quinta-feira, 21 de setembro de 2017

É preciso regressar à base

O resultado de ontem não me espantou. Os problemas do Benfica nunca se resolveriam num jogo da Taça da Liga no qual a maioria dos titulares estavam ausentes. 

A boa notícia é que apesar deste início aos tropeções nada está ainda perdido. A Supertaça foi vencida, a Taça ainda não começou e o atraso no Campeonato não é irreversível, ao passo que a Taça da Liga será uma competição menos prioritária, que seria positivo vencer mas que não determinará o balanço final da época. Quanto à Liga dos Campeões parece-me difícil conseguir a classificação para os oitavos mas pelo menos a qualificação para a Liga Europa é exigível e não está comprometida. Em suma, será o Campeonato a determinar a época.

No entanto há alguns equívocos a corrigir e algumas retificações a fazer no imediato e o jogo de ontem contribuiu para o firmar de algumas conclusões nesse sentido.

A primeira é de que Júlio César deverá ser, sempre que disponível, o guarda redes do Benfica. Varela é um jovem com valor mas Júlio dá uma segurança diferente à baliza e contribui para a estabilização do sector defensivo.

O regresso de Jardel é uma boa notícia, mas ficámos a saber que Rúben Dias é uma promessa interessante e pode até ser uma alternativa válida.

Não sei o que se passa com Douglas mas ou o jogador recupera e dá provas no imediato ou teremos que ir ao mercado em Janeiro buscar uma alternativa a André Almeida. Este é um jogador dedicado e combativo, com alguns recursos mas que não dá muita dinâmica ao corredor. Ser-lhe-á impossível ser titular a época inteira com todas as competições em causa mantendo um rendimento elevado e constante. Parece-me que o empréstimo de Buta poderá ter sido precipitado.

No meio campo a fragilidade de Fejsa é um problema que já teve consequências, com os maus resultados que se verificam desde a sua lesão, e poderá também ditar uma ida ao mercado. Ficou ontem definitivamente provado (se mais provas fossem precisas) que Filipe Augusto não tem condições para ser titular no Benfica. É um equívoco (?) e um corpo estranho àquele meio campo. Não ataca bem nem defende bem. Samaris voltou ontem a fazer um jogo medíocre mas sabemos que tem capacidade para jogar ali: é um jogador tricampeão no Benfica, com mais de 100 jogos pelo Benfica, que jogou em dérbies e clássicos que vencemos, titular da seleção grega. Por isso Samaris tem que ser sempre o suplente de Fejsa.



Nas alas não se entende a constante rotatividade. Parece-me claro que Rafa para já não é opção: ou Vitória não sabe explorar as características do jogador ou este não consegue gerir o peso da camisola; em qualquer dos casos o rendimento é nulo e não há que insistir. Dê-se tempo ao jogador para recuperar a confiança e volte-se depois a tentar. Cervi pelo contrário já mostrou ser a solução para a esquerda e não se percebe porque deixou de jogar. Na direita Sálvio tem sido o mais constante - e deve ser o titular -  mas o seu esforço precisa de ser gerido.

Estas parecem-se ser as mudanças (que no fundo são um regresso à base) que se exigem para a equipa estabilizar. O que se trata agora é de aguentar o barco, ir ganhando os jogos, com maior ou menor dificuldade e esperar que nada fique comprometido até dezembro. Até lá é com estes que teremos que ir à guerra.

Finalmente uma nota para Rui Vitória. O momento é delicado e percebe-se que procure soluções alternativas que contribuam para contrariar esta fase menos boa. Não deve porém alterar o sistema - vencedor - dos últimos anos, sob pena de perder a única vantagem que ainda detemos - uma bagagem de vitórias e uma habituação da equipa a um modelo. As experiências de ontem em 4-3-3 parecem um pouco deslocadas e um sintoma de algum desnorte: colocar Gabriel na faixa não faz sentido. Há dois anos, sob grande pressão, Vitória conseguiu agarrar o leme e manter a cabeça fria. Precisa de voltar a exercer essa disciplina mental para superar a presente fase negativa.

domingo, 17 de setembro de 2017

Desastroso mas previsível

Quando o Benfica vendeu três titulares da sua estrutura defensiva e contratou apenas um jogador (e mesmo no fecho de mercado) para o sector era evidente que se estava a correr um grande risco, especialmente face às persistentes lesões de Jardel e à veterania de Luisão.
Quando Jardel e Fejsa se lesionaram a situação tornou-se periclitante.
Quando Rui Vitória decidiu ostracizar Samaris e dar a titularidade a Filipe Augusto, era evidente que o desastre estava apenas à espera de acontecer.

É difícil sequer analisar o jogo de jogo. Foi tudo tão mau que nem vale a pena bater no ceguinho. Varela deu um frango monumental, o que acontece. O problema é que quando se tem simultaneamente em campo Varela, Rúben  Dias e  Filipe Augusto, o erro torna-se bem mais provável.
Numa equipa bem oleada, ganhadora e confiante, é possível integrar um destes jogadores jovens sem que o rendimento colectivo seja afectado significativamente. Com o tempo esse jogador pode ascender aos patamares de rendimento exigíveis e passado mais algum tempo ser ele a integrar um novo jovem.
Numa equipa num péssimo momento como é neste momento o Benfica, qualquer jogador jovem está a ser "lançado às feras" e sujeita-se a "queimar-se" muito rapidamente.
Isto aplica-se porém sobretudo a Varela - que devia ter dado o lugar a Júlio César no jogo da Liga dos Campeões - e a Rúben Dias. No caso de Filipe Augusto, é completamente inaceitável e quase inconcebível que Rui Vitória, com Samaris no banco, opte por esta não solução para o nosso meio campo. Custou-nos já um atraso difícil de recuperar tanto na Champions quanto no campeonato. E Vitória que não me venha com estatísticas nem com apologias do jogador (quando ele próprio sempre diz que não gosta de individualizar). Faz-me lembrar Souness a defender Thomas. Mas o que é isto?

A defesa do Benfica é hoje uma calamidade e isso resulta principalmente dos dois factores que já apontei acima e que estavam à vista de toda a gente: por um lado uma defesa onde não abunda muito a qualidade, por outro um meio campo que pura e simplesmente não cobre. Jogo após jogo qualquer ataque mediano nos coloca em pânico. Jogo após jogo sofremos golos. Muitos dos golos sofridos parecem de apanhados: cortes falhados uns atrás dos outros, jogadores a cair, a chutar contra o adversário, a não conseguirem limpar a bola da área. O que é isto? Isto é uma equipa tetracampeã??

Quando as coisas correm mal tiram-se defesas, adaptam-se jogadores e joga-se com 3 e 4 pontas de lança, sem que se faça um cruzamento em condições para a área.

Rui Vitória parece completamente desorientado e precisa urgentemente de rever o que está a fazer. Rui Vitória está a ser prepotente e teimoso, ao embirrar com jogadores como Jimenez e Samaris, com enorme prejuízo para a equipa. O próprio mau rendimento de Lizandro (sinceramente tenho dúvidas em relação à suposta doença que o afastou do Bessa) pode ter a ver com o facto do jogador sentir que o treinador não lhe dá oportunidades e que o tira à primeira oportunidade (como aconteceu com o CSKA numa substituição incompreensível). Num plantel já de si com pouca qualidade, deixar no banco jogadores como os já referidos e Júlio César é "criminoso".

Claro que Vitória não tem culpa da falta de soluções. O que a administração fez neste mercado é algo de indesculpável. Como é que um clube "falido" como o Sporting se reforça com jogadores de qualidade inegável e o Benfica depois de anos a facturar centenas de milhões não apresenta uma única contratação de jeito para os sectores mais fragilizados? Isto para já nem voltar à questão de Augusto. É um rapaz esforçado, seguramente um excelente profissional e nunca o assobiarei ou insultarei, mas obviamente não é para estas andanças. A dispensa de Horta faz ainda menos sentido perante esta situação.

No entanto Vitória está a dar tiros nos pés e a tornar uma situação já de si complicada numa situação possivelmente calamitosa. Ou arrepia caminho e volta à postura do primeiro ano ou se continua neste caminho não acaba a época. Nada ainda está perdido mas as coisas estão muito complicadas neste momento. É preciso uma mudança séria e as notícias de constantes entradas e saídas na estrutura também não ajudam à estabilidade que será precisa nesta fase. Não venham é com o discurso de que os adeptos têm que fazer isto e aquilo. Os adeptos gastam o seu dinheiro para que todos estes profissionais ganhem os milhões que ganham. São eles e não nós quem tem que fazer muito mais e melhor.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

É favor subir o nível

O espectáculo deprimente do director de comunicação do Porto ameaça arrastar o futebol para novos níveis de indecência e indignidade.

Tenho evitado falar no assunto porque sinceramente me enoja. Mantenho no essencial o que já disse, que até ao momento não vi provas de que algo de irregular se tenha passado, mas que se investigue tudo.

As "revelações" do canal Porto irão supostamente continuar porque "o melhor está para vir". É uma estratégia de desgaste que se arrasta nesta telenovela de péssima qualidade, deprimente mesmo.

Andam espiolhando e coscuvilhando comunicações privadas, sempre em busca de coisas picantes, transformando-as em espectáculo público. Não entendo como é isto possível num Estado de Direito: todas as pessoas têm direito à sua privacidade, sendo inaceitável serem expostas em público, de forma parcial e selectiva, a insinuações e acusações por parte dos seus inimigos.

Isto não invalida, como disse, que se investigue tudo. Mas quem fará a investigação adequada são as instâncias legais e não um qualquer personagem de uma novela nortenha de terceira categoria.

Se tudo achávamos já ter visto, nas duas últimas semanas conseguiram voltar a surpreender-nos. Agora acusam o Benfica de ter recorrido a um "bruxo" da Guiné Bissau. Mais uma vez, a serem os mails legítimos, estamos no terreno do crime de violação de correspondência e de exposição indevida da vida privada, pelo que não se percebe como não foram já accionadas medidas para de imediato parar esta actuação do Porto.

Mas se a "acusação" me parecia absurda, aquilo que se tem vindo a saber deixa-me ainda mais perplexo. Veio-se a saber (não através de emails indevidamente violados mas de testemunhos de intervenientes) que o Porto teve "bruxos" durante anos e anos. Que nalguns casos acompanham a equipa com regularidade. Algo que torna a "acusação" ao Benfica ainda mais absurda, se é que tal é possível.

Mas a reacção de Rui Gomes da Silva é também ela surpreendente. Quando se esperava que desmentisse e ridicularizasse a estória, enveredou por uma linguagem jurídica e calculista (desafio a fazerem uma peritagem à assinatura [do suposto contrato]) no programa "O Dia Seguinte". Para além disso, deixou também por estes dias de ser colaborador d' "A Bola" e anunciou que irá colaborar com o blog "Novo Geração Benfica"...

A terminar, não deixo de notar que Pedro Guerra prometera "revelações" bombásticas sobre Bruno de Carvalho para esta semana no "Prolongamento" mas ... o programa não se realizou! Já estava previsto que o programa não se realizaria? Pedro Guerra já o sabia quando prometeu essas "revelações"? Tudo é estranho porque o Sporting ficou aparentemente muito preocupado e até fez comunicados quando apenas havia essa "ameaça".

Enfim, não é por acaso que estamos na silly season.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Uma oportunidade única

Vou rapidamente passar por cima da controvérsia dos emails. Se algo de errado ou ilegal se passou, que seja investigado até às últimas consequências e os eventuais culpados devidamente punidos. No entanto nada do que até ao momento veio a público me parece susceptível de condenação. São conversas, mais ou menos próprias, cada um fará o seu juízo, com pouco ou nenhum contexto, que não indiciam (pelo que vi até ao momento) nenhum facto grave. O Benfica não precisa de favores nenhuns de arbitragem - precisa somente de não ser deliberadamente prejudicado. Sabemos que o Porto controlava a arbitragem e que era preciso desmontar esse sistema. É nesse sentido que interpreto os emails de Paulo Gonçalves. Quanto ao resto, não gosto de proximidades com os árbitros ou as arbitragens e penso que se podem por essa via criar situações dúbias que há que evitar a todo o custo.

Percebe-se que há uma estratégia de desgaste e difamação por parte de Porto e Sporting. Os gabinetes de "informação" não passam de centrais de propaganda destinadas a manipular os factos e acicatar os ânimos em permanência. Os chefes desses gabinetes inspiram-me tanta confiança como o presidente Maduro da Venezuela.

Dito isto, a época futebolística do Benfica voltou a ser de tremendo sucesso. O Benfica venceu as principais competições - e convenceu. Alcançámos o primeiro tetra da nossa história, apesar da aliança ímpia e interesseira "dragarta" e sua da constante propaganda, e fizemos mais uma dobradinha. O Benfica foi claramente a melhor equipa, não tendo perdido um único jogo contra os rivais. 

Face a este quadro e às grandes dificuldades financeiras com que se deparam os nossos adversários, apresenta-se ao Benfica uma enorme oportunidade de fazer ainda mais história. O Benfica tem todas as condições para conquistar o penta. Temos o balanço dos últimos anos, continuamos a ter (até agora) o grosso dos jogadores campeões (embora no sector defensivo se verifiquem muitas saídas) e enfrentamos adversários que muito sinceramente não estão no nosso patamar em vários dos factores críticos do sucesso. 

O Benfica precisa claramente de colmatar saídas importantes e reforçar-se com qualidade. Face às vendas (quase astronómicas), temos opções para tal. O Benfica pode efectivamente (ao contrário dos seus rivais) gastar para contratar jogadores de classe. Que são aqueles que fazem a diferença. O Benfica foi campeão por um conjunto de factores (a estabilidade e condições dadas aos atletas, o excelente  trabalho que Rui Vitória fez, a massa adepta) mas um deles é provavelmente o mais determinante: teve os melhores jogadores. O Sporting tem um ponta de lança extremamente eficaz mas o Benfica tem 3 pontas de lança, todos eles diferentes, todos eles de grande qualidade. Jonas evidentemente que se destaca pela classe e é capaz de trazer aquela ponta de qualidade extra que muitas vezes faz pender a balança. No entanto Jimenez (nem sempre aproveitado ao máximo) também me parece ter esse pozinho extra, ao passo que Mitroglou, quando em forma, é extremamente eficaz. 
Pizzi é outro jogador de classe, como o é Sálvio (no fim da época muito desgastado), como é Grimaldo e outros. Nélson Semedo é outro jogador que se distingue de toda a concorrência pela sua capacidade física e não só. São estes jogadores que colocam o Benfica sempre mais próximo de ganhar. Saindo algum deles (para além das transferências confirmadas de Lindelof e Édeson) terão que ser substituídos por outros jogadores de classe.

Em suma, o Benfica tem agora uma oportunidade única, dada a sua posição financeira e a qualidade do seu plantel, para ganhar de forma sustentada. Cada ano mais que ganhamos colocamos mais pressão sobre os adversários, as suas finanças e a estabilidade da sua estrutura. O Porto vai começar do zero pelo quinto ano consecutivo. Novo treinador, plantel muito transformado (e pouco dinheiro para investir em bons jogadores) e muita pressão para ganhar, com Pinto da Costa já desgastado e sem margem para novos fracassos. No Sporting a relação entre o presidente e o treinador está num ponto muito baixo. Eles estão atados um ao outro pelo valor exorbitante da indemnização que uma saída implicaria para quem assumisse o divórcio mas qualquer insucesso será sempre atirado para cima do outro (ou porque não deu as condições necessárias para ganhar ou porque falhou apesar do maior salário do futebol português). A equipa do Sporting não deverá melhorar, sendo que alguns dos jogadores mais conceituados deverão sair, por o seu rendimento não ter correspondido ao esperado. A questão é que dificilmente contratarão melhor.

Para concluir, estas condições favoráveis só se traduzirão em resultados positivos se o Benfica enfrentar a competição com a seriedade e o rigor que tem usado, sem facilitismo nem subestimar os adversários. Sabemos como se geram ondas positivas se uma equipa começa a ganhar um ciclo importante de jogos e como isso tantas vezes transforma plantéis razoáveis em equipas vencedoras. Nada está portanto de modo algum garantido. Acontece só que temos uma boa plataforma a partir da qual podemos construir mais uma época de sucesso. Mas para tal é preciso fazer as coisas bem. Nomeadamente assegurar mais uma vez um plantel de grande qualidade, a começar pelo sector defensivo onde se verificam várias saídas.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Benfica voltou

A quebra de um ciclo negro

Agora sim, podemos considerar que o Benfica voltou a vencer de forma consistente e continuada. Foi esse o seu timbre durante largas décadas, mas infelizmente um período de desacerto irresponsável e criminoso na gestão levou a que estivéssemos 7 anos sem ganhar nada e 11 anos sem um campeonato. O jejum de títulos foi quebrado na época 2003/04 com a conquista da Taça de Portugal por Camacho (contra o Porto de Mourinho) e logo no ano seguinte chegaria o título de campeão. Esse título fica ligado a meu ver a três nomes; obviamente ao treinador, a velha raposa Trapattoni, ao nosso melhor jogador da altura, Simão, que fez uma época brutal, e a Luisão pelo golo decisivo marcado ao Sporting na penúltima jornada do campeonato.
No entanto esse título não teve continuidade. Depois de termos vencido a Supertaça no ano seguinte, enfrentámos nova seca de títulos e permitimos um novo "tetra" ao Porto.
Depois chegou Jorge Jesus e vencemos o campeonato com grande autoridade, impondo uma série de goleadas ao longo da época. Tínhamos uma grande equipa. Mas novamente não soubemos edificar sobre essa vitória e os três anos seguintes seriam de constantes desilusões, tendo-se permitido novo "tri" ao Porto. As taças da Liga atenuaram um pouco o sofrimento, mas só isso.
Finalmente com a presente conquista de 4 campeonatos podemos dizer que o ciclo negro está quebrado. O Benfica soube construir sobre as vitórias, conseguindo uma sucessão de títulos: 11 nos últimos 4 anos. Mas isto não acabou. Pelo contrário, no futebol cada ano é como se começasse do zero, pelo que o que se espera é que o ciclo virtuoso se prolongue. E as condições para tal existem.

Uma dupla dobradinha

Ao vencer a Taça o Benfica conseguiu a almejada dobradinha. A anterior aconteça há 3 anos, mas antes disso tínhamos que recuar até à época 86/87 para encontrar uma dupla vitória benfiquistas nas principais competições nacionais. De destacar também que em 2013/2014 conquistámos campeonato, taça e taça da Liga, vindo no ano seguinte a juntar-lhes ainda a supertaça. 
A dobradinha deste ano tem entretanto um significado adicional: é que ao conquistar o 36º título nacional, o Benfica dobra os campeonatos do Sporting (18). É isto - e só isto - que explica a razão pela qual o presidente do Sporting se lembrou este ano de querer juntar os campeonatos de Portugal à contabilidade dos campeonatos nacionais. Recorde-se que esta competição era disputada no sistema de eliminação, pelo que foi assimilada à Taça. Não há qualquer razão aparente para o desejo do presidente do Sporting. O que ficaria o Sporting a ganhar atendendo a que venceu esta competição (disputada nos anos 20 e 30 do século passado) o mesmo número de vezes que Porto e apenas mais uma do que o Benfica? Aparentemente nada. No entanto se esses títulos fossem contabilizados como campeonatos o Benfica já não dobraria, como agora fez, o número de campeonatos do Sporting.

Reforço do estatuto de clube com mais títulos

O Benfica é o clube com mais campeonatos e mais taças, num total de 62. Porto (43) e Sporting (34) estão a uma grande distância. No entanto, na contabilidade total o Porto está bem mais perto, tendo inclusivamente a dada altura chegado a ultrapassar o nosso clube, algo que só nos últimos anos conseguimos reverter. Há uma causa principal para isto: o Porto tem um número astronómico de supertaças - 20, contra apenas 6 do Benfica. Também em termos europeus o Porto tem mais títulos: 7 contra 2 do Benfica (a Taça Latina vencida pelo nosso clube continua a não ser contabilizada por alegadamente não ser uma prova oficial).
Assim o total de títulos (que em agosto de 2013 nos dava uma destantagem para o Porto 69-74) indica neste momento 80 para o Benfica contra 74 para o Porto. 



quarta-feira, 24 de maio de 2017

A ilusão do video-árbitro

A FIFA cedeu à pressão das tecnologias e permitiu a introdução do vídeo-árbitro no futebol profissional.


Benfica e Guimarães serão no domingo as cobaias nacionais para este exercício que alguns iluminados acham que será a salvação do futebol, mas sobre o qual tenho as maiores reservas.


A primeira experiência ocorreu, recorde-se no mundial de clubes e a trapalhada foi completa: o jogo a ser interrompido para "voltar" a uma situação que ocorrera minutos antes, ninguém sem saber muito bem o que fazer, os jogadores a manifestarem veementes protestos. Dir-se-á que com a prática as coisas melhorarão mas eu estou convencido de que algo mudará no futebol para pior e vou explicar as razões para tal.

Um dos argumentos normalmente apresentados em favor do vídeo-árbitro é a sua utilização no râguebi e no futebol americano. Se estes desportos o usam e com "sucesso", então o futebol está a ser retrógrado em não introduzir a análise das imagens para avaliar os lances.

Mas será que a comparação faz sentido? A meu ver não. O futebol americano é um desporto completamente desinteressante para a maioria dos europeus pelo facto de estar sempre parado. Joga-se alguns segundos, há uma placagem ou um passe perdido e o jogo é interrompido para novamente organizar as linhas. Cada jogo demora horas. O râguebi, sendo um jogo mais movimentado, não é no entanto comparável ao futebol na velocidade do jogo. Existem formações espontâneas e formações ordenadas (incluindo os lançamentos laterais) nas quais a bola está parada durante largos segundos e a velocidade média dos jogadores não se compara ao futebol. Para perceber a diferença de dinâmica dos dois jogos basta pensar que para 15 jogadores de râguebi existem apenas 10+1 no futebol. Ao que acresce que o campo de futebol é maior. No râguebi a progressão é feita através de jogadores que correm com a bola (e só a podem passar para trás), ao passo que no futebol a bola pode ser passada rapidamente para a frente e a longas distâncias. 

Consequentemente o futebol é um jogo muito mais rápido do que o râguebi, a que acresce que tem uma maior percentagem de jogo jogado (eliminando os tempos mortos). Enquanto no râguebi o jogo jogado é em média cerca de 45%, no futebol este valor sobe para quase 60% (números médios nos jogos internacionais). Isto para já nem falar do futebol americano. Aí o tempo de jogo diminui para uns míseros 11 minutos... Ao longo de um jogo que se prolonga por 4 horas... Isto pode ser um sucesso para os patrocinadores que têm tempo televisivo quase inesgotável mas dificilmente o será para os espectadores.

As consequências são as seguintes: se no râguebi, um jogo já de si lento, o impacto da paragem para revisão dos lances pelo vídeo-árbitro pode ser relativamente diluído, no futebol esse impacto será muito maior, representando uma quebra importante no ritmo de jogo. Às paragens de jogo para assistência aos jogadores (paragens que desagradam muito aos espectadores) acrescentar-se-ão  timeouts arbitrais. A fluidez e o ritmo de jogo serão fortemente afectados. O impacto negativo para o jogo enquanto tal poderá ser brutal.


Acresce que o vídeo-árbitro, ao contrário do que pensam os seus grandes partidário, não resolverá os problemas da arbitragem e não eliminará as polémicas. 


Por todas estas razões tenho as maiores dúvidas de que este sistema venha a melhorar o futebol. Pelo contrário. A não ser que sejam introduzidas regras muito claras e que o recurso ao sistema seja apenas excepcional, para corrigir ou impedir erros flagrantes, há um risco grande do vídeo-árbitro vir a estragar o futebol tal como o conhecemos e apreciamos.

Concentração

Nos últimos dias foram múltiplas as notícias negativas contra o Benfica. Afinal, há que dar um pouco de ânimo aos nossos adversários: um deles acabou de despedir o treinador que supostamente ia trazer de volta o "somos Porto", o outro tem um treinador pago a peso de ouro que já só se quer ir embora mas o seu presidente não o deixa. Ambos investiram fortemente nos plantéis para não ganhar nenhum título. Ambos andaram a reclamar que o Benfica era ajudado pelos árbitros e no fim do campeonato nem mesmo ajudados eles pelos árbitros foram capazes de fazer coisa alguma.

Dá-se assim a coisa espantosa de que antes ainda da época acabar já temos os nossos adversários a prometer que vão ser campeões... Foi o caso de Layun e de Piccini... 

Entre as estórias negativas mais reportadas destacam-se o castigo de Samaris e a recomendação de um inquérito a Rui Vitória. Adenda: Isto para já nem falar sobre a alegada investigação da "Sábado" aos negócios de Luis Filipe Vieira e os rumores das saídas de quase todos os jogadores do plantel mais o treinador.


Relativamente ao castigo, é evidente que Samaris agride o adversário mas 4 jogos é manifestamente exagerado. Em momento nenhum o grego colocou em causa a integridade física do seu adversário. Não estamos propriamente a falar de uma mão puxada atrás para magoar o adversário, de um murro dado pelas costas ou de uma cabeçada para magoar. Que eu saiba o adversário não ficou propriamente lesionado com a acção de Samaris, aliás mal esboçou uma reacção. Perigosa sim foi a cotovelada de Slimani na época anterior, dada na nuca do mesmo Samaris e à traição. Para esta acção de Samaris "valer" uma suspensão de 4 jogos, essa agressão deveria ter valido 8.


Mas nada disto espanta. Esperava-se que com toda a histeria dos dirigentes e comentadores dos clubes aliados sporto, e a complacência ou apoio de muitos media, algo deste género pudesse acontecer. Afinal de contas o Benfica já andava a ganhar "demais", sendo importante impor-lhe uma derrota. Ficaram assim os adeptos do sporto com o seu "tetra"- 4 jogos de castigo para Samaris. Eles têm sempre um ódio de estimação. Durante muitos anos foi Maxi (que agora passou a ser um menino de coro e uma vítima...), Luisão (que continua a ser) e agora é também Samaris.

O importante porém para o Benfica é a concentração para a final da Taça de Portugal. É muito importante conquistar este troféu, não apenas porque se trata de uma competição central da história do futebol português mas também para consolidar o presente ciclo de vitórias. E é certo que não será um jogo fácil. O Guimarães certamente que terá tirado ilações da goleada sofrida na Luz duas semanas antes e apresentará seguramente um plano de jogo destinado a frustrar as nossas intenções atacantes.

Por tudo isto será importante o Benfica estar focado exclusivamente no jogo de domingo e ser capaz de entrar em campo com uma grande atitude e mentalidade para conquistar mais um troféu. É importante dar continuidade e consistência a este ciclo de vitórias.