terça-feira, 19 de abril de 2016

Não é altura de fraquejar

O Benfica esteve ontem muito perto de perder a liderança do campeonato, naquele que à partida seria o jogo mais fácil deste ciclo final. Tal não aconteceu porque Ederson "salvou" a equipa, evitando com os pés ser fintado pelo avançado setubalense que apareceu completamente isolado na sua cara. Isto já em tempo de descontos, no qual um golo seria absolutamente irrecuperável. 
O que aconteceu?
A meu ver, a explicação é clara: cansaço.
Tínhamos aqui alertado para as potenciais consequências negativas da eliminação da Champions e infelizmente tais receios confirmaram-se inteiramente. António Simões advertira igualmente para esses perigos na BTV antes da partida e voltou a fazê-lo no intervalo do jogo, antecipando aquela segunda parte de sofrimento.
A verdade é que Rui Vitória, que tem tão justamente recebido elogios de praticamente todos os quadrantes cometeu a meu ver nos últimos jogos alguns erros que fizeram com que a equipa acabasse a partida de ontem a arrastar-se pelo campo, com as pernas a pesarem toneladas, a tomar decisões erradas e cometer erros comprometedores.
O jogo com a Académica foi, a meu ver, aquele no qual tais erros começaram. Depois de Munique impunha-se (a meu ver) refrescar a equipa. Vitória não o fez e no fim desse jogo Mitroglou e Gaitan estavam de tal modo esgotados que nem foram convocados para o jogo da segunda mão contra o Bayern. Mas não eram os únicos.
Ontem a equipa entrou em campo algo relaxada, depois da tensão máxima do jogo com o Bayern e da descompressão gerada pela saída das competições europeias. Inteligente, o Vitória de Setúbal entrou em jogo com um lance estudado e surpreendeu, entrando no jogo a ganhar.
O Benfica a partir desse momento massacrou e fez dos mais impressionantes 25 minutos de que me lembro recentemente, com múltiplas oportunidades, combinações, cruzamentos e remates. As defesas do guarda-redes adversário e a anulação dos únicos lances de golo por foras-de-jogo (bem assinalados) podiam ter levado a equipa ao desespero, mas tal não aconteceu. Mérito absoluto na forma como o Benfica deu a volta.
O abrandamento logo após o segundo golo e a progressiva melhoria do Setúbal deixavam porém uma ponta de intranquilidade que se veio a agravar fortemente na segunda parte. A partir de dada altura o Benfica entrou em completo desnorte e acabou o jogo a ser salvo pelo seu guarda-redes num lance que já se dava como golo certo. Foi um atraso inconcebível de Pizzi, a culminar uma exibição desastrosa (golos falhados, passes errados, pernas pesadas que não conseguiam responder aos passes) que se explicam pela fatiga, seguramente emocional mas neste caso também física.

Este jogo já passou mas o campeonato está longe de estar decidido. A defesa de Ederson não garantiu coisa nenhuma. O jogo com o Rio Ave será muito difícil, sobretudo se os nossos jogadores voltarem a denotar cansaço competitivo. Não se trata de um problema de vontade nem de entrega. Os jogadores têm sido inexcedíveis nesses aspectos. Trata-se realmente de fadiga. Nessa medida será importante que alguns jogadores passem pelo banco e que outros que denotam muita vontade (como Jimenez, Samaris e Gonçalo Guedes, por exemplo) tenham oportunidades em campo. Faltam 4 jogos. Não é altura para fraquejar.

4 comentários:

  1. Como sabes tenho sempre um olhar crítico a este tipo de análises/críticas.
    Antes de escreveres estes textos, tal como vejo uma resma deles pela blogosfera benfiquista fora (uns mais acintosos, outros menos, mas a maioria completamente descabelados, a malharem forte e feio na equipa no geral e nalguns jogadores)olha bem para o reverso da medalha.
    Falas em fadiga? Admito que haja algum cansaço, mas não ao ponto de ver os jogadoes setubalenses a passarem pelos jogadores do Benfica a uma velocidade impressionante, muito particularmente na 2ª parte.
    O reverso da medalha é como o lado oculto da Lua. Ninguém sabe como é que as coisas se lá passam. Admite-se que o fornecimento de xarope é feito algumas vezes com uma precisão tal, que coincide com estímulos prévios de 200.000 euros, ou mais.
    Portanto não valerá a pena esticarmos mais a corda. É aguardamos serenamente e agirmos com inteligência em Vila do Conde, pois para lá de onze galgos preparados para enfrentar o Benfica, o Artur vai estar lá, e esse é que será o grande obstáculo que o Benfica terá de transpôr.
    Saudações.

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    1. Meu caro, não coloco isso em questão. Agora o Benfica tem que estar preparado para essas situações, sobretudo contra o modesto Vitória de Setúbal em casa. Tanto mais que nesta fase não há margem para erro.
      Quanto a Vila do Conde será um autêntico caldinho, disso não tenho a mínima dúvida. Vai ser muito complicado mesmo. Vou escrever sobre isso aliás.

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    2. O Benfica está preparado. Também não deverás colocar isso em questão. Modesto? O Setúbal? Com uma cenoura de 200.000 euros, a correr à frente dos jogadores?
      Viste como eles comemoraram o golo? Alguma vez viste uma comemoraçãop tão efusiva, tão entusiástica? Reparaste na entrega e na velocidade supersónica da 2ª parte?
      O Benfica, os seus dirigentes, os seus jogadores estão mais que preparados para este tipo de situações. Só que por vezes isso por si só não chega!
      O Benfica está avisado e mais que avisado.

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    3. No ultimo jogo, na 2ª parte o problema foi na minha opinião mais coletiva do que individual.
      Deveriam ter baixado o bloco convidar o setubal a subir e marcar no contra ataque.Deixaram partir o jogo e alguns deram o estoiro. Em Vila do conde é preciso jogar mais com o cerebro (RV e Equipa). Carrega Benfica.

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