quinta-feira, 18 de junho de 2026

Ronaldo: penoso, embaraçoso, a forma errada de sair.

Pessoas com personalidade muito forte e um grande ego tendem a rodear-se de pessoas com fraca personalidade que se limitam a dizer-lhes que sim e a alimentar-lhes o ego. Uma espécie de côrte. Aos poucos os egomaníacos perdem o contacto com a própria realidade.

Ronaldo é uma pessoa com uma forte personalidade e um grande ego. Evidentemente tem qualidades superlativas seja ao nível psicológico, seja ao nível futebolístico que lhe permitiram ser uma das pessoas mais idolatradas do mundo. Mas o ego tem uma dimensão destrutiva e levou-o a pensou que era imune ao passar do tempo. 

Depois, demasiadas pessoas alimentaram essa fantasia, incluindo todos os média, por exemplo ao dizer que a idade biológica dele era de vinte e tal anos. Certamente Ronaldo tem muito mais força e velocidade do que muitos de 30 e até de 20. No entanto Ronaldo não está a jogar com pessoas comuns, está a jogar contra adversários que são também atletas profissionais. Além disso, a sua idade biológica é de 41 anos, nenhuma outra. E acresce ainda que na fase final da sua carreira ele se focou apenas no aspecto físico e atlético, pelo que quando estes declinam brutalmente a sua performance tem o abaixamento correspondente.

Não é por acaso que Ronaldo tem zero golos nos últimos 10 jogos em fases finais e que o golo antes disso foi  contra o Gana e de penalty. O problema não vem do jogo com a RD Congo, vem de há muitos anos. Ronaldo teve uma boa Liga das Nações numa carreira cujo declínio era já mais do que evidente e devia ter aproveitado para sair aí, em grande.


***

Quando vi Messi no último jogo não queria acreditar. E imediatamente percebi que aquilo iria afectar seriamente Ronaldo. Este, para além de muito competitivo, o que é saudável, tem uma rivalidade com Messi conhecida, que teve vários episódios. O ego de Ronaldo tem muita dificuldade em aceitar que no fim Messi ganha essa competição particular por goleada. Muitos portugueses também têm. Mas é a realidade pura e dura.

Ronaldo foi um jogador de eleição. Um dos melhores de sempre. Agora é um jogador banal. E ambas continuarão a ser verdade, quer marque um ou mais golos ao Uzbequistão (uma seleção que não deveria estar numa competição destas) quer continue a jogar a titular até ao fim do mundial com exibições semelhantes à de ontem.

A questão que agora se coloca é o que fará Martinez, se é que é ele quem toma as decisões. Continuará Portugal a jogar com um avançado que é incapaz de pressionar, incapaz de contribuir com algo de positivo para o jogo colectivo e quase inofensivo no ataque, ou haverá suficiente bom senso, do próprio ou de alguém que tenha a coragem de liderar, e Ronaldo passa a sentar-se no banco? Paradoxalmente, é a partir do banco que Ronaldo ainda poderá ter algum impacto positivo no jogo: em situações de desespero e com o jogo já numa fase avançada, contra defesas sob pressão e já desgastadas pelo cansaço, Ronaldo pode ser perigoso, sobretudo se não for egoísta e colocar os interesses da equipa acima de objetivos individualistas.

Isto tudo é demasiado óbvio para passar despercebido a quem tem responsabilidades na seleção. 

1 comentário:

  1. Não sei se alguém se preocupa com o facto, mas o indivíduo em causa é atualmente, a troco de muitos milhões, o capacho da propaganda do Reino da Arábia Saudita...todos os valores da União Europeia são repetidamente atropelados naquelas paragens e aquele que foi erigido a exemplo (?!?) para a juventude portuguesa ajuda, por diversas vias, a limpar a imagem do Reino. Que alguém o lembre que até há pouco as mulheres não podiam tirar a carta de condução e não havia salas de cinema em tal lugar. Para as autoridades sauditas, a proficiência futebolística do Ronaldo é o que menos interessa...

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