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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

As preocupações dos benfiquistas

Por estes dias o Benfica está em 1º lugar no campeonato e continua noutras competições. A equipa tem subido de rendimento e fez ultimamente alguns bons jogos. Venceu o Porto de forma clara algo que, apesar de dever ser normal, não acontecia há vários anos. 

No entanto percorrendo a blogosfera, dir-se-ia que o Benfica estava num momento desastroso, afastado da luta pelo título e com exibições miseráveis. De facto as críticas são tantas e tão constantes que seríamos levados a pensar assim se não soubessemos que a realidade é felizmente outra. 

Não defendo obviamente uma atitude acrítica por parte de ninguém, mas tudo tem limites. Quando, num momento destes, com o nosso clube envolvido em vários desafios da maior importância e sabendo da falta de princípios do nosso principal adversário, muitos benfiquistas se dedicam diariamente a encontrar temas para criar polémicas ou atacar quem está à frente dos destinos do clube, algo não vai bem na blogosfera benfiquista e merece ser reflectido. 

Quem publica em blogs gosta de ser lido, isso é evidente e legítimo. O que me parece muito discutível do ponto de vista do benfiquismo é instrumentalizar o clube nessa ânsia de audiências, por vezes levantando e empolando temas que só fomentam a dissenção e a divisão interna. 

Nos últimos dias houve "polémica" atrás de polémica, muita dela fomentada pelos próprios benfiquistas. 

Assim de repente lembro-me das seguintes:

Matic não deveria sair do clube.
Jesus desrespeitou a formação.
Artur está triste e no aquecimento só defende com os pés (garanto-vos que li isto!).
Não há gala do Benfica este ano.
André Gomes só entrou no tempo de descontos contra o Marítimo.
O irmão de Matic foi-se embora (polémico por vir, polémico por partir).
O relvado não está em condições.

Não acham que chega de tanta choradinho?

A saída de Matic obviamente não era desejável. Mas há que saber olhar para as coisas de forma realista. Matic queria sair, isso era evidente e o próprio já o disse. Depois da não fazer nenhuma venda relevante no início da época e da não continuação na Liga dos Campeões, o Benfica precisava de receitas, ou seja de vender alguma das suas "pérolas".

Matic podia ter rendido mais mas não se pode esquecer que ele chegou ao Benfica oriundo do Chelsea incluído no negócio de David Luiz. Nessa altura recebemos 25 milhões de euros mais Matic. Agora recebemos mais 25 milhões. Acho que não nos podemos com seriedade queixar muito deste negócio porque na prática um jogador (David Luiz) que fomos buscar quase a custo zero com 17 anos rendeu-nos 50 milhões de euros mais um "empréstimo" de Matic por dois anos e meio. E por favor não me venham dizer que estou a defender Luis Filipe Vieira por isto ou por aquilo porque já o critiquei no passado e voltarei a criticar no futuro se achar que ele o merece. Sou absolutamente independente de qualquer poder ou grupo dentro do Benfica e digo exactamente o que penso depois de tentar analisar as coisas o melhor que consigo.

Aquilo que é importante agora é gerir bem a saída de Matic e de preferência não vender mais ninguém. A saída de Rodrigo em particular seria a meu ver desastrosa, pois Cardozo poderá não voltar a jogar na presente época e Lima não está num grande momento sobretudo na finalização, que é o mais importante. 

Quanto à questão das declarações de Jorge Jesus sobre substituir Matic através da formação, claro que não foram felizes, como logo se percebeu. No entanto o próprio veio rectificar o que dissera e afirmar que não desejara ofender ou diminuir a formação do Benfica. Por outro lado, os míudos, na sua reacção a quente demonstraram o seu amor pelo Benfica ao afirmarem que jogar no seu clube é o sonho que alimentam e do qual não abdicarão. Não há pois razão para - os próprios benfiquistas - empolar este caso.

Quanto ao resto são questões perfeitamente secundárias e folclóricas que não devem de modo nenhum preocupar os benfiquistas. Não vale a pena andar com tanto excitamento à flor da pele. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Altura certa para lançar Ivan

Ivan Cavaleiro está a mostrar ter não apenas qualidade mas mentalidade competitiva para ser jogador do Benfica.
Se há coisa que podemos aprender com o Sporting é que a aposta em jogadores jovens portugueses da formação dá resultados.
Com a lesão de Sálvio abriu-se um espaço na direita do ataque que permite a meu ver que se deem oportunidades a jogadores como Ivan. É um jogador trabalhador, com recursos técnicos, com espírito colectivo e sentido de baliza.
Jorge Jesus precisa de dar sangue novo a uma equipa que parece amorfa, apática. Cavaleiro é o tipo de jogador que, como se costuma dizer, mexe com o jogo. É jovem, é fisicamente bem dotado, tem recursos técnicos e irreverência.
O jogo da Taça é uma excelente oportunidade para o lançar.
De igual modo gostaria de ver Steven Vitória em acção. Luisão não vai para novo e o luso-canadiano precisa de começar a ter minutos na equipa principal para um dia se poder impor.
O Benfica precisa de ter uma identidade mais definida para poder ter um modelo de jogo minimamente estável e isso não se conseguirá fazer sem uma base de jogadores portugueses. A chegada de André Almeida à seleção é uma boa notícia, importando capitalizar este momento.
Quem conhece melhor os escalões jovens do Benfica afirma que para além de Ivan e de João Cancelo, existem outros jovens com capacidade de afirmação ao mais alto nível.
Está na hora de JJ assumir a aposta que o clube diz estar a fazer na formação. Aproveite a qualidade que lhe é oferecida pela equipa B e aposte nestes jogadores. Há alguma razão para o não fazer? Estamos à espera de quê? Temos medo de quê?
Não está a aposta o Sporting nos seus jovens a dar bons resultados? Não é Josué titular do Porto, tendo já chegado à seleção?
Pela minha parte estou seguro: esta fornada de jovens não deixará ficar mal o Benfica. Assim lhes sejam dadas as oportunidades que eles merecem e o espaço de crescimento de que precisam.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A formação do Benfica - II

A contratação de Sílvio, que saúdo, é paradigmática. O jogador foi formado no Benfica e chega ao nosso clube por empréstimo do... Atlético de Madrid.
A contratação parece-me boa pois trata-se um jogador com qualidade, rotinado no lugar e português. Permite uma alternativa a Maxi diferente de André Almeida: Sílvio tem mais rotação, mais cultura daquela posição e mais velocidade. Sílvio pode ainda jogar na esquerda.

A situação de Sílvio é um pouco o retrato da formação do Benfica: formam-se alguns jogadoers com qualidade mas aposta-se pouco neles, sendo-lhes dadas poucas oportunidades. Muitos se perdem assim em clubes de dimensão menor, sem terem tido oportunidade de evoluir como poderiam no seio do Benfica, com condições, jogadores e treinadores melhores do que os que vão encontrar naqueles clubes. Não foi o caso de Sílvio mas a verdade é que o passe do jogador também já não nos pertence.

Repare-se: nem todos podem ser Aimar, Messi, Coentrão ou Matic. A maioria dos jogadores são médios em termos de qualidade, assumindo depois a dedicação, a postura competitiva, os treinadores com quem trabalham, a fortuna ou felicidade que têm na sua carreira um papel decisivo para determinar como esta mesma carreira evolui. 

Trata-se pois de uma questão de aposta dos responsáveis, de confiança dos treinadores, de paciência com os jogadores.

Mourinho no Porto ou no Chelsea contou com jogadores de qualidade excepcional mas também com muitos jogadores medianos ou médios para conseguir atingir as impressionantes conquistas que marcam o seu percurso. Olhe-se para os casos de Nuno Valente, Hilário, Derlei e Postiga. Olhe-se mesmo para Paulo Ferreira, um jogador que conquistou inúmeros títulos de campeão nacionais e internacionais e que não era propriamente um predestinado. Era um jogador competente, dedicado e com boa condição física, apenas isso. Simplesmente teve um Mourinho que apostou nele, lhe deu confiança e o ensinou a ser melhor. 

É isto que o Benfica deve saber fazer. Aproveitar o melhor de cada jogador. "Coentrões", "Di Marias", Ramirez ou "Davids Luises" são a excepção. Jogadores como Sílvio são pelo contrário o jogador médio do futebol europeu, ou da metade superior, em termos de patamar competitivo, do futebol europeu.

Se percebermos isto, se soubermos ser pacientes e apostar nos nossos valores, desde João Cancelo a André Gomes, passando por André Almeida, Miguel Rosa e Ivan Cavaleiro, poderemos tirar muito mais partido da nossa formação. Detectar talentos jovens no estrangeiro ou mal aproveitados em grandes clubes é sem dúvida uma solução que temos usado com resultados positivos desde a chegada de Rui Costa e Jorge Jesus. Importa porém apostar na nossa formação para equilibrar mais os nossos plantéis e as nossas finanças. Tal permitirá mais estabilidade nos plantéis (os jovens talentos estrangeiros não ficam muito tempo), mais cultura benfiquista, mais solidez emocional e melhores resultados financeiros. A criação da equipa B foi um excelente passo nesse sentido. Importa agora dar-lhe também estabilidade ao nível da direção técnica e não mudar de protagonistas todos os anos. Saibamos tirar partido desta aposta e potenciar os jogadores da nossa formação. Não tenho dúvidas de que este é o caminho.