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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Verdade desportiva ferida de morte

Este ano tudo tem valido fora de campo para denegrir e atacar o Benfica, minar a sua imagem e moral. Todos os limites estão a ser violados por gente sem escrúpulos, gente fanática e gente desonesta. Nada está fora de alcance por esta gente, inclusivamente informação pessoal de familiares de dirigentes do Benfica que nada têm a ver com estas estórias. É das campanhas mais infames e canalhas jamais vista, que ultrapassa em muito o universo desportivo e futebolístico para atacar as pessoas na sua vida provada. Isto com a complacência de um juiz do Porto que teve a desfaçatez de declarar que esta violação de correspondência privada e o espectáculo público de difamação do sebento J. Marques no Porto Canal era..."inequivocamente"... "do interesse público".
Isto depois de aqui há um par de anos um outro juiz ter decidido que escutas envolvendo Sócrates e as negociatas da PT (que destruíram das maiores empresas nacionais) eram... conversas do foro privado e portanto não podiam ser divulgadas...
Ao nível das melhores práticas judiciais do terceiro mundo portanto.

Mas enquanto isto se passa fora do campo, dentro dos campos vão-se passando muitas outras coisas graves. A verdade é que a pressão e a estratégia de desgaste vão dando frutos.

O que aconteceu no Tondela-Sporting (como o que se passara no Chaves-Porto) coloca em causa a seriedade deste campeonato.

Ontem foi por demais evidente que João Capela não quis ficar associado à despedida do Sporting do título. Por isso a partir da expulsão de Mathieu todas as decisões importantes foram favoráveis ao Sporting, incluindo o não assinalar de um penalty que me parece evidente com Murillo a ser "ensandwichado" por dois adversários e ainda derrubado por Patrício (que não toca na bola).

Nos últimos minutos foi um "ver se te avias", incluindo a expulsão perdoada a William e o prolongar do jogo para além de tudo o que era imaginável.

O sempre folclórico JJ diz que o árbitro anunciou para toda a gente (e ele conseguiu ouvir, de um lado do campo para o outro) que ia dar mais 3 minutos (e depois disse que afinal eram "só" 2).

Se isto for verdade é gravíssimo. Então faltam 20 segundos para o fim do período de descontos e o árbitro decide que vai dar mais 2 (ou 3)? Porquê?

Foi óbvio para todos os que viram o jogo que o árbitro quis dar mais uma e mais outra e ainda uma adicional oportunidades ao Sporting de marcar. E o golo acabou mesmo por surgir, com os sportinguistas, que sempre enchem a boca com a "verdade desportiva", a festejarem como se não houvesse amanhã.

Ouvir ontem Paulo Andrade "defender" esta arbitragem dava vergonha alheia.








segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Chaves facilitou? O "caso" Silas

Para responder desde já à pergunta, digo que não. Os transmontanos são gente orgulhosa que certamente muito gostaria de ter vencido ontem o jogo. Tenho Luis Castro também como um profissional sério e em geral não acredito - nem posso acreditar - que haja jogadores de futebol corruptos. Ou melhor, sabendo que há corruptos em todo, não posso partir desde logo do pressuposto que eles existem dentro da equipa do Chaves apenas porque um jogo lhes correu mal.

No entanto, recordemos que foi Sérgio Conceição (aquele que os média não se cansam de enaltecer como exemplo de comunicação e "frontalidade") quem levantou suspeitas sobre vitórias do Benfica, nomeadamente nos casos do Tondela e do Braga. Que insinuou que estas equipas teriam facilitado... 

Ignóbil, mas com a complacência dos nossos média, sempre prontos ao elogio fácil e ao seguidismo ovino, passou impune. 

Pela ordem de razões conceiçónicas, o Benfica teria muitas razões para questionar a prestação do Chaves no jogo de ontem. 

Enfrentando uma equipa com muitas mexidas, os flavienses foram demasiado brandos e sofreram uma pesada goleada em casa. Estiveram muito, mas mesmo muito longe do que podem fazer e permitiram ao Porto um passeio. 

Estranho? De certo modo sim.

Atendendo a que o Porto vinha de um jogo a meio da semana, podendo por isso denotar algum cansaço, estranha-se que tenha atropelado o Chaves desta forma. Para alguns tudo se explica em virtude de um "Super-Porto", no qual Conceição descobriu uma espécie de fórmula do sucesso, transformando jogadores medianos em craques.

É indiscutível que o Porto tem feito uma campanha (muito) acima das expectativas e que o rendimento de alguns jogadores tem sido surpreendentemente alto. Nalguns casos eu não estou no leque dos surpreendidos (havia jogadores emprestados que claramente tinham qualidade), noutros um pouco. Sérgio Oliveira tem tido prestações que eu não esperava, assim como o lateral Ricardo ou até José Sá. 

No entanto esse "Super-Porto" não apareceu quando defrontou o "pobre" Benfica, quando nos encontrávamos no ponto mais baixo da crise. Mesmo nos jogos contra o Sporting, marcando apenas um golo em três jogos, essa grande equipa esteve ausente. Inclusivamente perdeu a única competição referente a esta época já disputada. E veremos o que acontece no primeiro grande teste que terá na Liga dos Campeões. Depois de perder em casa contra o Besiktas (que, obviamente, agora já era uma grande equipa, depois de no ano passado - ainda com Aboubakar - "ser" uma equipa perfeitamente medíocre quando jogou contra o Benfica), o Porto terá no Liverpool um adversário contra o qual poderá provar esta tal "dimensão".

O "caso" Silas e o futuro do Belenenses


Silas foi nomeado treinador do Belenenses pelo dragão de ouro Rui Pedro Soares (que agora alguns, querendo fazer de nós idiotas, pretendem fazer passar por "benfiquista" ou "aliado" de Vieira...), substituindo o ex e actual portista, pai de um jogador do Porto, Domingos Paciência.

Silas destacou-se por ter entrado no lugar com um discurso ambicioso, querendo ganhar ao Benfica. Não ganhou mas empatou. Até aí tudo bem.

O que não se percebe é que desde então tenha perdido por 3-0 em Setúbal e depois sido goleado em casa por 2-5 contra o ... Aves.

A verdade é que o Belenenses está longe de ter assegurado a permanência e acabou de perder para um competidor direto - que podia ter "afundado" na tabela. Terá a vida muito complicada se não mudar rapidamente de vida. Este jogo era muito importante para o clube do Restelo e custa a crer que tenha sido tão mal preparado. Na verdade e sem questionar minimamente a atitude dos de Belém contra o Benfica, porque nunca quererei que ninguém facilite (as vitórias só têm sabor autêntico quando sabemos que os adversários dão tudo, como o Portimonense e é essa a essência do desporto), a verdade é que estes dois (Setúbal e Aves) eram jogos do campeonato do Belenenses, decisivos para a manutenção. Talvez Silas tenha pensado que o clube estava já a salvo a acima desse patamar, podendo jogar por algo mais. Se foi o caso, estava muito enganado. Certo é que a motivação não pode servir apenas para defrontar o Benfica. Caso contrário o Belenenses certamente descerá de divisão.

Agrava este estado de coisas a instabilidade a nível dirigente. Desde que o portista Rui Pedro Soares assumiu a SAD (não se sabe com que objetivo ou para se catapultar para onde) que as relações com o clube estão pelas ruas da amargura. Este cenário pode precipitar o desastre. Os belenenses precisam de ter cabeça porque o clube faz falta ao desporto nacional de primeira linha.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A verdade desportiva segundo o FC Porto

Eles estão com medo, a verdade é essa. Medo, muito medinho.
Apesar da maior campanha alguma vez vista no futebol português (e possivelmente internacional),  orquestrada entre Porto, Sporting e parte da comunicação social (com Rui Santos a ocupar um lugar de pivot) para derrubar o Benfica, o nosso clube mantém-se na luta pelo penta, a uma distância que lhes causa desconforto.
Este medo resulta do poderio que o Benfica tem demonstrado dentro de campo, com exibições de qualidade como a última em Braga, a capacidade da equipa lutar contra as adversidades, a sua força mental, demonstrada pelo querer e pela crença exibidas, e da união entre clube, equipa e adeptos que nenhum inimigo consegue abalar. Esta é a força do Benfica que pode criar nesta segunda volta uma onda capaz de nos levar ao penta. Uma força que apenas o Benfica tem - e que os nossos adversários temem, sentindo-se inferiorizados perante ela.
A lamentável mensagem que o Porto está a passar, de que deve vencer o jogo com o Estoril na secretaria, demonstra que a sua confiança está a começar a sofrer rachas e fissuras. 
Tudo tem corrido bem ao Porto neste campeonato. Tem jogado bem, não tem tido lesões, os jogos têm corrido de feição, as opções do treinador, mesmo quando questionáveis, têm resultado, os jogadores (quase todos) apresentam níveis de rendimento como há muito não se via, nalguns casos o melhor de sempre. Este Porto ainda não enfrentou adversidades, ainda não enfrentou aquele momento na época quando as coisas não correm bem, um azar declarado em dois ou três jogos, um conjunto de lesões, etc, etc. Dá ideia que planeou a época para um arranque fulgurante, no qual esperaria distanciar-se em absoluto da concorrência, através de um pico de forma prematuro.
No entanto essa distância não é assim tão grande, está a chegar um ciclo de muitos jogos e de grande dificuldade e - é patente - temem-se nas antas os efeitos da fadiga física e mental.
Esta nova manobra de tentar assegurar na secretaria a vitória num jogo que está a perder ao intervalo demonstra medo, demonstra insegurança e demonstra falta de confiança nas capacidades próprias. Como assinalado no blog "O fura-redes", este comunicado apanhou o Estoril completamente de surpresa, por ir completamente ao arrepio do acordado entre os clubes, gerando estupefacção entre os canarinhos.
Pela nossa parte, parece-me um bom sinal. Um sinal de que há fissuras no submarino azul. Que, se nós continuarmos a fazer o nosso trabalho, se continuarmos a fazer crescer a onda encarnada, muito em breve aquele submarino começará a meter água por todos os lados.

Nota: é interessante ouvir Manuel Queirós para auscultar o que o Porto está a pensar em cada momento. Embora Queirós seja mais moderado e polido do que os fanáticos e os propagandistas, acaba sempre por confluir com as posições oficiais do FCP, normalmente produzindo curiosos argumentários para lá chegar. Ontem foi ver isso mesmo no "Mais Transferências" da TVI. Foi interessante porque Rui Pedro Braz obrigou Manuel Queiroz a clarificar a sua posição de que o Estoril deveria ser punido com derrota quando este queria deixar a coisa no ar como se estivesse apenas a analisar as várias hipóteses possíveis. 

sábado, 19 de março de 2016

Mais uma etapa - e a rábula dos penalties

O Benfica resolveu muito bem a questão Tondela, conseguindo ser eficaz no primeiro canto que teve (por vezes temos múltiplos lances de bola parada sem que a bola passe sequer do primeiro defesa adversário), marcando o segundo golo na primeira grande jogada de ataque e depois gerindo o jogo a seu bel-prazer, sem sobressaltos e com qualidade.
O jogo podia ter sido bastante mais complicado uma vez que vínhamos de dois jogos de exigência e tensão máxima, de grande desgaste físico e psicológico e para além disso não contávamos com Renato Sanches que tem sido altamente influente.
Rui Vitória voltou a apostar em Fejsa a "trinco" pelo que jogámos com um meio campo menos rodado, ao passo que na direita Nélson Semedo também manteve a titularidade em relação ao jogo da Rússia. De resto tudo igual.
A equipa venceu com segurança e Jonas voltou a bisar e a passar para a frente na corrida pela bota de ouro.
 
Mas Domingo temos novo jogo complicado, perante uma equipa que está numa luta desesperada para não descer e que normalmente se bate até à exaustão, para além de jogar durinho. O Boavista é um adversário que exige que estejamos muito atentos e que sejamos inteligentes na gestão do jogo. Nesta partida não contaremos com Jardel e Mitroglou pelo que outros terão que mostrar serviço, nomeadamente Raúl que será certamente titular ao lado de Jonas.
A semana fica também marcada pela histeria quase demente dos sportinguistas, inventado casos, insinuações e calúnias graves contra o Benfica. Eu percebo que lhes custe engolir a derrota que o Benfica lhes impôs em casa mas não pode valer tudo.
Foram ultrapassados limites de decência e atingiram-se novos patamares de ridículo. Querem penalties na área do Benfica por contactos em lances nos quais o atacante nem sequer se desequilibra e reclamam de foras de jogo em pontapés de baliza... Rogério Alves esteve mais de 20 minutos a falar sem se calar, numa "indignação" quase neurótica e Eduardo Barroso voltou a ver conspirações e ataques imaginários (à semelhança do "encostado") contra o seu querido - e imaculado - Bruno. Patético. Depois dizem-me que Rui Santos voltou à sua pseudo-cruzada outra vez com a conversa de parvos dos penalties, agora dando-se ao trabalho de ir fazer um levantamento dos lances que "podiam ter sido penalty". Este caso já é mais grave porque se trata de um comentador de um espaço supostamente "neutro" mas cuja agenda pro-actual-Sporting é hoje evidente (tal como o foi no passado a sua agenda anti-Paulo Bento).
Há que fazer a desmontagem sistemática desta palhaçada e começar também a responder na mesma moeda, recordando os múltiplos lances em que o Sporting tem sido beneficiado, fazendo por exemplo a contabilidade de quantos penalties deveriam ter sido marcados contra e não foram (por exemplo Guimarães, por exemplo Arouca) e quantos já foram assinalados a favor por comparação com os do Benfica.
Em relação a esta estatística, posso-vos desde já dizer que o clube com mais penalties a favor é o Sporting não apenas esta época mas em praticamente todo este século. Mais: tiveram um ano com um recorde de 17 penalties (2001/2002)... É obra. Mais: estiveram 4 anos e meio sem ter um penalty contra em competições domésticas, prazo que aumenta se contabilizarmos apenas os penalties para o campeonato: 5 anos! É obra a multiplicar por 5.
O Sporting é isto. Aqui ficam os links para este insólito recorde e também a página de estatísticas de penalties a favor:
Desafio os benfiquistas a fazerem a estatística completa dos penalties neste século para esfregar na cara dos sportinguistas.
Quanto ao resto, como disse Dias Ferreira uma vez, são caracóis, são caracolitos.
É ganhar os nossos jogos e deixá-los a falar sozinhos.
 
 
 
 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Caça-fantasmas

Faltam menos de 48 horas.

Escrevi um post há algumas horas, tentado afastar um pouco as atenções de todos nós do clássico de sexta, para descontrair, falando de Alex Ferguson, e consegui a proeza desse ser o post menos lido de sempre deste blog!

Não há volta a dar: os benfiquistas estão focados a 100% no jogo com o Porto.

O que se percebe perfeitamente, até nos casos em que há desconfiança ou pessimismo. Nos últimos 30 anos, por um conjunto de factores de que aqui temos falado várias vezes, o Porto tem sido uma espécie de papão.

É altura porém de por um ponto final nisso.

Com respeito pelo adversário (independentemente do que os seus dirigentes ou funcionários possam dizer acerca do Benfica), com respeito sobretudo pelo jogo e pela competição e, claro, acima de tudo pelo Benfica, a sua história e símbolo, a nossa equipa tem todas as condições para vencer no Porto e de lá trazer o título de campeão.

É hora de acabar com os fantasmas. É hora de desferir um golpe definitivo no sistema, na sua própria casa.




 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Porto-Benfica - o terror e a glória


Na jornada anterior ao jogo decisivo do "dragão", o Porto deslocava-se à Madeira e o Benfica recebia o Estoril.

No painel de apostas do jornal "Sol", todos os concorrentes apostaram numa vitória do Benfica: 10 deles por uma diferença de 2 ou 3 golos e outros dois por 1 golo.

Em relação ao jogo do Porto, sete dos concorrentes apostaram numa vitória portista por um golo de diferença, três por 2 golos e dois apostadores previram um empate.

No entanto o Estoril fez um jogo incrível, talvez o jogo das suas vidas na Luz, empatando e por pouco não vencendo. Carlitos, que foi jogador do Benfica sem nunca ter justificado a sua contratação, esteve, quase 10 anos depois dessa passagem, endiabrado, correndo até ao fim dos 95 minutos, tal como Licá e tantos outros.

Quanto ao Nacional, com  apenas 22 minutos de jogo decorridos perdia já por 3-0 contra um Porto que jogou quase a passo.

Claro que o Benfica podia ter feito mais e melhor, bastando para isso ter concretizado alguma das múltiplas oportunidades de golo, mas não é menos verdade que a determinação e capacidade dos jogadores do Estoril, mesmo reconhecendo-se a sua qualidade exibida ao longo da época, não deixou de ser surpreendente: havia sempre um jogador a interceptar os nossos remates, inclusivamente sobre a linha de golo. E à frente o perigo espreitava a todo o momento: desde Licá ao referido Carlitos, as pilhas não pareciam acabar. O resultado é até lisonjeiro para o Benfica face ao que se passou em campo.

Compare-se esta exibição do Estoril à do Nacional, cujos jogadores e treinador pareceram apáticos e conformados desde o primeiro minuto de jogo. Nacional que jogava em casa e que tinha ainda esperanças de chegar à Europa, face a um Porto que jogava com a pressão de saber que, perdendo, dizia adeus definitivo ao título.

Comparem-se as previsões do painel do "Sol" com os resultados que se verificaram.

Estranho? Certamente que sim. Infelizmente porém esta estranheza já se tornou mais ou menos normal neste País, sempre que o Porto é interveniente. Infelizmente sabemos, por múltiplos testemunhos e registos áudio irrefutáveis, que a trapaça é vista naquele clube como um recurso que não se hesita em utilizar para obter os resultados desejados.

Dito isto, não tenho a menor dúvida de que esses métodos (legítimos e ilegítimos) serão novamente usados no sábado. Não tenho dúvida de que será criado um ambiente terror à volta do jogo. Não tenho dúvidas de que o árbitro entrará em campo fortemente condicionado e muito predisposto a agradar à turba.

Contra tudo isto terá o Benfica que jogar. Tal como em 1991, quando César Brito calou as antas. Eu estava lá! Eu estive lá, não no seio da claque benfiquista, mas entre os adeptos do Porto. Eu sei o que foi aquele ambiente. Eu sei o que sofreram muitos benfiquistas após o fim do jogo, com grupos de adeptos do Porto a perseguir, roubar e espancar adeptos do Benfica que se limitavam a sair em silêncio do Estádio! Polícia nem vê-la! Foi até à estação da Campanhã a fugir, com cafés, portas de prédios, vãos de escada a servirem de abrigo contra a fúria de magotes de portistas. Nada disto saiu na altura na comunicação social, muito embora graças a um grande Senhor, de nome João Santos, se tenha então sabido o que aconteceu a jogadores e dirigentes do Benfica, que estiveram sequestrados nas Antas e tiveram (nalguns casos) que sair numa ambulância para fugir à fúria de adeptos, dirigentes portistas e até de autoridades que os deveriam proteger.

Sábado muitas destas coisas acontecerão de novo. Sábado todos benfiquistas que estarão naquele Estádio serão dignos de admiração pela coragem física que tal demonstra.

Contra tudo isto, uma vitória revestir-se-á de características que a tornarão única e inesquecível. São circunstâncias irrepetíveis que temos que saber aproveitar.

Vi alguns blogs - bem - alertar contra a questão do possível uso de substâncias dopantes. É mais um factor de preocupação. Contra um Benfica com já muitos jogos nas pernas, um porto dopado seria ainda mais difícil de bater. Não temos provas de que assim acontecerá - mas temos muitas suspeitas, perfeitamente sustentadas em testemunhos, alguns dos quais bem recentes.

Esses testemunhos não foram inventados pelos benfiquistas. São reais e vêm de pessoas que nada têm a ganhar ou perder com Benfica ou Porto. Aquilo que vemos também é de molde a criar, no mínimo, algumas perplexidades.

Tomemos por exemplo o jogo de Málaga (Málaga 2- Porto- 0). Será ilegítimo relacionarmos a prestação, por todos reconhecida como abaixo do expectável, do Porto nesse jogo com o facto de ter existido um controlo antidoping que até atrasou a sua comitiva? Será ilegítimo pensarmos que houve alguma razão que levou a que os jogadores escolhidos para este controlo tenham sido Fernando e Mangala?

As suspeitas não são infundadas, como fica demonstrado.

Simplesmente elas não podem servir de desculpa. Se algo de anormal existe, o Benfica tem que saber nas sedes próprias lidar com as situações. Conhecendo-se o passado deste Porto de Pinto da Costa, o Benfica não se pode colocar à mercê das suas múltiplas manobras ilegítimas. Tem que ser agressivo na defesa dos seus interesses e da lisura e verdade desportiva da competição.

De tudo o que fica dito, gostaria de concluir da seguinte forma: em 1991, o Benfica foi capaz, mesmo com terror e violência e tudo o mais que então se passou, sair com a vitória. Esta conquista-se antes de mais no plano mental e aplica-se depois na prática. Nenhum factor estranho será capaz de condicionar nenhum jogador do Benfica se a sua vontade dentro de campo o não permitir. Se a sua crença e determinação superarem a do adversário. É isso que eu espero ver acontecer sábado.



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Porque não jogou o Porto em Setúbal?

Portugal é a vários títulos um País singular. Onde se passam coisas por vezes quase surreais. Onde ninharias merecem páginas e páginas de jornais, dias e dias de debates encarniçados, mas outras bem mais graves são quase ignoradas.

Não digo que o adiamento do Setúbal-Porto seja grave, longe disso. Mas que é estranho, é.

É uma decisão que não se percebe e que não foi explicada.

As imagens do árbitro Proença a deitar a bola para umas poças de água para provar (?) a impraticabilidade do terreno são caricatas. A justificação de que não se viam as linhas do campo são pura e simplesmente falsas porque as imagens mostraram-nas claramente.

Estava a chover? Estava um vento forte? Bom, mas isso não são razões para adiar um jogo.

O Benfica ganhou 6-3 em Alvalade sob fortíssima chuva.

Claro que no reino das coisas mal explicadas que é o nosso futebol, situações destas geram suspeitas. Nomeadamente a de que o jogo foi adiado porque o Porto assim o quis e a própria SportTV terá tido uma palavra a dizer. O que gera novas suspeitas de que há aí uma troca de favores e de que mais uma vez a integridade da competição é posta em causa.

Seja o que fôr, há também que dizer que - mais uma vez - Proença terá feito um favor ao Porto (ou a Joaquim Oliveira). Como árbitro só lhe competia uma coisa: dar início ao jogo e deixar-se de fitas. Se com o decorrer do mesmo o relvado se tornasse verdadeiramente impraticável, então sim interrompia o jogo. Se não procedeu desta maneira é porque alguém lhe disse que não era conveniente que o jogo se disputasse.

Proença até sentiu a necessidade de vir no dia seguinte a público explicar a decisão na televisão, não tendo porém sido nada convincente. Ao ouvi-lo fiquei a pensar: ou realmente este homem é de uma ingenuidade a toda a prova ou então é a nós que nos querem fazer de parvos.

De qualquer modo e para encerrar esta questão, parece-me estranho que o Porto tenha desejado adiar um jogo e colocar-se na posição de estar 3 pontos atrás do Benfica nesta fase do campeonato e apenas com uma jornada de permeio antes do clássico. À partida não me parece a melhor decisão. A não ser que algo me esteja a escapar.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Da atitude do Braga

Disse Artur, no final do jogo de Braga no ano passado, em que faltou a luz por três vezes e Proença viu uma mão de Emerson na área mas não viu um agarrão a Luisão dentro da área do Braga e, numa agressão à cotovelada de Djamal a Gaitan, só viu razão para amarelo, disse Artur no fim desse jogo que "quando o Benfica aqui joga acontecem sempre coisas do outro mundo".

Já quando o Porto joga em Braga, não acontecem nenhumas coisas do outro mundo. Pelo contrário só acontecem coisas bem deste mundo, deste nosso mundo do futebol português: previsíveis e risíveis.

O ano passado deu-se o apagão da equipa do Braga (na altura dizia-se até que Leonardo Jardim estava apalavrado para ser o futuro treinador do Porto). Neste ano deu-se o apagão dos seus dirigentes.

Após um jogo em que nem o árbitro (o tal Xistra que em Coimbra via penalties de cada vez que a Académica se aproximava da área do Benfica - no primeiro, o jogador nem precisou de lá entrar...), nem o fiscal de linha viram um penalty do tamanho da pedreira, em que houve confrontos entre adeptos (e também com a polícia) e lançamento de inúmeros petardos por parte da claque visitantes, Salvador, sempre tão cioso da defesa do seu clube estava desaparecido em parte incerta.

***

É curioso o que vem acontecendo em Braga de há uns anos para cá. Uma cidade hospitaleira e pacífica tornou-se de um momento para o outro de uma hostilidade violenta para com o Benfica e os seus apoiantes. Primeiro foram as agressões cobardes (pelas costas) a Cardozo e até a Raúl José, que ali tinha sido treinador adjunto com Jesus.

Depois foram as agressões, físicas e verbais, de Alan a Javi Garcia que, naturalmente, viria a ser expulso num dos jogos. Pelo meio houve speakers furiosos a berrar durante os jogos, casos de apagões, casos de arbitragens, alegados insultos ao Presidente LFV e ainda casos de agressões, em pleno centro da cidade, a adeptos benfiquistas que pacificamente festejavam a conquista do único título dos últimos anos.

O que fizeram os benfiquistas (tão numerosos em Braga) para merecer este tratamento é algo que permanece por explicar.

Já com o Porto - neste momento bicampeão e até vencedor sobre o Braga de uma final europeia - tudo se parece passar na maior das tranquilidades. E assim foi mais uma vez, pelo menos para os dirigentes do Braga. E os jogadores.

Não consta que Rúben Micael, Hugo Viana (apesar de um bate boca com Vítor Pereira), Mossoró ou Alan tenham agredido ou acusado de racismo ou de qualquer outra falta de carácter nenhum jogador do Porto.

Mais do que isso - e mais surpreendente - é de assinalar que nem de nenhum deles se ouviu qualquer indignação pelo penalty não assinalado. Nem Douglão, que lamentou a falta de sorte, se referiu (que eu tenha ouvido) ao lance.

E do presidente já falei. António Salvador, que na semana anterior se referira ao golo anulado à sua equipa, desta vez ficou mudo e quedo. Eu imagino o que seria se isto se passasse com o Benfica. Mas não passa - não neste mundo. Em três jogos com os grandes, o Braga foi prejudicado em dois e beneficiado num. Advinhem com quem.

Assim se passam as coisas neste mundo.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Benfica TV gera preocupação nos adversários

Desde o seu início, este blog assumiu como objectivo fundamental a defesa intransigente dos interesses do Benfica e da verdade desportiva. E assim foi denunciando algumas situações de flagrante atropelo dessa verdade e dos mais elementares princípios de equidade no futebol português.
Uma dessas situações consiste na evidente selectividade com que por regra são apresentados os casos de arbitragem. E mostrámos como isto é importante não apenas para a percepção que se gera na opinião pública mas também para o sistema continuar a favorecer uns e prejudicar outros, cumprindo formalmente com os regulamentos da Liga. Para essa situação durar e se perpetuar, Pinto da Costa soube manter nos media considerável influência (veja-se a predominância dos "estúdios do Porto" da RTP em matéria de futebol, ou o que se passa na TVI - onde já esteve Júlio Magalhães que assumiu o Porto Canal e está Sousa Martins, que apesar de bom profissional é portista - e no seu site "mais futebol", que chega a roçar o anti-benfiquismo).

Nenhuma influência foi porém tão importante como aquela que Pinto da Costa mantém na Sporttv, pois este canal detém há anos os direitos de transmissão da Liga Portuguesa de Futebol e como tal são os seus realizadores e directores quem determina quais os lances são repetidos, quais os mais escrutinados, quais os que são enviados às outras televisões para os resumos.

Pois bem, ao que parece, esta situação que nunca motivou dúvidas ou hesitações aos poderes do futebol português, torna-se, agora que a Benfica TV poderá vir a transmitir os jogos do Benfica, subitamente problemática, como mostra o blog Pinceladas gloriosas que descobriu no site "mais futebol" um artigo em que aparece o ex-árbitro e "especialista" Pedro Henriques a expressar toda a sua preocupação.

O que demonstra que:

1) tinha o Justiça Benfiquista razão quando alertava para os malefícios de deixar nas mãos da Sporttv, sem controle externo, o importante poder das imagens televisivas (um dos factores para a justiça disciplinar e para a classificação dos árbitros);

2) que o ignorar desta questão, como se ela não existisse, não se devia a ela ser irrelevante mas sim ao facto de todos se sentirem confortáveis com o status quo (o sistema);

3) a decisão de cortar com a Olivedesportos e avançar para a exploração dos direitos televisivos na Benfica TV foi a correcta, como demonstram as várias manifestações do sistema, para quem, neste caso concreto, o que não era antes um problema passou a ser apenas porque se anunciou o fim de um monopólio.

Porque, permitam-me que insista neste ponto, se realmente existe um risco das imagens serem "trabalhadas" e "seleccionadas" (que eu considero que existe de facto), como se explica que só agora ele seja referido? Não se colocou o mesmo problema no passado (e coloca no presente)? Quem fiscalizou a Sporttv? Foi Pedro Henriques?

Folgo em verificar que alguns dos problemas para que aqui vamos alertando comecem a ser publicamente debatidos e que se comece finalmente a desmontar as estruturas de viciação da competição em Portugal. Há que continuar, sem dar tréguas, este combate. Só com total transparência, com um escrutínio permanente do trabalho dos árbitros e de todos os poderes do futebol poderá a competição ser justa, íntegra e sem favorecimentos de nenhuma espécie, como todos nós desejamos.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Eleições disputadas - questão dos direitos televisivos.

É muito positivo o facto do juíz Rui Rangel se estar a preparar para apresentar uma lista alternativa à de Luis Filipe Vieira.
Assente a poeira e acalmados os ânimos depois dos excessos, alguns dos quais inadmissíveis, da última Assembleia Geral, a apresentação desta lista permitirá um debate e troca de ideias entre os benfiquistas e servirá para fomentar maior exigência por parte de todos na defesa do Benfica.

Acresce que ambos os candidatos estão a tentar atrair para as respetivas listas figuras conceituadas, tendo sido referido os nomes de José Eduardo Moniz, para número 2 e Presidente da SAD na lista de Vieira, e de Bagão Felix, Manuel Boto e Camilo Lourenço na lista de Rangel. Confesso que tenho algumas dúvidas que pelo menos alguns destes nomes venham realmente a integrar as listas, mas só facto de serem chamados à vida do Benfica neste momento importante da sua existência, é em si mesmo positivo.

Acima de tudo, é importante que ambos os projectos dêm garantias de estabilidade e de um rumo para o Benfica, o que parece acontecer. Por muitas críticas que se façam a Luis Filipe Vieira - e eu fiz bastantes ao longo do tempo - ninguém deixará de reconhecer que o Benfica tem hoje uma estabilidade que não pode ser comparada com os tempos (não tão longínquos e dramáticos) de irresponsabilidade e semi-caos em que a própria existência do clube tal como o conhecemos chegou a estar ameaçada. Que voltou a vencer no futebol (embora ainda aquém do esperado e do necessário) e que nas modalidades começa a ser novamente o Benfica que todos conhecemos. O Benfica tem para além disso hoje uma marca muito valiosa, um estádio de topo e um canal de TV.

Por outro lado, nomes como os de Bagão Felix, Manuel Boto e até Tavares, que conhecem bem o Benfica e já deram múltiplas provas da sua competência e capacidade de gestão, são também garantias de que o que foi construído não seria deitado borda fora.

Estão portanto reunidas as condições para um debate sério, para olhar para os problemas e desafios que se apresentam para o futuro com diferentes caminhos e propostas de solução entre as quais os benfiquistas poderão serenamente escolher as que lhes derem mais garantias.

Entre as várias questões, as mais importantes são a da sustentatibilidade financeira (mantendo a competitividade desportiva) num contexto global de crise e escassez financeira que afecta toda a Europa e a questão dos direitos televisivos.

Em relação a esta questão, é preciso compreender que a Olivedesportos é uma peça muito importante do sistema que o Benfica tem que combater e erradicar para que a competição volte a ser limpa em Portugal.

Ao longo de décadas, a Olivedesportos criou uma teia de interesses e compadrios em Portugal, beneficiando de uma posição de monopólio, que permitiou ao Porto ser o clube dominante em termos de poder nas estruturas dirigentes e manter uma liquidez financeira superior ao Benfica, quando nós somos o clube com maior capacidade geradora de receita.

Ou seja, a Olivedesportos, pelo que faz e pelo que (num país pequeno em que muitos se sentem inclinados a bajular o poder) insinua, desequilibrou artificalmente a competição em Portugal. Porque é dela que tem vindo o dinheiro que permite a muitos clubes manterem-se à tona de água. Porque as próprias estruturas dirigentes do futebol sabem que são dela dependentes. Porque uma parte do próprio poder político tem sido mantido sob a sua dependência. São jogos de favores, são trocas de influências que se reflectem mais que não sejam no subconsciente dos agentes desportivos (para já não falar dos mal formados, que conscientemente alteram e adulteram a verdade das competições).

A Olivedesportos tem dominado as federações e as ligas, sendo um dos principais instrumentos do sistema. Tem, em termos de puro mercado, injectado no Porto mais dinheiro do que deveria e menos no Benfica. E tem igualmente, através da questão das imagens televisivas, condicionado as arbitragens e as classificações dos árbitros. Sendo que estes dependem de boas classificações para terem carreiras bem remuneradas, tudo fica desvirtuado. As arbitragens de Pedro Proença, recompensadas com finais ao mais alto nível e homenagens que chegam ao caricato, ou de Jorge de Sousa são o resultado deste sistema iníquo. Acredito que hoje já não exista "fruta para dormir", "café com leite", "quinhentinhos" ou viagens ao Brasil, mas existem classificações como árbitros internacionais, arbitragens de jogos da Champions League e finais de grandes competições.

Por tudo isto, a questão dos direitos televisivos é, para mim, a par da questão da sustentabilidade financeira do Benfica, a mais importante destas eleições. Esperemos que ela seja discutida convenientemente no pouco tempo disponível de campanha eleitoral. Cabe ao benfiquistas mantê-la na agenda.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Investigue-se

Depois das acusações graves de Gomes da Silva terem tido repercussão na imprensa, não restava muito caminho à Federação senão investigar os alegados "avisos" ao Benfica e a Vítor Pereira de que se preparava um caldinho com a nomeação de Xistra para Coimbra.

Esta história tem todos os condimentos do futebol português: "erros" arbitrais, manobras de bastidores e suspeições de favorecimento. É o sistema. Há quem só se saiba movimentar em meios obscuros.

A ser verdade Vítor Pereira tem que se demitir - ou ser demitido -, da mesma forma que se não for verdade Rui Gomes da Silva terá que seguir o mesmo caminho.

Isto porque é inadmissível que o Presidente da Arbitragem possa ter sido avisado de que algo de obscuro se preparava e não tenha agido. O mínimo que - a ser verdade, reitero - teria que fazer era denunciar a situação aos orgãos competentes para que tudo fosse investigado.

Se houve um "aviso" há que: 1) identificar quem o fez e 2) questionar quem o fez acerca das razões que tinha para o fazer. Como se sabia que o Benfica iria ser prejudicado? Quem o decidira? Porquê?

Esta história é mais grave - MUITO MAIS GRAVE - do que parece à primeira vista. O "aviso" pode ser a prova de que existe falsificação no futebol português.

A ser verdade, este é um caso que o Benfica tem que agarrar com unhas e dentes, no sentido de que os denunciantes tenham todas as condições, nomeadamente de segurança e que nenhum "acidente" lhes acontece, para dizer tudo o que sabem. É uma oportunidade para acabar com os "esquemas" e para limpar de vez da arbitragem todos aqueles - e são muitos, são mesmo a maioria - que vivem deles, de favorzinhos, de jeitinhos, invariavelmente em benefício do mesmo.

Investigue-se. Até ao fim. E já agora chamem a Polícia Judiciária, porque aí temos garantias de que a investigação será autêntica e não de fachada.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Cruz dos Santos - especialista em arbitragem PORTUGUESA

Cruz dos Santos é, até ver, uma pessoa idónea, que, não temos razões para pensar de outra forma, diz o que pensa. Eu uso estas ressalvas porque pelo menos desde 2009 que as análises de Cruz dos Santos começaram a ser cada vez mais estranhas e curiosamente sempre desfavoráveis ao Benfica.

No nosso futebol falsificado, começa à segunda-feira o exercício "bater no Benfica". Foi com surpresa que ontem, depois da arbitragem xistremática de Coimbra, vi Dias da Cunha a tentar defender o Benfica. Tentar, porque Guilherme Aguiar não deixou. A partir do momento em que as imagens dos lances duvidosos começaram a passar, Aguiar começou a gritar cada vez mais alto, que não se via se era dentro ou fora, que o árbitro não podia ver, que o Nolito devia ser expulso por agarrar o árbitro...

Depois de levar dos árbitros no fim-de-semana, a partir de segunda começamos a levar dos comentadores. E isto pela simples razão de que são sempre dois contra um.

Durante a semana, o exercício continua. E dele faz parte Cruz dos Santos, um "especialista" em arbitragem e uma figura "insuspeita" ou não escrevesse ele n' "A Bola", "orgão oficial do Benfica" como não se cansam de dizer os seus colunistas Moreira e Sousa Tavares. Que aliás usam as suas crónicas para invariavelmente nos dar pancada...

Seja como for, é importante perceber como funcionam as coisas, quer dizer as análises à arbitragem.

Em primeiro lugar há uma triagem que é feita. Nesta triagem seleccionam-se os lances a analisar. Há uma primeira regra: QUALQUER lance em que exista a MÍNIMA HIPÓTESE do Benfica ter sido beneficiado, entra na selecção (e será escalpelizado ao pormenor). Depois há uma segunda regra: só os lances mais graves e evidentes em que o Benfica possa ter sido prejudicado são seleccionados.

(No jogo com a Académica há pelo menos 4 lances em que potencialmente fomos prejudicados e que são ignorados: a entrada brutal sobre Jardel (aceita-se o amarelo como se aceitava o vermelho por jogo violento), o fora de jogo de 3 metros de Marinho não assinalado (quando um de centimetros de Cardozo o foi) e dois possíveis penalties sobre Nolito.)

Mas cá em Portugal há a triagem de que falei. E feita esta triagem, passa-se à análise.

E então, explora-se o lado da análise do lance que nos é mais desfavorável.

Tome-se o lance de Maxi em Coimbra, o primeiro "penalty". Ponto um: estabelece-se que é falta. Ponto dois: é ou não dentro da área. E depois diz-se que o lance é "duvidoso", que o árbitro "não podia ter a certeza", que "dá a ideia que é dentro". E conclui-se que afinal não nos podemos queixar.

A questão é portanto colocada de forma capciosa e intencionalmente desonesta. A questão não é se a falta é dentro ou fora da área. A questão é se É OU NÃO PENALTY. Toda a gente sabe que há inúmeras faltas e faltinhas que são marcadas a meio campo ou contra os avançados que nunca o seriam se daí resultasse um penalty. Mas isto é tão evidente que eu nem deveria ter que o escrever. No entanto, onde a estupidez ou a desonestidade grassa, temos que constantemente estar a repor a verdade. O lance de Maxi NÃO É PENALTY. Ponto final. Admitia-se uma falta fora da área, embora existam dezenas de lances iguais durante os jogos não sancionados. O que não é, não pode ser nunca, é penalty.

Cruz dos Santos, o especialista, diz esta coisa espantosa, que Guilherme Aguiar também disse ontem: "nem a TV me conseguiu provar se o lance é fora ou dentro da área". Ora, se não conseguiu provar, porque se marca penalty? É que um penalty é, a par da expulsão, a decisão mais gravosa para uma equipa que um árbitro pode assinalar. Assume-se portanto que, em caso de dúvida, se prejudica o Benfica. Que Guilherme Aguiar exulte com esse preceito, compreende-se. Já Cruz dos Santos...

Depois temos o segundo "penalty". Aqui é evidente para todos que Garay joga apenas e só a bola e que depois há um contacto inevitável e o jogador da Académica cai. Aliás, o jogador da Académica de certa forma até se atira para a frente. Isto é de uma evidência absoluta.

Mas Cruz dos Santos não concorda. Para ele "no segundo penalty, o toque na bola não significa ausência de infracção e penso que ela existiu, em arrastamento de pé que provocou derrube do atacante."

Em primeiro lugar, isto é escrito num português muito pouco claro e até indigno de um "decano" do jornalismo. Mas se calhar corresponde ao desejado pois é tão confuso que, nas mentes simples, gera a nebulosa que importa agora criar para se branquear mais uma falsificação no futebol português.

Arrastamento de pé? O que é isso?

O que as imagens mostram é só isto: Garay toca na bola e só na bola. Normalmente diz-se que tem que tocar primeiro na bola. Neste caso, ele só toca mesmo na bola.

Introduzem-se assim novos conceitos, como o do "arrastamento de pé" que, note-se bem, "provocou o derrube". Ora um derrube não se provoca, um derrube faz-se.

O que dizem então as regras do futebol (em que Cruz dos Santos é suposto especialista) sobre livres directos?

Passo a citar:

Um pontapé-livre directo será concedido à equipa adversária do jogador que, no entender do árbitro cometa, por negligência, por imprudência ou por excesso de combatividade, uma das sete faltas seguintes:
  • dar ou tentar dar um pontapé num adversário;
  • passar ou tentar passar uma rasteira a um adversário;
  • saltar sobre um adversário;
  • carregar um adversário;
  • agredir ou tentar agredir um adversário;
  • empurrar um adversário.
  • entrar em tacle contra um adversário
Um pontapé livre directo será igualmente concedido à equipa adversária do jogador que cometa uma das três faltas seguintes:
  • agarrar um adversário;
  • cuspir sobre um adversário;
  • tocar deliberadamente a bola com as mãos (excepto o guarda-redes dentro da sua própria área de grande penalidade).
Ora como Garay não cuspui, não agrediu, não agarrou, não tocou com as mãos na bola, não fez tacle, não empurrou, não saltou sobre e não carregou o adversário, restam duas hipóteses. Pergunto então: Garay deu ou tentou dar um pontapé no adversário? Garay passou ou tentou passar uma rasteira ao adversário?

É evidente que não. Porquê então marcar penalty? E porquê falar num "arrastamento de pé" que "provocou o derrube"?

Cruz dos Santos não é, lamento dizê-lo, um perito em arbitragem. É um perito, isso sim, em arbitragens à portuguesa, que é uma coisa bem diferente.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Basta - é hora de derrubar o sistema

Portugal está como está: todos os dias somos bombardeados com más notícias, matraqueados com uma crise que já passou a depressão profunda e da qual parece não haver saída.
São manifestações, é o desânimo geral de se estar num túnel e não se vislumbrar saída. E isto não apenas em Portugal mas em toda a Europa.

Chega o fim de semana e milhões de portugueses como eu desligam das notícias e das desgraças e preparam-se para descontrair, não pensando nos males do mundo e usufruindo do descanso e do lado lúdico da vida. É aí que entra o futebol, que é um JOGO. Queremos golos, emoção, jogadas bonitas, competição, incerteza.

Queremos mas não temos.

Não porque a nossa equipa não jogue bem ou não marque golos - ainda ontem, sob chuva torrencial, depois de uma eliminatória europeia a meio da semana - marcámos dois, vimos um jogador isolado ser parado por um fora de jogo inexistente e mandámos 3 bolas aos ferros.

Não temos porque em Portugal o jogo está viciado.

Há 30 anos, semana sim, semana não (quando não são seguidas), temos espetáculos como o de ontem, nos quais os árbitros assumem o protagonismo, agravados ainda com castigos disciplinares pelo meio.

É hora de dizer BASTA. Os benfiquistas que não vêm isto agora, que está escarrapachado à frente dos olhos, nunca o verão.

Perder ou ganhar é desporto. Todos aceitamos perder ou empatar quando jogamos mal ou o adversário foi superior. Agora ter que engolir semana após semana, ano após ano, roubo, roubo e mais roubo, para mim ultrapassa os limites.

Que direito têm estes poderes podres do futebol em roubar aos benfiquistas o prazer de assistir aos fins de semanas a um jogo LIMPO, SEM MANIPULAÇÕES, EM QUE GANHA O MELHOR?

Porque é mesmo só isto que queremos!

Porque raio temos que passar fins de semana indispostos, revoltados, pela acção, no mínimo incompetente e parcial, no máximo corrupta e manipuladora, de árbitros e orgãos dirigentes do futebol?

Nós, que ALIMENTAMOS o futebol português, que sem o Benfica estaria moribundo, sem espectadores nos estádios e nas televisões!

É hora de dizer chega.

Pela minha parte estou absolutamente certo que é hora de agir. Diria mesmo que esta é a última oportunidade de agir. Caso contrário o Benfica entra numa rota descendente irreversível que o levará a ser um novo Sporting. E depois não há retorno possível.

APELO A TODOS OS BENFIQUISTAS que me lerem e a todos os blogs para lançar um movimento, a começar hoje e que passe pela Assembleia Geral do Benfica, no sentido do nosso Presidente DENUNCIAR, sem mais panos quentes e falinhas mansas, a FALSIFICAÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS.

Chega de falarmos nos blogs, de nos revoltarmos e nada fazermos. A nossa saúde, a nossa sanidade mental, as nossas famílias merecem que passemos das palavras aos actos.

Aquilo a que apelo é que todos os benfiquistas juntem forças, se unam, fazendo jus ao seu lema, e que iniciem, no imediato, um movimento de RUPTURA TOTAL E ABSOLUTA COM O SISTEMA, para levar até às últimas consequências, sejam elas as que forem.

NO IMEDIATO, este movimento deve exigir ao Presidente do BENFICA QUE RETIRE O SEU APOIO AO PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO E A TODOS OS ORGÃOS DIRIGENTES DA ARBITRAGEM E DA DISCIPLINA.

Que denuncie e assuma a sua ruptura, sem medo de dizer alto e bom som o que está a vista de todos e tudo o mais que se souber ( e não deve ser pouco) e que leve essa postura às últimas consequências, com a certeza que todo o universo benfiquista estará por detrás e a apoiará incondicionalmente, sem receio de castigos nem de represálias. Eles que venham.

NINGUÉM PODERÁ IMPEDIR O BENFICA E OS SEUS DIRIGENTES DE DENUNCIAR ESTA FARSA. Ninguém pode calar esta indignação. Porque de facto basta. Já cansa de tanta fantachada. Diz o povo que o que é demais já cheira mal.

Já ninguém acredita neste futebol e pela sua sobrevivência, pois gostamos deste jogo e queremos voltar a ter prazer em vê-lo aos fins-de-semana, há que assumir em pleno a ruptura com este estado de coisas podre.

O Presidente do Benfica contará certamente com milhões de adeptos nesta sua missão.

É preciso COMEÇAR DO ZERO. COM NOVOS ÁRBITROS, NOVOS OBSERVADORES, NOVOS DIRIGENTES.

CASO CONTRÁRIO, O BENFICA DEVE IMPUGNAR A COMPETIÇÃO E PONDERAR BOICOTÁ-LA sem medo das consequências que daí advenham. Sem o Benfica não há competição, não há a seiva que de que se alimenta o sistema.

É preciso ROMPER, é preciso fazer uma REVOLUÇÃO COMPLETA DO FUTEBOL PORTUGUÊS que tire os árbitros e o poder do futebol DA ÓRBITA DO FUTEBOL CLUBE DO PORTO E DA SUA ASSOCIAÇÃO DE UMA VEZ POR TODAS.

CHEGA DA PODRIDÃO DAS HOMENAGENS A ÁRBITROS E VERGONHOSOS COMPADRIOS.

Caso contrário não vale a pena gastar as nossas saúdes a sofrer com esta fantochada a que chamam de Liga Portuguesa. Ofereçam entre si os títulos e as homenagens. Pelo menos não pagamos para ver. Com a carteira e com a saúde.

Apelo a todos os blogs amigos, a todos os benfiquistas que divulguem tanto quanto possível esta mensagem e que contribuam para que este movimento se torne numa força imparável. À direcção que o assuma e que se não puder ou por falta de força ou por ter telhados de vidro, que dê lugar a outros.

domingo, 23 de setembro de 2012

Assassinam o futebol

O que se pode dizer?
Falhamos golos? Claro, todas as equipas falham, desde o Barcelona ao Real Madrid. Robben, Higuain e até Ronaldo falham como Cardozo falhou hoje.
O treinador comete erros? Todos cometem, desde Mourinho, a Heinckes, de Capelo a Domingos a Jesus.
Tivemos azar? Tivemos, três bolas aos ferros em 15 minutos não é uma coisa normal.
Juntem esta combinação e apliquem-lhe um Xistra em cima. Ou um Capela. Ou um Proença. Ou um Hugo Miguéis. Ou, nos dias inspirados, um Jorge Sousa.
E está feito.
No fim do ano temos...

Porto campeão.
Há décadas que este filme se repete.

Verdade desportiva? Fair Play? Valores desportivos? O melhor vence no fim?

Talvez noutras paragens. Aqui o filme é outro.

E não vale a pena dizer muito mais. A quente dizemos o que não queremos realmente - ou não devíamos querer.

Só peço uma coisa. Pelo menos não nos tentem fazer de parvos. Roubem, levem os campeonatos, as taças, tudo falsificado. Mas não nos venham dizer que ganham porque são melhores e trabalham mais.

E aos adeptos do Benfica peço também que não se virem contra os nossos jogadores e treinadores. O stress e desgaste que sofrem por arbitragens desta jaez é tremendo.

Os outros, os "campeões" se tivessem que passar pelo que nós passamos durante uma época, o desgaste mental, físico e psicológico, certamente que não cantariam de galo como cantam. Que não andariam aí a rir-se como riem. Ganham com penalties falsificados, com golos em fora de jogo, com oponentes reduzidos a 10 sem razão, com jogadas anuladas aos adversários por foras de jogo inexistentes.

A nós é a inversa.

Ano, após ano, após ano.
Começo a estar cansado de tanta porcaria.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Conseguiram o que queriam ou a lei de murphy

Desde o primeiro momento que considerei que Luisão tinha arriscado um castigo pesado. Na altura alguma imprensa dizia que esse castigo não era provável, o que era uma boa notícia mas não apagava o erro cometido, aliás totalmente desnecessário.

Simplesmente a chamada lei de Murphy aplica-se ao Benfica como uma certeza matemática.

Porquê? Será um mero acaso?

Eu penso que não.

Ponto prévio: reitero que Luisão, que prezo imenso, que me deu uma alegria gigantesca em 2005 e muitas outras ao longo da sua grande carreira no Benfica, cometeu um erro. Um erro de avaliação: correu extemporaneamente para o árbitro.

Tenho porém a certeza absoluta que a sua intenção não era agredir o árbitro. A coisa sai de proporção quando o árbitro cai daquela forma patética. O mal estava porém feito e o importante era atenuar os estragos. Falar com o árbitro, falar de imediato com o clube alemão. Esse trabalho cabia à direção e não foi feito. O Benfica - mais uma vez - andou distraído. Mas outros estavam - estão sempre - atentos. E não deixam passar oportunidades destas. A lei de murphy aplica-se ao Benfica porque o Benfica tem inimigos (não adversários mas inimigos) que se movem nos meandros do futebol com tremenda eficácia.

O castigo de Jorge Jesus (15 dias durante o defeso) serviu para mostrar que afinal o CD da Federação era nosso "amigo". Tal como Fernando Gomes era nosso amigo e tinha-se zangado com Pinto da Costa quando quis ser eleito para Presidente da Liga (e depois da Federação, quando o poder disciplinar para ali foi transferido).

Acreditem no que vos digo, a lei de murphy aplica-se ao Benfica porque há gente no futebol português que não dorme em serviço. Que sabe muito bem o que anda fazendo.

Depois da "ajuda" e do castigo "amigo" no caso de Jesus (que nada interessava) veio o castigo de Luisão.

Luisão deveria ter sido castigado por comportamento incorrecto. E a fundamentação do parecer deveria ser a de que se tratava de um jogo particular e que não tinha existido nenhuma intenção de agredir o árbitro mas sim um acto irrefletido que tinha tido consequências indesejadas e pelas quais o jogador, aliás exemplarmente correcto durante toda a sua carreira, estava profundamente arrependido.

A moldura penal seria assim outra e o castigo mínimo não seriam 2 meses mas sim 2 jogos.

O Benfica deixou-se dormir - os outros não. Os outros, e penso que Guilherme Aguiar ter-se-á traído quando, cheio de si próprio e provavelmente sabedor do que vinha a caminho, falou na segunda-feira dos grandes amigos que tinha na UEFA e das suas funções de observador internacional, andavam trabalhando nos bastidores para ter a certeza de que o caso estava nos radares da UEFA e FIFA e que assim fosse colocada pressão sobre o CD da Federação.

Nos dias que antecederam o castigo interno foi-se passando a convicção de que se o castigo não fosse pesado a FIFA o poderia agravar. O CD, pressionado, achou que o melhor seria então dar logo uma pena grande, interpretando a "peitada" como agressão. O Benfica calou-se mais uma vez porque ficou satisfeito de, pelo menos, o mesmo não se alargar às competições internacionais.

Mas, mais uma vez, outros não dormiam. Então se o Benfica aceitava que se tratara de uma agressão, se a pena aplicada até fora a mais pequena, como se justificava que Luisão continuasse a actuar em jogos internacionais, nos quais as mensagens ao Fair-Play são constantes e há grande preocupação em proteger a autoridade dos árbitros? Era uma questão de tempo até ao castigo se alargar. E assim aconteceu.

Há quem não ande aqui a dormir - e há quem seja muito ingénuo. Na intersecção destas duas realidades reside a explicação da perfeita aplicação da lei de murphy ao Benfica.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Parabéns Braga

Que grande exibição esta noite do Sp. de Braga!
Personalizada, autoritária, cheia de classe.
Face ao que vi esta noite, vejo-me obrigado a reavaliar o que disse após o jogo da primeira jornada: o Benfica não empatou com uma equipa banal, empatou isso sim com uma equipa madura, com muita qualidade e que joga futebol (o que não quer dizer que não devessemos ter ganho).
No jogo desta noite, houve períodos em que o Braga massacrou a Udinese, "oferecendo" um verdadeiro banho de futebol. Sem medo de enfrentar o adversário, ter a bola e trocá-la, sem medo de ocupar o meio campo adversário, o Braga mereceu inteiramente a "sorte" que teve. Aliás, merecia ter vencido no tempo regulamentar.
Parabéns também a Peseiro, um treinador que gosta de correr riscos, abordagem que Jesus leva ao extremo, o que nem sempre valorizamos. O treinador do Braga montou um esquema ousado que fez com que a sua equipa fosse quase sempre superior. Não fôra o guarda-redes italiano e a eliminatória ter-se-ia decidido mais cedo.
Uma última palavra para a arbitragem: excepcional. Espero que os árbitros portugueses tenham visto, porque só podem ter aprendido. Indiferente a pressões, decidindo sempre em consciência e nunca "compensando", o árbitro foi exactamente aquilo que deve ser no terreno de jogo - um juiz imparcial.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Setúbal-Benfica - casos de arbitragem

Bastaram duas decisões correctas da equipa de arbitragem favoráveis ao Benfica para o treinador adversário e alguma imprensa tentarem transformar uma grande exibição e uma goleada à antiga do Benfica, num caso de manipulação do resultado por parte do árbitro.
É curioso que quando outros vencem por 3 e 4 bolas o resultado "não mente", "tem que se aceitar", "acaba por ser pesado", etc.
Quando o Benfica vence, ainda que seja por 5-0 como neste caso, temos treinadores adversários a atribuir a total responsabilidade do resultado ao árbitro, como aconteceu ontem com José Mota.

Penso que em todo o jogo há quatro lances nos quais os árbitros foram chamados a tomar decisões importantes.

O primeiro é evidentemente o vermelho a Amoreirinha. Antes do jogo tinha ouvido na Antena 1 a análise de José Nunes dizendo que o Setúbal tentaria de início, com um jogo muito físico, intimidar os jogadores do Benfica. Depois de ver a entrada de Amoreirinha (incompreensível, tratando-se de um jogador formado no Benfica) e ouvir as declarações de José Mota fico com a impressão de que realmente essa era a estratégia do Setúbal. Que obviamente correu mal e ainda bem para o futebol. A entrada é de tesoura, violenta e perigosíssima e não pode merecer qualquer outra sanção senão o cartão vermelho. É um caso em que há uma unanimidade completa até do painel de árbitros d' "O Jogo".

O segundo caso é o da posição de Melgarejo no primeiro golo do Benfica. A linha que se vê na televisão dá a ideia de que Melga estaria uns centimetros adiantado (o corpo, porque o pé está em cima da linha). Dá a ideia mas não dá a certeza absoluta, até porque o exacto momento do passe é quase indeterminável. Nestas circunstâncias (se na TV não temos a certeza então o fiscal em tempo real é impossível) manda a lei que se beneficie quem ataca. Nessa medida a decisão foi correcta.

Há depois dois lances de golos anulados ao Benfica (aos 55 e aos 69 minutos). Em ambos os casos parece-me que a decisão é correcta. No primeiro não há dúvidas, no segundo Nolito está ligeiramente adiantado. Também bem portanto.

O que justifica então as lamúrias e o choradinho do treinador do Setúbal, que veio falar de "grandes e pequenos", de "erros graves da equipa de arbitragem", de o terem "impedido de disputar o jogo" e de "dualidade de critérios"?

Aparentemente, José Mota queria que Luisão fosse expulso por uma falta absolutamente banal a meio campo. Ou seja, para Mota, uma vez que Amoreirinha tinha sido expulso, o árbitro deveria também, à primeira oportunidade, dar um vermelho a um jogador do Benfica.

O mais triste é que Mota tem razão em pensar assim. Ele sabe, de experiência, que muitas vezes é assim. Há árbitros que só precisam de um pretexto para expulsar jogadores do Benfica: Proença, Soares Dias, Capelas... Também já Jorge Sousa anulou (mal) um golo a Luisão em Braga e expulsou Cardozo depois deste ser dupla e cobardemente agredido por Mossoró e Ney, no célebre e triste jogo em que também Vandinho agrediu um treinador adjunto do Benfica (e seu no ano anterior) que tentou apaziguar a situação.

Quando um árbitro aplica as regras e essa aplicação resulta em benefício do Benfica, os adversários sentem-se porém injustiçados. É a força do hábito...
Esta é a realidade. E ela só parece adulterada porque vemos comentadores todas a semanas a tentar manipulá-la e porque há jornalistas que são coniventes com essa manipulação. É o exemplo da RTP que no seu resumo do jogo coloca junta as imagens da expulsão de Amoreirinha com o lance de Luisão como se houvesse alguma comparação entre as duas jogadas, sugerindo essa alegada dualidade de critérios e essa "explicação" para o desfecho do jogo.

Pena é que o Benfica nestas situações não tenha uma política de comunicação mais acutilante que ponha as coisas no seu devido lugar.

Uma palavra final para Jorge Sousa. Já nos prejudicou no passado mas ontem demonstrou coragem ao mostrar o vermelho aos 8 minutos. Duvido que o sistema tenha gostado...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Golo de Di Maria - cá era anulado



Foto de thumblr.com

O golo marcado ontem por Di Maria ao Barcelona, se acontecesse em Portugal - E fosse a favor do Benfica - seria anulado por falta do avançado. Isto é tão certo como Pinto de Sousa ter sido presidente do Conselho de Arbitragem e Adriano Pinto advogado de Pinto da Costa.

Os árbitros têm dentro de campo uma latitude tremenda para influenciar e até decidir o desfecho dos jogos.

Neste lance, há uma mão de Di Maria nas costas de Valdez e há um pé que toca na perna do guarda-redes do Barcelona. Para mim e creio que para a esmagadora dos adeptos de futebol isso não é suficiente para ser considerado falta. Mas eu vos garanto aqui que com Proenças, Soares Dias, Jorges de Sousa, Capelas, Benquerenças, Hugos Miguéis e outros, o lance seria interrompido. Isto claro, no caso do mesmo ser a favor do Benfica. Já se fosse o Porto era um lance normal de futebol e nada passava. Exemplos: o "corte" de Polga a varrer as pernas de Gaitan o ano passado em Alvalade. Decisão do árbitro? Canto. Toque de Luisão no pescoço de Wolfswinkel? Penalty e amarelo. Agarrão de Ismailov à camisola de Luisão? Nada. Outro exemplo: pontapeamento de Aimar em Coimbra por trás. Decisão? Falta contra o Benfica. Outro: atropelamento de Saviola dentro da área que roçou o jogo violento contra o Rio Ave. Decisão? Nada, já não ser falta contra o Benfica foi uma sorte.

Mas o melhor exemplo é mesmo o do golo anulado no passado sábado ao Benfica por Soares Dias, que aliás mostrou "muita personalidade" (é um facto, o problema é que a personalidade em causa é má). Qual a razão da anulação? Objetivamente nenhuma, pois Cardozo não tocou no guarda-redes. Deu aparência de falta? De alguma forma, pode-se responder que sim, uma vez que Cardozo salta com aparato. Então que se marque falta! Já está justificado.

Agora a de Gaitan em Alvalade no ano passado: teve aparência de falta? Sim. Foi realmente falta? Sem dúvida. Mas pode-se alegar que o árbitro não teve a certeza absoluta de que foi falta? Lá isso, pode-se de facto... Então não se marque!

Isto acontece por razões que já expliquei e continuará até aos adeptos do Benfica dizerem basta. Até um destes senhores entrar em campo e sentir nos ouvidos e no ambiente o que pensam os benfiquistas acerca desta falsificação. Não estou a falar de violência, que isso é contrário a todos os princípios do desporto, da vida em civilização e aos valores que este blog defende. Nem sequer de "apertões" à moda do Porto. Estou a falar de assobiadelas como antigamente eu ouvia na Luz quando um árbitro fazia um quarto do que estes senhores fazem hoje com total impunidade e complacência dos adeptos.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O caso da jornada

Não falei muito sobre isto, porque penso que o Benfica tinha obrigação de ganhar em casa ao Braga e porque considero quase impensável permitir que uma equipa pouco mais do que mediana dê a volta ao resultado, já na segunda parte e, sublinho, em pleno Estádio da Luz.
No entanto, há que dizer, de forma clara, que o golo anulado por pretensa falta de Cardozo é mais uma habilidade de Soares Dias que prejudica gravemente o Benfica.
É certo que se tivessemos feito o que deveríamos, com o plantel de luxo que temos, a vitória teria sido confortável. Mas não é menos verdade que aquele golo limpo nos daria muito provavelmente os 3 pontos desejados.
O que se passa é que nos vamos habituando a ser prejudicados, de tal forma que o nosso treinador no fim do jogo até considera a arbitragem "excelente".
Assim, ao fim de uma jornada Benfica e Porto, os únicos candidatos ao título, estão empatados com um ponto, sendo que o Porto já se declarou prejudicado (bloqueios?) e o Benfica satisfeito com as arbitragens. Ou seja, pois sabemos como as coisas funcionam por aqui, o Porto tem direito a ser "compensado" e o Benfica provavelmente deverá ser novamente prejudicado no futuro próximo.



Cuidado JJ, Domingo vamos ao Bonfim, um campo onde costumamos ter dificuldades. Com outra arbitragem "excelente" habilitamo-nos a nova desilusão. E aí as coisas podem-se complicar muito...

Assim vai o futebol português, assim vai o futebol do Benfica.

ADENDA: Cruz dos Santos, escreve hoje n' "A Bola" que "ficaram por assinalar dois penalties contra o Gil Vicente" (que jogou contra o Porto) e que as televisões não mostram se Cardozo "tocou" (sic) ou não no guarda-redes. Ora as leis do futebol dizem isto (lei 12):

"Faltas cometidas sobre o guarda-redes

  • Há falta quando um jogador impede o guarda-redes de soltar a bola das mãos.
  • Um jogador deve ser penalizado por jogo perigoso se pontapeia ou tenta pontapear a bola quando o guarda-redes a vai repor em jogo.
  • Há falta quando um jogador impede os movimentos do guarda-redes, por exemplo, durante um pontapé de canto".
Não é preciso dizer mais nada.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

É oficial - Conselho de Disciplina é uma farsa. Futebol português ferido de morte.

Aconselho a leitura da notícia do "Correio da Manhã" de hoje intitulada 'Amigo do FCPorto trama Filipe Vieira'. A história, relativa às razões da punição de Vieira, coincide com o que já ouvi e vi, nomeadamente noutros blogs amigos.
Em duas palavras: no fim do jogo, Vieira, indignado (e bem) com a expulsão de Cardozo (por bater na relva), dirigiu-se em termos menos próprios a Luis Duque, acusando-o de querer controlar a arbitragem para benefício próprio.
A atitude de Vieira, embora seja contestável do ponto de vista da educação e da etiqueta, não me parece porém passível de um castigo.
SOBRETUDO, se considerarmos isto:

- esta situação aconteceu na mesma noite em que um número grande de marginais ateou um incêndio de grandes proporções no Estádio da Luz. Até agora o Conselho de Disciplina nada fez.
- eu vi e o país inteiro também na altura, um fiscal de linha sair do antigo Estádio das Antas corrido a pontapé por dirigentes do Porto, depois do Benfica ali ter ganho 2-0 em 1991. O árbitro levou ainda uma chapada da mulher de Reinaldo Teles e os dirigentes do Benfica tiveram que deixar o Estádio deitados numa ambulância para fugiu aos adeptos e "guardas" que andavam pelos túneis.
- em 2009/2010, Hulk e Sapunaru distribuiram socos e pontapés pelos túneis da Luz. Hulk foi suspenso por 4 meses mas a Federação considerou que esse castigo era inválido e determinou apenas 3 jogos. Ou seja, para a Federação, o que Vieira fez é mais grave do que o que fez Hulk.
- também em 2009/2010, o Benfica é recebido no Porto à pedrada, com bolas de golfe, galinhas dentro de campo e outras originalidades. Não houve consequências.
- em Novembro de 2011, na mesma altura do caso Vieira/Duque, um jornalista da TVI foi insultado por Pinto da Costa e agredido pelos seus capangas. O Sindicato de Jornalistas pediu "mais coragem aos jornalistas que cobrem o FC Porto" e uma "punição exemplar para Pinto da Costa". Naturalmente nada aconteceu.
- segundo a notícia do CM, a instrutora do processo do processo Vieira/Duque propôs o arquivamento do processo e Duque nunca compareceu na Federação para prestar declarações. O relator porém, um adepto do Porto ligado a Lourenço Pinto, levou adiante o castigo.

Face a tudo isto, defendo que o Benfica deverá ponderar muitíssimo bem o que fazer e terá que tomar medidas absolutamente radicais. Eu penso que está na hora do Benfica, no mínimo dos mínimos, reunir uma Assembleia Geral para, com os seus sócios, deliberar o que fazer. O Benfica não pode continuar a fazer parte da farsa completa que é o futebol português.

Um ano igual ao ano passado, em que a classificação foi completamente falsificada, não pode acontecer. Pela minha parte não excluo nada, nem mesmo a não participação nas provas ditas oficiais, ligas da mentira, organizadas (a palavra certa é manipuladas) por gente sem carácter e sem dignidade. Uma exposição bem fundamentada às instâncias internacionais (que ainda assim também não me merecem muito crédito) é outra possibilidade. Acima de tudo, o meu ponto é este: mais do mesmo não vale a pena. É injusto para os atletas, para os sócios e para os adeptos. Algo - de muito sério - tem que ser feito. O Benfica, o verdadeiro sustento do futebol em Portugal, não pode ser o bombo da festa.