quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A verdade desportiva segundo o FC Porto

Eles estão com medo, a verdade é essa. Medo, muito medinho.
Apesar da maior campanha alguma vez vista no futebol português (e possivelmente internacional),  orquestrada entre Porto, Sporting e parte da comunicação social (com Rui Santos a ocupar um lugar de pivot) para derrubar o Benfica, o nosso clube mantém-se na luta pelo penta, a uma distância que lhes causa desconforto.
Este medo resulta do poderio que o Benfica tem demonstrado dentro de campo, com exibições de qualidade como a última em Braga, a capacidade da equipa lutar contra as adversidades, a sua força mental, demonstrada pelo querer e pela crença exibidas, e da união entre clube, equipa e adeptos que nenhum inimigo consegue abalar. Esta é a força do Benfica que pode criar nesta segunda volta uma onda capaz de nos levar ao penta. Uma força que apenas o Benfica tem - e que os nossos adversários temem, sentindo-se inferiorizados perante ela.
A lamentável mensagem que o Porto está a passar, de que deve vencer o jogo com o Estoril na secretaria, demonstra que a sua confiança está a começar a sofrer rachas e fissuras. 
Tudo tem corrido bem ao Porto neste campeonato. Tem jogado bem, não tem tido lesões, os jogos têm corrido de feição, as opções do treinador, mesmo quando questionáveis, têm resultado, os jogadores (quase todos) apresentam níveis de rendimento como há muito não se via, nalguns casos o melhor de sempre. Este Porto ainda não enfrentou adversidades, ainda não enfrentou aquele momento na época quando as coisas não correm bem, um azar declarado em dois ou três jogos, um conjunto de lesões, etc, etc. Dá ideia que planeou a época para um arranque fulgurante, no qual esperaria distanciar-se em absoluto da concorrência, através de um pico de forma prematuro.
No entanto essa distância não é assim tão grande, está a chegar um ciclo de muitos jogos e de grande dificuldade e - é patente - temem-se nas antas os efeitos da fadiga física e mental.
Esta nova manobra de tentar assegurar na secretaria a vitória num jogo que está a perder ao intervalo demonstra medo, demonstra insegurança e demonstra falta de confiança nas capacidades próprias. Como assinalado no blog "O fura-redes", este comunicado apanhou o Estoril completamente de surpresa, por ir completamente ao arrepio do acordado entre os clubes, gerando estupefacção entre os canarinhos.
Pela nossa parte, parece-me um bom sinal. Um sinal de que há fissuras no submarino azul. Que, se nós continuarmos a fazer o nosso trabalho, se continuarmos a fazer crescer a onda encarnada, muito em breve aquele submarino começará a meter água por todos os lados.

Nota: é interessante ouvir Manuel Queirós para auscultar o que o Porto está a pensar em cada momento. Embora Queirós seja mais moderado e polido do que os fanáticos e os propagandistas, acaba sempre por confluir com as posições oficiais do FCP, normalmente produzindo curiosos argumentários para lá chegar. Ontem foi ver isso mesmo no "Mais Transferências" da TVI. Foi interessante porque Rui Pedro Braz obrigou Manuel Queiroz a clarificar a sua posição de que o Estoril deveria ser punido com derrota quando este queria deixar a coisa no ar como se estivesse apenas a analisar as várias hipóteses possíveis. 

sábado, 13 de janeiro de 2018

Classe!

Atitude, domínio do jogo, enorme qualidade táctica, grande pressão sobre o adversário, recuperação rápida da bola, boas jogadas de ataque e belíssimos golos, assim se pode caracterizar a exibição do Benfica em Braga. 

Este era um jogo decisivo, no qual precisávamos impreterivelmente de vencer, jogando portanto sob enorme pressão. O Benfica entrou em campo sentindo a responsabilidade de vencer - pela determinação que demonstrou e capacidade de ganhar as divididas - mas sem acusar qualquer nervosismo. Pelo contrário, o Benfica mostrou neste jogo enorme classe. Essa é a realidade. O Benfica está a jogar muito futebol neste momento, apesar de serem os outros, os verde-azuis, a equipa de Rui Santos, os que levam todas as loas, encómios e panegíricos dos comentaristas especializados da nossa praça.
Já no dragão, quando deveríamos ter sido esmagados, em pleno auge da crise, conseguimos dominar quase toda a primeira parte. Na Luz, quando deveríamos ter sido goleados e definitivamente afastados do título, demos um banho de bola ao Sporting, que praticamente não saiu da sua grande área durante 75 minutos de jogo. 
E hoje voltámos a dar uma grande resposta, num jogo de grau de dificuldade muito elevado, vencendo com total justiça.
Não passámos obviamente a ser os favoritos para o título, não mudámos o rumo da época através desta vitória, mas temos o direito de celebrar e nos sentir felizes esta noite, até por tudo o que já passamos esta época. 
Além disso, objetivamente o Benfica já fez todas as deslocações tradicionalmente mais difíceis (excepto Alvalade). Já jogámos no Porto (contra Porto e Boavista), na Madeira, em Guimarães, em Braga, em Chaves e em Vila do Conde. 
Por incrível que pareça, até ao fim do campeonato o Benfica tem apenas mais 7 deslocações e só duas a norte. 
Há que acreditar, há que fazer acordar novamente o gigante. O Penta ainda é possível!

 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Valentões das dúzias

Sérgio Conceição acha que é um grande homem porque "diz o que lhe vem à cabeça". E o que lhe vem à cabeça é dizer que Rui Vitória é um banana, um boneco, um fantoche que não tem personalidade própria.

Sérgio Conceição não se enxerga: não tem educação nem tem noção daquilo que diz. O ataque a Rui Vitória é soez: completamente gratuito e absolutamente ofensivo. Do nada, ataca um homem (um colega seu que nunca o atacou) de não ter vontade própria nem espinha vertebral.

O insulto a Rui Vitória é completamente infundado e absurdo. O Benfica tem sido atacado incessantemente esta época, por todos os lados, com acusações de toda a ordem. Rui Vitória tem dado a cara na defesa do clube e dos jogadores. Nunca se escondeu, sem para isso ter precisado de entrar em polémicas desnecessárias. Tem sido educado e cortês - o que é mais fácil quando se ganha mas mais difícil quando se perde (e este ano perdemos demasiado) - respeitando sempre os adversários. Falou de árbitros uma vez, na sequência de um prestação inconcebível de Hugo Miguel e VAR.

É preciso ser muito canhestro e canalha para achar que ser educado e cordato equivale a ser manipulado e cobarde. Nesta "disputa" apenas Sérgio Conceição mostrou falta de hombridade. Atacou à traição alguém que tem passado uma época difícil e está numa posição relativamente frágil, possivelmente porque se sente já próximo de ser campeão e acha que o seu adversário está prestes a ir ao tapete. Ou seja, Conceição demonstrou ser cobarde.

Como seria de esperar, Jorge Jesus não demorou a vir juntar-se ao treinador do Porto e a secundar a sua posição, assegurando que também ele "diz o que pensa". São dois valentões. Ou será fanfarrões?


Nota Final: 

Estas cenas de amor entre Porto e Sporting só não enjoam quem já se tenha habituado a conviver com a indecência e a indignidade. JJ diz que o Porto é quem está melhor colocado para ser campeão (com uma mera vantagem de 2 pontos sobre a sua equipa?!), e vem atacar o Benfica pela arbitragem no jogo contra o Porto. Defende a sua dama. Já Conceição fez este ataque abjecto a Rui Vitória na sequência do Benfica-Sporting, para criar uma cortina de fumo que faça esquecer o roubo que se passou naquele jogo. Conceição e JJ estão bem um para o outro, como J Marques e Nuno Saraiva, como Pinto da Costa e Bruno de Carvalho. Nem os insultos e desconsiderações feitos em tempos, os impedem de andar agora aos beijos na boca. É de dar volta ao estômago, mas para gente deste calibre é só mais uma voltinha no carrossel. Tudo isto apadrinhado por Rui Santos, esse sim, o padreco deste romance de cordel.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Só nos resta continuar a ganhar

Num dos dérbis mais desequilibrados a que me lembro de assistir, o Benfica massacrou o Sporting praticamente desde o primeiro ao último minuto (mas sobretudo a partir do golo do Sporting, resultante de um ressalto e precedido de um fora de jogo). No entanto não vencemos, como deveríamos, porque não fomos felizes no que mais conta no futebol: fazer passar a bola pela linha de golo. Entre decisões mais do que questionáveis do árbitro e do videoárbitro (um fiasco, como eu previ), situações de manifesto azar e outras  em que os nossos jogadores (sobretudo avançados) foram pouco expeditos, o Benfica deixou por marcar seguramente uns 4 ou 5 golos.

A exibição foi de monta: os nossos jogadores mereceram o apoio do público e os aplausos no fim da partida. Só assim foi possível, já mesmo ao cair do pano, chegar ao golo que tornou o desfecho do jogo um pouco mais racional e digerível para as nossas cores.

No entanto as coisas são o que são e este empate deixou-nos ainda mais longe do primeiro lugar. À beira de entrarmos na segunda volta de um campeonato em que os grandes perdem poucos pontos, qualquer deslize do Benfica pode significar o adeus definitivo ao título. A nossa margem de erro está por isso reduzida a praticamente zero.

A vitória sobre o Moreirense - uma vitória categórica e indiscutível - foi uma primeira resposta, obviamente positiva, ao desfecho do derby. No entanto o teste maior está, como é sabido, reservado para a semana: a deslocação ao terreno do Braga que está a praticar um bom futebol. Será um jogo decisivo, no qual só a vitória importa. Ficar a 7 ou 8 pontos do primeiro nesta fase (e a 5 ou 6 do segundo) representaria praticamente o ponto final nas aspirações ao Penta. A partir daí apenas uma débâcle dos dois da frente nos poderia levar a esse objectivo já de si tão difícil.

O que aconteceu este ano foi que o Sporting e o Porto se reforçaram fortemente. No caso dos nortenhos, o plantel tinha já muita qualidade, a que se juntaram "reforços" que andavam emprestados por outros clubes e que sempre me pareceram bons jogadores (caso dos avançados). É preciso não esquecer que o Porto investiu imensamente nos últimos anos: Herrera foi um jogador desejado pelo Benfica que o Porto comprou por 11 milhões de euros. O mesmo aconteceu com Reyes: o Benfica não quis chegar aos 7 milhões que o Porto deu por um jovem de 20 anos. Corona custou 10,5, Aboubakar 11 e Óliver Torres 20 milhões! Por isso não se pode dizer que o Porto não tenha investido fortemente neste plantel. Fê-lo realmente, sobretudo na era Lopetegui. Neste momento está a aproveitar bem esses investimentos. Quanto ao Sporting, o investimento tem sido continuo e esta época a aposta voltou a ser forte. Basta dizer que o Sporting tem nos seus quadros um ex-Barcelona e um ex-Real Madrid.

A coisa é simples: de acordo com o site transfermarkt esta é a ordem de valor (em milhões de Euros) dos plantéis em Portugal:

Porto - 186,90 
Sporting - 177,30
Benfica - 164,95.

Este é, mais coisa menos coisa, o retrato da presente realidade. O Benfica é, dos três candidatos, o menos bem apetrechado. Veremos o que surge entretanto até ao fecho de mercado, mas para já não se antevê nada de muito positivo ou relevante.

Dito isto, acabo como comecei, nada mais podemos fazer nesta fase para além de vencer os nossos jogos, a começar pelo de Braga. A margem de erro é nula. Ganhando jogo a jogo podemos alimentar a esperança de que este campeonato ainda venha a conhecer uma reviravolta.

Uma palavra final - que há muito desejo escrever - para destacar mais uma excelente exibição de Bruno Varela. Depois de ter feito uma grande defesa no jogo contra o Sporting (uma defesa "à Ederson", com a mão "oposta"), voltou a fazer um par de defesas impressionantes contra o Moreirense, nomeadamente a um cabeceamento de cima para baixo, dando à equipa a tranquilidade que ela precisa. A continuar assim, Varela desmentirá aqueles que dizem que não é guarda-redes para equipa grande. Pelo contrário, o que mostrou nos últimos jogos foi precisamente isso: a capacidade para, quase não sendo chamado a intervir, dizer presente em dois ou três momentos decisivos, salvando bolas de golo quase certo. Varela, até pela fibra mental que demonstrou ao regressar à titularidade, está a merecer todos os elogios.

Quanto a Sérgio Conceição fica para o próximo artigo, no qual  terei (mais uma vez) que me debruçar sobre a interminável e infame campanha anti-benfiquista.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O que passou-se?

O que se passa? Está-se tudo a passar? Ainda nem metade da época se passou e já três competições são passado?!

A Taça passou-se, a Taça da Liga passou-se e na Liga dos Campeões fomos passados a ferro por um vulgar Basileia. 

Parece que tudo o que poderia correr mal está realmente a passar-se - que passou por ali bruxedo. Temos passado por momentos que nem o mais pessimista anteciparia face ao que se passou nas épocas passadas. Nem nos nossos piores pesadelos futebolísticos algo assim se passaria. Nalguns jogos os nossos atletas parecem não conseguir fazer dois passes seguidos (o que se passará nas suas cabeças?). É de um adepto ficar passado.

Mas atenção: no futebol tudo é passageiro e muita água irá ainda passar debaixo da ponte até que a época acabe. Por vezes há que passar por momentos difíceis, passar, como diz o povo, pelas passas do Algarve, para melhor saborear as vitórias.

Logo após a passagem de ano teremos um jogo muito importante para a definição da Liga. Apesar dos maus momentos passados, vencendo o Sporting passamos para o segundo lugar. 

Será caso para dizer que no pasa nada? Não me parece que se possa dizer isso. As coisas não se resolvem de um momento para o outro, como num passe de magia. Independentemente do desfecho do campeonato, esta época ficará marcada por uma campanha lamentável na Liga dos Campeões que afecta o prestígio e o passado do Benfica. Passámos por lá como um grupo de excursionistas a carimbar passaportes. Isto para já não falar das taças nacionais pelas quais passámos sem deixar marca. Diga-se de passagem que nem a passagem à fase decisiva das provas alcançámos. Não basta passar uma esponja... Não é possível passar entre os pingos da chuva no que toca ao apuramento de responsabilidades, para que erros destes não se voltem a passar.

No entanto, o futebol é o momento e o passado conta pouco face ao presente que todos desejam de vitórias. Passe-se o que se passar, o Benfica terá que fazer tudo o que está ao seu alcance para alcançar o Penta. A oportunidade é histórica e não a podemos deixar passar. Usando uma imagem cara ao nosso treinador, este é um cavalo que não tornará a passar tão cedo. 

Passado o Natal e comidas as passas, há que cerrar fileiras para que o Sporting não passe na Luz mas antes ali passe um mau bocado, para que possamos passá-los na classificação. Seria importante passar os Reis pelo menos no segundo lugar. Depois vamos passo a passo.

Àqueles adeptos que não podem ir à Luz, por estarem a passar a quadra fora, não se esqueçam de passar o vosso redpass a um amigo ou familiar.

Até lá uma boa passagem de ano a todos. 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Uma resposta assertiva

O Benfica impôs-se em Tondela com alguma facilidade, como convinha após o desaire da Taça.
Foi uma excelente noite da nossa equipa: aliámos a vitória a uma óptima exibição e muitos golos. Pizzi voltou ao seu melhor e Jonas bisou. Era difícil pedir mais.
É verdade que as coisas correram bem, no sentido em que fomos muito eficazes, concretizando a maioria das oportunidades claras. Mas isso é o futebol. Na quarta havíamos sido perdulários, apesar do volume ofensivo. Esta noite fomos letais na frente mas trabalhámos por isso, dominando praticamente do princípio ao fim.
O Benfica precisa agora de dar sequência a este resultado (que, em termos de campeonato, vem já no seguimento de outros) para criar uma dinâmica de vitória que nos permita partir para a segunda volta moralizados.
As vitórias no campeonato (e o empate no dragão que, nas circunstâncias, foi um resultado positivo) têm sido intercaladas por resultados desastrosos na Champions e a recente eliminação na Taça, o que acaba por interromper esse ciclo positivo da Liga. Convém nessa medida estar bem também na Taça CTT para capitalizar este momento.
De certa forma já destaquei os jogadores que mais contribuíram para a muito boa performance atacante da equipa mas em geral todos estiveram em bom plano. Saliento porém também o excelente jogo de André Almeida, de certo modo o patinho feio desta equipa, até pela ingrata tarefa de fazer esquecer Nélson Semedo. André é um jogador que nunca vira a cara à luta e dá sempre o que tem, sendo por regra muito fiável a defender. Esta noite porém a essas qualidades aliou uma excelente participação no ataque. Fez um óptimo jogo. Pizzi foi novamente o melhor em campo, mostrando como o seu rendimento é importante para a equipa. Custa-me entender como alguns benfiquistas lhe parecem mover quase uma perseguição. Naturalmente que Pizzi tem dias menos bons e períodos menos fulgurantes. O que não entendo é que se ponha em causa o valor e a dedicação de um jogador desta qualidade, que já deu mais do que provas do seu valor.
Vem já aí a Taça da Liga. Que se use a oportunidade para (além de ganhar, como é óbvio) dar minutos a quem pode vir a ser chamado mais regularmente no futuro e ser útil em 2018. Por exemplo João Carvalho ou Keaton Parks que me tem impressionado favoravelmente (e pelos vistos também aos treinadores do Benfica).


Nota: do que vi do jogo do Estoril nesta jornada, a equipa parece em franca melhoria. Isso é duplamente um bom sinal: bom em primeiro lugar porque num campeonato em que as equipas do norte e sobretudo do Minho já estão em tão clara maioria, perder uma equipa da zona de Lisboa seria muito negativo; bom em segundo lugar porque valoriza um pouco a nossa vitória na jornada anterior (considerada pouco convincente atendendo também ao pouco que os canarinhos vinham fazendo até esse jogo). Se o Estoril continuar na linha do que vi ontem rapidamente sairá da zona de despromoção.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Causas da presente crise benfiquista

Negar a existência de uma crise no Benfica equivale neste momento a enterrar a cabeça na areia como a avestruz. Estar fora das provas europeias e da Taça (e em situação desfavorável nas outras competições - muito embora ainda com possibilidades de as vencer) em dezembro não pode ser considerado normal no Benfica.

As causas dos problemas são para mim de três dimensões: culpas próprias, uma coligação hostil de rivais e inimigos e, finalmente, a "ressaca" de um ciclo de vitórias.

Começando pela última causa, todos os clubes padecem, na sequência de um ciclo de vitórias,  de uma certa "ressaca", de um certo "cansaço" de ganhar, o que obviamente não resulta de um desejo de perder mas antes de uma certa sobranceria, de uma certa convicção, na maior das vezes implícita e não completamente consciente, de que as coisas acabarão por correr bem e nessa medida não é necessário trabalhar tanto. Aliado a isto, há um certo cansaço mental da tensão competitiva que leva a um certo relaxamento.

Quanto ao que chamo de coligação hostil, o Benfica enfrenta hoje um dos maiores ataques da sua história. Não tenho uma posição definitiva sobre a conjuntura e os factos específicos do "caso dos emails" e a atuação de certos responsáveis da estrutura dirigente ou comunicacional do clube nos mesmos. O facto do Porto ter montado nos anos 90 uma rede de corrupção no futebol português não pode obviamente servir de factor de desculpabilização. Sempre nos revoltámos - e bem - contra essas práticas e nos batemos pela verdade desportiva. Pedimos sempre justiça e equidade no futebol português e nunca qualquer tratamento de favorecimento. No entanto não é claro que tenha havido qualquer prevaricação. O Porto não é obviamente um juiz imparcial neste caso, pelo que qualquer "divulgação" de factos por ele promovida carece de credibilidade. Tudo será sempre apresentado de forma a aparecer  a uma luz negativa, como congeminações terrivelmente maquiavélicas para o Benfica dominar o futebol português. As coisas são descontextualizadas e dadas de forma parcelar e truncada, sem que o que os outros fazem (Porto e Sporting, que aliás têm em Pedro Proença senão um aliado pelo menos alguém muito sensível ao seu discurso) alguma vez seja abordado.

O "caso dos emails" não é comparável às escutas do Apito Dourado. Ao passo que estas foram feitas pela polícia, no âmbito de uma investigação, os emails estão a ser divulgados por pirataria informática, na sequência de um crime (grave) de violação de correspondência. Além disso não há, pelo menos até agora, em caso nenhum, nenhuma instância de dirigentes benquistas a pedir favores ou a corromper árbitros. Haverá, quando muito, a tentativa de saber o que se passa na Liga e/ou Federação, a procura de estabelecer e manter contactos nas mesmas que promovam os interesses do Benfica. Algo que os outros clubes fazem também como é evidente, simplesmente os seus mails não estão a ser devassados na praça pública. A minha posição quanto a isto é por isso desde o início a mesma: investigue-se tudo e puna-se quem tiver que ser punido. Inaceitável é num estado de direito um canal de televisão divulgar correspondência privada com o beneplácito de tribunais que pelos vistos colocam os interesses clubísticos dos juízes acima do respeito pela lei.

Do que não há dúvida é de que os emails desgastam e prejudicam a imagem do Benfica e a sua estabilidade interna. Não matam mas moem. E nesse capítulo a estratégia do Benfica tem sido completamente ineficaz. Por um lado oficialmente nada se diz, deixando-se a Pedro Guerra (e em menor grau André Ventura) o papel de fazer o "trabalho sujo" de defender o Benfica quer na Benfica TV quer na praça pública. Por outro desautoriza-se e desvaloriza-se o seu papel (o presidente do Benfica chamou a Pedro Guerra um "merceeiro", algo que se eu não tivesse visto e ouvido não acreditaria). Se é merceeiro porque é ele o rosto do clube em parte da comunicação social? Defende-se um posição responsável e "de Estado" mas depois aparecem na BTV programas a tentar responder na mesma moeda; casos mal fundamentados em tribunal; incitavas esporádicas de um departamento de comunicação que pura e simplesmente não funciona... Enfim, é tudo errático e colado com cuspo.

Há que admitir que a resposta do clube não é fácil. A campanha anti-Benfica foi bem urdida. Não é fácil responder a acusações vagas e difusas que verdadeiramente nunca acusam diretamente o Benfica de uma prática ilícita. Veja-se como aquele a que chamam "o insolvente" tem sempre o cuidado de dizer que não está a acusar o Benfica de corrupção. É ele que o diz e enfatiza, não sou eu. Ora se não está a acusar de corrupção (de que o Porto foi efetivamente acusado - e condenado - no apito Final, ligado ao Apito Dourado que não chegou a condenação criminal apenas porque os tribunais do Porto colocaram o seu clubismo acima da Lei) está a acusar de quê?

Aos ataques constantes do Porto juntam-se os do Sporting. Mais toscos, menos elaborados e pensados estrategicamente, estes passam sobretudo pelo insulto e ataque pessoal. Os benquistas são chamados de "porcos" e o seu presidente de imbecil pelo próprio presidente do Sporting. O director de comunicação é uma caixa de eco de Carvalho, repetindo o tom e a falta de nível em tiradas diárias para os desportivos pegarem. Esta estratégia em geral não resulta mas como os ataques vêm de muitos lados e o Benfica está claramente na defensiva, este ruído acaba por contribuir para desgastar ainda mais a imagem dos atuais dirigentes do nosso clube (o que não deixa de se reflectir para baixo).

A estes junta-se também parte da comunicação social. É um assunto de que falei muito no início deste blog, há alguns anos atrás. A comunicação social, por razões algo incompreensíveis dado que o Benfica é o maior clube, é-nos muitas vezes hostil. Hoje isso está exacerbado, havendo quase uma perseguição ao nosso clube. Isto é particularmente claro na SIC, onde Rui Santos (por razões para mim misteriosas) tem uma enorme influência, gerindo dois programas semanais de ataques constantes ao Benfica. Ali se escalpelizam TODOS os lances arbitrais em que o Benfica foi potencialmente beneficiado e apenas os mais escandalosos e que não é possível esconder em que foi prejudicado. Ali se desfiam semanalmente teorias da conspiração acerca da "benfiquização" do futebol português e dos esquemas urdidos pelo nosso clube para tal efeito. Isto precisava de uma resposta à altura do nosso clube, de uma comunicação eficaz que desmontasse estas teses delirantes mas infelizmente nada se vê. À SIC (acolitada pelo Expresso que agora com a "Tribuna" se acha muito engraçadinho) junta-se o Correio da Manhã e a Sábado do grupo Cofina que inclui igualmente o Record.

Mas claro que estas estratégias só são eficazes porque o Benfica se debilitou por culpa própria. No futebol a fonte maior de poder vem do campo. As vitórias em campo põem todos em respeito, calam os críticos e dão força a jogadores e adeptos. E o Benfica tinha este ano todas as condições para cimentar ainda mais a sua posição de clube hegemónico em Portugal. Porquê? Porque o Porto estava (está) sob a alçada do fair play financeiro da UEFA e não pode contratar sem antes vender e porque o Sporting depois do élan criado pela chegada de Jesus estava à beira de novo desalento, arriscando nesta época praticamente a sua sobrevivência como grande clube hipotecando todas as receitas em nome do investimento e ficando assim totalmente dependente do sucesso desportivo da época. Ora o que fez o Benfica? Desinvestiu. Vendeu os seus melhores jogadores e não acautelou devidamente a sua substituição. Contratou sem critério. Começou a época com muitos jogadores cuja condição física já se sabia ser periclitante e não assegurou alternativas válidas para os substituir (Rui Vitória também tem muitas culpas neste capítulo porque não valoriza devidamente alguns dos recursos que tem).

Face a estas causas o que está a acontecer era de algum modo previsível. O Benfica permitiu que a vantagem clara com que partia para esta época se tenha diluído muito rapidamente. Estamos agora ao mesmo nível competitivo dos outros (continuamos a ter plantel para ser campeões). Podemos vencer mas já não estamos à frente. Pelo contrário.