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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Mundial 2014 - antevisão dos quartos de final

As previsões que aqui fizemos para os oitavos de final revelaram-se totalmente acertadas. Não falhámos nenhuma mas tivemos a nosso "favor" dois desempates por grandes penalidades.

Não houve nenhuma surpresa nestes oitavos (os grandes favoritos passaram e todos os vencedores dos grupos da primeira fase se mantêm em prova) mas esteve à beira de haver - e bem grande.

O Brasil esteve a centímetros do desastre. Uma bola na barra nos últimos segundos podia ter dado a eliminação prematura da equipa frente a um Chile que se mostrou de uma fibra extraordinária. Os jogadores chilenos, pequenos em estatura mas grandes em coragem, mostraram as melhores características do seu povo.

O Brasil jogou muito mal. Depois de aparentes melhoras contra os Camarões, o Brasil voltou a demonstrar um tremendo nervosismo e a ser incapaz de produzir um futebol fluído e acutilante. Acima de tudo o Brasil, ainda relativamente cedo na segunda parte, deu a ideia de não ter capacidade de ultrapassar as dificuldades, desmontar a teia chilena e resolver o jogo. Salvou-se sobre o gongo; mas e agora?

A Colômbia é, a par da Costa Rica, a grande surpresa do Mundial. James está a demonstrar uma categoria bastante acima do esperado. Embora se soubesse que era um jogador de qualidade, muito bom tecnicamente, não costumava ter um rendimento tão constante e ser tão desequilibrador. A verdade porém é que, apesar de jogar há muitos anos a alto nível, James é ainda bastante jovem. Nesta medida, este está a ser o palco da sua confirmação. A Colômbia já foi longe mas a coisa pode não acabar aqui.

Outra semi-surpresa foi o Alemanha-Argélia. A melhor equipa africana deste Mundial mostrou raça e uma entrega enorme, tornando a tarefa da Alemanha muito difícil. Embora não se esperassem muitas facilidades, a verdade é que a Alemanha era tremendamente favorita para este jogo mas teve que ir a prolongamento para conseguir vencer. 

A Holanda sofreu mas acabou por merecer, embora o penalty que evitou o prolongamento ofereça algumas dúvidas e seja uma forma cruel de eliminar um México que também deu tudo e demonstrou um grande coração. 

A Argentina voltou a não convencer. Contra uma Suíça muito limitada só mesmo um Di Maria infernal e um momento de magia de Messi resolveram um jogo que ameaçava ir para penalties. Para além de incapacidade para marcar muitos golos (apesar da qualidade superlativa dos seus avançados), a Argentina denota algumas inseguranças na defesa para o que o seu guarda-redes também contribui. 

França, Costa Rica (esta apenas nos penalties, mas, deve-se recordar, a jogar em inferioridade numérica) e Bélgica venceram com alguma naturalidade, pois era isso que se esperava (pelo menos nós aqui no blog).

Temos pois, para os quartos de final, os seguintes jogos:

França-Alemanha
Brasil-Colômbia
Argentina-Bélgica
Holanda-Costa Rica.

Nesta fase, as previsões tornam-se ainda mais difíceis. Se fossemos pelo nome e pelo ranking, passariam a Alemanha, o Brasil, a Argentina e a Holanda. Mas poderá não ser assim, passe o truísmo. O estado físico e mental dos jogadores, as vicissitudes do jogo, as decisões dos árbitros e a sorte são tudo factores impossíveis de prever. Quando o equilíbrio é muito grande, como é o caso, estes factores podem fazer a diferença.



Em concreto e partindo do mais previsível para chegar ao mais imprevisível, penso que a Holanda é claramente favorita. A Costa Rica tem sido a surpresa deste mundial, ultrapassou o grupo da morte (esse sim), derrotou a Grécia e chegou aos quartos com todo o mérito. Mas penso que não tem futebol para a Holanda, claramente melhor do que todos os adversários prévios.



No Argentina-Bélgica, o favoritismo da Argentina existe mas pode ser surpreendido. Nomeadamente se a Bélgica conseguir defender bem tem fortes hipóteses de ultrapassar os argentinos, dado que, como atrás refiro, a defesa alvi-celeste (apesar de ter bons jogadores) normalmente dá algum espaço. Isto acontece sobretudo porque falta dinâmica à equipa e ligação entre sectores. A causa disto é um meio campo pouco participativo no jogo com dois jogadores (Gago e Mascherano) que são demasiado parecidos. Enzo faria todo o sentido nesta equipa, mas claramente o treinador não aposta nele. Assim, uma vitória belga neste jogo seria apenas uma meia surpresa.



No Brasil-Colômbia poderá acontecer a meu ver algo de inesperado. O Brasil acusa demasiado a responsabilidade, treme muito, falta-lhe dinâmica e depende demasiado de Neymar e também de Hulk. Ou seja, depende demasiado do que os seus principais desequilibradores consigam fazer. Isto não é bom. Já a Colômbia parece uma equipa mais harmoniosa, também com muito talento mas mais integrado na dinâmica colectiva da equipa. Por isso vou fazer aqui a previsão "arriscada" de que a Colômbia elimina o Brasil. Note-se que faço esta previsão contra aquilo que eu gostaria, que era ver o Brasil campeão do Mundo. Gostava muito, obviamente por ser um povo irmão e "meio português" mas também devido a David Luiz, que é um jogador que muito admiro e até a Neymar cujo futebol me tem fascinado. Penso no entanto que se o Brasil não mudar 180º de registo (e isso é obviamente ainda possível), se não se libertar definitivamente do peso da "obrigação" de ganhar e se não jogar muito, mas mesmo muito melhor do que nas anteriores partidas, terá uma grande desilusão e sairá já do Mundial nos quartos. Baseando-me no que vi até agora é isso que antecipo que possa acontecer.



Finalmente no França-Alemanha penso que é quase impossível prever um desfecho. A Alemanha é favorita pelo estatuto que tem, pelo que vem fazendo nos últimos anos em que a Espanha acabou por ser a equipa que a impediu de chegar mais longe em mais do que uma ocasião. A França pelo contrário vem de um período menos bom, no qual se tem ficado por fases muito preliminares das competições. No início deste Mundial precisamente questionávamo-nos sobre que França apareceria. A resposta até agora é: uma França muito forte, muito competitiva, muito consistente. A Alemanha começou muito forte (contra um Portugal muito macio) mas desde então parece vir a perder gás. Uma vitória da França não me surpreenderia nada portanto. Há um factor adicional que poderá ser importante neste jogo: a França sofreu apenas dois golos até agora, ambos contra a Suíça, num jogo que já estava ganho. Nunca esteve a perder neste Mundial. A Alemanha é o favorito "natural" mas tendendo ao que vi nos últimos jogos atrevo-me a prever que a França possa vencer este jogo.



Destas previsões (que ao contrário das dos oitavos de final apostam nalgumas das equipas menos favoritas) resultariam as seguintes meias finais:

Argentina-Holanda
Colômbia-França.

Veremos pois o que acontece a partir de quinta-feira. Emoção não faltará de certeza.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Categórico!

O Benfica fez um dos melhores jogos da época e venceu de forma absolutamente inquestionável, não tendo dado qualquer hipótese ao adversário. Em poucas ocasiões como hoje as estatísticas contarão tão fielmente a história do jogo: posse de bola, remates à baliza e cantos, foi tudo nosso com um domínio avassalador. 
Pareceu-me desde o início muito arriscado para o Sporting jogar com Montero e Slimani, mas dada o adiamento do jogo o único trunfo dessa opção - o efeito surpresa - acabou também ele por ser anulado, resultando numa opção quase desastrosa. Faltaram mais um ou dois golos para o Sporting sair da Luz goleado e desmantelado.
Como Jorge Jesus assinalou, não é fácil jogar de igual para igual com o Benfica na Luz. O Sporting tentou fazê-lo e obviamente saiu-se (muito) mal.
Tacticamente o Benfica foi quase perfeito.
Confesso que ainda tinha algum receio em relação a Fedja, que ainda não tinha enfrentado nenhum teste verdadeiramente forte, nomeadamente num esquema de apenas dois homens no meio. O substituto de Matic deu porém uma excelente resposta. Gostei muito da sua exibição: recuperou muitas bolas (a primeira delas decisiva para a vitória) em várias zonas do terreno e ainda construiu bem. Sempre simples e com qualidade.
Enzo foi gigante, tal como Gaitan. Luisão foi imperial. Aliás toda a equipa esteve muito bem. Não consigo pensar em nenhuma exibição menos conseguida.
O Benfica teve uma excelente atitude e uma excelente entrada em campo, vencendo a maior parte dos duelos, tal como acontecera contra o Porto.
Foi uma vitória indiscutível, categórica, limpinha. A arbitragem foi impecável. O único reparo que eu faria é que Adrien merecia um amarelo mas o árbitro não o deu porque claramente não viu.
É importante perceber que o campeonato não está ganho. O Benfica é, penso que isso é óbvio, a melhor equipa e tem uma boa vantagem. No entanto no futebol tudo muda muito rapidamente pelo que não podemos baixar a guarda nem entrar em complacências.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vitória segura em ritmo baixo

Quando a nossa equipa entrou em campo para disputar a 17ª jornada do campeonato, alguns adeptos já nem se lembrariam que durante a semana jogámos e vencemos em Paços de Ferreira, quase garantindo a presença no Jamor.

Na partida de ontem o mais importante era ganhar e fazer uma certa gestão do plantel, objectivos que foram alcançados com bastante tranquilidade. Este ano de facto existem duas equipas na frente do campeonato e depois um enorme fosso para todas as outras.

O Benfica ontem não precisou sequer de acelerar muito para garantir uma vitória tranquila e confortável. E recorde-se que não jogaram Melgarejo, Matic (tão fundamental para a manobra do nosso meio campo) e Cardozo (que continua a ser o nosso melhor marcador apesar de não ter jogado os últimos jogos e de não facturado nos que jogou ainda antes da lesão).

Mais do que fatiga, penso que ontem existiu uma gestão prudente e inteligente de esforço. Importava marcar cedo para evitar qualquer ansiedade ou necessidade de acelerar muito na segunda parte. Isso foi conseguido. Importava depois ganhar uma vantagem mais confortável para poder gerir o jogo. Isso também foi conseguido logo no início da 2ª parte. Depois veio a natural gestão porque a época é longa e tem muitos jogos, sobretudo considerando que estamos em 4 competições, com boas perspectivas de ganhar 3 delas. Além disso, o Setúbal continuou muito fechado no seu meio campo, sem fazer grande esforço para ir atrás do resultado e fazer as despesas do jogo, pelo que não faria grande sentido ser o Benfica a fazê-lo quando já ganhava por 3-0.

Do jogo de ontem gostaria de destacar as excelentes exibições de Garay e Luisão. Que enorme autoridade e classe demonstraram ontem os nossos centrais. Destaque para a jogada do 2 a 0. Um passe tenso de Garay a levar a bola para a meia direita, Luisão a avançar até ao meio campo e depois a lançar Lima para o golo. Simplicidade e qualidade.

No meio campo, Enzo fez um dos seus melhores jogos desde que chegou ao Benfica: um golão, muito boas jogadas e muito trabalho compensaram alguma insegurança, normal e compreensível, de André Gomes, até pela chamada à selecção e à rápida afirmação como um jovem valor do nosso futebol.

Por fim os nossos atacantes voltaram a estar em grande plano, dando-me uma grande satisfação o regresso de Rodrigo aos golos, em mais uma boa jogada e excelente combinação dos dois pontas de lança.

Esta semana o Benfica "descansa", se não jogar a meio da semana pode ser assim chamado - e provavelmente não pode pois a maioria até joga mas ao serviço das selecções. O regresso ao Campeonato será na Madeira para jogar contra o Nacional. A partir daí começará novo ciclo competitivo de grande intensidade, com a entrada em cena da Liga Europa e o regresso dos dois jogos por semana.

Até por isso foi acertada a abordagem ao jogo, menos fulgurante e desgastante do que é normal no Benfica. Foi o que se pedia.

Uma última palavra para a presença de sócios e adeptos, que merece elogios. Quase 40.000 numa noite fria de Domingo contra um adversário fraco e já se sabendo que não nos isolaríamos na frente nesta jornada, é um número excelente que dificilmente algum outro clube em Portugal poderia alcançar.

Penso que é uma boa indicação e prenúncio para o que se deseja daqui para a frente na época: uma presença cada vez mais massiça de sócios e adeptos nos jogos, se possível deixando a Luz à beira da enchente cada fim de semana. Como disse no passado, a equipa merece.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sacrifício

Boa vitória, sofrida mas saborosa num campo muito difícil (a relva em si), contra um adversário muito organizado e sempre intencional quando tinha a bola.
O Benfica fez um bom jogo, concretizando uma de algumas oportunidades que criou, algo que não era fácil em virtude do pouco espaço dado pelo Rio-Ave, muito bem fechado atrás. No fim, o Rio Ave cresceu muito e passamos por aflições. Valeu muita entrega e capacidade de sacrifício - temos equipa.
Porque - é importante não esquecer! - não tínhamos Maxi, não tínhamos Luisão, não tínhamos Aimar nem Carlos Martins, Perez saiu lesionado e vários jogadores estavam diminuidos fisicamente em virtude de um exigente e decisivo jogo quarta-feira para a Liga dos Campeões. E isto num ano em que de uma assentada perdemos Witsel e Javi (e espero não voltar a falar dissto porque efectivamente já é passado e há que olhar para a frente).
Dito ponderado e lembrando que o Porto empatou em Vila do Conde apenas nos últimos minutos, depois de ter estado grande parte do segundo tempo a perder, a vitória de ontem merece ser valorizada.

Veredictos da Justiça:

Melhores em Campo

Ouro: Artur - 18 valores. Já de alguns jogos para cá que vem sendo decisivo. Ontem fez uma defesa impossível já no dim dos descontos. A bola estava fora? Provavelmente. Isso mesmo terá sido decidido pelo fiscal. Mas o que se diria durante dias, semanas mesmo se a bola tivesse entrado? Quanto tentariam os nossos inimigos fazer daquele lance o exemplo acabado dos "benefícios" concedidos pela arbitragem ao Benfica? Artur foi enorme nesse lance mas esteve muito bem, muito seguro em todo o jogo e merece totalmente a distinção.

Prata: Matic - 17 valores. Também na calha para o ouro há vários jogos, lá chegará em breve. Hoje fica pela prata, com a distinção de ter sido o melhor benfiquista dos que jogam com os pés. Foi uma presença impressionante em quase todas as áreas do campo. Cortou, tapou, cobriu, fez jogar. Matic tem subido de jogo para jogo e tem sido de uma dedicação e abnegação extraordinárias.

Bronze: Lima - 16 valores. Mais um golo decisivo, mais um jogo de enorme trabalho, com muitos recuos para fazer equilíbrios no nosso meio campo e derivas para as faixas para criar desequilíbrios ao adversário. Joga para a equipa, procura sempre Cardozo e ontem voltou a ser feliz, como merece.

Outros destaques

Jardel e Garay - ambos a um nível elevado (15 valores) contribuíram e de que maneira para que não sofressemos nenhum golo.

Ola John - 15 valores. Belas jogadas, muita inteligência e criatividade na frente, um remate fantástico a ser salvo pelo guarda-redes adversário.

Cardozo - 14 valores. Esteve também à beira de marcar tendo sido impedido pelo poste. Hesitou uma ou outra vez na segunda parte mas esteve sempre mexido e perigoso.

O Treinador

Jorge Jesus merece 15 valores. Esteve bem ao montar a equipa e ao colmatar a ausência de Maxi, excelente ao elaborar os posicionamentos e dinâmica dos jogadores, sobretudo Matic e também os laterais. Bem ao tirar Sálvio que há vários jogos vem perdendo gás. Menos bem a insistir em Gaitan pela direita e John pela esquerda (embora nalgumas situações ambos tenham coincidido no flanco esquerdo).

O árbitro

Boa arbitragem, a deixar jogar e a manter um critério uniforme. 14 valores. Já percebi que se fala de um "pisão" de Enzo a um jogador do Rio Ave que alegadamente mereceria um vermelho. É uma novidade da nossa imprensa que nos últimos jogos da Champions, em que curiosamente houve vários pisões, incluindo com Barcelona e Spartak, nunca ali viu maldade nem razão para nenhuns cartões nem amarelos que fosse. Mas é o costume. Como Artur defendeu aquela bola há que arranjar algum "caso" para falar.

Adenda: já vi o lance do "pisão" de Enzo. Um lance casual e perfeitamente normal. É de facto vergonhoso o comportamento parcial, tendencioso e mal intencionado de grande parte parte da nossa imprensa.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Benfica-Spartak - notas dos jogadores

São estes os veredictos da Justiça Benfiquista em relação ao jogo de ontem:


Pódio dos melhores em campo

Ouro: Cardozo (17 valores em 20). Mudou completamente o jogo, marcando dois golos, expulsando um jogador e conquistando um penalty e criando ainda, com as suas movimentações e a sua presença, várias oportunidades (sim, as oportunidades criam-se, não "basta estar lá").

Prata: Artur (16 valores). Seguro, fez duas defesas enormes a não deixar o Spartak marcar em situações em que os jogadores apareceram isolados à sua frente. Foram momentos decisivos do jogo, pelo que o seu contributo para a vitória é muito grande.

Bronze: Ola John (15 valores). Começa a mostrar porque o Benfica tanto fez para o contratar. Rápido, incisivo, com tremenda capacidade no um-para-um, a conseguir várias situações de ida à linha e cruzamento. Critério no último passe.


Outros destaques

Garay: Também uma excelente exibição, a dar uma enorme segurança e qualidade defensiva à equipa. Destaca-se um corte no fim da primeira parte e a situação em que foi agarrado e puxado e deveria ter dado penalty a favor do Benfica. 15

Melgarejo: Muito boa exibição, com diversas subidas ao ataque e combinações muito boas com John. Saúda-se o ótimo regresso à equipa. Teve mesmo uma assistência, para o primeiro golo de Cardozo. 15

André Almeida: lançado às feras, como se costuma dizer, foi sempre aplicado, rigoroso e combativo, num meio campo onde várias vezes estava em inferioridade numérica. Ainda subiu pelo menos uma vez ao ataque numa bela jogada que teve algum perigo. Não se deu muito pela ausência de Matic e não resultou da sua presença em campo nenhum embaraço, o que é dizer muito para um jogador tão jovem e ainda pouco rodado nestas lides. 14

Jardel: esteve também muito seguro e autoritário. Tem sido exemplar na forma como "tapou" a ausência prolongada de Luisão. Um exemplo de dedicação à equipa. 14

Enzo: mostrou a sua qualidade habitual, numa missão de sacrifício, tendo feito um corte importantíssimo a resolver uma situação de contra-ataque do Spartak. Conduz a bola e passa-a à distância como nenhum outro neste momento no Benfica. 14

Bruno César: mostrou alguns apontamentos, sobretudo bons remates, esperando-se que sejam indicativos de melhorias face aos últimos (muito maus) jogos. 13

O treinador

Jorge Jesus merece nota alta: 16 valores. A sua decisão de deixar Cardozo no banco é discutível mas tem que se dar mérito ao treinador por conseguir disfarçar as ausências de: Luisão, Aimar, Carlos Martins, Matic (e a "semi-ausência" de Gaitan, que não andará bem em termos físicos). É notável como, sem poder contar com tantos jogadores importantes para a equipa (e note-se que já nem me refiro aqui às ausências que já são definitivas de Javi e Witsel), consegue ainda assim montar uma equipa não só altamente competitiva mas até muito superior ao Spartak (que, claro, que agora é uma equipa miserável mas há umas semanas, depois de pregar um susto ao Barcelona, era fantástica).

O árbitro

Aqui avalio não apenas o áribitro principal mas a equipa, que merece uma nota negativa: 7 valores.
Num jogo que não foi muito fácil, errou ainda assim demasiado: pelo menos um penalty claro por marcar a favor do Benfica (aos 2 minutos) e um golo mal anulado a Cardozo. É muita coisa, numa partida em que ainda permitiu excessiva agressividade dos russos. Houve pisões, pontapés e cotoveladas que passaram incólumes. São erros a mais para este nível. Só não tem uma nota mais baixa porque no restante (na condução do jogo e na marcação de faltas para um lado ou outro) manteve um critério relativamente uniforme e não denotou uma intenção de inclinar o campo (como tantas vezes acontece em Portugal).

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Exibição segura, melhorias sensíveis.

O Benfica entrou bem no jogo, ao contrário do que aconteceu nos anteriores e isso fez toda a diferença.
Mas entrou mesmo bem, ou seja, entrou com o 11 correcto para este jogo. Já tinha anteriormente defendido que o meio campo deveria ter uma composição mais equilibrada e penso que foi exactamente isso que aconteceu com André Gomes a ajudar Matic e Enzo Perez (que, já o disse muitas vezes, tem cultura futebolística e de equipa) a ajudar os dois nos terrenos mais centrais, libertando Ola John para ir à linha e procurar os desequilíbrios.
Por outro lado, defendo também há bastante tempo que Luisinho exibia alguma segurança e rotina de posição pelo que merecia uma oportunidade. Fiquei portanto satisfeito com o 11 apresentado e, graças à fortuna que também é necessária no futebol, entrámos a ganhar o que deu outra tranquilidade à equipa.
Deve-se igualmente destacar Lima, que voltou a mostrar ser neste momento o jogador mais perigoso do Benfica e ter compreensão pelo momento menos positivo de Cardozo. A qualidade e eficácia de Lima não nos deve levar a desvalorizar Cardozo mas sim a sentirmo-nos felizes por termos mais opções e mais qualidade no ataque.
Considero por fim que a arbitragem foi isenta, que é o que se pede. Erros acontecem sempre, o que é importante é que não se detecte uma vontade da arbitragem em penalizar uma equipa em benefício de outra, o que é denunciado por se "errar" ou decidir sempre no mesmo sentido. Entre a arbitragem de Vasco Santos no sábado e as de Xistras, Capelas e Benquerenças nos passados compromissos do Benfica houve portanto uma diferença abissal, que se regista e aprecia. O futebol deve ser limpo porque assim é que é bonito.
Quanto ao Porto também nada a dizer da sua vitória, que conquistou com a qualidade e segurança que vem exibindo nos últimos jogos. Martinez parece ser mesmo craque, o que obviamente não é bom para nós mas deve ser encarado com naturalidade. Felizmente temos também Lima, Rodrigo e Cardozo, que entre si totalizam 12 golos contra os 6 de Jackson. Se o Benfica for fazendo o que deve - e se Jesus souber, como soube sábado, perceber do que equipa precisa para ser forte e equilibrada - temos todas as hipóteses de lutar pelo campeonato até ao fim e, se formos inteligentes e felizes, conquistá-lo. Em três deslocações difícieis (Paços, Setúbal e Barcelos) fizemos 9 pontos, o que é muito positivo.
Em termos de campeonato só contra o Beira-Mar o Benfica jogou francamente mal, ao passo que contra o Braga faltou alguma serenidade (sobretudo em virtude da impreparação, naquele momento, de Melgarejo para o lugar) e contra a Académica foi o árbitro o responsável pela nossa perda de pontos.
Em perspectiva portanto uma boa época para consumo interno, agora que se verifica que André Gomes pode ser solução para um meio-campo que tanto tem sofrido com as saídas e com as ausências constantes de Carlos Martins e Aimar. E há que recordar que Luisão estará de regresso dentro de três semanas.
Fica apenas a faltar contratar um trinco em Dezembro.

sábado, 29 de setembro de 2012

3 pontos, coisas boas e coisas a melhorar

O Benfica ganhou a um adversário bem organizado, que jogou bem e tentou pontuar mas, ao contrário de outros, não encarou este jogo como de vida ou de morte.
Já tenho referido este ponto: há equipas que jogam com o Benfica como se a sua vida dependesse do resultado desse jogo. Nalguns campos chegam a desaparecer os apanha-bolas e a aparecer vice-presidentes a tentar dar cabeçadas aos nossos jogadores. Muito diferente é, por regra, a forma como jogam com o Porto. São jogos monótonos, em que todos parecem mais ou menos tranquilos. Admito que o Benfica seja mais motivador mas isso não explicará tudo.

Voltando a Paços, o Benfica voltou a sofrer um golo na primeira oportunidade do adversário e teve que fazer a recuperação. Mais uma vez criámos oportunidades mais do que suficientes para vencer tranquilamente e desperdiçámo-las, acabando o jogo a sofrer e a dever a Artur uma defesa do outro mundo para garantir a vitória.

Talvez se trate apenas de azar, que por vezes persegue as equipas e de que o Benfica tem padecido. Mais uma vez os ferros protegeram os adversários. Mas há que ter mais objectidade em frente à baliza.

Nesse aspecto, há que dar a Lima total mérito pelos 2 golos. Foi rápido, acutilante e teve sempre o sentido de baliza. Foi oportuno e rápido duas vezes e podia ter marcado noutras duas. Uma excelente aquisição para a nossa equipa.

Mais uma vez gostei muito de Enzo. É mesmo jogador, sabe mesmo tratar a bola (o que se viu aliás em grande medida logo na primeira vez que actou pelo Benfica) e equilibrar a nossa posse. Tem capacidade de conduzir o jogo e de fazer equilíbrios no meio campo. Ontem mais uma vez mostrou que pode jogar naquela posição e jogou ainda noutras.

Muito bem também Sálvio, que sabe jogar no um para um, transportar a bola e criar múltiplas jogadas de perigo. Muita qualidade e muito pulmão.

Também a nossa defesa, particularmente os centrais, voltou a estar muito bem. Jardel está em óptima forma e a entrosar-se bem. O seu tamanho não o impede de ser rápido e ágil. Garay está um "patrão", não se coibindo de subir no campo como fazia David Luiz.

Nolito não está no seu melhor momento mas em contrapartida Gáitan está cada vez melhor. Rápido e sempre perigoso. Só lhe falta abandonar de vez certos preciosismos e bonitos que levam a perdas de bola (e de oportunidades) totalmente dispensáveis.

Boa entrada de Carlos Martins também.

Naquilo que o Benfica tem de melhorar a sério é na capacidade de concretizar as oportunidades e na não ceoncessão de faltas no último terço do terreno - especialmente nos últimos segundos do jogo! Foi uma aflição, sobretudo o lance em que a bola cai mesmo no centro da área e Artur faz-se gigante defendendo o que parecia um golo certo. São bolas que mesmo para os defesas são extremamente difícieis de tirar até porque um corte mal medido pode dar um golo na própria baliza.

Trouxemos os três pontos, que era o mais importante e a equipa mostrou-se concentrada. Mas de futuro espera-se melhor - e estou certo de que isso acontecerá.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Enzo Peres e o meio campo do Benfica

Face à saída de última hora de Witsel o Benfica ficou com um problema no meio campo.

Como todos se recordam, no primeiro ano de Jesus no Benfica, Javi Garcia assumia sozinho o lugar mais recuado do meio campo (à frente tinha Aimar) mas a versatilidade e a tremenda capacidade física de Ramirez davam à equipa um equilíbrio defensivo que se perdeu no ano seguinte. Foi o tal ano catastrófico em que a equipa parecia bipolar. Apanhado em contrapé, o Benfica expunha-se tremendamente - e consequentemente sofremos um número anormal de golos nessa época, perdendo ingloriamente vários troféus (nomeadamente não estando, pelo menos, nas finais da Liga Europa e da Taça de Portugal).

Na terceira época de Jesus, foi contratado Witsel. Inicialmente pensando-se tratar-se de um substituto para Aimar (que foi nalguma medida), Witsel veio sobretudo dar outro desenho ao nosso meio campo. Jogava tanto ao lado como à frente de Javi, permitindo outros equilíbrios, outra gestão da posse de bola e outra segurança defensiva.

Este ano perdemos Witsel (e Javi) pelo que a forma de jogar terá que ser outra.

Nesta medida, há soluções que se podem utilizar para jogar à frente de Matic. Desde logo Carlos Martins: quando em boa forma física penso que poderá ser titular muitas vezes. Mas também há Bruno César, que pode jogar no meio, com características diferentes de Aimar. E, além deste último (que jogará sobretudo num esquema de apoio a um único ponta de lança ou como 10, sozinho à frente de Matic, em jogos "fáceis" em casa), há ainda Enzo Peres.

O jogo de ontem de Enzo agradou-me, tal como já tinha gostado da sua exibição em Setúbal, numa posição diferente, na ala mas derivando também para o meio, onde se sente muito bem.

Enzo tem características diferentes dos nossos restantes jogadores pois gosta de ter a bola, que trata muito bem. É um futebolista maduro, que tem noção o que fazer à bola, no que recorda Witsel. Não tem a mesma capacidade defensiva deste último mas tem uma maior intencionalidade atacante. Enzo tem ainda polivalência, pois além da ala e da posição 8, como agora se diz, pode ainda jogar mais à frente, como 10, na posição de Aimar. Conheço aliás quem defenda que esse será o seu lugar mais natural no futuro.

A sua boa exibição no exigente jogo de ontem, de que o momento alto foi o passe soberbo a isolar Rodrigo, é mais um aspecto positivo que retiro do jogo de ontem.