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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Benfica - o melhor futebol de ataque

A exibição de sábado do Benfica entra diretamente para os livros do melhor futebol de ataque. Deve figurar nos compêndios de jogar bonito e bem, ou seja de um tipo de jogo que não apenas é vistoso mas também eficaz. 

Sinceramente não sei se alguma vez vi um início de um jogo de futebol tão bem conseguido - não apenas por parte do Benfica. Durante 20 minutos a Académica pura e simplesmente não conseguia ter a bola em seu poder, ao passo que o Benfica fazia jogada atrás de jogada de golo eminente, quase sempre de grande recorte técnico e belo efeito. 

Os jogadores do Benfica estiveram intratáveis, o domínio foi avassalador, a exibição do melhor a nível mundial.

Desta vez nem sequer se pode tentar tirar o mérito ao Benfica "culpando" o adversário pela sua falta de qualidade pois a Académica vinha jogando bom futebol e a conseguir resultados interessantes- e desejo que assim continue já na próxima jornada. Nem se pode acenar com fantasmas de arbitragens.

Desta vez o mérito é todo do Benfica.

Claro que ainda não ganhamos ainda. Mas que ficamos mais perto também não há dúvidas. E um futebol destes, que dá gosto ver, merece ser elogiado. Neste momento não vejo nenhuma equipa europeia jogar um futebol tão bonito como o do Benfica.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O próximo jogo é em Moreira de Cónegos

Benfica-3 Setúbal-0


O Benfica, ganhou, como se pedia, e cumpriu a sua "obrigação" da jornada. A vitória é normal e esperada tendo a equipa tido alguns momentos bastante interessantes. Pizzi (de acordo com Jorge Jesus, o "jogador de andebol", por só atacar) e Lima foram talvez as exibições mais "coloridas" do Benfica. Jardel voltou a facturar mas desta vez teve uma falha que podia ter sido comprometedora. Na sequência do lance há uma queda muito duvidosa do jogador do Setúbal na área do Benfica. Se fosse ao contrário, todos os comentadores "anti" diriam que foi o avançado que bateu na perna do defesa e portanto não havia falta. Para além disso refeririam que no início do lance o jogador setubalense estava fora de jogo e portanto a jogada devia ter sido imediatamente invalidada. Assim todos acharam que se trata de um penalty descarado. Admito que o árbitro poderia ter marcado falta pois, na passada, Jardel acaba por colocar a sua perna à frente do avançado setubalense. Depois ainda houve um outro lance no qual, aí sim, o Benfica é claramente beneficiado por uma decisão errada da arbitragem: Ola John empurra o seu adversário com o braço e depois faz um excelente cruzamento para Lima marcar o segundo. Claro que isto foi o suficiente para se passarem 45 minutos a escalpelizar os lances (sobretudo na inominável TVI24) e se pretender concluir que o Benfica é beneficiado de forma "sistemática". Na realidade, a vitória não merece qualquer contestação e dá-me ideia que se o Benfica quisesse acelerar poderia ter marcado mais alguns golos. Mas claro que aquela "narrativa" interessa para desvalorizar as nossas vitórias e relativizar a nossa distância pontual, sugerindo que ela se deve aos árbitros. Há que desmoralizar o Benfica e continuar a moralizar o Porto, que, esse sim, precisa de o ser sob pena de ficar a uma distância irrecuperável. Por isso é que o Sporting era o melhor até jogar com o Benfica, fazia tudo bem feito, era o maior e de repente se esvaziou o balão e terá que lutar contra o Braga pela vaga na Champions. Também o Setúbal era óptimo, não perdia desde Bruno Ribeiro e agora passou a ser uma equipa normalíssima que afinal nem sequer tinha argumentos para incomodar o Benfica. Agora é o Moreirense que é uma excelente equipa, que pratica um excelente futebol, que é muito forte em casa, etc, etc. As "narrativas" são muito óbvias, mas nós não podemos deixarmo-nos afectar por elas. 

Na realidade, o próximo adversário é sempre o mais difícil e o mais importante. Nisso até devemos agradecer àqueles que tanto se "preocupam" com os nossos jogos e os nossos adversários. E o Moreirense é efetivamente uma boa equipa. Agora o Benfica é evidentemente muito superior e terá que conseguir impor essa superioridade em campo para vencer o jogo como se espera e necessita. Claro que é sempre possível ocorrerem jogos como Paços mas uma boa equipa (como temos vindo a mostrar que somos) limita esses jogos ao mínimo num ano. Agora que se tenha bem presente: a concentração e o empenho terão que ser máximos, não apenas nesse jogo mas em todos até ao fim. Todos os jogos serão difíceis daqui para a frente. Se os formos vencendo porém - e neste momento já não temos mais nenhuma competição a distrair a atenção e o foco competitivo da equipa do campeonato - é bem provável que possamos alargar a nossa vantagem e ficar bem mais próximo dos nossos objectivos. 

O folclore


O nível - execrável - do presidente do Sporting não merece muito mais comentários. Estamos perante alguém que mais cedo ou mais tarde se vai espalhar ao comprido tal a sua falta de sentido da realidade - e da verdade. A ideia de que se tratava de um novo Vale e Azevedo foi talvez mais acertada do que inicialmente parecia. 

Luis Filipe Vieira pelo contrário interveio muito bem: condenou inequivocamente a faixa do pavilhão, referiu que havia uma investigação interna, mostrou respeito institucional pelo Sporting e disponibilidade para lutar em conjunto pelo combate à violência no desporto. Mais, mostrou-se realista e sério para lá de qualquer simplismo ao recusar a ideia de que de um lado só havia bons e do outro maus, fugindo ao habitual discurso demagógico futebolês do nós contra eles. Não deixou porém de, como aqui aliás fizemos também em devido tempo, de referir o incêndio do estádio da Luz que o Sporting continua sem condenar. Foi um discurso esclarecedor e de um grande sentido de responsabilidade. O presidente do Sporting, como um garoto de escola sem argumentos, respondeu com insultos e estórias anedóticas que até motoristas metem. Um pé de chinelo. 

A maioria dos nossos comentadores é porém tão incapaz, tão ignorante e tão pouco inteligente que, não conseguindo distinguir o trigo do joio, conseguiu ver nos comportamentos institucionais do Benfica e do Sporting algo de equivalente e colocar tudo no mesmo saco. Coitadinhos eles não dão para mais. Não vão além das mais ocas frases feitas, da repetição do que se diz por norma nestas alturas sem qualquer capacidade analítica ou crítica - sem sequer olhar aos mais elementares factos. São no fundo o reflexo da pobreza e pequenez nacional.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Jardel - o grito do guerreiro

Jardel foi um durante algum tempo o patinho feio da defesa do Benfica. Com duplas como Luisão e David Luiz ou Luisão e Garay nos últimos anos, é natural que Jardel parecesse um jogador tosco e limitado. Mas a verdade é que Jorge Jesus sempre acreditou no jogador e o brasileiro tem uma atitude e uma mentalidade que o têm feito evoluir imenso e o colocam num patamar altíssimo: dá tudo, é corajoso, é leal e sente a camisola.

Ontem teve um dos seus momentos maiores no Benfica, marcando quando já praticamente só eles, os jogadores, acreditavam que ainda era possível. Foi mesmo na raça. Pela sua humildade e dedicação, poucos mereciam o golo como Jardel, especialmente da forma dramática como surgiu, nos últimos segundos do jogo. Depois de um jogo irrepreensível, o central fez um golaço à ponta de lança. Jardel mostrou que está presente e eu espero que este golo lhe dê ainda mais confiança para o que resta da época. A ele e a toda a equipa. Este campeonato está a ser uma guerra, uma guerra aberta e sem quartel não apenas por parte dos nossos rivais mas da esmagadora maioria da imprensa contra o Benfica. Isto é factual como demonstrarei no post seguinte. Para vencermos precisaremos mais do que nunca de união e de espírito. Como o que ontem demonstrámos. A raça e a alegria de Jardel no golo e o abraço da equipa a Artur no fim do jogo ficam como símbolos deste jogo e dessa atitude que nos distingue.

Era difícil fazer melhor

Não estava particularmente optimista para este jogo. O Benfica partiu para ele com problemas em todos os sectores: na defesa estava fragilizado pela lesão de Júlio César na jornada anterior ao derby, no meio campo há alguns jogos que o decréscimo de rendimento de Talisca tornara claro que nos faltava solidez no sector, no ataque a lesão de Gaitan e a atroz forma em que Sálvio se encontra desde o jogo de Paços tornavam-nos uma equipa com poucas soluções. Por outro lado, como aqui atempadamente referi, o Sporting é uma equipa muito à imagem do seu treinador, muito competente, muito objectiva e  muito determinada. Para além disso, a realidade é que neste momento tem mais soluções do que o Benfica, exceptuando a defesa. Basta dizer que o Sporting apresentou Nani e Carrillo nos corredores, tendo Capel no banco e ainda Mané que também pode jogar por ali. O Benfica que nos últimos anos teve um a abundância enorme de extremos teve que jogar em Alvalade com Ola John que sinceramente me parece muito fraquinho e sem nenhuma solução alternativa no banco. Acabou por entrar Talisca que mostrou que pode jogar por ali mas claramente não é um extremo. Aliás o banco do Benfica para além do baiano tinha apenas Derley em termos de opções ofensivas (Gonçalo Guedes é um jovem da formação que tem qualidade mas que ainda não é para estas andanças), o que é muito pouco.
 
Face a isto, Jorge Jesus, que este ano está a esticar a equipa até onde é possível, adoptou a estratégia mais adequada às realidades. O jogo foi muito fraquinho, é verdade, mas não é possível fazer muito mais. A realidade é que do outro lado estava uma equipa com mais soluções no meio campo e também no ataque, sobretudo nos flancos. Isto claro, contando apenas com os que podiam jogar. Se Gaitan estivesse em condições, a história seria outra. Mas não podendo contar com o mágico argentino, entregar as tarefas de ataque a um insipiente Ola John e um desinspirado Sálvio, que insiste no individualismo, não dava muitas garantias. Jesus privilegiou assim a segurança defensiva e colocou - muito bem a meu ver - André Almeida ao meio, no lugar de Talisca, recuando Jonas para fazer a ligação entre o meio campo e o ataque. Jogar com Talisca e Samaris contra o meio campo de 3 do Sporting seria a meu ver suicida. Já na véspera do jogo eu comentava com um amigo que estava quase seguro de que André Almeida seria titular. Jogou bem e limitou imenso o jogo do Sporting. Maxi foi gigante (como é hábito, fazendo calar aqueles que insistem em criticar um dos melhores profissionais que jamais envergou a camisola do Benfica) e Eliseu não comprometeu, como eu estava seguro de que não faria. O lance em Paços foi um acidente que acontece a qualquer um.
 
O jogo parecia encaminhar-se para o empate a zero com um Benfica pouco perigoso no ataque e o Sporting também a não conseguir estabelecer períodos de pressão contínua nem conseguir criar oportunidades flagrantes. Diga-se aliás que o árbitro anulou uma das jogadas mais perigosas do jogo, um lance em que Jonas tinha a bola dominada dentro da área do Sporting, sem que ninguém tenha percebido porquê e sem que a realização tivesse dado uma única repetição do lance. Aliás para arrumar já este assunto, sublinho que Jorge Sousa, como aliás já é habitual, fez um jogo com poucos erros técnicos (aí pode-se dizer que esteve relativamente bem, ficando porém essa grande dúvida no lance de Jonas) mas com um critério disciplinar no mínimo discutível. Realmente os amarelos dados a Eliseu e Maxi são completamente injustificados, ao passo que Adrien (como também já é hábito) escapou ao cartão apesar das fortes pancadas que deu.

O empate que parecia inevitável foi desfeito aos 87 minutos, num lance que resulta de um ressalto primeiro e de uma recarga depois de uma boa defesa de Artur. A célebre frase feita de que quem joga para o empate acaba por perder parecia ir-se confirmar. O Benfica apelou porém às suas últimas forças e conseguiu na determinação e na raça aquilo que não conseguira na qualidade técnica. Num estádio em delírio perante a possibilidade de vencer o Benfica muitos anos depois, contra uma equipa altamente moralizada por uma sequência grande de vitórias para o campeonato, a crença e o esforço dos nossos jogadores depois de sofrer um golo já nos últimos minutos  para irem "buscar" o empate é algo que merece ser relevado.
 
Foi o possível com as limitações que temos nesta altura face às diversas lesões e momento menos bom de forma de alguns jogadores. O que a equipa mostrou em termos de querer deixa-me antever um desfecho positivo para este campeonato. É importante referir que este era o ano em que o Porto ia cilindrar e em que até o Sporting nos ia ultrapassar. Com lesões de Rúben, Sálvio primeiro, Gaitan e Júlio César agora (além da situação de Fedja), a saída de Enzo em dezembro, não sei como seria possível fazer muito melhor. Recorde-se da época passada para esta saíram "apenas" Rodrigo, Cardozo, Markovic, André Gomes, Garay, Siqueira e Oblak. Estamos 4 pontos à frente do segundo e se conseguirmos restabelecer a confiança que se perdeu um pouco em Paços e recuperar os lesionados, dificilmente perderemos o campeonato.
 
Uma palavra final para Artur. O que lhe fizeram é indecente. Valeu tudo para tentar desestabilizar o nosso guarda-redes. Mais uma campanha infame, a juntar às novelas da renovação de Jorge Jesus, da de Maxi, etc, etc. Tudo tem valido para atacar o Benfica. Mas Artur ontem mostrou a sua classe e a sua personalidade e saiu, como ele disse, com a cabeça erguida. Artur que, recorde-se, defendeu um penalty no jogo de abertura do campeonato na Luz, permitindo que viéssemos a vencer esse jogo por 2-0. Ontem fez um par de excelentes defesas. Foi bonito ver os colegas abraçados. Estes são os valores do Benfica e se formos fiéis a eles estaremos sempre mais perto de vencer. O Benfica é indiscutivelmente não apenas o maior. O Benfica é o melhor clube de Portugal. Ontem, apesar de não termos vencido o jogo como desejávamos e como venceremos certamente em muitas outras ocasiões, mostrámos mais uma vez que somos melhores em pequenas coisas que significam muito.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Benfica-Spartak - notas dos jogadores

São estes os veredictos da Justiça Benfiquista em relação ao jogo de ontem:


Pódio dos melhores em campo

Ouro: Cardozo (17 valores em 20). Mudou completamente o jogo, marcando dois golos, expulsando um jogador e conquistando um penalty e criando ainda, com as suas movimentações e a sua presença, várias oportunidades (sim, as oportunidades criam-se, não "basta estar lá").

Prata: Artur (16 valores). Seguro, fez duas defesas enormes a não deixar o Spartak marcar em situações em que os jogadores apareceram isolados à sua frente. Foram momentos decisivos do jogo, pelo que o seu contributo para a vitória é muito grande.

Bronze: Ola John (15 valores). Começa a mostrar porque o Benfica tanto fez para o contratar. Rápido, incisivo, com tremenda capacidade no um-para-um, a conseguir várias situações de ida à linha e cruzamento. Critério no último passe.


Outros destaques

Garay: Também uma excelente exibição, a dar uma enorme segurança e qualidade defensiva à equipa. Destaca-se um corte no fim da primeira parte e a situação em que foi agarrado e puxado e deveria ter dado penalty a favor do Benfica. 15

Melgarejo: Muito boa exibição, com diversas subidas ao ataque e combinações muito boas com John. Saúda-se o ótimo regresso à equipa. Teve mesmo uma assistência, para o primeiro golo de Cardozo. 15

André Almeida: lançado às feras, como se costuma dizer, foi sempre aplicado, rigoroso e combativo, num meio campo onde várias vezes estava em inferioridade numérica. Ainda subiu pelo menos uma vez ao ataque numa bela jogada que teve algum perigo. Não se deu muito pela ausência de Matic e não resultou da sua presença em campo nenhum embaraço, o que é dizer muito para um jogador tão jovem e ainda pouco rodado nestas lides. 14

Jardel: esteve também muito seguro e autoritário. Tem sido exemplar na forma como "tapou" a ausência prolongada de Luisão. Um exemplo de dedicação à equipa. 14

Enzo: mostrou a sua qualidade habitual, numa missão de sacrifício, tendo feito um corte importantíssimo a resolver uma situação de contra-ataque do Spartak. Conduz a bola e passa-a à distância como nenhum outro neste momento no Benfica. 14

Bruno César: mostrou alguns apontamentos, sobretudo bons remates, esperando-se que sejam indicativos de melhorias face aos últimos (muito maus) jogos. 13

O treinador

Jorge Jesus merece nota alta: 16 valores. A sua decisão de deixar Cardozo no banco é discutível mas tem que se dar mérito ao treinador por conseguir disfarçar as ausências de: Luisão, Aimar, Carlos Martins, Matic (e a "semi-ausência" de Gaitan, que não andará bem em termos físicos). É notável como, sem poder contar com tantos jogadores importantes para a equipa (e note-se que já nem me refiro aqui às ausências que já são definitivas de Javi e Witsel), consegue ainda assim montar uma equipa não só altamente competitiva mas até muito superior ao Spartak (que, claro, que agora é uma equipa miserável mas há umas semanas, depois de pregar um susto ao Barcelona, era fantástica).

O árbitro

Aqui avalio não apenas o áribitro principal mas a equipa, que merece uma nota negativa: 7 valores.
Num jogo que não foi muito fácil, errou ainda assim demasiado: pelo menos um penalty claro por marcar a favor do Benfica (aos 2 minutos) e um golo mal anulado a Cardozo. É muita coisa, numa partida em que ainda permitiu excessiva agressividade dos russos. Houve pisões, pontapés e cotoveladas que passaram incólumes. São erros a mais para este nível. Só não tem uma nota mais baixa porque no restante (na condução do jogo e na marcação de faltas para um lado ou outro) manteve um critério relativamente uniforme e não denotou uma intenção de inclinar o campo (como tantas vezes acontece em Portugal).