O Benfica recuperou alguns pontos e está a uma distância recuperável do primeiro lugar, tanto mais que o Porto dá sinais de fraqueza. No entanto ainda tem o Sporting à frente e tem de ir a Alvalade, jogo que nos últimos anos tem sido muito difícil.
Esta é a resposta rápida.
Uma resposta mais completa requer uma análise acerca do momento da equipa. O Benfica tem tido altos e baixos. Teve enormes jogos como contra o Real Madrid, o Nápoles, ou a segunda parte em Guimarães. Jogos em que foi competente sem ser brilhante, como contra o Porto ou jogos que ganhou como se exigia (por exemplo este último contra o Santa Clara).
Aquilo que esperamos de uma equipa de Mourinho é consistência defensiva e eficácia no ataque. Não esperamos um futebol de ataque ultra dinâmico e vistoso, como o do melhor Jorge Jesus, ou um futebol de refinada posse de bola, como o de Guardiola (com plantéis do melhor que há, diga-se).
O padrão de Mourinho são equipas altamente competentes, competitivas e rigorosas tacticamente.
Sob esse ponto de vista parecem existir melhorias, é um facto. Há uma trajectória ascendente. O problema até agora tem sido que nalguns jogos voltamos aos maus hábitos e erros do passado. É verdade que os árbitros têm prejudicado o Benfica, o que não é uma novidade. Mas também é verdade que por vezes a equipa joga de forma demasiado lenta, passiva e previsível. Se o Benfica mostrasse nos jogos do campeonato níveis de agressividade não digo idênticos mas semelhantes aos que exibiu contra o Real Madrid, no final da primeira parte a maioria dos jogos estaria resolvida.
Outro aspecto que não me deixa tranquilo é a permeabilidade da defesa (ontem nos Açores foi Trubin). Claro que as equipas sofrem golos de vez em quando, mas sofrer contra Alverca e Santa Clara é algo que não deveria acontecer e que preocupa, sobretudo porque normalmente também não marcamos muitos.
Não sei qual exactamente é a razão - poderá ser a própria intranquilidade ou pressão de saber que estamos atrás e não temos margem de erro - mas há que melhorar.
Vem agora aí a eliminatória do Real Madrid e naturalmente que não se poderão cometer os mesmos erros ou exibir a mesma passividade, tanto mais que o Real desta vez já está de sobreaviso, sob pena de estragar a excelente imagem que deixámos no último jogo da fase regular e cair em novo período de descrença.
Em suma, as hipóteses de chegar ao primeiro lugar ainda existem, a oportunidade está lá, mas não há margem para erros. Teríamos basicamente de ganhar quase todos os jogos até ao final do campeonato, para o que há que ser mais seguros na defesa e letais no ataque. Há regressos de lesionados que são encorajadores, veremos o que poderão dar ainda esta época.
Olhando para o futebol internacional, queria também comentar brevemente o despedimento de Amorim e a enorme melhoria do United desde então. Com Carrick no comando a equipa venceu City, Arsenal, Fulham e Tottenham, jogando bem, num contraste brutal face às exibições e resultados deprimentes com Amorim ao comando.
Aquando da chegada do treinador português imediatamente um jornalista inglês cujo nome não me recordo afirmou que Amorim não teria sucesso porque o seu sistema de jogo não se adaptava a Inglaterra. Apenas Conte numa época conseguira successo com o Chelsea a jogar com aquele sistema. O problema nem era exactamente os três defesas. O problema era sobretudo jogar com dois homens no miolo quando a maioria das equipas joga com três. Eu escrevi aqui que uma dupla de meio campo com Bruno e Casemiro só por milagre funcionaria. Com Carrick, Casemiro passou a ter Mainoo ao lado e Bruno Fernandes passou a jogar mais à frente, como um 10. A diferença é da noite para o dia.
Amorim foi teimoso e ser teimoso quando se está constantemente a bater contra uma parede não é inteligente. Nesse aspecto Mourinho tem mostrado a capacidade de mudar o que não está bem e não insistir em erros.
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