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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Falemos de outras coisas...

À medida que se aproxima o clássico aumenta um pouco a ansiedade, há um pequeno formigueiro que se acende ao pensar no jogo. Será um fim de semana certamente muito especial. O Estádio estará cheio e convirá chegar cedo para evitar a confusão e o stress de última hora. Enfim, será mais uma grande jornada de benfiquismo.


Entretanto falemos de outras coisas, nomeadamente das competições europeias cujo sorteio das meias finais se realizou há pouco.


Um aspecto que me parece muito curioso é o "regresso" das equipas italianas, nos últimos anos bastante arredadas das fases decisivas. Curiosamente eu sou do tempo em que as equipas italianas ganhavam tudo o que havia para ganhar, sobretudo a Juventus e o Milan. Mas depois disso enfrentaram um período de grande crise na sequência da corrupção e também do maior poderio financeiro dos clubes ingleses e espanhóis.

Essa é outra nota relevante: a completa ausência de equipas inglesas, algo de raro nos últimos anos. City e Chelsea foram uma desilusão na Champions, tal como o Everton e Tottenham na Liga Europa.

A maior surpresa será talvez a presença da Juventus entre os 4 semifinalistas. Penso que o Real não terá porém grande dificuldade em eliminar os italianos e estar na final pelo segundo ano consecutivo. Recordo que se a ganhar será algo de histórico para Ronaldo, para o clube e também para Ancelotti que ganharia a sua 4ª (!!!) Liga dos Campeões como treinador.

Na outra meia será um duelo de Barcelonas: o verdadeiro e o de Munique e de Guardiola. Será certamente uma eliminatória muito especial na qual se espera e deseja, para bem do futebol, que Ribery e Robben (sobretudo estes) estejam de volta à equipa alemã. Neymar também se vem afirmando cada vez mais, tal como o  próprio Suarez (que deixou David Luiz muito mal na primeira mão do embate entre Barça e PSG). Será sem dúvida um duelo de superequipas. 

Quanto à Liga Europa, o Sevilha eliminou o Zénite de forma algo surpreendente e defrontará a Fiorentina, ao passo que o Nápoles defrontará o Dnpro. Abrem-se boas perspectivas para Benitez voltar a ganhar um título europeu para juntar à Taça UEFA, Liga dos Campeões, Liga Europa e Supertaça europeia (para além de um mundial de clubes) que venceu no passado. 




quarta-feira, 22 de abril de 2015

Guardiola e as voltas que a vida dá

Realmente a vida é uma coisa que nos surpreende, precisamente nas alturas em que achamos que tudo é previsível. Como disse outrora alguém vida é o que acontece quando esperamos exactamente o contrário.

A vida dá muitas voltas e por isso convém ser humilde para não ser humilhado pelos outros.

Estava aqui a ver que há quase exactamente um ano atrás (em 12 de Abril de 2014) escrevi um artigo a que chamei "os dois barcelonas". O "segundo Barcelona" era precisamente o Bayern de Munique. Na altura dava ainda como por provar a capacidade de Guardiola em exportar a sua fórmula vencedora para a Alemanha. Penso que hoje já não haverá dúvidas de que o treinador espanhol conseguiu impor as suas ideias e que com isso começa a ganhar um estatuto ímpar no panorama do futebol mundial.

Quando Guardiola ganhou no Barcelona as suas vitórias foram algo desvalorizadas pelo facto de existirem Messi, Iniesta e Xavi e uma escola de futebol que formava jogadores desde os juvenis. Mas neste momento Guardiola está a demonstrar que o seu modelo de jogo não  está constrangido a uma determinada equipa. Que de mais diferente pode haver do estilo algo "palavroso", de passes e mais passes, futebol rendilhado, de Guardiola do que o pragmatismo alemão? Em termos futebolísticos nada. E no entanto Guardiola está a impor as suas ideias e este Bayern é um portento de futebol.

Nessa crónica que escrevi há um ano dava o Real Madrid e o Chelsea como favoritos a chegar à final da Champions. O Real realmente trucidou na altura o Bayern, numa noite de glória para Sérgio Ramos e Ronaldo que marcaram dois golos cada um em Munique. O Chelsea de Mourinho porém foi eliminado pelo Atlético de Madrid. A perspectiva de uma final entre os dois melhores treinadores gorou-se assim. Na Luz o Real venceria a sua "décima" com outro dos melhores treinadores do mundo (e talvez o mais titulado, com 3 Ligas dos Campeões entre muitos outros troféus), Carlo Ancelotti. Mourinho via assim o título que durante três anos perseguira sem sucesso enquanto treinador do Real sorrir ao seu sucessor.

Este ano Mourinho foi eliminado de forma surpreendente pelo PSG (o tal que "humilhou" o Benfica por nos derrotar por 3-0 na sua casa), ao passo que Guardiola já está nas meias finais, assim como o Barcelona. Ancelotti tem boas perspectivas de lá chegar e o outsider deste naipe de equipas deverá ser a Juventus (embora Leonardo Jardim ainda tenha uma palavra a dizer).  

São algumas das muitas voltas que a vida dá. Quando o Real foi campeão de Espanha com Mourinho e Guardiola saiu do Barcelona no fim da época para descansar física e psicologicamente muitos acharam que o espanhol estava derrotado e acabado. Ora ele está a provar que isso não é verdade e ainda que é possível ganhar não abdicando de um futebol bonito, de um futebol bem jogado de um futebol atractivo.

A noite de ontem foi um grande momento de Guardiola. A sua equipa demonstrou ser das melhores do mundo e apesar da noite desastrada do Porto, o mérito do Bayern (sem muitas estrelas) não pode ser colocado em causa. Só uma equipa de topo poderia jogar de forma tão dominadora, tão demolidora para o adversário.

Transpondo isto para Portugal e para o Benfica que é sempre o principal foco do nosso interesse, importa dizer que Jorge Jesus tem sido criticado vezes sem conta por privilegiar esse tipo de futebol, por acreditar nesse tipo de futebol e por insistir nas suas ideias atacantes. Quando perde, logo aparecem todos os seus críticos mais acirrados, em poses triunfais, no estilo: eu bem vos disse, a desprezar e achincalhar o nosso treinador. Quando empatou em Barcelona contra uma equipa com vários suplentes, foi severamente criticado (apesar do Benfica também não ter podido contar com jogadores como Sálvio, Enzo ou Cardozo), falando-se de forma depreciativa de um "Barcelona B ou C". Um dos jogadores titulares do Barcelona nessa noite foi um dos carrascos do Porto, ao marcar dois golos nesta eliminatória: Thiago Alcântara. São voltas...

Mas durante estes 5 anos JJ, apesar de todos os que só criticam e tentam deitar abaixo, não abdicou das suas ideias e de acreditar em si. Os resultados estão à vista e são incomparáveis com os anos que o precedem. Não fora manifesta infelicidade em alguns jogos chave e pelo menos mais um título de campeão nacional e uma Liga Europa estariam no nosso museu.

Isto é verdade, independentemente do que acontecerá no Domingo. O menos surpreendente de certa forma seria o empate, mas todos os cenários são possíveis. Uma coisa é certa, eu acredito neste Benfica e estou convicto de que Domingo sairei do Estádio da Luz satisfeito com o desfecho. Mas nada está garantido. Os portistas certamente esperam o contrário. Manuel Serrão diz que "o Benfica vai ajoelhar novamente". Veremos. Às 5 da tarde de Domingo acaba a conversa e começa o jogo jogado. É aí que tudo se decidirá.

sábado, 12 de abril de 2014

Os dois Barcelonas

Nos quartos de final da Champions disputados quarta-feira houve uma confirmação e uma semi-surpresa. A confirmação foi a eliminação do Manchester, a semi-surpresa foi a vitória do Atlético de Madrid sobre o Barcelona.
Este Atleti é uma equipa um pouco à Mourinho, ou seja, uma equipa alicerçada na segurança defensiva, muito trabalhadora, sem grande brilho no seu jogo e altamente resultadista.
A sua vitória só foi porém possível porque este Barcelona está distante da equipa dominadora de há uns anos atrás. Xabi não é o mesmo, já não há Puyol, Piqué também se lesionou, Iniesta já não tem o mesmo fulgor do passado e Messi está numa fase de grande apagamento.
Por outro lado, o treinador, não sendo mau, não parece ser capaz de acrescentar muito e menos ainda de inverter o estado de coisas, que parece ser de declínio. É verdade que a equipa ainda tem possibilidade de se sagrar campeã em Espanha mas o tal, bastante apregoado, fim de ciclo  deste Barcelona poderá estar de facto a acontecer. Ou já neste ano ou certamente nos próximos.
No entanto, apesar deste Barcelona estar fora da Liga dos Campeões, há outro barcelona que por lá se mantém: a equipa treinada por Pepe Guardiola, o Bayern de Munique.
Este Bayern de facto não parece uma equipa alemã e está ainda por provar que a fórmula tiki-taka de Guardiola seja exportável. Para já a equipa começou a época a perder a Supertaça alemã e já venceu o campeonato a várias jornadas do fim. Eliminou um frágil Manchester e terá agora a oposição do Real nas meias da Champions. Será esse o verdadeiro teste a este segundo barcelona que em certas alturas parece uma equipa pouco objectiva, que se perde em passes excessivos e cuja agressividade deixa muito a desejar em relação às épocas passadas.
Na outra meia final defrontar-se-ão equipas muito parecidas: sem super-estrelas (com excepção, talvez, de Diego Costa e Hazard - veremos se estarão disponíveis para os jogos), serão dois onzes sobretudo de combate e em busca apenas e só do resultado. E o prémio é alto: uma presença numa final da Champions.
Aceitam-se apostas.
Eu estou tentado a crer que o Real é favorito, assim como o Chelsea, mas veremos.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A queda do City e a "normalidade"

Até ao jogo com o Chelsea para o campeonato o Manchester City era uma equipa temível que desmantelava adversário após adversário e que se previa que pudesse ter uma época repleta de sucessos. 

A derrota (clara e indiscutível) frente ao Chelsea mostrou porém que a equipa tinha (tem) debilidades e que está muito longe de ser imbatível. Os jogadores já não têm a mesma alegria a jogar, a mesma confiança nas suas capacidades e a mesma certeza de que as coisas lhes sairão bem. Por vezes é assim e por isso as derrotas são testes muito grandes à capacidade mental das equipas. 

Há porém um outro factor na queda de rendimento do City: a ausência por lesão de Aguerro. Esta lesão aconteceu precisamente antes do jogo com o Chelsea e afectou tremendamente a equipa. É que Aguerro é um jogador de classe mundial, um jogador que está no patamar logo abaixo de Cristiano Ronaldo e Messi, e que abrilhanta muito a equipa onde actua. 

Nessa medida, a vitória do Barcelona acabou por ser absolutamente normal e, logo a partir dos primeiros minutos de jogo, relativamente previsível. A tal "dimensão física" que o City tentou fazer valer, falhou por completo face à "rabia" que o Barcelona lhe impôs. Com todos os seus melhores centrocampistas em campo, o Barcelona voltou ao seu estilo de posse de bola e pressão imediata logo que a perdia. Não deu qualquer veleidade ao City.

O Barcelona continua a ser uma grande equipa do futebol europeu (frase em si mesma quase redundante) e deu ontem uma enorme lição a um dos "novos-ricos" do futebol europeu.

Também sem surpresas, o Paris SG venceu o Leverkussen, sendo apenas os números dificilmente antecipáveis.

Caso a "normalidade" se mantenha, o Arsenal será atropelado pelo Bayern e o Atlético de Madrid conseguirá ultrapassar o Milan que já há várias épocas deixou de ser um colosso europeu.

Os restantes 4 jogos relativos à primeira mão dos oitavos de final serão jogados para a semana.

Espera-se que Chelsea, Dortmund e Real Madrid acabem por ultrapassar respectivamente o Galatasaray, o Zénite e o Shalke 04. Na outra eliminatória as coisas já são mais imprevisíveis face à época desastrosa que o Manchester United está a realizar. O Olympiakos poderá causar uma meia surpresa. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Jesus e Mourinho - vida de treinador

Quando criticamos Jorge Jesus - e todos nós em diferentes momentos já o fizemos, com mais ou menos legitimidade mas certamente convictos das nossas opiniões - há duas coisas que devemos ter em mente:

1) nos últimos 20 anos (entre as épocas 1992-1993 e 2011-2012), o Benfica venceu três Campeonatos (1994, 2005 e 2010), três Taças de Portugal (1993, 1996 e 2004), quatro Taças da Liga (2009, 2010, 2011 e 2012) e uma Supertaça (2005). São 6 títulos "maiores" e 5 títulos "menores" num total de 11. Em termos de "maiores", isto dá um a cada 3,333 anos. Em termos de menores, dá um em cada 4. Em três épocas à frente do Benfica, Jorge Jesus conquistou 1 título "maior" e 3 "menores".

2) Qual seria a alternativa a Jesus? Carlos Azenha? Leonardo Jardim? Rui Vitória? Ou alguém acha que o Benfica vai contratar Lippi, Ancelotti ou Guardiola? Ou até, quem sabe, o próprio Mourinho? Mas há ainda outro aspecto a considerar: é que mesmo estes que não temos possibilidade de contratar, todos os treinadores sem qualquer excepção, têm lacunas e limitações.
Atentemos por exemplo ao caso de Mourinho. Com um currúculo imaculado em termos de conquistas, campeão em Portugal, Inglaterra e Itália, vencedor da Taça UEFA e duas vezes da Liga dos Campeões, Mourinho está a ter vida muito difícil em Espanha. É contestado pela imprensa, por vários adeptos e até alguns jogadores. Mas a questão não é tanto sobre se ele é ou não amado. A questão prende-se sobre a avaliação da sua competência. E mesmo aí, onde o currículo e a reputação o deviam colocar a salvo de qualquer suspeita, a verdade é que há críticas às suas opções tácticas. Acusa-se o Real de não ter dinâmica, dos sectores estarem desligados. A equipa está arredada da luta pelo título espanhol e uma possível eliminação prematura da Liga dos Campeões aos pés do Manchester não deixaria de tornar a posição de Mourinho muito difícil. Não há portanto génios imbatíveis. Eu recordo mesmo que Mourinho viu o seu Real ser derrotado precisamente por 5-0 em Nou Camp. E depois de ter voltado a ser campeão e parecer ir readquirir para o Real a primazia do futebol espanhol, deu dois passos atrás e está na situação atrás descrita. Existem similaridades entre a situação em Espanha e em Portugal. Também lá existe um clube do Norte que reclama representar uma "nação" e que se queixa do "centralismo" da capital, apesar de ser super protegido pelos árbitros e pela imprensa. Aí não há diferenças. Mourinho ensaiou a estratégia de denúncia e combate a esta situação mas não é muito acompanhado pelas suas "hostes". E, convenhamos, embora o Barcelona seja protegido, o Real não é assim tão prejudicado, ao contrário do que acontece com o Benfica em Portugal.
Mourinho, como Jesus, como qualquer treinador, têm qualidades e têm defeitos. Mourinho, como Jesus, como qualquer treinador, trabalham com o que têm, com os jogadores que constituem o plantel e com as outras contingências que as circunstâncias ditam. Mourinho, como Jesus, como qualquer treinador, são julgados pelos resultados. Num Benfica como num Real Madrid, cada um à sua escala, o grau de exigência é elevadíssimo e a convivência com o insucesso é muito difícil de gerir. A Mourinho "resta-lhe" ser Campeão Europeu, a Jesus "exige-se" ser Campeão Nacional. Pela minha parte acredito que ambos o podem alcançar mas espero sobretudo que o nosso treinador consiga conquistar os objectivos da época. O que não pode é haver desunião, desânimo, desistências pelo caminho. Essa é a fórmula certa e segura para o insucesso. Para o confirmar basta olhar para o que se passa em Alvalade.
A época será longa e as armadilhas estarão espalhadas pelo caminho. A rota para o sucesso é estreita e só o melhor Benfica se conseguirá manter nela. Veremos o que nos trás já a arbitragem de quinta-feira. Todos os cuidados são poucos. Mais uma vez digo: só o melhor Benfica ganhará o próximo jogo. Ele disputa-se Coimbra e vale a passagem às meias-finais da Taça. É para ganhar.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Barcelona A+C goleia Atlético de Madrid

O Barcelona goleou o Atlético de Madrid por 4-1 com 3 golos de jogadores da equipa C.

Recorde-se que o Benfica jogou há cerca de 2 semanas com o Barcelona C (como disseram vários comentadores) e - incrível e inaceitavelmente - foi na altura incapaz de ganhar. (Alguns indignaram-se mesmo por não ter goleado).

Pois bem, 6 dos jogadores que então alinharam pela "equipa C" também jogaram ontem. Não se percebe como é que Thiago Alcântara, Messi, Villa, Adriano, Puyol e Piqué, todos eles tendo actuado contra o Benfica, podem ter jogado neste jogo. É uma vergonha para a Liga Espanhola e para a integridade da competição. Do banco não saíram Pinto, Tello e Song, que jogaram contra o Benfica e são portanto também da equipa C do Barcelona.

Para completar este quadro, Adriano, jogador da equipa C titular contra o Benfica, marcou ainda por cima um golo de bandeira, que iniciou a reviravolta catalã.

Já antes tinha dito, não se percebe como Tito Vilanova pode ter feito uma coisa destas...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Jogo entre gigantes.

O Barcelona é de facto uma super-equipa. Disso não pode haver dúvidas. É muito provavelmente a melhor equipa do mundo, constituindo a base, quer em termos de jogadores, quer de sistema táctico, de uma selecção que é "só" bi-campeã da Europa e campeã do Mundo.
O Benfica não é uma super-equipa mas é uma equipa forte. O ano passado foi eliminado da Champions pelo seu vencedor (o Chelsea), numa eliminatória em que não foi em nada inferior ao seu adversário. Não sendo uma super-equipa como o Barcelona, o Benfica é também um gigante do futebol mundial, quer em termos de palmarés, quer em termos de adeptos e grandeza institucional.
Será assim um grande jogo, um clássico até, do futebol europeu, com o favoritismo a pender quase em absoluto para a equipa da casa, mas com o Benfica a ter uma palavra a dizer, até porque algumas peças essenciais do Barcelona (Xabi e Iniesta) não jogarão.
Não é porém um Barcelona mais fragilizado o que entrará em campo. É um engano - que seria fatal se a equipa nele embarcasse - pensar assim. É um Barcelona talvez menos "automático" nos seus processos ofensivos e defensivos, mas ainda assim poderosíssimo, capaz de vencer qualquer equipa de topo e igual na sua matriz de jogo. Veja-se aliás como Guardiola saiu e Tito Vilanova manteve o estilo e a identidade inalteráveis - assim como os resultados. Um Barcelona diferente seria apenas um Barcelona sem Messi - mas este vai mesmo jogar amanhã.
Tarefa portanto muito difícil, mas ainda assim não impossível.
Se o Celtic, uma equipa esforçada e aguerrida, perigosa nas bolas paradas mas limitada tecnicamente, foi capaz de vencer o Barcelona, isso prova que não há imbatíveis.
Só um Benfica ao seu melhor nível e que tenha a sorte do jogo poderá sair amanhã vitorioso.
Mas - atenção: mesmo que isso não aconteça, o Benfica pode-se amanhã qualificar para os oitavos de final da Champions.
A vitória do Celtic sobre o Spartak está longe de ser um dado adquirido. Os russos têm alguma qualidade e tal como perderam surpreendentemente em casa com os escoceses poderão empatar ou vencer amanhã em Glasgow.
Convém ter isso em mente, até como forma de psicologicamente nos motivarmos. Um empate em Nou Camp pode também ser o resultado de que precisamos para progredir na competição. Seria muito positivo e, para mim, seria justo, pelo menos face ao que aconteceu até agora. A partir das 19.45h veremos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Outros destaques da noite europeia

O maior destaque pela negativa vai para o inacreditável golo do Shaktar: uma autêntica vergonha. É lamentável que se possa assistir a algo deste género no futebol europeu de topo. Sobretudo o jogador mas o próprio treinador (Lucescu, com longa história e prestígio no futebol) e o clube ficam marcados por este lance. Seguidamente podiam ter deixado o adversário marcar sem oposição e repor a verdade do jogo mas não o fizeram.

O Braga, que tanto elogiei pela qualificação para a fase de grupos, foi uma completa desilusão, sobretudo ontem. Se as derrotas com o Manchester já tinham deixado um travo amargo entre os bracarenses, sobretudo por a equipa ter estado em ambos em vantagem, a derrota de ontem deve levar Peseiro a repensar o seu modelo, que parece altamente desequilibrado - muita vontade de atacar mas pouco critério e nenhuma segurança defensiva. Assim não vão longe.

O petardo. Apesar dos apelos do speaker, apesar de pairar sobre o Benfica ameaças de interdição do Estádio, apesar do repúdio da sociedade portuguesa pelo que aconteceu há uma semana e em que os petardos voltaram a estar associados à violência, apesar do que se passou na Assembleia Geral do Benfica e na própria noite das eleições, apesar de tudo isto houve um energúmeno que voltou a rebentar um petardo. O Estádio assobiou e vi por ali alguns seguranças a tentar identificar o marginal. Espero que a própria claque se dissocie completamente deste comportamento e que seja a primeira a facilitar a identificação do dito e a vigiar os seus elementos no sentido desta ter sido mesmo a última vez que ouvimos petardos.

A demissão de di Matteo. Pelos vistos Abramovich não aprende. Pelos vistos ganhar uma Champions não dá crédito suficiente para atravessar uma fase menos positiva. O Presidente do Chelsea deve pensar que tem Messi, Ronaldo e Ibrahimovic no seu plantel.

Quanto a destaques pela positiva, para além da vitória do Benfica, que tinha impreterivelmente de fazer 6 pontos nos dois últimos jogos e não acusou a pressão, assinalando exibições de classe, registe-se a presença ordeira dos adeptos escoceses em Lisboa, o acerto de Rui Pedro (hat trick) e de Paulo Sérgio (treinador) na vitória do Cluj sobre o Braga e o "extra-terrestre" Messi que continua a marcar golos atrás de golos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Implicações da derrota do Barcelona em Glasgow

As contas da Champions para o Benfica começaram a complicar-se muito quando perdemos um jogo que não podíamos perder (em Moscovo) depois de dois resultados absolutamente normais: empatar em Glasgow com o Celtic e perder em casa com o Barcelona.

Recordo aliás o seguinte:

quando empatámos em Glasgow na primeira jornada, várias foram as vozes que disseram que o Benfica tinha "obrigação" de fazer melhor, de ser mais ambicioso, até porque o Celtic era "a equipa mais fraca do grupo", como a exibição do Spartak em Nou Camp (chegou a estar ganhar) "demonstrava".

Uma semana depois, o Celtic foi a Moscovo vencer o Spartak. Evidentemente foi uma surpresa, muito embora o resultado tenha acontecido em circunstâncias especiais (o Spartak viu um jogador seu ser expulso). Esse resultado ditou o Benfica ficar na situação que descrevi aqui: não podia perder em Moscovo. Infelizmente fizemos uma péssima exibição, cometemos erros técnicos e tácticos de palmatória e perdemos mesmo.

A partir daí restáva-nos vencer os jogos em casa e esperar que o Barcelona fizesse o que fizera na Luz e vencesse os jogos com os nossos adversários. Mais uma vez, isso não aconteceu: nós realmente vencemos e muito bem o Spartak mas o Barça perdeu na Escócia. O que nos leva para o seguinte cenário:

Classificação



Faltando jogar:

Dia 20/11                              Dia 5/12

Benfica-Celtic                      Barcelona-Benfica
Spartak-Barcelona                Celtic-Spartak

Neste momento, teoricamente, ou melhor matematicamente, todas as equipas têm ainda chances de se apurar e o Barcelona pode mesmo ainda ir parar à Liga Europa.

Para tal ser necessário (o Barcelona ser relegado para a Liga Europa), "bastaria" os catalães perderem os seus dois jogos, o Benfica vencer o Celtic e este vencer o Spartak. Faríamos 10 pontos e o Celtic também contra os atuais do Barcelona. O próprio Spartak, se vencesse os dois jogos alcançaria 9 pontos.

As contas que porém nos interessam a nós, mais realistas, são estas: o Benfica tem que vencer o Celtic (igualando-o em pontos e adquirindo vantagem no confronto direto) e depois não fazer no jogo contra o Barcelona pior que o Celtic fizer em casa contra o Spartak.

Ou seja, não dependemos de nós e inclusivamente as probabilidades estão contra nós. Mas atenção: já houve várias surpresas neste grupo. Nessa medida o que é absolutamente necessário é que o Benfica vença o Celtic em casa, como tem todas as condições para fazer. A partir daí todos os cenários se tornam possíveis. E a partir daí uma outra coisa quase se garantirá (embora não ainda matematicamente): a continuidade na Europa, ainda que na Liga "secundária".

Uma última nota, o Celtic demonstrou ontem uma coisa que se sabe há muito: não há equipas imbatíveis. O que mais me incomodou no nosso jogo contra o Barcelona em casa foi o sentimento de inevitabilidade da derrota, a falta de crença, quer do treinador e dos jogadores até ao público da Luz. Com uma outra atitude (sobretudo faltou alguma agressividade, jogar um bocadinho mais duro, fazer sentir aos jogadores do Barcelona uma outra presença física), podíamos ter alcançado um resultado diferente. Mas assim não aconteceu e agora estamos aqui.

E "aqui" importa primeiro vencer o Celtic e depois pensar no jogo com o Barcelona como um jogo de futebol - em que tudo pode acontecer. Mas as coisas não acontecem sozinhas. É preciso conquistá-las.

Benfica fez a sua parte - Cardozo em grande

Como se lhe impunha, o Benfica venceu o Spartak, tendo-o ademais feito de forma convincente e inquestionável. Aliás, apesar de duas oportunidades claras do Spartak, a verdade é que o Benfica podia ter ontem goleado o seu adversário. Para além do penalty falhado por Cardozo, dois outros ficaram por marcar, em especial logo no início uma falta flagrante sobre Garay.
Na primeira parte JJ surpreendeu ao deixar Cardozo no banco e ao lançar Rodrigo. José Nunes, da Antena 1, disse perceber a intenção (ter dois jogadores móveis na frente de ataque que pudessem, sobretudo Rodrigo, recuar para equilibrar o meio-campo e tentar fazer logo oposição à construção de jogo do Spartak) mas não concordar. Acrescento que talvez Jesus desejasse e acreditasse que este jogo poderia marcar a recuperação de Rodrigo, que desde o jogo do ano passado com o Zénite que não é o mesmo. É uma opção questionável, como muitas outras. Não é certo que entrando de início Cardozo tivesse feito o que fez na segunda parte.
E o que dizer dessa segunda parte? Três golos (um deles mal anulado), um cabeceamento à barra e mais duas oportunidades claras (incluindo o penalty) que soube criar não conseguiu concretizar. Ou seja, Cardozo marcou dois mas podia ter marcado... 6. Incrível jogo deste nosso ponta de lança, a mostrar mais uma vez quão importante tem sido para o Benfica nos últimos anos. Só não gosto de o ver marcar penalties, pois percebe-se que há sempre um risco grande de os falhar por a bola bater na barra ou ir por cima. Ontem o penalty até deveria ter sido repetido pois o guarda-redes adiantou-se muito antes da bola partir. Penso porém que se Cardozo é o marcador de serviço deveria treinar mais os penalties.
Duas notas finais negativas: a arbitragem e os russos. A arbitragem teve demasiados erros para este nível de competição, quase sempre em desfavor do Benfica. Dois penalties, um que deveria ter sido repetido e um golo mal anulado são casos a mais para um só jogo. Afinal os alemães não são tão rigorosos quanto nos querem fazer crer. Houve ademais permissividade em relação à dureza excessiva dos russos.
Quanto aos russos, voltaram, depois dos adeptos do Zénite terem feito graves distúrbios aquando da sua passagem por Lisboa, a envolver-se em cenas de violência. Recorde-se ainda o gravíssimo do que se passou durante o Europeu também com adeptos russos. É uma selvageria inaceitável que tem que ter uma resposta muito firme por parte das autoridades.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Benfica macio sem hipóteses contra génio

Foi um jogo frustrante, em que o Benfica andou dois terços do tempo atrás da bola e em que o inferno da Luz não chegou a ligar o interruptor.
Já sabíamos que seria difícil mas ficou algum sabor amargo por não termos criado verdadeiros problemas ao Barcelona, que jogou praticamente à vontade, parecendo a dadas alturas que estava a realizar um treino.
E a verdade é que não começámos mal, colocando os jogadores muito compactos em campo e tentanto limitar as linhas de passe do Barcelona e interceptar bolas para sair rápido para o ataque. Foi assim que aconteceram uma ou duas boas jogadas, sobretudo a que terminou no remate forte de Bruno César que deu alguma sensação de golo.
Mas durou muito pouco essa fase porque o esquema colapsou logo aos 7 minutos quando, na sua primeira jogada atacante de perigo, o Barcelona marcou. Alguma passividade da defesa, muito espaço dado a Messi na meia direita da nossa defesa e o inevitável aconteceu. Demasiado cedo no jogo a estratégia de Jesus ruiu.
Era uma estratégia teoricamente boa mas, como se viu, não isenta de riscos, com a agravante de que muito dificilmente dela resultaria perigo efectivo para a defesa do Barcelona, sobretudo desde que este se apanhou a ganhar.
Isso aconteceu de forma esporádica, com destaque para uma grande jogada do Benfica que Lima não conseguiu concretizar face a uma saída rápida da baliza e mancha de Valdez.
Até ao fim da primeira ambas as equipas tiveram meias oportunidades. O Benfica conseguiu mais remates e cantos mas era o Barcelona que vencia.

Na segunda parte, o Benfica entrou muito mal e sofreu o segundo golo com naturalidade. Messi fez o que quis do nosso meio campo defensivo e à entrada da área deu a bola para a esquerda, onde de novo Maxi não estava, e Fabregas rematou forte para o 0-2.
O último fôlego do Benfica veio de um remate de muito longe mas forte e colocado de Sálvio, que o guarda-redes defendeu para canto. Depois disso verificou-se um domínio absoluto do Barcelona que trocou a bola como quis, em ritmo quase de passeio. Nem a saída de Puyol por lesão nem a expulsão de Busquets deram ânimo ao Benfica para ao menos procurar um golo. A nossa equipa estava derrotada, subjugada e extenuada de correr atrás da bola.

O toque de bola e a qualidade do passe do Barcelona são algo de nunca visto na história do futebol, nem sequer nas melhores selecções brasileiras de sempre. É quase misterioso como conseguem depois os seus jogadores parecer estar em todo o lado do campo quando a equipa adversária tem a bola, caindo dois e três em cima do jogador que a tem (e obviamente a perde de imediato). Como dizia ontem, o Barcelona parece ter alcançado a quadratura do círculo. Não tem aparentemente fraquezas, sendo bom na defesa, no meio campo e no ataque. Não é a maior parte das vezes espectacular e chega a ser enfadonho ver aquele futebol. Mas a verdade é que é a equipa mais vencedora de sempre do futebol de clubes e ontem não deu qualquer hipótese ao Benfica.

Que foi, e com isto termino, uma equipa macia. Esperava mais, no sentido de criarmos mais problemas ao Barcelona na nossa casa. De pressionarmos mais a sua defesa. De conseguirmos instalarmo-nos no seu meio-campo. A verdade é que o Barcelona não venceu os últimos jogos (incluindo o Spartak de Moscovo) com a mesma facilidade com que ontem bateu o Benfica. Isso custa-me.
Creio, a posteriori, que a estratégia de expectativa e saídas rápidas é demasiado contra natura para o Benfica, sobretudo quando joga em casa. Penso que o Benfica teria que assumir mais o jogo e ser mais agressivo no meio campo. Na jogada do segundo golo do Barcelona, que acabou definitivamente o jogo, tal a nossa incapacidade para criar perigo, Messi não foi minimamente incomodado, quando era evidente que teria que ter sido feita uma falta de imediato. O Benfica não faz faltas. Isso seria óptimo se os adversários jogassem assim também mas a verdade é que nem o Barcelona o faz. Quando foi necessário, quando pressentiam perigo, os seus jogadores faziam logo falta. O Benfica fez 23 faltas. Se descontarmos as mal assinaladas (que denotam um proteccionismo dos árbitros ao Barcelona que é já conhecido) e as várias faltas desnecessárias que fizemos no fim, mais por despeito do que outra coisa, percebe-se que faltou ao Benfica agressividade e raça. E sem esses atributos é muito difícil criar problemas ao Barcelona, quanto mais tirar-lhe pontos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A melhor equipa do mundo vem à Luz

É já daqui a algumas horas: o melhor jogador do mundo e a melhor equipa do mundo vêm a Lisboa, jogar à Luz.
Sublinho as declarações de grande respeito demonstradas de parte e parte. O treinador do Barcelona disse que o Benfica era um grande pelo que não acreditava que fosse jogar para o empate, ao passo que Jorge Jessu disse que não era possível dividir o jogo com o Barcelona, que sempre tinha 60 a 70% de posse durante os jogos.
É de facto uma equipa histórica, esta do Barcelona, que criou a base para o sucesso sem precedentes da selecção espanhola. Uma equipa que domina completamente os jogos, mantendo a bola longe dos adversários, como se jogasse com eles à rabia e tendo ainda uma capacidade única para os pressionar e recuperar rapidamente a bola quando a perde. A isto junta uma tremenda capacidade ofensiva e uma enorme solidez defensiva. Ou seja é o Barcelona é fortíssimo na defesa, no meio-campo e no ataque. Há algo de quase inexplicável, como se tivesse ali sido descoberta a quadratura do circulo.

O Benfica tem porém os seus trunfos. Em casa é fortíssimo, sobretudo quando se deixa embalar pelo seu público e se cria aquela relação especial e aquele ambiente que para os adversários é inferno. O Benfica joga um óptimo futebol: positivo, atacante, atraente. Tem jogadores com muita qualidade, desde Aimar, a Enzo Peres, a Garay, Sálvio e Gaitan, entre outros. Tem um bom guarda-redes.

Será portanto um grande jogo. Pontuar seria bom e vencer seria excepcional. Não garantindo nada, qualquer resultado positivo (não perder) será no entanto um passo importante para a nossa qualificação.