Agora já quase ninguém usa máquinas analógicas, mas antes dos anos 90 eram as únicas que existiam. Tinham um rolo fotográfico que depois de terminado se levava a uma casa ou estúdio de fotografia para revelar. O primeiro passo era a impressão do negativo. Aí as cores estavam invertidas, sobretudo os claros e os escuros.
No primeiro jogo de Portugal vimos uma imagem. No segundo vimos uma imagem invertida. Um foi praticamente negativo do princípio ao fim, com a excepção do grande golo de João Neves. O outro pareceu um mar de rosas. Mas não foi.
Como de certo modo antecipei, Ronaldo marcou dois golos.
O positivo: foram dois belíssimos golos, duas finalizações clínicas; a seleção marcou 5 golos, Bruno Fernandes divertiu-se em campo e perfumou o nosso futebol; Rúben Dias voltou; Rafael Leão marcou.
O negativo: o nosso meio campo continuou a não carburar e não ser capaz de controlar a posse e o ritmo do jogo; Vitinha teve mais uma exibição apagada; permitimos transições fáceis ao Uzbequistão que não resultaram em golos ou oportunidades flagrantes por manifestas limitações do adversário; Bernardo Silva parece alheado do jogo.
O factual: o Uzbequistão pertence à terceira divisão do futebol mundial; Ronaldo tem 41 anos e jogou os 90 minutos mais descontos; Gonçalo Ramos não saiu do banco; a Colômbia chega ao jogo com Portugal em primeiro lugar no grupo e a precisar apenas de um empate.
A incógnita: estamos a melhorar e evoluir ou o adversário foi tão vulgar que as nossas qualidades tiveram todas condições para se expressar e as nossas carências praticamente não foram expostas?
Portugal está muito perto do apuramento, mas não é de todo certo que passe em primeiro. Só o conseguirá se vencer a Colômbia e para tal terá de jogar muito mais. Esse jogo vai mostrar se há uma evolução ou se a vitória sobre o Uzbequistão (absolutamente obrigatória, qualquer outro resultado seria inadmissível e deixáva-nos perto da eliminação) foi um pequeno oásis num deserto.
Acredito que somos capazes de muito mais e melhor, mas insisto que no futebol altamente competitivo de elite, onde as diferenças são mínimas, não é possível ter um jogador que não defende e não pressiona. Ronaldo mostrou que ainda é capaz de finalizar com qualidade (teve espaço e tempo que provavelmente outras seleções não concederiam), mas também que dura apenas meia parte a alta intensidade. Deveria começar o jogo no banco mas sabemos que não é isso que acontecerá.
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