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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Da atitude do Braga

Disse Artur, no final do jogo de Braga no ano passado, em que faltou a luz por três vezes e Proença viu uma mão de Emerson na área mas não viu um agarrão a Luisão dentro da área do Braga e, numa agressão à cotovelada de Djamal a Gaitan, só viu razão para amarelo, disse Artur no fim desse jogo que "quando o Benfica aqui joga acontecem sempre coisas do outro mundo".

Já quando o Porto joga em Braga, não acontecem nenhumas coisas do outro mundo. Pelo contrário só acontecem coisas bem deste mundo, deste nosso mundo do futebol português: previsíveis e risíveis.

O ano passado deu-se o apagão da equipa do Braga (na altura dizia-se até que Leonardo Jardim estava apalavrado para ser o futuro treinador do Porto). Neste ano deu-se o apagão dos seus dirigentes.

Após um jogo em que nem o árbitro (o tal Xistra que em Coimbra via penalties de cada vez que a Académica se aproximava da área do Benfica - no primeiro, o jogador nem precisou de lá entrar...), nem o fiscal de linha viram um penalty do tamanho da pedreira, em que houve confrontos entre adeptos (e também com a polícia) e lançamento de inúmeros petardos por parte da claque visitantes, Salvador, sempre tão cioso da defesa do seu clube estava desaparecido em parte incerta.

***

É curioso o que vem acontecendo em Braga de há uns anos para cá. Uma cidade hospitaleira e pacífica tornou-se de um momento para o outro de uma hostilidade violenta para com o Benfica e os seus apoiantes. Primeiro foram as agressões cobardes (pelas costas) a Cardozo e até a Raúl José, que ali tinha sido treinador adjunto com Jesus.

Depois foram as agressões, físicas e verbais, de Alan a Javi Garcia que, naturalmente, viria a ser expulso num dos jogos. Pelo meio houve speakers furiosos a berrar durante os jogos, casos de apagões, casos de arbitragens, alegados insultos ao Presidente LFV e ainda casos de agressões, em pleno centro da cidade, a adeptos benfiquistas que pacificamente festejavam a conquista do único título dos últimos anos.

O que fizeram os benfiquistas (tão numerosos em Braga) para merecer este tratamento é algo que permanece por explicar.

Já com o Porto - neste momento bicampeão e até vencedor sobre o Braga de uma final europeia - tudo se parece passar na maior das tranquilidades. E assim foi mais uma vez, pelo menos para os dirigentes do Braga. E os jogadores.

Não consta que Rúben Micael, Hugo Viana (apesar de um bate boca com Vítor Pereira), Mossoró ou Alan tenham agredido ou acusado de racismo ou de qualquer outra falta de carácter nenhum jogador do Porto.

Mais do que isso - e mais surpreendente - é de assinalar que nem de nenhum deles se ouviu qualquer indignação pelo penalty não assinalado. Nem Douglão, que lamentou a falta de sorte, se referiu (que eu tenha ouvido) ao lance.

E do presidente já falei. António Salvador, que na semana anterior se referira ao golo anulado à sua equipa, desta vez ficou mudo e quedo. Eu imagino o que seria se isto se passasse com o Benfica. Mas não passa - não neste mundo. Em três jogos com os grandes, o Braga foi prejudicado em dois e beneficiado num. Advinhem com quem.

Assim se passam as coisas neste mundo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Problemas laterais que se tornam centrais

A saga continua. Desde que Manuel José foi treinador do Benfica e começou a época sem lateral direito (Calado, lembram-se?, ou um central adaptado ocupavam a posição), com resultados desastrosos, que esta situação se repete.
Na verdade desde que a dupla Álvaro/Veloso se desfez que, com fugazes excepções, o Benfica começou a ter todos os anos problemas nas laterais.
É aliás estranho que os jogadores que melhor desempenharam os lugares nos últimos anos tenham saído rapidamente do clube, por pouco ou nenhum dinheiro, deixando-nos de novo em maus lençóis. Lembro-me por exemplo de Nélson e de Léo.
No ano passado assinalei como Emerson se estava a tornar um problema que ameaçava fazer ruir a época. Infelizmente penso que acabou por ser o caso. Não está em causa a pessoa do jogador, que certamente tentava dar o seu melhor. Está em causa uma má gestão por parte de Jorge Jesus. Com as limitações que tinha, Capdevila teria sido uma solução melhor, pelo menos em alguns jogos. Isso, em larga medida, faz parte do passado, embora não deixe de ser estranho que um jogador titular durante toda a época (Emerson) seja depois dispensado na seguinte (sem sequer uma palavra por parte do treinador que tantas vezes o lançou "às feras") e que um jogador que veio para o Benfica com um enorme curriculo e a custo zero e que foi completamente marginalizado durante a mesma época esteja agora a ver o Benfica a colocar entraves à sua saída. Isto é agravado pelo facto de Capdevila ter perdido no Benfica qualquer hipótese que ainda tivesse de representar a Espanha e estar no fim da sua carreira. Penso que este comportamento em nada nos dignifica.
Mas voltando à época que se avizinha e às opções para as laterais, há que perceber que sem defesa não se ganham campeonatos. E que sem laterais não há solidez na defesa.
Maxi é um jogador extraordinário mas não pode jogar sempre. Tem que existir uma alternativa para os jogos em que não pode dar o seu contributo bem como para aqueles em que é conveniente poupá-lo. Uma alternativa credível. Por outro lado, há que ter dois laterais de raíz para a esquerda. Neste momento não existe nenhum. Não percebo que se dispensem os dois que tínhamos sem ter nenhum contratado. Esta situação tem que ser resolvida sem demora sob pena de mais uma época a marcar passo.

domingo, 22 de abril de 2012

Benfica-Marítimo: Nolito de nota máxima

Muito boa a exibição do Benfica ontem, que nos lembrou a todos porque estivemos este ano à beira de ser campeões.

Em primeiro lugar há um factor muito importante e que não posso deixar de destacar: desta vez não houve habilidades na arbitragem. Bem sei que os propagandistas do costume (os mesmos que nos chamam "clube do regime", quando objectivamente nunca o fomos) tentarão fazer de um lance de possível mão de Nolito à entrada da área o centro de toda a polémica e a "chave" do jogo. Realmente não parece haver mão - eu aliás defendo que mais de metade das mãos não deveriam ser assinaladas, pois não são (como a lei exige para que seja marcada falta) deliberadas - mas isso pouco importa para tais "comentadores". Para eles, o Benfica não ser prejudicado pela arbitragem equivale a ser beneficiado.
Ora foi isso precisamente que aconteceu ontem: o Benfica não foi prejudicado pela arbitragem. Também não foi beneficiado e isso é tudo quanto precisaríamos para ser campeões este ano. Ontem, apesar de todas as críticas de que Bruno Paixão tem sido alvo (talvez por não ser, como outros, moço de recados de Pinto da Costa) a arbitragem foi excepcional. Até nisto: depois de dar um amarelo algo forçado a Roberto Sousa não lhe mostrou o segundo quando ele efectivamente merecia. Dirão alguns "especialistas" da arbitragem: devia ter dado, se a falta era para amarelo não interessa ser o primeiro ou o segundo. Eu discordo em absoluto: não é o mesmo dar um amarelo a um jogador ou deixar uma equipa com menos um elemento. Um árbitro não pode ser o factor desequilibrador dos jogos (como foi Proença tantas vezes contra o Benfica), o árbitro deve ter bom senso e passar tão despercebido quanto possível. O jogo deve ser resolvido pelas equipas e não pelo árbitro. Nessa medida concordo em absoluto com a decisão de Bruno Paixão em não expulsar o jogador. Também muito bem ao dar o amarelo ao jogador do Marítimo que simulou um penalty.

Sem factores estranhos, sem árbitros a condicionar ou mesmo determinar o desfecho dos jogos, a enervar propositadamente os jogadores, o Benfica por regra joga bem e vence. Ontem jogou mesmo muito bem, com destaque muito especial para Nolito. Quer Nolito quer Capdevila foram injustiçados por Jorge Jesus pois mereciam ter sido titulares muito mais vezes esta época. Nolito tem muito de fora de série. É um jogador extremamente batalhador, que nunca desiste do jogo, que tem um enorme talento e visão de jogo. O seu passe para o golo de Bruno César foi para mim o momento mais alto do jogo. Nolito deveria ter sido mais vezes titular e espero que Jesus o tenha percebido em definitivo.

Por outro lado, Capdevila sem ser exuberante ou excepcional não compromete, ao contrário de Emerson que há muitos jogos é um foco de instabilidade e insegurança para a equipa. É outra teimosia de Jesus que não se explica e de cujas consequências negativas espero que tenha retirado a respectiva lição.

A colocação de Matic a titular foi também uma decisão certada. Há muito que era evidente que Javi Garcia (para mim um jogador excepcional) não estava nem perto do seu melhor nível. Estava a precisar de banco. Jesus não usou Matic tanto quanto podia e devia ao longo da época - e nem sempre que o usou o fez do melhor modo.

O mesmo se poderia dizer de Saviola, cuja jogada e passe para o segundo golo são demonstrativos da enorme qualidade que este jogador tem e que infelizmente nalguns jogos desta época não conseguiu demonstrar.

Dito isto, o mérito da excelente exibição e vitória tranquila que tinha desejado na antevisão do jogo é obviamente do treinador. O Benfica quando joga bem é um regalo para a vista. É continuar assim até ao fim. O resto logo se verá.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Emerson

Tirou muitos benfiquistas do sério ontem à noite. Não é a primeira vez, mas ontem a sua tremideira foi demasiado evidente bem como as suas limitações.
Emerson já provou ter algumas qualidades. É esforçado, parece ter algum pulmão, mantém uma condição física relativamente constante durante os jogos e ao longo da época e é muitas vezes o homem que aparece como último defesa, sobretudo nos lances de bola parada.
Tem porém também limitações que se começam a tornar numa vulnerabilidade que ameaça custar a época ao Benfica.
Contra o Porto Emerson foi expulso e tem responsabilidade em dois golos. Ontem é ultrapassado por Ramirez de forma constrangedora para qualquer benfiquista em várias cavalgadas do queniano, uma das quais resultou em golo. Mas além disso e talvez ainda mais grave é que Emerson intranquilizou toda a equipa e as bancadas, perdendo bolas inacreditavelmente na defesa e desperdiçando combinações de ataque. A dados momentos pareceu à beira de um ataque de nervos, demonstrando não ter estrutura mental e confiança para jogar a este nível.
Começa a ser demasiado mau e Jesus terá que tomar uma atitude.
Não há nenhum adversário do Benfica que não privilegie o lado de Emerson para atacar. Ramirez admitiu ontem que o Chelsea o fez por saber que existiam ali "fragilidades".
Emerson ouviu ontem os primeiros assobios a sério do Estádio da Luz. É cruel um jogador ser assobiado pelos seus adeptos, faz-nos ter pena do jogador.
No entanto não é a primeira vez que acontece e as coisas podem-se tornar bem piores se as exibições continuarem a ser deste nível e os erros a sucederem-se.
Lembro-me de um certo Michael Thomas, veterano inglês já sem condições para jogar futebol e que Souness insistia em fazer titular. Ouvia assobios esporádicos até ao dia em que marcou um golo. Souness achou por bem substitui-lo, esperando que aquele jogo marcasse a reconciliação com os adeptos. Houve um coro monumental de assobios e aquele matulão inglês de 35 ou 36 anos saiu do campo lavado em lágrimas. Pouco mais jogou e Graeme Souness saiu com ele pouco depois pela porta pequena.
Espero que não aconteça o mesmo a Emerson, nem a Jesus. A paciência dos adeptos é porém muito limitada e as bancadas podem ser cruéis.