O Benfica é um grande negócio para muitos: dirigentes, treinadores, jogadores, empresários e intermediários. Toda essa gente ganha muito dinheiro em ordenados, prémios e comissões. Os adeptos por sua vez não ganham dinheiro nenhum. Têm alegrias quando o clube vence, sentindo (ou iludindo-se) que eles próprios ganharam alguma coisa e desilusões, por vezes profundas, com as derrotas. Mas em geral gastam dinheiro e tempo com o seu clube. São eles que alimentam todo o negócio. Alimentam os ídolos que depois saem por milhões. Mas eles adeptos não vêem nem um cêntimo.
Isto para dizer que até Weigel chegar o Benfica estava bem (para o panorama nacional e os padrões que aqui se praticam). Tinha uma vantagem ampla e o campeonato parecia ganho. Depois veio Weigel por 20 milhões. Foi necessário mexer num meio campo que estava a funcionar bem e as coisas descambaram por completo.
É óbvio que há muito mais culpas. O alemão não é o único responsável pela perda de toda a vantagem que tínhamos e pelo péssimo futebol que passámos a apresentar desde a sua chegada. Claro que ter um elemento nulo no meio campo que não ataca nem defende é um grande handicap para qualquer equipa. É verdade também que quando ele não joga costumamos ganhar. No entanto quando uma equipa como o Benfica, que apesar de tudo tem jogadores de qualidade acima da média, não consegue sequer marcar um golo ao Tondela é porque há muita incompetência de quem dirige a equipa.
Lage entrou como um treinador humilde mas rapidamente se convenceu de pairar numa esfera superior, armando-se em moralista e envolvendo-se em teimosias e conflitos, por exemplo com Samaris.
O futebol deste Benfica é paupérrimo. Não tem ideias, não tem imaginação, não tem dinâmica. Lage mexe mal na equipa, por vezes tirando os melhores jogadores. Não tem capacidade de dar a volta a situações negativas, afundando a equipa num ciclo depressivo.
Para acabar a noite de ontem em vergonha, uns criminosos foram apedrejar o autocarro do clube, ferindo dois jogadores.