Pedro Proença, o árbitro, continua a dar que falar, agora pelo que disse em relação ao Benfica.
Em primeiro lugar, não posso deixar de manifestar estranheza por um mesmo árbitro ser, no mesmo, ano, o escolhido pela UEFA para apitar a final da Liga dos Campeões e a final do Europeu. Seria sempre estranho, qualquer que fosse o nome escolhido. Sendo Proença a coisa assume outras proporções.
Dito isto, nada me move contra Proença. É um facto que ele vem prejudicando o Benfica de forma constante e com consequências desportivas gravosas. Mas não é por isso que lhe desejo mal. Desejo apenas que não volte a apitar o Benfica, porque de facto não tem condições para tal. Além disso, não é o meu tipo de árbitro: todo ele é estilo e pouca substância, não raro falhando nas principais decisões por - creio - se ter em tão alta conta.
Ao regressar do Europeu, Proença falou de alto. O que é estranho.
Proença teve sorte pois o resultado final de 4-0 da final fez com que a sua decisão de não marcar penalty na mão clara de um jogador italiano na sua área não tivesse sido criticada pelos espanhóis. Ora considerando que Proença marcou um penalty sobre Emerson num lance muitíssimo menos aparatoso, em que (ao contrário do jogo da final do Euro) o jogador do Benfica tinha o braço junto ao corpo, não esboçou qualquer movimento do mesmo e a bola não ia para a baliza, tendo-se tratado de um cruzamento sem qualquer perigo, Proença deveria ter humildade e sobretudo não aludir de forma nenhuma ao Benfica. Tendo-o feito, ainda por cima a despropósito, para se vangloriar e fazendo reparos absolutamente inaceitáveis num árbitro, em relação à gestão e resultados do Benfica (nos quais tem a sua dose de responsabilidade por decisões que sistematicamente nos prejudicam), Proença demonstrou, se quaisquer dúvidas existissem, que não tem condições para arbitrar o nosso clube. Mostrou, para além disso, quão vaidoso e egocêntrico é, ao colocar-se em bicos de pés, permitindo-se criticar Governo, Benfica e todos aqueles que não se lançaram aos seus pés à chegada ao aeroporto, como se tivesse feito algo de extraordinário, de suprahumano.
Proença teve o seu momento e ainda bem para ele e de alguma forma para a arbitragem nacional. Talvez esse pudesse ter representado um novo começo para a arbitragem nacional: os seus agentes verificarem que são capazes de ser honestos e imparciais e que isso é bonito e é apreciado por todos os intervenientes no jogo. Ou Proença tem dúvidas de que se tivesse feito arbitragens como em Portugal marcando penalties à "Lisandro", à "Emerson" ou expulsando jogadores arbitrariamente como aqui faz, teria sido criticado por todo o mundo do futebol? Qual então o seu espanto pelos seus "erros" (quando se "erra" sempre para o mesmo lado ou se é zarolho ou não se é sério) serem criticados em Portugal? Em vez de fazer um auto-exame, Proença optou por usar o seu "crédito" para atacar o Benfica. A sua parcialidade ficou patente.
Uma nota final para os seus assistentes. Ao contrário de Proença não acertaram apenas nas decisões fáceis. Pelo contrário tomaram decisões difíceis e corajosas - e em todas elas estiveram certos. Para eles os meus parabéns.
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terça-feira, 10 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Os melhores de Portugal e a necessidade dos grandes terem mais portugueses
Cristiano Ronaldo esteve finalmente em grande e carregou Portugal, com a sua força, qualidade e determinação até ao momento em que saímos do torneio. Depois de um jogo infeliz contra a Dinamarca, compensou em absoluto com grandes exibições contra a Holanda e a República Checa, tendo faltado apenas o golo no minuto 89 contra a Espanha para alcançar a glória e, quem sabe, nos levar ao primeiro título europeu da nossa história.
Pepe e Bruno Alves foram enormes. Bruno Alves, no seu estilo concentrado e agressivo foi imperial nas alturas e Pepe foi um monstro a defender tudo e ainda a conseguir marcar nas balizas adversárias. De Pepe saliento ainda o tremendo espírito. Além de se ter formado como jogador em Portugal, para onde veio muito jovem, a sua mulher é portuguesa, tal como os seus filhos e tal como ele. A forma como sempre canta o hino e sente a camisola da selecção é um exemplo para todos.
Moutinho também esteve muito bem. Incansável a trabalhar, a correr, a roubar bolas, sempre com grande rotatividade e espírito competitivo. Merecia estar nos 23 que a UEFA escolheu. Miguel Veloso esteve também ao melhor nível que alguma vez o vi, dando um enorme equilíbrio ao meio campo português e ainda com qualidade técnica e de passe. Meireles foi igual a si próprio mas denotou muita fatiga e esteve abaixo dos outros centro campistas.
Nani foi intermitente, tendo alternado o excelente com períodos em que pareceu algo desligado do jogo. A sua qualidade é porém tremenda e esteve no melhor da selecção.
Coentrão foi também dos melhores. Incansável, batalhador, a dar dinamica e profundidade ao corredor esquerdo, que por vezes ocupou quase na totalidade. Notável e exemplar.
João Pereira não comprometeu e ainda fez um passe de morte para o primeiro de Ronaldo contra a Holanda. Deu o que tinha e disfarçou quase sempre bem as carências que tem no seu jogo, com excepção de um ou outro lance em que complicou mas felizmente sem consequências de maior.
Patrício esteve em grande nível. Está-se a fazer um grande guarda-redes.
Postiga deu o que tinha e conseguiu um golo decisivo contra a Dinamarca. É esforçado, tem técnica e não pode render mais do que fez, o que ainda assim é insuficiente para uma selecção que ambiciona vencer competições. Quanto a Hugo Almeida, também se esforça e dá o que sabe, infelizmente isso não chega. As limitações de Hugo Almeida foram óbvias e as suas qualidades pouco visíveis. Por fim, Nélson Oliveira apesar de algumas indicações positivas no primeiro jogo, contra a Alemanha, nunca conseguiu "carburar", demonstrando estar ainda muito verde.
Varela foi uma agradável aposta de Paulo Bento, sobretudo com o golo salvador contra a Dinamarca. Tem velocidade e é incisivo e é nesta fase claramente um suplente à altura da selecção. Custódio entrou para dar segurança defensiva ao meio campo e pouco mais. Contra a Espanha infelizmente isso não serviu de nada.
Tive pena de não ter visto Quaresma jogar, mas tenho que aceitar a decisão de Paulo Bento pois a sua intermitência exibicional, causada por uma certa indolência e falta de espírito competitivo, não dão garantias. É pena, porque o talento está todo lá. Espero que ainda vá a tempo de ser útil à selecção pois tenho a convicção que poucos têm a sua qualidade.
Quanto ao treinador, penso que Paulo Bento foi excepcional e é meredor de sinceros parabéns. Praticamente só com 11 jogadores chegou a uma meia final de um Europeu e podia com sorte tê-lo vencido. A atitude sóbria, o rigor e o espírito obreiro que promoveu na selecção permitiram-nos chegar longe e sonhar ainda com mais. Erros que possa eventualmente ter cometido, não ofuscam sequer o mérito excepcional do seu trabalho.
Por fim, creio que é imperativo que as equipas nacionais, a começar pelo Benfica, apostem muito mais em jogadores nacionais. Já tenho insistido muito nesta questão, a propósito da necessidade do Benfica ter uma cultura benfiquista, assente em jogadores nacionais que entendam o que é a mística. A aposta em talentos sul-americanos tem que ser equilibrada com a promoção de espaço para a evolução dos jogadores portugueses.
Se isto não acontecer e Sporting, Braga e Porto seguirem o mesmo caminho, começará a prazo a tornar-se impossível ter jogadores suficientes para formar uma selecção. Há que agir urgentemente!
Quais os jovens portugueses, para além de Nélson Oliveira que vemos na calha para a selecção?
Pepe e Bruno Alves foram enormes. Bruno Alves, no seu estilo concentrado e agressivo foi imperial nas alturas e Pepe foi um monstro a defender tudo e ainda a conseguir marcar nas balizas adversárias. De Pepe saliento ainda o tremendo espírito. Além de se ter formado como jogador em Portugal, para onde veio muito jovem, a sua mulher é portuguesa, tal como os seus filhos e tal como ele. A forma como sempre canta o hino e sente a camisola da selecção é um exemplo para todos.
Moutinho também esteve muito bem. Incansável a trabalhar, a correr, a roubar bolas, sempre com grande rotatividade e espírito competitivo. Merecia estar nos 23 que a UEFA escolheu. Miguel Veloso esteve também ao melhor nível que alguma vez o vi, dando um enorme equilíbrio ao meio campo português e ainda com qualidade técnica e de passe. Meireles foi igual a si próprio mas denotou muita fatiga e esteve abaixo dos outros centro campistas.
Nani foi intermitente, tendo alternado o excelente com períodos em que pareceu algo desligado do jogo. A sua qualidade é porém tremenda e esteve no melhor da selecção.
Coentrão foi também dos melhores. Incansável, batalhador, a dar dinamica e profundidade ao corredor esquerdo, que por vezes ocupou quase na totalidade. Notável e exemplar.
João Pereira não comprometeu e ainda fez um passe de morte para o primeiro de Ronaldo contra a Holanda. Deu o que tinha e disfarçou quase sempre bem as carências que tem no seu jogo, com excepção de um ou outro lance em que complicou mas felizmente sem consequências de maior.
Patrício esteve em grande nível. Está-se a fazer um grande guarda-redes.
Postiga deu o que tinha e conseguiu um golo decisivo contra a Dinamarca. É esforçado, tem técnica e não pode render mais do que fez, o que ainda assim é insuficiente para uma selecção que ambiciona vencer competições. Quanto a Hugo Almeida, também se esforça e dá o que sabe, infelizmente isso não chega. As limitações de Hugo Almeida foram óbvias e as suas qualidades pouco visíveis. Por fim, Nélson Oliveira apesar de algumas indicações positivas no primeiro jogo, contra a Alemanha, nunca conseguiu "carburar", demonstrando estar ainda muito verde.
Varela foi uma agradável aposta de Paulo Bento, sobretudo com o golo salvador contra a Dinamarca. Tem velocidade e é incisivo e é nesta fase claramente um suplente à altura da selecção. Custódio entrou para dar segurança defensiva ao meio campo e pouco mais. Contra a Espanha infelizmente isso não serviu de nada.
Tive pena de não ter visto Quaresma jogar, mas tenho que aceitar a decisão de Paulo Bento pois a sua intermitência exibicional, causada por uma certa indolência e falta de espírito competitivo, não dão garantias. É pena, porque o talento está todo lá. Espero que ainda vá a tempo de ser útil à selecção pois tenho a convicção que poucos têm a sua qualidade.
Quanto ao treinador, penso que Paulo Bento foi excepcional e é meredor de sinceros parabéns. Praticamente só com 11 jogadores chegou a uma meia final de um Europeu e podia com sorte tê-lo vencido. A atitude sóbria, o rigor e o espírito obreiro que promoveu na selecção permitiram-nos chegar longe e sonhar ainda com mais. Erros que possa eventualmente ter cometido, não ofuscam sequer o mérito excepcional do seu trabalho.
Por fim, creio que é imperativo que as equipas nacionais, a começar pelo Benfica, apostem muito mais em jogadores nacionais. Já tenho insistido muito nesta questão, a propósito da necessidade do Benfica ter uma cultura benfiquista, assente em jogadores nacionais que entendam o que é a mística. A aposta em talentos sul-americanos tem que ser equilibrada com a promoção de espaço para a evolução dos jogadores portugueses.
Se isto não acontecer e Sporting, Braga e Porto seguirem o mesmo caminho, começará a prazo a tornar-se impossível ter jogadores suficientes para formar uma selecção. Há que agir urgentemente!
Quais os jovens portugueses, para além de Nélson Oliveira que vemos na calha para a selecção?
terça-feira, 3 de julho de 2012
Euro 2012 - enorme Portugal superou todas as expectativas
Portugal superou em muito as expectativas para este Euro (que não eram muito elevadas), tendo feito um torneio praticamente irrepreensível.
Quando, 4 dias antes do Euro começar, disse que "numa competição como um Europeu na qual se jogam no máximo 6 jogos o factor sorte joga um papel muito importante" estava a antever o que de facto se passou.
No canal norte-americano ESPN, que transmitiu todos os jogos do Euro, foi dito que Portugal era indubitavelmente a melhor nação futebolística a nunca ter ganho um título. Isto apesar de um registo de presenças nos grandes torneios ao nível dos melhores: desde 1996 só não nos qualificámos para o Mundial de 98, graças a uma decisão escandalosa de um árbitro que expulsou Rui Costa no último jogo do apuramento, quando vencíamos a Alemanha por 1-0, resultado que nos qualificava.
Portugal é realmente a maior selecção a não ter ganho nada: Grécia e Dinamarca, selecções medíocres, conseguiram ser campeãs europeias. República Checa, representante de um futebol atrativo e técnico semelhante ao nosso mas inferior, também (em 1976, como Checoslováquia). A Holanda venceu em 1988, a Rússia em 1960. A Inglaterra nunca venceu um Europeu mas venceu o Mundial de 1966 (que provavelmente nós merecíamos ter vencido). Até o próprio Uruguai (em 1930 e 1950) conseguiu o título de campeão mundial.
Portugal deveria ter ganho o Euro 2004 mas poderia ter ganho também o Euro 2012, eliminando a melhor selecção da história do futebol. O que faltou? Sorte.
Dizer e escrever, como fazem vários, que passamos a vida a choramingar e a queixar-nos da sorte, quando o que somos é mandriões e pouco ambiciosos é uma atitude tola e ignorante. Quem já saiu de Portugal ou pelo menos se dá ao trabalho de saber o que os outros pensam sobre nós verifica que essa percepção não existe. Pelo contrário, há um enorme respeito pela nossa selecção e a convicção de que só a infelicidade nos mantém afastados dos títulos. Que os merecíamos já, pelo extraordinário futebol que praticámos em vários torneios, desde 1966 a 2012, passando por 2000 e 2004. Que o título que merecíamos só nos fugiu por manifesta infelicidade ou "desajudas" dos árbitros. Veja-se como somos eliminados do Euro 2000 e do Mundial 2006 pela França com dois penalties, nenhum dos quais seria marcado se fosse ao contrário. Como perdemos em 1984 contra a mesma França no prolongamento, depois de darmos a volta ao marcador e de uma sensacional exibição de Chalana. Como perdemos em 66. Sempre de forma dramática, sempre a saber a injustiça.
Desta vez fomos melhores do que os melhores nos 90 minutos do jogo. Não o fomos no prolongamento, não sei se por desgaste mental se pela falta de banco, que foi uma realidade indesmentível. Mas sei que nos penalties a sorte nos abandonou. Nos abandonou logo no sorteio de moeda ao ar, primeiro ao dar à Espanha a escolha de baliza (junto a onde estavam concentrados os adeptos espanhóis) e depois ao dar de novo aos espanhóis a escolher quem batia primeiro, o que normalmente é também uma vantagem. Depois, com o facto de a vantagem mental que obtivemos com o falhanço de Alonso se ter logo esfumado no primeiro penalty, com a grande intervenção de Casillhas e o infortúnio de Moutinho. E por fim, para cúmulo, com o penalty de Bruno Alves a embater na parte interior da trave e a bola a "escolher" bater no chão à frente da linha de golo, ao passo que o último penalty de Espanha, depois de bater no poste "escolheu" entrar na baliza. Infelicidade.
Estivemos perto de bater a Espanha, antes disso, durante os 90 minutos. Além de termos sido melhores durante largos períodos do jogo e termos equilibrado a quase totalidade do resto, poderíamos no minuto 89 ter resolvido o jogo. Ronaldo disparou para as nuvens numa posição em que não costuma falhar.
Fomos a única equipa que não sofreu golos da Espanha, que mais a fez desencontrar-se do seu estilo de jogo. A felicidade que é preciso para vencer torneios, a felicidade que a Espanha teve neste jogo e a Grécia há 8 anos, nada quis conosco - mais uma vez.
Deixámos porém de novo uma grande imagem. Merecíamos (merecemos) mais. Será que alguma vez o conseguiremos?
Quando, 4 dias antes do Euro começar, disse que "numa competição como um Europeu na qual se jogam no máximo 6 jogos o factor sorte joga um papel muito importante" estava a antever o que de facto se passou.
No canal norte-americano ESPN, que transmitiu todos os jogos do Euro, foi dito que Portugal era indubitavelmente a melhor nação futebolística a nunca ter ganho um título. Isto apesar de um registo de presenças nos grandes torneios ao nível dos melhores: desde 1996 só não nos qualificámos para o Mundial de 98, graças a uma decisão escandalosa de um árbitro que expulsou Rui Costa no último jogo do apuramento, quando vencíamos a Alemanha por 1-0, resultado que nos qualificava.
Portugal é realmente a maior selecção a não ter ganho nada: Grécia e Dinamarca, selecções medíocres, conseguiram ser campeãs europeias. República Checa, representante de um futebol atrativo e técnico semelhante ao nosso mas inferior, também (em 1976, como Checoslováquia). A Holanda venceu em 1988, a Rússia em 1960. A Inglaterra nunca venceu um Europeu mas venceu o Mundial de 1966 (que provavelmente nós merecíamos ter vencido). Até o próprio Uruguai (em 1930 e 1950) conseguiu o título de campeão mundial.
Portugal deveria ter ganho o Euro 2004 mas poderia ter ganho também o Euro 2012, eliminando a melhor selecção da história do futebol. O que faltou? Sorte.
Dizer e escrever, como fazem vários, que passamos a vida a choramingar e a queixar-nos da sorte, quando o que somos é mandriões e pouco ambiciosos é uma atitude tola e ignorante. Quem já saiu de Portugal ou pelo menos se dá ao trabalho de saber o que os outros pensam sobre nós verifica que essa percepção não existe. Pelo contrário, há um enorme respeito pela nossa selecção e a convicção de que só a infelicidade nos mantém afastados dos títulos. Que os merecíamos já, pelo extraordinário futebol que praticámos em vários torneios, desde 1966 a 2012, passando por 2000 e 2004. Que o título que merecíamos só nos fugiu por manifesta infelicidade ou "desajudas" dos árbitros. Veja-se como somos eliminados do Euro 2000 e do Mundial 2006 pela França com dois penalties, nenhum dos quais seria marcado se fosse ao contrário. Como perdemos em 1984 contra a mesma França no prolongamento, depois de darmos a volta ao marcador e de uma sensacional exibição de Chalana. Como perdemos em 66. Sempre de forma dramática, sempre a saber a injustiça.
Desta vez fomos melhores do que os melhores nos 90 minutos do jogo. Não o fomos no prolongamento, não sei se por desgaste mental se pela falta de banco, que foi uma realidade indesmentível. Mas sei que nos penalties a sorte nos abandonou. Nos abandonou logo no sorteio de moeda ao ar, primeiro ao dar à Espanha a escolha de baliza (junto a onde estavam concentrados os adeptos espanhóis) e depois ao dar de novo aos espanhóis a escolher quem batia primeiro, o que normalmente é também uma vantagem. Depois, com o facto de a vantagem mental que obtivemos com o falhanço de Alonso se ter logo esfumado no primeiro penalty, com a grande intervenção de Casillhas e o infortúnio de Moutinho. E por fim, para cúmulo, com o penalty de Bruno Alves a embater na parte interior da trave e a bola a "escolher" bater no chão à frente da linha de golo, ao passo que o último penalty de Espanha, depois de bater no poste "escolheu" entrar na baliza. Infelicidade.
Estivemos perto de bater a Espanha, antes disso, durante os 90 minutos. Além de termos sido melhores durante largos períodos do jogo e termos equilibrado a quase totalidade do resto, poderíamos no minuto 89 ter resolvido o jogo. Ronaldo disparou para as nuvens numa posição em que não costuma falhar.
Fomos a única equipa que não sofreu golos da Espanha, que mais a fez desencontrar-se do seu estilo de jogo. A felicidade que é preciso para vencer torneios, a felicidade que a Espanha teve neste jogo e a Grécia há 8 anos, nada quis conosco - mais uma vez.
Deixámos porém de novo uma grande imagem. Merecíamos (merecemos) mais. Será que alguma vez o conseguiremos?
Fim do Euro - as previsões e a realidade
Terminou no Domingo o Euro, com um vencedor previsível e um resultado inimaginável.
Mais uma vez dou-me ao trabalho de confrontar as previsões com a realidade. É um exercício que à partida parece absolutamente inútil, mas que me dá algum gozo intelectual.
Em primeiro lugar, na sondagem que promovi, perguntando qual o principal favorito à vitória, seleccionei 7 equipas. Seis delas estiveram nos quartos de final. Não podiam estar as 7 pois a Holanda (eliminada na fase de grupos), Portugal e Alemanha faziam todas parte do Grupo B. Estiveram, além das outras 6 que escolhi, a República Checa e a Grécia.
A Holanda foi a principal desilusão do campeonato, creio que por 3 razões: o vedetismo dos seus jogadores e o mau ambiente entre eles; a boa prestação de Portugal e da Alemanha; a derrota no primeiro jogo com a Dinamarca, que abanou muito a equipa e a deixou numa situação quase desesperada. Aliás, depois deste resultado, considerei que a Holanda tinha perdido o seu estatuto de favorita.
A segunda grande desilusão foi a Rússia, sobretudo pelas expectativas criadas após o primeiro jogo. A Rússia vence a República Checa por 4-1 e esta última acaba por estar nos quartos de final, em detrimento daquela.
Quanto à França e à Inglaterra, confirmaram que neste momento não têm futebol para mais. Os quartos de final que alcançaram correspondem ao que podiam ambicionar e como tal ao expectável.
Dos resultados da referida sondagem verifica-se que a Espanha foi dada como favorita pela maioria dos visitantes deste blog, seguida de Portugal e da Alemanha. Ou seja, três dos semi-finalistas foram apontados como os principais favoritos, com o vencedor a ocupar a primeira posição (note-se que a sondagem foi fechada antes do início do Euro).
No que os participantes na sondagem não acertaram foi no grau de favoritismo atribuído à Itália. Apesar da qualidade dos jogadores estar muitos furos abaixo da última squadra vencedora (Mundial de 2006), que contava com Del Piero, Totti, Toni, Inzagui, Gattuso, Nesta, Canavarro, Zambrotta, a verdade é que a Itália é sempre uma selecção muito competitiva, que se transcende nestes campeonatos em que se jogam poucos jogos e a atitude mental é decisiva. A Itália costuma ir em crescendo e assim aconteceu em grande medida. Com um Pirlo em alto nível e uma equipa sofredora mas também positiva na abordagem aos jogos, qualificou-se com dificuldade, com uma vitória suada frente a uma Irlanda combativa, venceu a Inglaterra nos quartos como era previsível (embora com a sorte dos penalties, resultado de uma atitude ultradefensiva da Inglaterra que não se pode criticar, pois era a que melhor lhe servia), e desmantelou defensivamente a Alemanha nas meias.
No fim da primeira jornada, no link acima citado, considerei:
"Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição".
Para além da Espanha, que fica para último, e de Portugal, que merece artigo separado, falta-me falar da Alemanha. O que aconteceu à Alemanha?
Na minha opinião, aconteceu Joachim Low. É verdade que Low conseguiu levar a Alemanha à final do Euro 2008, depois de derrotar Portugal por 3-2 nos quartos e a Turquia pelo mesmo resultado nas meias. Conseguiu colocar a Alemanha a jogar um futebol atacante e atrativo, espectacular mesmo, como aconteceu em 2010 nas vitórias de 4-1 sobre a Inglaterra e de 4-0 sobre a Argentina. Mas em ambas as competições perdeu com a Espanha por 1-0, na final do Euro 2008 e nas meias do Mundial de 2010. Neste último torneio conquistaria o 3º lugar após derrotar o Uruguai (em 2006, com Klinsmann, a Alemanha tinha igualmente sido 3ª, nessa altura vencendo Portugal por 3-1).
Desta vez, a Alemanha tinha uma oportunidade de ouro para chegar à final, pois jogou contra a Itália mais fraca dos últimos anos. No entanto, Low cometeu a meu ver erros catastróficos para a sua equipa: depois de rodar excessivamente a equipa contra a Grécia, voltou inexplicavelmente a deixar Muller no banco contra a Itália e substituiu os dois pontas de lança ao intervalo. Tirar do jogo um dos melhores pontas de lança do mundo (Gomez) quando se está a perder por 2-0 deu no que deu. Por isso, sem tirar mérito à Itália pela passagem à final, há que atribuir um enorme demérito ao treinador alemão que voltou a deixar escapar uma grande oportunidade de levar a Alemanha de volta aos títulos.
Por fim, em relação à Espanha, há que reconhecer a qualidade dos seus treinadores e jogadores. Não é certamente por acaso, nem por mera sorte, que se vencem 3 torneios seguidos. E no entanto, não deixa de ser verdade que a Espanha é feliz ao bater Portugal nos penalties, tal como o tinha sido em 2008 ao bater a Itália, também por 4-2. Para vencer há que ter a sorte que, infelizmente, nós parecemos não ter, mas a esse assunto voltarei depois. Quanto à Espanha para além dessa ponta de sorte há um mérito muito grande, alicerçado numa qualidade de posse de bola e uma precisão no passe que custam a crer. Iniesta, Xavi e Xabi Alonso fazem um meio campo quase indestrutível. Depois, quando perde a bola, a Espanha tem uma capacidade de pressão que não tem paralelo, em nenhuma outra equipa de futebol do mundo. A sua ocupação dos espaços é simplesmente imaculada. E tudo com jogadores "levezinhos".
É "oficial": por muito que nos custe (e a mim custa-me bastante) a Espanha é a melhor selecção de todos os tempos.
Mais uma vez dou-me ao trabalho de confrontar as previsões com a realidade. É um exercício que à partida parece absolutamente inútil, mas que me dá algum gozo intelectual.
Em primeiro lugar, na sondagem que promovi, perguntando qual o principal favorito à vitória, seleccionei 7 equipas. Seis delas estiveram nos quartos de final. Não podiam estar as 7 pois a Holanda (eliminada na fase de grupos), Portugal e Alemanha faziam todas parte do Grupo B. Estiveram, além das outras 6 que escolhi, a República Checa e a Grécia.
A Holanda foi a principal desilusão do campeonato, creio que por 3 razões: o vedetismo dos seus jogadores e o mau ambiente entre eles; a boa prestação de Portugal e da Alemanha; a derrota no primeiro jogo com a Dinamarca, que abanou muito a equipa e a deixou numa situação quase desesperada. Aliás, depois deste resultado, considerei que a Holanda tinha perdido o seu estatuto de favorita.
A segunda grande desilusão foi a Rússia, sobretudo pelas expectativas criadas após o primeiro jogo. A Rússia vence a República Checa por 4-1 e esta última acaba por estar nos quartos de final, em detrimento daquela.
Quanto à França e à Inglaterra, confirmaram que neste momento não têm futebol para mais. Os quartos de final que alcançaram correspondem ao que podiam ambicionar e como tal ao expectável.
Dos resultados da referida sondagem verifica-se que a Espanha foi dada como favorita pela maioria dos visitantes deste blog, seguida de Portugal e da Alemanha. Ou seja, três dos semi-finalistas foram apontados como os principais favoritos, com o vencedor a ocupar a primeira posição (note-se que a sondagem foi fechada antes do início do Euro).
No que os participantes na sondagem não acertaram foi no grau de favoritismo atribuído à Itália. Apesar da qualidade dos jogadores estar muitos furos abaixo da última squadra vencedora (Mundial de 2006), que contava com Del Piero, Totti, Toni, Inzagui, Gattuso, Nesta, Canavarro, Zambrotta, a verdade é que a Itália é sempre uma selecção muito competitiva, que se transcende nestes campeonatos em que se jogam poucos jogos e a atitude mental é decisiva. A Itália costuma ir em crescendo e assim aconteceu em grande medida. Com um Pirlo em alto nível e uma equipa sofredora mas também positiva na abordagem aos jogos, qualificou-se com dificuldade, com uma vitória suada frente a uma Irlanda combativa, venceu a Inglaterra nos quartos como era previsível (embora com a sorte dos penalties, resultado de uma atitude ultradefensiva da Inglaterra que não se pode criticar, pois era a que melhor lhe servia), e desmantelou defensivamente a Alemanha nas meias.
No fim da primeira jornada, no link acima citado, considerei:
"Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição".
Para além da Espanha, que fica para último, e de Portugal, que merece artigo separado, falta-me falar da Alemanha. O que aconteceu à Alemanha?
Na minha opinião, aconteceu Joachim Low. É verdade que Low conseguiu levar a Alemanha à final do Euro 2008, depois de derrotar Portugal por 3-2 nos quartos e a Turquia pelo mesmo resultado nas meias. Conseguiu colocar a Alemanha a jogar um futebol atacante e atrativo, espectacular mesmo, como aconteceu em 2010 nas vitórias de 4-1 sobre a Inglaterra e de 4-0 sobre a Argentina. Mas em ambas as competições perdeu com a Espanha por 1-0, na final do Euro 2008 e nas meias do Mundial de 2010. Neste último torneio conquistaria o 3º lugar após derrotar o Uruguai (em 2006, com Klinsmann, a Alemanha tinha igualmente sido 3ª, nessa altura vencendo Portugal por 3-1).
Desta vez, a Alemanha tinha uma oportunidade de ouro para chegar à final, pois jogou contra a Itália mais fraca dos últimos anos. No entanto, Low cometeu a meu ver erros catastróficos para a sua equipa: depois de rodar excessivamente a equipa contra a Grécia, voltou inexplicavelmente a deixar Muller no banco contra a Itália e substituiu os dois pontas de lança ao intervalo. Tirar do jogo um dos melhores pontas de lança do mundo (Gomez) quando se está a perder por 2-0 deu no que deu. Por isso, sem tirar mérito à Itália pela passagem à final, há que atribuir um enorme demérito ao treinador alemão que voltou a deixar escapar uma grande oportunidade de levar a Alemanha de volta aos títulos.
Por fim, em relação à Espanha, há que reconhecer a qualidade dos seus treinadores e jogadores. Não é certamente por acaso, nem por mera sorte, que se vencem 3 torneios seguidos. E no entanto, não deixa de ser verdade que a Espanha é feliz ao bater Portugal nos penalties, tal como o tinha sido em 2008 ao bater a Itália, também por 4-2. Para vencer há que ter a sorte que, infelizmente, nós parecemos não ter, mas a esse assunto voltarei depois. Quanto à Espanha para além dessa ponta de sorte há um mérito muito grande, alicerçado numa qualidade de posse de bola e uma precisão no passe que custam a crer. Iniesta, Xavi e Xabi Alonso fazem um meio campo quase indestrutível. Depois, quando perde a bola, a Espanha tem uma capacidade de pressão que não tem paralelo, em nenhuma outra equipa de futebol do mundo. A sua ocupação dos espaços é simplesmente imaculada. E tudo com jogadores "levezinhos".
É "oficial": por muito que nos custe (e a mim custa-me bastante) a Espanha é a melhor selecção de todos os tempos.
sábado, 16 de junho de 2012
Surpresas, golos e bom futebol
Melhorou - e muito - a qualidade do futebol na 2a jornada e no que já se jogou da 3a.
Bons jogos, com golos e emoção, especialmente o Dinamarca-Portugal e o Inglaterra-Suécia.
E eis que hoje chega a primeira grande surpresa, com o afastamento prematuro da Rússia, que eu aqui tinha apontado como potencial outsider e a qualificação da Grécia - parabéns a Fernando Santos que bem mereceu esta vitoria. Confirmou-se por outro lado, o afastamento da Polónia, que tínhamos apontado como inevitável logo na antevisão `a primeira jornada. Com a Rússia, o que me parece que se passou foi sobretudo falta de estrutura mental para saber gerir os momentos dos jogos e as emoções. O comportamento dos adeptos também não ajudou a criar um ambiente são `a volta da equipa.
Portugal enfrenta amanha um desafio de monta, como alias todos os jogos t^em que ser encarados numa competição deste tipo. O facto de partirmos numa posição privilegiada de nada serve se não tivermos a frieza e o espírito competitivo que se exige. Toda a equipa tem que estar ao seu melhor nível - e e' isso que todos os Portugueses esperam da sua selecção. Certamente os jogadores não nos desiludirão.
O Euro aquece...
Bons jogos, com golos e emoção, especialmente o Dinamarca-Portugal e o Inglaterra-Suécia.
E eis que hoje chega a primeira grande surpresa, com o afastamento prematuro da Rússia, que eu aqui tinha apontado como potencial outsider e a qualificação da Grécia - parabéns a Fernando Santos que bem mereceu esta vitoria. Confirmou-se por outro lado, o afastamento da Polónia, que tínhamos apontado como inevitável logo na antevisão `a primeira jornada. Com a Rússia, o que me parece que se passou foi sobretudo falta de estrutura mental para saber gerir os momentos dos jogos e as emoções. O comportamento dos adeptos também não ajudou a criar um ambiente são `a volta da equipa.
Portugal enfrenta amanha um desafio de monta, como alias todos os jogos t^em que ser encarados numa competição deste tipo. O facto de partirmos numa posição privilegiada de nada serve se não tivermos a frieza e o espírito competitivo que se exige. Toda a equipa tem que estar ao seu melhor nível - e e' isso que todos os Portugueses esperam da sua selecção. Certamente os jogadores não nos desiludirão.
O Euro aquece...
terça-feira, 12 de junho de 2012
Euro 2012 - 1ª Jornada: pouco futebol e pouco dos favoritos.
A 1ª jornada da fase de grupos trouxe poucos golos e pouco futebol. Estamos numa fase ainda prematura da competição mas temo que o futebol cauteloso e defensivo venha a predominar.
Portugal foi aliás um exemplo disso mesmo, embora tenha como atenuantes o facto de não dispor já da qualidade de outros tempos e de ter defrontado uma das selecções mais forte. Negativo ainda é o facto de se ter já assistido a cenas de violência, esperando-se que elas não se repitam hoje, num jogo de alto risco entre a Polónia e a Rússia (19.45h na SIC).
De entre os favoritos, reconheço que a Espanha demonstrou poderio, frente a uma Itália cuja qualidade nunca pode surpreender quem acompanha regularmente o futebol. A este propósito assinalo que na sondagem que aqui promovemos, aqueles que votaram atribuiram o maior favoritismo à Espanha, seguida de Portugal, Alemanha e Holanda. Quase ninguém apostou na Itália, na França e na Inglaterra.
Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição. Que Holanda e Portugal dependem dos jogos de amanhã para se manterem na competição e que se o conseguirem poderão ganhar uma dose extra de ânimo que lhes permita intrometerem-se entre os favoritos (Holanda perdeu para mim esse estatuto com a derrota com a Dinamarca e as evidentes divisões no plantel, ao passo que Portugal, na minha opinião, sempre foi um outsider). E finalmente, que a Rússia poderá chegar às meias finais, tal como, dependendo do sorteio e considerando que joga em casa, a própria Ucrânia.
Já a Polónia mostrou muito pouco na 1ª jornada e uma derrota hoje significará o adeus prematuro - e doloroso para os adeptos - ao Euro. É verdade que Portugal organizou o Euro em 2004 e que perdeu na primeira jornada, precisamente contra a Grécia (Polónia empatou, mas contra 10). Também é verdade que seguidamente jogou, sem qualquer margem de erro, com a Rússia - exactamente como a Polónia. Simplesmente as semelhanças acabam aí - Portugal tinha uma equipa de luxo e a Rússia não tinha a qualidade de hoje. Antevejo portanto más notícias para a Polónia, mesmo que elas não sejam definitivas já esta noite.
Quanto ao jogo das 17.00h, transmitido apenas pela Sporttv, antevejo equilíbrio. São duas selecções muito diferentes (uma que gosta de atacar, outra que joga no erro adversário) mas que se por via do aspecto táctico se poderão quase equivaler. A República Checa tem muito pouca margem de erro mas a Grécia também sabe que uma derrota a deixa numa situação quase desesperada. Em termos de previsão, parece-me apesar de tudo que a República Checa é mais forte e poderá vencer. Resta ao nosso Fernando Santos montar um esquema que faça com que isso não aconteça.
Portugal foi aliás um exemplo disso mesmo, embora tenha como atenuantes o facto de não dispor já da qualidade de outros tempos e de ter defrontado uma das selecções mais forte. Negativo ainda é o facto de se ter já assistido a cenas de violência, esperando-se que elas não se repitam hoje, num jogo de alto risco entre a Polónia e a Rússia (19.45h na SIC).
De entre os favoritos, reconheço que a Espanha demonstrou poderio, frente a uma Itália cuja qualidade nunca pode surpreender quem acompanha regularmente o futebol. A este propósito assinalo que na sondagem que aqui promovemos, aqueles que votaram atribuiram o maior favoritismo à Espanha, seguida de Portugal, Alemanha e Holanda. Quase ninguém apostou na Itália, na França e na Inglaterra.
Face a estes dados e aos resultados, creio que não andarei muito longe da verdade se disser que do lote Espanha, Alemanha, Itália sairá pelo menos um finalista. Que a França e a Inglaterra, sobretudo esta última, praticamente não mostraram nada e muito dificilmente irão longe na competição. Que Holanda e Portugal dependem dos jogos de amanhã para se manterem na competição e que se o conseguirem poderão ganhar uma dose extra de ânimo que lhes permita intrometerem-se entre os favoritos (Holanda perdeu para mim esse estatuto com a derrota com a Dinamarca e as evidentes divisões no plantel, ao passo que Portugal, na minha opinião, sempre foi um outsider). E finalmente, que a Rússia poderá chegar às meias finais, tal como, dependendo do sorteio e considerando que joga em casa, a própria Ucrânia.
Já a Polónia mostrou muito pouco na 1ª jornada e uma derrota hoje significará o adeus prematuro - e doloroso para os adeptos - ao Euro. É verdade que Portugal organizou o Euro em 2004 e que perdeu na primeira jornada, precisamente contra a Grécia (Polónia empatou, mas contra 10). Também é verdade que seguidamente jogou, sem qualquer margem de erro, com a Rússia - exactamente como a Polónia. Simplesmente as semelhanças acabam aí - Portugal tinha uma equipa de luxo e a Rússia não tinha a qualidade de hoje. Antevejo portanto más notícias para a Polónia, mesmo que elas não sejam definitivas já esta noite.
Quanto ao jogo das 17.00h, transmitido apenas pela Sporttv, antevejo equilíbrio. São duas selecções muito diferentes (uma que gosta de atacar, outra que joga no erro adversário) mas que se por via do aspecto táctico se poderão quase equivaler. A República Checa tem muito pouca margem de erro mas a Grécia também sabe que uma derrota a deixa numa situação quase desesperada. Em termos de previsão, parece-me apesar de tudo que a República Checa é mais forte e poderá vencer. Resta ao nosso Fernando Santos montar um esquema que faça com que isso não aconteça.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Euro 2012 - últimos a entrar em campo
Jogam-se hoje os dois últimos jogos da primeira jornada da fase de grupos do Euro 2012. Entrarão em campo França, Inglaterra, Suécia e o segundo país anfitrião Ucrânia.
Antevê-se um dia interessante sobretudo por via do França-Inglaterra às 17.00h. São dois rivais históricos que não têm estado bem nas últimas fases finais. Em relação à Inglaterra, muito embora continue a ocupar um lugar importante no panorama do futebol mundial, a verdade é que há décadas que está arredada dos jogos decisivos, mais ainda dos títulos. Na realidade venceu apenas o Mundial de 66 e sabemos como. De resto os ingleses queixam-se de uma mão de Maradona em 86 e de um golo não sancionado há dois anos contra a Alemanha. É pouco.
Já a França após os títulos de 98 (Mundial) e 2000 (Euro) voltou "apenas" a estar na final do Mundial de 2006 (perdida com a Itália, na última participação da geração de Zidane), não tendo passado da fase de grupos nos dois últimos torneios.
São portanto dois outsiders, a Inglaterra ainda mais do que a França.
A minha previsão é a de que haverá golos e um jogo interessante. A Inglaterra poderia tentar capitalizar a vitória do Chelsea na Champions (ainda que sobretudo a nível psicológico na medida em que ela foi conseguida sobretudo graças a jogadores não ingleses) mas esse factor ter-se-á em larga medida dissipado por efeito de lesões muito penalisadoras: Lampard, Barry e Cahill.
A França tem neste momento mais mecanismos de equipa e mais qualidade em termos de jogadores, com destaque para Evra (que, em contraste com o valor futebolístico, parece dado a episódios caricatos), Ribéry e Benzema.
Não posso portanto deixar de antecipar uma vitória da França, apesar da imprevisibilidade do futebol, acentuada neste tipo de confrontos históricos.
O jogo França-Inglaterra é transmitido às 17.00h na TVI.
Interessante será também o jogo seguinte, sobretudo por permitir dar a conhecer a selecção da Ucrânia, país anfitrião, cujo valor é em larga medida uma incógnita. Já a Suécia tem desiludido nos últimos anos, parecendo demasiado dependente de Ibraimovic. Não considero existir um favorito claro, pelo que, jogando "à defesa", aposto num empate.
domingo, 10 de junho de 2012
Dia 3 - antevisão
Dois jogos interessantes em perspectiva, embora muitíssimo diferentes.
Espanha-Itália é um jogo entre o maior favorito da prova e um favorito a qualquer prova. O resultado é totalmente imprevisível, até porque (que eu me lembre) a Espanha nestes dois últimos campeonatos que venceu apenas jogou contra uma selecção latina e foi precisamente Portugal. Apesar das limitações da nossa selecção de há dois anos, perdemos por 1-0 e poderíamos até ter conseguido o empate. Já depois disso vencemo-la num jogo particular por estrondosos 4-0!
Espanha vai jogar contra uma equipa cínica e matreira que não lhe vai facilitar a vida de modo nenhum.
Nestes casos o prognóstico mais seguro é o do empate. É um prognóstico à defesa, é verdade, mas trata-se realmente de um jogo de tripla.
Já o jogo seguinte entre a Irlanda e a Croácia coloca em jogo duas das equipas mais fracas do Europeu. Se a Croácia ainda tem qualidade técnica, a Irlanda nem isso. Está qualificada unica e exclusivamente por "culpa" de Trapattoni. A Croácia gosta de atacar e a Irlanda gosta de defender, pelo que não me surpreenderia se esta última vencesse, a jogar em contra-ataque.
Espanha-Itália é um jogo entre o maior favorito da prova e um favorito a qualquer prova. O resultado é totalmente imprevisível, até porque (que eu me lembre) a Espanha nestes dois últimos campeonatos que venceu apenas jogou contra uma selecção latina e foi precisamente Portugal. Apesar das limitações da nossa selecção de há dois anos, perdemos por 1-0 e poderíamos até ter conseguido o empate. Já depois disso vencemo-la num jogo particular por estrondosos 4-0!
Espanha vai jogar contra uma equipa cínica e matreira que não lhe vai facilitar a vida de modo nenhum.
Nestes casos o prognóstico mais seguro é o do empate. É um prognóstico à defesa, é verdade, mas trata-se realmente de um jogo de tripla.
Já o jogo seguinte entre a Irlanda e a Croácia coloca em jogo duas das equipas mais fracas do Europeu. Se a Croácia ainda tem qualidade técnica, a Irlanda nem isso. Está qualificada unica e exclusivamente por "culpa" de Trapattoni. A Croácia gosta de atacar e a Irlanda gosta de defender, pelo que não me surpreenderia se esta última vencesse, a jogar em contra-ataque.
Euro 2012 - Infelicidade
Portugal voltou a não ter sorte. É verdade que o domínio da maior parte do jogo foi da Alemanha mas as ocasiões mais claras foram de Portugal.
É assim. Há equipas e países com sorte e há outros que a não têm. É uma realidade e quem o negar na minha opinião fá-lo apenas para dar uma aparência de intelectualidade, de estar "acima" dessas justificações corriqueiras. Para mim, pelo contrário é uma pura realidade, insofismável.
Claramente, Portugal não é, como nação futebolística, pior do que Dinamarca e Grécia. E no entanto estes dois países já foram campeões europeus. Para mim tiveram nesse ano a sorte que nós nunca tivemos.
Outro exemplo: Portugal perde sempre contra a França. Será que a França mereceu ganhar todos os jogos? Será que nunca jogámos melhor do que eles? O que dizer da defesa de Barthez a cabeçada de Abel Xavier? Da cabeçada de Figo no mundial de 2006, a minutos do fim? Dos penalties com que perdemos nos últimos jogos? Da derrota em 1984 por 3-2 com golos franceses nos últimos minutos do jogo? Para mim é evidente nunca tivemos sorte contra a França.
E o que dizer da Itália? Não é evidente que é uma selecção com imensa sorte?
O que dizer da forma como o Chelsea é campeão europeu este ano?
Sorte, sorte, sorte.
Esta noite voltou a não querer nada connosco.
É assim. Há equipas e países com sorte e há outros que a não têm. É uma realidade e quem o negar na minha opinião fá-lo apenas para dar uma aparência de intelectualidade, de estar "acima" dessas justificações corriqueiras. Para mim, pelo contrário é uma pura realidade, insofismável.
Claramente, Portugal não é, como nação futebolística, pior do que Dinamarca e Grécia. E no entanto estes dois países já foram campeões europeus. Para mim tiveram nesse ano a sorte que nós nunca tivemos.
Outro exemplo: Portugal perde sempre contra a França. Será que a França mereceu ganhar todos os jogos? Será que nunca jogámos melhor do que eles? O que dizer da defesa de Barthez a cabeçada de Abel Xavier? Da cabeçada de Figo no mundial de 2006, a minutos do fim? Dos penalties com que perdemos nos últimos jogos? Da derrota em 1984 por 3-2 com golos franceses nos últimos minutos do jogo? Para mim é evidente nunca tivemos sorte contra a França.
E o que dizer da Itália? Não é evidente que é uma selecção com imensa sorte?
O que dizer da forma como o Chelsea é campeão europeu este ano?
Sorte, sorte, sorte.
Esta noite voltou a não querer nada connosco.
sábado, 9 de junho de 2012
Euro 2012 - balanço positivo do 1º dia
Foi um bom dia, este 1º do Euro, com muitos golos, emoção e excelente atmosfera.
A abertura fez lembrar 2004, com o sentimento de orgulho e a vibração dos adeptos polacos. As semelhanças porém ficam-se por aí. Sinto alguma pena pela desilusão dos polacos, que podia ter sido pior, mas de facto a sua selecção é limitada. Boa reacção da Grécia. No geral cumpriu-se o que era previsível em termos de desfecho da partida, embora a forma como a Grécia o conseguiu (recuperar em inferioridade numérica) tenha tido o seu quê de dramático.
Também como se esperava, a Rússia foi mais forte do que a República Checa num jogo em que ambas as equipas foram atacantes, embora a diferença de qualidade (e resultado) tenha sido maior do que o previsível. Parabéns à Rússia que confirmou que pode ter uma palavra a dizer no torneio, intrometendo-se entre o lote de favoritos.
Amanhã é dia importante para Portugal. A selecção parece, agora sim, focada no adversário e no jogo que será obviamente de dificuldade máxima.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Euro 2012 - Polónia-Grécia e Rússia-República Checa. Antevisão.
Grupo A - 1ª Jornada
Polónia-Grécia
É um jogo que aponta para empate. A Polónia joga em casa mas a Grécia tem mais futebol. Estando num grupo onde à partida a Rússia (treinada por Advocaat, também holandês, como Hiddink) parte com vantagem, existindo ainda a República Checa, adversário que sempre tem qualidade, Polónia e Grécia sabem que uma derrota neste primeiro jogo poderá ser altamente comprometedora. Ambas as equipas serão cautelosas e com toda a probabilidade privilegiarão a segurança defensiva. A haver vencedor inclino-me para dizer que será a Grécia.
Rússia-República Checa
Duas equipas semelhantes, no valor e na tecnicidade do seu futebol. Penso que a Rússia está mais forte. Antevê-se jogo bastante mais atacante do que o anterior, com golos.
Polónia-Grécia
É um jogo que aponta para empate. A Polónia joga em casa mas a Grécia tem mais futebol. Estando num grupo onde à partida a Rússia (treinada por Advocaat, também holandês, como Hiddink) parte com vantagem, existindo ainda a República Checa, adversário que sempre tem qualidade, Polónia e Grécia sabem que uma derrota neste primeiro jogo poderá ser altamente comprometedora. Ambas as equipas serão cautelosas e com toda a probabilidade privilegiarão a segurança defensiva. A haver vencedor inclino-me para dizer que será a Grécia.
Rússia-República Checa
Duas equipas semelhantes, no valor e na tecnicidade do seu futebol. Penso que a Rússia está mais forte. Antevê-se jogo bastante mais atacante do que o anterior, com golos.
Euro 2012 - Pontapé de saída
Começa hoje, na cidade de Varsóvia o Euro 2012. 16 equipas partem para a competição com ambições mais ou menos realistas. Para além do lote de favoritos (os principais, Espanha, Alemanha e Holanda e os outros França, Itália, Portugal e a própria Inglaterra) há que contar com a Rússia e as próprias selecções anfitriãs, Polónia e Ucrânia. Embora as probabilidades destas últimas estarem na final não seja elevada, há que contar com o factor casa (que se aplica de certo modo à própria Rússia), pelo que não será surpreendente se uma delas estiver nas meias finais.
O Euro começa precisamente com a Polónia a receber a Grécia (Grupo A), treinada por Fernando Santos. Desta selecção há a salientar a excelente fase de qualificação, a experiência do treinador português, o facto de ter vencido a competição há 8 anos e ainda o factor crise - o desejo de dar tudo pelo seu país para animar os compatriotas. A favor da Polónia joga o factor casa, sendo de resto uma selecção relativamente desconhecida... até dos gregos. O jogo é às 17.00h, com a transmissão RTP a começar às 16.30h. Às 19.45h jogam a Rússia e a República Checa (também do Grupo A) sem direito a transmissão televisiva em canal aberto.
O ser humano é naturalmente atraído pelo desejo de conhecer o futuro. As múltiplas previsões, desde as casas de apostas até às estranhas rábulas com animais (polvos, elefantes e até porcos) que se fazem por estes dias atestam, embora de forma um pouco degradada, essa aspiração, que data já da antiguidade. Na altura questionavam-se os deuses e as pitonisas, perscrutravam-se os céus e os astros, interpretavam-se sonhos e visões. O desejo de conhecer o futuro levou mesmo a indagações filosóficas, desde Aristóteles até aos filósofos modernos, passando pelos medievais que elaboraram uma doutrina dos "futuros contingentes". Apesar de todos os progressos da ciência e da quantidade de informação sobre o mundo material que ela possui, determinar o futuro persiste uma tarefa impossível.
Há sempre o imponderável. No futebol o imponderável é a sorte, a decisão do árbitro, um acto irreflectido ou negligente de um jogador que deita tudo a perder para a sua equipa. Por isso qualquer previsão é simultaneamente válida e irrealista. Sabemos a sua inutilidade, a sua irrelevância mas não deixamos de as fazer. Aliás, ao pé da crise, dos problemas, das grandes questões que se colocam à humanidade, o que é o futebol? A resposta mais simples é: uma diversão, algumas horas de prazer lúdico, de descontração. O jogo, a diversão são factores relevantes das nossas vidas. As "previsões" enquadram-se nesse âmbito.
Venha então o Euro e, para quem gosta, as previsões. Os resultados da sondagem deste blog (na barra direita) serão objecto de um post e no fim veremos em que medida eu próprio (que seleccionei o lote de favoritos) e os participantes estávamos perto ou longe do que virá a acontecer.
A bola começa a rolar dentro de menos de duas horas.
O Euro começa precisamente com a Polónia a receber a Grécia (Grupo A), treinada por Fernando Santos. Desta selecção há a salientar a excelente fase de qualificação, a experiência do treinador português, o facto de ter vencido a competição há 8 anos e ainda o factor crise - o desejo de dar tudo pelo seu país para animar os compatriotas. A favor da Polónia joga o factor casa, sendo de resto uma selecção relativamente desconhecida... até dos gregos. O jogo é às 17.00h, com a transmissão RTP a começar às 16.30h. Às 19.45h jogam a Rússia e a República Checa (também do Grupo A) sem direito a transmissão televisiva em canal aberto.
O ser humano é naturalmente atraído pelo desejo de conhecer o futuro. As múltiplas previsões, desde as casas de apostas até às estranhas rábulas com animais (polvos, elefantes e até porcos) que se fazem por estes dias atestam, embora de forma um pouco degradada, essa aspiração, que data já da antiguidade. Na altura questionavam-se os deuses e as pitonisas, perscrutravam-se os céus e os astros, interpretavam-se sonhos e visões. O desejo de conhecer o futuro levou mesmo a indagações filosóficas, desde Aristóteles até aos filósofos modernos, passando pelos medievais que elaboraram uma doutrina dos "futuros contingentes". Apesar de todos os progressos da ciência e da quantidade de informação sobre o mundo material que ela possui, determinar o futuro persiste uma tarefa impossível.
Há sempre o imponderável. No futebol o imponderável é a sorte, a decisão do árbitro, um acto irreflectido ou negligente de um jogador que deita tudo a perder para a sua equipa. Por isso qualquer previsão é simultaneamente válida e irrealista. Sabemos a sua inutilidade, a sua irrelevância mas não deixamos de as fazer. Aliás, ao pé da crise, dos problemas, das grandes questões que se colocam à humanidade, o que é o futebol? A resposta mais simples é: uma diversão, algumas horas de prazer lúdico, de descontração. O jogo, a diversão são factores relevantes das nossas vidas. As "previsões" enquadram-se nesse âmbito.
Venha então o Euro e, para quem gosta, as previsões. Os resultados da sondagem deste blog (na barra direita) serão objecto de um post e no fim veremos em que medida eu próprio (que seleccionei o lote de favoritos) e os participantes estávamos perto ou longe do que virá a acontecer.
A bola começa a rolar dentro de menos de duas horas.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Euro 2012: Manuel José alerta para "circo"
Manuel José, numa entrevista à TSF, critica duramente o ambiente de "circo" montado à volta da selecção com "passeios de autocarro e de coche" e entrevistas a toda a hora, quando nada ainda provámos e, acima de tudo, deveríamos estar a trabalhar concentrados para enfrentar os jogos extremamente difícieis que temos pela frente. A responsabilidade disso seria da FPF mas também Paulo Bento se teria deixado arrastar nessa deriva devido à sua inexperiência.
Pela minha parte concordo com Manuel José. Não se justificam tantas declarações, aparições e despedidas. Os jogadores deviam estar mais concentrados no seu ofício e menos em eventos sociais e encontros com a comunicação social.
Manuel José assinala também que a selecção está mais fraca do que no passado e que não é favorita. Apesar de tudo, com muito trabalho, união e espírito de conquista, acredita que poderemos - pelo menos - passar a fase de grupos. Um resultado positivo face à Alemanha é porém imprescindível para alcançar esse primeiro objectivo.
Euro 2012 - calendário de transmissões televisivas (completo à data).
CALENDÁRIO COMPLETO DE TRANSMISSÕES TELEVISIVAS EM CANAL ABERTO:
Data Fase Visitado Visitante Canal
8/6 Grupo A Polónia 17.00h Grécia RTP1
9/6 Grupo B Alemanha 19.45h Portugal RTP1
10/6 Grupo C Espanha 17.00h Itália SIC
11/6 Grupo D França 17.00h Inglaterra TVI
12/6 Grupo A Polónia 19.45h Rússia SIC
13/6 Grupo B Dinamarca 17.00h Portugal SIC
14/6 Grupo C Espanha 19.45h Irlanda TVI
15/6 Grupo D Suécia 19.45h Inglaterra RTP1
12/6 Grupo A Polónia 19.45h Rússia SIC
13/6 Grupo B Dinamarca 17.00h Portugal SIC
14/6 Grupo C Espanha 19.45h Irlanda TVI
15/6 Grupo D Suécia 19.45h Inglaterra RTP1
16/6 Grupo A R. Checa 19.45h Polónia TVI
17/6 Grupo B Portugal 19.45h Holanda TVI
18/6 Grupo C Itália 19.45h Irlanda RTP1
19/6 Grupo D Suécia 19.45h França SIC
21/6 QF 1A 19.45h 2B *
22/6 QF 2A 19.45h 1B *
23/6 QF 1C 19.45h 2D *
24/6 QF 2C 19.45h 1D *
27/8 MF V1 19.45h V3 **
28/6 MF V2 19.45h V4 **17/6 Grupo B Portugal 19.45h Holanda TVI
18/6 Grupo C Itália 19.45h Irlanda RTP1
19/6 Grupo D Suécia 19.45h França SIC
21/6 QF 1A 19.45h 2B *
22/6 QF 2A 19.45h 1B *
23/6 QF 1C 19.45h 2D *
24/6 QF 2C 19.45h 1D *
27/8 MF V1 19.45h V3 **
1/7 F 19.45h RTP1
* RTP transmite dois jogos dos quartos de final, incluindo o de Portugal, se chegarmos a esta fase. TVI e SIC transmitem um cada.
**SIC transmite uma meia final, a de Portugal se chegarmos a esta fase, a TVI a outra.
A Sporttv transmite todos os jogos do Euro.
Veja também os outros posts sobre o Euro 2012 e vote na sondagem!
Proença no Europeu
À partida para o Europeu, Proença voltou a falar da arbitragem portuguesa como se fosse uma coisa espantosa que alguns mal-intencionados insistem em denegrir.
Proença deveria estar caladinho e concentrar-se em fazer um bom trabalho, antes de deitar foguetes, até porque as coisas ainda lhe podem correr mal. Não que eu o deseje, pois tenho por princípio não desejar mal às pessoas ainda que elas me possam ter feito mal. Mas é que às vezes, quando se fala demais, as palavras podem-se virar contra nós. Pela boca morre o peixe, diz o ditado.
O que é um facto é que Proença fez uma péssima época, com demasiados erros, alguns dos quais grosseiros e com influência directa não apenas em jogos mas no desfecho das duas competições nacionais mais importantes. E mesmo na Liga dos Campeões, pode-se dar por muito satisfeito pelo facto do penalty que não assinalou a favor do Chelsea não ter sido decisivo para a atribuição do título. Se Robben não tivesse falhado o penalty que, minutos após aquele, Proença assinalou, o Chelsea teria perdido o jogo e no fim ter-se-ia certamente queixado - e muito - da arbitragem.
Por isso, senhor Proença, seja menos vaidoso e preocupe-se em ser mais justo nos seus juízos. Talvez assim possa um dia ser um árbitro que mereça todos os prémios que está hoje - sem o merecer - a receber. Fale menos e apite melhor. Sobretudo em Portugal.
Proença deveria estar caladinho e concentrar-se em fazer um bom trabalho, antes de deitar foguetes, até porque as coisas ainda lhe podem correr mal. Não que eu o deseje, pois tenho por princípio não desejar mal às pessoas ainda que elas me possam ter feito mal. Mas é que às vezes, quando se fala demais, as palavras podem-se virar contra nós. Pela boca morre o peixe, diz o ditado.
O que é um facto é que Proença fez uma péssima época, com demasiados erros, alguns dos quais grosseiros e com influência directa não apenas em jogos mas no desfecho das duas competições nacionais mais importantes. E mesmo na Liga dos Campeões, pode-se dar por muito satisfeito pelo facto do penalty que não assinalou a favor do Chelsea não ter sido decisivo para a atribuição do título. Se Robben não tivesse falhado o penalty que, minutos após aquele, Proença assinalou, o Chelsea teria perdido o jogo e no fim ter-se-ia certamente queixado - e muito - da arbitragem.
Por isso, senhor Proença, seja menos vaidoso e preocupe-se em ser mais justo nos seus juízos. Talvez assim possa um dia ser um árbitro que mereça todos os prémios que está hoje - sem o merecer - a receber. Fale menos e apite melhor. Sobretudo em Portugal.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Registo de Portugal contra a Alemanha.
"O futebol são 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha", dizem os britânicos. E bem sabem o que dizem: em termos de Mundiais, a Alemanha é a selecção com mais presenças em finais (a par do Brasil): 7, tendo-se sagrado Campeã do Mundo por três vezes: 1954, 1975, 1990; no que toca a Europeus, a Alemanha esteve em 6 finais e venceu três: 1972, 1980 e 1996.
Melhor do que a Alemanha, só o Brasil, que venceu 5 Mundiais e 8 Copas da América.
A nível europeu, a Itália tem um melhor registo do que a Alemanha em Mundiais pois venceu 4 vezes (tendo perdido duas finais) mas pior em Europeus, que só venceu uma vez, em 1968 (tendo perdido a final de 2000).
Em termos de presenças em meias-finais de Mundiais, ninguém iguala a Alemanha: 12 presenças, contra 10 do Brasil, 8 da Itália, 5 do Uruguai e França. Ou seja, a Alemanha é a selecção que mais consistentemente está nas fases decisivas.
O registo de Portugal contra a Alemanha é misto. Nas três últimas competições que disputámos (Mundial de 2006, Europeu de 2008, Mundial de 2010) fomos derrotados pela Alemanha em duas delas: em 2006 perdemos o 3º lugar para a Alemanha (que jogava em casa) e em 2008 (no Europeu disputado na Áustria e na Suíça) fomos por ela eliminados nos quartos de final (3-2, com golos de Nuno Gomes e Postiga; Schweinsteiger, Klose e Ballack, com o marcador a evoluir de 2-0 para 2-1 e de 3-1 para 3-2).
Mas por outro lado foi Portugal quem impôs à Alemanha a sua maior derrota em fases finais, um verdadeiro banho na banheira de Roterdão, com a vitória por 3-0 no Euro 2000. Viríamos a ser eliminados nas meias-finais pela França com o célebre penalty já no fim do prolongamento a castigar uma bola no braço de Abel Xavier.
Portugal venceu ainda a Alemanha noutro jogo histórico, com o golo de Carlos Manuel em Estugarda a valer a qualificação para o México 86. Por outro lado, há o jogo de má memória no qual um senhor árbitro decidiu expulsar Rui Costa por alegadamente demorar a sair do campo quando ia ser substituído e perdemos a vantagem de 1-0 (grande golo de Pedro Barbosa). O empate conseguido pela Alemanha contra 10 significou o nosso afastamento do Mundial de 1998.
No total de embates, 16, Portugal venceu por três vezes, empatou 5 e perdeu 8. Se contarmos apenas os jogos para competições oficiais, o registo é: 8 J, 2 V, 3 E, 3 D.
Se considerarmos que a Alemanha é uma das maiores potencias do futebol mundial e a maior europeia, o registo não é de todo mau. Esperemos que no sábado o possamos tornar ainda mais equilibrado.
Euro 2012 - as chances de Portugal
1. Os jogos de preparação de Portugal não correram bem em termos de resultados. Mas correram bem naquilo que era o mais importante: ninguém se lesionou com gravidade. Lesões dos melhores jogadores antes dos torneios são coisas altamente penalisadoras. Inglaterra por exemplo, perdeu já Lampard, Barry e Cahill antes do torneio começar.
2. Numa competição como um Europeu na qual se jogam no máximo 6 jogos o factor sorte joga um papel muito importante. Há 8 anos Portugal era claramente a melhor selecção. Juntar Figo, Rui Costa, Deco, Maniche e Ronaldo (além de Pauleta e Simão) na mesma equipa é hoje quase inimaginável. No entanto perdemos com uma equipa apenas média, que como que nos hipnotizou, petrificou naquele triste jogo. Tiveram meia oportunidade e venceram o jogo. Por outro lado, poderíamos ter perdido logo nos quartos de final com a Inglaterra. Ou seja, o factor sorte desempenha um papel de enorme importância, pelo que todas as previsões (baseadas em factos e na lógica mas que não podem contar com o imponderável) são constantemente desmentidas.
3. Este ano a equipa de Portugal é inferior à de 2004 e de 2006, semelhante à de 2008 e 2010. Saiu Carvalho, que desde 2004 era um esteio da nossa defesa, Jorge Andrade, que terminou a carreira demasiado cedo, Miguel, que tinha muito pulmão e força e Bosingwa, que era um jogador semelhante, que dava muita certeza àquele corredor. João Pereira nos seus melhores jogos consegue disfarçar as carências mas noutros elas são demasiado evidentes. Bruno Alves é um bom jogador mas não tem a classe de Ricardo Carvalho. Pepe, por outro lado, está a um nível muito alto, sobretudo quando se concentra no jogo e deixa de lado as quesílias. Não temos um Costinha no meio campo, nem um Maniche, um Rui Costa ou um Deco. Dependemos muito de Ronaldo e de Nani, dois fora-de-série. Tudo ponderado, estaremos mais fracos do que nos anteriores torneios (exceptuando a África do Sul, onde tínhamos Queirós que "matava" a dimensão ofensiva da equipa) mas também não se vislumbram selecções tão fortes como no passado: mesmo a Alemanha, a Holanda e a Espanha (que me parecem as mais poderosas) não têm a dimensão de outros tempos.
4. O nosso grupo é provavelmente o mais forte e será muito difícil que dele não saia um finalista. Portugal pode emergir como primeiro classificado ... tal como qualquer outra das equipas, embora a Dinamarca me pareça a menos favorita. A sorte desempenhará portanto um factor importante, senão decisivo. Pelo que, a minha conclusão é a de que não vale a pena estabelecer muitas metas, nem criar muitas expectativas. Esse parece-me aliás o estado de espírito da maioria dos portugueses - até porque há mais vida para além do futebol, o que num cenário de crise como o que vivemos hoje se tornou demasiado evidente.
Faltam 4 dias para o pontapé de saída. Dentro de menos de um mês haverá campeão da Europa. Será curioso ler nessa altura este post e ver como a sorte tudo baralhou.
PS - Não referi a Itália, que parece ter uma das selecções mais fracas dos últimos anos, com inúmeros jogadores em fim de ciclo. No entanto a Itália tem sempre uma atitude competitiva muito forte e não pode ser descartada do lote de favoritos, pelo que a incluí na sondagem que promovo na barra direita do blog.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Euro 2012 - calendário actualizado das transmissões televisivas
Portugal-Alemanha (Grupo B) 9/6 às 19.45h na RTP
Imediatamente antes terão jogado entre si a Holanda e a Dinamarca, às 17.00h.
Espanha-Italia (Grupo C) 10/6 às 17.00h na SIC
França-Inglaterra (Grupo D), 11/6 às 17.00h na TVI
Polónia-Rússia 12/6 às 19.45h na SIC
Portugal-Dinamarca 13/6 às 17.00h na SIC.
Alemanha e Holanda jogam de seguida
Espanha-Irlanda, 14/6 às 19.45h na TVI
Suécia-Inglaterra 15/6 às 19.45h na RTP
República Checa-Polónia 16/6 às 19.45h
Portugal-Holanda 17/6 às 19.45h na TVI
Dinamarca e Alemanha jogam à mesma hora por ser a última jornada da fase de grupos.
Itália-Irlanda 18/6 às 19.45h na RTP
Suécia-França 19/6 às 19.45h na SIC
Quartos de final (a partir desta fase os jogos são sempre às 19.45h):
1º Grupo A-2º Grupo B 21/6
2º A-1º B 22/6
1º C-2º D 23/6
2º C-1ºD 24/6
A RTP transmite dois jogos dos quartos de final (um deles será o de Portugal se lá chegarmos, 21 ou 22 de Junho).
Meias finais:
Vencedor jogo 1-vencedor jogo 3 27/6
Vencedor jogo 2-vencedor jogo 4 28/6
A SIC transmitirá uma meia final (a de Portugal se lá chegarmos).
Final:
1/7 às 19.45h na RTP.
Actualização (5/6/2012): encontre aqui o quadro com o calendário completo das transmissões televisivas em canal aberto na RTP, TVI e SIC.
Euro 2012 - transmissões televisivas RTP, TVI e SIC
(NOTA: confira o calendário actualizado aqui)
Sabe-se já neste momento que a RTP transmitirá 7 jogos, a TVI e a SIC 6 cada.
Sabe-se já neste momento que a RTP transmitirá 7 jogos, a TVI e a SIC 6 cada.
Por enquanto apenas a TVI anunciou que jogos transmitirá: o França-Inglaterra, 11/6 às 17.00h, o Espanha-Irlanda, 14/6 às 19.45h, o República Checa-Polónia 16/6 às 19.45h e o Portugal-Holanda dia 17 às 19.45h.
A RTP transmitirá a cerimónia e o jogo de abertura, Polónia-Grécia 8/6 às 17.00h, um jogo dos quartos de final (que será o de Portugal se lá chegarmos) e a final. Além disso transmitirá um outro jogo de Portugal da fase de grupos.
A SIC transmitirá o jogo de Portugal da fase de grupos que a RTP não transmitir e uma meia final.
Quando o calendário estiver completo actualizaremos. Entretanto pode ver o calendário dos jogos de Portugal (sem indicação das televisões que transmitem os jogos), dos quartos, meias e final aqui.
Como referi antes, a Sporttv transmite todos os jogos.
Quando o calendário estiver completo actualizaremos. Entretanto pode ver o calendário dos jogos de Portugal (sem indicação das televisões que transmitem os jogos), dos quartos, meias e final aqui.
Como referi antes, a Sporttv transmite todos os jogos.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Euro 2012 - transmissões televisivas
1. As televisões generalistas (RTP, SIC e TVI) transmitirão em directo 19 dos 31 jogos do Euro, obviamente incluindo os de Portugal. A Sporttv transmite todos.
2. Como possivelmente já ouviram ou leram, Portugal agora também tem um polvo (não, não me estou a referir ao submundo da corrupção) que faz "previsões". É o "sucessor" do alemão polvo Paul que no Mundial "adivinhou" os desfechos de todos os jogos da Alemanha e também o resultado da final.
De acordo com ele, não teremos muita sorte no primeiro jogo, precisamente contra a Alemanha. Esperemos que o nosso polvo se engane já à primeira.
Faltam 8 dias para o início do Euro.
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