domingo, 12 de janeiro de 2025

Ganhar não é importante - é a única coisa

 Como escrevi aqui há um mês, o Benfica estava num momento delicado, em que alguns jogadores davam sinais de cansaço e o efeito psicológico da mudança de treinador se esgotava.

As coisas correram talvez pior do que eu esperava, com dois empates (Aves e Bolonha) e duas derrotas (Sporting e Braga). Foram resultados comprometedores que complicaram muito as nossas aspirações tanto no campeonato quanto na Liga dos Campeões. As boas notícias é que nada está perdido e, olhando agora para o presente, acabamos de vencer a única competição que foi já disputada. 

As derrotas com Sporting e Braga foram algo inexplicáveis pela forma como ocorreram. Em Alvalade, a equipa tinha obrigação de entrar muito forte no jogo e tentar ser dominadora de modo a não permitir a previsível reação do Sporting à mudança de treinador e a um período absolutamente desastroso após a saída de Amorim e à perda da liderança. Mas isso não aconteceu. O Sporting foi bastante superior na primeira parte e chegou ao intervalo a vencer. O Benfica reagiu na segunda, mas com pouca qualidade e pouco discernimento, não aproveitando situações de pura atrapalhação e quase pânico na defesa adversária.

Contra o Braga as coisas foram tão más que ficou a ideia de falta motivação e entrega e da existência de divisões no balneário.

Não sei se realmente é assim ou não, mas sei que Lage já enviou vários recados para alguns jogadores e claramente não está satisfeito com a postura de alguns. 

Em geral, este tipo de abordagem não costuma resultar. O caso mais recente é o de Paulo Fonseca no Milan. Mas o próprio treinador que o foi substituir fez várias criticas aos seus jogadores no ano passado (e afastou alguns do plantel principal) e acabou em terceiro lugar. O próprio Lage terá tido conflitos com jogadores na anterior passagem pelo Benfica e as coisas não acabaram bem. 

Ontem, após o Benfica vencer nos penaltis, Lage deu várias entrevistas em que pareceu reclamar os méritos para si próprio, centrando muito o discurso na sua figura. Não me parece a melhor forma de unir. O Benfica fez uma boa partida frente a um Braga vulgar e é um vencedor justo da competição, mas podia facilmente ter perdido ontem, bastava a infelicidade que coube a Trincão ter recaído sobre um dos nossos jogadores.

Espero que reveja a sua postura, que corrija os seus próprios erros, os quais têm sido evidentes, e que todos comecem a remar para o mesmo lado. Que a vitória sirva para marcar uma nova etapa na época: a qualificação ainda é possível na Liga dos Campeões e no campeonato nada está perdido. Precisamos porém de subir de rendimento e não ter estas intermitências. E entretanto reforçar o plantel, nomeadamente com um avançado que realmente garanta golos. Sem isso será difícil alcançar o sucesso nesta época. Tudo o que fique abaixo da vitória no campeonato dificilmente deixará de ser um fracasso numa época em que os rivais estão tão fracos. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Momento perigoso

 O Benfica voltou a ter dificuldades e a desperdiçar pontos em casa na Liga dos Campeões. Neste momento temos 4 pontos em casa e 6 fora, com o mesmo número de jogos disputados em ambas as situações (3).

Não creio que nos possamos queixar do sorteio porque falhámos nos jogos em que éramos favoritos e deveríamos ter vencido, ao passo que vencemos dois dos mais difíceis. Claro que este formato cria disparidades demasiado grandes: olhe-se para o Brest que praticamente só jogou com equipas secundárias e está na zona de qualificação direta. Mas há que aproveitar as oportunidades e isso nós não conseguimos, nem com o Feyenord nem agora com o Bolonha.

Este último jogo mostrou que há alguma fatiga na equipa e também algumas limitações que as vitórias têm ocultado. O Benfica ganha no Mónaco com uma sorte tremenda (a começar pela escandalosa não expulsão de Carreras), ganha com uma exibição pobre em Arouca e com muitas dificuldades ao Vitória de Guimarães. 

O efeito de chicotada psicológica já passou, o estado de graça está a passar e os jogadores vindos do banco não vão resolver sempre, principalmente se nunca são titulares. Por outro lado, Pavlidis, apesar dos índices de trabalho (com qualidade), continua a não marcar golos e a seca de um ponta de lança reflecte-se na equipa. Di Maria que vinha sendo muito bem gerido tem agora ficado em campo praticamente até aos 90 minutos e também já dá sinais de estar mais preso, menos leve. 

Este é um momento crucial na época. Sporting e Porto parecem perto do colapso, os seus treinadores estão por um fio. Este não é o momento do Benfica fraquejar! 

Lage trouxe ânimo e boas decisões tácticas mas parece ele próprio agora um pouco falho de ideias. As vitórias não podem resultar sempre do apoio das bancadas, do génio de Di Maria ou de golos "milagrosos" nos últimos minutos. Elas têm de estar sustentadas num modelo atacante (e num ponta de lança concretizador). Eu entendo que Lage tenha estabelecido um 11 base e creio que fez muito bem. Mas é preciso introduzir alterações aqui e ali para não espremer demasiado a laranja. E não deixar as substituições apenas para os últimos 15 ou 20 minutos. Por exemplo Aursnes tem estado excelente, mas tem 29 anos e será impossível correr desta forma 90 minutos de 3 em 3 dias.

Repito, este é o momento de nos afirmarmos, não é o momento de fraquejar. Tudo o que se conseguiu até ao momento, desde a chegada de Lage, irá pelo cano abaixo se abrandarmos neste momento e permitirmos a recuperação dos nossos adversários. É bom que esta mensagem venha do topo e chegue a todos os jogadores. Lage por seu lado precisa de os ajudar. Não pode haver lugares cativos no 11. 

domingo, 8 de dezembro de 2024

O momento da época - Portugal e Inglaterra

 O Benfica aproxima-se do primeiro lugar e ganhou novo fôlego na Liga dos Campeões com uma vitória no Mónaco.

Temos de ter os pés bem assentes no chão. Realisticamente, os sinais são positivos e as hipóteses do Benfica aumentaram em ambas as competições. Mas nada está conquistado e devemos ter a consciência de que nem tudo está bem. Algumas das vitórias recentes aconteceram em jogos assim não muito conseguidos. Isto pode ter duas interpretações possíveis: que estamos a conseguir ganhar mesmo quando não jogamos assim tão bem (o que é normalmente um sinal de equipas campeãs) ou que estamos a ter um abaixamento de forma (o que seria mau). 

Vamos ter agora jogos importantes que vão confirmar qual das tendências é verdadeira. Primeiro um jogo com o Bolonha em que uma vitória nos pode garantir um lugar pelo menos nos playoffs. Depois os jogos para a Liga, incluindo o derby. No futebol tudo muda muito rápido e o que está para trás não conta quando o árbitro apita para se iniciar um novo jogo, pelo que esta mensagem forte tem de ser transmitida aos jogadores.

Em Inglaterra, a melhor Liga do mundo a grande distância, a situação é muito interessante. O Liverpool tem sido claramente a melhor equipa e parece correr numa pista à parte de todos os outros. 

Mas do 2° lugar para baixo o equilíbrio é enorme. O City está agora oficialmente em crise e parece que não será mesmo o seu ano. Arsenal e Chelsea por seu turno estão bem mais fortes. O Arsenal vinha em clara recuperação depois do regresso de vários lesionados, especialmente Odegaard. Mas foi travado hoje pelo Fulham de Marco Silva, não capitalizando a vitória sobre o United e o adiamento do Everton - Liverpool.

Já o Chelsea conseguiu uma espectacular vitória fora sobre o Tottenham por 4-3, depois de ter estado a perder por 2-0, confirmando o que aqui escrevi a 1 de Outubro. Cole Palmer fez uma exibição enorme e tornou-se recordista da Premier League ao converter 12 penaltis em 12. Fê-lo com uma cobrança à Panenka... Já era o segundo jogador a chegar mais rápido aos 30 golos pelo clube, atrás de Jimmy que era um ponta de lança, assim como os outros jogadores que Palmer ultrapassou. E bateu também já o recorde (que pertencia igualmente a Jimmy) de mais contribuições para golos num ano (já vai em 39 e faltam ainda vários jogos este ano). João Félix é o suplente de luxo de Palmer, o que mostra a qualidade do plantel, o qual Enzo Maresca tem gerido muito bem. Outro Enzo, o médio ex-Benfica também está finalmente de regresso à forma que o levou à saída do nosso clube por um valor recorde.

Já Amorim está a ter muitas dificuldades, como aliás era de prever. Após duas vitórias que mostraram sinais de esperança e de uma exibição contra o Arsenal em Londres que não deslustrou (apesar da forma quase amadora como a equipa sofreu dois golos de canto), o United perdeu em casa contra o Nottingham Forest de Nuno Espírito Santo, o que deixa o clube num impensável 13° lugar. Entretanto o diretor desportivo do clube também se demitiu. Será esta a tempestade de que Rúben falou há dias?

Certo é que Rúben Amorim está agora a competir com os melhores do mundo. Não apenas jogadores, porque nesse particular Espanha compete, sobretudo através da "concentração" de estrelas no Real Madrid e Barcelona, mas também de treinadores. Ali estão mesmo os melhores dos melhores. E todas as equipas são competitivas, todas podem ganhar a todas. Por isso Rúben tem aqui um desafio monumental. 

E para terminar, no Brasil outro glorioso, o Botafogo tem hoje tudo na mão para ser campeão, juntando o título à Copa Libertadores. Será desta? 

domingo, 10 de novembro de 2024

Benfica - 4 Porto - 1. Amasso

 Ponto prévio: se tivesse tido tempo, teria escrito sobre o que foi dito relativamente ao jogo com o Bayern. Mas escrevi antes: o que importava era o jogo com o Porto. O jogo na Alemanha era quase garantidamente um jogo no qual teríamos hipóteses muito diminutas. Bruno Lage fez muito bem! Resguardou a equipa. Imagine-se como este jogo teria sido se tivéssemos perdido por 4 ou 5 em Munique três dias antes. Porque era isso que teria acontecido se tivéssemos lá ido jogar de peito aberto. Mais: Lage "poupou" Di Maria e Florentino, que hoje estiveram frescos e foram decisivo. Assim como Pavlidis.

Sobre o jogo desta noite não há muito a dizer que as pessoas não tenham visto e percebido. Foi uma exibição totalmente dominadora do Benfica que só foi interrompida pelo arremesso de tochas por alguns energúmenos. O golo do Porto surge pouco depois disso e foi para mim muito preocupante porque foi completamente contra a corrente do jogo e podia quebrar a nossa equipa animicamente.

Mas a resposta da equipa na segunda parte foi ainda mais forte do que a entrada no jogo. Não me lembro de uma exibição tão conseguida e dominadora contra o Porto no campeonato. Houve uma vitória por 3-0 no tempo de Souness mas foi numa era muito negativa em que não lutávamos para nada. 

Grandes exibições individuais também de muitos jogadores. Estão de parabéns, assim como Lage e os adeptos (excepto os que já referi). Agora é manter os pés no chão e continuar a trabalhar. É um lugar comum do futebol, mas aplica-se na perfeição ao atual momento.



domingo, 3 de novembro de 2024

Uma janela de oportunidade

 

O Benfica reagiu bem à derrota com o Feyenord e venceu os três jogos seguintes. Tinha obviamente obrigação disso, mas após uma derrota dura que quebrara uma dinâmica de vitórias, havia dúvidas quanto à forma como a equipa reagiria. Reagiu bem e isso deve ser valorizado. Obviamente que não vamos ganhar todos os jogos daqui até ao final da época, pelo que a consistência e a capacidade de reagir a momentos difíceis ou negativos serão de enorme importância. Isso viu-se quer em Bruno Lage quer nos jogadores.

Destaque nestes jogos mais uma vez para Akturkoglu, que aos muitos golos que tem marcado juntou no jogo com o Farense um bis de assistências (e aqui estamos a falar de "verdadeiras assistências e não do mero facto de ter sido o último jogador a tocar na bola antes do autor do golo), Carreras, cuja evolução tem sido assombrosa e Pavlidis que após uma passagem pelo banco na Taça da Liga voltou aos golos. O grego tem trabalhado bem mas faltavam os golos. Esperemos que seja para continuar. O que ainda me preocupa é a técnica de remate (não pode ser uma questão de força, porque o grego tem capacidade atlética): os seus remates são constantemente fracos e rasteiros. Compare-se por exemplo com os avançados do Porto e do Sporting... É um aspecto a rever.

Falando agora do menos positivo, daquilo em que precisamos de melhorar. Antes de mais a segurança defensiva: estamos constantemente a sofrer golos e a entrar nos jogos a perder. Isto não pode ser. Otamendi tem cometido vários erros, por vezes parecendo intranquilo. Não sei identificar o problema porque Florentino e Aurnes dão uma boa cobertura defensiva e, pelo menos em teoria, um meio campo a três deveria dar mais equilíbrio e consistência à equipa. Lage certamente também já tentou corrigir a situação, mas ainda não conseguiu. Terá de trabalhar mais e identificar o problema e pelo menos minimizar os seus efeitos negativos. No ataque há dinâmicas interessantes e o nosso corredor direito consegue carrilar muito jogo, mas por vezes Pavlidis está um pouco sozinho na zona de finalização. No jogo com o Farense apesar de um amplo domínio acabámos a sofrer e concedemos oportunidades ao adversário. Faltou controlo nessa altura, apesar de Lage ter feito várias alterações que visavam isso mesmo. Também o vi tenso e preocupado, o que não é o melhor sinal para dentro de campo. Lage tem acertado muito mais do que tem errado e precisa de ter confiança no (bom) trabalho que tem feito.

Chegamos assim ao último ponto deste artigo: as perspectivas para os próximos jogos e para o resto da época. E neste ponto, sobretudo o remanescente da época há um factor novo e absolutamente transformador: a saída de Rúben Amorim do Sporting. Não nos iludamos: o Sporting de Amorim é uma equipa dominadora como há muito não se via em Portugal e provavelmente não daria qualquer hipótese a Benfica e Porto. Mas as coisas agora vão mudar. 

Não quer isto dizer que o Sporting vá começar a perder jogos atrás de jogos e que se vá desmantelar todo de um momento para o outro. A dinâmica de vitórias e o impulso que vem de trás deverão manter-se no futuro imediato, tanto mais que quem assumir o lugar não irá mexer muito. Mas há nuances, há detalhes, há personalidades que são diferentes. Quando as coisas correrem mal surgirão dúvidas, haverá alguma instabilidade. E isso abre uma janela de oportunidade para o Benfica (e para o Porto).

Assim e em conclusão, os próximos jogos são muito importantes, mas, sendo realistas, o mais importante é contra o Porto. O Bayern é um colosso que tritura adversários, especialmente em casa. Se o Benfica repetir os erros que têm sido constantes no último terço do terreno, o Bayern castigará a nossa equipa com golos. Mesmo se não errarmos ou errarmos pouco, as nossas hipóteses são bastante reduzidas. Aquilo que eu desejo é que o Benfica faça um jogo competente e consciente das suas limitações e que possa ser competitivo. Em última análise e sendo frio, que não seja goleado. Uma nota: este não é um jogo para Di Maria entrar de início, mas sim Beste. 

O jogo verdadeiramente importante e "do nosso campeonato" é o jogo com o Porto. Esse sim, temos de ganhar. É um adversário directo. Em casa temos de vencer, até para marcar já posição. E depois disso voltar a ganhar, consistentemente, semana após semana, para ainda termos hipóteses de ser campeões esta época. Com a saída de Amorim abriu-se uma janela de oportunidade. Temos de a aproveitar, a começar já no jogo com o Porto.


P. S. Uma coisa que me esqueci de mencionar no texto, foi os passes falhados no jogo com o Farense. Na primeira parte o número de bolas perdidas por passes falhados, erros não forçados, foi impressionante. Kokçu então parecia que acertava sempre no "boneco", o jogador adversário que estava mesmo à sua frente. Isto não pode acontecer. Na segunda parte melhorámos um pouco mas no final do jogo voltámos ao mesmo. Bruno Lage tem de olhar para este aspecto. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Derrota devastadora

 Após uma exibição e resultado de sonho frente ao Atlético de Madrid, o Benfica fez um jogo terrível e foi derrotado em casa de forma clara por uma equipa mediana no panorama europeu.

A habitual palhaçada na Choupana e a paragem estúpida para jogos inúteis da seleção nacional ajudaram o Benfica? Voltar à competição com um jogo com o Pevidem ajuda? Naturalmente que não. Mas Lage também não se ajudou a si próprio nem à equipa. Claro que a derrota, tal como a morte, traz sempre desculpas. Mas se há jogadores que eu teria poupado, especialmente a 90 minutos, são Florentino e Aurnes. Isto era um jogo para Leandro Barreiro ter assumido a titularidade. Florentino e Aurnes não sabem jogar com pouca intensidade e chegaram à partida com o Feyenord em condições abaixo do ideal. O seu rendimento abaixo do habitual foi uma das causas por que perdemos o jogo.

Mas a partida com o Pevidem foi má a vários níveis e não augurou boas coisas para a jornada europeia. O Benfica voltou a não criar praticamente oportunidades de golo e venceu por uma margem embaraçosa uma equipa de amadores. Bruno Lage no final pareceu muito satisfeito, o que para mim é inexplicável.

O laxismo prolongou-se para a Liga dos Campeões. Os jogadores (e se calhar o treinador) acharam que ia ser fácil. Depois de vencer categoricamente o Atlético, que hipóteses teria o Feyenord? E isso é meio caminho para se perder. 

Tacticamente o Benfica foi surpreendido e superado. Logo no início começámos a pressionar a defesa adversária para tentar ganhar a bola, mas não o fizemos suficientemente bem e o adversário mostrou argumentos suficientes para se libertar da nossa pressão e depois sair em ataques rapidíssimo, com uma grande parte dos nossos jogadores já batidos. Isto foi óbvio ao cabo de 5 minutos mas continuámos a fazê-lo durante toda a primeira parte. Resultado: a equipa desgastou-se física e mentalmente, perdemos confiança e abrimos avenidas em direção à nossa baliza. Inversamente o adversário ganhou confiança. Sofremos 3 golos (um deles anulado, numa falta "suave" sobre Otamendi, que pouca influência teve no desfecho da jogada) e praticamente não fizemos um ataque de qualidade. Tivemos uma grande oportunidade num canto, com Bah a cabecear ao poste e um golo "anulado" (na verdade Akturkoglu estava tão claramente fora de jogo que o lance poderia ter sido imediatamente parado).

Na segunda parte o Benfica melhorou como não poderia deixar de ser, mas demorou demasiado a marcar. Aliás o vencedor do jogo só não ficou definido mais cedo por alguns centímetros, num livre lateral em que os holandeses fazem o que seria o 0-3, com a nossa defesa mais uma vez completamente batida. Foi por muito pouco. O Benfica faz então o 1-2 numa boa jogada, com alguma velocidade e objetividade e depois disso teve um bom período em que conseguiu encostar o adversário atrás. Nesse período há um excelente cabeceamento de Amdouni que se fosse mais desviado em relação ao guarda-redes seria golo. Mas foi Sol de pouca dura. Os holandeses voltaram a pegar no jogo e foi com total passividade da nossa defesa e de Trubin que, com alguma naturalidade, marcaram e fecharam o jogo.

Uma exibição desastrosa e com consequências devastadoras para as aspirações do Benfica. É que se instalou novamente a dúvida ao mesmo tempo que se perderam 3 pontos absolutamente cruciais. Agora vêm aí jogos muito mais difíceis. A jogar assim, com esta falta de intensidade e de rigor táctico seremos trucidados pelo Bayern. O Mónaco também está a jogar muito e a marcar muitos golos tendo derrotado o Barcelona.

Há coisas que não podem acontecer, há derrotas inadmissíveis e esta foi uma delas. O Sporting empatou em Eindhoven com o líder do campeonato holandês (9j - 9 v). O Benfica perdeu em casa com o 4° classificado (8j - 4v 4e) e poderia ter sido goleado. Também me preocupa o discurso de Lage que foi errático e confuso. Disse que havia que compreender por que perdemos (com o que eu concordo em absoluto) mas depois parece colocar tudo em supostos erros defensivos que deram os golos. Claro que houve erros e bem graves. Mas, para já não vai contar com os dois golos anulados, que poderiam perfeitamente ter dado em golos válidos e nos quais os erros são ainda mais caricatos. E depois vai branquear o facto de que fomos dominados e ultrapassados em todos os sectores (a começar pelo meio campo), durante grande parte do jogo. O nosso ataque voltou a ser inoperante. Tal como previ, Pavlidis não é o goleador de que necessitávamos e a saída de Marcos Leonardo foi um disparate. Ou seja, a análise, ao focar-se nos erros, especialmente o que deu o primeiro golo, vai perder de vista as verdadeiras causas pelas quais perdemos.

Tudo estava a correr bem. É preciso agora descer à terra e concentrarmo-nos nas competições internas. Aí não há desculpas para não ganhar pelo menos aos Estrelas da Amadora e afins, semana após semana. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Classe numa noite europeia à Benfica

 O jogo começou a ser ganho na escolha do 11.

Como escrevi, Bah é o lateral direito do Benfica e a solução Tomás Araújo não poderia senão ser transitória. Num jogo deste nível e intensidade precisávamos de Bah. Mas Lage fez uma coisa ainda mais inteligente que foi colocar simultaneamente Bah e Araújo no 11, deixando desta vez António Silva no banco. Aproveitou-se o bom momento do central (que além disso é mais técnico do que Silva) e Bah regressou ao 11 como tinha de ser. Por acaso as coisas até podiam ter corrido mal e o jogo ter sido completamente diferente, logo por aquele lado. É que ainda no primeiro minuto Araújo tenta fintar um adversário, perde a bola quase sem colegas atrás de si e dá azo a um lance que foi bem resolvido mas que poderia ter sido de muito perigo. No entanto esse lance não gerou qualquer intranquilidade, fosse em Araújo, que embarcou para uma exibição sem nada a apontar, fosse na restante equipa que vulgarizou por completo um Atlético de Madrid que ainda não tinha perdido esta época, nem sequer contra o super Real Madrid. Nota ainda para a manutenção de Pavlidis no 11, quando alguns defendiam que se deveria jogar sem avançado fixo. Pelo contrário, Pavlidis permitiu fixar os centrais do Atleti e ao mesmo tempo serviu de ponto de apoio para os nossos ataques, tendo estado perto de marcar duas vezes e tendo conquistado o penalti que permitiu à equipa tranquilizar ainda mais. 

Galeria de fotos: clicar


Também escrevi aqui, logo antes do jogo, que seria muito difícil bater esta equipa madrilena, cínica e simultaneamente muito talentosa. Uma equipa onde há 4 campeões do mundo. Uma equipa que jogou com um ataque extremamente móvel e perigoso. Eu tinha até algum receio de que um eventual resultado menos bom pudesse colocar em causa o momento positivo que se vive, quer a nível futebolístico quer em termos de empatia e ambiente entre jogadores e adeptos. Obviamente estava muito longe de imaginar uma goleada por 4-0!!

Foi uma noite europeia, uma noite de gala na qual o Benfica foi superior em tudo ao Atlético de Madrid, praticamente do princípio ao fim. A dada altura foi bem claro que os jogadores da equipa espanhola desistiram e apenas queriam que o jogo acabasse para evitar o avolumar do resultado. 

Foi uma noite de grandes exibições no Benfica: Aurnes, Florentino, Carreras, Di Maria, Kokçu, Bah, Otamendi, Akturkoglu, Pavlidis, todos estiveram a um nível elevadíssimo. Eu hesitaria no homem do jogo, embora Carreras tenha sido a maior surpresa. A segurança e a confiança que demonstrou, com apontamentos de classe, foram algo de que não estava necessariamente à espera num jogo de tamanha responsabilidade. Tem sido dos jogadores que mais tem amadurecido e subido de rendimento esta época. O passe de Aurnes a isolar Akturkoglu, o movimento deste e a finalização foram talvez o ponto mais alto do jogo que de resto só teve golos de bola parada. É que tudo é muito rápido e feito praticamente de olhos fechados. Florentino foi gigante no meio campo, não se tendo limitado a cortar (muitas) bolas: também soube endossar jogo com qualidade. Mais uma vez quem veio do banco acrescentou: Amdouni ganhou um penalti; Beste assistiu num excelente canto em que a bola baixou subitamente caindo mesmo na cabeça de Bah; Leandro Barreiro deu pulmão nos últimos minutos, tendo ainda feito um excelente corte em carrinho que proporcionou mais uma oportunidade e Rollheiser também voltou a jogar muito bem. Já falei de Pavlidis que terá feito um dos melhores jogos enquanto referência atacante. Tudo somado houve Benfica a mais para um Atlético de Madrid que claramente não conseguiu recuperar do derbi de Domingo e foi simplesmente atropelado.













Há agora que dar continuidade contra o Nacional. Depois virá um outro grande desafio: fazer com que a pausa para as seleções não interrompa a série de bons resultados e boas exibições.