu muitas vezes e pode continuar a acontecer tendo em atenção que Samaris se sente bem também no lugar 8. Com os regressos de Fedja e Rúben, que se espera e deseja que aconteçam em breve, haverá novas opções e a possibilidade de dotar o meio campo de uma maior consistência. Veremos como o nosso treinador as organiza.

Outra boa notícia é o regresso de Sílvio. Finalmente o Benfica está bem servido de laterais: Maxi (um modelo de profissionalismo para além da grande qualidade), Eliseu, André Almeida (outro grande profissional que está a demonstrar uma capacidade surpreendente mesmo na esquerda e cuja polivalência tanto nos tem valido) e Sílvio dão todas as garantias, havendo ainda Benito.

No centro da defesa as várias opções ensaiadas têm dado resultados positivos. Jardel tem melhorado muito, dando já garantias razoáveis, César tem crescido como jogador e Lisandro também, embora tenha já um nível de maturidade e experiência ligeiramente superior ao brasileiro.

O que é extraordinário neste Benfica é que, ou por saídas em relação às quais o clube pouco podia fazer, ou por lesões, a equipa tem sido praticamente reconstruída de ano para ano (e às vezes no mesmo ano), mantendo um nível de resultados muitíssimo positivo. 

O jogo de Penafiel então é particularmente paradigmático. Por via de lesões, castigos e saídas, Jorge Jesus não pode contar com 5 - cinco - habituais titulares: Eliseu, Luisão, Enzo, Samaris e Sálvio! Ou seja, não pode contar com 3 jogadores fundamentais do eixo central, para além de um dos seus melhores e mais influentes jogadores criativos e do lateral esquerdo titular. E apesar dessas contrariedades ganhou por 3-0. É algo que tem que ser reconhecido e apreciado.

O ano começou bem, o que é sempre bom mas há muito campeonato e muitas dificuldades pela frente. A vantagem de 6 pontos é boa mas não dá garantias de coisa nenhuma. O Benfica terá que continuar a consolidar processos e a ser realista na sua abordagem aos jogos, apostando na prata da casa e recuperando o mais rapidamente possível os lesionados. Será também importante os adeptos continuarem a apoiar a equipa e começarem a comparecer em maior número nos jogos na Luz. 









quarta-feira, 24 de setembro de 2014

As "boas dores de cabeça"

A entrada a perder no jogo de domingo e a pouca índole atacante da equipa durante os primeiros 30 minutos apressaram Jorge Jesus a alterar muito cedo a disposição do 11 e a regressar ao esquema de dois avançados puros. A diferença foi notória: com Derley e Lima a equipa teve outra presença na área, outra acutilância.

Face ao que Talisca tem vindo a demonstrar - técnica, qualidade, envolvimento no jogo e golos - Jorge Jesus fica pois com um dilema. 

Claramente a posição onde Talisca se sentiria melhor é de Enzo. O argentino é porém o pêndulo da equipa e como tal é um titular indiscutível.

Até agora, Talisca tem jogado na posição de falso ponta de lança, segundo ponta de lança ou número 10 mas não há dúvida de que, sobretudo nos jogos em casa com equipas mais pequenas, se justifica uma presença mais permanente na área, função que Derley desempenha de um modo mais efectivo. Para além deste último, há aliás agora mais uma solução, Jonas.

No jogo com o Moreirense, Jesus optou por tirar o "trinco" Samaris e recuar Talisca que passou a jogar ao lado de Enzo. Realmente não se justificava um médio de cobertura, posicional, quando o adversário praticamente não atacava. No entanto também não é de crer que joguemos, sobretudo nos jogos mais difíceis, nomeadamente fora de casa e jogos europeus, sem um trinco de raiz ou pelo menos um jogador com características de cobertura e recuperação de bola.

Temos assim boas e variadas opções para o meio campo e para o ataque. Para além destes há ainda André Almeida, Cristante, Fedja e Rúben Amorim, Nélson Oliveira e Jara (para além dos jovens da equipa B).

Jorge Jesus tem muitas e boas dores de cabeça, como se costuma dizer, para escolher os 4 jogadores que jogam no centro do campo e no centro do ataque.

A "solução" poderá passar por uma alternância do esquema da equipa, entre os jogos fora e os jogos em casa, ora com um esquema de um ponta de lança, com Talisca no apoio e recuando para o meio campo quando a equipa defende, ora com dois pontas de lança, eventualmente com Enzo e Talisca no meio campo.


Se ainda não viu, não deixe de seguir o link para o nosso post sobre a "absolvição" de Pinto da Costa:

http://justicabenfiquista.blogspot.pt/2014/09/1-de-abril-anedota.html


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O plantel e as hipóteses do Benfica esta época

Com o plantel fechado até Dezembro, o Benfica apresenta um quadro de jogadores razoável para os objetivos a que se propõe esta época: renovar o título de campeão e passar a fase de grupos na Champions League.

Os piores receios não se verificaram, pois Gaitan e Enzo mantiveram-se no plantel e este foi ainda reforçado com Samaris e Cristante. Ou seja, existem várias soluções para o meio campo do Benfica.

Para duas posições no meio campo (6 e 8 como agora se repete muito) temos André, Enzo, Samaris, Cristante e o próprio Talisca, para além dos lesionados Rúben e Fedja. São portanto soluções de sobra e de qualidade. Nesta fase Samaris e Cristante lutarão por um lugar ao lado de Enzo, de acordo com o próprio Jorge Jesus, lugar que tem sido ocupado por André Almeida. Com o progredir da época podemos admitir outros cenários, pois JJ já disse que gostaria de contar com Samaris na "posição 8". Admitindo que em Janeiro o Valência poderá voltar à carga por Enzo, é de admitir que existam nessa altura reajustes no plantel.

Continuando a análise ao plantel. curiosamente, temos poucos extremos: para substitutos de Gaitan e Sálvio temos apenas Ola John, Bebé e Pizzi. Noutros anos existiram mais e melhores opções para as faixas.

O problema principal nesta altura reside no eixo do ataque: Lima é escasso. Talisca deu óptimas indicações mas não parece ser - pelo menos no imediato - um jogador com as características necessárias para jogar no ataque. Talisca é excelente no passe (finalmente temos quem cobre bolas paradas com qualidade), tem alguma velocidade mas não tem a dimensão física que um avançado necessita. Talvez JJ venha a "inventar" algum esquema ou solução que resolva este problema, mas para já o que se viu foi um Benfica com défice de concretização das várias oportunidades criadas.

Estamos ainda no início da época, por isso é de admitir que venhamos a melhorar. Para já o descalabro não aconteceu. Apesar das múltiplas saídas, a equipa continua equilibrada e com qualidade. As permanências de Luisão, Enzo, Sálvio e Gaitan eram fundamentais para manter alguma estabilidade e um patamar elevado de qualidade e Samaris e Cristante vieram dar mais soluções e acrescentar qualidade. Ficou a faltar um ponta de lança, que seria excelente ser Campbell. Talvez em Janeiro tal se possa concretizar, sendo de admitir que possa também sair Enzo nessa altura. Até lá teremos que usar a prata da casa no ataque, designadamente Derley e Nélson Oliveira na Champions e estes mais Jara no campeonato para jogarem ao lado ou em vez de Lima. É pouco mas é o que há. Esperemos que estes jogadores sejam capazes de agarrar a oportunidade e potenciar as suas qualidades. Caso Jesus acabe por decidir, como muitos crêem, que Bebé pode ser uma solução para o ataque, melhoramos um pouco o leque de soluções (embora fiquem depois menos soluções para as faixas...).

Seja como for, este grupo permite ter esperanças numa época de algum sucesso. No campeonato, o Benfica tem o conforto de ser o campeão em título e de o seu adversário estar sob bastante pressão em virtude do investimento enorme que realizou. O Porto não se pode dar ao luxo de perder mais um campeonato. O ambiente tornar-se-ia insuportável e a situação financeira descambaria. Nesse sentido, o Benfica tem uma tranquilidade maior para abordar os seus jogos, sobretudo mais para a frente na época, quando a pressão começar a aumentar. Veremos se conseguiremos transformar isso numa vantagem efectiva e suplantar o défice de valor que parece existir nesta fase em termos de cotação dos planteis.

Quanto à Champions, onde o Benfica não tem tido grande sucesso nos últimos anos, penso que existem possibilidades de suplantar este grupo e avançar para os oitavos. O Mónaco é uma equipa vulgar, o Bayer é uma equipa que já batemos no passado e que não está no patamar do Bayern ou do Dortmund e o Zénite é uma equipa forte, talvez o favorito do grupo. Qualquer equipa tem as suas chances e o Benfica tem que fazer uso da sua ampla experiência europeia para progredir na competição.




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Falta um avançado

O Benfica foi melhor do que o Sporting e deveria ter vencido o jogo. Fez o suficiente para tal, não fosse o erro de Artur e um ataque demasiado perdulário na hora de finalizar.
Falta ao Benfica um avançado que crie e concretize situações de golo. Apenas Lima é escasso para este nível de exigência. Talisca tem dado boas indicações e ontem fez um jogo muito bom mas não tem as características de presença na área de um ponta de lança.
Por outro lado Derley, nas poucas oportunidades que teve, não conseguiu convencer, ao passo que Nélson Oliveira parece não contar para JJ.
Campbell seria uma excelente opção para reforçar o ataque mas parece-me muito difícil que tal se possa concretizar, até tendo em atenção a lesão de Giroud.

Por outro lado, a permanência de Enzo daria muitas garantias de que o Benfica, apesar das saídas altamente significativas de jogadores, poderia manter um nível qualitativo elevado esta época e ser competitivo contra plantéis mais caros (a começar, a nível interno, com o Porto que investiu muitos milhões). Com o grego Samaris, o regresso de Fedja, André Almeida, o novo médio aparentemente contratado ao Milan Cristante e o próprio Talisca passariam a existir várias e diversificadas opções no plantel para o meio campo.

Já uma saída de Enzo nesta altura obrigaria a equipa a começar quase do zero no que ao centro do terreno diz respeito. Um cenário que se deve pois evitar naquilo que depender do Benfica.

Quanto à defesa, se no centro Luisão e Jardel, com Lisandro à espera de uma oportunidade, vão chegando para a realidade do nosso campeonato, e na esquerda estamos bem servidos (há ainda Benito), já na direita não existe à partida uma alternativa consistente a Maxi. André Almeida pode episodicamente desempenhar as funções mas não tem o ritmo subida/descida necessário para dar dinâmica à equipa. Havia esperança de que Cancelo fosse essa alternativa mas por razões que desconheço saiu.

Finalmente no tocante à baliza penso que Artur terá ontem feito um dos últimos jogos como titular, devendo Júlio César assumir o lugar com naturalidade e com benefícios para a equipa. Artur nunca conseguiu aprender a sair dos postes ou a jogar com os pés, transmitindo assim nalguns jogos uma tremenda insegurança. Júlio César não sendo um Oblak é no entanto um guarda redes consistente, emocionavelmente estável, experiente e rodado ao mais alto nível. Creio que a sua entrada poderá dar estabilidade ao sector defensivo.

Muito está pois ainda em aberto neste dia de fecho do mercado de transferências que será de bastante ansiedade para os benfiquistas, nomeadamente a questão Enzo e do ponta de lança.