quinta-feira, 5 de julho de 2018

Mundial - os quartos de final sem Portugal

Estão completados os oitavos de final que ditaram o afastamento de Portugal.

Era uma eliminação esperada. O rendimento da selecção foi demasiado pobre neste Mundial (apenas um pouco acima do que fizemos em 2014). Sem o "abono de família" Ronaldo (a partir do penalti falhado contra o Irão não mais se encontrou) fomos uma equipa quase banal, com pouca capacidade física e sem ideias. Contra um Uruguai fechado na defesa, como gosta, a nossa capacidade de entrada na área foi quase nula, como nula foi a capacidade de rematar com perigo da meia distância. Uma eliminação que acontece assim de forma quase natural.

Há algo a fazer nesta selecção. Era evidente que a defesa não estava à altura deste patamar competitivo, quer no ritmo quer na velocidade. Apenas Pepe tinha ali lugar e Rúben Dias deveria ter sido opção. Se assim fosse poderíamos ter jogado com as linhas mais subidas e mais na antecipação. Não faz sentido Nélson Semedo não ter sido convocado. No meio campo o problema é semelhante. Fernando Santos apostou em jogadores com pouco ritmo e velocidade, tendo feito entrar Manuel Fernandes, o único que fugia a este padrão e é capaz de algumas rupturas, apenas a 5 minutos da eliminação. No ataque as escolhas não andaram muito longe das que eu faria. Era claramente o nosso sector mais forte mas alguns jogadores demoraram (ou não chegaram) a render. Balanço feito, resta-nos guardar as memórias de Paris.

Olhando para o resto da competição e perspectivas, continuo a achar o Brasil e a Croácia as equipas mais fortes e a imaginar uma final entre as duas. No entanto a Inglaterra continua a superar algumas barreiras, sobretudo psicológicas e pode baralhar estas contas. No campo das surpresas, a eliminação da Espanha é claramente a nota mais saliente destes oitavos. Perante uma selecção que já se sabia que pouco mais faria do que defender, a Espanha colocou-se a jeito para que algo assim pudesse acontecer. O penalti cometido por Piqué é ridículo e foi tudo o que os russos precisaram para alcançar o prolongamento e depois o desempate. De resto as coisas seguiram um rumo mais ou menos previsível, tanto mais que alguns eram jogos à partida bastante equilibrados, como por exemplo o Suíça-Suécia. Tinha previsto que os suíços pudessem ganhar mas perante uma equipa tão ou mais defensiva do que a sua os seus argumentos tornaram-se menos eficazes. Em todo o caso achei o resultado algo injusto. A Suécia, diga-se, está a ter uma sorte tremenda, tendo já beneficiado de vários golos "esquisitos", entre autogolos, golos resultantes de desvios em jogadores adversários e outros na sequência de remates falhados que se transformaram em assistências. 

A França deu uma demonstração de poderio, o Brasil confirmou ser o principal candidato e o Bélgica-Japão foi o jogo mais emocionante até agora com os belgas a voltarem a demonstrar fortes argumentos e os japoneses a surpreenderem pela positiva pela excelente réplica que deram.

Apesar de ter acertado em apenas 4 das oito equipas que se apuraram, continuo a acreditar que as meias finais não andarão longe do que previ na mesma ocasião. Sendo óbvio que a Suíça não estará nas meias finais por ter sido eliminada nos oitavos, aposto agora na Inglaterra para essa vaga. As minhas previsões para as meias são assim: França-Brasil e Croácia-Inglaterra (a negrito as previsões que se mantêm desde antes dos oitavos de final). Continuo a considerar o Brasil favorito mas aquilo que a França demonstrou contra a Argentina é para levar muito em conta. A cavalgada de Mbappé no lance do primeiro golo da França (o penalti) é algo que entra para a antologia do futebol. Fez lembrar Ronaldo Fenómeno. Refiro também que num comentário a essas minhas previsões o leitor António previu uma final França-Inglaterra. Para já é possível. 


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